⌚TWO

"너에 대한 꿈에서 깨어나니 오늘 아침이 너무 허전해"
[Sinto-me tão vazio esta manhã,
quando acordo de um sonho sobre ti]

✿✿✿

As suaves notas do instrumento fazem eco no salão. Os olhos do homem navegam entre os rostos ali presentes, alguns estão contentes com a cerimônia e outros parecem prontos para cometer um assassinato, contudo, não podem fazer nada. Afinal de contas, o homem no altar é o rei e não há ninguém que o possa impedir de cometer tal loucura.

As notas do piano apenas o informam que ela vai entrar. O coração bate fortemente contra a sua caixa torácica e se o lugar estivesse em completo silêncio, o homem sabe que qualquer um ali presente conseguiria ouvir as suas fortes batidas cardíacas.

Em menos de um minuto as portas abriram-se e aquela que ele vê como o "amor da sua vida", adentra a sala. Os cabelos compridos caiem como uma cascata de chocolate, sobre os seus ombros e no topo da sua cabeça está pendente uma tiara de flores. O vestido branco arrasta com leveza sobre o piso conforme ela anda na direção do homem. Uma menina caminha à sua frente, um cesto cheio de pétalas de rosa está em sua posse e ela espalha-as pelo tapete estendido no chão.

As lágrimas quase atrapalham a sua vista, mas o rei pestaneja algumas vezes, tentado livrar-se delas.

A mulher sorri doce na sua direção e continua a andar com calma, ela tenta transparecer-lhe tal emoção. As suas mãos tremem, nervosas enquanto apertam o buquê de flores. Assim como o denominado de "amor da sua vida", ela está ansiosa com o que está a acontecer.

Ao chegar perto do início das escadas, o homem desce alguns degraus e estende-lhe a sua mão, oferecendo ajuda à sua amada.

As suas peles encontram-se e o calor que o toque gera parece plantar mútuos sorrisos nos seus rostos. Finalmente estão frente a frente, lado a lado com os olhares sempre conectados. Eles não param de olhar um para o outro durante todo o tempo, parecem esquecer o que os rodeia. Aos olhos do rei, ela é a única que existe.

- Estamos aqui hoje para celebrar as melhores coisas da vida, a confiança, a esperança, o companheirismo e o amor entre este casal - o discurso é iniciado. As notas do piano juntamente aos burburinhos, param de ecoar.

O homem ali presente para os casar prossegue com o discurso, mas os noivos não parecem prestar atenção a uma única palavra que ele diz. Estão presos na imensidão do olhar um do outro.

- Jeon Jungkook, é de livre e espontânea vontade que você aceita Kim Yoohyeon como sua companheira em matrimônio? - o rei é desperto de um sonambulismo e não hesita em responder. Ao pronunciar a simples palavra com tanto significado, Jungkook não desfaz o contacto visual.

- Sim, eu aceito.

- Kim Yoohyeon, é de livre e espontânea vontade que você aceita Jeon Jungkook como seu companheiro em matrimônio? - ela parece um espelho a refletir o rei.

- Sim, eu aceito.

- Declaro-vos então, marido e mulher. Sua alteza, pode beijar a noiva - o Jeon não perde tempo para puxar Yoohyeon pela cintura e unir os seus lábios aos dela. O buquê cai no chão e a Kim rodeia o pescoço de Jungkook com as suas delicadas e femininas mãos. Um sorriso fica pendente entre o beijo e quando Jungkook os gira e usa a força dos seus braços para suspender Yoohyeon no ar, os aplausos dos convidados duplicam.

A tiara de flores cai também no chão e a Kim não se consegue impedir de rir, nervosa com a súbita posição. Por fim ela relaxa e foca toda a sua atenção no rei, a confiança que ela tem nele é algo inexplicável.

Contudo, ao mesmo tempo que está contente, Yoohyeon sente um aperto no peito. Ela confia nele e ele confia nela.

✿✿✿

A primeira coisa que vê é um teto branco. O cheiro de medicações e de desinfetante invade o seu olfato e por alguns segundos, Jungkook agradece a inexistência de pólen.

- Doutor, ele acordou! - a voz histérica do seu amigo faz a sua cabeça doer.

- Fala mais baixo Hoseok - pede enquanto se tenta sentar. As mãos atrapalhadas do Jung agarram-no, numa clara tentativa de o ajudar a ficar sentado - O que aconteceu? - a voz sai fraca, a sua garganta implora por água. A última coisa que Jungkook se lembra são os alunos a sair da sala, depois disso tudo ficou escuro - Tive um sonho estranho... eu estava-me a casar - remunga levando a mão à testa.

Antes de o amigo poder responder, o homem vestido na bata branca entra no cómodo juntamente de um enfermeiro. O doutor chega perto do paciente e sorri na sua direção. O profissional identifica a confusão e o medo no olhar de Jungkook.

- Mantenha a calma Sr.Jeon. O senhor está bem, apenas tem de manter a sua alimentação em dia, sabe-me dizer quando foi a última vez comeu? - Jungkook morde o lábio, hesitante.

- Ontem... - faz uma leve pausa - De manhã... - acrescenta e a cara de Hoseok contorce-se numa careta chocada.

- O senhor desmaiou por falta de alimento, você vai apenas precisar de terminar de tomar o soro e, logo em seguida poderá voltar para casa. Por favor, coma com regularidade - o doutor informa enquanto realiza alguns testes. Ele observa as pupilas e os ouvidos de Jungkook e com o estetoscópio, ele ouve as batidas cardíacas e a respiração do Jeon.

- Vou manter isso em mente - é a resposta do paciente.

Após dar mais algumas indicações o médico retira-se para ir ver outros pacientes. Assim que a porta se fecha e Jungkook fica a sós com Hoseok, a mão do Jung vai contra a sua nuca.

- Essa é por não te alimentares bem - o psicólogo cruza os braços e volta a sentar-se - Queres explicar-me o porquê de não teres andado a comer nada? - Hoseok franze o cenho, esperando uma explicação.

- Não comi mas, bebi café - o sussurro foi ouvido por Hoseok e desta vez o braço do Jeon foi o seu alvo.

- Jungkook! - exclama, claramente chateado com a atitude que o amigo estava a tomar.

- Pronto... pronto... - Jungkook agarra a sua mão e encara o amigo nos olhos - Eu apenas não consegui comer, ela... ela não saía da minha cabeça. Fiquei sem apetite... - o Jung suspira e apenas se levanta para voltar a se sentar na cama de Jungkook.

- Tu por acaso estás a esconder algo de mim? - o tom de voz vem banhado em carinho. Hoseok sempre teve um lugar especial no coração para Jungkook. São amigos há dez anos, desde o dia em que o Jung visitou a sua pastelaria preferida e, em vez da cara do funcionário já habitual, foi recebido pelo novo, atrapalhado e jovem rapaz. Desde então, Hoseok não se lembra viver sem a presença do mais novo no seu dia à dia.

Uma lágrima escorre pelo rosto de Jungkook.

Ele não consegue dizer nada, as palavras não saem da sua boca. Então, ele apenas passa os braços ao redor do corpo do amigo, puxando-o para perto. Jungkook enterra a cara no peito do psicólogo, apertando mais o abraço que é correspondido.

- Hey... eu estou aqui, sempre estarei. Quando estiveres pronto para partilhar, eu vou ouvir... - o suave toque da mão de Hoseok passeia pelas suas costas.

Eles ficam ali, abraçados. Jungkook tentando acalmar-se e Hoseok esperando que ele se acalme.

- Eu... voltei a vê-la agora - o Jeon finalmente interrompe o choro com uma fala. Hoseok olha para si e não faz menção de se afastar e muito menos se soltar dos braços do amigo. Ele apenas espera pacientemente que Jungkook continue a sua fala - Estávamos a casar... - murmura. A bochecha espalmada contra o corpo do Jung e os braços não hesitam enquanto apertam o amigo, Jungkook não pretende quebrar o abraço tão cedo. E Hoseok também não fazia questão de se ver livre daquele aperto.

- A casar? Tu disseste isso à pouco... - lembrou-se.

- Sim... era com ela... - responde e puxa o Jung para mais perto, se é que isso é possível - Sinto-me estranho - admite.

Desde que acordou, o vazio espalha-se pelo seu peito. Ele sentiu-se tão completo durante o tempo em que esteve inconsciente que, ao voltar ao seu estado de espírito normal, ele se sente solitário e vazio. Ele sente como se tivesse acabado de ser abandonado.

- Estranho como? - mesmo sendo amigos, Hoseok nunca deixa de fazer o seu papel de psicólogo nestes momentos.

- Não sei... - é uma óbvia mentira. Hoseok também sabe disso.

- Jungkook, não precisas esconder de mim. Eu vou ouvir sem qualquer julgamento e vou dar o meu melhor para te aconselhar... - afirma. Desta vez as mãos de Hoseok deslizam para os ombros alheios e ele afasta o amigo de si, apenas para o encarar nos olhos. O Jung pretende transmitir confiança e certeza através do seu olhar.

- Eu... é que... - Jungkook olha para baixo, não sabendo como verbalizar o que sente - Sinto como se faltasse algo na minha vida e é algo que não estou a gostar de sentir - volta a puxar o amigo para perto. A bochecha volta a estar espalmada contra o corpo de Hoseok, o Jeon sente-se mais confortável para falar nesta posição.

- Talvez estejas a sentir falta de alguém para amar - o psicólogo calcula com cuidado as suas palavras.

Desta vez Jungkook olha-o de baixo. O seu queixo é apoiado no peito do amigo e os olhos melancólicos brilham, ansiosos para ouvir o conselho do psicólogo.

- Experimenta fazer algo que gostes. Vai ver um museu ou um palácio que ainda não tenhas visitado. Passa tempo de qualidade contigo mesmo, não trabalhes e não te stresses com mais nada. Apenas aproveita a tua companhia e durante esse tempo tenta entender o que falta no teu coração - o olhar do mais novo é retribuído e Hoseok sente-se derreter sobre os grandes e cintilantes olhos de Jungkook.

- Obrigada hyung...

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