Capítulo 3
Após o almoço, meus pais foram com o Rafael para o escritório para conversar sobre algumas documentações da empresa e eu fiquei com a Carla na sala de estar. A televisão estava ligada, mas nenhum de nós estava prestando atenção. Dobrei minha perna para me virar de lado e poder olhar melhor para ela.
- Como você está?
- Ah, se tirar os inchaços, cansaço, um pouco de falta de ar, calor excessivo, não ter uma posição para dormir, a barriga pesada e as idas constantes ao banheiro... Tá tudo bem! – Nós rimos. – Falando sério, está tudo bem! Tudo o que eu reclamei é normal! Não tem uma grávida que não sinta essas coisas no finalzinho da gravidez! O Hugo está saudável e daqui a pouco vai estar com a gente! Não tenho do que reclamar!
- Fico feliz em te ver tão bem!
- E eu fico feliz em saber que ele vai ter o melhor padrinho de todos! – Ela colocou a mão na barriga. Desde que ela descobriu a gravidez, ela vivia passando a mão na barriga, acho que já era tão automático, que ela nem percebia o movimento.
- Com certeza eu vou tentar ser mesmo!
- Vai ser! Você é muito especial! – Ela me encarou e eu tentei disfarçar. Ela e minha mãe viviam me dizendo que eu era especial. Só que parecia que a Mariana não conseguia notar nada de especial em mim! Ela mal falava comigo, não era possível que ela pensasse o mesmo.
- É! – Tentei desconversar, mas ela já me conhecia bem. Na maioria das vezes, quando eu estava triste e meus pais não estavam em casa, era ela quem conseguia me animar, mesmo eu me dando muito bem com o meu irmão, ela tinha um dom especial. O meu afilhado tinha muita sorte de ter a Carla como mãe!
- O que aconteceu, Gabriel? – Ela perguntou carinhosamente.
- Não foi nada.
- Ei, nem adianta! Você sabe que eu vou insistir até você falar! Melhor começar logo enquanto estamos sozinhos! – Ela respirou fundo e piscou.
- Então é melhor falar logo! – Brinquei.
- Também acho! – Ela se ajeitou para sentar mais confortável na poltrona e me encarou enquanto me esperava começar a falar.
- Eu tô gostando de uma menina da minha sala. – Vi um sorriso se formando na boca dela e ela balançou a cabeça afirmativamente me encorajando a continuar. – Só que a gente mal se fala.
- Por quê?
- Porque, como você sabe, eu ando com o pessoal popular, mas ela anda com um grupinho bem fechado, eles não falam com muita gente além deles mesmos.
- Mas você já tentou conversar com ela e ela não falou com você?
- Não muito... Essa semana eu arranjei uma desculpa e conversei um pouco com ela. Ela até que conversou direito comigo.
- Então qual é o problema? É só conversar mais com ela!
- Mas é que eu não sei como conversar com ela e nem o que falar! – Respondi frustrado.
- Gabi, é só conversar! – Ela me encarou, tentando me encorajar, mas não estava dando certo.
- Não é tão fácil assim...
- É bem fácil, na verdade! Você lembra da minha história com o Rafael, não lembra?
- Claro que lembro!
- Então... Se eu não tivesse pedido aquele beijo para ele, se ele não tivesse me beijado, se eu não tivesse procurado por ele depois para me explicar e se ele não tivesse aceitado conversar comigo, podia ser que nada disso tivesse acontecido! E como você sabe, eu andava com os populares e ele também andava com um grupo bem pequeno e fechado! Só que naquele momento do corredor, nós éramos só dois adolescentes! Eu era uma menina desesperada fugindo do ex e ele era um garoto que tinha acabado de ter todas as folhas jogadas no chão pelo empurrão que tomou! – Nós dois rimos. – A gente só aconteceu porque a gente se falou!
- E se ela não quiser nada comigo? – Não tentei esconder toda a insegurança que estava sentindo.
- Pelo menos você vai ter certeza de que ela não quer nada com você.
- Eu tô enrolando o ano inteiro... Mas eu sei que você tá certa!
- Para de enrolar então e tenta! Não estou dizendo que vai dar certo, só estou deixando claro que você só vai ter certeza do que vai acontecer quando você tentar!
- Vou descobrir um jeito de me aproximar dela nessa semana!
- Qualquer coisa sabe que pode contar comigo!
- Eu sei! – Sorri.
- Me fala sobre ela! Tô curiosa!
- Ela é linda! Tem o cabelo ruivo, aquele ruivo bem cor de fogo e os olhos são castanhos! Eu nunca fico muito próximo a ela, mas quando eu me aproximei dela nessa semana, eu pude ver como os olhos são mais bonitos ainda do que eu já achava! – A Carla sorria, claramente ela estava feliz por me ver tão encantado ao falar de uma garota. – Ela tem a minha cor de pele e nós temos a altura bem próxima. Como eu sento algumas fileiras atrás dela, vejo que ela gosta muito de desenhar, principalmente nas aulas de História e Geografia. Só não sei se ela desenha nessas aulas porque não gosta das matérias, ou porque são as que ela se dá melhor e por isso não precisa prestar muita atenção...
- Se você perguntar para ela, você vai descobrir a resposta para a sua dúvida e vai ter um bom assunto para conversar com ela!
- Carla! Como eu vou chegar do nada perguntando uma coisa dessas?!
- Você não vai começar com esse assunto! Vocês mal se falam, então tem que ir devagar. Começa cumprimentando ela sempre que chegar e for embora. Se esbarrar com ela na fila da lanchonete ou do bebedouro, você puxa um assunto sobre a última aula que tiveram. Presta atenção no que ela vai te falar e vai usando os detalhes para poder puxar novos assuntos! – Conforme a Carla falava eu prestava total atenção para não perder nenhum detalhe. – Pode ser que nas primeiras vezes vocês não conversem muito, que o assunto dure um minuto ou até menos! Não tem problema! Você vai conversando, vai sempre marcando mais presença no dia dela, até que em um momento vão ter uma conversa mesmo! Nesse momento você pode comentar que já a viu desenhando, elogia os desenhos dela e aos poucos vocês vão se conhecendo!
- Obrigado pela ajuda, Carla! – Levantei para poder abraçar a minha cunhada e minha melhor amiga.
- Conta comigo sempre! E com o Rafa também!
- Eu sei! – Voltei a sentar quando meus pais e o Rafael voltaram para a sala.
- E aí, maninho, pronto para perder mais uma partida?!
- Você é que precisa se preparar! – Peguei no pé dele, enquanto me levantava para ligar o videogame e ele sentava ao lado da Carla, dando um beijo na testa dela e depois outro na barriga.
Quando escrevi esse capítulo não me aguentei e reli o início do livro Um Amor de Surpresa!
Sempre achei a relação do Rafael e da Carla perfeita do início ao fim, um conto de fadas da vida real, que, nesse caso, continua sendo literário! kkkkk
P que acharam da conversa dos dois? Concordam com a Carla?
Deixem suas estrelinhas e comentários!
Até mais!
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top