Capítulo 58 - "Seus instintos estão afiados"



Cecilie sabia que Thomas estava vivo no momento em que viu seus cabelos envoltos naquele pano arroxeado, entretanto precisou anunciar que ele estava morto para evitar que o rei decidisse guerrear com a Irmandade abertamente. Podia apostar que estavam sendo observados, e caso o pai colocasse os exércitos em marcha, aí sim o duque seria assassinado. Aqueles fios castanhos eram um convite e o tecido onde foram embrulhados eram a localização, e Willk sabia que apenas sua melhor soldado compreenderia os sinais que aquela mente doentia lhe enviaram. Sendo assim, ela agiu da melhor forma que pôde para não levantar nenhuma suspeita. O que foi extremamente difícil, pois a dor paralisante que sentiu ao ter a certeza de que Thomas havia sido pego pela Irmandade foi absolutamente real. Cecilie perdeu o chão por alguns minutos, mas logo sua racionalidade retomou o controle de seus atos e a impediu de partir em busca dele no instante em que foi informada de sua captura.


     Precisaria sair da Cidade Real sorrateiramente, caso contrário o pai a impediria no momento em que percebesse o que ela estava planejando. Ou pior, poderia segui-la e colocar a vida de Thomas em risco. Então, na hora em que passou observando a paisagem na janela de seu quarto, Cecilie planejou tudo. A viagem não demoraria, algumas horas com o melhor cavalo dos estábulos reais seriam o suficiente. Não precisaria coletar provisões, então a única questão era como atravessar as muralhas de contenção. A maneira mais segura de agir - a com menor chance de falhas - era fazer tudo sozinha. Entretanto sabia ser impossível, então suas estratégias de fuga necessitavam de duas pessoas imprescindíveis. Havia pedido que Cassian buscasse Salete, e veria o capitão James na hora do treinamento. O plano estava encaminhado.


     Mas não podia partir sem resolver sua última pendência. Não podia ir sem fazer as pazes com seu passado, com seu pai, consigo mesma. Então aceitou ouvi-lo mesmo que não se sentisse pronta ainda, pois faziam apenas pouco mais de duas semanas que o reencontrou e suas dores e traumas ainda estavam muito recentes e doloridos. Mas o tempo havia acabado, e ela cedeu. O ouviu. O perdoou de todo coração. E foi a melhor coisa que poderia ter feito pois agora seguiria para a morte de braços abertos e coração leve, pois Cecilie tinha plena consciência de que não sairia da Vila Violeta com vida. Willk a estava perseguindo há meses sem sucesso para castigá-la por sua traição, mas ao capturar Thomas havia garantido que Cecilie seguiria de encontro à ele. Mas ela não morreria sozinha, oh, longe disso... Ela levaria o máximo de Irmãos que pudesse em sua ida para o inferno, levaria o próprio Willk se fosse capaz.


-- Alteza. -- Salete a cumprimentou com uma reverência quando adentrou seus aposentos.


-- Eu já disse que não precisa disso, Lete. -- sorriu para a amiga.


-- Eu sei, mas é divertido. -- deu de ombros e lhe lançou um sorriso conspiratório -- Faz com que eu me sinta importante.


-- Quer se sentir ainda mais importante? -- Cecilie jogou a isca, sabendo que aquilo atrairia a atenção da moça para onde ela desejava.


     E não se decepcionou, pois imediatamente os olhos amendoados de Lete se arregalaram em expectativa.


-- O que precisa que eu faça? -- quase pulou em antecipação.


-- Antes de dizer, preciso que confirme sua lealdade para comigo. O que faremos é algo irreversível, e possivelmente o rei ficará furioso com você.


     Isso fez com que a jovem murchasse um pouco, ela franziu as sobrancelhas e fez um biquinho de frustração.


-- O rei me mandará para a forca? -- perguntou.


-- Não sei como meu pai vai reagir, mas irei lhe deixar um bilhete que deverá entregar à ele. Mesmo que não concorde em me ajudar, vou lhe deixar encarregada desse bilhete. Mas, Lete, não se sinta pressionada à nada. Preciso muito de sua ajuda, mas não quero que se sinta forçada à isso.


-- Isso é importante para você? -- Cecilie acenou em concordância -- Então eu aceito. Diga-me o que precisa.


     Sorriu para a moça, sentindo a gratidão por finalmente ter encontrado uma amiga tão gentil e leal. Buscou em sua mesinha de cabeceira uma pena e o tinteiro e escreveu num pedaço de pergaminho algumas palavras para o pai. Jogou pó preto para secar sua missiva rapidamente, o assoprou espantando o excesso e guardou o bilhete no meio do livro que havia recebido do rei. Cecilie acabou abrindo o livro numa página que continha um marcador, e um parágrafo sublinhado em tinta azul chamou sua atenção. Seria aquilo que seu pai queria que soubesse? Mas... por quê? Seu peito gelou ao imaginar o que seu pai queria lhe dizer com aquilo, mas não se permitiu pensar à respeito. Talvez nem tivesse sido o homem a sublinhar aquelas palavras, certo? Pelo que lhe dissera, o livro era passado de geração em geração, portanto qualquer antepassado poderia ter marcado aquela página em específico. Decidiu ignorar o assunto pois tinha coisas mais importantes em seus pensamentos agora para dissecar aquela ideia.


-- Aqui, tome isto. -- entregou o livro à Lete -- Tudo o que deve fazer é permanecer aqui o máximo de tempo que conseguir, sem deixar ninguém entrar. Diga que me sinto terrivelmente mal, mas nada muito grave que faça meu pai chamar o Curandeiro. Diga... não sei... que minha regra mensal chegou e que preciso repousar por um ou dois dias. Isso deve mantê-lo afastado, porém não preocupado demais. Se tiver dificuldades, peça para que chamem Elsa. Ela é de confiança e pode te ajudar a manter a farsa por algum tempo.


     As duas haviam se conhecido alguns dias antes, quando fizeram uma pequena reunião. Esteve presente também Margareth, e as quatro jovens estavam criando um vínculo, uma amizade improvável no meio de tantos desafios.


-- Certo, entendi.


-- Deixe algumas almofadas sob as cobertas na cama, para fingir que estou deitada. Deixe as criadas entrarem com as refeições e para prepararem os banhos, mas apenas elas e nenhum homem. Com alguma sorte, vão me descobrir apenas quando Thomas voltar em segurança. Caso isso aconteça antes, entregue o livro ao rei e diga que eu a obriguei.


-- Mas, senhorita...


-- Caso Thomas retorne antes que alguém me descubra, entregue ao rei de qualquer maneira e diga o mesmo.


     Salete observou Cecilie por alguns segundos, apreensiva, finalmente percebendo o que estava acontecendo.


-- A senhorita não vai voltar, não é? -- perguntou tristonha.


-- Eu vou tentar. -- garantiu, mas sem muita esperança.


     Lete pulou sobre ela e a segurou entre seus braços com força, numa despedida que a fez sentir um aperto sufocante na garganta. Retribuiu ao abraço, mas não se permitiu chorar pois já havia derramado lágrimas o suficiente naquele maldito dia. "Por favor, volte", a amiga sussurrou chorosa. Como ainda odiava promessas, Cecilie manteve um silêncio sombrio. Delicadamente desfez o contato, pois não podia demorar-se demais. Estava a cada segundo mais ansiosa.


-- Vamos lá, está na hora. -- anunciou seguindo para o quarto de vestir -- Irei trocar de roupa pois preciso ir ao treinamento, Lete. Mas antes que eu saia, preciso que faça outra coisinha por mim.


     O treinamento durou apenas trinta minutos. Cecilie chegou propositalmente atrasada, sem fôlego e com semblante abatido. Ninguém além do Conselho de Guerra sabia sobre o atentado à Thomas e sua suposta morte, então os soldados ficaram preocupados com ela e confusos pois nunca a viram sem disposição anteriormente. Porém os tranquilizou dizendo que nada havia de errado, mas soltou um gemido de dor a cada cinco minutos, acompanhado de uma careta e de uma pequena curvatura onde levava a mão ao baixo ventre. Sua encenação de cólicas menstruais violentas estava saindo melhor do que esperava, pois Rafe pediu voluntariamente para que o treino fosse interrompido pois a princesa claramente não estava se sentindo bem. Deu um sorriso constrangido aos companheiros, agradecendo a atenção e aceitou a sugestão do soldado prontamente. Então após receber palavras gentis e estimas de melhoras dos seus colegas soldados, eles se dispersaram rapidamente. Capitão James era sempre o último a ir embora, costumava acompanhá-la na caminhada durante o retorno ao castelo, onde conversavam animadamente sobre todo e quaisquer assunto.


-- Quer que eu solicite uma carruagem para levá-la embora? -- o homem sugeriu com semblante preocupado.


-- Não é necessário. Gostaria apenas de me sentar um pouco, me acompanha até os estábulos? Preciso sair do sol, e lá tem uma sombra bem refrescante.


     Sem suspeitar de nada, James lhe estendeu o braço para ajudá-la no trajeto que não levaria mais do que cinco minutos. Cecilie sempre variava os lugares dos treinamentos, para não fazer com que os homens se acomodassem à um só terreno e ambiente. Sabendo de que sempre dizia que precisavam saber lutar em qualquer cenário, ninguém estranhou quando sugeriu que a sessão do dia acontecesse nos arredores dos estábulos do rei. Ao chegarem lá, encontraram a construção vazia pois Lete havia cumprido sua outra missão: sumir com o tratador de cavalos. Na verdade a tarefa era bem simples pois o homem, conhecido por José, era tio avô de Salete. E esta, por sua vez, o estava distraindo de alguma maneira, talvez tagarelando sem parar sobre assuntos aleatórios, assim como fazia com a própria Cecilie diariamente. Quando atravessaram as portas da madeira da enorme construção, a princesa soltou o braço de seu acompanhante e as fechou com agilidade, passando a trava em seguida.


-- O que está acontecendo? -- o Capitão perguntou, desconfiado.


-- Eu preciso de ajuda.


     O homem desceu o olhar por todo seu corpo, até seus pés calçados nas botas de combate, avaliando-a. Cecilie vestia uma calça de couro preta, junto de uma camisa azul clara de mangas longas com botões dourados, mas sentiu-se despida com aquele olhar.


-- Não podia ter simplesmente dito? -- cruzou os braços -- Precisava encenar todo esse estratagema?


-- Sim, eu precisava, James. -- ignorou a súbita tensão entre eles e seguiu até a parede à sua esquerda, onde pegou um jogo de sela para preparar seu cavalo -- Veja só, eu apenas direi o que preciso de você quando concordar em me ajudar. -- seguiu até a terceira baia onde estava o garanhão chamado Ventania, que segundo Salete era o mais veloz -- Me desculpe por ter feito uma pequena encenação, mas foi necessário, eu garanto.


-- E se eu não quiser ajudá-la? -- disse seguindo-a de perto.


     Cecilie parou seu ato de prender a sela ao cavalo negro para encará-lo por um segundo.


-- Então suponho que duelaremos, pois você sabe demais e não irei permitir que fique no meu caminho. -- endireitou-se e se aproximou do homem à passos lentos como uma predadora cercando a presa -- Além do mais, se não pode ajudar sua princesa quando ela mais precisa não sei se merece o cargo que ocupa, capitão James.


     Cecilie estava desarmada pois o ferreiro ainda não havia entregado suas encomendas, entretanto ela não precisava de aço para matar um homem. Seus primeiros treinamentos de combate foram corpo à corpo, portanto suas mãos eram mortais o suficiente. Ambos se encararam por alguns segundos enquanto a mulher se preparava para o embate, amaldiçoando cada segundo precioso que perdia ali. Mas por fim os instintos que a disseram que poderia confiar naquele homem se mostraram corretos.


-- O que precisa que eu faça, alteza? -- perguntou dando à ela uma discreta reverência, não deixando de perceber o fato de que Cecilie havia finalmente tomado posse de sua posição.


-- Prepare uma montaria para você. -- ordenou após soltar um suspiro de alívio -- Estamos em uma missão de resgate.



    Graças à gargalhada que soou nos fundos do estábulo, James não pediu muitos detalhes pois precisavam partir imediatamente se não quisessem ser pegos. Salete havia deixado uma pequena sacola de pano na baia de Ventania, que continha a nova e elegante capa preta de Cecilie. A mulher a vestiu rapidamente puxando o gorro sobre sua cabeça para ocultar sua identidade, e saíram dali o mais rápido que foram capazes. A companhia do capitão da guarda real foi ótima para não levantar questionamentos quando alcançaram os muros de contenção, e o portão lhes foi aberto imediatamente com apenas um aceno do homem. Uma vez que atravessaram as barreiras, eles colocaram os cavalos à galope e seguiram até Vila Violeta tão rápido quanto um raio cortando o céu.


     Ainda assim, a viagem durou muito mais tempo do que Cecilie gostaria. O trajeto costumava durar cerca de oito horas quando feito num ritmo regular, mas com certeza eles o fariam em seis no máximo. Quando o sol estava terminando sua descida para permitir que a lua brilhasse seu lugar, Cecilie e James chegaram à uma parada dos correios que ficava quase na metade do caminho. Desmontaram sem perder tempo e adentraram a construção na intenção de trocarem os cavalos, o que rapidamente foi acertado quando a mulher entregou algumas moedas de ouro ao homem magricela do outro lado do balcão de atendimento. O rapaz arregalou os olhos ao brilho dourado e apressou-se a preparar duas novas montarias descansadas, enquanto os viajantes se refrescavam com alguns copos de água.


     A princesa notou o capitão da guarda lhe lançando alguns olhares enviesados, que claramente anunciavam que o homem estava ansiando por lhe fazer algumas perguntas. Mas como não estavam sozinhos pois haviam algumas pessoas esperando pela próxima carruagem correio que não tardaria a passar, ele se conteve na intenção de evitar chamar qualquer atenção para eles. Cerca de quinze minutos depois o atendente retornou, dizendo que seus cavalos estavam selados e prontos para a viagem. Seguiram, então, aos fundos da construção onde ficavam os estábulos. Agora sozinhos e prontos para seguir em frente, Cecilie apressou-se para montar em seu animal quando o capitão a deteve.


-- Não tão rápido, alteza. -- a impediu colocando uma mão sobre seu ombro.


-- Precisamos ir, James. -- disse ansiosa -- Não temos tempo a perder.


-- Se está com tanta pressa, sugiro que seja rápida em me esclarecer o que diabos estamos fazendo. -- cruzou os braços e afiou o olhar em sua direção, na intenção de mostrar que não cederia.


     Compreendendo não ter escolha, Cecilie decidiu trazer seu plano às claras de uma vez. Afinal de contas, precisaria dizer tudo à ele mais cedo ou mais tarde.


-- Thomas foi levado pela Irmandade. -- viu o homem à sua frente franzir as sobrancelhas em frustração.


-- E por que o capitão dos exércitos não foi informado disso? E por que estamos aqui sozinhos ao invés de trazer conosco um contingente de soldados?


-- Porque eu fiz todos acreditarem que o duque está morto. -- dessa vez, o olhar de James mostrou surpresa e confusão -- Entenda, assim que Willk percebesse que os atacaríamos ele assassinaria Thomas imediatamente. E esse não é um risco que estou disposta a correr.


-- Eu não estou tendo um bom pressentimento quanto à isso.


-- Então seus instintos estão afiados, capitão. -- lhe deu um sorriso triste -- Em troca de Thomas, eu ficarei em seu lugar.


-- O quê?! -- gritou o homem -- De jeito nenhum, sua majestade vai me mandar para a forca quando descobrir que levei a filha dele até a morte certa. Você compreende que essa é uma viagem só de ida, certo?


-- Eu com certeza sei disso, mas é necessário. -- James pensou por alguns segundos, deixando-a apreensiva. Realmente deveriam se apressar, mas não seria possível enquanto o homem parecia dividido entre seguir com a missão ou arrastá-la de volta ao castelo pelos cabelos -- Se meu plano der certo, isso fará com que a guerra tenha uma reviravolta gigantesca em nosso favor. E com você liderando tudo, certamente ganhará algumas medalhas de honras.


-- Eu ganharei uma corda no pescoço, Cecilie!


-- Acha mesmo que depois que Willk estiver morto e a Irmandade for derrotada sob um ataque com sua liderança, o rei poderá lhe dar algum castigo? A população irá aclamá-lo como herói de guerra, o rei não terá poder para fazer qualquer coisa.


-- Isso é uma suposição. -- apontou -- Além do mais, como você pretende matar Willk?


-- Ora, eu não disse que seria eu a fazer isso! O plano é o seguinte, James. Irei trocar de lugar com o duque, e você o levará de volta à Cidade Real em segurança. E...


-- Espere, espere! -- levantou uma mão ao interrompê-la -- Quem garante que o mestre da Irmandade aceitará essa sua condição?


-- Oh, ele irá.


-- Como pode ter certeza?


-- Pois eu o conheço, James. Mestre Willk me mandou um convite irrecusável e está me esperando para a festa. Continuando... quando vocês chegarem à Cidade Real, informe ao rei o que aconteceu e diga que a Irmandade está instalada na maior construção da Vila Violeta. É um esconderijo bem medíocre na verdade, será fácil de encontrá-lo.


-- E se quando retornarmos eles já tiverem ido embora?


-- Vocês precisarão ser rápidos, mas não se preocupe muito com isso. Vocês provavelmente terão um ou dois dias enquanto Willk se diverte em me punir. Se quando voltarem encontrarem as instalações vazias, sigam para a Cidade das Rosas. Há uma fortaleza desativada por lá, que usam apenas quando estão guardando a retaguarda e recuando para fora das vistas do rei.


     Fez grandioso esforço para manter a incerteza longe de seu tom de voz, afinal, seu plano era meramente baseado em suposições. E Cecilie, mais do que ninguém, sabia o quanto seu não tão querido tio William pode ser imprevisível.


-- É um bom plano, mas está certa de que quer seguir adiante com isso?


-- Sim, eu estou. -- garantiu sem hesitar -- Podemos ir agora? -- pediu sentindo um crescente nervosismo por estar perdendo tanto tempo.


     O homem demorou apenas um segundo para lhe dar um aceno positivo, e Cecile imediatamente subiu para o lombo de seu cavalo. Porém, James demorou para se mexer. Sua atenção ainda estava sobre ela, avaliando-a, sua mente parecendo agitada ao observá-la.


-- Foi um prazer conhecê-la, princesa. -- deu-lhe uma última reverência -- E é uma honra poder servi-la.


     Cecilie sentiu seus olhos ardem com o ato do homem, emocionando-se com tamanho respeito e consideração.


-- A honra está sendo toda minha, capitão. -- sua voz soou embargada, porém firme -- Agora vamos logo acabar com essa maldita guerra.


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