Capítulo 31
Voltei!!!
Despois de ficar no mato durante um tempo, subir uma cachoeira e ver pela primeira vez uma quantidade considerável de vaga-lumes juntos, vou fazer uma pequena maratona.
Preparados?
👑
A bebida tinha subido em Asterin, a garota não parava de ri ou de fazer piadas, parecia ter perdido completamente a vergonha e, quando dançava com as estrangeiras, chegou até dançar de par com Anneliza, a qual também não estava muito normal, depois ela arrastou Marlon para o meio da praça.
Aquilo estava beirando o ridículo. Os dois não se encontravam em seus passos, Oto em uma tentativa de ajudar seu amigo piava e o bicava, mas tudo era confuso e Asterin apenas ria a cada erro.
- Para... - ela disse com a voz enrolada, pegando as mãos do rapaz e passando em sua cintura - Vamos fazer da maneira mais fácil.
Ela tentou segurar o pescoço do rapaz, mas encontrou dificuldade, se contatou segurar seus ombros rindo, meio devagar ela guiou o rapaz em passos simples, basicamente de um lado para o outro.
- Conseguimos! - ela disse com o rosto corado - Viu, não foi difícil!
- Certo... - ele estava como um pimentão - Nada mais de bebida de milho para você!
- Deixa disso! - ela disse fazendo uma careta - Tô ótima!
- E... até eu tô vendo! - ele disse apertando os lábios.
Ela o abraçou com força, inalado o seu cheiro, era tão bom ouvir seu coração, o rapaz apenas apertou sua cintura, feliz pelo contato. A cabeça dele começou a martelar de novo, será que ela iria ficar com a sua família na cidade? Se sim, talvez ele começasse a visitá-los mais. Se separar dela... seu peito doeu.
- Sabe? - ela riu - Esses dias foram os melhores da minha vida!
- Inclusive o momento que você tomou a facada? - ele riu.
- Graças aquela facada eu pude ficar na sua casa durante um tempo te conhecendo. Eu amo minha cicatriz por isso! - ela estendeu a mão e segurou o rosto dele - Nunca estive tão feliz... é uma pena.
- O que? - ele disse preocupado.
Antes que a moça fosse capaz de responder a música terminou e ela se distraiu para levar o rapaz para as bordas do local, pronta para mais um copo de bebida. No caminho, Ravena apareceu interrompendo os dois.
- Ah! Asterin, Marlon... - ela disse feliz, tinha um violino nas mãos - Eu estava procurando os dois. Mael e Nora disseram que era para eu abrir a noite, mas não me sinto confortável de fazer isso sozinha, será que poderiam me ajudar? Quero tocar uma música para os recém casados e preciso de outro instrumento, além do violino e alguém para cantar.
- Eu não trouxe nada... - Marlon disse apertando os lábios - Mas posso ir até em casa buscar um.
- Muito obrigada! - ela disse com um brilhante sorriso no rosto - Se quiser eu posso ir lá.
- Isso não é perigoso para você? - ela disse com a voz arrastada.
- Estou grávida, Asterin, não debilitada... - Ravena disse rindo e colocando a mão na barriga.
- Desculpa, mas eu não tenho experiência com mulheres carregando bebês na barriga. - ela disse dando de ombros - Vamos todos para lá.
Sem dar tempo para discussão a moça saiu andando em direção da rua, Marlon sentindo que ela o soltava deu mais alguns passos em frente, segurando a mão dela com cuidado. A coitada estava tão tonta que era capaz de cair se não tivesse nada para apoiar.
Pelas ruas a moça caminhava tentando não cair pelos cantos, enquanto Marlon e Oto tentavam desesperadamente mantê-la em pé. Por fim, Marlon a pegou no colo, arrancando risadas do trio.
- Pronto! - ele disse a colocando no chão e depositando um beijo na testa dela - Eu e Oto vamos pegar o instrumento, Ravena, toma conta dela.
- Nem tô tão ruim assim. - ela bufou sentando na calçada.
- Claro que não. - ele disse sendo guiado pela coruja até a porta, Ravena percebeu que ele estava andando melhor do que a moça.
Quando ele estava bem distante e ela desengonçada tentava ficar de pé, a mulher decidiu colocar seu plano em prática, mesmo que Avalon estivesse tonta, ela não estava o suficiente para esquecer de tudo no dia seguinte. Ravena se aproximou e pegou o colar exposto da moça.
- De onde você é mesmo?
- Do Sul... - ela disse rindo - Não importa.
- Como era a sua família? - ela disse ainda girando a joia do pescoço da menina nos dedos.
- Sua mão... - ela falou pegando ela - Por que está tão cicatrizada?
- Um sacrifício por amor.
Asterin olhou para Ravena com a sobrancelha franzida, pareceu pensar ou pelo menos tentar, então se lembrou da última pergunta da mulher.
- Minha família era confusa. Se é que eu tenho uma. - ela olhou para o anel no dedo de Ravena - Como é seu marido?
- Um homem que está tentando muito ser uma pessoa melhor!
- Isso é bom! - ela disse rindo.
- Sim... - Ravena voltou a segurar o colar de Asterin - Avalon, pretende voltar e assumir seu lugar?
- Bem... eu... do que você me chamou?
- Eu sei quem você é... - ela sussurrou - Na realidade estou aqui para levá-la para casa, se for do seu desejo. Por isso que estou te perguntando, amanhã no final do festival estarei voltando e quero saber se virá comigo.
- Como me reconheceu?
- Já estava te esperando. - ela passou a mão com gentileza no rosto dela - Você vai querer vim?
Os movimentos letárgicos da menina a fizeram olhar para a casa, a qual Marlon entrará. Ela queria? Não. Precisava? Também não. Mas era a sua responsabilidade? Bem, isso sim, seu sangue clamava por justiça de seu povo e cada vez mais ela amava tudo que a sua terra lhe oferecia. Sim, ela queria levar todos eles para a liberdade! Mas ela era capaz disso?
- Olha... - Ravena disse vendo Marlon voltar - Eu sei como você se sente em relação deixar certas coisas de lado. Pode me responder amanhã.
- Estou com um violão... - ele disse sorrindo - Serve?
- Perfeitamente. - Ravena disse sorrindo - Vamos, eles devem está esperando.
Eles começaram a voltar para a praça devagar, a moça tinha parado de ri e agora segurava o braço de Marlon quase que com força. Sentia, em seu coração que ele poderia simplesmente desaparecer a qualquer momento.
- Qual música vai tocar? - Marlon disse trazendo Asterin mais para perto, estranhando sua nova postura.
Ravena disse que não sabia o nome, então começou a cantarolar, parou na metade da melodia e sorriu, contando que foram isso que tocaram em seu casamento.
- Isso é um dueto... - a moça disse apertando o braço de Marlon - Você vai ter que cantar comigo.
- Odeio a minha voz. Não há necessidade...
- Ah! Cale a boca! Você canta bem, além disso não dá para ficar cantando juras de amor para mim mesma! - ela deu um sorriso provocativo - Se você não cantar vou chamar Anneliza para me acompanhar.
O rapaz bufou e Ravena não conteve a própria risada, sem muito esforço, Marlon havia concordado de cantar. Quando chegaram na praça os três subiram no palanque, o rapaz afinou sem muito esforço os instrumentos e iniciaram a música suavemente.
Asterin sentia o mundo girar ao redor dela, mas não de forma vertiginosa, nem desesperadora, apenas girava. Olhou para o céu e se sentiu com uma estranha paz, não sabia qual seria seu futuro, nem para onde suas decisões a levaria, porém sentia que alguém estava a protegendo e que não importava o final de tudo, ela ainda seria amada e cuidada.
A voz rouca e suave de Marlon surgiu pouco depois das primeiras notas do instrumento, o som do violino de Ravena era perfeito para tudo ali. Sem resistir a garota contemplava os olhos fechados do rapaz, absorto a sua música, as suas bochechas vermelhas por está cantando pela primeira vez em público e seus dedos precisos no instrumento. Aquela visão era tão bela que a moça quase perdeu sua deixa de começar a cantar.
Aos poucos o ritmo tranquilo da música foi modificado por algo cada vez mais rápido e ela não pode conter de não bater seu pé ou iniciar uma pequena dança, mas os olhos dela quase não saiam de cima de Marlon, apenas uma vez ela teve coragem de olhar o público, os quais haviam se separado em dupla para a dança.
- Se comigo casar... - tanto Marlon e Asterin disse a última frase da música e puxaram o ar necessário de seus pulmões.
Enquanto recebia os aplausos ela olhava o céu.
A festa seguiu com mais música, bebida e risadas, Asterin queria tanto ficar por ali que ela é Marlon foram os últimos a voltar para casa. Custaram para chegar no quarto sem fazer barulho, afinal, a moça não estava se aguentando em pé direito. Meio desajeitada ela tirou o vestido e limpou a tinta de seu corpo colocando uma túnica para ajudar Marlon a se livrar dos padrões do rosto.
- Vai conseguir dormir? - Marlon disse rindo
- Por que eu não conseguiria? - ela respondeu sentando na cama.
- Está muito agitada.
- Muita coisa aconteceu hoje. - ela riu ficando de pé no colchão e o abraçando - Estou maior do que você!
- Incrível... - ele sorriu a abraçando de volta, mas com o coração partido - Amanhã é o último dia.
- Sim... - ela sussurrou soltando o cabelo dele e fazendo carinhos nas suas mechas cor de areia - Ravena sabe de tudo.
- Contou a ela que você é Gayla? - ele disse preocupado - O quão bêbada você está?
- Não contei nada para ela! - ela bufou - E não é sobre Gayla que estamos falando.
- Então ela sabe que você...
- Ravena está com os rebeldes e veio aqui a minha procura.
- Como ela saberia que ia te encontrar aqui?
- Não sei... ouvir ela conversando com Anneliza ontem... acho que ela é meio vidente. Mas isso não importa.
Marlon apertou mais a cintura da moça, uma grande dor passou pelo seu peito e quase o fez quebrar em dois.
- E o que você vai fazer? - a resposta ia machucá-lo?
- Marlon... - ela segurou o rosto dele e depositou um beijo em seu nariz - Eu amo esse lugar! Amo esse povo! Mais do que um dia eu sonhei em amar! Eu vou acabar com essa opressão de Catalan, da forma que meus pais sonharam que eu faria.
- Quando você vai embora? - ele disse, tão perto que os narizes dos dois quase que se encontravam.
- Amanhã... - ela sussurrou atordoada pela bebida e a proximidade dele - Depois de tudo acabar.
- Então, minha rainha, foi um prazer tê-la ao meu lado durante tanto tempo. - ele disse se afastando um pouco, mas ainda abraçados.
- Marlon? - ela perguntou soltando ele, mas o puxando para deitar, seu peito doía também.
- Sim? - ele disse deitando e a trazendo para seu peito.
- Já sentiu que tudo estava certo na sua vida? Como se seus pés não fossem capaz de tocar o chão porque você está flutuando ou que seu coração não cabe em seu peito de tanta alegria? - os olhos dela começaram a pesar - Como se toda a sua existência fosse explicada?
- Aonde você quer chegar? - o rapaz disse com os lábios secos, ele passou a mão no rosto dela sentindo o seu sorriso, desejou vê-la.
- Essa sensação é de está apaixonado. Já senti isso antes... e foi incrível como tudo parecia fluir de mim me tornando tão forte e vulnerável ao mesmo tempo. Entende?
- Sim...
- A questão é: na primeira vez que senti tudo isso, não se compara ao que estou sentindo agora. Quero tanto você perto de mim que dói de pensar que vamos ter que sair dessa cama, não vou poder ficar abraçada a você... dói de imaginar uma vida sem você. - ela disse tais palavras tão casualmente que demorou um tempo para o rapaz cego entender - Se pedir, eu jogo tudo para o ar e fico com você! Pouco importa Zaark ou a guerra, desde que fiquemos juntos!
- Você tem noção do que está dizendo? - a voz estava rouca e ele engoliu seco.
- Estou tonta, Marlon, mas ciente de cada palavra que sai da minha boca. - ela parou para pensar um pouco - Talvez um pouco mais corajosa do que de costume. Mas é sério, eu gosto de você!
- Asterin...
- Não precisa responder agora. - ela suspirou - Tem um dia para pensar nisso com calma... só quero que você saiba que estou aqui...
E com essas palavras os olhos da garota fecharam e sua respiração ficou profunda, deixando Marlon acordado para atrás. Ele engoliu seco e apertou a moça mais contra si, ouviu Oto piando no teto e suspirou.
- Você não é nem um pouco justa. - ele riu, beijou a testa dela e tentou dormir.
Acho que Asterin não tinha noção disso, mas Marlon foi extremamente importante para que ela tivesse começado a amar sua própria pátria, foi ele que apresentou a sua cultura, beleza e peculiaridades. Creio que se ela tivesse ido direto para a capital nunca teria sido uma rainha.
Enquanto isso na floresta, uma longa cabeleira ruiva arrumava um lugar para dormir, estava cansada e precisava parar um pouco. Valentina estava voltando para a casa, mas não conseguia parar de olhar para trás.
A representante do clã Saeb sabia que devia a sua vida ao seu inimigo e nada iria mudar isso.
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