Capítulo 5
Como eu já sabia, não tivemos tempo para muitas perguntas, mas valeu a pena. Muito! Pela primeira vez a gente conversou, a gente ficou sozinho e a gente se deu bem! Voltamos para a sala sorrindo, sorriso que eu não consegui tirar do meu rosto durante a aula de História do Brasil e que continuava lá até a professora de Redação começar a aula seguinte.
Só controlei o sorriso bobo quando uma bolinha de papel aterrissou em cima do meu caderno. Olhei para baixo e me perguntei por que eu ainda estava com a apostila de História do Brasil aberta. Abri a bolinha de papel encontrando o seguinte bilhete: "Se não quiser contar nada sobre o que tá acontecendo, é melhor parar de sorrir assim. Os caras já estão desconfiando". Já tinha ajudado muitas vezes os caras a fazerem os trabalhos para reconhecer que aquela era a letra do Marcos. Olhei na direção dele e ele ergueu as sobrancelhas, apontando com a cabeça na direção do Pietro e João, que estavam rindo e cochichando.
Virei para frente, disposto a parar de sorrir até chegar em casa, mas o destino parecia não querer ajudar nessa tarefa. Pela primeira vez a Mariana estava olhando para trás. Não só para trás, ela estava olhando para mim! Agradecia muito a ajuda que o Marcos tinha tentado me dar, mas o sorriso que se formou no meu rosto para ela, ninguém ia conseguir tirar.
Tentei me concentrar na aula depois que ela virou para frente e consegui o meu objetivo fazendo o parágrafo que a professora tinha passado como trabalho de casa. Estava tão concentrado na escrita que não fiz questão de olhar para lado ao sentir que alguém tinha abaixado ao lado da minha carteira.
- Gabriel?! – A Mariana estava um pouco sem graça, mas sua voz saiu em um tom alto, provavelmente ela já devia ter me chamado antes.
- Oi! – Respondi surpreso.
- Desculpa te atrapalhar! – Ela olhou para a folha onde eu estava fazendo o parágrafo.
- Não, tudo bem! Só tava adiantando o trabalho de casa.
- Ah, tá! – Ela olhou para mim e ficou com as bochechas coradas. – Você chegou a ouvir sobre o trabalho que a professora passou?
- O parágrafo? Sim! Era isso que eu estava fazendo! - Tirei minha mão da frente da folha para que ela visse as linhas que eu já tinha escrito.
- Não! – Ela riu de mim. – Enquanto você estava distraído fazendo o trabalho de casa, ela passou um trabalho em dupla para entregar na aula que vem.
- Bem, sobre esse eu realmente não ouvi! – Assumi um pouco sem graça.
- Percebi! Você estava tão concentrado que nem me ouviu te chamando! – Ela continuava rindo de mim e eu estava adorando. Pode parecer loucura, mas era bom saber que eu podia fazer a Mariana sorrir.
- Você já tinha me chamado antes?
- Não muito... Só umas... – Ela fingiu pensar - Cinco vezes, talvez. – Nós dois rimos juntos.
- Foi mal!
- Tudo bem! – A gente ficou se encarando um pouco até que ouvimos alguém tossindo atrás de mim. As bochechas dela, que ainda estavam coradas, ficaram ainda mais vermelhas e eu não pude evitar revirar os olhos. Eu sabia que era o João que tinha feito aquilo, assim como tinha certeza de que ele tinha feito de propósito para pegar no nosso pé.
- Agora eu juro que tô ouvindo! – Brinquei para tentar tirar a atenção dela dos caras atrás de mim. – Pode falar que eu vou escutar tudo!
- Bem, é que a professora passou um trabalho em dupla... E como naquele dia você tinha dito que queria trocar de grupo... Pensei que, talvez, você quisesse... Fazer comigo. – Ela olhou nos meus olhos ao mesmo tempo em que encolhia os ombros.
- Claro! – Aceitei na mesma hora.
- Ok! – Ela deu um sorriso tão bonito que eu fiquei em dúvida se ela só estava feliz por eu ter aceitado ou se era porque eu tinha aceitado. Uma esperança de que, talvez, ela também tivesse algum interesse por mim! – É melhor eu sentar antes que a professora reclame! No final do dia a gente combina.
- Combinado! – Respondi. Ela levantou e voltou a para a sua carteira e eu e agradeci pela chance que o destino tinha me dado. Eu estava enganado... O destino estava ao meu lado!
Na hora da saída arrumei o meu material o mais rápido que consegui para poder conversar com ela. O Pietro pegou no meu pé quando percebeu o que eu estava fazendo, mas eu apenas ignorei. Me aproximei dela e a esperei terminar de arrumar o material. Sentamos em uma das mesas que ficava em frente à lanchonete.
- Já que você não ouviu nada sobre ter um trabalho, eu acredito que você também não faz ideia sobre o que é o trabalho, né? – Ela apoiou o cotovelo direito em cima da mesa e o rosto na sua mão. Meu olhar encontrou o dela e ela sorriu.
- Não! – Confessei. – Não faço a mínima ideia!
- Ela pediu que a gente escolhesse uma música para encaixar em algum dos estilos literários que a gente já aprendeu!
- A gente estava na aula de Redação ou de Literatura? – Estava confuso, era possível eu estar tão disperso que me confundi até na matéria da aula que eu tive?
- Redação, mas ela quis fazer uma conexão com as aulas de Literatura.
- Ah tá! E sobre que música você quer falar?
- Na verdade eu acho melhor a gente escolher o estilo literário primeiro! Depois a gente procura uma música que tenha as características desse estilo.
- Tem razão! – Sorri nervoso. Normalmente era eu quem comandava os trabalhos, mas eu estava tão perdido que não me surpreenderia se eu não conseguisse fazer nada. O que com certeza ia queimar totalmente o meu filme com ela.
- Tem algum estilo que você goste mais?
- Por mim pode ser Romantismo. – Eu apostava que ela ia escolher esse estilo. Todos os desenhos que ela fazia tinham corações, flores, sol... Mesmo sem a conhecer bem, eu sabia que ela era romântica e não tinha como uma pessoa romântica não gostar da segunda geração do Romantismo.
- Segunda geração? – Ela não demonstrou muita empolgação ao me perguntar.
- Acho que vai ser mais fácil. – Dei de ombros.
- É. Pode ser, então. – Ela ainda não parecia estar muito empolgada. Na sala, quando ela falou comigo, ela estava mais feliz do que naquele momento. Eu precisava saber o que tinha acontecido.
- E qual é o seu estilo preferido?
- Também gosto do Romantismo. – Ela sorriu e era verdade, só que ainda tinha um porém ali.
- Essa não é a resposta para o seu estilo preferido... – A encarei profundamente, a fazendo desviar o olhar.
- É um dos meus preferidos. – Ela respondeu ainda sem me encarar.
- Então me conta os outros...
- Também gosto do Barroco.
- Legal! Quer fazer sobre esse?
- Não! – Ela respondeu rápido e nós dois sorrimos. – Acho melhor um estilo menos... – Ela ficou pensativa procurando uma palavra para descrever. – Rebuscado. – Nós dois rimos.
- Que bom! Não sei se eu me sairia bem relacionando uma música a esse estilo!
- Com certeza teria que ser uma música com uma estrutura impecável!
- Definitivamente. – Concordei com ela, mas sabia que ela ainda não tinha dito qual era o preferido dela. – E quando você vai me contar o seu estilo preferido?
- Quase ninguém gosta dele. – Ela me encarou.
- E qual é o problema? É o que você gosta.
- Simbolismo.
- Quê?! – Perguntei espantado. Realmente não era um dos estilos literários preferido pelos alunos, lembrava que muita gente reclamava dele. Achava difícil e complicado ter que descobrir o que o autor realmente queria dizer por trás de todos os símbolos presentes na escrita. Não era o tipo de texto que você compreendia de primeira, às vezes, nem na segunda leitura. Era um texto que ia além, que você tinha que analisar, desmembrar até entender. Essa era a parte legal. Assim como as pessoas, no Simbolismo você tinha que se aprofundar para conhecer de verdade o que tinha por dentro. E isso era o melhor. Esse era o motivo que sempre fez o Simbolismo ser o meu estilo literário preferido.
- Pois é! Essa é a reação normal das pessoas... – Ela revirou os olhos.
- Você entendeu errado! Eu falei isso porque é o meu estilo literário preferido!
- Sério?! – Ela não conseguiu, ou nem tentou, esconder o sarcasmo na voz.
- Juro!
- Então por que não deu a ideia do Simbolismo? – Suas sobrancelhas estavam erguidas.
- Achei que você ia gostar mais do Romantismo... – Senti que meu rosto estava denunciando a minha vergonha. - Até hoje as garotas lá da sala reclamam com a professora que querem mais poemas da segunda geração! – Levantei os ombros.
- Verdade... – Ela revirou os olhos. – Se elas prestassem atenção iam perceber que o Simbolismo é tão bom quanto.
- Concordo. Só não é tão romântico.
- A vida é bem mais do que os poemas da segunda geração. – Ela me olhou com um sorriso singelo no rosto.
- É. – Foi tudo o que eu consegui dizer. Naquele momento, ela tinha conquistado o meu coração de uma vez por todas. Se eu abrisse a boca, ia ser para pedir a Mariana em namoro e ela, com certeza, ia se assustar comigo! Eu tinha que, pelo menos, convidá-la para sair antes!
- Tem certeza de que o Simbolismo é o seu estilo preferido? – Ela perguntou em um tom divertido.
- Vamos fazer o trabalho sobre ele e eu te provo que sei bastante sobre esse estilo. – Pisquei.
- Não é assim que você vai me provar. – Ela rolou os olhos.
- Por que não?
- Porque você é o melhor aluno da turma! É óbvio que você sabe sobre todos os estilos literários!
- Mas encontrar uma música com várias simbologias e explicar cada uma delas com um sorriso no rosto, vai ser o suficiente, não é?!
- Acho que esse trabalho vai ser mais divertido do que eu achei! – Ela sorriu.
- Pode apostar.
- Você pode ficar sexta depois da aula? Podemos fazer o trabalho na Biblioteca.
- Posso sim. – Ela levantou da cadeira, colocando a mochila no ombro depois que eu a respondi.
- Marcado, então! – Como eu continuava sentado, ela acenou e foi embora.
Assim que ela já não conseguia mais me ver, me recostei na cadeira e fechei os olhos. Eu finalmente tinha criado coragem de puxar assunto com ela... Só precisava criar coragem de chamá-la para sair. E não podia passar de sexta!
O que acharam da atitude da Mariana ao lembrar que ele queria ter feito o trabalho com ela e propor para fazerem juntos?
Será que ela sente alguma coisa por ele também?!
E sobre os Estilos Literários... Qual era/ é o preferido de vocês?
Confesso que os que eu listei eram os meus preferidos! s2 E o Simbolismo realmente era o que eu mais gostava, mesmo que fizesse eu arrancar alguns cabelos na hora da interpretação em certos momentos, especialmente nas provas! kkkk
Não esqueçam as estrelinhas e comentários!
Até mais!
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