Capítulo 35
Três dias foi o tempo que Darlan levou para voltar a Catalan, não foi correndo ver o rei como muitos pensavam que iria, precisava primeiro se limpar e limpar suas feridas. O rosto do rapaz tinham vários roxos e alguns cortes, suas roupas estavam em frangalhos e sua raiva o consumia, o único conforto deixado para si era que ele tinha conseguido machucar seriamente muitos daqueles camponeses idiotas, apesar de seu desejo era de matar a todos.
Se olhou no espelho, assustou como sua expressão, normalmente suave e cheia de malícia, agora estava retorcida em uma careta de raiva e ódio, a qual não conseguia desfazer.
- Que seja... - ele disse a si mesmo saindo do quarto.
Ele havia mandado uma mensagem ao rei pedido que o relatório fosse dado em particular no escritório, em parte para manter a situação da briga fora das terras Briendal longe das fofocas da corte e outra: para apenas não admitir que perderá a garota, a qual já tinha outro homem. Não cumprimentou ninguém no caminho, estava focado para não explodir.
Bateu na porta e abriu sem esperar a resposta, a primeira coisa que ele viu foi belos pares de olhos lilás sentados no sofá, quis pular no pescoço da prima e responsável pela fuga de Gayla do castelo, viu seu pai ao lado do rei entregando alguns papéis, Aires ajeitando bonecos em um mapa de Aron e Caleb interessado em um livro qualquer, todos eles não conseguiram esconder a surpresa de vê-lo ferido.
- Darlan? - Akanta se levantou e foi até ele - O que aconteceu?
Ela tentou segurar seu braço para sentar, iria chamar algum para limpar as feridas ou colocar algo sobre os roxos, mas ele apenas desviou seu braço de modo rude e foi para frente do rei a ignorando. A moça olhou para seu irmão, que franzindo a testa saiu de seu lugar para se aproximar do primo.
- Encontramos Gayla, senhor. - ele disse vazio de emoção - Mas ela disse que não pretende voltar, os plebeus a ajudaram escapar pela floresta, não temos mais ideia de onde ela possa está.
O rei suspirou e olhou para Akanta que concordou fez o mesmo com Aires, o qual repetiu a ação da irmã. Os dois sabiam o que seu pai estava fazendo, era uma permissão para falar de algo que os três compartilhavam.
- Está na hora de acabar com toda a minha história de garota acuada na floresta, não é mesmo meu irmão? - o homem disse levantando e olhando para Jhon com muita tristeza - Eu sei onde minha protegida deve está. Deve ter sido achada por um rebelde e acolhida por eles na capital de Zaark. Em breve ela não será mais Gayla.
- O que o senhor quer dizer? - Darlan disse engolindo seco.
- Eu sequestrei Avalon no ataque a Zaark. Era para eu ter a matado, mas não consegui e agora essa bagunça vai ficar bem maior do que deveria.
- O senhor tem senso de humor... - Darlan disse após um silêncio desconfortável.
- Ele não está brincando, Darlan... - Aires disse torcendo a boca.
Foi a primeira vez que o rapaz reparava no primo direito, se assustou ao constatar que ambos tinham a mesma expressão dura e feia.
- Então... - ele gaguejou - Inferno!
O rapaz bateu a mão na escrivaninha e se virou de uma vez para Akanta, completamente vermelho, se aproximou apontando um dedo para sua cara enquanto gritava, pouco importando se o castelo inteiro, Catalan ou até mesmo Aron fosse capaz de ouvir.
- Sua cadela! Tem noção do que fez ou deixá-la fugir!
- Que? - Akanta disse olhando para o primo depois para o pai.
Todos ali ficaram em choque diante da reação do rapaz, o qual terminou de se aproximar da moça e apegou pelo braço de modo agressivo, aproximou do rei e praticamente a jogou na sua frente.
- Sua filha foi responsável por essa merda toda! Akanta deixou Avalon fugir... - ele a olhou, os cabelos dela bagunçaram e seus olhos queimaram com uma raiva, agora familiar a ele - Aposto que ela própria contou a garota a verdade. Estava agindo estranha desde o dia que ela sumiu.
- Akanta? - Aires disse olhando para irmã, que era ajudada por Caleb a se levantar.
A moça ia negar, mas percebeu que ao fazer isso duas coisas poderiam acontecer, ninguém acreditar nela ou de seu tio ser desmascarado. Ela poderia ser muita coisa ruim nessa vida, mas jamais trairia a família, então, a princesa desviou o olhar do irmão e não conseguiu encarar o pai.
Aquele jeito delicado e quase inocente da moça, fez o sangue de Darlan esquentar ainda mais, ele não não viu quando aproximou da princesa e virou um tapa na cara dela, nem sentiu quando o guarda da moça avançou sobre ele e que foi parar no chão com a cabeça sangrando.
- Chega disso! - o rei gritou, ele ofegava e segurava o peito - Darlan, garoto, é melhor você se controlar. Não aceitarei que você encoste mais um dedo em minha filha!
Ele virou o rosto para a princesa, a qual tinha lágrimas no rosto e um grande vermelho em sua face.
- Akanta, por favor, me fale que esse rapaz está mentido! - a voz dele era dolorida - Filha, me diga que não foi correndo até ela na hora que descobriu a verdade e a fez fugir.
A garota, suspirou e fechou os olhos em um sinal de silêncio. O rei respirava estranho quando Jhon falou ao seu lado.
- Fui eu Vincent. - ele olhou para Darlan no chão em choque - Fui eu que contou tudo para Avalon e a ajudou a fugir, até mesmo a instruir de onde ir e o que falar. Dei a ela o colar que usava quando a sequestrou, dinheiro, roupas e armas para fazer a viagem tranquilamente. Akanta me achou enquanto ela corria para a floresta, acho que ela não falou nada por eu ser o tio dela, mas a culpa é minha.
- Pai? - Darlan gritou - O senhor tem noção....?
- Completa e maior do que a sua, aparentemente! - ele disse tenso - Disse que era para acabar com o noivado com ela, mas decidiu não fazer isso. Não ia permitir que a garota vivesse completamente infeliz aqui na corte, quando ela tinha mais possibilidades de ser feliz!
- Nunca pensei que me trairia assim, irmão... - o rei disse com pesar - Não me sinto bem.
Então, Vincent, o rei de Catalan caiu no chão desmaiado. Akanta e Aires correram para perto do pai e tentaram desesperadamente acordá-lo, enquanto Caleb gritava no corredor que precisavam de ajuda. Jhon e Darlan ficaram presos no lugar, assustados demais para reagir.
Em meia hora, ele foi declarado morto."
Deixei as palavras da moça percorrer pelo meu corpo e permitir um certo choque. Sabia que o rei tinha morrido, mas agora? Lembrava do dia exato que essa notícia chegou na minha casa e como todos nós tínhamos ficado felizes em saber que aquele terrível rei não iria incomodar ninguém. Essa memória me incomodou um pouco agora, foi tão fácil esquecer que aquele homem era um ser humano.
- Deveria ter acabado a história ontem agora... - o rapaz ruivo disse no seu quinto copo de cerveja, bebia mais devagar e comia alguma coisa, mas o álcool já o permitia sorrir.
- Sol estava nascendo, não dava mais para continuar.
- Lembre-se do que sua mãe disse de enrolar demais para contar uma história... - ele riu - Vai fazer seus ouvintes dormirem.
A moça pegou um guardanapo e jogou no rosto do homem rindo.
- Continuando...
"A garota engoliu seco a medida que entrava na cidade dos rebeldes, Kay conversava animadamente sobre as pessoas dali, as coisas que tinham que fazer e milhares e milhares de informações, as quais ela se assustava de receber. Sorriu de modo meio forçado para ele, não estava gostando dos olhares das pessoas em sua direção.
- Bem... - ele disse pensativo - Acho que vale vocês dois almoçaram e descansarem esse dia, mas amanhã já quero mostrar nossa estratégia contra Catalan. Imagino que por viver lá você tenha uma noção da forma como o rei pensa.
- Vincent não falava muito sobre si...
- Claro... - ele bateu na testa - Você era apenas uma guarda lá. Ele nem deveria ter muito contato com você, mas tinha contato com estratégias de guerra, certo?
Asterin concordou, não queria explicar seu passado assim para seu primo, temia que ele não a compreendesse. Apertou a mão de Marlon, sentindo sua presença reconfortante ali. Logo atrás, Liam e Em iam lado a lado, a garota não parava de olhar para o cabelo do rapaz, queria tocar.
- Sabe lutar? - Liam disse para ela, envergonhado.
- Não. - ela sorriu - Vai me ensinar?
O rapaz deu de ombros, estava pensando em encaminhar a garota para Adam, mas refletiu que as cicatrizes dele poderiam assustá-la. Porém não estava muito animado com a ideia de cuidar da menina, ela tinha uma expressão de sapeca e parecia pronta para aprontar alguma coisa os olhos dela ficaram nele, brilhantes e ansiosos.
- Onde está Ravena? - Asterin disse percebendo que a mulher não estava mais com eles.
- Deve ter ido deitar... - Marlon respondeu suspirando - Teve uma longa noite.
- O bebê está prestes a chegar? - Kay disse tenso.
- Aparentemente... - ela disse sorrindo - No dia que eu te vi na feira você estava com uma moça ruiva.
- Sim... - ele olhou para baixo - Valentina, ela é irmã do Liam, foi sequestrada por Catalan quando íamos te buscar.
- Espera! - ela disse pegando no pulso dele - Você foi para Catalan! Kay, tem noção o quanto isso foi...
- Precisávamos da nossa rainha. - ele disse sorrindo.
- Quanto tempo ela está lá?
- Desde o dia em que você fugiu, mais ou menos.
Asterin olhou para o garoto ruivo e deu um sorriso triste, depois para o primo. A culpa por ter ficado tanto tempo na floresta com Marlon caiu em seus ombros. O que estava pensando enquanto brincava de camponesa? Ela tinha que ter assumido seu lugar antes.
- Nós vamos resgatá-la. Eu prometo.
- Claro que vamos! - ele riu - E chegamos! A casa de Estêvão e Flora tem espaço para que vocês possam se acomodar com folga.
- Flora e Estêvão? - a garota disse não reconhecendo os nomes.
- Flora é de Canavil, irmã de Ravena, Estêvão era filho de Gael. O homem que comprava seu amor com as tintas de conchas.
- Me lembrei! - ela disse rindo - Quero ir para meu quarto depois. As coisas ainda estão lá?
- Intocadas. - ele disse sorrindo.
Ela apertou os lábios tentando lembrar dos seus objetos que deveriam está lá, alguns brinquedos eram simples, mas não tudo. Como seria encontrar essa parte da infância congelada no tempo?
Flora e Estêvão apareceram e levaram ambos para dentro da casa, sugeriram uma organização para que os dois ficassem separados, Asterin interferiu e com a desculpa de deixar aquela situação mais simples, apenas dessem um quarto para os dois. Os anfitriões não contestaram, mas começavam a se preocupar se a garota estava compreendendo o que era ser rainha.
Já do lado de fora, indo para casa Liam olhava preocupado para Kay, que tinha uma expressão distante. Sabia que o rapaz não estava bem em descobrir que sua prima estava envolvida com outra pessoa, mas achou surpreendente como ele não expressou nada para ela.
- Kay... - ele chamou o tirando dos pensamentos - Quer conversar?
- Sobre o que? - ele suspirou e sorriu - Ela está viva e isso me basta.
- Tem certeza?
- Sim. Sempre soube que havia chance disso acontecer, além disso, o nosso acordo de casamento envolvia a permissão dela quando ficasse mais velha. - ele deu de ombros - Marlon me parece um bom homem e conseguirá assumir o lugar ao lado dela sem muito esforço.
- Kay...
- Não quero falar mais sobre isso. - ele pediu com um semblante triste.
Liam suspirou, por mais que ele quisesse não poderia nem culpar Avalon de abandonar seu amigo assim, provavelmente ela nem se lembrava desse acordo ou nem tinha conhecimento sobre isso. Sem contar que todos merecem escolher como a sua vida vai guiar e, por causa disso, esses desencontros acontecem, mas ainda ele estava com raiva. Queria que as coisas tivessem sido um pouco melhor para Kay.
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