Capítulo cinquenta e seis

Os olhos castanhos olhavam atentamente para os pares de brincos de rubi e safira que a garota segurava entre seus dedos. Aquela joia desde sempre fora o que Tzuyu dizia sonhar para usar no dia de seu casamento, entretanto, a demasiada fortuna que valia impedia a garota de realizar tal desejo.

— Chaeyoung? — A voz fina de Mina chamou sua atenção, fazendo-a desviar seus olhos das peças, unicamente para ver um lindo sorriso enfeitar o rosto do amor de sua vida. Mina estava absurdamente linda em seu vestido cor bordô, o que fazia vários pescoços se virarem em sua direção e olharem-na minuciosamente.

— Sim, amor? — A menor indagou, colocando uma pitada extra de ênfase na última palavra ao ver que havia um cavalheiro na loja, que estava nitidamente flertando com sua namorada. Não fora algo intencional, portanto ela não se sentiu culpada. Mina era mesmo seu amor, qual o problema, então?

— Você que as conhece melhor do que eu... — A maior começou, fitando envergonhada Chaeyoung pela pergunta que faria. — Acha que elas se incomodariam em ganhar, além das alianças, passagens para qualquer lugar do mundo de presente? — Chaeyoung arqueou uma sobrancelha ao ouvir aquilo. — Eu gostaria de presenteá-las com as passagens da lua de mel.

— Elas definitivamente não ligariam. — A menor confessou rindo. — Digo, quem ligaria, Mina? Qualquer pessoa aceitaria, sério. — Confessou, ainda tendo seus cotovelos apoiados levemente na vitrine em sua frente.

— Jura? — A maior perguntou, se aproximando da menor mansamente com um belo sorriso em seu rosto.

— Juro. — Chaeyoung disse em um tom calmo ao ver sua garota tão próxima de si. Ela sentiu seu estômago se revolver quando sentiu os lábios de Mina esbarrarem nos seus vagarosa e delicadamente em um casto beijo.

— Já pegou as alianças? — A maior indagou ao separar os lábios. Elas, como madrinhas, haviam ficado de passar na joalheria para buscar as peças encomendadas no dia do casamento e lá estavam elas, já prontas para o casamento, algumas horas antes apenas.

— A atendente foi buscar. — Chaeyoung confessou, sentindo Mina apoiar o queixo em seu ombro enquanto se aconchegava em seu corpo por trás.

— E o que a namorada mais linda do mundo fazia enquanto isso, uh? — Mina perguntou.

— Só olhando algumas coisas para passar o tempo. — Disse, vendo a mulher, que vestia camisa social branca e uma calça cinza se aproximar sorridente.

— Aqui está, senhoritas. — A mulher disse, abrindo a caixinha vermelha aveludada para mostrar as duas alianças cintilarem em um pedido silencioso para serem compradas. Mina havia dito para Younggi escolher qual quisesse que ela fazia questão de pagar e a coreana, timidamente, escolheu uma peça boa, porém não tão cara. Não queria explorar.

Chaeyoung, analisando tamanho sorriso da atendente, chegou a conclusão de que aquele sorriso não era inteiramente pelo protocolo, senão porque, além da mulher ter demonstrado quando chegaram que tinha interesse nela, a comissão que ganharia por vender aquelas alianças faria qualquer pessoa sorrir amplamente. — Mais alguma coisa? Eu poderia lhes mostrar mais algumas gemas que temos...

— Não, obrigada. — Mina disse seriamente ao ver a forma como a mulher encarava sua namorada. — Aqui. — Avisou, entregando seu cartão de débito para a mulher, que deixou de sorrir instantaneamente ao perceber como Mina aconchegou Chaeyoung entre seus braços e, suavemente, plantou um beijo em seu pescoço, jamais deixando de fitar desafiadora a atendente.

— É só deixar os brincos aí juntamente às outras joias e retirar sua compra logo ali, senhoritas. — A moça disse após cobrar o valor, apontando levemente constrangida, o local. Mina assentiu e pegou seu cartão novamente.

— Obrigada. — A maior respondeu de forma séria.

Ao notar Mina distraída com seu cartão, a garota dos olhos castanhoss viu uma oportunidade de poder, ela mesma, presentear suas amigas. Seria errado? Óbvio, entretanto seria a única vez. Ela não apoiava esse tipo de atitude, no entanto, era o sonho de Tzuyu e pedir algo tão superficial para Mina estava fora de cogitação.

As joias estavam em sua mão e o ambiente vazio, já que a atendente desapareceu de vista após cobrar de Mina. Será que alguém a descobriria?

— Chaeyoung? — A voz doce de sua namorada a tirou de seus pensamentos e a fez notar que Mina já estava longe. — Você vem? — A maior indagou. A loira olhou novamente para as joias em sua mão e mordeu o lábio inferior. — Amor? — Mina voltou a chamá-la, vendo Chaeyoung suspirar e finalmente assentir, para então colocar o par de brincos de Safira no lugar antes de correr em sua direção e entrelaçar os dedos nos dela.

O que Mina não viu foi que Chaeyoung guardou apenas os brincos de Safira, recolhendo sorrateiramente os de Rubi para logo, disfarçadamente, colocá-los no sutiã.

Aquilo era tão errado, mas em todos aqueles anos presa Tzuyu e Younggi foram as únicas a lhe ajudar ali. Seria bom poder realizar um dos sonhos de Tzuyu em pleno dia de seu casamento.

— O que você tem? — Mina questionou ao sentir as mãos de Chaeyoung levemente suadas. A garota estava, de repente, completamente tensa e estranhamente calada.

— Nada. — A menor respondeu em seguida, retesando seus músculos pela súbita pergunta. — É só que eu as vi esperando tanto por esse dia e, finalmente, chegou. — Mina deixou um tímido sorriso escapar antes de assentir.

— Elas merecem isso. — Mina completou, vendo Chaeyoung assentir nervosamente.

— Sim, merecem. — Chaeyoung contestou, vendo o segurança parado na porta do estabelecimento. Ele não estava ali quando chegaram, droga!

Que merda ela tinha feito? Deveria devolver aquilo, sem sombra de dúvidas. O que ela havia conquistado ali fora não poderia ser colocado em risco por uma droga de par de brincos.

Seu coração palpitou mais acelerado do que normalmente, vendo longinquamente a mulher recolher as joias de cima da vitrine e guardá-las novamente atrás dos vidros das mesmas. Como ela devolveria as joias agora?

— Amor? — A risada de Mina preencheu seus ouvidos, mas tal som não foi o suficiente para acalmá-la logo agora que vira a burrada que estava cometendo. — Vamos! Ainda precisamos fazer mil coisas.

— Uh... Eu só vou... Ao banheiro, pode me esperar? — Chaeyoung perguntou. Deixaria as joias lá e tudo estaria bem. Isso!

— Tem banheiro no casamento e chegamos lá em dez minutos. — Mina disse rindo do desespero de sua namorada por querer ir ao banheiro. — Além do que, você foi ao banheiro dez minutos atrás, pode esperar.

— Não, Mina! — Chaeyoung insistiu, vendo uma pequena aglomeração se formar atrás do balcão. — Eu realmente preciso ir agora. Não dá para esperar! — Se exaltou, vendo Mina lhe olhar surpresa e pasma.

— Tudo bem, desculpe. — A maior pediu desconfortavelmente, fitando o chão. Ela já havia pegado as alianças, só esperaria Chaeyoung quieta e logo depois buscariam Mia, que estava com Jihyo. A maior não entendeu a súbita mudança de humor de sua namorada, porém não questionaria, afinal, suas amigas se casavam naquele dia e aquilo era mais importante do que uma discussão boba.

Um suspiro foi esvaído dos pulmões de Chaeyoung ao ver o tom que havia usado com Mina sem um motivo plausível e então decidiu se aproximar da maior, fazendo Mina sentir braços rodearem seu corpo suavemente.

— Eu não quis ser rude, desculpe. — A menor sussurrou, vendo os olhos de Mina vagarosamente se erguerem em sua direção. — Eu só preciso mesmo ir ao banheiro.

— Certo. Não precisamos brigar por isso. — Mina sussurrou. — Eu te espero aqui. — Finalizou baixinho e Chaeyoung assentiu.

— Eu te amo. — Chaeyoung sussurrou, ganhando o que finamente queria: Um sorriso de Mina.

— Eu também te amo. — A maior replicou, fechando os olhos ao sentir os doces lábios de sua namorada relarem nos seus. Chaeyoung suspirou e se soltou de Mina, se virando bruscamente para ir ao banheiro.

O que ela não esperava era que seu corpo se chocaria com o de alguém. A menor engoliu em seco quando viu dois seguranças parados ali e sorriu falsamente, afinal não queria levantar suspeitas.

— Uma peça acabou de sumir da loja e precisamos nos assegurar de que não tenha sido vocês. — Um dos homens explicou com a voz grave, fazendo Chaeyoung se praguejar interiormente.

— O que pensam que estão fazendo? — A maior perguntou confusa ao ver um dos homens barrar a passagem de Chaeyoung.

— São só protocolos. Não se preocupem. — Ele disse, começando a passar o detector pelo corpo de Chaeyoung. Droga, ela estava ferrada!

— Olha só, estamos com um pouco de pressa e... — A voz de Mina se calou ao ouvir a máquina apitar na altura dos seios de sua namorada.

— Senhorita, pode nos acompanhar até a delegacia, por favor? — O rapaz disse seriamente, ouvindo Mina rir nervosamente.

— Olha só, deve ser algum engano. — A maior disse, virando seu rosto para Chaeyoung no momento seguinte. — Não é, amor? — O silêncio de Chaeyoung fez Mina menear a cabeça incrédula. — Chaeyoung, me diz que isso é um engano... — A menor se odiou ainda mais quando ouviu o tom de mágoa na voz de Mina.

— Mina...

— Chaeyoung! — A voz da japonesa agora saía com raiva. Seus olhos se umedeceram e a menor podia ver que Mina estava prestes a chorar. — Diz que essa merda é um engano. — Exigiu, recebendo o silêncio como resposta. — Por favor... — Suplicou, sentindo sua garganta se fechar. — Me diz que você não jogou nosso futuro no lixo, justo no dia do casamento das suas melhores amigas, por uma porcaria de joia... — Alguns policiais entraram na loja rapidamente, mas tudo o que Chaeyoung via era a merda que havia feito.

— Eu sinto muito, Minari... — Foi tudo o que ela pôde responder.

— A senhorita está presa por furto e tem o direito de ficar calada, caso contrário, tudo que disser poderá ser usado contra você no tribunal. — Ela ouviu, sentindo suas mãos serem puxadas para trás. Um tranco foi sentido em seu corpo: Era de Mina.

— Que merda você fez, Chaeyoung? — A garota, que já chorava, perguntou entre seu choro, todavia a menor nada dizia. Se sentia envergonhada demais para aquilo. — Anda! Me diz... — Mina pediu uma última vez, se calando ao ver o policial começar a levar Chaeyoung para longe dela. — Chaeyoung? — A voz distante era ouvida, porém ela era incapaz de responder.

Seus olhos avistaram o carro de polícia e seu cérebro a levou para anos atrás, para quando fora presa pela primeira vez. Era como um infeliz dejavú, só que dessa vez ela deixaria para trás sua namorada, suas amigas, Mia, seu novo emprego e uma vida feliz.

— Você não podia ter feito isso com a gente... — Ela ouviu Mina novamente, porém dessa vez ela se atreveu a olhar, se arrependendo instantaneamente ao ver a expressão de dor no rosto de Mina.

— Me desculpe. — Sussurrou envergonhada, sentindo uma gota quente rolar por seu rosto.

— Isso é tudo o que tem a dizer? — Mina sussurrou, já fora da loja. A menor sentiu seu corpo ser forçado para dentro do carro e abaixou a cabeça. — Chaeyoung, responde!

— Vamos, por favor... — Suplicou a menor para o policial. Seu coração estava estraçalhado e ver Mina daquele jeito lhe matava interiormente. O carro pegou velocidade, porém de longe a menor ainda podia ouvir os gritos suplicantes:

— Chaeyoung!...

— Chaeyoung...

— Acorda, Chaeyoung! — Os olhos castanhos se abriram assustados, vendo seu sorriso favorito no mundo bem em cima de si. Ela não esperou nada mais ser dito para se jogar nos braços de sua namorada, abraçando-a fortemente. — Hey... O que houve, minha vida? — Mina indagou rindo suavemente. — Você parece assustada.

— Foi só... um pesadelo. — A menor disse, plantando um beijo manso sobre a pele de um dos ombros de Mina antes de se levantar.

— Não acredito que dormiu no jardim da festa de casamento das suas melhores amigas. — A voz doce proferiu em um riso. — Eu disse para você não passar a noite toda em claro, amor...

— Eu precisava ver todos os ajustes faltantes para esse casamento. A Tzuyu me mataria se eu me esquecesse de algo. — Falou, se levantando meio torta. Mina analisou o vestido preto de sua namorada para se certificar de que não havia se sujado na grama e logo voltou o olhar para Chaeyoung. — Onde está Mia? — Perguntou ao sentir falta da presença da pequena.

— Com a Jihyo. — Mina explicou. — Foram busc... — Sua voz se calou ao ouvir o ronco do motor do carro potente que estacionava no local, a alguns metros delas. Sua boca se abriu ao ver sair, de dentro do carro, Nay e Scar.

Em poucos segundos as garotas a avistaram e correram em sua direção. Ela havia se esquecido completamente que algumas presas sairiam naquele dia de feriado por bom comportamento e agradeceu mentalmente, sentindo Nay a abraçar fortemente.

— Eu senti sua falta... — Nay disse entusiasmada, se separando de Mina antes de fitar Chaeyoung. — Garota, você fica ainda mais quente com roupas que não são daquele lugar. — Opinou. — Parabéns, Mina. Além de pegar a líder ainda se deu bem no físico. — Completou rindo baixinho, soltando o famoso ronco entre seu riso. Isso gerou risada em todas, afinal, Mina mais do que ninguém havia sentido falta até daquele som.

— Você viu só a máquina que conseguimos? — Scar perguntou após algum tempo assim que terminou de abraçar Mina. Os olhos castanhos se fixaram no carro antes de voltar a olhar para ambas as garotas.

— Aonde conseguiram? — Mina perguntou curiosamente.

— Roubamos. — Nay disse batendo palminhas de animação. — E dessa vez não era do senador. — Os olhos de Mina se arregalaram ao ouvir aquilo.

— Vocês ficaram loucas? Vocês ainda nem saíram e já estão fazendo merda? — Repreendeu-as. — Nay, eu gosto demais de você para deixar que você cometa a mesma droga de erro outra vez e... — A risada de Chaeyoung atrás de si a interrompendo a enfureceu, fazendo-a se virar para sua namorada. — Do que, raios, você está rindo? Estou contando alguma piada, por acaso?

Chaeyoung encolheu os ombros antes de, mansamente, caminhar até Mina e depositar um beijo sobre sua têmpora.

— Elas só estavam brincando, amor. — Chaeyoung avisou. — Elas não roubaram nada. — Os olhos castanhos se desviaram para suas amigas, que começaram a rir sem pudor. — Não fique brava, foi só uma brincadeira. — Chaeyoung sussurrou, acariciando o rosto da maior unicamente para vê-la relaxar instantaneamente e assentir, se inclinando para a frente no intuito de capturar os lábios de sua namorada em um doce selinho. Um suspiro a tirou de sua bolha a tempo de ver que vinha de Nay.

— Isso porque você dizia que o final de vocês não seria feliz. — Nay disse rindo baixinho, levando sua mão até sua boca para tentar abafar o ruído que escapava entre seus lábios. — Ah, como eu senti falta de ver vocês assim.

— Cala a boca e me conta como conseguiram aquele carro. — Mina disse levemente envergonhada, sentindo Chaeyoung enlaçar sua cintura com um dos braços.

— A família da minha mulher tem dinheiro e então ela pediu para eu passar na casa dela e escolher um dos carros. — Confessou sorrindo. — Ela não conseguiu permissão para sair desta vez, mas como a Scar conseguiu eu a chamei para vir comigo. Tzuyu convidou a prisão inteira para esse casamento e eu não perderia por nada.

— Quem foi o idiota que pediu para escrever isso?

A voz de Tzuyu chamou a atenção de todas, fazendo os pescoços se virarem, encontrando a mulher em um vestido branco impecável. — Pode tirar isso já.

— Foi você, senhorita. — A mulher que montava o cartaz disse, vendo Tzuyu a olhar surpresa.

— Oh! — Disse pasma. — Por isso eu digo que mantenha o cartaz mesmo.

— Tzuyu, você não deveria estar se penteando? A qualquer momento a Younggi vai chegar e vamos todos para a cerimônia. — Chaeyoung indagou. Tanto a cerimônia como a festa seriam em um local aberto, escolhido a dedo com a ajuda de Mina.

— Eu precisava me certificar de que vocês não estragariam meu casamento. — Falou, levando uma mão até sua cintura.

— Se você não comparecer na cerimônia não haverá casamento. — Scar disse rindo. — E metade das detentas que sabem agora sobre vocês vão cair matando para cima da oficial Younggi porque, com todo o respeito, aquela mulher é um arraso.

— Não me faça aumentar meu tempo naquele lugar por assassinato, Scar. — Tzuyu disse, ouvindo a garota rir alto.

— Eu já sei que você não sabe lutar, mulher, não tente me enganar.

— Me teste para ver se eu não te afogo naquele lago. — Falou, vendo a mulher sorrir. — Eu nunca deveria ter contado a verdade a vocês, viu só, Mina? Perdi o respeito. — Tzuyu disse negando com a cabeça.

— Você foi uma guerreira lá dentro, Tzuyu. — Scar disse sinceramente. — Mentiu por uma amiga e esteve lá por ela todo o tempo. O meu respeito você nunca vai perder, mesmo sabendo que você sairá definitivamente de lá em pouquíssimo tempo. — Um sorriso sincero dominou a expressão de Tzuyu ao ouvir aquilo, já que desde que Mina e Chaeyoung saíram ela se aproximou mais de Scarlett e Nay.

— Obrigada por isso, eu realmente amo vocês. — Tzuyu confessou em um suspiro. — Mas se contarem para alguém que eu disse isso eu juro que mato todas para não deixar provas. — Falou rindo.

— Certo, agora vá terminar de se arrumar antes que a Younggi pense que foi largada no altar. — Chaeyoung disse, sorrindo amplamente ao avistar de longe a figura de Mia correndo na direção delas, tendo de longe Jihyo a olhando.

— Chaeyouuuuung!— A menina gritou enquanto Tzuyu se afastava, abrindo os braços para então se jogar nos braços de Chaeyoung, que a rodopiou no ar entre o riso antes de abrigá-la em seu colo e depositar um beijo em seu rosto.

— Hey, pequena, senti sua falta. — Chaeyoung disse ternamente, sentindo os pequenos bracinhos rodearem seu pescoço.

— Desde que você conheceu a Chaeyoung eu me sinto trocada. — Mina murmurou em um falso protesto, se aproximando da criança antes de beijar seu rosto.

— Não seja ciumenta, titia. Você disse que eu posso amar vocês duas e, bem, eu amo. — Mia disse, esticando um braço para Mina, puxando-a para mais perto das duas. Mina sorriu e assentiu, sentindo Chaeyoung beijar sua têmpora após isso.

— Vocês formam uma linda família. — Nay disse ao ver os três sorrisos abertos.

— Eu concordo, mas agora preciso saber onde está a mesa de guloseimas, afinal de contas, eu vim para isso. — Scar disse, causando a explosão de risada em todas.

— Nada de comer antes da cerimônia. — Mina falou rindo, vendo Scar suspirar inconformada.

— Hey, isso não é justo. — Protestou.

— A titia dá bons sermões e eu e a Chaeyoung podemos plovar. — Mia disse convicta.

— Chaeyoung recebendo ordens e xingos? — Scar indagou alçando uma de suas sobrancelhas. — Rá, como você foi a líder por tanto tempo? — Perguntou rindo.

— Chaeyoung até podia ser líder lá, mas a líder dessa família aqui sou eu. — Mina disse, vendo Chaeyoung emburrar sua expressão ao ouvir aquilo. A maior, para não envergonhar sua namorada diante de todos, riu baixinho. — É brincadeira, não é, amor? Não tem essa de liderança em nosso relacionamento.

— Isso mesmo. — Chaeyoung afirmou, ouvindo o ronco de Nay junto com seu riso.

— Céus, ela é terrível para mentir, como acreditamos tanto tempo? — A ruivinha questionou, porém o sino do relógio do local soou, deixando-as saber que precisavam ir para a igreja, era a hora do casamento, finalmente.

[...]

— Hey... — Mina disse baixinho após ter passado longos segundos analisando Chaeyoung de longe. A garota estava apoiada sobre a borda branca de concreto após o casamento, enquanto parecia concentrada em observar o lago, tendo sua figura contrastando com as várias nuances que o sol distribuía pelo céu levemente nublado conforme dizia adeus a mais um dia. Chaeyoung sorriu ao ouvir Mina e se virou em sua direção.

— Você veio. — A menor disse, vendo Mina vagarosamente se aproximar dela. Uma onda de vento gélido fez ambas se encolherem, causando um riso gracioso na maior.

— Estava me esperando? — Mina indagou arqueando uma sobrancelha. Seus passos até Chaeyoung foram lentos, uma vez que a garota usava salto e andava pela grama.

— Sim. — Chaeyoung respondeu sorrindo.

— Mas eu jamais disse que viria. — Mina falou, segurando na mão de Chaeyoung quando finalmente chegou perto o suficiente. — Você sumiu no fim da festa. Foi bem difícil te achar aqui, sabia? Esse lugar é enorme.

— Bem, levando em conta o que eu aprendi com o nosso destino... — Chaeyoung começou, enlaçando seus braços na cintura de sua namorada. — Você sempre vem até mim, não importa como.

— Ah sim? — Mina indagou, vendo Chaeyoung assentir lentamente. — E posso saber o que você queria comigo aqui, nesse friozinho?

— Bem, o frio não foi programado por mim... — Chaeyoung explicou em uma careta, se inclinando minimamente para tocar seus lábios nos de Mina. — Mas a vista sim. — Concluiu após o leve encostar de lábios.

— E o que queria comigo diante de uma vista tão incrível assim? — Mina questionou, suspirando após olhar em volta. Ela franziu o cenho ao ver Chaeyoung se afastar dela e caminhar até sua bolsa, que estava sobre a grama a alguns centímetros dali. — O que está fazendo?

— Te devolvendo algo... — Mina riu ao ver Chaeyoung esconder a mão para trás.

— Chaeyoung, você sabe que sou curiosa... — Pediu, se aproximando. Ela tentou puxar o braço da menor, porém falhou, protestando em um resmungo. A risada rouca preencheu seus ouvidos quando ela novamente tentou puxar a mão da garota. — Chaeng... — Lamuriou, prestes a começar um drama sem fim para tentar convencer sua namorada a lhe mostrar o que tanto escondia.

Se calou com um beijo inesperado. Ela tentou se debater, entretanto se rendeu após alguns segundos. Mina adorava aquele sabor entre seus lábios e era difícil resistir quando Chaeyoung a beijava tão ternamente. Tal ação a fez suspirar e não demorou nada para emaranhar suas mãos entre os cabelos soltos de Chaeyoung, sentindo a textura macia da língua da garota contra a sua.

— Eu te amo... — Chaeyoung sussurrou contra seus lábios, fazendo-a sorrir sem sequer ter aberto seus olhos ainda.

— Eu também te amo. — Mina replicou, deslizando a pontinha de seu nariz pela pele do rosto da menor. — Agora será que poderia me mostrar o que você tem aí? — Perguntou manhosa, vendo Chaeyoung suspirar.

— Está bem, você venceu. — Falou, vendo os olhos curiosos de Mina olharem para sua mão que, vagarosamente, se mostrava. Seu punho estava fechando, entretanto, conforme se abria o sorriso da maior se abria junto.

— Você roubou meu colar. — Mina brincou ao ver que na palma da mão de Chaeyoung estava seu colar de coração.

— Hey... Eu não roubei. — Disse rindo. — Digamos que peguei emprestado. — Explicou timidamente. — Eu vi um dia desses que você tinha colocado a foto de nós duas dentro dele...

— E qual o problema nisso? — Mina perguntou, vendo o rosto de Chaeyoung enrubescer conforme ela meneava cabeça.

— Nenhum, só que na foto vestíamos roupas de presas. — Explicou. — Digamos que eu mudei um pouquinho as coisas...

— O que você fez? — Mina perguntou rindo. Que foto colocou aqui?

— Abra e veja você mesma. — Chaeyoung disse, vendo Mina assentir e segurar a peça em sua mão cuidadosamente antes de abrir o coração. Seu queixo caiu e seus olhos umedeceram sem ela sequer notar.

Se seu pai a pudesse ver naquele momento, de onde quer que ele estivesse, ele estaria orgulhoso com certeza. Mina ganhara aquele colar do mesmo para que ela ocupasse o acessório com a foto do amor de sua vida, ela só não esperava que dentro do colar haveria um anel, pequeno, delicado e junto com ele a promessa silenciosa de uma vida inteira de felicidade ao lado da garota parada em sua frente.

— Eu sei que a gente se conhece a pouco tempo e que isso pode ser meio precipitado, por isso esse é um pedido calmo. — Chaeyoung disse rindo nervosamente. — Eu quero casar com você, Mina. Eu quero criar a Mia junto com você, mas não quero pressa em nada disso e, como sei que você também não, então com esse anel... — Ela disse, segurando delicadamente o pequeno anel entre seus dedos. — Eu peço a você o seu tempo; com essa pequena joia eu peço que você aceite compartilhar sua vida comigo e que, dentro de um ou dois anos a gente case de verdade. — Mina sentiu uma gota quente umedecer seu rosto. Ela jamais esperaria por aquilo. — E eu só peço agora algo para daqui tanto tempo porque eu não aguentaria esperar dois anos para isso... — Falou rindo. Ela umedeceu os lábios antes de fitar o anel. — E porque eles pagaram adiantado meu primeiro mês e eu quis usar meu primeiro salário com uma promessa de que tudo seria diferente dessa vez, com algo tão valioso para mim que eu honraria até o fim da minha vida e que desse orgulho para meu avô. — Falou verdadeiramente, sentindo seu coração transbordar de amor. — Esse algo somos nós.

— Você não tem o direito de me fazer chorar assim... — Mina disse, envolvendo os braços ao redor do pescoço de Chaeyoung enquanto lágrimas realmente inundavam seu rosto.

— Eu sei que na prisão te chamavam de minha "mulher" e que lá tudo não passava de fachada, mas cada olhar meu para você foi sincero, Mina, desde o princípio meu coração te escolheu. — Falou timidamente. O silêncio de Mina a fez fitar sua namorada ternamente. — Diz alguma coisa, por favor? — Pediu nervosamente. O silêncio de Mina a deixou mais ansiosa do que o normal. — E então, você aceita ser, de verdade, a minha mulher? — Perguntou em expectativa.

— É claro que eu aceito. — Mina disse após alguns segundos, rindo entre as lágrimas. — Eu aceitei sem nem te conhecer. O que te faz pensar que eu não aceitaria aqui, de verdade e com direito a beijos? — Brincou, porém verdadeiramente colou sua testa na de Chaeyoung antes de depositar um beijo manso sobre aqueles lábios que tanto amava.

— Falta eu colocar esse anel no seu dedo. — Chaeyoung disse rindo, vendo Mina assentir enquanto mordia o próprio lábio. A menor segurou a mão de Mina e, delicadamente deslizou a peça pelo dedo fino da garota, erguendo sua mão antes de depositar um beijo no dorso da mesma.

— E você não vai usar nada, não? — Mina perguntou semicerrando os olhos, o que causou graça em sua noiva.

— Não coube duas alianças em seu colar, então a outra eu deixei na bolsa. — Falou, vendo Mina se afastar dela e caminhar até a bolsa, procurando a aliança até encontrá-la e se aproximar de Chaeyoung.

— Agora sim acho que a Lisa te deixa em paz. — Mina murmurou assim que colocou com cuidado a peça no dedo de Chaeyoung. A menor jogou a cabeça para trás e riu graciosamente antes de enlaçar os braços ao redor de Mina e rodopiá-la no ar.

— Ah! Como eu te amo! — Chaeyoung disse em meio a seu riso, parando o movimento para depositar um demorado beijo em sua garota. Assim que se afastou ela viu Mina suspirar e fitar o colar que ainda estava em sua mão.

— Você acha que ele e meu irmão estariam felizes por nós? — Mina perguntou de repente, vendo Chaeyoung segurar a joia em sua mão e virar Mina. Delicadamente ela puxou os cabelos da maior para o lado e colocou o colar em seu pescoço antes de depositar um beijo terno contra a pele de seu pescoço e abraçá-la por trás.

— Eu amo você com toda a minha alma, meu amor, e eu acho que era isso que seu pai queria para você, alguém que pudesse te oferecer amor. — Chaeyoung disse, fitando o sol se esconder mansamente no céu levemente nublado. O tempo estava louco aquele dia. — E enquanto eu viver prometo cuidar de você como ele faria se estivesse aqui, então sim, eu acho que seu pai está feliz por nós. — Chaeyoung disse, sentindo Mina suspirar e apoiar seu corpo contra o dela. — E quanto ao seu irmão, bem, nós cuidamos da filha dele com todo o amor e cuidado do mundo, como se fosse nossa. — Ela disse. — Seu irmão sabia o quão responsável você era e aposto que ele te amava muito, então acho que ele não poderia estar mais orgulhoso de ser justo você a pessoa que cuida da filhinha dele.

— Você acha mesmo? — Mina indagou, se virando para Chaeyoung antes de envolver seus braços no pescoço da menor.

— Eu tenho certeza que sim. — Respondeu sorrindo.

— Obrigada por estar comigo. — Mina sussurrou, deixando um tímido sorriso enfeitar seus lábios.

— Agradeça à sua irmã, ao seu ex advogado ruim, ou a qualquer fator que te colocou naquela prisão comigo. — Chaeyoung disse rindo. — Porque depois que te reencontrei eu não te deixaria escapar de mim tão fácil. — Confessou sorrindo.

— Sabia que, pode parecer ironia, mas antes de você eu me sentia presa? — Mina perguntou e Chaeyoung alçou uma sobrancelha negando com a cabeça.

— Eu me via em uma rotina; uma monotonia sem fim onde o amor da minha vida não existia, onde eu acordava e só esperava o tempo passar; em uma caixa onde tudo era sempre tão igual, tão sem graça, sem cor. — Confessou, sentindo o gélido vento balançar seus cabelos. — Eu fazia o bem, porém não via o bem sendo retribuído para mim, afinal eu me sentia extremamente sozinha e, apesar de ter paixonites por aí de vez em quando, eu não sentia vontade de reverter esse quadro. — Chaeyoung assentiu, lembrando de que sua vida não fora muito diferente nesse ponto. — O quão irônico é saber que a prisão me libertou de algo?

— O mundo nos prega peças. — Chaeyoung disse, selando os lábios de Mina ao reparar pela milésima vez o quão linda a garota estava. — Eu jamais pensei que no pior lugar eu fosse encontrar você. — Chaeyoung confessou enrubescendo antes de rir. — Você foi presa por acaso, Minari... — Chaeyoung disse rindo, negando com a cabeça ao relembrar de tudo. — Você tem noção de que estamos juntas por um acaso do destino?

Mina assentiu ao ouvir aquilo, respirando fundo ao encarar o fundo dos olhos castanhos. Um sorriso genuíno dominou seu rosto, contagiando a menor, e Mina não precisou pensar muito para chegar a uma conclusão:

— E eu juro pela minha vida que "nós" somos o acaso mais lindo que já me aconteceu, Chaeng. — Disse sinceramente. O barulho do trovão no céu indicou que choveria em breve, ou como ambas preferiam pensar, alguém lá em cima as assistia. Ambas olharam para cima e sorriram, até Mina voltar seu olhar para Chaeyoung, extasiada o suficiente para terminar sua frase: — Afinal, por ironia do destino, foi sendo presa por acaso que eu me descobri finalmente livre... livre para amar você.

FIM.

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