Capítulo 74 - "Só você"

A reunião do Conselho estava sendo mais demorada do que a princesa imaginou. Ela se sentou ao lado esquerdo do rei, já que o direito era o lugar do príncipe herdeiro. Ali, ela repetiu a história que contou ao pai momentos antes, sendo constantemente interrompida pelos lordes que não paravam de fazer perguntas tolas e sem sentido, pedindo mais e mais detalhes. Esforçou-se a ser educada e paciente, até que captou uma insinuação de lorde Mason que a tirou do sério.

-- O senhor gostaria de marchar até a praia e procurar o corpo de William dentre as cinzas da pira funerária, milorde? -- perguntou com acidez, sua voz soando mais alta que as demais após ouvir a sugestão do homem que disse que William poderia ter-se fingido de morto e fugido.

     Claro que ele não havia dito aquilo tão claramente, mas ao contrário das tolas mulheres com as quais ele certamente convivia, Cecilie compreendia perfeitamente sarcasmo, ironias e palavras difíceis. E lorde Mason percebeu aquilo rapidamente, corando até um tom arroxeado quando ouviu a pergunta da princesa.

-- Milady, eu certamente não quis dizer que...

-- Suas palavras exatas ditas, no que você presume ser um sussurro, para lorde Venris foram: o pior homem que já pisou nestas terras foi derrotado por uma mulher, onde já se viu. Mestre Willk agora deve se chamar mestre prófugo, isso sim. -- ela encarou um a um conforme a sala era dominada por um súbito silêncio -- O senhor confirma tais palavras, lorde Venris?

     O homem engoliu em seco e confirmou com um aceno, fazendo Mason ficar ainda mais roxo e inquieto. Entretanto erroneamente, o homem encarava o rei, presumindo que devia desculpas à ele.

-- Majestade, eu certamente não quis dizer que...

-- Que minha filha esteja mentindo? -- Abenforth, que parecia dividido entre furioso e divertido, trocou um olhar silencioso com a princesa que dizia claramente "isso é com você".

-- Eu... temo que não tenha me expressado adequadamente. -- o homem retirou um lenço de algodão do bolso, e nervoso, passou a enxugar a testa suada -- O que quis dizer foi que...

-- Lorde Mason! -- Cecilie o interrompeu com um sorriso violento que o fez se contorcer na cadeira, se levantou e apoiou as duas mãos na mesa de mogno -- Por favor, não insulte minha inteligência tentando se explicar. O senhor já me insultou o suficiente acusando-me de mentirosa.

-- Milady, eu...

-- Já basta disso! -- bateu uma mão na mesa -- Se é a palavra de um homem que quer, então a terá. Guardas! -- chamou e prontamente dois soldados adentraram a sala -- Tragam Podrick e alguns Rangers aqui, imediatamente.

     Os homens saíram às pressas após uma curta reverência, e o silêncio que se fez após a porta ser fechada com força foi ensurdecedor.

-- Meu rei, isso certamente não é necessário. Foi... uma piada. -- riu nervoso -- Uma piada de mau gosto, apenas isso.

     Cecilie olhou para o pai, que manteve-se calado. Christopher, por sua vez, parecia aturdido e alerta, observando a reviravolta da reunião com atenção renovada.

-- O senhor vê alguém rindo, lorde Mason? -- perguntou o príncipe.

-- Meu príncipe... meu rei... minhas mais sinceras desculpas. -- pediu em voz trêmula, os olhos nervosos pulando de um homem ao outro.

-- Não foi à nos que o senhor ofendeu, milorde. -- Christopher esclareceu seriamente -- Portanto, não é a nós que deve desculpas.

     A princesa sentia cada vez mais vontade de pular sobre aquele homem e socar-lhe a fuça repetidas vezes, mas conteve-se. Mason acenou uma afirmativa e a encarou, desconfortável. Engoliu em seco e, quando abriu a boca, a porta da sala foi escancarada.

-- Meu rei! -- cumprimentou Podrick, o líder dos rangers, com uma reverência -- Já estávamos no castelo aguardando um momento para passar nossos relatórios quando fomos chamados.

     Atrás dele três homens entraram, os olhares um tanto curiosos direcionados à princesa que tinha uma postura um tanto hostil direcionada ao homem ruivo que estava cada vez mais aflito.

-- Podrick! Fui eu quem mandou chamá-los. -- anunciou a princesa -- Estamos com um problema infeliz, senhores. Lorde Mason aqui -- apontou o homem, que engoliu em seco, visivelmente apavorado -- Está duvidando de meus relatos. Acaso poderiam informá-lo quem foi o responsável pela morte do mestre da Irmandade?

-- Foi a senhorita, alteza. -- confirmou Podrick.

     Cecilie sorriu como um predador na direção de Mason, que parecia se encolher na cadeira.

-- E depois, Podrick, quem arrastou o corpo dele até a pira funerária que acendemos?

-- Fui eu, princesa. -- um dos soldados deu um passo à frente.

-- Pode nos dizer seu nome, soldado? -- pediu o rei.

-- Caius, majestade. -- informou o homem com uma reverência.

-- Caius, o senhor por acaso viu algum dos corpos se levantar da pira funerária e fugir correndo? -- a princesa perguntou em tom de zombaria.

-- O que...? -- o soldado pareceu um tanto confuso pela pergunta, mas se apressou à responder -- Não, princesa. Os mortos permaneceram mortos.

-- Sim, eles permaneceram. -- ela cruzou os braços -- Obrigada pela colaboração de vocês.

     Os quatro homens fizeram mais uma reverência, mas permaneceram em seus lugares, hipnotizados pela mulher que caminhava até o ruivo que se contorsia na cadeira. Os passos dela lembravam os de um felino que encurralava a presa, prestes à jantá-la.

-- Está satisfeito agora, lorde Mason? -- sua voz saiu doce, mas aquilo não teve o efeito de esconder sua ira, pelo contrário. De alguma maneira, aquela doçura a tornou mais ameaçadora -- Agora que um homem lhe disse o mesmo que eu disse, o senhor será capaz de acreditar que eu enfiei uma adaga no peito de William e o matei?

-- Lady Cecilie... -- começou nervosamente mas foi interrompido

-- Papai, imagino que esteja na hora de tornar pública as condições de meu nascimento, o senhor concorda?

     O rei se levantou de sua cadeira e após encarar um por um de maneira ameaçadora - o que a princesa não viu pois mantinha os olhos no ruivo trêmulo à sua frente - anunciou em voz alta.

-- Ao contrário do que as más línguas dizem, senhores, minha filha Cecilie não é uma bastarda. Ela nunca foi. Cecilie foi legitimada assim que nasceu, portanto é tão princesa quanto meu filho Christopher.

     Estavam todos tão hipnotizados pelo desenrolar daquela cena, que nem notaram o rei deliberadamente deixar de lado sua caçula, Crystal. Levou alguns segundos até que a informação fosse absorvida por todos os lordes, já que os Rangers tinham conhecimento daquile fato pelo breve discurso dela após o fim da batalha. E então Mason se levantou tentando mostrar uma calma que certamente não sentia.

-- Lady Cecilie, eu insisto que...

-- O senhor não ouviu o pronunciamento de seu rei? -- o interrompeu duramente mais uma vez -- Dirija-se à mim corretamente, senhor.

-- A-alteza... -- engoliu em seco compulsivamente -- Minhas mais sinceras desculpas. Eu não quis duvidar de suas palavras, apenas...

-- Guarde suas desculpas para alguém que se importe com elas. Lorde Mason, eu o aconselho à tomar muito, muito cuidado com o que diz em minha presença à partir de hoje.

      Mason acenou em compreensão, baixou os olhos e sentou-se silenciosamente. Cecilie passou sua atenção sobre cada um dos homens à mesa, não deixando de notar o sorriso de escárnio de Caius que parecia se divertir muito com a maneira como ela agia ao ter sua autoridade e confiabilidade questionadas.

-- Mais algum dos senhores tem problema em acreditar nas palavras de uma mulher? -- todos se apresaaram a balançar a cabeça negativamente -- Ótimo. Vamos continuar, então.

     A princesa Cecilie retornou ao seu assento graciosamente e se sentou, dando seguimento à reunião - que não foi mais interrompida por ninguém.

      Quando tudo terminou, Cecilie estava furiosa demais para se despedir adequadamente de seu pai, seu irmão ou qualquer outro. Portanto ao se aperceber de que a reunião fora encerrada pelo rei, ela se levantou e se retirou silenciosamente. Entretanto não foi discreta o suficiente pois, já do lado de fora, Caius a impediu de fugir.

-- Princesa! -- ele a chamou -- Um momento, por favor!

     Ao ouvir o chamado, a mulher estancou seus passos apressados e virou-se para traz para encará-lo.

-- Sim?

     O soldado a alcançou e parou à sua frente, trazendo um sorriso travesso nos lábios.

-- Eu só queria dizer que foi admirável a forma como a senhorita deu uma lição naquele homem.

-- Talvez eu tenha pegado um pouco pesado, você não acha? Deveria ter deixado o rei cuidar da situação. -- permitiu-se ser sincera com o homem, pois confiava nele. Haviam lutado juntos, afinal.

-- Não, a senhorita fez o que era preciso. Esses idiotas precisam aprender a aceitar mulheres no comando.

-- Obrigada, soldado.

-- E se quiser, princesa... eu estou disponível para cumprir qualquer ordem que quiser. -- a voz dele caiu algumas oitavas, tornando-se rouca e sensual -- Quero atender quaisquer necessidades de minha princesa.

     Cecilie sentiu-se subitamente alerta e excitada. Não por aquele homem em particular, mas sim pela percepção de que era desejável. Aquilo fazia maravilhas com a auto estima de qualquer mulher. Entretanto, também ficou tensa e desconfortável com a situação pois queria a lealdade daqueles homens, não seu interesse romântico, ou mesmo sexual.

-- Está flertando comigo, soldado? -- perguntou em voz baixa e vazia.

-- Só se a senhorita quiser que eu esteja, alteza. -- deu-lhe uma reverência submissa -- A senhorita quer?

     Antes que a mulher pudesse responder, uma voz trovejante o fez por ela. Thomas surgiu vindo calmamente do corredor à sua direita, de onde ela havia visto que estava escorado silenciosamente, esperando-a sair da sala de reuniões. Seu noivo a alcançou e passou o braço possessivamente em sua cintura, um olhar divertido ao encarar Caius, que mudou sua postura de ousado para desconfortável em meros segundos.

-- Não, ela não quer. -- ele garantiu firmemente.

-- Recruta Zero. -- Caius o cumprimentou com um aceno e um olhar rancoroso ao ter seu flerte interrompido.

-- Creio que eu possa falar por mim mesma, Thomas. -- ela disse suavemente, na tentativa de acalmar os feromônios masculinos que pareciam prestes à entrar em ebulição.

-- Perdoe-me, querida. -- ele pegou sua mão direita - a que estava com o anel - e a levou aos lábios. Thomas então a encarou profundamente e beijou-lhe a pele fina da parte interna do pulso -- É claro que pode falar por si mesma.

      Calor começou a crepitar em seu corpo ao mergulhar no castanho dos olhos de seu noivo, a intimidade que viu ali, a diversão, o amor e a confiança. Sorriu para Tom e baixou a mão, mantendo-a unida à dele, voltando a atenção à Caius que parecia apenas ligeiramente envergonhado.

-- Suas palavras tiveram duplo sentido, então eu responderei as duas formas de interpretação para que não haja nenhum mal entendido entre nós. Romanticamente as minhas... necessidades já estão sendo atendidas. Quanto aos assuntos do reino, soldado, sua lealdade me é de muito valor. E espero que continue intacta, pois eu e o reino certamente precisaremos de seus ótimos serviços no futuro.

-- Peço desculpas pelo meu atrevimento, princesa. -- deu-lhe uma profunda mesura, já se preparando para sair -- Vossa graça.

-- Ora, não há problemas, Caius. -- o duque lançou um sorriso de canto para o homem -- Não posso culpá-lo por tentar. -- encarou a amada, despindo-a com os olhos -- Em seu lugar eu faria o mesmo.

     O soldado Ranger apenas acenou brevemente e virou-se de costas, saindo dali apressadamente. O casal permaneceu observando o homem, até que ele desapareceu para dentro da sala de reuniões novamente.

-- Isso foi... -- ela começou, mas sua fala se perdeu quando Thomas começou a gargalhar ruidosamente.

     Cecilie o encarou, levemente aturdida, mas logo começou a rir também.

-- Eu me perguntava quanto demoraria até que eles começassem a investir em você. Eis a minha resposta.

-- Você imaginava que isso aconteceria? -- perguntou verdadeiramente surpresa.

-- É claro que sim, você não?

-- Não!

     Sua imediata recusa o fez cessar o riso e franzir as sobrancelhas. Então o duque se aproximou ainda mais de sua noiva, o olhar mudando de divertido para faminto conforme segurava sua cintura com as duas mãos e a arrastava até a parede mais próxima, pressionando-a contra seu corpo.

-- Então é uma tola, isso que é! -- sua voz foi baixa e melodiosa -- Você é uma mulher linda e sensual numa posição de poder, no meio de dezenas e mais dezenas de homens. Caius foi apenas o primeiro de muitos que certamente tentarão se aproximar.

     Oh, céus... se o mundo acabasse naquele momento ela não perceberia, pois tudo o que via, tudo o que importava, era o calor do corpo de Thomas junto ao seu.

-- E você está bem quanto à isso? -- sussurrou.

-- É claro que sim. -- garantiu solene, puxou sua mão direita e a levantou à fim de mostrar o anel, dando de ombros -- Eu fui mais rápido que todos eles, afinal.

-- Idiota! -- a princesa usou a mesma mão para esbofeteá-lo enquanto sorria, encantada.

-- Falando sério agora... -- ele a segurou, impedindo-a de continuar sua leve agressão. A mulher cessou seu ataque e o encarou atentamente -- Cecilie, creio que este seja o momento perfeito de firmarmos um acordo.

-- Que tipo de acordo? -- estreitou os olhos em desconfiança.

     O duque sorriu de canto, aquele típico sorriso cafajeste e devasso, se aproximou de seu ouvido e falou baixinho.

-- Seremos um casal monogâmico, certamente, mas... se um dia desejar convidar alguém para nossa cama, eu estarei aberto à novas experiências se você também estiver.

     Cecilie arfou com aquelas palavras, e sentiu sua intimidade umedecer imediatamente. Seu coração acelerou ao imaginar-se com dois homens em sua cama, acariciando-a... lambendo-a... fodendo-a.

-- Thomas... -- ela gemeu e se contorseu, perguntando-se se ele realmente falava sério.

-- A única coisa que exijo é que essa boceta seja apenas minha. -- suas palavras agora foram rosnadas, quase violentas -- Exijo que apenas a minha semente entre nela, para que nunca haja duvidas quanto à paternidade de nossos filhos. Mas, pessoalmente, acho que eu adoraria vê-la chupando alguém enquanto eu me acaricio. -- um gemido escapou dos lábios da princesa, que se sentia cada vez mais quente, fervendo em luxúria -- Ou então sentir seus lábios ao redor do meu pau enquanto outro homem fode seu rabo.

-- Thomas... -- gemeu mais uma vez, e se inclinou para frente a fim de lamber e morder o pescoço dele.

-- Isso a excita, não é, princesa? -- o duque mordeu o lóbulo de sua orelha com uma suavidade que desmontou por completo o restante de seu auto controle -- Você quer outra pessoa em nossos lençóis?

-- Agora não, Thomas... só você... por favor -- ela nem se lembrava mais que estava no meio do corredor do castelo, em plena manhã. Nada mais importava apenas a crescente necessidade de ser preenchida por ele.

-- Boa garota. -- o noivo a beijou no pescoço, bem abaixo de seu ouvido, e ela pôde sentir o sorriso dele contra sua pele -- Eu vou cuidar de você, amor. -- a beijou novamente -- Lembra-se do que eu disse sobre treparmos em cada canto do castelo? Há uma alcova no terceiro andar, oculta por uma grande e pesada tapeçaria. Vamos começar por lá, agora mesmo.

Gente, desde que essa história surgiu na minha cabeça, Cecilie e Thomas se mostraram um casal muito quente e livre. Então isso não é uma coisa que joguei do nada, tá? 🖤

Eles são perdidamente apaixonados um pelo outro, mas não se importam em chamar outras pessoas pra se divertir junto deles, o que acham disso?

Cecilie vai ceder à essa curiosidade que Thomas acendeu nela?? 🔥

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