Capítulo 80 - "E agora, Cecilie?"
Uma hora e meia depois Abenforth, Thomas, Christopher e Cecilie estavam reunidos no salão de reuniões do Conselho. O príncipe estava choroso e abatido, sentado pesadamente numa cadeira da grande mesa circular que estava ao centro do cômodo. O rei estava ao lado dele, igualmente abalado e exaurido, sussurrando-lhe algo no ouvido. Cecilie estava em pé ao lado da janela observando a luz do meio dia lá fora, tão brilhante e oposta às emoções sombrias que ameaçavam sufocar os presentes naquela sala. De onde observava o pai e o meio irmão, a princesa tinha absoluta certeza de que Abenforth tentava consolar o filho que, de certa forma, parecia estar se culpando pela morte de Cassandra e todos os desastres que se desenrolaram após a tragédia. No dia anterior o rapaz havia sugerido tal absurdo, o que imediatamente a princesa negou explicando-lhe que não era culpado pelos crimes de Zaya. Agora ele parecia ouvir um discurso semelhante do pai, e balançava a cabeça em concordância mostrando que compreendia as palavras dele.
-- Confesso que pensei que as coisas seriam mais simples. -- Thomas murmurou ao seu lado -- Mais fáceis, entende?
Cecilie levou seu olhar até ele e o observou por um instante, contendo a vontade - a necessidade - de puxá-lo para um abraço. Mas ela precisava se conter pois caso cedesse à tal desejo ela provavelmente se desmancharia numa poça de lágrimas e não podia se permitir ser emocional agora.
-- Perder alguém da maneira que nós perdemos, Thomas... -- ela suspirou -- Nenhum de nós nunca sequer chegou perto de superar o que aconteceu, as feridas ainda estão recentes mesmo depois de tanto tempo.
-- Você está bem? -- ele perguntou terno, preocupado.
-- Não. -- foi honesta -- Me sinto prestes à vomitar, minhas mãos estão trêmulas... Mas ficarei bem quando tudo finalmente acabar.
Como se aquela fosse a deixa, a porta do salão de reuniões se abriu revelando a presença nobre da rainha. O olhar dela era um tanto consternado, curiosa sobre as razões pela qual fora convocada após presenciar a cena alarmante do desentendimento do marido e do sobrinho mais cedo. Cecilie havia cruzado com ela no momento em que se retirava do escritório particular do rei e a mulher percebeu a rainha hesitar por um instante, prestes à lhe dirigir a palavra. Tudo o que a princesa fez, entretanto, foi acelerar seus passos e ignorá-la. Bastava de Zaya para Cecilie.
-- Finalmente irão me dizer o que está acontecendo? -- ela perguntou ao adentrar no cômodo, os passos elegantes soando alto sobre o mármore enquanto todos os quatro se mantinham em profundo silêncio.
A porta se fechou às costas dela num estrondo, deixando ainda mais evidente a estranheza da situação. Cecilie percebeu o momento exato em que Zaya compreendeu de que estava com problemas, vendo-a arregalar levemente os olhos castanhos amendoados e levá-los até o rei e o filho em busca de esclarecimento.
-- Abenforth? -- chamou, mas foi ignorada. O rei não conseguia sequer encará-la, aparentemente, então a mulher buscou o auxílio do filho -- Christopher?
O rapaz respirou fundo reunindo suas forças para o que viria a seguir, e Cecillie viu o aperto que o pai lhe deu na mão para encorajá-lo. O meio irmão então se levantou e encarou a mãe com olhos tristes e conformados.
-- Sente-se. -- pediu apontando uma cadeira do outro lado da mesa.
-- Não até que me digam o que está acontecendo! Eu exijo que...
-- Você não está em posição de exigir nada, Zaya! -- a princesa não foi mais capaz de se manter calada -- Sugiro que siga a recomendação do seu filho.
-- Ora, mas que... insolência! Cecilie, você não tem o direito de...
-- Chega! -- Christopher deu um soco na mesa, silenciando-a -- Acabou, mamãe! Seus crimes foram descobertos, sente-se de uma vez para receber o castigo pelo que fez!
Zaya empalideceu até ficar tão branca quanto pergaminho novo. Levou uma mão ao estômago e encarou todos ali com olhos arregalados e atemorizados.
-- Deixem-me... -- ela soltou um soluço -- Deixem-me explicar! Por favor, eu posso explicar...
-- Você. Senta. -- o rei ordenou em voz quase desumana de onde estava, ainda evitando olhar para a esposa -- Calada. Agora!
Zaya engoliu em seco e seguiu em passos vacilantes até a cadeira mais próxima, onde se sentou e começou a chorar copiosamente. Cecilie realmente não queria, mas se apiedou da mulher. Ela conhecia aquele choro intimamente, pois ela mesma já o havia experimentado na noite seguinte à conversa com Thomas nos calabouços da Irmandade das Sombras, onde descobriu que ela estava sendo usada pelo mestre que tanto amava. O choro da rainha era remorso, culpa, arrependimento. Era a ira por ter sido enganada. As peças do quebra cabeças se encaixavam na mente da princesa. O motivo de a rainha tê-la recebido tão cordialmente em sua família: culpa. As razões para ser se esforçado para que ela perdoasse o pai: culpa. Aquele olhar estranho que dirigia à Cecilie quando achava que a mulher estava distraída: culpa. Dor.
Os soluços se mantiveram por alguns minutos, mas nenhum dos presentes interviu. Honestamente Cecilie não a odiava, mas também não facilitaria as coisas para a rainha, pois mesmo que soubesse que ela não planejou matar Cassandra, intencionalmente ou não a mulher fora a maior responsável pelo crime. Pelo simples motivo de que, sem sua tentativa de fazê-la abortar o bebê que esperava, o Curandeiro Chefe Real nunca teria a chance de envenenar a concubina do rei. E por falar nele...
A porta mais uma vez foi aberta e o último convidado da festinha particular deles chegou. A princesa havia instruído Rafe à buscar o homem com pressa e sob a mentira de que ela estava passando muito mal após tomar o remédio que o homem lhe entregara mais cedo. Também o instruiu à levá-lo até o salão de reuniões sob a desculpa de que era onde a princesa estava ao desfalecer, e que estava tão adoentada que não queria que sequer a movessem de lá. Quando passou pela porta, os olhos do Curandeiro Chefe Real imediatamente cruzaram com os dela, e Cecilie se arrepiou com o ódio que viu ali.
-- Vejo que a princesa já se recuperou... -- o velho começou, alarmado -- Creio que meus serviços não sejam mais necessários, devo ir pois estava muito ocupado com...
-- Sente-se, senhor. -- Cecilie o interrompeu em voz dura e implacável -- Agora.
O Curandeiro hesitou e olhou para trás procurando a porta, que estava firmemente fechada e com quatro guardas com expressões assustadoras próximo à única saída do salão. Então o velho suspirou e seguiu - em movimentos bem mais lentos e difíceis do que mais cedo - até uma cadeira e se sentou.
-- Imagino que saiba por que está aqui. -- Cecilie começou, ansiosa por terminar com aquilo o quanto antes.
-- Não, princesa. Não tenho noção de...
-- Como pode dizer isso? -- guinchou a rainha -- Eles já sabem, Nicolas!
-- Estou profundamente aliviado pela verdade ter sido enfim revelada! -- o homem soou falso e debochado, um sorrisinho provocativo nos lábios dirigido à Zaya -- Não aguentava mais guardar em segredo a barbárie que a rainha me obrigou à fazer. Meu rei, ela me ameaçou! Disse que me tiraria de meu cargo, me levaria à miséria e...
Uma discussão se iniciou, então. O Curandeiro, que só então a princesa descobriu se chamar Nicolas, passou a acusar a rainha. A mulher, por sua vez, estava profundamente indignada e afirmava que o velho é que a havia enganado e que nunca quis a morte de Cassandra, apenas do bebê que a mulher esperava. Cecilie estava atenta à troca de acusações enquanto caminhava lentamente até os guardas parados à porta, levantou a mão para um deles e apontou com os olhos para a coxa do homem que rapidamente compreendeu seu sinal e lhe entregou a adaga. O Curandeiro estava imerso demais na tentativa de ludibriar o rei e jogar toda a culpa em Zaya, então não percebeu a presença ameaçadora às suas costas até que fosse tarde demais. Cecilie apoiou a lâmina no pescoço do velho, silenciando-o imediatamente.
-- Nicolas, você só abrirá essa boca caso for solicitado ou então eu arrancarei sua língua fora. Entendido?
Pelo movimento que a adaga fez, Cecilie percebeu que ele engoliu em seco. Pelo canto do olho percebeu Zaya a encarando horrorizada, temendo ser a próxima com uma lâmina no pescoço. Quanto ao pai, Thomas e o irmão, a princesa os havia alertado de que não hesitaria em usar de crueldade caso fosse necessário. E ela julgava que era.
-- Sim, alteza.
-- Excelente! -- ela retirou a adaga e se afastou do homem, que relaxou imediatamente. Então, a princesa começou a caminhar ao redor da mesa, os passos premeditados e ameaçadores como os de um felino em caçada -- Zaya, você está sendo acusada de assassinar minha mãe Cassandra. O que diz sobre isso?
-- Eu sou inocente, Cecilie. -- a rainha disse imediatamente -- Esse homem me usou, tudo o que eu queria era...
-- É, eu sei. Você queria que ela abordasse o bebê que era uma ameaça ao trono do herdeiro que você ainda não tinha gerado. Estou certa?
-- Sim. Entenda, eu não podia permitir que...
-- Ninguém aqui quer ouvir suas explicações. Cale-se. -- ordenou a princesa, o que causou a ira na mulher acusada.
-- Por que você está dirigindo o interrogatório? O rei é quem deveria...
-- Quer sentir a mordida de uma adaga, Zaya? -- Cecilie brincou com a lâmina em suas mãos e percebeu o arregalar dos olhos da rainha -- Fique quieta. -- falou bem baixo num rosnado e se virou ao Curandeiro que observava seus movimentos atentamente -- Agora você é quem vai falar. Me diga porque envenenou minha mãe.
-- Princesa, eu insisto em minha inocência. Eu entreguei à rainha uma essência abortiva, mas que não causaria nenhum risco à vida da mãe. Zaya deve ter adulterado a composição com algum veneno e agora está tentando dividir a culpa desse crime comigo!
-- Interessante explicação, senhor. -- Cecilie se aproximou do homem suavemente, e o tolo lhe sorriu, achando que estava conseguindo enganá-la -- Thomas?
O duque imediatamente seguiu até o outro lado do Curandeiro, e depositou ali o vidrinho que aquele mesmo homem havia entregado à princesa mais cedo.
-- Isso deveria significar alguma coisa? -- o homem perguntou cinicamente -- Majestade...
Tentou se dirigir ao rei, estendendo-lhe uma mão, mas Cecilie perdeu a paciência e lançou a adaga sobre o homem com toda sua força. Ela sentiu quando a lâmina cortou a carne, tendões e os ossos finos, assim como sentiu quando a lâmina cravou na madeira da mesa. O grito que o Curandeiro Chefe Real soltou foi mais de raiva que de dor, e aquilo só serviu para incendiar ainda mais suas entranhas atiçando a vontade crescente de matá-lo ali mesmo.
-- Você vai começar à falar agora mesmo, senão...
-- Majestade! Meu rei, vai permitir que sua filha maquiavélica me torture desta maneira? Um velho inofensivo como eu... meu rei!
Abenforth subitamente se levantou, com tanta força que derrubou a cadeira e avançou por sobre o homem empurrando ainda mais a adaga que estava cravada em sua mão.
-- Nós gostaríamos muito de ouvir seus motivos para matar minha mulher, e se não colaborar eu ajudarei minha filha maquiavélica à lhe causar o máximo de dor possível. -- o velho pareceu rosnar, tomado por súbita fúria -- Não pense nem por um segundo que vai conseguir escapar disso, seu desgraçado.
Os olhos negros do Curandeiro tornaram-se desvairados, e ele passou à alternar o olhar entre Abenforth e Cecilie num frenesi de violência.
-- Eu matei aquela cadela sim, e deveria tê-la matado bem antes! -- rugiu dominado por cólera, saliva voando pelos seus lábios finos e ressecados -- Você não se lembra de mim pois estava ocupado demais fodendo aquela puta para prestar atenção em qualquer coisa ao seu redor, seu rei de merda! Cassandra era minha sobrinha e estava prometida ao meu filho Leônidas, mas o acordo se rompeu porque você não manteve o pau dentro das calças e a engravidou! Aquela puta oferecida!
-- Seu... -- o rei avançou sobre o velho novamente, mas Cecilie o impediu ao segurá-lo pelo braço com força.
-- Isso, bastarda! Segure o idiota do seu pai, que levou dezesseis anos para resolver o mistério que você decifrou em uma semana! -- o homem começou a rir, ensandecido -- Idiota! Leônidas ficou tão decepcionado pelo fim do compromisso que montou bêbado num cavalo e saiu correndo para fugir da dor. Ele morreu por culpa de vocês, o meu único filho!
-- Eu me lembro disso! -- o rei disse um tanto nostálgico -- Seu filho não caiu do cavalo por estar bêbado, ele tinha problemas de cabeça! Você comprou o noivado com a mãe de Cassandra num momento de dificuldade após a morte do pai dela, que era a droga do seu irmão, para que seu filho debiloide tivesse alguém para cuidar dele no seu lugar!
-- Não fale assim dele! Eu teria aceitado manter o trato com aquela puta apenas desonrada, mas gerar uma maldita bastarda já era demais e...
Abenforth escapou do perto que Cecilie mantinha em seu braço e pulou sobre o velho, dando-lhe um soco que pareceu reverberar sobre todo o salão. Zaya soltou um gritinho assustado e levantou-se apavorada, e Cecilie esperou alguns segundos para impedir o pai de continuar a socar a cara daquele maldito. Quando o nariz do homem começou a sangrar após pelo menos mei dúzia de golpes, a princesa fez um sinal silencioso aos guardas pedindo que contivessem o rei.
-- Me soltem! Ordeno que me soltem! -- o homem rugiu conforme dois soldados o arrastavam para longe do Curandeiro, que parecia prestes à desmaiar.
-- Já chega, pai. Precisamos dele vivo para usá-lo de exemplo na execução de amanhã, se lembra? -- viu a sanidade retornar aos olhos tempestuosos do pai lentamente e, com um aceno, autorizou que o soltassem.
Abenforth ajeitou as roupas que estavam desajeitadas após sua explosão, e Cecilie seguiu até o velho puxando a adaga de onde estava fincada, o fazendo gritar à plenos pulmões enquanto o sangue finalmente começava a jorrar do ferimento.
-- O levem até as celas e mandem chamar alguém para cuidar dessa mão. -- devolveu a adaga à Rafe -- Preciso dele bem vivo amanhã.
Dois soldados se apressaram à arrastar o velho dali, que nem resistiu e saiu manchando o chão por todo o caminho. Antes que o clique da porta sendo fechada novamente fosse ouvido, Cecilie já encarava Zaya que ao perceber a atenção engoliu em seco totalmente amedrontada.
-- Agora só resta você... -- a princesa disse sombria, um sorriso feroz curvando seus lábios.
-- Vocês viram que eu não tive culpa, não toda a culpa. Por favor...
-- Em respeito aos seus filhos nós seremos misericordiosos, Zaya. - a princesa olhou para o irmão, o único que permaneceu silenciosamente sentado -- Por que você não diz à ela, Christopher? Acho que isso pode tornar as coisas mais tranquilas, todos já nos exaltamos demais.
Não demorou e o jovem se levantou, os ombros curvados em desamparo.
-- Você será exilada, mamãe. -- a ex rainha empalideceu ainda mais e agora parecia apenas o fantasma da mulher que era -- Suas malas e as de Crystal já estão sendo preparadas, e vocês deverão partir ainda hoje. Receberá dois sacos de ouro para se estabelecer no outro continente, mas depois estará por conta própria. Tambem poderá levar seu amante para protegê-la, se ele desejar acompanhá-las. -- o jovem hesitou por um segundo, mas logo prosseguiu com a cartada final -- Antes de ir, precisa saber que tudo o que fez foi em vão. Eu renunciei ao trono.
-- Você... -- ela sussurrou -- Não... Christopher, eu fiz o que fiz por você, pelo seu futuro!
-- Eu sei! E é por isso que eu odiava tanto o meu futuro! Você corrompeu essa coroa, mãe! Agora estou livre para passar o resto dos meus dias rezando para que Deus tenha misericórdia de nossas almas e perdoe os seus pecados. -- o rapaz encarou a mãe por alguns segundos, os olhos cinzas repletos de lágrimas, e por fim decidiu se retirar.
Zaya parecia transtornada, o olhar perdido indo de um lado para o outro.
-- Soldado, acompanhe a rainha até os seus aposentos e a mantenham em vigilância. -- anunciou a princesa -- Em duas horas a carruagem que a levará até o porto estará aguardando nos portões oeste.
O homem segurou Zaya pelos braços e começou à puxá-la em direção à porta. Apenas quando passou por Cecilie que a mulher saiu de seu torpor.
-- Espere! -- ela puxou o braço levemente, que o soldado não soltou -- Por favor. -- a mulher buscou o olhar do homem que um dia fora seu marido, e no cinza de suas íris só encontrou ódio e repugnância -- Me desculpe, Abenforth. Você sempre fez o necessário pela sua verdadeira família. Eu só fiz o mesmo pela minha. -- deu de ombros -- E você, Cecilie... eu nunca quis prejudicá-la, precisa acreditar quando eu digo que sinto muito por tudo que aconteceu com você.
-- Estranhamente eu acredito, Zaya. Mas se deseja a paz de espírito do meu perdão, você jamais o terá. Minha cota de consideração para com você está encerrada. Quanto à sua filha, caso um dia ela deseje, será bem vinda para retornar à viver em minha corte. Sem sua presença, claro.
Zaya reagiu às palavras da princesa com um discreto aceno e, depois, encarou o sobrinho.
-- Espero que seja feliz com a vida que escolheu, Thomas.
-- Eu já sou, tia. -- o duque garantiu ao entrelaçar a mão com a de sua noiva -- E, apesar de tudo, espero que encontre a felicidade também. Ou pelo menos algo próximo disso.
A mulher respirou fundo, endireitou a coluna e ocultou toda a dor que um segundo antes estava estampada no castanho de seus olhos.
-- Muito bem, que assim seja. Eu lhe desejo uma boa vida, alteza. -- disse se dirigindo à Cecilie, o gosto amargo da palavra dominando sua boca-- Me despeço de vocês.
Nenhum dos três se deu ao trabalho de responder e ficaram apenas ali, estáticos e silenciosos observando-a sair tão pomposamente quanto havia entrado. Alguns minutos se passaram e ninguém teve coragem de romper a quietude que se instalou enquanto todos absorviam os acontecimentos daquela tarde. Por fim, já inquieto, foi Thomas quem rompeu aquela pesada calmaria após a tempestade.
-- E agora, Cecilie? -- perguntou seriamente.
A princesa levantou as mãos deles que ainda estavam unidas e beijou-lhe os dedos, que pela primeira vez estavam tão frios quanto os seus próprios.
-- Agora nós reinamos.
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