⌚THREE

"왜 외로움의 반대말은 없을까?
사람들이 죽을 때까지 자신이 외롭다는 것을 모르기 때문일까요?"
[Porque é que não existe o oposto de solidão?
Será porque as pessoas não sabem que estão sozinhas até à sua morte?]

✿✿✿

Nesse mesmo fim de semana, Jungkook viu-se a sair de casa. A máscara na cara era uma falha tentativa para ajudar na sua alergia ao pólen e o casaco que cobre o seu corpo serve para o proteger do frio. O sábado não estava com o melhor tempo de sempre, mas mesmo assim Jungkook deciciu sair, seguindo o conselho de Hoseok.

O seu alvo do dia era o palácio dos JeongHwa. Por mais incrível que pareça, Jungkook ainda não tinha visitado tal sítio e decidiu que já estava na altura de ver o palácio com os próprios olhos.

Segundo o que leu na internet, é um lugar magnífico. Digno de ser nomeado a casa de várias gerações da realeza. Já tinha visto fotos da construção, comentários de especialistas e as vagas opiniões de muitos que já lá puseram os pés. Desde sempre se interessou em visitar o palácio, mas algo o impediu de fazer. Era uma sensação estranha.

E desta vez, ela também estava presente.

O formigamento começou na ponta dos seus dedos e alastrou-se pelos seus braços. Subiu pelo peito e concentrou-se no seu coração antes de seguir caminho pelo seu pescoço, dali não passou. As veias do Jeon estão salientes, pulsantes. Ardem com tremor. Mesmo assim Jungkook decide adentrar o palácio.

Assim que colocou o primeiro pé dentro das paredes do palácio, o seu corpo vacilou. O chão pareceu engoli-lo. As paredes do local tremeram, como se saudassem a chegada do seu dono.

No entanto foi apenas a mente de Jungkook, porque o palácio manteu-se o mesmo com a sua presença.

Desde o dia em que desmaiou, Jungkook sentia-se estranho. As imagens da mulher, cujo nome é Yoohyoen, ficaram mais recorrentes, de modo a aparentarem se ter duplicado. O rosto dela é mais marcante que nunca. É como se ela fosse um déjà vu constante, ele tem a sensação de já ter feito tudo o que faz no seu dia à dia com Yoohyoen.

E isso faz Jungkook suar frio.

A guia da visita mostra o caminho a todos os visitantes. Incluindo Jungkook.

Os seus sentidos, mais apurados que o normal, fazem a sua cabeça latejar. Jungkook sente o cheiro misto do pólen com amêndoas invadir o seu olfato, o esgotado eco de uma risada feminina persegue-o juntamente ao eco dos passos do seu grupo, e o palácio que tem mais de quatrocentos anos, aos seus olhos, aparenta ter acabado de ser construído.

- E aqui, do vosso lado esquerdo, poderão ver os aposentos da rainha e do reis - a guia continuou a mostrar o espaço aos visitantes. Jungkook tentou se concentrar no que ela dizia, assim como os outros procurou ver os aposentos do casal, no entanto, foi apanhado despercebido.

Encostada á porta estava Yoohyoen.

E num instante, o seu coração foi rodeado por uma mão. Esmagado como uma pequena ervilha.

- Oh! - ela notou a sua presença - Jungkook-ah, aí estás tu. Estava á tua espera... - os olhos de Yoohyoen sorriam na sua direção.

- Eu... - olhou em volta. Meio perdido.

- Nós não íamos passear? Tu prometeste... - o discurso informal, parecia-lhe bem familiar.

O grupo com quem estava, desapareceu. Agora Jungkook está sozinho, perante a figura feminina, esta que ele finalmente descobriu quem era.

Yoohyoen, mais conhecida na história, como a rainha que traiu o rei. De alguma forma, Jungkook não foi capaz de a reconhecer antes. Era como se um feitiço o estivesse a impossibilitar de entender o que o rodeava, e esse feitiço parece ter sido quebrado. Todas as informações invadem a sua cabeça com tamanha velocidade, que o seu cérebro está prestes a explodir.

- Sr.Jeon? - uma mão toca o seu ombro.

Olhando para trás, Jungkook depara-se com a guia. Ela olha-o com certa preocupação.

- O Senhor está bem? - engolindo seco, Jungkook apenas acena positivamente. Atrás dela, estão o resto dos visitantes, também o encaram com preocupação - Eu lamento, mas você não pode passar da fita, é para preservar-mos o espaço. Podemos prosseguir com a visita? - afasta-se de Jungkook e encara o resto do grupo.

Os olhos de Jungkook olharam para os aposentos de novo. Ela já não está lá, e colada a si, está a fita vermelha que é um claro aviso de "proibida a passagem".

- Sr.Jeon? Vou ter de lhe pedir para ficar perto do grupo - a guia voltou a chamar a sua atenção.

Os olhos de Jungkook voltam a encará-la reparando que o grupo já começou a deslocar-se pelo corredor. Respirando fundo, o professor obriga-se a segui-los.

- Agora vamos dar uma vista de olhos na sala do trono. Por favor, evitem chegar muito perto, não toquem em nada e não passem das fitas - a mulher instrui e mostra o caminho para tal área do palácio. Assim que lá entraram foi o estopim para Jungkook.

As memórias voltaram tão rápido que ficou sem ver por algum tempo. A falta de equilíbrio foi evidente. Os joelhos chocaram contra o piso de madeira, eles latejam devido ao impacto, mas Jungkook ignora. Os seus olhos estão fixos nas suas mãos. O sangue fresco escorre entre os seus dedos e as lágrimas molhadas pelas suas bochechas...

E agora, o desespero controla o seu corpo.

✿✿✿

A lâmina afiada reflete os raios solares. A mão feminina agarra com firmeza a arma, ela tem o braço esticado na direção daquele com quem trocou votos de puro amor.

- Não te vires... - ela murmura. O homem mantém as mãos para cima. Ele está desarmado, mas esse promenor não passa pela sua cabeça, o rei apenas se questiona o porquê de ela estar a cometer tal crime.

"O que ela espera ganhar com isto?" Ele pensa.

Os olhos femininos, inchados e vermelhos pelo choro que ainda não cessou, refletem o quão quebrada ela está. Aquela determinação desvanece-se e o corpo de Yoohyeon é tomado por uma fraqueza e hesitação. O primeiro soluço rasga o ar. Já não há volta a dar, ela já não pode voltar a trás no tempo e impedir-se de agarrar na espada e apontá-la na direção do seu marido.

Ela não quer que Jungkook a veja naquele estado. Partida, perdida, hesitante. Ela não quer que ele a veja naquela posição. Se ele se virasse, Jungkook não veria a sua mulher, aquele que jurou amar pelo resto da sua vida, mas sim uma traidora.

- Yoohyeon... - o nome foi dito com carinho. Assim como ela, Jungkook está perdido. Prestes a cair de joelhos.

- Por favor... não - pede, desalmada e enfraquecida.

Reparando na oscilação da voz de Yoohyeon, o Jeon aproveitou para se virar lentamente. Ele precisava ver com os próprios olhos, ele precisava saber se era real. Assim que ficou de frente para a Kim, ele pode ver. Aquela ali já não era a mesma pessoa. Tinham a mesma cara e o mesmo corpo, mas não eram o mesmo indivíduo.

Aqueles olhos, não eram dela. Aquela aura não era dela. Aquela postura não era dela. Tais características levaram-no ao chão. Para onde foi a mulher por quem ser apaixou? Será que ela alguma vez existiu? Ele foi enganado e a raiva, borbulhante no seu interior apenas se duplica.

Entre eles os dois só resta um coração estilhaçado.

É impossível esse coração ser reparado. São tantos pedacinhos espalhados, alguns já perdidos. Mesmo que eles tentassem nunca ia ser a mesma coisa, aquele coração nunca mais voltaria a ser o mesmo.

- Desculpa... - as lágrimas escorrem como um rio. Em ambas as caras.

- Porquê? - é a única coisa que Jungkook queria saber. A única coisa que Jungkook lhe deu, foi amor. O Jeon acolheu-a, e fez tudo o que pôde por ela - Yoo! Diz-me... porquê? - ele mantém os olhos nos dela, mas Yoohyeon é rápida em quebrar o contacto visual. Encarar aqueles olhos, apenas a faria hesitar mais.

- Eu... - tentou se justificar. O Jeon espera com expectativa, esperando alguma explicação plausível - Ela disse que se eu te matasse... ela traria a minha irmã de volta à vida - justifica as suas ações.

Yoohyeon apenas esteve consigo para trazer alguém dos mortos...

- Desculpa... - volta a sussurra e prepara-se para tirar a vida do próprio amado. No entanto, quando estava prestes a prefurar o peito de Jungkook, ela não conseguiu. A espada caiu imóvel no chão, a lâmina ainda refletia a luz do sol - Eu não consigo... - admite - Eu... desculpa. Eu vou embora, eu nunca mais volto a aparecer à tua frente... eu... - os soluços atrapalham a sua fala e Yoohyeon dá meia volta, preparando-se para sair pela porta e nunca mais voltar.

Ela deu três passos em frente e depois não se moveu mais. O grito ficou entalado na sua garganta e os seus olhos perderam o brilho.

A lâmina da espada que ela agarrava há segundos atrás, atravessava o seu corpo. Jungkook era quem agarrava a arma. Os seus olhos ardem e o Jeon mal consegue ver. Os joelhos da mulher ficam fracos e ela vacila, Jungkook apanha-a nos seus braços. A raiva momentânea que corria pelas suas veias desapareceu e o arrependimento acorrentou-se aos seus pés.

- Yoohyeon... amor... - tirou os cabelos da cara feminia - Por favor... fala comigo. Eu... eu não queria. Desculpa, eu... - encostou a sua testa à dela, procurando o amor que ela sempre teve para si.

- Está tudo bem... - ela sussurrou, fraca. O sangue subia pela sua garganta e rapidamente a sufocou - Eu... amo-te... - foi o seu último sussuro. As únicas palavras que conseguiu formular antes de perder a vida.

Aquele amor estava banhado no sangue dela. O mesmo sangue que rapidamente sujou as mãos e roupas do rei.

O Jeon gritou, um som horrível que rasgou a sua garganta cruelmente. Jungkook chorou como nunca antes tinha chorado, as lágrimas pareciam lâminas cortando a sua delicada pele. Eram tantas, que jurou poder formar um oceano com elas. O coração, que representava o amor de ambos, estava destruído. A única coisa que restou desse amor eram as memórias, pequenos fragmentos que parecem fugir do alcance do homem. A pele de Yoohyeon empalideceu mais e o seu corpo gelou. Jungkook sente nas próprias mãos a temperatura da amada se esvanecer, é a vida dela a deixar aquele corpo.

Nesse momento Jungkook somente pode chorar abraçado ao cadáver daquela que um dia o beijou com tanta ternura.

Aqueles lábios, agora imóveis e sem cor, já foram o selo mais promissor do amor que existiu ao redor deles. Fizeram promessas, partilharam segredos e permitiram que Jungkook presenciasse o sorriso mais belo alguma vez concebido. E numa despedida, o Jeon beija-os mais uma vez.

Nesse momento a porta do salão é aberta. Os guardas e o seu irmão invadem a sala do trono.

- O que aconteceu? - o irmão mais novo do rei, este que mais tarde seria conhecido como o "Salvador da Pátria", questionou o irmão mais velho. Junghyun abaixou-se ao lado do irmão, a espada foi pousada no chão juntamente ao capacete e antes que ele pudesse fazer mais alguma coisa, Jungkook abraçou-o. O cadáver de Yoohyeon caiu estático no chão, todos os olhos caíram sobre o corpo sem vida e o terror espalhou-se aos poucos pelas suas caras.

A rainha está morta.

- Eu... eu matei-a Junghyun... eu... - abraçou com mais força o irmão. As marcas das mãos ensaguentadas são visíveis no metal da armadura e os nós das mãos ganham uma cor esbranquiçada devido à força com que ele puxa o irmão para perto. Junghyun apenas consegue abraçar de volta o outro Jeon, ele não entende.

Jungkook estava tão apaixonado... porque mataria aquela que ele mais amava?

O Jeon mais novo pensou que o casal estava em perigo e por isso chamou os guardas e decidiu invadir a sala do trono, que estava trancada. O seu objetivo era salvar o rei e a rainha, ele não esperava adentrar o local e ser recebido pelo rei completamente destruído e a rainha morta. Estava longe da sua linha de pensamento, a ideia de o seu irmão matar a própria mulher.

O som do metal a chocar contra o piso fez eco no local. A coroa do rei foi atirada contra o chão. O próprio Jungkook arrancou-a da sua cabeça. Todos observaram a coroa rolar no piso até chocar contra a tiara da rainha que também estava perdida no chão.

- Eu não sou mais o rei - com a rainha, também morreu o rei.

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