Capítulo 82 - "As linhas do destino são inquebráveis"

    Nos dias seguintes detalhes importantes sobre o futuro do reino foram devidamente acertados. Abenforh e Cecilie passaram horas e mais horas em reuniões com o chefe da moeda, para que a princesa ficasse totalmente à par do tesouro da coroa, das dívidas e dos rendimentos. A guerra havia os empobrecido drasticamente e levariam anos para recuperar a fartura que um dia tiveram. Além disso ainda era necessário ajudar os fazendeiros que tiveram suas plantações arruinadas, assim como os criadores de animais e todos aqueles que perderam seu sustento. Então ela sugeriu que os impostos não deveriam ser cobrados no ano seguinte, na intenção de ajudar a população a se restabelecer. O mestre da moeda torceu a boca para a ideia da princesa, mas prometeu alisar alguns dados para garantir que tal ato não teria consequências catastróficas, afinal os soldados deveriam continuar sendo pagos, assim como todos os criados do castelo.

     Depois houveram as reuniões do Conselho do Rei, e uma reorganização dos títulos e propriedades que estavam disponíveis após traidores que apoiavam Willk serem descobertos entre os lordes que viviam na corte, e claro, eles foram devidamente punidos. James ganhou um título de baronete e uma propriedade ao sul para que tivesse um lar quando partisse na missão que já estava sendo detalhadamente planejada. Cecilie passava várias horas por dia junto do pai, de reunião em reunião e quando estavam livres, se trancavam no escritório de Abenforth para que ele lhe ensinasse tudo o que era mais imediato que ela soubesse. À noite a princesa herdeira lia documentos e registros até que Thomas a atormentasse e excitasse absurdamente, fazendo-a jogar os pergaminhos para o alto e entregar-se ao noivo e aos prazeres que ele sempre lhe dava.

     Nessa intensa correria e agitação duas semanas se passaram e a manhã do casamento chegou e Cecilie acordou após uma noite agitada onde mal pregou os olhos. Havia dormido, diferentemente de todas as noites desde retornaram da batalha, em seu próprio quarto e a cama lhe parecia grande e fria demais sem a presença de Thomas. Entretanto sorriu ao se lembrar de que, a partir daquele dia, ela nunca mais dormiria longe dele.

-- Bom dia, alteza! -- cumprimentou a criada ao adentrar em seu aposento e seguir para preparar seu banho matinal -- Pronta para o grande dia?

-- Mais do que pronta, Margareth! -- ela pulou da cama, animada -- Salete já deve estar chegando, não é? Você viu meu vestido? Ela não me deixou nem dar uma espiadinha, acredita nisso?

-- A senhorita não viu? -- a jovem riu -- Bem, então prepare-se! É só o que digo.

     Cecilie precisou se segurar para não sair correndo até o quarto de vestir. Usando todo seu auto controle considerável, ela seguiu até o quarto de banho e passou alguns minutos deliciosos e relaxantes na banheira, o aroma suave de lavanda acalmando seus sentidos e sua ansiedade que parecia a cada minuto mais desenfreada.

-- Onde está a noiva do ano? -- ouviu a voz de Salete através da porta e percebeu que já era hora de se aprontar.

     Saiu do banho e se secou com agilidade, vestindo um roupão confortável e quentinho antes de retornar ao cômodo principal.

-- Oh, aí está ela! -- Lete anunciou apontando a princesa que chegava a passos incrivelmente rápidos.

-- Já está na hora? Eu acordei tão tarde assim?

-- Cecilie! Acalme-se! -- a amiga riu -- Eu vim um pouco mais cedo, imaginei que estaria nervosa e pensei em tentar ajudá-la a se acalmar.

-- Então não estou atrasada? -- a princesa relaxou os ombros com um suspiro pesado.

-- Não, venha, vamos comer alguma coisa. -- a modista puxou a princesa até a mesa que já estava posta com um modesto café da manhã.

     Cecilie mordiscou um pão e uma fruta junto de uma xícara de chá de camomila - ordem de Salete - enquanto pensava que a histeria do nervosismo pré casamento deveria ser exclusividade da noiva, e que Thomas provavelmente ainda estaria dormindo tranquilamente. Entretanto, logo ela descobriria estar redondamente enganada.

-- Ei, você! -- sussurrou o duque de sua porta entreaberta à uma criada que passava apressadamente pelo corredor -- Psiu!

     A mulher interrompeu seus passos e olhou para trás um tanto desorientada.

-- O senhor precisa de alguma coisa? -- ela perguntou.

-- Sim, eu preciso. Poderia me dizer como a princesa está? -- sua voz soou desesperada até mesmo para os próprios ouvidos.

-- Eu imagino que esteja bem, vossa graça.

-- Não poderia confirmar? -- soou ainda mais apavorado ao ouvir a palavra "imagino" -- Quer saber, pode deixar! Eu mesmo irei até ela.

     O homem apertou o roupão e saiu do quarto determinado à seguir até a ala da noiva e ter a certeza por si mesmo.

-- Mas o senhor não pode vê-la antes da cerimônia, é a tradição! -- a criada guinchou, chocada.

-- Para o inferno com a tradição, eu preciso falar com minha noiva imediatamente!

     Então ele seguiu com todo o orgulho que pôde reunir caminhando descalço e semi nu pelo castelo. A evidente exasperação alucinada de Thomas tinha uma razão muito simples: em suas pouquíssimas horas de sono, ele havia tido um pesadelo. Um cruel e vívido sonho com o dia terrível que uma carroça chegou ao castelo trazendo o corpo putrefato que todos presumiram ser de Cecilie. Acordou desvairado com um gosto amargo na boca e a necessidade pungente de simplesmente vê-la.

-- Thomas! -- o rei o surpreendeu quando estava prestes à alcançar o corredor que levava ao quarto da princesa -- O que pensa que está fazendo andando por aí desse jeito?

-- Indo falar com minha noiva! -- respondeu rapidamente passando direto pelo rei.

-- Nessas vestimentas?! -- o homem passou a segui-lo, atônito.

-- Ora, o senhor sabe muito bem que ela já era viu mais indecentemente vestido. -- o duque resmungou no que achou ser um sussurro, mas o rei ouviu muito bem.

-- É claro que eu sei, mas fiz questão de ignorar as liberdades que tomaram até esse momento em que você aparece fora de si caminhando semi nu pelo castelo. -- o duque apenas ignorou o rei e continuou a andar  -- Eu estou falando com você, Thomas!

     Abenforth correu e puxou o homem ensandecido pelo braço, notando a angústia em seus olhos marejados.

-- O que houve, Thomas? -- perguntou mais suavemente, ainda mantendo o aperto no braço dele para mantê-lo no lugar.

     O duque hesitou, mas respondeu ao questionamento.

-- Eu tive um sonho. Com aquele dia horrível que eu nunca vou esquecer, então eu acordei sozinho e... Eu só... -- respirou fundo para tentar controlar as lágrimas -- Só queria...

     Ele não terminou de falar, não houve necessidade. Abenforth havia compreendido exatamente o que estava acontecendo.

-- Eu entendo, filho. Tudo bem. Mas é a tradição e...

-- Quinze anos. Muitos traumas. Um rapto. Uma faca envenenada. A perseguição da Irmandade. A guerra. Um velório com o caixão vazio, outro com um corpo apodrecido e irreconhecível. Três meses de luto. -- a voz de Thomas era sombria -- O senhor acha mesmo que essa tradição idiota vai me manter longe dela?

     Só então Abenforth deu-se conta das coisas que aquele jovem casal já havia enfrentado. Tudo o que pôde fazer era ser grato pela filha ter encontrado alguém que a amasse com tamanha intensidade. Alguém que a amava como Abenforth amou Cassandra. Ele soltou o braço de Thomas.

-- Vamos, eu vou acompanhá-lo. -- anuiu e apontou o caminho para que o duque seguisse na frente.

     Os homens caminharam o restante do caminho em silêncio, e logo alcançaram a porta do aposento da princesa. Os guardas arregalaram os olhos para o roupão do duque, mas ninguém teceu comentário algum. Ele bateu e chamou o nome dela, e logo a porta foi aberta - apenas uma fresta mínima - e a voz da princesa soou, transformando o desespero dele em alívio.

-- O que faz aqui, Thomas? -- ela perguntou de onde estava, atrás da porta, completamente fora da visão dele.

-- Eu só queria dizer oi... -- ele mentiu, um sorriso bobo no rosto -- Você dormiu bem?

-- Não muito bem... e você? -- pela voz dela, percebeu que também sorria.

-- Algumas horas, apenas.

-- Está tudo bem, Thomas? Aconteceu alguma coisa?

-- Não, amor. Está tudo bem... Então, eu vou indo. Te vejo daqui a pouco. -- virou-se para sair, mas logo foi impedido.

-- Espere! Thomas, você pode fechar os olhos por um momento?

-- Fechar os... -- compreensão o invadiu -- É claro! Pronto, já estão fechados.

-- Coloque a mão por cima, se eu pegá-lo espiando eu juro por Deus que vou arrancá-los das órbitas com...

-- Com uma faca cega, eu sei, já ouvi essa ameaça antes. -- ele riu e tampou os olhos com as duas mãos -- Pronto, pode vir.

     Ouviu a porta ser aberta e o farfalhar suave de um vestido. Então sentiu mãos frias e pequenas em seu pescoço e um leve roçar em seus lábios, o cheiro de lavanda invadindo-lhe os sentidos.

-- Está mais calmo agora? -- Cecilie sussurrou, as mãos acariciando sua nuca.

-- Muito mais calmo. -- respondeu igualmente baixo -- Obrigado.

-- Não por isso. -- ela o beijou rapidamente mais uma vez -- Agora vá, preciso terminar de me arrumar.

-- Certo, certo. -- deu um aceno obediente -- Estou indo.

     Ouviu os leves passos da noiva e em seguida a porta foi fechada num clique. Retirou as mãos de sobre os olhos e enfim pôde respirar tranquilamente. Despediu-se dos soldados nem um pouco abalado por suas poucas roupas e virou-se para retornar ao próprio quarto. Abenforth o esperava ao fim do corredor, o semblante dividido entre divertido e preocupado. Thomas ofereceu-lhe um aceno e seguia em frente, até que parou abruptamente quando uma dúvida brilhou em seus pensamentos. Girou sobre os pés descalços e encarou o rei, que estava parado no mesmo lugar com os braços cruzados ainda observando-o.

-- Sim, Thomas? -- o monarca adiantou-se ao ver o questionamento em seus olhos castanho dourados.

-- Como o senhor conseguiu? -- não foi necessário especificar a pergunta -- Sempre que eu acordo, eu a sinto em meus braços e repito a mim mesmo que é real, que Cecilie está aqui. Hoje ela não estava comigo e eu enlouqueci. Como o senhor conseguiu?

-- Realmente acha que eu consegui? -- deu ênfase à última palavra -- Vocês tiveram a sorte grande, Thomas. Esse trauma logo será amenizado, eu prometo. Você vai ficar bem.

     O duque acenou em compreensão, apegando-se àquelas palavras. Esse trauma logo será amenizado. É, ele esperava que sim.

     Cecilie estava em pé no seu quarto de vestir agarrando o tecido do roupão loucamente enquanto encarava embascabacada o vestido no suporte à sua frente. Como a coroação aconteceria apenas algumas horas depois de seu casamento, decidiu que usaria o mesmo vestido, já que não havia tempo hábil para que Salete lhe costurasse duas peças. Portanto os modelos haviam se fundido na obra prima que estava diante de si, deixando-a sem palavras. Era de um tom elegante de marfim luminescente, quase indecentemente justo ao corpo com um cinto dourado marcando a cintura e nos joelhos se abria numa nuvem quase flutuante, trazendo um ar de leveza. Tinha bordados dourados de um ombro ao outro e uma capa entreposta - igualmente trabalhada com os belíssimos detalhes cor de ouro - que se alongava numa cauda de pelo menos dois metros e meio.

-- É isso que você entende por simples e discreto, Salete? -- a princesa ainda tinha os olhos no vestido.

-- Oh, você odiou! -- disse a modista, chorosa -- Eu sabia que deveria ter escolhido a peça com renda, mas eu pensei que...

-- Eu amei! -- Cecilie tocou o tecido com reverência -- É a coisa mais linda que já vi na vida, é...

-- Majestoso, como você me pediu. -- anunciou timidamente, a voz muito mais feliz agora -- Está sendo sincera? Você gostou mesmo?

-- Se eu gostei? -- a noiva se virou para encarar a melhor amiga -- Salete, eu quero chorar de tanto que eu gostei!

     A princesa herdeira puxou a mulher para um abraço emocionado, ambas com os olhos marejados pelo momento especial.

-- Eu sei que exagerei, mas hoje é um dia tão importante! -- explicou-se a modista quando se afastaram -- Você só se casa e se torna regente de um reino uma vez na vida, sabe? Deve estar vestida à altura!

-- Salete, nunca mais dê ouvidos à minhas opiniões sobre roupas. Meu primeiro decreto como rainha será dar-lhe a liberdade para me vestir como bem quiser.

     A modista ainda sorria, deliciada, quando Margareth entrou no cômodo de vestir com um sorriso tão animado quanto o das duas ali presentes.

-- Eu disse que precisaria estar preparada, alteza. Esse vestido está lindo de morrer. -- a criada elogiou e Salete corou acanhada com a enxurrada de elogios ao seu trabalho -- Sua majestade já a está aguardando.

-- Muito bem, meninas! -- anunciou Salete -- Vamos começar!

     Os vinte minutos seguintes foram de pura correria. Precisou da ajuda das duas mulheres para conseguir entrar no vestido, que parecia pesar pelo menos sete quilos. Depois Margaret arrumou seus cabelos negros num penteado simples, meio solto meio preso, e prendeu um arranjo de flores metálicas para enfeitá-lo ainda mais. Enquanto isso Salete aplicava uma fina camada de rouge em suas bochechas e um pouco de uma pasta de coloração avermelhado em seus lábios. Era a primeira vez que se maquiava e, quando viu o resultado, decidiu que certamente o faria mais vezes.

-- Oh, meu Deus! -- murmuraram as duas mulheres ao verem o resultado de seu trabalho.

     Cecilie apenas acenou uma concordância, não confiando em sua voz naquele momento. Sentia-se prestes à se desmanchar numa avalanche de lágrimas e não queria arruinar a maquiagem. Então a princesa seguiu até o cômodo principal com Salete às suas costas carregando a cauda com cuidado para não amarrotar. Quando Abenforth colocou os olhos sobre a filha, sentiu os próprios joelhos tremerem com o peso da satisfação em vê-la tão magnífica. Depois que enterrou aquele caixão vazio pensou que nunca viveria o sonho de levá-la ao altar, mas ali estavam eles. A vida pode realmente dar reviravoltas inesperadas, mas nem todas são ruins.

-- O senhor não ouse chorar! -- ela anunciou ao ver o brilho exagerado nos olhos azul acizentados do pai -- Está me ouvindo? Eu o proíbo!

-- Eu ainda não lhe passei meu trono -- aproximou-se dela com um sorriso exultante -- portanto não pode me proibir, filha. -- ela apenas deu de ombros ao se concentrar em conter o próprio choro -- Você está esplêndida.

-- Obrigada. -- agradeceu e o rei estendeu-lhe o braço -- Thomas está mais calmo?

-- Sim, ele está. -- anuiu ao seguirem porta afora -- O duque está no salão principal há pelo menos meia hora, então acho que devemos nos apressar antes que ele tenha outra síncope nervosa.

-- Pobrezinho... -- Cecilie murmurou sentindo o coração apertar pelo tormento de seu noivo -- Willk sabe bem como causar traumas numa pessoa.

-- Não falemos disso hoje, filha. O dia deve ser alegre e festivo. -- ele apertou a mão dela que estava em seu braço.

-- O senhor tem razão, claro. -- ela concordou  -- Ah, papai eu estou tão nervosa! Queria que minha mãe estivesse aqui.

     O rei apenas acenou brevemente, incapaz de dar voz à sua aquiescência. Ainda sentia um bolo de choro contido em sua garganta, falar sobre Cassandra apenas o faria liberar as lágrimas emotivas de uma vez. Continuaram o restante do caminho curto num silêncio confortável, e antes que Cecilie estivesse preparada viram-se em frente às portas do salão principal. Salete se apressou à arrumar a cauda do vestido com esmero para deixá-la perfeita, enquanto Margareth lhe entregava um ramalhete de rosas brancas e lavandas. A princesa respirou fundo algumas vezes e ouviu o som da orquestra anunciando sua chegada.

-- Pronta? -- perguntou o pai num sussurro contido.

     Ela se virou e encarou o rosto ligeiramente envelhecido do homem que estava beirando sua quinta década. Os olhos com leves rugas, o sorriso tão amoroso quanto suas lembranças guardaram, os fios grisalhos dentre os louros. Cecilie apertou a mão na pegada do braço dele e sentiu a ardência em seus olhos aumentar.

-- Eu te amo, papai. -- disse num sussurro.

-- Eu te amo daqui até o infinito. Assim como sua mãe. -- a voz dele soou embargada -- Agora vamos logo pois estou proibido de chorar e não conseguirei me conter por muito mais tempo.

     Cecilie deu um risinho ao mesmo tempo que o rei acenou para que os guardas abrissem as portas duplas. Salete eviou-lhe um beijo no ar e Margareth mostrou os dedos cruzados, desejando-lhe sorte. O som da música ficou mais alto quando as portas terminaram de serem abertas e o pai a puxou levemente para dar o primeiro passo. E ela deu. E mais outro e outro e precisou se controlar para não correr até Thomas, que estava parado no pé do altar a esperando com um enorme sorriso e o rosto já banhado em lágrimas. Os passos sobre o tapete de veludo vermelho soavam abafados conforme avançava e ela mal notou a decoração do salão que estava repleto de flores, fitas douradas e muitas velas. A princesa cumprimentou uma ou outra pessoa no caminho até seu noivo, mas não foi capaz de se aperceber dos olhos arregalados e sorrisos deslumbrados da mais de uma centena de convidados pois só tinha olhos para o homem que amava.

     Ele estava lindo. Trajava uma elegante vestimenta toda negra e com detalhes em dourado semelhantes ao que havia no próprio vestido. Os cabelos castanhos, que outrora batiam em seus ombros em deliciosas ondas, estavam curtos e espetados em todas as direções em uma charmosa bagunça que o nervosismo evidente dele havia deixado ao fazê-lo passar a mão entre os fios repetidas vezes. Finalmente, após um minuto que pareceu durar uma doce e agonizante eternidade, Cecilie chegou até Thomas. O pai virou-se de frente à ela e lhe beijou a testa com carinho, depois cumprimentou o duque num aperto de mão firme e um claro aviso no olhar: cuide bem dela ou eu te mato. O noivo acenou uma concordância firmando a promessa e, enfim, Abenforth entregou a mão de Cecilie à ele.

     Eles sorriram um para o outro com devoção, e Thomas levou a mão dela aos lábios, incapaz de conter-se. A troca de olhares entre eles foi intensa e só se ajoelharam quando o Sacerdote deu um pigarro chamando-lhes a atenção. Então o velho homem começou a entoar palavras sobre a santidade do matrimônio mas nenhum dos noivos prestavam verdadeira atenção pois estavam imersos em lembranças. O reencontro, o primeiro beijo, as brigas e discussões, as carícias, as lágrimas... O começo do futuro que agora compartilhariam até a morte.

     O Sacerdote pediu que se levantassem e assim o fizeram. Ficaram de frente um ao outro enquanto o homem amarrava uma fita vermelha nas suas mãos unidas, simbolizando o nó eterno do compromisso deles. Cecilie riu quando um certo pensamento a invadiu, o de que de certa forma aquele fio vermelho na verdade os prendiam um no outro desde sempre numa linha que se esticou, embolou, deu voltas e mais voltas, mas que nunca se partiu. Thomas afiou o olhar em sua direção num claro questionamento ao ver o sorriso dela aumentar.

-- As linhas do destino são inquebráveis. -- ela sussurrou ao homem que agora era seu marido.

Amores,
vou dividir com vocês as imagens que usei pra me inspirar no look de casamento de Cecilie e Thomas 🖤

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