Capítulo quarenta e oito
Chaeyoung chegou no apartamento de Mina completamente cansada. Fazia vários anos que não andava igual naquele dia, porém se sentia imensamente satisfeita por ter entregado o máximo de currículos que pôde.
Ela havia usado a chave que Gamri lhe havia dado para entrar e, naquele momento, se jogou no sofá. Ela retirou seu calçado e olhou em volta. Mina realmente a amava, porque para colocar uma ex-presidiária em seu lar, deixá-la lá sozinha e com um bolo enorme de dinheiro na gaveta de sua cômoda deveria existir mesmo amor e, além de tudo, confiança.
Saber daquilo enchia o coração de Chaeyoung de alegria. Em toda a sua vida ela jamais ganhara créditos sem precisar dar algo em troca, uma garantia de que não estragaria as coisas. No mundo onde ela viveu a confiança era algo valioso e quase nulo, mas Mina depositou toda a sua em Chaeyoung e ela jamais decepcionaria a garota.
A menor riu de repente ao se lembrar de ter aberto a gaveta de manhã e se deparado com um montante maior do que ela ganhava em árduos cinco meses de trabalho. Mina definitivamente não tinha noção de quanto uma pessoa de classe baixa precisava.
Ela suspirou bobamente ao notar que já sentia saudades de sua namorada e não via a hora de poder abraçá-la novamente. Seus pensamentos foram cortados ao ouvir o som da chave na fechadura, algo que a fez sorrir instantaneamente e se sentar no sofá.
Alguns segundos mais tarde a porta foi aberta e por ela passou uma Mina que aparentava cansaço, carregando uma garota bem agasalhada, por já ser noite, em seus braços.
— Amor? — Mina chamou sem sequer olhar em volta, fechando a porta desajeitadamente. Assim que ela se virou para a frente ela sorriu, deixando seu olhar pousar em Chaeyoung.
— Precisa de ajuda? — Chaeyoung indagou, se levantando e indo até as duas garotas.
— Sim, mas primeiro deixa eu apresentar vocês pessoalmente... — Ela disse animada. — Mia, essa é a Chaeyoung. Chaeyoung essa é a minha sobrinha Mia. Todas nós vamos morar juntas por um tempo, está bem? — Indagou à Mia, vendo a garota assentir.
— Mas a Chaeyoung não pode roubar meus pilulitos. — Chaeyoung riu com vontade ao ouvir aquilo.
— Se eu não roubar seus pirulitos está tudo bem em viver comigo também? — Chaeyoung perguntou e Mia assentiu.
— A titia disse que você não ronca igual a vovó. Então sim. — Dessa vez tanto Mina como Chaeyoung riram.
— Hey, gatinha, preciso que corra até a porta do final do corredor e me espere lá. Você precisa de um banho que, infelizmente, não tivemos tempo de te dar hoje. — Mina disse e Mia assentiu.
— Está tudo azedo. — Ela disse, sentindo sua tia colocá-la no chão.
— Espere na cama da titia que eu só vou pegar suas coisas. — Mina disse e Mia assentiu, correndo para o local o qual Mina pediu.
— E então, em que precisa de minha ajuda? — Chaeyoung perguntou e Mina passou os braços ao redor de seu pescoço antes de plantar um beijo manso em seus lábios.
— Pode me ajudar com as coisas dela? Deixei no carro.
— Claro. — Chaeyoung disse e Mina sorriu agradecida. — O que foi isso aqui? — A menor perguntou ao ver o sangue seco sobre sua sobrancelha.
— O dia foi agitado. — Mina explicou. — No caminho para o carro eu te explico. — Ela disse e Chaeyoung assentiu. — Me desculpe ter que trazê-la justo quando você está aqui, mas é que...
— Hey... É sua sobrinha e sua casa. — Chaeyoung disse prontamente. — Não precisa se desculpar de nada e, bem, eu não irei roubar os pirulitos dela, então acho que está tudo bem, uh? — Mina abriu um amplo sorriso antes de assentir.
— Obrigada. — Ela disse, apoiando sua testa na de Chaeyoung. — Nem pude ir trabalhar hoje e não sei como farei amanhã, mas por hoje só quero dar um banho nela, tomar o meu e descansar.
— Vá dar banho nela que eu pego as coisas no carro. — Chaeyoung disse e Mina respirou aliviada. Estava exausta por ter carregado Mia no colo quase o dia todo. Claro que a garota sabia andar e até preferia, porém ela andava devagar e Mina tinha pressa em ter tudo pronto. Havia, inclusive, contatado Jihyo para verificar se faltava mais coisas a serem feitas, porque geralmente quem fazia tudo isso para ela era um advogado, no entanto a pressa dos fatos falou mais alto.
— Tem certeza? — Ela indagou e Chaeyoung assentiu.
— Claro que sim. — Chaeyoung replicou sorrindo de canto.
— Você bem que poderia dormir na minha cama comigo de hoje em diante, não acha? Assim Mia teria um quarto só para ela.
— Está usando sua sobrinha para conseguir as coisas? — Chaeyoung perguntou rindo e Mina assentiu, a olhando com o olhar pidão.
— Não quero ter que acordar no meio da noite excitada e ter que cruzar um bendito corredor enorme para procurar a minha namorada sendo que posso só virar para o lado... — Mina disse em um tom baixo para não correr risco de Mia ouvir nada.
— Você adora me provocar, não é? — Chaeyoung perguntou e Mina riu baixinho, assentindo.
— Ainda não esqueci o que estou te devendo. — Ela disse sorridente. — Só vamos ter que adiar mais um pouco.
— Que bom, porque também estou exausta. — Chaeyoung disse rindo. — Amanhã vemos isso sobre os quartos, está bem? Hoje já está tarde.
— Está bem. — Mina disse, depositando um último selinho nos lábios de Chaeyoung. — Vou lá dar um banho nela.
— Certo. Vou buscar as coisas no carro e depois preparo algo para comermos. — A maior arregalou os olhos ao ouvir aquilo.
— Droga. Desculpe! — Ela pediu fazendo uma careta. — Eu ainda não me adaptei a essa vida sem empregados, por isso sempre compro comida à noite, só que hoje eu esqueci.
— Amor...
— Vou pedir algo para...
— Amor! — Chaeyoung disse rindo. — Eu preparo algo para comermos.
— Mas como a Gamri só precisa fazer o café da manhã não deve ter nada para um jantar. — Ela disse e Chaeyoung assentiu.
— Bem, precisamos mudar esses hábitos, então. — Ela disse sorrindo. — Vou ver se tem algo e se não tiver eu ligo para algum lugar e peço algo saudável para nós. — Mina assentiu.
— Tem números de todos os tipos de restaurante e pizzarias na porta da geladeira. — Mina disse. — Obrigada por isso.
— Não me agradeça. — Chaeyoung disse, pegando a chave do carro da mão de Mina antes de voltar a dar um selinho nela e sair.
Mina caminhou até seu quarto e encontrou Mia coçando os olhos enquanto bocejava.
— É hora da mocinha tomar um banho para comermos algo e você poder descansar. — A pequena apenas assentiu. — E hoje você vai começar a aprender a tomar banho sozinha, tudo bem?
— Vai me ensinar? — Ela indagou baixinho e Mina assentiu.
— Claro.
— E aonde eu vou mimir?
— Hoje vai ser comigo, assim eu mato a saudade do seu cheirinho. Tudo bem para você? — Mia assentiu.
— Mas a Chaeyoung não vai dormir aqui? — Mina riu baixinho.
— Hoje não. Amanhã vemos sobre isso, mas hoje você dorme comigo.
— E ela vai cuidar de mim também?
— Bem... — Mina mordeu o lábio inferior. Sabia que Chaeyoung a ajudaria, porém não tinha a obrigação. — Ela cuida de mim, então acho que ela não terá problemas com você, mas se precisar de algo peça a mim, está bem? Ela tem as próprias coisas para se preocupar e não queremos dar trabalho a ela.
— Pala ela nunca ir embola? — Mina franziu o cenho.
— Como? — Indagou.
— Eu acho que eu dava tabalho pala meu papai, polisso ele foi embola. — Confessou. — Eu não quelo te dar tabalho, tia. — Ela sussurrou fitando o chão. — Porque não quelo que vá embola também.
— Meu amor, seu pai não foi embora por isso. — Ela esclareceu, acariciando o rosto da criança ao se abaixar ao seu lado.
— Mas eu pometo não dar tabalho pala você e pala a Chaeyoung.
— Você não me dá trabalho, muito pelo contrário, traz alegria para a minha vida. — Mina disse, dando um beijo no rosto de Mia.
— Então se eu der um pouquinho de tabalho não tem poblema? — Mina riu e negou.
— Não tem. Agora vamos para esse banho porque está tudo... — Ela pausou esperando Mia completar.
— Azedo aqui. — A pequena disse, correndo para o banheiro no momento seguinte e fazendo Mina sorrir amplamente antes de seguí-la.
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