Epílogo
12 anos depois...
O reino havia prosperado sob a liderança da rainha Cecilie. Ela recuperou a riqueza perdida na guerra nos dois primeiros anos de seu governo, e auxiliou toda a população à se reerguer. O povo estava prosperando e todos eram gratos à rainha por isso. Após mais alguns anos de planejamento ela invadiu o reino ao sul, o tomando e expandindo seu domínio. Nomeou lorde Venris III, que fazia parte do seu Conselho, para representá-la e levar aos sulistas suas leis e proteção. A família real passava três meses ao ano no palacete sul na intenção de firmar sua presença e afinar os laços com aquele povo.
Após a conquista os ânimos não eram dos melhores, mas logo tudo se acalmou quando a população percebeu que Cecilie era uma rainha capaz e eficiente. O norte, ao se aperceber da unificação dos reinos, a convidou para uma visita que a rainha educadamente aceitou. Passou uma tensa semana no território sob o escrutínio do rei do norte, que insinuou não tão delicadamente que não se sentia inclinado à entrar em guerra no momento, mas que não hesitaria caso fosse necessário. A rainha então afirmou que, após travar duras batalhas pelo reino sul, tudo o que ela queria era alguns pares de anos em paz. Dessa forma subentendida uma trégua foi firmada e o norte permaneceu silencioso, assim como o reino de Cecilie.
Entre todos esses acontecimentos estavam os filhos. A rainha deu à luz sua primeira filha praticamente um ano exato após seu casamento. Gaia era a réplica perfeita da menina que Cecilie vira em seu sonho, puxando os cabelos e a covinha no queixo do pai, os olhos e a personalidade forte da mãe. A menina era a luz dos olhos de Thomas, que se sentiu realizado em ser finalmente pai. Dois anos depois veio Diana, que nasceu no ápice de uma lua cheia. Com duas filhas pequenas e um reino sob sua responsabilidade, Cecilie decidiu que era hora de uma pausa e obrigou o marido a ser mais cuidadoso durante as noites de amor deles - que continuavam tão quentes como sempre foram.
Realmente tão quentes que, por três vezes até então, uma certa pessoa participou das atividades núpciais do casal real. O Primeiro Comandante James continuava no topo dos exércitos do reino, os liderando sob punhos de ferro. O olhar de desejo do homem se manteve ano após ano, e Thomas seguia apontando tal fato. Cansada das insinuações do marido, Cecilie sugeriu de uma vez convidá-lo para a cama deles. Foi o príncipe regente quem acertou os detalhes, e na primeira noite James apenas os obervervou trepar enquanto se acariciava. Na segunda, a rainha o chupou enquanto o marido arremetia com força desvairada até jorrar dentro dela - ao mesmo tempo em que bebia do prazer de James. Na terceira, Thomas e seu Comandante a invadiram ao mesmo tempo e Cecilie jamais sentiu um prazer tão absurdamente arrebatador. A quarta visita de James ao casal já estava sendo planejada junto de uma novidade, da próxima vez uma mulher se juntaria à eles.
Com o passar dos anos, Thomas e Cecilie continuavam tão apaixonados um pelo outro quanto sempre foram, senão ainda mais. Passavam todo o tempo possível junto de Gaia e Diana, dando o melhor de si no cuidado às suas maiores preciosidades. Estiveram o mais presentes que foram capazes na criação delas, e mesmo que a tarefa de reger um reino tão vasto fosse árdua, fizeram um ótimo trabalho. Eram um casal tão unido que nem mesmo a guerra os manteve longe um do outro por uma noite sequer, mas tal acontecimento teve um motivo em específico. Durante a Guerra da Conquista, como ficou conhecida, a rainha estava em sua terceira gravidez. Thomas quase enlouqueceu na época em que descobriram a gestação, mas os planos para a luta iminente já estavam em curso e Cecilie não admitiu de forma alguma interrompê-los. Portanto a condição de seu marido para aceitar seguir com aquela insanidade - palavras do príncipe regente - foi acompanhá-la até o acampamento onde montaram o cerco. E assim foi feito. Deixaram Gaia e Diana sob os cuidados de Abenforth e Christopher, que já estava ungido no sacerdócio, junto da proteção de mais de trezentos soldados e partiram para a guerra.
Cecilie não era tão descuidada quanto o marido havia sugerido na briga que tiveram, a única até então, e decidiu não participar pessoalmente de nenhuma batalha mantendo-se apenas no planejamento de tudo. A rainha fez um pronunciamento diante dos soldados explicando a razão de não empunhar sua espada ao lado deles e desculpando-se profundamente, mas ninguém a julgou mal por se manter em segurança naquele momento delicado. O Primeiro Comandante James, que seguia com seu tratamento respeitoso e profissional mesmo após os esporádicos encontros íntimos com o casal real, realizou um trabalho primoroso durante a invasão e todos comemoraram a vitória pouco mais de quatro meses depois. Imediatamente um bilhete foi enviado à Cidade Real informando a boa nova e solicitando que as princesas fossem escoltadas até seus pais, que já estavam instalados no palacete sul. A rainha estava perto do sexto mês de gravidez e não tinha condições de fazer uma viagem tão longa no momento, mas não seria capaz de esperar até o bebê nascer para ver suas princesinhas pois a saudade das filhas era simplesmente torturante para ela e o marido.
Algumas semanas depois Christopher chegou com as sobrinhas e a família finalmente se reuniu. Dentre os acordos e a implantação de seu governo em seu novo domínio, os meses se passaram e Cecilie deu à luz mais uma menina: Íris. Gaia e Diana já estavam com sete e cinco anos, respectivamente, e ficaram deliciadas com a nova irmãzinha. Alguns meses depois do nascimento da menina, toda a família real retornou ao castelo base de seu governo. Meses depois, outra criança chegou. Mas não vinda da rainha, e sim de sua antiga amiga Rosene.
A mulher se descobriu doente com uma tosse interminável que estava lhe sugando a vida, então pediu asilo ao filho que já tinha quase nove anos de idade. Willis era muito parecido com a criança que seu pai um dia fora, e quando chegou no castelo recebeu o título de protegido da rainha. O menino mostrou-se bem educado e gentil e logo fez amizade com Gaia e Diana - e até mesmo com Íris que era apenas um bebê - e as meninas o ajudaram à superar a dor da perda de sua mãe, que decidiu ir embora para poupar o filho de vê-la morrer. Mais alguns anos se passaram entre as responsabilidades do reino e da família, junto do novo desafio de se desdobrar entre três filhas tão excepcionais e um garotinho órfão que Cecilie e Thomas adotaram como sendo deles.
Gaia sempre foi imponente e geniosa, uma mente estratégica avançada para alguém de sua idade, e o pai sempre dizia que ela lhe lembrava uma tal mulher chamada Nix. Diana era reservada mas muito observadora, amante das artes plásticas a menina passava horas à fio entre as cores de sua aquarela. Íris parecia ter absorvido a energia do campo de batalha onde foi gerada, era enérgica e impulsiva e vivia empunhando gravetos para desafiar os soldados de sua mãe. Willis era um erudito, sempre com a cara nos livros e em debates acalorados com Christopher que era tão estudioso quanto ele.
O Sacerdote mais jovem do reino não poderia estar mais feliz em sua posição, o lugar onde sempre desejou estar. Abenforth também era igualmente feliz entre a vida que sempre sonhou: o castelo cheio de sua verdadeira família. Era um avô atencioso, e havia se afeiçoado até mesmo ao sobrinho depois de algumas poucas semanas de relutância. Willis não era culpado dos erros do pai que sequer conheceu, e sendo uma criança tão adorável e curiosa, logo conquistou o carinho de todos. Mais alguns anos se passaram e duas novas pessoinhas chegaram de uma única vez causando um furor no castelo.
A rainha havia acabado de dar à luz ao quinto bebê, após dar à luz alguns minutos antes. Apolo e Aurora nasceram com seis minutos de diferença e eram perfeitos, como todas suas irmãs. O menino - o primeiro do casal real - nasceu primeiro, sendo seguido pela caçula da família. Aurora estava agora no colo do pai, sugando-lhe o dedo mindinho com irritação, claramente prestes à abrir o berreiro.
-- Amor, ela está com fome! -- anunciou à esposa, que estava na cama.
Cecilie já havia tomado um banho, vestido roupas limpas e comido uma refeição leve, mas ainda tinha uma feição abatida. A mulher tinha Apolo pendurado no seio, onde o garoto mamava com ímpeto. O menino foi mais esperto que a irmã e começou a chorar minutos antes, mas Aurora já estava se agitando.
-- Traga ela aqui. -- pediu ao estender o braço livre.
Thomas seguiu até a cama e com a vasta experiência de sua paternidade, depositou a caçula nos braços de Cecilie. Em seguida com toda a paciência ajudou a bebê na pegada do seio e assim passaram a meia hora seguinte, assistindo o casal de gêmeos mamando e observando os mínimos detalhes de ambos. Apolo tinha os cabelos negros da mãe, os olhos escuros ainda de cor indefinida. Aurora trazia poucos fios na cabecinha, mas estes prometiam seguir a tonalidade louro escuro de seu avô Abenforth, os olhos também indefinidos como os do irmão.
-- Dessa vez precisaremos de uma ama de leite, Thomas. -- anunciou a rainha ao apoiar a cabeça sobre as almofadas e fechar os olhos, completamente exaurida -- Eu já tenho trinta e sete anos, não vou ser capaz de amamentar dois bebês ao mesmo tempo.
-- Não se preocupe. -- se inclinou e beijou-lhe a bochecha -- Vou providenciar uma ama ainda hoje. Duas se achar melhor.
-- Apenas uma. -- murmurou e abriu os olhos, encarando os filhos que pareciam ter adormecido -- Eu gosto de amamentá-los, você sabe, só não quero correr o risco de ser insuficiente e deixar algum deles com fome.
-- Você que manda, minha rainha. -- Thomas ajudou a ajeitar as alças da camisola dela para cobrir-lhe os seios, já que os gêmeos realmente haviam dormido
-- Eles são tão lindos que me sinto enjoado ao olhá-los. -- Cecilie revirou os olhos pela maneira estranha que o marido tinha de fazer elogios -- Já passamos por isso algumas vezes, esse deslumbramento não deveria diminuir?
-- Claro que não, amor. Cada bebê é único e especial. Vamos, os coloque na manjedoura para mim, eu realmente preciso descansar.
O príncipe regente correu para cumprir a ordem de sua soberana. Arrumou os lençóis macios da manjedoura e ali colocou os recém nascidos, bem juntinhos um do outro, pois imaginou que eles ficariam mais confortáveis assim depois de dividirem a barriga por oito meses. Thomas então obrigou a esposa a tomar dois copos grandes de água, a aconchegou em seu peito e velou o sono da amada e dos filhos pelo restante da madrugada. Pensando que Cecilie tinha a tendência de dar à luz durante a noite, ele adormeceu sem nem mesmo perceber e acordou quando ouviu alguns resmungos fracos e distantes, que tiveram o poder de despertá-lo completamente.
-- Bom dia, vossa sonolência real. -- cumprimentou uma voz animada.
Ele coçou os olhos ao se levantar e seguiu até a rainha que trocava a fralda de Apolo. Aurora seguia em profundo sono na suave manhã que parecia já ter clareado há algum tempo.
-- De todos os meus atuais títulos, esse realmente é o que menos gosto. -- beijou os lábios da amada -- Meus favoritos são papai e o marido da rainha. -- Cecilie apenas sorriu terminando a tarefa, então o homem se virou para o filho que parecia prestes à acompanhar a irmã num cochilo -- Oi, garotão! -- o bebê lançou ao pai um sorriso banguela antes de entregar-se ao sono -- Você viu, ele sorriu para mim!
-- Pare de se gabar, Apolo já sorriu para mim também! -- pegou o bebê e o acomodou na manjedoura ao lado da irmã.
-- Já não passou da hora da próxima mamada? -- o príncipe regente perguntou ao abraçar a rainha por trás, descansando a cabeça no ombro dela e inspirando seu perfume.
-- Eles são dois apressadinhos que já mamaram. -- ela apoiou a cabeça no peito do marido -- Sabe, eu não aguento mais parir crianças que são a sua cara. É injusto.
-- A minha cara! -- exclamou indignado -- O trio bagunça é a sua cara, Cecilie, isso sim!
-- Gaia e Íris tem seus cabelos, amor. -- apontou -- E Diana seus olhos. Vamos ver para quem esses dois irão puxar.
-- Aurora vai puxar à família do seu pai, com certeza. Terá sorte se ela não for a cara de sua avó Minerva. -- provocou a esposa.
-- Pobrezinha... Vamos torcer para que ela não se pareça muito com a vaca da rainha Megera. Mas eu a amarei mesmo se Aurora tiver tal azar.
-- Agora Apolo certamente é outra cópia sua. -- opinou Thomas.
Cecilie virou o rosto para encará-lo, os olhos brilhando em expectativa.
-- Você realmente os acha parecidos comigo? -- soou insegura.
-- Claro que sim. -- foi honesto.
-- Já eu os acho parecidos com você. Interessante...
-- Então vamos resolver esse impasse de maneira diplomática. -- a rainha levantou uma sobrancelha aguardando a sugestão do príncipe regente -- Nossos cinco filhos são misturinhas exatas de nós dois, e fim de papo.
-- Muito bem, de acordo. -- trocaram um beijinho carinhoso para selar a trégua -- Agora busque as meninas para conhecer os bebês.
Thomas concordou e partiu imediatamente porta afora, mas antes que pudesse abri-las a filha mais velha adentrou o aposento.
-- Ei, princesa! -- o pai a cumprimentou, mas a menina já tinha os olhos azul acizentados atentos na manjedoura -- Acordou cedo.
-- Eu não dormi muito bem depois que ouvi os gritos da mamãe. -- a menina de onze anos explicou.
-- Ô meu amor, desculpe-me por isso. -- Cecilie estendeu os dois braços para a filha, que atirou-se neles.
-- Tudo bem, mamãe. -- a menina aninhou a cabeça no colo da rainha e fechou os olhos apenas apreciando o contato por alguns segundos.
O parto de Diana havia sido o mais difícil e Gaia, que tinha apenas dois anos na época, ficara um tantinho apavorada achando que a mãe estava morrendo. Portanto compreensivelmente a menina ficava apreensiva a cada vez que a rainha dava à luz uma nova criança. Ciente de tal fato, Cecilie deu um aceno ao marido indicando-lhe que buscasse as outras filhas enquanto ela tinha um momento com a primogênita. Thomas deu-lhe uma piscadela e saiu, deixando-as à sós.
-- A senhora está bem? -- perguntou Gaia ainda agarrada à mãe como um bebê canguru.
-- Perfeitamente bem. -- a rainha anuiu e beijou o topo da cabeça castanha da filha -- E a curandeira Elsa estava certa, afinal. Dei à luz dois bebês.
-- Fico contente que esteja bem, mamãe. -- levantou a cabeça para a mãe encarando-a com aqueles grandes olhos prateados -- Posso conhecer minhas irmãs agora?
Cecilie apenas sorriu e acenou, pegou a mão da filha e a levou até a manjedoura onde os gêmeos dormiam profundamente.
-- Oh, que gracinhas! -- encantou-se Gaia -- Já escolheram os nomes?
-- Esta aqui é Aurora. -- apontou a bebê de poucos cabelos dourados.
-- Oi, Aurora! -- a princesa acariciou as bochechas rosadas da irmã caçula.
-- E este aqui é Apolo. -- apontou o bebê de cabelos negros.
-- Apolo?! -- surpreendeu-se e virou-se para a mãe, confusa -- Mas isso é nome de menino!
-- Isso porque ele é um menino, meu amor. -- apertou o narizinho da filha entre seus dedos, enquanto ria do assombro dela.
Gaia apenas ficou em silêncio e voltou à encarar o irmão, olhando-o como se ele fosse uma coisinha desconhecida e ameaçadora.
-- Bem... por essa eu não esperava, assumo. -- a princesa soou como alguém com o dobro de sua idade -- Mas pensando bem, acho que Apolo embasa a minha teoria de que a senhora está dando início à uma supremacia feminina.
Cecilie revirou os olhos e sentou-se na cama, puxando Gaia junto dela.
-- Eu já lhe disse que eu não estou planejando nenhuma supremacia feminina. -- explicou pelo que pensava ser a décima vez.
-- Mas a senhora dá cargos importantes à mulheres, o que não tem precedentes em nenhum dos livros de história que eu e Willis lemos! Além do mais gerou três filhas mulheres, e na única que vez que gerou um homem, uma outra mulher veio junto! -- Gaia explicava sua opinião com impressionante firmeza na argumentação.
-- Eu dou cargos de confiança conforme competência, não escolhendo algum gênero. Sei que não é o usual, mas ter uma rainha no trono também não é, então estou tentando mudar a visão das pessoas sobre mulheres no poder. Além do mais, estou facilitando o caminho para que não sofra as dificuldades que sofri por ser mulher, quando for a sua vez de subir ao trono.
Gaia encarou a mãe por alguns segundos enquanto analisava suas palavras e as compreendia.
-- Então, mesmo que agora tenha um filho homem, eu continuo sendo sua herdeira? -- perguntou baixinho.
Cecilie sorriu e abraçou a primogênita finalmente compreendendo a relutância dela sobre ter um irmão. Gaia era ciente de seu direito desde que começou a compreender as coisas, e estava sendo ensinada desde os oito anos sobre as letras e a história do reino para torná-la apta ao carga que um dia seria seu. Nada muito pesado ainda, a sujeira e perigo só lhe seriam ensinados alguns anos à frente. Entretanto desde sempre a menina mostrou-se fortemente apegada ao seu direito de nascença, e ela se dedicava cada dia mais para aprender a ser uma soberana tão forte e incrível quanto sua mãe.
-- É claro que você continua sendo minha herdeira. Gaia, não quero que pense que homens são inferiores à nós. É claro que sabemos uma ou duas coisas que eles não sabem...
-- Ou dez... -- riu a menina.
-- Pois é... mas a questão é que somos semelhantes, filha. Somos iguais. Compreendeu?
-- Sim, mamãe. Eu entendi que você não está iniciando um movimento de supremacia feminina. Mas agora devo explicar à Íris, ela ficou realmente empolgada com a ideia.
-- Pode deixar que eu conversarei com Íris à respeito. Enfenda, filha, há homens bons e terríveis no mundo. E nós iremos ensinar Apolo à ser bom. Posso contar com sua ajuda?
-- Tudo bem. -- deu de ombros e anuiu, pulando da cama e seguindo até a manjedoura -- Depois de quatro irmãs e Willis, lidar com Apolo será facinho, facinho... -- a princesa acariciou os fios negros do irmão -- Não é, pequenininho?
Minutos depois Thomas retornou com Diana nos braços e Íris sobre os ombros. Os novos integrantes da família real foram apresentados e todos passaram alguns momentos juntos divertindo-se com as fofurices dos dois bebês. Por fim o trio bagunça - apelido carinhosamente criado por Thomas - se cansou dos gêmeos e partiram em busca de Willis certamente para arrastá-lo até alguma travessura. Não muito depois, duas criadas vieram para cuidar de Apolo e Aurora por algumas horas para que a rainha pudesse descansar um pouco mais. Ela estava agora nos braços do marido, ambos aconchegados entre as cobertas da cama.
-- Cinco filhos... -- ela sussurrou contra o peito dele -- E ainda temos Willis. São muitas crianças, estamos numa minoria esmagadora, amor... o que nós faremos?
Levantou o rosto para encarar os olhos dourados que tanto amava, que eram sua base forte há tanto tempo. Thomas já tinha algumas rugas ao redor dos olhos, o cabelo mudando gradativamente de castanho para prateado, cortesia de seus quarenta e um anos de idade. Mas mesmo com os sinais da velhice que os alcançava à passos lentos, ela o achava ainda era mais lindo do que aquele duque tolo que caçou nas ruelas da Vila do Cervo Galhado. Eles viveram uma vida juntos. Uma vida boa. Recheada de luta, sim, mas também de cumplicidade, realizações e sobretudo amor. Cecilie não poderia querer mais nada.
-- Não se preocupe, minha deusa da noite. -- ele sussurrou e beijou-lhe a testa -- Vamos conseguir. Estamos juntos.
-- Para qualquer fim. -- ela prometeu buscando os lábios do marido para selar a promessa.
Não é um adeus, apenas
um até logo.
Mas por enquanto...
Fim 🖤
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