Capítulo 13
Valentina sorriu. Foi a primeira vez desde que saiu de Zaark, Kay estava desesperadamente tentando explicar para um senhor que não poderia casar com a sua filha, por mais bonita que ela fosse. Era triste para a moça, que de longe olhava aquela situação, mas o rapaz tentando de todas as formas falar não educadamente estava quase arrancado uma risadas dela.
- Desculpe, meu senhor, não acho que ninguém merece se casar como esse daí... - Val se aproximou - O coração dele é fiel a outra menina.
O homem olhou para Valentina e começou a perguntar se ela era sua mulher ou outra coisa do tipo. Poderia ter sido algo que divertiria mais a menina, porém percebeu uma movimentação atrás do homem que não era a sua filha.
Um soldado de Catalan olhava diretamente na sua direção e a de Kay, seus olhos foram para o seu redor e a cada canto da praça havia um soldado os olhando, todos extremamente sérios e tensos.
- Senhor, agradeço pelos elogios seus e da sua filha, mas...
- Kay... - Val sussurrou o interrompendo.
- Não acho que isso seria adequado. - ele continuou, ignorando-a.
- Kay... - ela insistiu.
- Agora, não, Val. - ele sussurrou de volta.
- Kay! Olhe ao redor...
Nesse minuto ele parou de conversar e olhou pela praça e os soldados. Engoliu seco e pediu licença ao homem com um boa tarde seco, tentou caminhar normalmente no meio da multidão de pessoas, porém seus passos pareciam apressados e seu coração batendo tão alto que poderia está ecoando.
- Eles ainda estão nos olhando? - ele disse a menina.
- Sim, não nos pararam de olhar. - ela respondeu travando o maxilar- O que vamos fazer?
- Deixou algo importante na taverna?
- Não.
- Então... - ele sorriu - Fugir para Zaark.
- Será que eles sabem?
- Deseja descobrir?
- E Avalon?
- Vamos pensar em outra coisa. - ele sorriu - Vai por mim... é melhor que estejamos livres do que presos para salvar nossa rainha.
Val concordou aliviada, mesmo que o seu motivo não tenha sido o ideal, era bom que ele tivesse o mínimo de bom senso. Andando calmamente até o final da praça, eles iriam sair do meio de tanta gente e dali iriam para a floresta, só que soldados pareceram na sua frente.
Pararam em choque, Val olhou para trás e viu que outros estavam indo na direção deles. Não estava apenas olhando agora, decidiram atacar.
- Lembra quando a gente era criança? - Kay disse virando para Val com um sorriso - Quando queríamos brincar na floresta?
- E corriamos entre as árvores até um idiota quebrar uma parte do corpo?
- Sim... - ele estava radiante - Acha que ainda estamos em forma?
- Vale a pena tentar! - Val disse sorrindo por fim.
- Me siga! - ele piscou a puxando pela mão.
Valentina nem precisou pensar quando começou a empurrar as pessoas da praça e correr desesperadamente por entre elas, empurrando sem nem perceber quem eram. Precisavam chegar na Floresta da Fronteira, onde conseguiriam subir em árvores e ter uma vantagem absurda, mas para chegar lá...
O único caminho livre seria o que dava a praça central e de lá tinham duas opções, o bairro dos comerciantes ou o castelo de Catalan. Val fez um sinal para que Kay quebrasse a barraca de frutas ao lado deles, dificultando, talvez, a passagem dos soldados, os quais tinham uma distância considerável.
- Sai da frente! - Kay gritou enquanto tirava a espada da bainha e acertava os pés da barraca, jogando tudo no chão.
O grito dele, pelo menos, havia espantando mais gente do que imaginando, ajudando assim mais alguns passos. Além disso, com a espada em punhos, os mais atentos se assustavam e davam passagem para eles, porém a entrada do bairros dos ricos estava bloqueada com uma carruagem tombada e uma multidão que dificultaria muito a passagem. Val olhou para o amigo preocupada.
Kay riu e com o olhar disse para que ela o seguisse, sem se importar com as pessoas ou com as carruagens ele continuou o seu caminho e quando chegou o momento certo ele subiu em uma que estava parada. Pelos telhados das carruagens que ali estavam eles foram passando pela a multidão que começava a dar atenção a eles.
- Zaark... - um dos comerciantes comentou retorcendo a boca.
Nas ruas do bairro a corrida deles ficou mais e mais rápida e ninguém mais estavam perceguindo-os. Isso foi o suficiente para que eles diminuísse a velocidade dos passos e Val sentisse confortável para pegar o arco e deixá-lo preparado, caso qualquer imprevisto. Quando estavam já dentro da floresta riram como crianças.
- Essa foi por pouco... - ele disse rindo e respirando fundo.
- Não me exército assim há anos! - Val disse se permitindo respirar aliviada, mas percebeu uma coisa - Os animais estão em silêncio...
- Sim, acabamos de entrar aqui.
- Não... - mas antes que ela pudesse falar um grupo de guardas apareceram na frente deles.
Era uma barreira com apenas um rapaz no meio, obviamente nobre e sorrindo com crueldade para eles.
- Malakay e Valentina, certo? Nunca tive o prazer de conhecer a moça, mas Kay, eu fui uma vez a corte de Zaark com o meu pai.
Kay... ninguém o chamava assim se ele não deixasse, a simples menção de uma amizade mais íntima fez seu sangue ferver o suficiente para que ele não quisesse reconhecê-lo. Valentina ao seu lado segurou o arco com mais força, pensando no que poderia fazer para que ambos saíssem dessa.
- Não? - o rapaz disse surpreso - Você reconhece Gayla com Avalon e não consegue fazer o mesmo comigo? Bem... pouco importa, onde está minha noiva?
- O que? - a ruiva disse franzino a sobrancelha.
- Vocês ouviram bem, onde está Gayla?
- Darlan... - Kay disse por fim - Vejo que continua uma criança mimada.
- Ah! Lembrou agora! Será que lembra o que você fez com a minha noiva?
- Não sabemos de nada. - Val disse mais próxima do amigo.
- Sério? - ele riu - Porque durante dias estamos tendo relatos de pessoas de Zaark andando por Catalan que batem com a descrição de dois nobres e a minha noiva, que ambos reconheceram como Avalon, sumiu.
- Avalon fugiu... - Kay disse sorrindo - Ela se lembrou.
Isso pareceu irritar Darlan. O rapaz levantou a mão e todos os guardas tiraram suas espadas, entrando em posição de batalha.
- Sempre achei vocês extremamente inocentes por esperar uma rainha morta. - ele levantou o queixo e retorcendo a boca - Mas agora isso está me irritando!
Mesmo que não tivessem feito nada sua missão estava completa, porém tinham de voltar inteiros agora. Valentina respirava com dificuldade, aquela barreira seria intransponível. A não ser...
A voz da Ravena falando que era a parte racional dos dois voltou em sua cabeça. Merda! Será que ela sabia que isso ia acontecer?
Valentina puxou a mão de Kay de leve, indicando que ele se aproximar, sussurrou em seu ouvido.
- Quando eu dizer, corra!
- Não gostaria de compartilhar o que estão falando? - Darlan disse tirando a própria espada.
Val deu um passo a frente do futuro rei de Zaark e manteve o arco firme em seus dedos, respirou de maneira falhada, tinha que ser certeira.
-O que foi, bárbara? Não temos medo de você.
- Eu sei. - ela disse, já com tudo planejado.
Respirou fundo, não ouviu falando para que Kay corresse, mas sabia que tinha feito, pois viu o rapaz indo em direção de uma árvore para subir nela, ao mesmo tempo que levantava o arco e soltava a flecha e ia, quase que lentamente, na direção do olho do guarda ao lado de Darlan, para deixar claro que não acertou o nobre de propósito.
O choque de ver um dos seus sendo acertados e mortos permitiu que Valentina corresse para o lado oposto de Malakay, subisse alguns metros do chão. Quando ela levantou a mão para pegar o próximo galho, aquele que a libertária daquela situação foi puxada pelos pés e sentiu o chão chocar contra o rosto."
- Por que? - Stefan disse, talvez um pouco mais alto do que queria.
- Porquê o que? - eu disse rindo.
- Por que ela fez isso?
- Bem... - suspiro - Kay tinha que sair intacto daquela situação, porém sendo ele o possível herdeiro do trono de Zaark, havia um alvo enorme em suas costas. Quando Valentina matou um dos guardas ela fez com que todos aqueles homens sentisse raiva dela e esquecessem o objetivo principal, deixassem de serem lógicos para seguir a emoção do momento.
- Mas ela é refém agora.
- Melhor ela do que Malakay...
O rapaz olhou para baixo, estava claramente preocupado com a garota, como se não soubesse o fim da história.
- Aires estava no trono tentando de todas as formas não mexer as suas pernas de modo ansioso. As buscas pela Gayla tinha se estendido por toda propriedade do castelo e agora ia avançando lentamente pela Floresta da Fronteira. A única coisa que o príncipe queria era que sua amiga e amada voltasse para casa.
"As portas da sala do trono foram abertas e Darlan entrou na frente com vários homens levando alguém atrás dele. Akanta do seu lugar esticou o seu pescoço para visualizar o prisioneiro, sabiam que tinha altas chances que Malakay estivesse em Catalan e a princesa tinha curiosidade para conhecer o herdeiro sem reino.
Mas para a surpresa de todos, quando Darlan saiu da frente tinha uma moça ruiva de olhos raivosos com as mãos e pernas presas por correntes de ferro pesados. Sua expressão era um misto de força, medo e arrogância, estranhamente, não parecia uma prisioneira, apenas seu rosto estava arranhado e muito vermelho de um lado.
Darlan se aproximou do rei e jogou um arco quebrado aos seus pés. O príncipe percebeu que o trabalho que havia na madeira era extremamente bem feito e cheio de detalhes cuidadosos, como a arma que o tio havia comprado para Gayla.
- Vossa Majestade. - Darlan fez uma reverência - Capturamos Valentina Saeb, responsável pela morte de um de nossos guardas e possivelmente o rapto de Gayla.
- Saeb... - o rei disse puxando na sua memória o sobrenome - O clã Saeb, os lutadores de Zaark. Sua mãe era a chefe da guarda e seu tio um cavaleiro de extrema estima. Deveria está treinando com as Guerreiras.
- Deveria ter acabado o meu treinamento. - ela respondeu - Seus soldados mataram meus pais.
- Seus pais mataram alguns soldados meus. - o rei sorriu - Se um dia eu atacar suas terras terei que levar um exército para uma guerra de anos.
- Fazemos o que podemos. - ela sorriu e Aires sentiu um frio na espinha.
Uma vez o rei disse a Aires que Gayla era domesticada, o príncipe nunca havia entendido aquelas palavras, mas olhando para a ruiva na sua frente tudo fazia sentido. Primeiro ela era alta, maior do que o soldado mais baixo do grupo e claramente merecedora de tantas correntes, depois ele sentia que se tivesse a oportunidade, a moça arrancaria a pele dele com os dentes, principalmente se sentisse ameaçada, e ali, no meio da corte que matou a sua família, ela sentiria.
- Tem um irmão mais novo, certo? - o rei continuou casualmente a conversa.
- Por que?
- Ele deveria ser um bebê na época do ataque. Quantos anos ele tem agora.
- Treze. - ela respondeu engolindo seco.
- Um bebê de colo. - Vincent olhou para o nada durante alguns segundos - Sinto muito pelo o que fiz vocês passarem. Não foi nada pessoal.
Valentina vacilou um segundo, a cor chegou até a sumir se seu rosto diante da surpresa pelas palavras. Em compensação ela ficou completamente vermelha de raiva em seguida, sentiu que aquele homem estava brincando com ela.
- Bem... não importa muito. - o rei continuou se levantando - O que fizeram com Gayla?
- Continua a chamando assim? - a ruiva riu - O sumiço da nossa futura rainha, Avalon, não tem relação nenhuma a minha presença aqui, infelizmente.
- Não? - Aires disse engolindo seco - Tem alguma nova teoria?
Os olhos castanhos da moça vagaram na direção do príncipe. Certo, talvez ele devesse ficar quieto.
- Avalon tinha cinco anos quando a levaram, não me surpreende dela não se lembrar da vida passada. Porém, encontrar com o primo dela pode ter ajudado a refrescar algumas coisas. Com sorte os dois já se encontraram.
- Esperamos encontrar Malakay também na floresta. - Darlan disse ao rei - As buscas começaram.
- Boa sorte com isso. - Val disse rindo - Talvez tenham mais baixas e quando Avalon assumir essa guerra estejam espalhados e fracos de mais para revidar.
- Não haverá guerra criança. - o rei disse gentilmente - E se tiver, sinto informar que você é refém do inimigo. Leve-na, coloquem em uma cela na torre, como prisioneira política. Quero que fique inteira para ser usada de moeda de troca, caso peguem Malakay devem cuidar dele da mesma forma.
Assim a menina ruiva foi retirada da sala, não sem antes dar uma longa olhada em Aires mais uma vez.
- Darlan, aumente as buscas! Temos que achar Gayla antes de qualquer rebelde.
- Sim senhor!
Naquela noite, quando Malakay chegou em Zaark, deu as mesmas ordens para os rebeldes.
A caçada a princesa estava iniciada!".
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