Capitulo 28

Finalmente eles chegaram a cidade. Os cheiros e sons do local eram extremamente familiares para Marlon, não importava o tempo que passava, nada ali parecia mudar. O cheiro do pão, as vozes felizes conversando, música tocando, o mar batendo nas rochas e a maresia.

Asterin olhou ao redor, primeiro preocupada com cartazes com seu rosto, o qual não havia chegado ali. Depois se permitiu olhar ao redor, maravilhada e ansiosa para entender o local onde o rapaz havia crescido. Pela localização acima da colina chapada, eles tinham uma visão privilegiada para o céu e mar, sem árvores ou qualquer outra cobertura, um vento constante e impiedoso tentava de todas as formas arrancar seu capuz da cabeça e os sinais de vida da cidade, seja por música, risos ou conversas eram agradáveis. Desejou ter nascido ali.

- Vamos! - ele disse pegando na mão dela e andando animado por entre as ruas.

A moça sorriu e se permitiu ser puxada por ele, Oto voava acima dos dois e Marlon concentrava na tarefa de bater o cajado no chão, contava cada batida no intuído de não se perder. Demorou bastante para Asterin notar a forma desconfortável que as demais pessoas olhavam para ele a medida que iam passado, primeiro torciam a boca para Marlon para em seguida se assustarem com a presença dela.

Andaram bastante até, enfim, chegarem em uma rua de pedras encaixadas no chão, próxima ao fim da chapada, permitindo que o mar ganhasse mais espaço na paisagem. As casas ali eram bem parecidas, mas, Asterin percebeu, que havia algumas poucas coisas que diferenciavam, como telas secando, músicas que saiam pelas janelas, flores plantadas com todo carinho. Além disso, por ali, um grupo de crianças brincavam, uma mulher grávida conversava com uma ruiva e um grupo de pessoas montavam uma decoração. 

Marlon parou em uma porta muito bem feita e bateu duas vezes, trouxe a presença de Asterin para mais perto de si, enquanto beijava a sua mão e Oto pousava em seu ombro piando. A cortina ao lado foi aberta e uma linda garotinha de olhos avermelhados abriu um grande sorriso, sem demora escancarou a porta puxando o rapaz para dentro gritando.

- Mãe, pai! O tio Marlon chegou! - ela então percebeu a presença de Asterin, que sem graça era puxada junto para dentro do local - E trouxe uma namorada!

- Irmão! - uma voz soou para em seguida um homem tão grande quanto Marlon e extremamente parecido com ele aparecer para abraça-lo - Como foi de viagem?

- Tranquilo... - ele riu sem graça - Na sua maioria.

- Espero que esteja descansado o suficiente para ficar amanhã e os próximos dias tocando até o festival dos vaga-lumes acabar!

- Marlon... - uma voz mais tranquila surgiu junto ao uma bela mulher com os cabelos pretos bem lisos - Que história é essa de namorada...?

Os dois adultos olharam então para Asterin, que sentiu suas faces queimar e suas mãos suar. Automaticamente olhou para o rapaz em busca de apoio, mas viu apenas Oto voar para as madeiras que sustentavam o telhado e se abrigar ali para dormir.

- Primeiro, o nome dela é Asterin! - o rapaz disse sorrindo bastante - Segundo, ela foi machucada pelos ladrões da floresta, ficou na minha casa para se recuperar e nos aproximamos. Ainda está decidindo o seu rumo, a arrastei até aqui em busca de ajuda.

A moça sorriu enquanto abaixava o capuz e tentava se acalmar.

- Não deixe nossa mãe te ver. - o rapaz disse sorrindo e indo apertar a mão dela - Caso o contrário você só sai daqui casada, foi assim que eu conseguir obrigar minha esposa ficar comigo. Meu irmão falou meu nome?

- Mael. - ela disse apertando a mão dele.

- Parabéns! - ele disse para Marlon - Fez pela primeira vez um amigo.

- Não foi por iniciativa minha.

- Bem... - Nora disse feliz - Espero que esteja preparada para o festival!

A menina deu voltas em Asterin a analisando atentamente, isso arrancou uma risada da moça, a qual sentiu completamente intimidada pela criança. Ela se abaixou e estendeu a mão calmamente.

- Marlon me falou muito sobre você, Em.

- Claro que ele falou! Eu sou a luz da vida dele. - ela disse ignorando a mão e indo até seu tio, se agarrar em seu braço.

- Caramba... - Marlon riu - Não sabia que eu tinha te promovido a isso.

- Fala isso apenas para não desagradar ela! - a garotinha empinou seu nariz. - A propósito, tio, onde está meu presente?

- Gwen! - Nora disse puxando de leve a orelha dela.

- Que? - a menina disse irritada.

- Está aqui. - Marlon riu enquanto tirava a mochila e entregava o encadernado para ela.

- Viu? - a menina disse radiante para Asterin - Ele me deu um presente!

Antes que a sua mãe ou pai tivessem a chance de chamar a atenção dela, Em, saiu correndo para rua, mostrar aos seus amigos o seu mais novo livro. Nora e Mael trocaram olhares cansados, mas com algum divertimento no fundo.

- Se você continuar dando presentes para ela assim, em breve vamos ter uma criança incontrolável! - Mael disse passando o braço no ombro do irmão.

- Isso já não faz mais parte do meu papel de tio. - o rapaz riu.

-Desculpe por isso... - Nora disse puxando o braço da moça para sentar em uma das cadeiras da sala - Em, precisa urgentemente de um irmão para começar a aprender a dividir as coisas e pessoas.

- Não me oponho. - Mael riu sentando também - Marlon, o que planeja fazer para entreter a nossa bela cidade durante as festas?

- O que você acha, meu caro irmão? - ele disse tirando a faixa branca dos olhos - Esse ano, pelo menos, tenho como novidade alguém para cantar para mim.

- Você canta? - Nora disse animada e pegando o chá para o grupo.

- Como acha que eu paguei minha viagem até aqui? - ela disse sorrindo e Marlon riu da declaração.

Batidas animadas foram feitas na porta e, sem que desse tempo para alguém se mover, ela foi aberta por uma senhora com cabelos loiros, mas na sua maioria brancos e olhos avermelhados, idênticos aos de Mael e Marlon, a mulher tinha tinta verde espalhada pela roupa e uma mancha azul no rosto.

- Meu filho! - ela disse com um grande sorriso e indo abraçar Marlon, ela era minúscula ao lado dele - Está tão magro e fraco! Já disse que você não pode só comer sopa de legumes o tempo todo!

Asterin olhou para Marlon e depois para Nora, em busca do que justificava falar que Marlon estava magro e fraco, a moça apenas ria discretamente da situação. Baixinho ela disse:

- É assim todo ano!

- E esse cabelo comprido? Esse ano vamos ter que cortá-lo!

- Que isso, mãe! - Mael disse rindo - Até eu aderir esse penteado.

- Você não tem juízo na cabeça! - ela disse dando um tapa na orelha dele - Nenhum dos dois na verdade! Igual ao pai de vocês!

A voz agressiva e repressiva da mãe rapidamente se tornou suave ao falar com Marlon novamente.

- Filho, pare de morar na floresta como um daqueles ladrões e volte para a sua família.  - ela olhou ao redor percebendo pela primeira vez a presença de Asterin - Quem é você?

Nos segundos seguintes que a moça foi responder a pergunta, a senhora a olhou de cima a baixo, tentando antecipar a resposta. Primeiro ela acreditava que era uma das companheiras de Anneliza, mas não havia a visto até então, além disso, o vestido azul marinho dela e sua capa branca apresentava partes sujas de terra, assim como as roupas de seu filho. Essa constatação fez o coração a mulher bater de forma mais alegre.

Assim, seus olhos foram para o resto dela, era uma garota pequena, com bastante curvas e carnes, sua face corada e as sardas trazia um grande frescor a sua aparência e os cabelos pretos lisos compridos deveriam ficar lindos quando bem penteados. Então ela viu o anel de noivado.

- Asterin. Seu filho me salvou dos ladrões.

- Ah! É! - a senhora abriu um sorriso enorme e o seu tom de voz chamou atenção de Marlon - Incrível! Então, ele te trouxe aqui...?

- Ela ficou muito confusa no início. - Marlon interrompeu - Não sabia o que estava fazendo antes de ser atacada.

- Já recuperou a memória?

- Em partes. - ela mentiu - Estou tentando terminar de montar o quebra-cabeças que está minha mente e... tomar um caminho.

- Certo. - a mulher disse se aproximando e abraçando a garota - Qualquer coisa pode me procurar. Tem roupas para a festa?

- Sim. - Marlon respondeu apontando para o chão onde eles tinham largado as coisas  - Ela tinha uma mala e armas.

- Perfeito! - ela se virou para Nora e Mael - Vai ter espaço para todos?

- Sim. - Mael disse segurando o riso - Mais do que na sua casa, mamãe. Como estão as amigas de Anneliza?

- Anneliza chegou? - Marlon disse mais animado.

- E com mais músicas para você! - Nora disse rindo.

A animação no rosto do rapaz atraiu a atenção de Asterin e a fez sorrir abertamente. Mais algumas palavras preocupadas vieram da senhora que saiu da casa cantarolando alegremente. Assim que ela estava longe todos da família riram, deixando a garota confusa.

- Nunca vi minha mãe tão feliz desde o dia que eu falei que iria me casar! - Mael disse sentando e gargalhando.

- Céus! Achei que ela ia perguntar! - Nora disse respirando.

- Ela até que foi bem contida. - Marlon disse por fim - Acho que ela viu o seu anel!

Asterin olhou para o dedo e bufou. Já estava passando da hora de tirar aquilo dali.

- Deixou a moça vim com isso para cá? - o irmão dele disse - Enloqueceu? Será uma sorte se amanhã ela não tiver colocado o nome dos dois no casório.

- Menina! - Nora suspirou - Boa sorte no momento em que aquela senhora decidir questionar você sobre filhos e casamento.

- Você estava falando sério quando disse que sua mãe queria que você casasse. - Asterin disse indo para o lado de Marlon e tirando uma mecha solta da frente de seus olhos.

- Ela está desesperada. - Marlon disse pegando na mão dela com cuidado e surpreendendo as duas outras pessoas presentes.

- Mãe! - a porta foi aberta e Em entrou correndo - Olha! Anneliza disse que as selkies são exatamente assim!

A menina abriu o livro na mesa e apontou para as focas e as mulheres dançando na praia com muita empolgação e, em seguida, a mulher ruiva e a grávida entraram na casa sorrindo.

- Acho que alguém chegou! - a ruiva disse aproximando de Marlon.

- Como foi de viagem, Anne? - ele disse a abraçando.

- Muito divertida, meu amigo e a sua?

- Cheia de altos e baixos. - Marlon fez um sinal com a mão para Asterin se aproximar - Deixa eu apresentar...

- Asterin. - ela disse estendendo a mão.

- Anneliza, querida. - ela disse enquanto sentia um arrepio muito parecido com aquele que sentiu com Ravena, mas bem mais fraco e a moça estava alheia a isso. - Ah! Não sei se já lhe falaram, mas temos mais visitantes do eu e minhas garotas.

A moça grávida se aproximou sorrindo, tentava não demonstrar a sua inclinação de conversar com Asterin imediatamente, mas não conseguiu não parar na frente dela e olhar no seus olhos pretos brilhantes. Enquanto isso, a garota se assustou com os olhos roxo da mulher, lembrava Aires e Akanta.

- Ravena. - ela disse pegando a mão dele com cuidado e depois da moça - Finalmente, conheci você! Sua família tem sido muito receptiva comigo.

- Eles são incríveis... - Marlon sorriu - Espero que goste da cidade!

- Sim. - ela suspirou aliviada olhando para a barriga e depois para Asterin - Uma pena que eu vou embora em breve.

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