Capítulo cinquenta e dois
Mina olhava preocupada para o relógio de cinco em cinco minutos. Não que achasse que Chaeyoung precisasse de alguém para vigiá-la, senão que sua namorada havia saído de casa bem cedo, no entanto, a noite já havia chegado e a garota simplesmente havia desaparecido.
O dia fora longo para Mina, a maior havia levado e buscado Mia na escola, havia ido ao trabalho e já regressado, inclusive, até ao supermercado ela havia ido. Sabia o que Chaeyoung queria comprar e acabou indo ela mesma, sem esperar a menor, pois suspeitava que a garota estaria cansada.
Um sorriso sondou seus lábios ao imaginar que Chaeyoung havia sido aceita em seu trabalho e provavelmente o dono havia pedido início imediato de seus serviços. Quem não contrataria Chaeyoung, afinal? A garota era esforçada desde muito jovem e Mina já presenciara isso algumas vezes no passado, mesmo sem saber que ela seria tão importante em sua vida.
Sua atenção foi direcionada até a porta ao ouvir o barulho das chaves. A maior sorriu instantaneamente e se aproximou do local, não esperando Chaeyoung olhá-la ao entrar pela porta. Simplesmente se jogou em seus braços, enlaçando os braços em seu pescoço e rindo da reação assustada da garota por haver sido pega de surpresa.
— Olá! — Mina murmurou sorrindo genuinamente. Os olhos castanhos a fitaram meticulosamente, deixando-a ansiosa para saber como havia sido seu dia. — Como fo... — Sua voz foi calada pelos lábios macios de Chaeyoung tocando delicadamente os seus, fazendo-a esquecer por um momento como se respirava.
— Olá! — Chaeyoung respondeu sorrindo gentilmente. — Senti a sua falta. — Murmurou, fazendo o estômago de Mina se revolver em seu interior.
— Eu também senti a sua. — Disse, pincelando seu nariz no de Chaeyoung. — Como fo...
— Onde está Mia? — Chaeyoung voltou a interromper, plantando um beijo casto no rosto de sua namorada.
— No quarto, brincando.
— Posso ir vê-la? Estou com saudades. — Mina assentiu e soltou-se de Chaeyoung, seguindo a mais velha, que correu até o ambiente, pulando sobre a cama assim que adentrou o lugar.
— Chaeyouuuuung! — A menina gritou animada ao ouvir a risada gostosa de Chaeyoung e logo se levantou, se jogando nos braços da maior com entusiasmo. — Sabia que só hoje eu falei a letra que você quer que eu fale duas vezes? — Perguntou orgulhosa e Chaeyoung arqueou as sobrancelhas surpresa.
— Ah, sim? — Indagou, depositando um beijo na testa de Mia. Mina se escorou no batente da porta e sorriu com a cena, cruzando os braços enquanto analisava tudo.
— Sim. Não é, tia? — Mia perguntou e Mina assentiu.
— Sim, aos pouquinhos ela está progredindo. — Respondeu sorridente. Chaeyoung sorriu para a garota, porém a garota estranhou aquele sorriso. Aquele não era o sorriso que Chaeyoung lhe dava. Algo faltava.
— Por que seus olhinhos estão tristes? — Mia indagou em voz alta o que Mina também havia notado. Chaeyoung negou com a cabeça e riu baixinho.
— Só estou cansada. O dia foi corrido. — Replicou, fitando sua namorada ao ouví-la estalar a língua no céu da boca.
— Podemos conversar? — Mina perguntou em um careta e Chaeyoung suspirou, assentindo. — Vem cá. — Disse docemente, estendendo a mão para a menor. — Deixe a Mia continuar brincando e vem. — Chaeyoung assentiu e se levantou da cama, acariciando o rosto de Mia antes de caminhar até Mina e entrelaçar seus dedos nos dela.
Ela parou quando sentiu uma mão pequenina e quentinha se emaranhar entre os dedos de sua mão livre. Seu olhar desceu até a criança, que a olhava de uma forma indecifrável.
— Volta pa brincar comigo? — Mia perguntou. A maior assentiu sorrindo, vendo a pequena sorrir animada.
As adultas começaram a caminhar para longe dali e Mina se sentou de lado no sofá, puxando Chaeyoung consigo.
— Ela comentou se gostou da escola? — Chaeyoung perguntou e Mina suspirou, apoiando o cotovelo na parte de trás do sofá antes de afundar os dedos da mesma mão nos cabelos.
— Você não conseguiu, não foi? — Ela perguntou, vendo Chaeyoung a fitar alguns segundos antes de assentir envergonhada. — Quem saiu perdendo foi eles. — Mina disse sinceramente, levando a mão livre até o rosto da menor com doçura. — Onde esteve, então? — Perguntou curiosamente, vendo Chaeyoung levar sua mão até a mão de Mina que estava em seu rosto e plantar o beijo na região antes de deitar a cabeça sobre a mão da garota.
— Eu caminhei à toa as duas primeiras horas, mas aí resolvi imprimir mais alguns currículos e tentar novamente.
— Como você está? — A maior indagou preocupada.
— Sinceramente? — Chaeyoung perguntou e Mina assentiu. — Um pouco abalada. — Confessou respirando fundo. — Tenho certeza de que ele iria me contratar, Minari, mas aí... — Fez uma pausa curta para fitar sua namorada. — Aí ele viu nos meus antecedentes que já estive presa. — Mina sentiu-se enjoada ao pensar que ainda existia pessoas preconceituosas lá fora e, ao imaginar o sorriso de Chaeyoung morrendo ao receber a notícia, se segurou para não demonstrar que estava brava com aquela informação.
— Vem cá. — Mina chamou, puxando Chaeyoung para seus braços no instante seguinte. A menor não protestou, no entanto. Apenas deixou-se acomodar na curva do pescoço de Mina. Isso até sentir um pequeno corpo cobrir as duas e virar o rosto para encontrar Mia ali. A criança lhe analisou minuciosamente antes de se pronunciar:
— Uma árvore precisa de paciência, lembra? — Mia perguntou solenemente. — Você vai conseguir, fica calminha. — A pequena disse, fazendo Chaeyoung sorrir instantaneamente.
— Eu ainda não posso te pagar aquele sorvete. — Chaeyoung disse apenada e decepcionada consigo mesma. — Vou ficar te devendo essa. — Mia analisou a forma como o sorriso de Chaeyoung vacilou e negou com a cabeça.
— Quem precisa de sorvete quando ele dá cárie? — Disse, vendo Chaeyoung rir, tanto pela frase, como por Mia ter acertado o R. — Eu gosto mais de você sorrindo assim. — Disse honestamente, voltando a abraçar ambas as mulheres.
— Mina, vou roubar sua sobrinha para mim. — Chaeyoung disse em um tom embasbacado, demonstrando que havia se derretido ao ouvir a criança falar e então recebeu um beijo no rosto, de sua namorada.
— Só deixo se me roubar junto. — Ela sussurrou, fazendo o coração de Chaeyoung disparar em seu peito. Ela adorava aquela sensação de estar apaixonada. Principalmente quando esse alguém é Mina.
— Combinado. — Chaeyoung replicou, dando um casto selinho em Mina antes de sorrir.
— Não queremos mais você triste então. — Mina disse e Chaeyoung assentiu, afundando seu rosto na curva do pescoço da maior enquanto acariciava as costas de Mia, que ainda estava deitada sobre o colo das duas.
— Acho que vou visitar a Younggi esta noite. — Chaeyoung informou.
— Posso ir junto? — Mia perguntou e Chaeyoung fitou esperançosa Mina esperando uma resposta.
— Só se eu puder ir também. — Mina disse cruzando os braços e tanto Chaeyoung como Mia riram.
— Ciúmes é feio, titia. — Mia disse, ouvindo Chaeyoung gargalhar.
Mina iria dizer algo, no entanto seu celular tocou.
— Coloque algum agasalho nela para irmos que eu vou atender. — Ela disse, vendo Chaeyoung assentir e se levantar, puxando Mia para seu colo.
— Certo. — Chaeyoung disse, vendo Mina atender a chamada.
— Alô! — Disse Mina.
— Senhorita Myoui Mina?
— Ela mesma. Quem gostaria?
— Aqui é o Han Jisung, da clínica. Ligamos por parte de sua mãe. — Mina sentiu seu coração bater acelerado em seu peito.
— O que houve? Ela está bem? — Se apavorou ao perguntar.
— Ela está bem na medida do possível, Senhorita, entretanto insiste em falar com a sua pessoa. Poderia vir? — Mina mordeu o lábio inferior e assentiu. Quando percebeu que o rapaz não poderia lhe ver, negou com a cabeça por sua estupidez.
— Claro, estou à caminho. — Informou Mina.
— Só não demore. Ela está bastante impaciente.
Mina, de imediato, se preocupou. O que estava acontecendo com sua mãe?
— Pronta para irmos? — A risada doce e suave de Chaeyoung soou após sua pergunta. A garota agora voltava com uma Mia completamente agasalhada e sorridente. O riso da menor cessou ao ver a expressão de medo no rosto de Mina.
— O que houve, amor?
— Vou pegar um casaco. — Mina disse, caminhando até Chaeyoung para beijar seus lábios de uma maneira inocente. — Parece que vamos ter que mudar o percurso de nossa viagem. — Informou Mina.
— O quê? Por quê? — Chaeyoung perguntou confusa.
— Isso que eu preciso descobrir. — Falou Mina, vendo Chaeyoung a fitar ainda mais confusa. — Ligaram da clínica. — Disse com preocupação. — Algo aconteceu com minha mãe e ela quer me ver. — Chaeyoung franziu o cenho surpresa.
— O que será que ela quer? — Se questionou Chaeyoung.
— Isso é o que pretendo descobrir. — Disse Mina, correndo para seu quarto no momento seguinte em busca de um agasalho. Ela só esperava que mais desastres não acontecessem, porque ela estava farta de coisas ruins.
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