Capítulo 25

Akanta fechou a porta do seu quarto, encostou suas costas ali e escorregou até sentar no chão. Estava exausta!

Sempre que tinha que organizar esse baile de máscaras sentia que sua energia era sugadas do seu corpo quase que completamente, assim quando chegava o dia da festa em si tudo que queria era dormir horas e horas. Mas esse ano ela teria que fazer diferente.

Suspirou quando viu na sua cama o vestido e a máscara que as costureiras tinham feito, era uma enorme saia rodada com várias camadas de tule, sendo que uma era azul e a seguinte verde, na base de todas as camadas havia um desenho circular, parecido com a pena do pavão; no corpete verde várias pedras preciosas haviam sido pregadas em pontos estratégicos, deixava seus braços nus, mas não o seu pescoço e a máscara imitava o animal da roupa perfeitamente. O animal padroeiro de Akanta. A roupa era maravilhosa, mas ela esperava ficar vestida com ela apenas no seu início.

A fuga incrível de Gayla ou Avalon, assim como a reação de seu pai a tudo isso, tinha inspirado na menina uma coragem, a qual ela achava que não existia em si.

Daqui a dois anos ou menos, o rei a supreendiria como fez com Gayla e seria obrigada a se casar com qualquer possível homem da corte ou fora do país. Nunca poderia fazer muitas das coisas que tinha vontade: viajar, conhecer o reino, encher a cara ou beijar Caleb. Só que ela iria realizar alguma dessas coisas! Nem que para isso tivesse que ser punida!

Olhou para o vestido azul bem mais simples escondido debaixo da roupa elaborada e a máscara com apenas uma pena de pavão grudada nela. Ainda poderia ser considerada uma menina com uma boa condição de vida vestida dessa forma, mas não rica, muito menos princesa.

Nas poucas oportunidades que teve para ficar com o seu guarda descobriu para onde ele iria no seu único dia de folga, assim quando conseguia ficar sozinha pegou um mapa da cidade e já tinha determinado seu caminho até a taverna. Agora, precisava apenas se perder do soldado que iria cuidar dela e andar pela cidade de cabeça baixa e evitar que a luz chegasse em seus olhos.

Já tinha testado várias luzes de velas e tinha chegado a conclusão que a cor dos seus olhos dificilmente mudaria, nem com cores vivas próximas deles isso adiantava. Um risco para deixar sua barriga cheia de borboletas.

Será que ela conseguiria dar de cima de Caleb a ponto de conseguir que ele a beijasse? Queria que algo do tipo acontecesse?

Escondendo o vestido dentro do baú, dobrado e abaixo de dois outros seus, olhou para a sua janela, pedindo desesperadamente para seu plano dar certo.

Enquanto isso no escritório do rei, Aires bocejava, cansado de ficar mais um dia naquele silêncio insuportável, olhando para o rosto de Gayla e livros e mais livros largados por aí. Queria ir para seu quarto, dormir e parar de pensar na guarda que deveria está encostada na porta e não no quadro.

- Filho, olhe esses documentos para mim. - Vincent disse entregando mais papéis - Eu li essa carta sete vezes, mas acho que estou deixando passar algo.

O menino bufou e pegou o que seu pai queria sem muita vontade, leu por cima as palavras, mas o que estava escrito ali o assustou. Fechando mais a expressão releu aquilo mais duas vezes, apertou os lábios e encarou o pai.

- Uhall? O que estamos negociando com Uhall que não vinhos?

- Filho, eles têm fronteira com Zaark também. - o rei disse apontando o mapa para a mesa, onde alguns círculos indicando tropas estava posicionado - Quero ter certeza que eles não vão se meter nessa guerra conosco.

- Eles odeiam Zaark... - o menino disse entregando a carta ao pai - Não há porque se preocupar com eles.

- Não quero que eles tentem ficar bem com o novo rei.

-Se eles fizerem isso significa que eles acreditam que não temos chance alguma de ganhar.

- Mas eles aceitaram se manter longe dessa luta, não? - seu pai sorriu.

- É... - ele disse entregando as cartas para o pai - Está tudo razoável ali. Haverá diplomatas em breve no castelo?

-Espero que sim. - ele sorriu - Agora, o que fazendo com nossos homens dentro de Zaark?

Aires ficou pensativo, imaginava que se Zaark fosse partir para a briga como eles acreditavam que fariam, reuniram exército de todos os clãs, mas eles mesmo não manteriam toda a sua força para a capital, tinham que se manter. Os nobres das terra dos Breindal deveriam está acabados e o seu próprio número de cavaleiros e soldados deveriam está reduzidos, então, a população seria convocada.

A voz de Alec soou em sua cabeça.

- Esses bárbaros gostam de brigar... - ele deu de ombros - Aumente a severidade de punições dos nossos soldados, crie uma vigia e impeça qualquer tipo de convocação. Deixem com que eles começam a brigar agora e se acabem antes da luta.

O rei encarou o filho e concordou com a cabeça.

- Infelizmente, vamos ter que diminuir a busca pela Gayla... - Vincent tinha tanta dor no olhar, bufou suspirando - Seria perfeito se a tivéssemos de volta.

- Não acho que ter uma pessoa que não quer está aqui seja uma boa. - Aires disse, também triste.

- Pode ser meu filho... - o rei falou tirando seus olhos do quadro e depois para o garoto - Aires?

- Sim? - ele disse bocejando de novo.

- Você está se tornando homem e um dia assumirá meu lugar. - o rei parou e pareceu pensar durante um longo tempo - E por causa disso, preciso que você entenda que Gayla, se estivesse aqui, não teríamos tantos problemas.

- Duvido que os bárbaros estivessem afim de nogociá-la ao ponto de acabar com a guerra.

- Não! Ela não vai ser o suficiente para deixar essa luta de lado! Acho que ninguém é mais capaz depois do que eu fiz.

Aires entrou em choque, era a primeira vez que seu pai tocava no assunto do ataque de Zaark com ele.

- Eu queria ela aqui mais pelo fato de querer que alguém, a qual criei como filha estivesse segura no meio dessa bagunça. Mas seria tranquilizante se ela não tivesse chance de contato com Malakay e a corte de Zaark também.

- Também temo a segurança dela naquele país, mas acho que ninguém vai fazer mal a ela...

- Ninguém vai. - ele suspirou - Filho, Gayla é Avalon.

Silêncio seguindo de um estrondo. O rei não tinha acompanhado o movimento rápido do rapaz, talvez nem o próprio príncipe tinha percebido que sua raiva o havia feito jogar todos os papéis na mesa do pai no chão.

- Que tipo de piada sádica é essa? - ele disse com uma voz rouca de raiva.

- Não é uma piada. - seu pai cruzou os braços e suspirou.

- É sim. - o rapaz tinha lágrimas nos olhos.

- Filho... - seu pai abriu a gaveta da mesa e tirou um livro de lá, abriu e mostrou as páginas - Olhe.

Aires olhou e sentiu uma facada no estômago. Aquela moça desenhada ali com tanto cuidado era idêntica ao retrato de o olhando durante esses dias, mas escrito na página estava Celina.

- Está levando essa brincadeira séria de mais. - ele insistiu.

- Aires! - o pai disse largando o livro na mesa limpa - Você lembra de Gayla quando eu a trouxe, das suas roupas, que ela já sabia ler, ler partituras de músicas, danças tradicionais, poemas épicos de cor? Filho, uma camponesa, até mesmo uma filha de governanta não teria tanto conhecimento.

- Não...

- Lembra de quando você tentava estimular que a memória dela voltasse e de noite ela era acometida de muitos pesadelos com um cervo matando seus pais? - o rei levantou - E quando parou de tentar fazer isso a memória dela foi aos poucos sumindo, juntamente com esse pesadelo? Qual é o símbolo da armadura do rei, Aires?

O garoto ainda negava, as lágrimas escapavam de seu rosto.

- Filho... - o rei conseguiu abraçar o rapaz desamparado - Sequestrei a princesa e criei como filha. A amei como uma filha. Só que agora, tem grandes chances de ela ser nossa ruína!

- Por que? Por que fez isso? - a voz do príncipe não tinha o menor disfarce de raiva e amargura.

- Aurora tinha acabado de morrer... - foi a vez do rei se emocionar, mas ele balançou a cabeça afastando o sentimento - Pouco importa! Gayla ou Avalon é para nós um calo no pé.

- Eu não quero ir contra ela...

- Eu também não. - o rei suspirou - Mas ainda quero acabar com os nobres da capital de Zaark.

Na manhã seguinte, em Zaark, Asterin acordou e ficou completamente parada, não queria atrapalhar o sono de Marlon, o qual respirava profundamente, Oto voou sobre os dois, impaciente  provavelmente com fome. Com muito cuidado a menina fez um sinal de silêncio para o animal, que apenas a olhou e voltou a voar.

O rapaz suspirou e se mexeu um pouco virando o corpo para deitar completamente de costas, puxou a cintura da menina a fazendo ficar um pouco mais perto. Isso fez ela soltar um som pela boca bem baixo, mas se preocupou de ser o suficiente para acordá-lo. Se mexeu um pouco e olhou para cima, onde o rapaz sorria abertamente.

- Está acordado há quanto tempo? - ela disse se afastando.

- Desde o momento que Oto começou a ficar nervoso pela primeira vez, quando tinha acabado de amanhecer. - ele disse rindo - E você?

- Alguns minutos atrás. - ela suspirou já se virando para sair da rede.

- Não... - ele disse a puxando de novo - Se você levantar, eu vou ter que levantar também! Não vamos ter camas ou redes por um bom tempo.

- Acho que você já fez preguiça de mais aqui. - ela disse rindo e se soltando - Além disso seu amigo está nervoso.

- Quando ele não está? - ele sorriu se levantando e tirando o cabelo do rosto - Vamos comer Oto! Pegue a bolsa para mim, por favor?

A moça entregou o pedido para o rapaz, ajeitando a sua saia e olhando para seu pé ligeiramente melhor, colocou sua bota e soltou um ligeiro gemido. Não teria jeito mesmo. Quando ela estava se levantando Oto deu uma rasante em sua cabeça puxando seus cabelos completamente nervoso.

- Epa! - ela gritou olhando para ave, a qual parecia completamente transtornada - Oto!

- Ele não quer comer... - o rapaz disse ainda com sua mão para o alto oferecendo carne.

A coruja mais uma vez voou na direção da moça, piando e bicando seus cabelos e o puxando, sempre em direção para a janela.

- Acho... - ela disse indo para a janela e vendo o pássaro sair por ela e continuar seu comportamento estranho - Acho que ele quer mostrar algo.

- Tão urgente assim?

- Então é melhor irmos... - ela suspirou, preocupada.

Pegando sua capa e colando as armas nas costas, ajudou Marlon a fazer o mesmo, enquanto ele assobiava para o animal que percebeu essa movimentação dos humanos aliviado. Descendo as escadas correndo e agradecendo o taverneiro deixou algumas moedas de ouro no balcão, os dois corriam pelas ruas da cidade sendo guiados pela coruja que piava e as vezes dava novos rasantes, como quem pedia para que eles apressarem.

Asterin, a qual levava Marlon pelo braço, percebia que as pessoas, aumentavam muito a medida que eles seguiam a ave, até chegarem em um local onde o grupo ali existente formavam uma massa fechada, mas Oto insistia naquela direção e ambos voltavam a ser alvos. Preocupada e irritada, a moça começou a entrar no meio do bolo, empurrando quem estava na frente e se aproveitando do tamanho de Marlon para chegar até onde o pássaro pedia para segui-lo.

Assim que eles chegaram no meio da roda, Asterin parou, sua mão ficou gelada e até soltou a de Marlon, um silêncio mórbido pairava no ar, junto ao cheiro bem forte de sangue. Um barulho soou, um estalar, seguido de um grito de dor e um gemido de sofrimento, a menina ao seu lado encostou o rosto no braço, evitando olhar.

- O que está acontecendo? - ele sussurrou para a moça.

Asterin estava enojada, depois de ter sido ferida do jeito que fora, não conseguia olhar mais para machucados muito grandes. Mais um estalado soou e a menina se encolheu, engolindo seco e voltando para olhar. Três pessoas de joelho no chão com as costas completamente abertas, um jovem tomando as chicotes bem espaçadas e mais duas com sacos na cabeça, todas com uma placa de madeira no pescoço e seus crimes.

- Punições... - ela disse sentindo seu sangue ferver.

Os crimes eram ligadas à coisas como não pagar impostos, recusar atender um soldado de Catalan ou outra desculpa ridícula como desacato. Era isso que seu povo estava sofrendo? O povo dos seus pais?

Sentiu, pela primeira vez ódio genuíno contra Catalan e tudo que ela havia feito. Sentiu a cada gota de sangue dourado manchando o chão que ela tinha o dever de acabar com aquilo agora. Então, o soldado aplicando as punições largou o jovem desmaiado no chão e tirou o saco da cabeça da pessoa seguinte. Era Heidi!

O corpo quente de Asterin se movimentou mais rápido do que ela achava possível. Sem medo ou receio a moça entrou na frente das costas nuas de Heidi e tomou a chicotada em seu braço, cortando o tecido e a pele.

- Saia da frente! - o soldado disse, assim como os outros que se aproximavam da moça para retirá-la dali.

- Não! - ela disse já se preparando para tirar sua arma das costas.

- O que você disse, bárbara?

- NÃO! - ela gritou - Ninguém aqui é cidadão de Catalan, vocês não tem direito de encostar a mão neles, muito menos criar desculpas para os torturar! Eu não vou sair daqui! Mas vocês vão!

- Está bem garota, ajoelha e espera! - o homem disse já pronto para dar outra chicotada na menina.

Sem muita cerimônia a moça reagiu, enquanto o chicote descia ela tirava seu escudo das costas e voava em cima do homem. O soldado nem teve muito tempo até está no chão, completamente desacordado.

Os outros dois que o acompanhavam foram em cima da menina, mas Oto começou atacar o rosto dele, permitindo que Marlon conseguisse se guiar até ele e sem muito esforço o jogasse para fora o grupo.

Asterin, apenas com o seu escudo lutava com o outro gritando sem parar para aquelas pessoas reagiram também. Os mais corajosos tiravam os feridos e dessamarravam os prisioneiros. No início a menina se perguntou o motivo de tanta apatia, até que mais soldados foram aparecendo.

- Merda... - ela disse chutando a cara de um no chão e tirando seu escudo - Marlon, cuidado, a sua direita!

O rapaz apenas girou seu bastão na direção nocateando um homem, passos do seu lado indicaram a necessidade de se virar, Oto largou um que estava quase sem olhos para ajudar seu amigo a se guiar.

Sendo apenas dois contra quatro dezena de homens, foi uma questão de tempo (mais longo do que eles estavam esperando) para que ficassem cercados. As costas de Asterin estavam encostadas com a do rapaz e refletiu o quanto aquilo havia sido estúpido, mas não o suficiente para se arrepender.

- Palhaçada! - ela sussurrou sentindo o capuz quase escorregando de sua cabeça.

- Se identifiquem! - o soldado na frente de Asterin disse.

- Não somos daqui... - Marlon disse sorrindo e fazendo carinho em Oto no seu ombro - Isso seria inútil.

-Temos que levar vocês dois e passar um relatório para Catalan. - o homem aproximou a arma em Asterin, a qual ficou quieta.

- Certo... - ela disse suspirando e colocando a mão próxima do capuz, mas Marlon sentindo esse movimento se virou e a segurou, a abraçando contra o peito - O que você está fazendo?

- Não... - ele sussurrou.

Se aqueles homens descobrisse quem ela era, perderia a garota para sempre para algo que nem Asterin havia escolhido. Os soldados se aproximaram mais, no intuito de atacar, quando uma chuva de flechas caiu sobre eles.

Um a um, os homens foram caindo, até não sobrar ninguém. Asterin olhou para os telhados e viu Heidi guiando um grande grupo de arqueiros. Sorriu.

- Salvos... - ela sussurrou para Marlon.

- Não por sua causa! - ele disse de volta, tranquilo - O que estava pensando?

- Eu não poderia só ficar olhando. - ela apertou a cintura dele suspirando - Marlon, essas pessoas estavam sofrendo só por serem de Zaark.

O rapaz ia responder, tinha uma expressão de raiva contida, mas Heidi já havia descido do telhado e se aproximou dos dois. Sem tirar os braços ao redor da garota, ele permitiu que ela apenas se virasse para a recém chegada.

- Obrigada... - a mulher sorriu - Bom saber que você está do lado do seu sangue.

- Eu que agradeço... - Asterin suspirou - Mas acho que isso não vai ficar assim.

- Catalan irá mandar um pequeno exército para nós punir, ou o que normalmente mandavam, agora com o aniversário de Malakay se aproximando... - ela suspirou - Bem, mas um motivo para começarmos a lutar contra.

- O que aconteceu? - Marlon disse com um tom de preocupação na voz.

- Depois que vocês saíram um soldado entrou na minha casa, invadido. Havia algum tempo que ele estava tentando se aproximar... decidiu fazer as coisas a força. - ela deu de ombros - Acertei ele. Não fui a primeira a passar por essa situação degradante!

- Sinto muito. - a menina disse engolindo seco - Sinto mesmo.

- Tudo bem, por mais que você estivesse no castelo, acho difícil que o rei deixasse ter contato com esse tipo de informação. - ela estendeu sua mão - Espero que na próxima use essa arma para ferir.

Asterin travou com a observação da moça, mas apertou sua mão e com algumas palavras rápidas pediu desculpas pelas complicações e obrigada pela ajuda. Quando o Sol estava no alto do céu, os dois estavam no meio da floresta, tropeçando entre os galhos, batendo o bastão no chão e ouvindo os sons que ali faziam. Não pararam no almoço nem falaram nada até Marlon bufar, parar e agarrar os braços da menina que estava segurando sua mão.

Asterin se assustou com esse movimento, pulou para trás e bateu na madeira da árvore atrás dela, suas mãos estavam firmes em seus ombros e seus olhos muito próximos do seu. Acabou fazendo uma constatação fora de contexto.

- Na presa... - ela disse tirando o cabelo dele do olho e sorrindo - Esquecemos da faixa.

- Não é hora disso! - o seu rosto ficou vermelho e suas mãos segurando os seus dedos - O que você fez ali foi imprudente!

- Sei disso... - ela sussurrou de volta - Você já disse e eu concordei que não era muito esperta!

- Não... - ele revirou os olhos - Não é hora de brincar! Você não pode...

- Eu não posso deixar as pessoas morrerem! Da mesma forma que você fez comigo. - ela o empurrou saindo de seus braços - Deixe eu prender seu cabelo.

Marlon olhou para baixo, suspirou e sentou em uma raiz. Droga! Merda! Merda! Ele estava completamente ferrado com essa menina por perto. Mas quase se tranquilizou quando os dedos dela em seus cabelos acalmavam seus pensamentos.

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