Capítulo 23

Asterin estava bem silenciosa desde o momento que havia acordado e Marlon não podia deixar de sorrir diante ao constrangimento dela.

- Vai querer falar sobre o que aconteceu durante a noite? - ele disse quase rindo.

- Não coloque as coisas assim... - foram as suas primeiras palavras depois de suas várias desculpas seguidas - Estava com frio e...

- Rolou para cima de mim, um pobre e indefeso rapaz. - ele disse tentando se manter sério - Ficou agarrada ao meu corpo durante a noite toda.

A moça ficou em silêncio, completamente sem graça, de fato havia acordado de manhã agarrada ao pescoço do rapaz, sentindo a sua respiração e seu cheiro limpo de natureza. Lembrava que durante a noite havia sentido frio e do nada esse sentimento havia ido embora e o sono posou em seu corpo rapidamente. Quando viu o rosto brincalhão do rapaz, o qual perceberá que ela havia acordado ela pulou para longe pedindo milhares de desculpas. Depois disso, silêncio absoluto. Não importava o que Marlon falava ou perguntava, ela apenas murmurava.

- Garota, acalmasse, quem abraçou quem nessa história toda fui eu. - ele disse por fim batendo de leve em sua cabeça.

- Que? - ela gritou, ligeiramente aliviada, mas brava diante as minutos em que ela havia passado em constrangimento.

- Você estava morrendo de frio. Conseguia ouvir seus dentes tremendo o tempo todo sem parar, cheguei a jogar minha coberta em você, mas nada tinha efeito. - ele sorriu culpado - Então eu te abracei, de fato você estava gelada! O que é surpreendente, visto que não estamos nem no inverno e caminhamos para o verão.

Silêncio vindo dela.

- Desculpa por ter feito se sentir com vergonha. - ele disse pegando a mão dela e a beijando -Mas você acordou já se desculpando que não tive tempo de falar nada e decidir me divertir um pouco.

- Isso foi maldoso. - ela comentou suspirando - Porém não me surpreende vindo de você.

- Vou fingir que isso não feriu meus frágeis sentimentos. - ele riu - Vamos ter que arrumar cobertas mais pesadas na nossa parede de hoje. Caso o contrário, serei obrigado a ficar abraçado a você todas as noites.

- Fala como se não tivesse se aproveitado. - ela disse soltando a mão dele e cruzando os braços, mas chegou a sorrir.

- De uma criança? - ele disse surpreso - Nunca ficaria com uma menina.

- Quantos anos acha que eu tenho?

- Quinze.

- Dezessete. - ela riu - Iria me casar, lembra? Além disso, meu aniversário de dezoito está chegando e você sabe disso!

- Sim... - ele falou pegando na mão dela e no anel que estava ali - Mas Catalan é esquisita quando se trata de meninas e, as vezes, eu me esqueço que sua vida compõe uma bagunça política.

A menina se permitiu ri, enquanto era levada pelo rapaz e sua mão, em algum momento Oto apareceu e encolhido, dormiu no ombro de Marlon. O rapaz bufou.

- Sem meu guia... mais uma vez ficou caçando a noite toda.

- Mas é um animal de hábitos noturnos.

- Desculpas e desculpas. - ele puxou de leve o braço da menina o envolvendo com o seu - Ande um pouco mais na frente, certo? Estarei me guiando por você.

- Tem certeza disso?

- Não. - ele riu - Mas é melhor do que eu tropeçando por aí, como acontece quando estou sem ele. Pobre animal, no início não poderia me deixar sozinho um minuto.

- Agora, você abraçou meu braço assim apenas para se aproveitar de mim?

- Se ficar insistindo muito nisso eu posso tentar algo! - ele disse solene - Garota, além de inútil perdeu a noção de perigo?

- Andar sozinha na floresta e enfrentar um grupo de ladrões não me parecem atitudes de alguém que tem esse tipo de inteligência. - ela disse rindo.

- Usou a palavra certa... - ele riu - Inteligência! Bem... agora, eu sei me virar sem Oto pela floresta, mas sempre pode ocorrer acidentes e eu não quero cair na sua frente.

A moça não fez comentários diante disso, apenas segurou com mais força o braço do rapaz. O dia pouco a pouco foi esquentando e o Sol no seu ápice quando as vozes de pessoas chegaram aos ouvidos dos dois, Marlon apenas parou para tirar sua faixa branca e dar a Asterin, que sem comentários, apenas a amarrou em seus olhos, para em seguida puxar o capuz sobre a cabeça.

- Não vai prender meu cabelo? - ele disse calmamente e com o rosto ligeiramente vermelho.

Asterin riu diante ao pedido simples do rapaz de algo, que de fato, ela insistia em fazer esse cuidado. Sem muitos detalhes, a garota sentiu os fios claros e macios em seus dedos enquanto juntava tudo em um rabo de cavalo.

- Pronto. - ela disse suspirando e voltando a caminhada.

Oto abriu os olhos quando chegaram na beira da cidade, piou e levantou a sua asa sobre a cabeça e voltou ao sono. Malon apenas apertou a mão da garota ao seu lado e o bastão na outra mão, suspirou e disse tenso.

- Vamos em uma taverna achar um acomodação, depois minha curandeira de confiança e por fim comprar algumas coisas. - ele apertou os lábios - Escuto vozes de Catalan, não solte a minha mão e mantenha a cabeça baixa.

- Sim, senhor. - ela disse já caminhando pela rua, a primeira coisa que ela viu foi seu retrato em um cartaz de procurada, o sorriso morreu em seu rosto e a tensão a preencheu.

A cidade na qual eles haviam chegado era parecida com a capital, o chão tinha pedras colocadas cuidadosamente com pequenas separações por onde a grama lutava para crescer, as pessoas andavam por entre os comércios construídos em barracas em quase qualquer lugar, as pessoas andavam com roupas do povo tradicional e com alguns detalhes dos nativos aqui e ali. Asterin reparou que da forma como ela estava vestida, chamaria bastante atenção, sua blusa azul e saias compridas até seu joelho e as botas de couro não era algo que outras mulheres estavam usando. Meio assustada ela ajeitou o capuz branco sobre o rosto, observando uma moça de blusa curta e saias de couro ri e balançando seu casaco de pelo.

- Marlon... - ela disse se aproximando dele - As pessoas daqui também te conhecem?

- Algumas... - ele disse suspirando - A maioria de vista apenas, sabem que sou um morador do meio da floresta e que me livro dos ladrões de algumas vilas mais próximas de onde vivo.

- E a minoria?

- Nunca me viu ou já conversaram o suficiente para saber meu nome. - ele disse tentando parecer mais tranquilo para ela. - Fique calma, sua respiração está estranha.

Ela suspirou enquanto continuava a caminhada pelo local, tinha vontade de olhar mais ao redor, mas temia se expor demais. Ficou de olho em seus pés, passo após passo, pessoa após pessoa ao seu redor. Até que entraram por uma porta e o calor se tornou insuportável, as vozes mais altas, assim como a quantidade de pessoas.

Era uma taverna no estilo tradicional, grandes porções de carnes e bebida não paravam de ser servida por mulheres rápidas e sem muita expressão facial. No fundo do ambiente um homem barbudo de cabelos castanhos gritou feliz.

- Marlon! Sabia que passaria aqui!

- Como vai senhor? - o rapaz respondeu em seguida, manteve seus passos constantes - Se sabia, então há uma bela cama separada para mim!

- Apenas se tiver uma boa apresentação para mim essa noite. - ele disse rindo como um trovão, vendo pela primeira vez a garota acuada atrás do cego - Quem é você, menina?

- Asterin... - ela disse ainda de cabeça baixa, apertando a mão de Marlon.

- Minha irmã.

- Irmã? - o homem disse alto - Duvido! Se fosse sua irmã não estaria tão próxima de você.

- Não estamos mentindo... - ela sussurrou - Não haveria motivo...

- Não devem está casados ainda. - ele falou coçando a barba - Está bem... acredito em vocês. Mas ainda tenho apenas um quarto e, a senhorita, também consegue se apresentar?

- Sim. - Marlon disse suspirando - Mas ela sente muita vergonha... gosta de se manter assim.

- Meio escondida? - o homem riu - Tudo bem, isso dá para ela um ar misterioso. Estarei anunciando a sua apresentação dessa noite!

- Óbvio! - ele disse estendendo a mão para as chaves do quarto, a qual o homem entregou sem muita cerimônia - A terceira porta a direita?

- Sempre, meu amigo. - ele disse acenando - Até mais para os dois!

A menina se limitou a levantar a sua mão e acenar para o homem, que teve um deslumbre das sua boca rosada e carnuda e cabelos negros. Ele riu enquanto os dois saiam pela porta, quem diria que Marlon arrumaria uma garota tão estranha e que combinasse com ele.

Já na cidade, mantendo a caminhada rápida pelas ruas a moça podia ouvir alguns soldados conversando e quando eles estavam no local, as pessoas ali ficavam ansiosas e silenciosas. Isso foi se repetindo tanto que quando Asterin e Marlon bateram em uma porta e esperaram alguém abrir ela disse a ele.

- Ninguém está confortável com Catalan aqui.

- Em breve podemos está em guerra... - ele disse suspirando - Normalmente quando ocorre combates não temos muita opção além do que ficar em fogo cruzado.

Asterin apertou os lábios e apertou suas mãos na dele mais, preocupada com aquela situação. A porta foi aberta e uma bela moça apareceu, olhos verdes e severos, pele avermelhada e cabelos marrons claros, o nariz era fino e comprido e o rosto quadrado com maçãs do rosto altas.

- Marlon! - ela sorriu e viu a garota atrás - E uma desconhecida! Entrem!

Sem muita cerimônia os dois estavam na construção de madeira, era pequena como a de Marlon, havia apenas o chão de terra batida e uma área no canto com um enorme estante cheio de ervas secas e um local para a pessoa sentar ou deitar.

- Está tudo bem? - ela disse fazendo carinho em Oto que não hesitou em ir para a mão da moça que deu comida a ele - Anda comendo direito?

- Sim, mamãe... - ele revirou os olhos tirando a faixa dos olhos e guardando no bolso - Não sou eu que preciso de você.

- Sim, a desconhecida. - ela se aproximou a olhando com expectativa - Quem é você?

Asterin apertou a mão de Marlon, preocupada.

- Pode confiar. - ele disse soltando a mão dela.

Sem muito o que fazer a moça tirou o seu capuz e a capa, estava com calor e cansada de ficar escondida. Deixou os panos sobre a mesa ao seu lado, limpou o suor nas saias e soltou o ar exausta. Viu suas botas sujas de lama e olhou para a moça na sua frente, tentou sorrir, mas falhou.

- Marlon... - ela franziu a sobrancelha para o rapaz - Sabe quem é essa menina?

- Gayla, a traidora de Zaark e fugitiva de Catalan. - ele disse até um certo tom de orgulho - Ou melhor, Asterin, a louca que enfrentou bandidos sozinha e se feriu. Vamos tirar esses pontos?

- Pontos? - a moça suspirou - Calma, o que?

- Quando eu fugi de Catalan fui emboscada por ladrões, Marlon esteve cuidado de mim desde então e agora está me levando para a sua cidade natal. - ela levantou parte da blusa - Tenho agora uma pequena marca da aventura.

- Pequena? - a moça suspirou - Sabe que tipo de problema está se metendo ao ajudar essa garota?

- Sim, Heidi. - ele revirou os olhos - Sabia que ficaria assim.

- Ainda assim a trouxe até mim.

Marlon se limitou a dar de ombros e sentar na cadeira da mesa, Heidi apertou os lábios e com a cabeça direcionou Asterin até a cama próxima da estante.

- Tire a blusa. - a mulher disse enquanto pegava uma tesoura - E vire de lado

A menina obedeceu e ficou esperando enquanto a mulher tirava os pontos com calma e falava com raiva.

- Eu mesma estou ferrada se alguém ver você aqui! - ela bufou - Merda! O que você estava pensando, Marlon? Justo a traidora! Não me importaria se fosse outra pessoa não vinda de Catalan, mas ela?

- Qual exatamente é o problema? - ele disse apoiando o queixo na mão - Ainda é uma pessoa para mim.

- O problema é que essa menina não fez nada por nós e ainda nos abandonou! - ela disse terminando, mas sinalizando para que ela ficasse ali, pegou algumas outras ervas e amassou tudo durante um tempo.

- Eu... - Asterin disse envergonhada - Desculpa por isso tudo.

- Tá, tá. - Heidi disse nervosa - Céus, que ideia mais imbecil a sua de enfrentar ladrões sozinha.

- Na minha cabeça era isso ou morrer sem tentar. - ela disse sentindo uma pasta sendo colocada no local.

- Colocando assim fica menos idiota, mas não muito. - ela cobriu o local com calma - O tamanho do ferimento indica que você esteve próxima da morte.

- Você está certa! - Marlon disse bufando - Quase vou junto com ela!

- Exagerado... - Asterin comentou enquanto ela sentava e sorria para a Heidi, mas ela ainda não estava feliz - Lhe dei apenas um tremendo susto.

- Coloquei em você algumas ervas para a pele terminar de se ajeitar. - a moça disse vendo a menina vestir a blusa e indo para perto de Marlon - Acoselho você também ir embora o mais rápido possível daqui!

- Amanhã não estaremos mais aqui... - ele disse suspirando -E para evitar o mercado, por um acaso você não tem uma coberta de pelos que gostaria de nos vender. Asterin sente muito frio a noite.

- Tenho sim... - ela disse após um minuto pensando.

Abriu um armário dela e tirou de lá uma coberta com pelos, mas ela era bem pequena, vendo a cara de confusão da menina, Heidi revirou os olhos se aproximou e prendeu ao redor do pescoço o pano. Era uma espécie de capa.

- Se fizer frio durante o dia... - ele suspirou - Só não serve para caso chova. Não precisam me pagar, ia dar isso para alguém de qualquer forma.

- Obrigada. - Asterin disse sorrindo - E desculpa pelo...

- Não se desculpe, apenas... - a mulher suspirou - Quando a guerra entre Catalan e Zaark estourar, apenas, compense a sua terra natal ficando ao lado dela. Você era a guarda do príncipe herdeiro, deve ter treinamento. Não hesite em se alistar no nosso exército e fazer diferença.

Aquelas palavras assustaram Asterin.

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