Elegia do Derradeiro Dia
Toda essa dor, todo esse sofrimento…
Como podem existir tantos sentimentos
Que nos afligem por dentro?
Como podemos superá-los,
Se somos tão débeis, se somos tão fracos?
Diga-me por favor, seja Deus ou seja o Diabo…
Quem nos pôs diante de tantos dilemas?
Por que é enigma nossa existência?
No fim, não há nada que nos esclareça…
Nascemos, crescemos e morremos…
Só há um caminho e para todos o mesmo,
Por onde trilhamos a via de nossos desejos…
E não nos foram dados verdadeiros arbítrio e escolha,
Mas temos medo, fome, sede e no fim das contas
Um pouco de alegria — vez ou outra…
Mas nada se dá fora do laço da necessidade,
Somos escombros de pranto e sujidade
À luz de esperanças que surgem debalde.
Somos, com esta dor em nós que só cresce,
Exilados num mundo que nos expele,
Como abortos de anjos num manto de pele…
Somos a raça banida do Paraíso,
Filho de deuses, deicidas e ateus malditos
Que como cães vadios, vivem às margens do Abismo.
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