Capítulo 03

A tarde de domingo estava acalorada e toda a escola estava no campo para acompanhar a final do intercolegial. O grupo de cheerleaders entrou, sendo encabeçado por Christine, a capitã, e o mascote do colégio, um gato. Ao vê-las entrando no campo, todos as saudaram com gritos e flashs.

— Quem vai arrasar hoje?! — Christine gritou.

— FeralCats! — todos gritaram.

— Não ouvi!

— FeralCats!

— Vamos nessa, Cats! — ela sorriu abertamente e todos gritaram ao vê-las iniciar a perfeita coreografia da torcida.

— Minha filha nasceu pra ser líder de torcida — Scarlett disse admirando-a da arquibancada, ao lado da melhor amiga Marion, mãe de Paul. — Olha que presença.

— Chris é ótima — Marion concordou.

— Só fico preocupada quando ela começa a voar no ar — notando que agora a filha dava alguns saltos bem altos.

— Relaxa Scarlett, isso ela sabe como ninguém — sorriu e notou que agora as cheerleaders construíam uma pirâmide, ela adorava essa parte. — Ah, eu amo essa pirâmide.

— Porque não é sua filha que fica no topo — Scarlett balbuciou, tomando um gole de água. Marion riu. — Acabou minha água, ainda bem que Allison foi buscar mais.

— Ah se soubesse como eu amo futebol — Marion ergueu a sobrancelha. — Só venho nesses jogos porque meu filho é o astro do time — sorriu presunçosa.

— Mas você se acha, hein Marion? — Scarlett riu.

— É só eu, certo? — riram.

— Claro que não, por isso nos damos tão bem desde a faculdade — Scarlett a abraçou de lado.

As duas cursaram jornalismo em Stanford e desde então não se desgrudaram mais. Conheceram seus maridos na faculdade e passaram a viver em quarteto, fazendo absolutamente tudo juntos. Casaram-se em datas muito próximas e quando Marion estava com um mês de gravidez de Paul, Scarlett também engravidou de Christine, os dois tinham quase um mês de diferença. Atualmente cada casal tinha três filhos e elas amavam essa coincidência. Há oito anos começaram a apresentar juntas um folhetim matutino e o público adorava a amizade das duas, que eram bastante populares no país.

— Onde estão Allison e Benjamin, que ainda não voltaram com a água? — Marion reclamou olhando para os lados em busca do filho Benjamin e de Allison, que tinham ido comprar água com Alvin e Eve na cantina e ainda não tinham voltado. — Que demora é essa, vou te contar hein? — cruzou os braços.

— O jogo vai começar — Scarlett a cutucou, vendo os jogadores entrando em campo correndo e rasgando a faixa. — Relaxa amiga, daqui a pouco eles voltam.

Marion deu de ombros e prestou atenção aos jogadores.


♦♦♦

— Quem você está procurando, hein Allie? — Benjamin perguntou, ao vê-la olhando fixamente para o meio do campo. — Deixa eu adivinhar, está afim de um dos jogadores? — fez uma bola de chiclete, olhando na mesma direção.

— Não exatamente, estou a fim de um líder de torcida — ela deu uma risada.

— Sério? — Ben ergueu a sobrancelha.

— Pois é — sorriu de lado. — E ele é um gato Ben, você precisa ver.

— Estou curioso — franziu o cenho. — E vocês já se pegaram?

— Ainda não, mas vontade não falta — piscou.

— Sua safadinha, te ensinei direitinho — Benjamin se orgulhou e a abraçou pelos ombros. Viu Alvin e Eve se aproximando e os olhou. — Quem mandou vocês comprarem chocolate? — ralhou e tomou o chocolate de Eve, que protestou. — Nem um piu Eve, pensa que eu não sei que você está de castigo.

— Se não devolver vou contar pra mamãe que você namora o nosso vizinho — Eve ameaçou o irmão, na tentativa de recuperar o doce.

— Meu sonho é namorar com aquele gato, me poupe — Benjamin choramingou e a garotinha lhe deu língua. — Toma Allie, esse chocolate me enche de espinha — entregou a ela, que o abriu. — Vamos indo, quero ver esses jogadores bem de perto.

Alison riu e deu metade do chocolate para Eve, sem que o amigo visse. A garotinha sorriu e saiu correndo na frente, acompanhado de Alvin.


♦♦♦

Sinceramente, aquele jogo estava mais complicado do que o esperado, o treinador não tirava os olhos do relógio, Paul estava tranquilo por hora, afinal já tinham jogado contra o time adversário e tinham ganhado de lavada, é claro que agora eles estavam mais turbinados que antes, os jogadores mais ágeis e uma estratégia de jogo mais elaborada.

Mas ele não tinha do que reclamar, afinal passou noites em claro armando uma boa estratégia para vencerem. Não demorou para marcarem um field. Um belo field por sinal. Todos gritaram animados, pois o field tinha acontecido quase nos últimos minutos do segundo quarto.

— Vai Cats! — Christine gritou orgulhosa. — Vamos lá garotas, a coreografia do field! — gritou para as meninas e as conduziu na performance.

— Esse é meu garoto! — Marion gritou. — Nove meses na barriga! — orgulhosa.

— Fica na sua, Marion! — Scarlett brincou e os demais riram.

— É por isso que o Paul se sente a última Coca-Cola do deserto — Benjamin olhou as unhas.

— Ah, que maldade filho — Marion riu e comeu um pedaço do seu hot-dog.

Depois de alguns minutos, o jogo chega ao fim. A vitória dos FeralCats foi comemorada com gritos e fogos. Tinham marcado mais um field no terceiro quarto e outro no último quarto, totalizando três fields contra dois do time adversário. Enfim eles tinham ganhado o tão sonhado campeonato.

— UHUUL! — Paul pegou o troféu e o levantou enquanto os garotos o ergueram e caminharam até o pódio. — FeralCats, nós somos invencíveis! — gritou.

Depois das comemorações e entregas das medalhas, o diretor do colégio, Harold Callahan, subiu para fazer a sua tediosa palestra sobre o orgulho de mais um troféu e outras besteiras que os alunos não se davam o trabalho de ouvir.

Paul suspirou entediado, abriu sua garrafa e derramou água sobre sua cabeça, balançou os cabelos e viu Christine se aproximar com um sorriso no rosto, ela estava uma delícia com aquele uniforme de líder de torcida, ao qual ele tinha uma verdadeira tara.

— Cacete, Collie — um dos amigos sussurrou a ele — A sua namorada é uma delícia — assoviou.

— Cala a boca e olha o respeito — sem tirar os olhos de Christine.

— Oi meu amor — ela o abraçou e depois selou os lábios. — Você foi incrível — com os olhos brilhando. — Eu estou orgulhosa!

— Que nada Chris, hoje eu até fui mal — sorriu de lado.

— Seu bobo, é claro que não.

— Agora você foi sensacional, eu adoro te ver animando a torcida, me dá um gás a mais — beijou a ponta do nariz dela e Christine sorriu empolgada.

— Me desculpa por ontem.

— Você está tão linda hoje que eu sequer me lembro do que você fez ontem — ele murmurou e quando os dois iam se beijar foram interrompidos.

— Olha que casal lindo — ouviram a voz de Benjamin e se afastaram.

— Oi Ben! — Christine foi até o irmão de Paul e lhe deu um beijinho. — Oi tia Marion, oi mamãe — foi cumprimentando um por um.

— Estava dando uns pegas no meu irmão, não é safadinha? — Benjamin a encarou com um sorrisinho descabido.

— Tentando — Christine assoviou.

— Fica na sua, Benjamin — Paul rolou os olhos.

— Vocês dois ainda vão se casar, eu tenho fé — Marion abraçou o filho. — Meu amor, meus parabéns meu filho — eufórica. — A mamãe adorou seus lances — piscou.

— Valeu, mãe.

— Maninho — Eve correu até ele e levantou os braços para que Paul a pegasse no colo. — Mamãe não me deixa comer doces, eu quero marshmallow.

— E o que você fez dessa vez? — pegou a irmã no colo.

— Coisa boa não foi — Scarlett riu.

— Dei banho na Gipsy.

— Ela jogou a cadela da mamãe na piscina — Ben entregou e todos riram.

— Mas ela precisava tomar banho — Eve se explicou.

— Foi com a melhor das intenções, certo Eve? — Christine estendeu os braços e Paul lhe entregou a irmã. Eve assentiu. — Só prometa que não vai mais fazer isso, a Gipsy pode se afogar, ok? — Eve assentiu novamente e Christine a pôs no chão.

— Christine será uma ótima mãe — Marion sorriu a ela.

— Um dia quem sabe — Christine sorriu amarelo, ter filhos não estava em seus planos nem tão cedo.

— Um dia quem sabe nada, eu quero netinhos — Marion fez um bico.

— Mamãe — Paul a repreendeu e Christine sorriu contida. Marion deu de ombros.


♦♦♦

Do outro lado, Pearl e Marie observavam a cena. Marie não se conformava com a forma que Paul e Christine se comportavam em público. Olha só os dois, quem visse diria que era um lindo casalzinho. Até mesmo a mãe de Paul parecia gostar de vê-los juntos.

— Christine precisa sair de cima do Paul — Marie rodava o pompom com certa força. — Não tive sequer a chance de parabenizá-lo pelo jogo, que ódio dessa sonsa.

— Cala a boca, a Ashley está bem atrás de você — Pearl cochichou e olhou disfarçadamente. Viu que Ashley estava distraída enquanto conversava com outras animadoras e não parecia ter ouvido o que Marie tinha dito.

— Foda-se a Ashley.

— Pensei que você estivesse brigada com Paul.

— Vou fazer as pazes com ele — disse óbvia. — Espera aí — franziu a testa ao ver Paul arrastando Christine pela mão. — Para onde eles estão indo?

— Obviamente dar uns amassos em algum lugar — Pearl deu de ombros.

Marie grunhiu e saiu andando. Pearl arregalou os olhos ao ver que ela pretendia segui-los. Mas será que na França não ensinavam o amor próprio? Rolou os olhos e foi atrás da amiga. As duas seguiram Paul e Christine e viram que os dois foram se agarrar nos fundos das arquibancadas. Era um lugar bem reservado e a própria Marie já tinha transado com Paul por ali.

— Eu acho que esse é um dos seus lugares favoritos, não é? — Christine sorriu e o beijou. — Sei que estivemos juntos ontem, mas já estava com tantas saudades — murmurou.

— Eu também, gata — ele sorriu, a beijando novamente. O beijo foi intenso e fazia Christine se arrepiar por inteiro. Paul sabia exatamente o que fazer para enlouquecê-la, o rapaz desceu os beijos para o pescoço dela, fazendo com que Christine mordesse o lábio inferior. — Vem aqui — fez com que ela se sentasse em um pequeno bloco de cimento e se colocou entre as suas pernas.

Christine ofegou e Paul a beijou de novo, e enquanto a beijava, subiu a saia da menina e apalpou as suas coxas grossas, Christine enlouquecia quando Paul a beijava e acariciava seu corpo. Aquilo era ótimo.

— Será que ela vai dar pra ele? — Marie sussurrou receosa, enquanto observavam escondidas. Ficou um pouco preocupada com essa possibilidade, não sabia como ficariam as coisas a partir do momento em que Christine começasse a transar com Paul. — Droga.

— Fique calma, Marie — Pearl rolou os olhos. — Como se você não conhecesse a sonsa da Christine — riu. — Daqui a pouco ela vai inventar alguma coisa e vai deixar o Paul na mão — piscou.

— Espero mesmo, porque é nessa hora que nós, as ficantes de verdade, entramos em ação — mordeu o lábio.

— Você — enfatizou. — Eu não sou ficante dele. E se eu fosse você ficava esperta. A única coisa que Christine exige é que as suas amigas não se aproximem do boy dela e respeitem o sentimento dela por ele, todos sabem que ela e Paul tem uma coisa a mais. Se ela descobrir que você também fica com ele, ela pode te banir — olhou Marie com pena. — Fora do grupinho popular da Christine, somos um zero à esquerda no colégio.

— Quero mais é que ela apodreça — Marie debochou. — E vou continuar fodendo com Paul até quando eu quiser.

Pearl ergueu a sobrancelha e voltaram a olhar os dois.

— Ah Paul — Christine deu uma pequena rebolada ao sentir o membro dele roçar em sua intimidade.

Ele sorriu e voltou a beijá-la nos lábios, apertou um dos seios fartos por cima da blusa. Será que Christine transaria com ele agora? Ela parecia tão entregue. Desceu a outra mão até a coxa dela, foi subindo a saia e viu o pequeno shortinho que ela usava durante as apresentações das cheerleaders. Parou de beijá-la e passou a mão por cima da intimidade da menina, que ao sentir a mão masculina naquela região, levou um susto e se deu conta do que estava fazendo.

— Não, Paul — o afastou. — Eu não quero fazer sexo aqui — disse e Paul bufou de frustração. Christine percebeu que ele ficou chateado e engoliu o seco. — Paul eu... — ele a interrompeu.

— Tudo bem — estendeu a mão. — Ainda não está preparada e essa é a hora que você me deixa na mão, como todas as vezes.

— Eu sinto muito. Eu quero que a minha primeira vez seja especial, sabe disso.

— Claro que sim — lhe deu um beijo na testa. — Vou tentar me controlar.

— Obrigada — ela sorriu. — Vamos voltar? Preciso conversar com Ashley.

— Claro — ele a abraçou pelos ombros e os dois se afastaram.

— Eu não disse que ela é a maior otária? — Pearl riu, vendo os dois se afastando.

— Conta uma novidade — Marie disse satisfeita.


꩜ ♥︎ ꩜ ♥︎ ꩜

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