1- Bem-vindos à PLA
Olá, borboletas!
Espero que estejam bem. Pra não me prolongar muito aqui, vou avisar apenas uma coisinha: pra quem não está familiarizado com os personagens que eu menciono aqui, as imagens deles serão colocadas aos poucos, certo?
Bom, espero que gostem da história e boa leitura!
"Sei que estão preocupados, mas posso garantir que seu filho terá as melhores oportunidades em nossa escola."
Stiles Mikaelson-Salvatore sorriu de forma gentil para os convidados em sua sala. Era sempre muito mais difícil lidar com pais completamente humanos, do que lidar com aqueles que faziam parte do mundo sobrenatural. Stiles sabia que não poderia falar demais, ele sempre precisava ser discreto, porque sabia que os mundanos acreditavam que aquela era apenas uma escola para garotos problemáticos. Se fosse apenas isso...
Por fim, o senhor e a senhora Montier apenas acreditaram em suas palavras – e ele poderia ou não ter usado um pouco de indução para isso – e deixaram o filho, Maxon, sob seus cuidados, praticamente abandonando-o ali, enquanto corriam para fora de seu escritório. Stiles suspirou, sentindo-se um pouco mais aliviado, ouvindo o bufar vir do mais novo; ele colocou um novo sorriso no rosto, virando seus olhos quase dourados para seu novo aluno.
"Muito bem, você quer conhecer a Academia?" Stiles perguntou a ele, tendo os olhos castanhos dele sobre si.
"Pode ser. Tanto faz." Maxon respondeu.
"Ótimo, então vamos lá." Stiles se levantou, sendo seguido pelo garoto, que estava prestes a pegar a mala grande que estava no canto de seu escritório. "Pode deixar isso aí, será deixada em seu dormitório."
Maxon assentiu, então eles deixaram o escritório e, por fim, o Bloco Alfa, onde ficava toda a parte administrativa da Academia. O campus era realmente gigantesco, o tamanho correto para que seus alunos ficassem confortáveis e tivessem espaço para aplacar parte das necessidades de suas espécies. Stiles teve a ideia para aquele lugar pouco tempo depois de entrar para sua atual alcateia, seus maridos foram muito apoiadores e fizeram de tudo para realizar aquele desejo.
A parte mais difícil foi conseguir convencer todo o conselho dos Acordos de que aquilo era uma boa ideia. Por fim, ele conseguiu o que queria, Stiles sabia ser persuasivo e acabou como diretor da Academia. Agora, era volta às aulas e toda a correria de um novo semestre letivo o deixava completamente desgastado.
"Nós estávamos no Bloco Alfa, o prédio administrativo. À esquerda, estão os dormitórios, nós separamos os estudantes por espécie. Você ficará no Lua Nova, junto dos outros lobisomens." Salvatore disse calmo.
"Lobisomens?" Maxon retrucou, arqueando uma sobrancelha. Ele certamente gostaria de parecer calmo e desacreditado, mas o diretor conseguia ver o brilho de seus olhos pelo nervosismo e a forma como ele suava frio. "Hm, diretor, eu sei que esse tipo de coisa não exist..."
"Por favor, Maxon." Stiles o interrompeu. "Seus pais não estão aqui, não precisa fingir. Acha que eu não estou vendo seus olhos brilhando? O que não te vi farejando meu escritório? Não precisa se preocupar, lido com lobisomens desde que tinha sua idade."
"Então, esta escola...?"
"É para seres sobrenaturais, como você." Mikaelson confirmou. "Os humanos aqui são os druidas e as bruxas."
"E como sabe que eu sou um lobisomem?" Maxon apertou o passo, quando Stiles fez o mesmo.
"Você se parece com seu pai e sua mãe, então não pode ser um filho de Lilith, se fosse um nefilim, a Clave já teria ido até você, se seus pais são humanos, não tem como você ser do povo das fadas. Só resta vampiro ou lobisomen."
"E por que eu não sou um vampiro?"
"Veio para cá em plena luz do dia, querido. Você não é vampiro. Não teríamos te admitido se não tivesse um pezinho no sobrenatural. É perigoso deixar humanos entre recém-transformados que ainda não se controlam completamente. Acredite, eu sei bem." Stiles fez uma pausa, apontando para um prédio. "Ali é Bloco Beta, onde você vai ter a maioria das suas aulas. Mais para a frente, ficam o ginásio e a masmorra."
"Masmorra?" O lobo questionou alarmado.
"Não é uma masmorra de verdade, relaxe." Stiles riu. "Meu marido achou que fosse um nome engraçado." Ele revirou os olhos. "Agora todos os alunos chamam assim, é o lugar usado para treinar controle."
"Certo, tudo bem."
"Do lado do Beta, fica o Bloco Gama. É onde temos a enfermaria e a estufa." Stiles se virou para Maxon, que ainda analisava tudo ao redor. "Vamos, vou te levar ao seu quarto."
Sem se virar para verificar se Maxon o seguia, Stiles se pôs a caminhar, até chegar aos dormitórios. Eles eram sete prédios posicionados em forma de heptágono, cada um tendo um símbolo na porta, que indicava qual espécie cada um acomodava – exceto o dormitório dos professores, que tinha apenas um símbolo de pena na entrada. Stiles levou Maxon até o prédio Lua Nova, guiando-o pelos corredores dos dormitórios masculinos.
O diretor deu três batidas na porta do quarto 203, abrindo-a em seguida. Todos os quartos tinham a mesma configuração: três camas estavam disponíveis – sendo um beliche e uma cama de solteiro –, um frigobar, três mesas de estudos, duas cômodas e um armário; os banheiros ficavam no final do corredor e cada andar tinha seu banheiro – era menos briga, pela manhã. Um aluno estava lá, parcialmente deitado em sua cama, então os olhos castanhos do garoto subiram para si. Stiles apenas sorriu.
"Julio, que bom que está aqui." Stiles disse, então se virou para Maxon. "Maxon, este será seu colega de quarto, Julio Rodrigues. Julio, este é Maxon Montier."
"E aí?" Julio saudou, acenando com a cabeça.
"Suas coisas já devem estar aqui, Maxon. Julio está sozinho desde que os antigo colegas de quarto se formaram, no último semestre. Então não fique surpreso se mais alguém chegar."
"Tudo bem." Maxon respondeu, entrando no quarto.
"Muito bem. Espero que os dois fiquem amigos. Seja bem vindo à Praetor Lupus Academy, Maxon."
Stiles disse, então fechou a porta. Ele estava seguindo na direção do Alfa novamente, quando seu celular, que estava no bolso da calça, começou a vibrar, anunciando uma ligação. Salvatore o pegou, apertando os olhos em desconfiança, quando o número desconhecido brilhou na tela. Mesmo um pouco incerto, Stiles atendeu a ligação, então levou o aparelho à orelha.
"Alô?"
"Stiles? Ah, graças aos céus." A voz que soou do outro lado o deixou estático e ele arregalou os olhos.
"Lydia!"
✶
Havia um silêncio no quarto, era incômodo e estranho. Klaus Mikaelson-Salvatore estava encostado no batente da porta do banheiro, observando Stiles, um de seus maridos, sentado na cama deles, lendo um livro. O problema na verdade era que Stiles nunca ficava calado, nunca. Mas ele estava assim desde o jantar, até a filha deles tinha notado. Damon, seu outro marido, entrou no quarto e fechou a porta, arqueando uma sobrancelha.
"Então, nós vamos ficar aqui calados, ou vai nos falar o que aconteceu?" Damon começou, quebrando o silêncio. Stiles ergueu a cabeça, franzindo o cenho.
"O que quer dizer?" O mais novo entre eles retrucou. Klaus até poderia pensar que o outro estava sendo sincero, se não o conhecesse há anos.
"Stiles, você não fica mais do que dois minutos calado desde que nos conhecemos. Alguma coisa aconteceu, então fale."
"Certo." Stiles bufou, fechando o livro e largando-o sobre a mesinha de cabeceira. "Recebi uma ligação hoje. Da Lydia."
Mais uma vez, silêncio. Klaus e Damon sabiam bem da história de Stiles com Lydia, eles presenciaram o estado em que o marido esteve ao ser subitamente deixado, como ele quase entrou em uma depressão. Foi há quase oito anos e o assunto ainda o afetava. Klaus não podia negar que se sentia inseguro sobre aquilo, porque como Stiles foi apaixonado pela mulher por anos, então foi difícil para que ele se abrisse para um novo relacionamento, principalmente com dois homens – e, naquela época, Klaus já namorava Damon.
O vampiro original se sentou na cama, ao lado do meio-humano, vendo Damon fazer o mesmo, do outro lado. Stiles suspirou, apertando as mãos sobre o colo, fazendo o mesmo com os lábios. Klaus sabia perfeitamente o que ele estava fazendo e sabia o quão ruim era para ele mesmo. Dessa forma, ele abraçou o mais novo pelos ombros, tendo o outro vampiro fazendo o mesmo, então a primeira lágrima rolou sobre o rosto pálido de Stiles, sendo seguida de muitas outras, então ele passou a chorar.
"Tudo bem, babe, pode chorar." Damon sussurrou, levando o menor para seu colo. Klaus se aproximou dos dois, ficando ajoelhado ao lado de Stiles, para confortá-lo.
"Estamos aqui com você, coração." Klaus completou. "Pode chorar o quanto precisar."
"E-eu..." Stiles soluçou. "Por que ela me ligou? O que ela quer?"
"Babe, você não precisa falar agora, se não quiser."
"Eu quero! Preciso colocar para fora."
"Tudo bem, então coloque." Damon assentiu, mesmo que o meio-humano não olhasse de verdade para nenhum dos dois.
"Lydia simplesmente foi embora um dia." Stiles começou. "Eu liguei e mandei mensagem, mas fui ignorado. Por que ela me ligaria do nada? E ainda falou tão tranquilamente, como se não tivesse me despedaçado. Como se não tivesse sido nada para ela."
"Você não falou com ela, coração?" Klaus inquiriu.
"Não, eu desliguei assim que ouvi a voz dela. Mas essa não é realmente a questão."
"Então qual é?"
"Nik, depois que eu me juntei à sua alcateia, todo mundo de Beacon Hills parou de falar comigo. Eu mudei de número, então nenhum deles tinha como me ligar. Só duas pessoas lá tem meu contato."
"Tenho certeza que seu pai não daria seu número para eles, coração."
"Então eles conseguiram com o Peter." O mais novo deu de ombros. As lágrimas não caíam mais por seu rosto, mas ele ainda fungava um pouco. "Embora eu não ache que ele tenha dado de bom grado, sei que Chris tem meios para conseguir."
"Por que eles ligariam a essa altura?" Damon perguntou, chamando a atenção.
"Alguma coisa deve ter acontecido e eles não sabem como resolver."
"Como sabe disso, babe?"
"Eu sou o cara que bolava os planos, sei quando Scott está desesperado. Lembra de quando eu contei da Caçada Selvagem?"
"Lembro." O vampiro moreno suspirou. "Aposto que ela vai ligar de novo."
"Ela vai." Stiles concordou. "Mas vou escutar o que ela quer, dessa vez."
"Tem certeza, babe?"
"Tenho. Para ela me ligar, mesmo depois de tudo, alguma coisa grave deve ter acontecido em Beacon Hills. E não vou deixar que algo de ruim aconteça com meu pai ou as pessoas de lá só porque ela me magoou." Ele disse com convicção, deixando um calor se espalhar pelo peito de Klaus, que sorriu para o marido.
"Tudo bem, coração. Vamos te apoiar no que decidir." Klaus disse.
"E matamos quem te machucar." Damon completou.
"Obrigado. Eu amo vocês." Stiles se inclinou para a frente, deixando um selinho nos lábios de Damon, antes de se virar para si e fazer o mesmo consigo. "Agora, eu realmente preciso dormir. Amanhã vamos ter muitas visitas de pais aqui, é dia de visitas das fadas.
"Então seu dia será agitado." Klaus disse de forma amena, abrindo espaço para que Stiles deitasse entre os dois mais velhos. Ele bocejou, fechando os olhos.
"Vão estar aqui quando eu acordar?" O mais novo perguntou, como fazia em todas as noites, desde que começaram a namorar.
"Você sabe que sim, coração. Todos os dias."
Demorou um pouco para Stiles dormir. Damon apagou as luzes e eles ficaram ali, calados, até terem certeza de que o meio-humano dormia profundamente. Stiles tinha problemas para dormir, embora os pesadelos fossem mais recorrentes na época em que se conheceram, agora eram escassos. Damon estava fazendo carinho no cabelo castanho do marido, enquanto Klaus o fazia na mão que estava perto de si. Klaus suspirou, erguendo os olhos para o outro, que ainda olhava para Stiles.
"Nós temos que cuidar dele." O original sussurrou.
"Nós vamos." O outro concordou. "Nem que a gente precise matar aquelas pessoas."
"Stiles não vai gostar disso, mas é o que faremos, se for necessário." Damon concordou silenciosamente. "Eu amo você."
"Eu amo você, Nik."
✿
O celular de Stiles tocou na manhã seguinte, enquanto eles tomavam café da manhã. Klaus percebeu como o mais novo ficou tenso ao ver a tela brilhar. Ele levou a mão até a mesa, colocando-a por cima da de Stiles, Damon passava a mão por suas costas. Mikaelson agradeceu pela filha deles, Hope, ainda não ter voltado da viagem com os tios, porque ela nunca tinha visto Stiles naquela situação e seria uma péssima hora para explicar.
Klaus viu Stiles apertando os lábios, hesitando enquanto decidia se atendia ou não aquela ligação. Por fim, o mais novo decidiu fazê-lo, levando a mão trêmula ao telefone, aceitando a ligação.
"Stiles? Ah, graças aos céus. Achei que não fosse atender." Uma voz feminina soou, quando Stiles colocou a ligação viva-voz.
"Hm, oi, Lydia." O meio-humano respondeu baixo. "Faz muito tempo."
"Faz sim." A mulher suspirou. "Stiles, eu... merda. É melhor você falar com ele." Klaus franziu o cenho em confusão, principalmente quando uma discussão foi iniciada, pessoas demais falando ao mesmo tempo para que o lobo pudesse distinguir o que era dito.
"Ah, oi, Stiles." Dessa vez, foi um homem que falou. "Há quanto tempo, né? Nós estamos em Beacon Hills."
"Oi, Scott. Eu... imagino que estejam. Por que me ligaram?"
"Temos um problema. Ou achamos que temos, ainda está meio confuso."
"O quê? O que aconteceu?"
"Bom, lembra da Alisson? Quer dizer, claro que lembra. Ela voltou a vida, quando nosso antigo professor libertou o Nogitsune. Nós derrotamos o Nogitsune, mas aí o Derek morreu e nós trouxemos ele de volta à vida com uma bruxa." O tal Scott disse de uma vez, deixando todos com os olhos arregalados. Eles fizeram o quê?
"Scott, vou perguntar bem devagar." Stiles começou. "O que vocês fizeram com uma bruxa?"
"Trouxemos o Derek de volta à vida."
"Scott, isso é magia necromante. Tem ideia do preço que um feitiço desse exige? E como vocês trouxeram a Alisson de volta? O preço disso foi pago?"
"Essa é a questão. Nós demos um jeito com o Derek, mas a Lydia começou a fazer aquelas coisas de banshee e disse que umas coisas chamadas Mensageiros vão vir atrás da gente."
"Scott, vocês perderam a cabeça!? Não se mexe com o equilíbrio da natureza."
"Stiles, por favor. Eu não sei o que fazer. Eu não posso perder a Alisson de novo. Por favor."
Stiles suspirou, permanecendo em silêncio por algum tempo. Klaus o conhecia bem o bastante para saber sobre seu coração bondoso, ele sabia perfeitamente que, não importando o quão magoado seu esposo estava, não deixaria os antigos amigos na mão. O lobo apertou a mão que cobria a menor, deixando claro que o apoiaria em qualquer que fosse sua decisão.
"Tudo bem." O meio-humano disse, por fim. "Vou ajudar, mas não posso sair daqui. Vocês vão ter que vir para cá."
"Tudo bem, nós iremos. Onde você está?"
"Hm, já ouviu falar na Praetor Lupus Academy?"
"Já. Espera, você trabalha nessa escola?" Scott perguntou com surpresa.
"Sim. Podem vir, vamos estar esperando vocês." Sem esperar mais, Stiles apenas encerrou a ligação. Ele suspirou, parecendo um pouco menos hesitante. "Não acredito nisso."
"O que foi, coração?" Klaus perguntou, deixando um beijo sobre a bochecha de Stiles.
"No segundo em que eles fizeram alguma merda que não sabiam como consertar, vieram atrás de mim. É inacreditável!"
"Sabemos que está chateado, coração, mas você poderia ter dito que não iria ajudar."
"Nós vamos te apoiar em qualquer que seja sua decisão." Damon concordou.
"Não vou basear minha decisão apenas por uma questão pessoal." Stiles disse com certeza. "Fiz um juramento de ajudar quem pedisse ajuda e eles pediram ajuda. Ponto final."
"Acho que me apaixonei por você de novo, babe." Damon disse com um sorriso.
"Você é um bajulador terrível, morcego." O meio-humano brincou. "Mas obrigado."
"E agora?" Klaus se pronunciou depois de algum tempo de silêncio.
"Bom, agora eu tenho que ir recepcionar um monte de fadas que querem que os filhos estudem na nossa escola. Você, querido marido," Stiles se virou para Klaus, deixando um selinho rápido em seus lábios. "você pode preparar tudo para quando nossa filha chegar, hoje de tarde. E meu outro querido marido pode ir atrás dos nossos professores que saíram pelo mundo durante as férias."
"Você quem manda, esposo." Damon riu, levantando-se e deixando um beijo rápido em Stiles, antes de dar a volta na mesa e fazer o mesmo consigo, então usou sua velocidade de vampiro para sair.
"Bom, eu também preciso ir." O mais novo disse, levantando-se. Seus olhos estavam fixos na mesa de café da manhã. "Eu perdi toda a vontade de comer."
"Pode ir, coração. Eu cuido de tudo por aqui."
"Você é o melhor."
Stiles disse, então foi rapidamente até o quarto – provavelmente para escovar os dentes – e partiu, deixando-o sozinho. Klaus bufou, sentindo-se ligeiramente inconformado com o rumo das coisas. Ele sabia perfeitamente sobre o coração gigantesco de seu esposo, esse foi um dos motivos pelos quais ele e Damon acabaram se apaixonando pelo meio-humano, mas às vezes sua bondade poderia ser um pouco incômoda, porque Stiles insistia em sempre ajudar todo mundo, mesmo que isso o prejudicasse.
Klaus esperava que seu marido criasse um pouco mais de juízo. Tudo bem que o que Scott tinha dito na ligação era de extrema preocupação, mas Mikaelson tinha receio de que tudo apenas trouxesse problemas desnecessários para sua família e seus amigos; Klaus demorou muito tempo para se abrir e para evoluir como pessoa, ele não perderia as pessoas que amava por causa de um egoísmo de um lobo que nem mesmo conhecia.
✶
Os portões da Praetor Lupus Academy eram imensos, pareciam feitos de ouro puro. No topo, um símbolo enorme de pata de lobo estava estampada, junto do nome da escola e os dizeres Beati Bellicosi. Lydia não sabia o que significavam, mas pareciam ser as palavras certas. O que os humanos comuns achavam daquilo?
Ela adentrou mais com o carro na Academia, seguindo o carro de Scott, que ia logo à frente, junto de Liam e Hikari. Atrás de si, que estava com Malia e Jordan, vinha o carro de Peter, com Derek e Eli. Eles pararam em frente ao primeiro prédio que apareceu, mesmo que Lydia conseguisse ver mais alguns, que vinham depois. A banshee precisou de um momento antes de descer do carro, porque Stiles estava logo ali, mesmo que não olhasse para eles.
Martin respirou fundo e apertou os dedos no volante, fechando os olhos e descansando a cabeça ali, por alguns segundos, preparando-se para o que estava para acontecer. Por fim, Lydia decidiu que prolongar as coisas, então a ruiva desceu do carro. A primeira coisa que ela ouviu foi a risada de Stiles, que olhava para uma mulher que estava de costas, mas Lydia a reconheceria em qualquer lugar.
Stiles foi o primeiro a notá-la, seus olhos castanhos claros se voltaram para si, perdendo rapidamente o ar de diversão e tornaram-se sérios e quase sem brilho algum. Seu sorriso também se foi, então Kira se virou para ela também, mas não sorriu. Lydia se sentiu um pouco intimidada, porque não esperava aquelas reações, mesmo que não esperasse uma festa – na verdade, ela nem mesmo esperava que Kira estivesse ali.
Scott foi o primeiro a se aproximar dos dois, parecendo tão perplexo quanto a banshee. Stiles não o abraçou, apenas apertou a mão do alfa, mas abraçou Alisson e deu um aceno de cabeça para Derek e o filho, fazendo o mesmo para Liam e Hikari. Martin chegou mais perto; ela queria abraçar Stiles, queria matar a saudade de sentir os braços dele ao seu redor, mas o homem se afastou quando Lydia chegou perto demais.
"Oi, Lydia." Foi tudo o que ele disse, então se virou para Malia. "Oi, Malia. Parish."
"Oi, Stiles." O cão do inferno respondeu. Peter foi o último a se aproximar, então finalmente um sorriso apareceu no rosto de Stiles, que desviou de todos e seguiu na direção do lobo, apertando-o em um abraço.
"Meu lobo mau favorito." Stiles disse de forma animada e Lydia conseguia ver o sorriso mínimo no rosto do Hale, mesmo que ele tentasse esconder.
"Você continua um moleque chato, Stiles. Mas é bom te ver."
"Posso dizer o mesmo." Stilinski suspirou, então olhou para eles. "Vamos conversar no meu escritório."
Lydia ficou confusa, como assim escritório? Mesmo assim, eles apenas o seguiram, entrando no prédio grande e subindo os dois lances de escadas, Kira vinha logo atrás. Havia um homem sentado atrás de uma mesa de madeira, olhando para um computador e anotando coisas em um caderno; logo depois dele, havia uma porta de madeira escura, com uma plaquinha que dizia 'Diretor Mikaelson-Salvatore'. Quem era esse e por que Stiles os levou para a sala dele?
"Mais visitas, Rafa?" Stiles perguntou, parando momentaneamente.
"Sim. Dois casais marcaram visita para amanhã pela manhã. O primeiro casal é de fadas, o segundo é de humanos. E parece que a mulher é a madrasta da garota." O tal Rafa respondeu.
"Muito bem. Deixe a Bombom avisada, vai ser melhor se ela participar da visita comigo."
"Claro, senhor Salvatore." Rafa disse, indo anotar em seu caderninho mais uma vez. Stiles agradeceu, então abriu a porta da sala e entrou. Todos o seguiram.
"Senhor Salvatore?" Scott questionou, com olhos arregalados. Stiles abriu a janela em silêncio, deixando o vento entrar.
"Acho que nem Peter nem meu pai falaram sobre meu casamento, embora tenham sido convidados."
Lydia travou, sentindo seu coração afundar um pouco. Ela apertou os lábios, segurando-se para não falar nada, sabia que não tinha direito. Não foi necessário que ninguém pensasse em como quebrar o clima tenso que se instaurou, no entanto, porque Derek tomou a frente, aproximando-se de Stiles e apontando para ele.
"Eu conheço você." Derek disse.
"Sim, Derek. Você me conhece." Os olhos castanhos passearam por todos na sala, à procura de uma explicação. "O que exatamente aconteceu? Me contem desde a Alison."
Então Scott falou. O alfa explicou sobre a forma como trouxeram Alison de volta, como derrotaram seu antigo professor, que tinha ficado completamente louco, e como derrotaram novamente o Nogitsune – naquele momento, Stiles ficou extremamente tenso. Então, ele explicou sobre a busca pela bruxa, e como Derek voltou à vida – é claro, omitindo a parte sobre o preço.
Ao final da história, o homem apenas suspirou, sentando-se na cadeira que tinha atrás da mesa, apoiando o cabeça em uma mão, como se fosse um pai decepcionado por algo de muito errado que o filho fez. Stiles permaneceu em silêncio por um tempo e ninguém se atreveu a falar nada. Lydia se sentiu subitamente envergonhada, como uma criança que era pega em flagra fazendo algo errado.
"Certo." Stiles disse, depois de um tempo. "Antes de tudo, qual foi o preço que vocês pagaram pelo Derek?"
"Ah, Stiles, isso não é importante." Scott tentou desconversar, desviando o olhar.
"É claro que é importante. Melhor me dizer logo, Scott. Eu sei que o preço de trazer uma alma de volta é outra alma e sei que você não é o tipo de alfa que sacrificaria alguém."
"Não, eu não faria isso. Nós... resolvemos fazer isso em conjunto."
"O que quer dizer?" Stiles apertou os olhos.
"Pagamos com um pouco da alma de cada um."
O alfa soltou de uma vez, então houve silêncio novamente. Lydia achou que fosse apenas o vento ficando mais forte, mas ele notou como os olhos de Stiles brilharam em um leve tom de dourado, seus dedos se apertaram em punho sobre a mesa e algumas coisas na sala começaram a tremer. O que porra era aquilo? Stiles não era humano?
"Scott." Ele disse baixo, levantando-se da cadeira. "Scott McCall, o que você acabou de dizer?" O alfa abriu a boca para falar, mas Stiles apenas ergueu a mão, parando-o. "Não, é melhor nem repetir. Céus! Vocês realmente acharam que isso resolveria alguma coisa? ACHARAM MESMO?"
"Mas a bruxa disse..." Eli começou, calando-se assim que os olhos agora dourados o miraram.
"Garoto, eu não vou te culpar porque sei que você não entende muito dessas coisas e só queria seu pai de volta. Mas, Lydia? Você concordou com isso?! Deveria ser a voz da razão. O Scott sempre foi inconsequente, mas não achei que justo você fosse concordar com isso."
"Fui voto vencido." A ruiva respondeu, cruzando os braços. "Mas concordei de qualquer forma."
"Vocês não entendem a gravidade disso, não é?"
"Bom, fique à vontade para explicar." Malia falou, sentando-se em uma cadeira que estava disponível na sala.
"Mexer com o equilíbrio da natureza é a pior coisa que vocês poderiam ter feito." Stiles disse, balançando a cabeça em negação. "O preço por uma alma é outra alma. Essa bruxa mentiu para vocês, partes de almas não formam uma alma inteira. E ainda tem o caso da Alison, embora eu não saiba realmente como agir nessa situação, nunca vi algo assim. Mas feitiços necromantes são os mais perigosos."
"Podemos resolver?" Scott perguntou, parecendo esperançoso.
"Sinceramente, eu não sei." Stiles deu de ombros. "Nunca tive que lidar com isso antes. Mas talvez Bonnie e Davina possam ajudar. Rafael!" O tom de sua voz foi apenas um pouco acima do normal, mas pareceu ser o bastante para que o outro ouvisse.
"Sim, senhor Salvatore?" Rafael perguntou, depois de abrir a porta.
"Alaric já voltou da viagem?"
"Ainda não."
"Por favor, me informe assim que ele voltar. E chame Davina e Bonnie para mim por favor."
Rafael apenas assentiu. Lydia estava se perguntando o que aquele garoto poderia ser, porque ele certamente não era humano, tinha uma pele escura, mas era óbvio a falta do corado pela circulação do sangue. Os olhos tinham um leve brilho vermelho, também.
"Ele é um vampiro." Stiles disse, simplesmente. "Foi um dos primeiros a vir para cá, quando a Academia foi fundada."
"Vampiros existem?" Eli questionou.
"Se lobisomens existem, por que os vampiros não existiriam?"
"Acho que faz sentido." Houve uma rápida pausa. "O que mais existe?"
"Fadas, nefilins, feiticeiros; eles são meio demônios. Anjos também, mas eles não vivem entre a gente." O de olhos dourados explicou. "Bom, tem o Castiel, mas ele desistiu da imortalidade angelical para ficar com o Dean, ou é o que o ele diz. E a Clary e o Jacy têm mais sangue de anjos do que os outros, mas acho que isso não faz deles anjos de verdade." Ele parou um pouco para respirar. "Nós aceitamos quase todos aqui na Academia, embora os nefilins tenham sua própria escola, então não estudam aqui. De resto, nós acolhemos. É nossa função como Praetor Lupus."
"Eu nunca ouvi falar disso." Lydia falou. "Claro, eu me afastei do mundo sobrenatural, mas nunca ouvi falar de Praetor Lupus."
"Nós não somos... exatamente aceitos pela Clave, mas as leis dos Acordos nos protegem, e tivemos aprovação da Inquisidora para fundar a escola. Os alto feiticeiros, o conselho dos lycans e os líderes dos clãs da noite também foram de muita ajuda." Kira disse, sendo a primeira vez a se pronunciar desde que entraram naquela sala. Ela foi para o lado de Stiles, colocando uma mão sobre seu ombro.
"Kira, do que você está falando?" Scott perguntou. "Nós nunca ouvimos falar de nada disso."
"O Conselho das Sombras." Derek disse, atraindo a atenção para ele. "Minha mãe já tinha falado disso, mas eu esqueci."
"Exato." Stiles disse. "Klaus é o nosso representante no Conselho; o representante dos lobisomens, na verdade. Embora ele odeie isso."
"Quem é Klaus?" Lydia perguntou.
"Meu marido." Foi a resposta do outro, que saiu como se não fosse nada demais, mas Lydia ouviu a respiração de todos engatar. "Um deles, na verdade."
"Um deles?!" A ruiva se pegou falando, sua voz saindo alta.
"Sim. Faz sete anos, Lydia, muita coisa mudou na minha vida." Stiles deu de ombros. "Eu nem continuo mais sendo totalmente humano."
"O que aconteceu?" Malia questionou.
"Eu sofri um acidente." As palavras fizeram seu coração afundar. "Um homem bêbado ultrapassou o sinal vermelho, eu praticamente voei até o capô do carro. Quase morri naquele dia. Se Serina não tivesse me dado um pouco do sangue dela, naquela noite, eu teria mesmo morrido."
"Céus! Como a gente não ficou sabendo disso?" Scott questionou.
"Vocês não ficaram sabendo de nada porque não estávamos nos falando. Simples assim. E eu estou bem agora, eu tenho minha família comigo." Stiles sorriu, dessa vez seus olhos brilharam com um amor quase cegante. "E tenho minha alcateia e minha escola. Estou realizado."
"Entendi." Scott disse, apertando os lábios, mas Martin podia ver como ele parecia desanimado pelo que ouviu. "E o que você é, agora?"
"Sou meio-fada. Pelo menos é o termo que estamos usando. Eu não tenho asas, se você está pensando em perguntar isso." Batidas foram ouvidas à porta e ela foi aberta, Rafael passou. "Sim?"
"As professoras estão na recepção dos novatos, senhor Salvatore. E o professor Saltzman chega à noite." O vampiro respondeu.
"Tudo bem, obrigado." Stiles disse, então o outro saiu. "Bom, parece que vocês não vão voltar tão cedo para casa, vamos arranjar alguns quartos para vocês. Ainda precisamos fazer algumas pesquisas."
"Stiles." Eli chamou. "Por que está nos ajudando?"
"Porque sou Praetor Lupus. É isso que nós fazemos."
Lydia entendeu a seriedade daquelas palavras, a verdade por trás delas. Não queria ajudar vocês, mas farei isso. Certo, ela ainda precisaria aprender a lidar com a proximidade com Stiles depois de anos longe, teria de lidar ainda mais com sua insistente frieza consigo e os demais da alcateia, era tão estranho ter aquele tipo de tratamento vir justamente de Stiles. Mas Lydia achava que aquilo poderia ser apenas uma impressão de reencontro, as coisas ficariam melhores.
Elas precisavam ficar melhores.
E foi isso, amores.
Espero que tenham gostado do capítulo. Não se esqueçam de comentar bastante e de deixar seus votos. Essa fic vai ter um foco diferente das outras, então estou contando com o apoio de vocês.
Até a próxima. Amo vocês.
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