Capítulo 43 - "Diga-me"
Apenas quando despertou ela se atentou ao luxo de seu novo aposento. O quarto era espaçoso e não excessivamente mobiliado. Havia apenas uma grande cama com dossel, uma mesa para duas pessoas e uma penteadeira. No quarto de banho, uma grande banheira de mármore ao centro lhe proporcionou momentos relaxantes, mesmo à contra gosto. Agora, em pé na janela observando as nuvens irem e virem no céu da tarde, aquele conforto e riqueza lhe enojavam. Não queria estar ali. Preferiria ter permanecido em sua cela fétida e escura, sendo cuidada por Elsa e não pelo antipático Curandeiro Chefe real. Preferiria passar fome à ter se delicado com uma refeição decente e se envergonhava de não ter tido a força de vontade necessária para recusar o alimento. Preferiria estar sozinha em sua prisão, longe do olhar da criada que era tão atento quanto o de um cão de guarda.
-- Eu já disse que gostaria de ficar sozinha. -- suspirou contendo sua irritação, não querendo descontar seus problemas sobre a pobre moça.
-- Sua majestade ordenou que a fizesse companhia. -- ela disse de onde estava, de pé no canto oposto do quarto, o mais longe possível dela.
-- Se eu precisar de algo, pedirei para que a chamem. -- tentou negociar.
-- Sua majestade ordenou...
-- É, eu entendi. -- a interrompeu -- O rei ordenou mais alguma coisa?
-- Bem... -- a expressão dela ficou vaga ao pensar naquilo -- Ordenou que a mantivesse confortável e bem instalada.
-- Interessante. -- virou-se para encará-la -- Eu estou muito desconfortável com você aqui, pois realmente preciso ficar sozinha por algumas horas para pensar em algumas coisas. Percebe que está descumprindo a ordem de sua majestade?
-- Eu... -- a pobrezinha ficou confusa -- Eu...
-- Por que não fazemos um acordo? -- ela deu alguns passos até a jovem, bem devagar para não assustá-la -- Percebo o quanto está tensa em minha presença, prestes à sair correndo caso eu faça algum movimento brusco. Me deixar em paz beneficiaria nós duas.
-- Mas sua majestade... -- começou prestes à se derramar em lágrimas.
-- Um bolo! -- a interrompeu com um ranger de dentes, engoliu uma ofensa e sorriu -- Eu gostaria muito de um bolo, faça a receita mais demorada que souber. O que acha disso?
-- Acho... -- pendeu a cabeça para um lado, pensando em seu pedido -- Acho que eu sei uma receita de bolo de amêndoas.
-- E quando tempo à sós seu bolo de amêndoas vai me garantir?
-- Uma hora.
-- Faça em três. -- gemeu em desagrado -- Por favor.
-- Senhorita, sua majestade disse...
-- Ah, eu não mereço isso! -- cobriu o rosto com as mãos -- Por que mandaram justo você? -- sua reclamação saiu abafada.
-- É minha primeira semana de trabalho. -- a jovem informou, torcendo o avental em nervosismo.
-- Entendo. -- apiedou-se dela -- E o que fez para que a governanta a castigasse desse jeito?
A moça arregalou os olhos, que se encheram de lágrimas.
-- Eu derrubei uma cesta de ovos. -- informou -- Duas dúzias. Naquele dia não teve omeletes para o desjejum de vossas majestades e sua alteza e a culpa foi toda minha. -- fungou.
Nix apenas a observou por alguns instantes, remoendo-se com aquilo. Enviar uma jovem em sua primeira semana de trabalho, visivelmente assustada, para ser dama de companhia de uma prisioneira perigosa era muita falta de empatia. E de noção.
-- Duas horas. -- pediu -- O que acha?
Ela pensou na oferta demoradamente, intercalando o olhar em Nix e na porta tão próxima que, certamente, a fazia ansiar por sua liberdade.
-- Acho que duas horas é suficiente para preparar o bolo com calma. -- anuiu.
-- Ótimo! -- bateu uma palma em comemoração e a jovem deu um pulo, assustada -- Se precisar de mais tempo, fique à vontade. Estarei aqui quando voltar. -- apontou a porta que era guardada por dois soldados.
A criada deu-lhe um aceno e saiu, apressada. Um som estrangulado saiu de sua garganta, talvez uma risada, ou um bufo de exasperação. E então... nada. Talvez tivesse sido melhor que a jovem permanecesse ali, pois pelo menos aquilo a estava motivando à fazer alguma coisa. Mas agora que conseguiu ficar sozinha, sentiu-se vazia e inquieta. Dois sentimentos tão opostos, mas que a afligiam naquele momento, confundindo-a. Sua mente não parava de girar, retornando aos acontecimentos de horas atrás no salão principal do castelo. Mas seu coração se esforçava à recusar tais acontecimentos, espantando-os de sua memória na tentativa de protegê-la de toda a dor que suas descobertas lhe causavam. Voltou ao seu lugar em frente à janela e continuou a observar o céu lá fora. Um pássaro cortou o céu azul, planando suavemente com suas asas abertas, zombando do cárcere de Nix. Os segundos se arrastaram até se transformarem em minutos. Conseguiu esvaziar a mente nesse tempo, calando-a até que não pensasse em nada. Uma coisa de cada vez, ordenou a si mesma, pense em uma maldita coisa de cada vez.
Então enumerou seus problemas numa lista prática. Primeiro, precisava sobreviver ao seu julgamento iminente. Não queria a ajuda do rei naquilo, mas duvidava que o homem permitiria que recebesse pena de morte. Essa questão à levava ao seu segundo problema: teria de conviver, pelo menos por algum tempo, com o pai que a abandonou anos atrás. Não poderia nem imaginar o quanto aquilo iria feri-la, estar ali no meio da vida dele, da família que ele construiu sem ela, mas era necessário. Pelo menos até acabar a guerra, que era o terceiro problema de sua lista. Assim que matassem Willk e acabassem com a Irmandade, Nix estaria livre para ir. Finalmente levaria à cabo seus sonhos de partir daquele reino e construir uma nova vida em algum outro lugar do mundo. Mas isso à levava ao quarto item de sua lista idiota: Thomas. Suspirou frustrada ao pensar no homem, sentindo seu estômago revirar num misto de sentimentos. Estava com saudade dele, feliz por ele estar bem, e com raiva. Lembrou-se daquela noite na estalagem da Vila do Tombo, onde o duque disse que a história deles estava apenas começando. Não era verdade. A história deles havia começado há muitos anos atrás, ainda na primeira infância. Foram amigos. Não, foram melhores amigos. Foram inimigos. E depois companheiros de viagem. Depois amigos de novo. E amantes. E agora... o que seria deles daqui para frente? Thomas sabia a totalidade da escuridão dela, sabia quem foi e quem se tornou. Seu julgamento sobre ela iria mudar? Seus sentimentos? Os sentimentos dela mudariam? Não sabia... não sabia... Ouviu o barulho discreto da porta sendo aberta e balançou a cabeça, exasperada.
-- Pensei que tivéssemos feito um acordo. -- disse baixo à criada que retornou muito antes do tempo combinado.
-- Sim, bem... -- aquela voz grave tão conhecida soou, fazendo-a arrepiar -- Vou ordenar para que seu pagamento lhe seja entregue o quanto antes.
Ela fechou os olhos por alguns instantes para conter seu instinto de se jogar naqueles braços fortes. Respirou fundo, lembrando-se de que tudo havia mudado. Expirou e abriu os olhos, pronta para encará-lo. Virou-se e encarou Thomas que estava à alguns passos dela, as mãos nos bolsos e um meio sorriso contido. Os olhos dourados brilhavam, ansiosos, nervosos. Ambos ficaram ali por quase um minuto inteiro, olhando-se como se fossem desconhecidos, sem saber como agir ou o que dizer um ao outro. O sorriso dele foi diminuindo aos poucos, até que desapareceu.
-- Eu não sei como devo chamá-la a partir de agora. -- franziu as sobrancelhas.
-- Você sabe meu nome. -- apontou.
-- Sim. Sim, eu finalmente sei, Cecilie... -- deu um passo em sua direção, mas ela deu outro para trás.
-- Não! Não esse! -- agitou-se -- Meu nome é Nix!
-- Não. -- seu olhar escureceu -- Não é. Eu sei que foi inesperado, mas está na hora de enfrentar seu passado.
-- Eu enterrei meu passado, Thomas, e não pretendo desenterrá-lo. Eu não quero.
-- Mas precisa! -- deu outro passo, e ela se afastou mais uma vez -- O que está acontecendo? Por que está fugindo de mim?
-- Porque eu enterrei você também. -- sussurrou -- Uma das tantas coisas que me foram tiradas foi você! Eu o perdi.
Sua confissão o fez estancar e suas feições tornaram-se tristes e melancólicas, encarando-a com atenção.
-- Eu a perdi também. -- a voz dele soou partida -- Nós a perdemos. Mas agora está de volta, e temos uma segunda chance.
-- Uma segunda chance de quê, Thomas? Nada nunca mais será como um dia foi. Muita coisa aconteceu, nós mudamos demais, fizemos muitas coisas. E eu não sei... -- interrompeu-se.
-- Não sabe o quê? -- cruzou os braços esperando a resposta.
-- Eu não sei conciliar a criança que fui com a mulher que sou. Não consigo fazer o que me pede e fundi-las em uma só pessoa. -- assumiu seu medo mais profundo.
-- Não tenho certeza se compreendo. -- sua voz era profunda, intensa.
Demorou para responder, organizando as ideias para ser o mais sincera possível.
-- Cecilie era só uma criança assustada. -- explicou -- Mas Nix... ela é forte, impassível. Não quero voltar à ser uma criança perdida, Thomas. Frágil e com medo do futuro. E é assim que me sinto desde que vi meu pai, totalmente vulnerável. Quero ser Nix, a guerreira, mulher determinada, imbatível e corajosa. Entende?
-- Sentir medo não é sinal de fraqueza. Não enfrentar seus temores, é. -- deu um passo em sua direção, bem devagar, e desta vez ela não se afastou -- Você pode voltar à ser Cecilie, e ainda será a mulher mais forte e incrível que conheço.
Ela pensou naquilo, ponderou, mas descartou a sugestão. Não sentia-se preparada para enfrentar seu passado, e talvez nunca estivesse. Queria apenas focar no futuro, nas ações mais imediatas, no agora.
-- Por que está aqui, Thomas? -- perguntou ao mudar de assunto -- Não sabia que podia receber visitas.
-- Quer que eu vá? -- questionou soando ofendido.
O silêncio desconfortável que permaneceu entre eles foi resposta suficiente. Tom deu um pequeno aceno de compreensão, o olhar denunciando sua mágoa, e deu-lhe as costas ao bater em retirada. A cada passo dele até a porta, os ferimentos em seu coração e alma se aprofundavam cada vez mais, dilacerando-a, matando-a aos poucos. Uma sensação de sufocamento se instalou em sua garganta, um frio dominou seu corpo quando ele tocou a maçaneta. Nix abraçou o estômago quando ele abriu a porta e, quando olhou para trás procurando seus olhos, soltou um soluço ao não poder mais conter seu choro.
-- Thomas... -- chamou quando as lágrimas começaram a escorrer livremente.
A porta foi fechada num baque e logo ela estava em seus braços, chorando em seu peito. Retribuiu o abraço com força, como se o homem estivesse prestes à desaparecer à qualquer instante. Ele acariciou suas costas e murmurou palavras tranquilizantes. Não demorou e logo percebeu que Tom também chorava. Aquele abraço, agora, era o reencontro deles, de dois grandes amigos que foram separados bruscamente. Dois amigos inseparáveis que tiveram de aprender a viver um sem o outro, imaginando dia após dia como o outro estaria. Era saudade, era dor, alegria, compreensão, carinho e medo. E tantos outros sentimentos que mal era capaz de diferenciar todos.
-- Senti sua falta, Marquesi. -- murmurou, entre soluços emocionados, o apelido de infância dele.
-- Também senti, Mais Eu -- respondeu igualmente comovido e lhe beijou o topo da cabeça -- Eu senti demais.
As lágrimas por fim, cessaram. Depois de chorar copiosamente como não fazia há muito tempo, nem se lembrava ao certo quanto, Nix se acalmou. Thomas a puxou até a cama dela, onde se sentaram, e manteve o braço em sua cintura, envolvendo-a firmemente junto ao seu corpo. Não houveram palavras naqueles momentos em que eles se reconectavam, suas personas do passado e as do presente. Houveram apenas sensações e calor, dois corpos unidos buscando forças um no outro para curar suas almas feridas. Menteve a cabeça apoiada no peito dele, ouvindo os batimentos de seu coração voltarem ao ritmo normal. Sua respiração foi se normalizando, até que sentiu-se estranhamente leve. Estranhamente... esperançosa. Thomas estava ali. Seu melhor amigo estava ali e aquilo era... surreal.
-- O que acontece agora, Nix? -- ele perguntou baixinho, rouco pelo choro.
Levantou o rosto para olhar nos olhos dele, que estavam ternos, carinhosos.
-- Mantemos o plano. -- anunciou calmamente -- Vamos passar pelo julgamento e, depois, direi ao rei tudo o que sei e lutarei ao lado dele até que tudo acabe.
-- Você realmente não quer conversar sobre seu pai, não é? -- levantou uma sobrancelha, curioso e inconformado.
-- O que há para ser dito, Thomas? -- suspirou irritada -- Eu o reencontrei. Ótimo. Meu pai é o rei, é a última pessoa que eu imaginaria ter algum parentesco, mas isso não muda nada. A história continua a mesma, se não ainda pior do que antes. Porra... ele é o maldito rei! Poderia ter me levado junto dele para algum lugar, poderia ter feito tantas coisas além de me deixar num orfanato!
-- Talvez haja uma explicação. -- interveio -- Se escutar o que ele tem a dizer, então...
-- Você o está defendendo? -- levantou-se furiosa -- Está defendendo o homem que fez isso comigo? Conosco?
-- Não! -- defendeu-se -- Só estou dizendo que deveria conversar com ele. Escutar suas razões. Não precisa perdoá-lo se não conseguir, mas ouça-o. Abenforth não é um homem mal, ele só... cometeu um erro terrível. Um erro que cobrou um alto preço nos últimos quinze anos.
Ela pensou naquilo. Conhecia muito intimamente a sensação de cometer um erro que jamais teria concerto, o quanto sua alma poderia ser corrompida pela dor do remorso. Ela errou. Seu pai errou. O que os diferenciava?
-- Eu preciso... só preciso de um pouco mais de tempo. -- cruzou os braços -- Acho que, depois de tudo, tenho esse direito, não?
-- Claro que tem. -- concordou num aceno -- Poderia me responder uma pergunta? -- franziu as sobrancelhas em apreensão à pergunta que Tom lhe faria, mas concordou -- Por que escolheu o nome "Nix"?
Um ínfimo sorriso contorceu seus lábios com a inocente pergunta. Exatamente o que seu amigo de infância lhe perguntaria e aquilo aqueceu seu coração.
-- Você se lembra do meu maior medo quando criança? -- perguntou dando um passo em sua direção.
Thomas pensou brevemente e, num instante, seus olhos se iluminaram em compreensão.
-- Escuro. -- anunciou e ela confirmou -- Você tinha medo do escuro.
-- Durante minhas primeiras noites sozinha nas ruas, eu ficava totalmente apavorada. Passei dias em claro. Até que numa noite eu me senti farta daquilo. Eu precisava descansar, precisava superar aquele medo absurdo. Então, me lembrei da deusa da noite. Poderosa, sombria, corajosa. Decidi ser ela, decidi ser Nix. -- seu olhar se tornou vago, perdido em lembranças -- Eu sou a deusa da noite, repetia ao fechar meus olhos, eu sou a escuridão e não tenho medo de nada. Foi com essas palavras que deixei de ter medo. A partir daí deixei Cecilie para trás e me tornei Nix.
Thomas a encarou totalmente concentrado em suas palavras, depois deslizou sua atenção por todo seu rosto e seu olhar demonstrou certo encanto. A intensidade que viu no castanho dourado dos olhos dele a deixou um tanto desconcertada. Sentiu-se tola por aquilo, afinal aquele homem já havia visto cada parte do seu corpo.
-- O que está olhando? -- perguntou tentando ocultar sua timidez repentina.
-- Você... -- ele sorriu -- Estou custando à acreditar. Você está aqui, Cecilie...
-- Não me chame assim. -- pediu.
-- Sabe, um nome não muda quem você é. -- sua voz era calma, paciente -- E eu sonhei tanto em reencontrá-la, em tê-la na minha vida novamente. Mas agora... percebi que isso não importa mais.
-- Perdão? -- indgnou-se.
O homem se levantou com um sorriso luminoso e se aproximou dela deliberadamente devagar, uma nuvem obscurecendo seus olhos. Nix conhecia aquele olhar, o havia visto muitas vezes nos últimos dias da jornada deles. Um arrepio atravessou sua espinha.
-- Não importa porque, apesar de essa verdade mudar tudo, para mim não mudou nada. -- a alcançou e abraçou sua cintura, puxando-a ao seu encontro, colando seus corpos -- Seja Cecilie se quiser, ou continue sendo Nix se preferir. Só o que quero, o que preciso, é que seja minha.
Se encararam com intensidade eletrizante. Ela desceu os olhos até os lábios dele, tão próximos, e Thomas imitou sua ação. Sentiu a boca seca, mas soube que água não resolveria o problema pois apenas os lábios dele a saciariam.
-- Thomas... -- sussurrou, quase inaudível, hipnotizada por ele.
-- Eu estou aqui. -- se aproximou ainda mais. Prestes à se entregar Nix passou as mãos pelo tórax dele, deslizou-as até seus ombros e afundou-as nos emaranhados de seus longos cabelos fartos -- Eu sempre estarei aqui.
-- Thomas... -- prossegiu, certa de que deveria dizer alguma coisa, mas as palavras lhe faltavam.
As mãos fortes dele a puxaram ainda mais e ela pôde sentir cada curva de seu corpo, seu calor inundando-a, consumindo-a.
-- Eu a quero. -- disse com os lábios rente aos seus, num toque tão leve feito pluma, o hálito dele misturando-se ao seu, inebriante -- Eu preciso... saber que ficaremos bem. Saber que ainda estamos juntos. Diga-me.
-- Thomas... -- gemeu o nome dele.
-- Diga-me. -- rosnou, apertando ainda mais sua pegada.
E ela disse. Não com palavras, mas com um beijo. De início apenas juntou seus lábios aos dele num toque suave, emotivo. Tom a abraçou ainda mais forte e abriu a boca, lançando sua língua ávida em busca de mais. E ela lhe deu tudo. Correspondeu ao beijo na mesma intensidade, selvagem e vorazmente, e quando deu por si estava sendo deitada na cama, o corpo dele sobre o seu. Thomas interrompeu o beijo por apenas um segundo e procurou seus olhos, ainda aguardando uma resposta. Nix sorriu, sentindo pela primeira vez que tudo ficaria bem. Seria difícil, doeria, mas ficaria tudo bem. Afinal...
-- Estamos juntos. -- garantiu em voz profunda.
O sorriso em resposta dele cresceu lentamente, e seus olhos lampejaram diversas emoções. Ele retomou o beijo com força total e Nix entregou-se completamente, totalmente à mercê de seus desejos e sensações. Naquele momento tudo o que precisava era dele, tudo o que existia era Thomas, era seu corpo sobre o dela, seus lábios deliciosos e suas mãos ágeis que abriam os botões nas costas de vestido. Estavam tão imersos um no outro que não perceberam o barulho discreto da porta do aposento sendo aberta, nem mesmo os poucos passos que soaram até estancarem com um suspiro de surpresa.
-- Cof, cof! -- uma tosse constrangida soou.
Imediatamente a névoa do momento mágico deles se dissipou, se afastaram apressados ao serem pegos no flagra pelo rei, que os encarava um tanto irritado.
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