Por você
De repente eu fui acordado pela vibração do celular. Eu estava cansado, sem forças, traído. Não queria me mexer ou me levantar... Só queria desaparecer de uma vez.
Eu até entendia Hana não ter acreditado em mim, mas aquelas palavras me quebraram... Aquele abraço quente, os olhos verdes me olhando... eu jamais teria aquilo novamente... e eu queria. Queria sentir aquele calor, queria poder explicar para ela. Que droga!
Por isso eu não gostava de me aproximar de ninguém, era a segunda vez que eu era traído. Tudo isso porque eu me deixei apaixonar por aquela garota... isso mesmo, não faz diferença admitir agora, afinal eu nunca mais sentiria aquilo. Se eu ao menos aceitasse esse sentimento eu poderia esquecê-lo mais facilmente, invés de guardá-lo eternamente. Agora ela deve estar curtindo com aquele falso e não havia nada que eu pudesse fazer.
Apenas me intrigava o que ela queria me contar, o que preocupava tanto ela? Eu nunca vou saber... a este ponto ela já deve ter me bloqueado. Senti um impulso de verificar, minha mão até tocou o celular, mas ligar e ver que eu estava certo apenas machucaria mais ainda.
Só me restava ver que tipo de notificação chegou até mim, talvez sobre o evento do jogo.
Quando eu liguei a tela meu coração disparou. A notificação na verdade era de Hana, uma localização? Não era do mundo real, era do jogo... as coordenadas do meu castelo. Ela me mandou por acidente? Não... tem que clicar três vezes para isso, seria muita coincidência, então por quê?
Talvez ela tenha se arrependido do jeito que falou comigo, mas ela teria escrito uma mensagem. Ela também não me bloqueou, então qual significado daquilo? Talvez ela se arrependeu e não sabia o que dizer... espera, não sabia o que dizer? Meu deus! Eu sou um idiota! Não é que ela não tenha o que dizer, é que ela não pode dizer! Isso mesmo, é mais rápido do que digitar! Isso é um pedido de socorro. Droga eu não deveria ter deixado ela sozinha com aquele falso desde o começo!
Eu loguei às pressas e corri para o castelo o mais rápido que eu pude. Demorou alguns minutos, mas estava de frente com aquele imenso portão novamente. A localização era do canto do castelo, levando em consideração os andares ou era o depósito ou o quarto. Tentei não pensar muito e corri para o quarto, parecia a melhor escolha.
Quando cheguei lá estava eles. O farsante sobre a Hana, aplicando espadadas contra sua armadura, era obvio o que ele queria. E no instante que cheguei ela se quebrou. Eu vi aquelas mãos maldosas se aproximando dos peitos dela, agora desprotegidos. Eu não deixaria de forma alguma!
— Não toque nos peitos da minha Hana seu desgraçado!
Ele se assustou com minha voz, não esperava que eu aparecesse provavelmente. Hana chorou ao me ver.
— Saito...
Apenas sorri para ela, dizendo como os olhos que tudo ficaria bem.
— O que você faz aqui? Saia antes que as coisas piorem para você.
— Não, eu não posso sair, Ice — Ele entendeu naquele momento. Quem estava de frente para ele não era um jogador aleatório, era o antigo Deathkiller — Essa sua vingança doentia já passou dos limites.
Mais uma risada histérica, mais alta que a anterior.
— Que ingênuo... mas agora que eu fiquei com vontade de me vingar ainda mais de você! Vou te derrotar aqui e agora, você vai voltar para o lobby, então vou me apreciar com o delicioso corpo dela...
— Cala a boca! — Interrompi as palavras nojentas que ele estava proferindo. Logo uma mensagem de combate zero para ele. Uma configuração onde o jogador que zerasse os pontos de vida primeiro perderia — Vamos acabar logo com isso.
— Você tem certeza? Nem mesmo um combate definitivo você vai tentar?
Não respondi, apenas encarei-o com um extremo ódio, meus olhos eram como tochas em chamas. Sem muito o que fazer, ele aceitou o combate.
Eu sabia o poder da minha conta, mesmo Ice sendo inferior a mim em combate, ainda era muito maior. No nível que estou jamais derrotaria o "DeathKiller". Ainda por cima ele era um cheater, o que quer dizer que minha espada poderia simplesmente desaparecer como antes. A única esperança que eu tinha era dar dez segundos para Hana se teleportar. Para isso eu precisava passar por Ice.
Eu avancei e desferi o primeiro ataque, que foi bloqueado. Ice rapidamente girou e me atacou pela esquerda e eu aparei, abrindo uma brecha na defesa dele. Cortei em diagonal, aproveitando o espaço e como o esperado eu não causei nenhum dano.
— Acha mesmo que pode fazer algo? — Outro sorriso se abriu no rosto dele — Sabe quanto dano você deu? Dois de dano.
Ele tentou me intimidar, mas eu não me abalei. Aparei os próximos três ataques dele e avancei mais uma vez. Ele já esperava isso e posicionou a espada para bloquear, mas não era meu objetivo atacá-lo, pois eu fiz a ativação da intangibilidade momentânea, podendo assim atravessar o corpo dele por um instante.
Agora de frente para a cama, aproveitei o embalo e cortei a corda que prendia a mão direita da Hana, permitindo que ela acessasse as configurações e iniciasse a contagem de dez segundos.
— Eu te vejo na pousada — falei gentilmente para ela, quase em um sussurro.
Ela apenas sorriu para mim, mas ainda não havia acabado. Eu me virei rapidamente para aparar mais uma sequencia de ataques, segurando tempo o suficiente para que ela se teleportasse.
Ice se revoltou com aquilo, gritou raivoso. Eu sabia que ele não poderia usar liberações de espada por estar na minha conta, mas não entendi o porquê de não ter usado as habilidades dele de cheater, não havia quebrado a durabilidade da minha espada como antes. Todavia eu não perderia tempo questionando, afinal, desta vez, foi eu quem ganhou.
— Seu desgraçado! Eu vou caçar você até o fim! Isso não acabou, não pense que terá a Hana para você, ela é minha entendeu! Ela pertence a mim e ninguém mais!
Eu não me preocupei em respondê-lo, pois aquilo penas era a raiva dele. Eu apenas abri os braços, não fazia diferença perder aquele duelo agora. Ice com quatro ataques deixou minha vida no zero.
Instantes depois eu apareci na porta da pousada. Eu respirei fundo antes de entrar, ainda não sabia como falar com ela, nem como reagiria ao me ver, mas eu deveria enfrentar aquilo.
Quando abri a porta lá estava ela, de frente para janela, recebendo em seu rosto os últimos raios de sol. Seus olhos verdes brilhavam intensamente e os cabelos balançavam com o vento... tão linda.
No instante que ela percebeu minha presença virou-se, olhando-me sem saber o que dizer. Mas no fundo eu sabia cada palavra que estava entalada naquela garanta.
Meu coração disparado apenas provava aquela verdade, que eu realmente estou apaixonado por essa menina. Então eu iria sustentar isso. Com o silêncio no ar eu apenas me aproximei e ao chegar na frente dela, colei nossos lábios. Não sabia como ela reagiria, se me empurraria, se estava ousado demais ou rápido demais. Porém seus braços me envolveram e cada vez mais me beijava intensamente. Senti meus dedos entre aqueles cabelos sedosos, suas suaves e pequenas mãos em meu pescoço e bochecha. Seus pés na ponta dos dedos para equiparar nossas alturas. Havia se passado apenas alguns segundos, mas o calor daquele beijo pareceu ter durado horas.
Quando afastamos os lábios ela estava ofegante. Hana repousou sua cabeça no meu ombro, senti algumas lágrimas molharem meu pescoço.
— Me desculpa... é que eu fiquei tão iludida com o fato de ter conhecido o Deathkiller, precisava de falar tantas coisas com ele... mas eu nem percebi que o verdadeiro estava na minha frente o tempo todo... e eu não sabia... falei coisas terríveis para você... não é igual a Artur, você é muito melhor.
— Tá tudo bem... eu só fiquei com medo de perder você. Tive medo de nunca mais te ver, de ele me derrotar e eu não encontrar mais você...
— Eu sei que você nunca perderia pra ele... no momento que eu te vi na porta eu tive certeza que eu seria salva... desculpa por não ter acreditado em você...
— Eu entendo. Não tinha como acreditar. Eu só não te contei antes porque não via sentido, não tinha porquê contar... mas aí eu fui ficando mais próximo de você... te conhecendo melhor... passamos horas, dias juntos... e eu me apaixonei por você. Aí eu entendi "Que diferença faria dizer que sou Deathkiller, se Saito já tem tudo que ele quer?"
Ela deu uma risadinha.
— Eu sei, você nunca contaria... desde o inicio, sendo gentil de me dar aquelas moedas, e mesmo resistindo no fim você cedeu... ficou o tempo todo ao meu lado... mesmo com sua resistência você estava lá.
— É que eu sempre tive medo de me aproximar das pessoas, mas aos poucos você conseguiu invadir meu coração... começando com aquele negocio de instruir... no fundo eu só queria passar mais tempo com você — Eu segurei os braços dela e a afastei um pouco, para poder olha-la nos olhos — até que eu me apaixonei... eu descobri que eu amo você, Hana.
Mais lágrimas rolaram pelos olhos dela naquele momento. Ela saltou novamente em meus braços e envolveu meu corpo com todo seu calor.
— Eu também te amo Saito, amo muito! — Ela me deu mais um beijo demorado. O gosto de sua boca era simplesmente maravilhoso, um doce extremamente viciante. Era uma tortura sempre que o beijo acabava, sentia vontade de voltar a agarra-la e lançar lhe mais beijos, apenas não fiz porque eu vi um olhar diferente de repente, Hana estava um pouco hesitante, como se pensasse muito no que iria falar em seguida.
Ela sentou na cama e puxou minha mão para que eu fizesse o mesmo. Ainda segurando minhas mãos ela olhou bem em meus olhos, não me importei de esperar o tempo que ela precisasse para liberar aquelas palavras, até que finalmente conseguiu.
— Eu... tive medo de te contar isso porque eu não sei como você reagiria... e agora com você dizendo que me ama, e eu tendo certeza que te amo me dá mais medo ainda... mas eu tenho que te dizer... é que... eu sou paraplégica... eu fiquei assim depois de salvar um garoto de um acidente.
Demorei alguns segundos para raciocinar o que ela tinha dito... e quando meu cérebro interpretou as informações as coisas se encaixaram como um quebra cabeças... não era possível tamanha coincidência. Como uma coisa dessas veio a acontecer?
Eu me levantei, assustado e Hana deu indícios de que iria chorar. Eu olhei bem para os olhos dela e as palavras saíram de minha boca.
— Qual é o seu nome verdadeiro?
— É Hatsumi Naomi... por quê?
— Hana... a culpa de você ter ficado paraplégica é minha...
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