Capítulo 69 - "Já viu pessoalmente o quanto é difícil me matar"
Oie meu amores! Precisei correr pra avisar vocês que SIM, MEU POVO, eu acabei de finalizar a escrita de "Predestinados" 🎉🎊
Tô aqui num misto de alívio, orgulho e luto! Nem um pouco pronta pra desapegar dessa história!
E quero perguntar uma coisinha: preferem que mantenho o padrão de 2 capítulos por semana?
Ou posto tudo assim que der pra vcs mergulharem numa maratona com a Cecilie e o Thomas?
Me digam nos comentários 🙏🖤 boa leitura!
O último dia de cavalgada foi deveras desconfortável para Cecilie. Sua intimidade estava inchada e dolorida, e latejava no ritmo dos trotes do cavalo. A cada vez que tentava se ajeitar na cela, procurando uma posição que fosse menos incômoda, via Thomas abrir um sorriso largo e irritantemente convencido. Na primeira vez ela revirou os olhos e fingiu estar aborrecida. Mas aquele sorriso era tão exuberante e levava aos olhos castanho dourados uma luz tão límpida e alegre que, nas vezes seguintes, ela apenas sorriu junto dele. As trocas de olhares foram íntimas, ambos imersos em lembranças dos momentos quentes da noite anterior e mesmo dolorida Cecilie ansiava pelo cair da noite para tê-lo dentro dela mais uma vez, agora em uma cama no castelo.
--Se desejar, vossa alteza pode seguir viagem à galope a partir daqui. -- Podrick interrompeu seus pensamentos -- Chegará à Cidade Real em uma hora sem a comitiva para atrasá-la, minha lady. Tenho certeza de que isso fará sua majestade muito feliz.
Cecilie virou-se ligeiramente e olhou por sobre o ombro, franzindo as sobrancelhas pela ardência entre suas pernas, e observou os soldados que seguiam atrás. Estavam abatidos, cansados e ligeiramente emagrecidos, e no ritmo em que estavam a viagem duraria pelo menos mais duas ou três horas. Já passava do meio dia, e vislumbrar a oportunidade de chegar ao conforto do castelo em uma hora lhe foi atrativa, entretanto era inaceitável.
-- Eu prefiro acompanhar a comitiva, senhor Podrick. -- recusou a oferta -- Chegaremos todos juntos à Cidade Real.
-- Como quiser, alteza. -- baixou a cabeça numa reverência, mas a mulher percebeu um sorrisinho de aprovação curvar seus lábios.
Durante todo o percurso desde o ápice do final da batalha na praia, o líder dos Rangers constantemente a testou. Fossem com comentários cheios de duplo sentido, ou questionando suas ordens, sua autoridade e sua mente estratégica. Apenas no segundo dia ela percebeu o que ele estava fazendo, e desde então abandonou a raiva que estava adquirindo daquele homem. Ele estava apenas avaliando se a princesa era capaz de lidar com as responsabilidades que estava tomando para si, estava protegendo seus homens de alguém que ainda não conhecia. Cecilie verdadeiramente o admirou por isso, e sentia-se bem a cada sinal de aprovação que recebia do velho homem pois não queria obediência cega, queria lealdade inquebrável. E era esse tipo de relação que esteve construindo nos últimos dias. A princesa fez questão de conversar com cada homem ali presente, perguntar seus nomes e dedicar-lhes alguns minutos de atenção. Não foi unicamente por seus interesses, ela realmente os dava o valor que mereciam. Afinal, não teria vencido a guerra sozinha nem em um milhão de anos. Então, que mal fazia unir o útil ao agradável?
Como estavam nos últimos quilômetros do caminho, optaram por não fazer parada. O rio estava longe, afinal, para dar de beber aos cavalos. E o pôr do sol chegaria em quatro horas, talvez menos. Quando as muralhas de contenção tornaram-se visíveis no horizonte, todos expiraram aliviados. Cecilie bateu os calcanhares em sua montaria, acelerando o trote para um leve galope, e todos fizeram o mesmo. A muralha foi aumentando de tamanho, e quando estavam alcançando os acampamentos reais - quase vazios pois a maioria dos soldados do rei estavam espalhados pelo reino devido à guerra - o porta bandeiras soou a trombeta. Uma vez, duas vezes. O sinal de um exército retornando. Três vezes. O sinal da vitória. Os poucos homens alojados nas barracas ao redor da muralha saíram para fora na intenção de vê-los regressar, e quando a trombeta soou a terceira vez, eles gritaram em comemoração. Cecilie sentiu os pêlos de seu braço arrepiarem, sentiu lágrimas queimarem seus olhos. Viu um jovem rapaz, de talvez quinze anos, se ajoelhar no chão e levantar as mãos ao céu em sinal de gratidão. Mais adiante, viu um senhor calvo abraçando com força um homem que parecia uma versão mais nova dele mesmo, sem dúvida seu filho ou neto.
Um bem estar arrebatador dominou seu peito, inundando-a de alívio. Ela havia remediado seus erros, pagado o preço de seus pecados. Cecilie fez sua parte para acabar com a guerra, e a paz reinaria enfim. Sua dívida estava paga. Quando alcançaram os portões de madeira, estes já estavam abertos esperando pela passagem da marcha vitoriosa. Atravessaram as ruas da Cidade Real que os levaria até o castelo, e a população já estava lotando o caminho, saudando-os efusivamente. Mulheres balançavam seus lenços, idosos tinham as mãos unidas em preces silenciosas e crianças corriam para lá e para cá, divertindo-se na algazarra sem nem compreender direito a dimensão do que acontecia ao redor de sua inocência. Ao ver alegria tão genuína, uma lágrima lhe escapou. No meio da multidão extasiada, viu rostos surpresos por vê-la entre aqueles homens. Amaldiçoou William mentalmente por ter sido tão cruel ao fazer com que acreditassem que estava morta. Decidindo fazer-se mostrar totalmente viva, a princesa acenou para a multidão que se aglomerava ao redor deles. Todos corresponderam, ainda chocados e confusos, mas a alegria era tanta que não se importaram muito com aquilo.
Por fim encontraram o segundo portão de madeira - aquele que protegia o castelo - e este também já estava aberto. Ao contrário da balbúrdia e tumulto que fora a cidade, o pátio do castelo estava calmo e silencioso. No chão, os criados se apinhavam para ver a comitiva chegar. Os soldados presentes estavam em posição de sentido, enfileirados nos degraus ao pé da grande escadaria. Pouco acima deles, os nobres hospedados no castelo aguardavam atentamente que o exército chegasse. No topo dos degraus, a família real estava imóvel, encarando os portões. Quando Cecilie os atravessou, viu a rainha e o príncipe empalidecerem como se estivessem presenciando a manifestação de um fantasma. Mas o rei... seu pai arregalou os olhos e permaneceu estático, parecendo completamente atordoado. A mulher liderou a comitiva na volta que fizeram ao redor do pátio, e parou seu cavalo ao pé da escadaria. Rapidamente um soldado se apressou à ajudá-la a desmontar, e ela aceitou a ajuda devido ao corpo dolorido de seus atos libidinosos somado aos tantos dias de dura viagem.
Em todos os rostos viu o assombro estampado, mas para tranquilizá-los a princesa sorriu amigavelmente e cumprimentou um a um com um aceno de cabeça conforme subia os degraus. Junto dos cochichos abafados que começavam a preencher o ambiente, ouviu os passos de Thomas e Podrik atrás de si, mas nenhum ousou tomar a dianteira ou se aproximar demais. Aquele pareceu ser o seu momento. Quando alcançou o topo, ficou frente à frente com seu pai e ambos apenas se encararam por alguns segundos. Abenforth tinha as sobrancelhas franzidas e os olhos úmidos denunciavam a dor e tormento que viveu nos últimos dias. Cecilie sorriu para seu pai, um sorriso pequeno, discreto. Um pedido de desculpas por ter feito o que fez.
-- Olá, papai. -- cumprimentou baixinho, a voz rouca e embargada.
O rei levantou uma mão trêmula e acariciou sua bochecha com as pontas dos dedos frios. As íris azul acizentadas deslizando por seu rosto enquanto o homem tentava compreender que aquilo não era um sonho, que era real e que a filha estava verdadeiramente ali.
-- Eu a perdi de novo... -- o pai murmurou tão, mas tão triste, que Cecilie se amaldiçoou por tê-lo feito sofrer tanto -- Duas vezes eu a enterrei, minha menina.
A princesa levantou a mão e segurou com força a do pai, que ainda acariciava seu rosto, e deitou a cabeça aproveitando a totalidade daquele contato.
-- Não era eu, pai. -- explicou -- William só quis atormentá-lo. Ele enviou o corpo de uma pobre coitada que teve a infelicidade de ser parecida comigo. -- ainda assim Abenforth pareceu hesitante, então a mulher lentamente se aproximou e o abraçou com força, deitando a cabeça em seu peito.
Aos poucos o corpo tenso do rei relaxou e ele retribuiu ao abraço com ímpeto, segurando a filha com tamanho desespero que Cecilie parecia ser o único ponto seguro no meio de um terremoto ou vendaval.
-- Eu não serei capaz de perdê-la de novo, Cecilie... -- Abenforth soluçou -- Algo dentro de mim insistia que minha filha estava viva, mas o que meus olhos viram anunciava o contrário. Eu não sabia em que acreditar, estava quase enlouquecendo, eu...
-- Está tudo bem, papai... -- o acalmou, passando a mão pelas costas do rei o acalentando -- Eu estou aqui agora, para sempre. A guerra acabou e Wlliam está morto. Conquistamos a paz.
Abenforth interrompeu o abraço afastando-se ligeiramente, mas manteve as mãos em seus ombros.
-- Está ferida? -- perguntou preocupado, a voz agora mais firme com suas emoções sob controle.
-- Não, senhor. -- sacudiu a cabeça em negativa -- Estou bem.
Abenforth acenou e a puxou para mais um abraço, sussurrando um eu te amo que Cecilie respondeu imediatamente. Os dois queriam permanecer ali, nos braços um do outro por mais tempo transbordando o puro amor que sentiam, mas não seria possível. Pelo menos, não naquele momento. Afinal Abenforth era o soberano de uma nação, e Cecilie a princesa que retornou da morte duas vezes, e tanto o pai quanto a filha tinham obrigações à cumprir. Então se separaram e Thomas chegou para cumprimentar o rei, depois de ter sido efusivamente abraçado pela rainha, que tinha o rosto vermelho e os olhos marejados. Cecilie, por sua vez, buscou seu irmão com o olhar e surpreendeu-se ao notar que ele já se encaminhava até ela para cumprimentá-la, o que fez com um desajeitado e tímido abraço.
-- Você é mais dura na queda do que jamais imaginei ser possível, Cecilie. -- zombou o rapaz ao se afastar do contato.
-- Essa segunda recepção foi bem melhor do que a primeira, Christopher. -- riu-se ao relembrar o passado não tão distante deles -- Me agrada muito que, desta vez, não deseja me enviar diretamente para uma cela fétida.
-- Oh, não se iluda... Meu desejo sempre foi enviá-la para a guilhotina, irmã. -- piscou para ela, que gargalhou abertamente -- Mas eu não posso fazer isso com nossa heroína de guerra, posso?
-- Não, isso certamente não seria nada sábio! Além do mais, você já viu pessoalmente o quanto é difícil me matar... -- mudou seu olhar para até um certo ponto cinzento ao fundo, onde a rainha os observava atentamente -- Não é mesmo, Zaya?
A mulher se surpreendeu ao ser abruptamente inserida na conversa, mas não demonstrou tal espanto por muito tempo. Quase no mesmo instante que seus olhos se arregalaram, um sorriso plácido surgiu em seus lábios e ela se encaminhou até a princesa a fim de cumprimentá-la. Seu elegante vestido cinza, quase prateado, farfalhou com os passos delicados e o abraço breve que trocaram deixou a princesa absolutamente rígida e desconfortável. Estava com a assassina de sua mãe entre seus braços, e seu instinto selvagem implorava para subjugar a mulher e quebrar seu pescoço ali, diante de todas aquelas pessoas. Entretanto, havia muito mais do que vingança em jogo e o que Cecilie fez, na verdade, foi sorrir amavelmente quando se afastaram.
-- Cecilie é uma sobrevivente. -- a rainha anunciou com admiração -- Seja bem vinda de volta, querida.
A princesa acenou em agradecimento às boas vindas, e logo sentiu uma mão no meio de suas costas. Abenforth a puxou delicadamente até a frente da multidão que assistia fascinada a interação da família real, e em voz trovejante anunciou.
-- Que os sinos repliquem por duas horas em todas as cidades do reino, levando a mensagem de que tempos de paz chegaram para todos nós! -- sorrisos começaram a se abrir no rosto de todos, o alívio e alegria estampados em cada um -- A Irmandade das Sombras foi derrotada!
O silêncio após as últimas palavras fora brutal. Mesmo sendo motivo de comemoração e alegrias, aparentemente ninguém se sentia inclinado à festanças. O clima parecia fúnebre, Cecilie teve a certeza de que cada um ali lamentava a morte de pelo menos um ente querido, senão de toda sua linhagem. Percebeu que, mais do que comemorar o fim de uma guerra, seu povo precisava se despedir com honra dos que pereceram vítimas das maldades inimigas.
-- Em nome dos soldados que perdemos na batalha da Baía do Porto, e em nome de todos os cidadãos que tiveram sua vida injustamente ceifada pela ambição suja de William, eu peço, majestade, por uma celebração em homenagem aos mortos. -- disse ao pai, numa voz um pouco mais alta que o normal para que a maioria dos presentes a escutassem.
O rei lhe sorriu carinhosamente e em seu olhar faíscou uma pontinha de admiração. Ele acenou em concordância, e mais uma vez se virou para o público que os encarava com atenção.
-- Na intenção de honrar nossas percas, em três dias realizaremos uma comemoração. Anunciem que os portões serão abertos para a população, e que venham homenagear os seus. Balões de fogo subirão aos céus levando os nomes daqueles que foram duramente tirados de nós.
Durante o discurso do rei, a princesa encarou um a um de seus soldados. Viu no rosto daquele que havia perdido o irmão na batalha final o brilho da saudade, e também do orgulho ao presenciar a honra que seu irmão merecia lhe ser destinada. Viu os rostos acenaram em concordância, os olhares vagos em lembranças, os ombros curvados pelo peso do vazio. A guerra sempre é difícil, mas quando ela acaba a paz deixa as pessoas em pedaços.
-- Estão dispensados. -- finalizou o rei e virou-se para adentrar o castelo trazendo Cecilie consigo, as mãos agora nos ombros dela como se temesse que a filha evaporasse numa nuvem de sonhos e alucinações.
As portas duplas de entrada foram abertas e a família real entrou, sendo seguida pelos nobres hospedados no Palácio. Uma vez lá dentro, o cansaço se apossou da princesa que se sentia cada vez mais exausta conforme várias pessoas que não conhecia se aproximavam para cumprimentá-la e parabenizá-la por sua extrema bravura. Procurou Thomas dentre os rostos desconhecidos, e o encontrou conversando com seu pai.
-- Poderia me dar licença? -- pediu educadamente para a senhora que tagarelava sobre a cor exótica de seu cabelo, e como aquela tonalidade combinava com sua pele.
A mulher silenciou imediatamente e lhe proferiu uma reverência, parecendo satisfeita consigo por ter feito a proeza de alugar os ouvidos da princesa por três minutos inteiros com suas baboseiras. Cecilie seguiu até os dois homens, que ao vê-la interromperam a conversação.
-- Precisa de um relatório agora, ou posso me retirar para descansar um pouco? -- perguntou ao pai, lançando um olhar de súplica que deixava claro que esperava que ele a liberasse.
-- Já pedi que lhe preparassem um banho, pode subir e se recompor, filha. -- pegou sua mão e a beijou carinhosamente, mantendo-a segura entre as suas -- Acha que consegue nos acompanhar no jantar?
-- Eu ficarei feliz em acompanhá-lo no café da manhã, papai. -- tentou não soar dura em sua negativa -- Estamos realmente muito cansados, a viagem foi dura conosco, não é mesmo, Thomas?
-- Sim, é claro. -- confirmou efusivamente.
-- Muito bem, pequenina. Só me resta desejar-lhe uma boa noite de sono. -- beijou sua mão mais uma vez, e então a soltou -- Poderemos discutir os últimos acontecimentos depois da refeição da manhã?
-- Sim, senhor. -- ela concordou, deu um passo à frente e plantou um beijo na bochecha do pai -- Boa noite.
-- Tenha bons sonhos, filha. -- Abenforth pareceu emocionado com a atitude da filha, e despediu-se com mais um aceno de cabeça e seguiu até Christopher que estava conversando com um lorde que ela não conhecia.
Cecilie virou para Thomas que parecia levemente surpreso, os olhos castanho dourado um tanto confusos. Lhe lançou um meio sorriso e deu-lhe as costas, rumando até seus aposentos. Antes mesmo que tomasse o corredor, o homem já estava ao seu lado.
-- O que foi que eu perdi, Cecilie? -- perguntou curioso.
-- Muitas coisas. -- respondeu vagamente.
-- Vocês se acertaram? Por que não me disse?
Virou-se para ele, agarrando seu colarinho e o puxou para perto. Encarou seus olhos profundamente e sentiu o hálito quente e masculino em seu rosto. A princesa sentiu que se não o beijasse naquele instante, ela morreria. Então o fez. Deu-lhe um beijinho casto e delicado, um roçar de lábios que era a ternura traduzida num ato.
-- Venha ao meu quarto depois de seu banho, que eu lhe contarei tudo. -- sussurrou com os olhos ainda fechados, os sentidos sensoriais aproveitando a proximidade.
-- Essa é sua tática para me seduzir? -- ele tocou seu nariz no dela, uma, duas vezes -- Me deixar curioso ao ponto de ir sorrateiramente ao seus aposentos reais em busca de respostas?
-- Eu não preciso de táticas para te trazer ao meu quarto, Thomas. -- abriu os olhos e o encarou, abrindo um grandioso sorriso convencido -- Se não for aos meus aposentos essa noite, então eu irei até o seu.
A princesa deu de ombros suavemente e o soltou, seguindo ao seu destino em passos firmes, ouvindo uma leve gargalhada atrás de si que aqueceu seu coração já tão maltratado. Quando adentrou seu cômodo particular, foi violentamente atacada por uma criatura selvagem numa profusão de cabelos escuros.
-- Achei que nunca mais a veria de novo! -- Salete murmurou em voz chorosa, os braços trêmulos ao redor da princesa enquanto a abraçava com toda a força.
-- Oh, minha amiga... -- Cecilie sentiu os olhos queimarem com as lágrimas que tentavam abrir caminho.
A mulher pensou em algo a dizer, queria confortar Lete ou até mesmo fazer piada da situação, mas não foi capaz. Nos braços da amiga Cecilie finalmente permitiu-se libertar todo o medo que sentiu nos últimos meses, toda a angústia que a consumiu dia após dia quando estava ignorante quanto aos verdadeiros planos de Willk e tinha certeza da finitude imediata de sua vida. Ela correspondeu ao abraço e chorou, e chorou até as lágrimas cessarem por conta própria. Conteve tal explosão de alívio com Thomas pois sabia que o homem se sentia culpado pela sua captura, e não poderia fazê-lo se sentir ainda pior. Mas com Salete, Cecilie pôde liberar todos aqueles sentimentos que a consumiram nos últimos meses. Quando suas lágrimas cessaram e seu peito tornou-se leve, afrouxou o abraço e afastou-se da amiga que lhe sorria carinhosamente.
-- Ande, senhorita! -- Salete disse enquanto limpava as lágrimas que umedeciam seu rosto, enquanto Cecilie fazia o mesmo -- Vá para seu banho, a água deve estar esfriando!
-- Sim, sim, estou indo! Enquanto me limpo, peça que nos tragam o jantar! Quero que me conte tudo o que aconteceu enquanto estive fora.
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