Astronomia
Milhões de estrelas e sóis e planetas,
Como um cinturão de extático brilho,
Percorrem a imensurável extensão do
tempo e do espaço,
Como uma plateia para minha
existência efêmera.
Em torno de mim a luz ilumina e recua,
Exibindo formas e ocultando outras
E adentra o recôndito de meus
pensamentos,
Dando-me conta de todas as coisas...
E eu penso que posso alcançá-las com
as minhas mãos
Ou talvez com a minha razão,
Mas o que é a razão que se despedaça
no tempo
Senão reflexo do esquecimento?
E eu imagino coisas como se pudesse
despertar o mundo
Enquanto eu mesmo durmo,
Mas o que tenho nada mais é que um
fragmento,
Uma vaga centelha do universo que
oculto.
E há tantos mundos que simplesmente
ignoro,
Onde existem por certo sóis muito
maiores
E plantas que falam e animais de mil
olhos
Que nem concebê-los se pode...
Há por certo deuses de espantosa feição
Que reúnem sob seus domínios
dimensões tantas
Que um deus desta terra, com toda sua
exaltação,
Pareceria jazer desonrado na lama...
Mesmo assim, eu abro os olhos para o
mundo
E formulo cálculos com minha lógica
moribunda.
Chego a falar de mim como se eu
mesmo existisse,
Quando na verdade tudo se transmuta...
E eu de fato nem mesmo existo,
Pois o sou por não mais que um breve
instante,
Do mais breve segundo em que se vê
Uma estrela se extinguindo.
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