Capítulo 23 - Entregadores de Flores

Owen e Aerith chegaram até o centro comercial do Setor 5. Os dois carregavam cestos com vários tipos de flores, desde rosas a flores que só existiam do outro lado do continente.

— Vem. Por aqui! — Aerith sorriu começando a correr.

— Espera. — Owen falou indo logo atrás.

Owen e Aerith começaram a subir um pequeno morro para chegar a um portal enferrujado que havia no local, mas um som alto chamou a atenção dos dois.

Aerith imediatamente se virou de costas ouvindo o som de um gemido e de algumas crianças que ali haviam gritarem assustadas. Owen virou em seguida.

Um homem encapuzado passava pelas crianças enquanto andava na direção do portão que levava para fora do setor 5. Algumas crianças correram para trás de Aerith que estendeu os braços para protegê-las caso ele tentasse algo.

— Não se preocupem. Vai ficar tudo bem. — Falou Aerith preocupada.

Owen imediatamente ficou a frente deles já puxando sua espada.

O homem encapuzado ao passar próximo a eles, caiu imediatamente no chão e Aerith não exitou em ir até ele.

— Espera. — Falou Owen colocando a espada novamente nas costas.

Aerith se ajoelhou ficando ao lado do homem encapuzado. Ela apesar de não o conhecer, estava extremamente preocupada com ele.

Owen se aproximou do homem e notou que ele era idêntico ao homem que havia no apartamento do Setor 7.

— Hum. Não é ele, mas é extremamente similar. — Falou Owen.

— Ahn? — Aerith olhou para o braço direito observando uma tatuagem. — Tem um número... Por que 2?

— Vai saber. Mas pensando bem... — Owen olhou para Aerith.

Naquele momento de distração, o homem mascarado agarrou o pulso de Owen que imediatamente colocou a mão na cabeça sentindo uma forte dor de cabeça.

O homem encapuzado levantou a parte superior de seu corpo e derrepente, Sephiroth era quem estava ali, sorrindo como sempre.

— A reunião... — Falou Sephiroth.

Owen puxou o braço e imediatamente se afastou de Sephiroth, levando a mão até o cabo da espada presa em suas costas.

Sephiroth se levantou completamente e se virou para Owen mantendo seu sorriso.

— Não há nada a temer. — Acrescentou Sephiroth.

A dor de cabeça de Owen retornou novamente e dessa vez, sentiu a dor se espalhando pelo seu corpo. Ele colocou a mão direita em seu braço esquerdo e derrepente a dor sumiu. Owen se virou e Sephiroth havia desaparecido, apenas o homem encapuzado estava ali.

O homem encapuzado voltou a caminhar em direção a saída do Setor 5 até finalmente sumir no horizonte.

Owen ainda sentia seu corpo dolorido quando mexeu o braço e Aerith imediatamente segurou em sua mão.

— Owen...? Precisamos ir... Anda... — Aerith falou preocupada.

Owen virou para Aerith e sentiu o pouco de dor que ainda tinha desaparecer.

— Você já ouviu falar no Sephiroth, por acaso? — Indagou Owen.

— Sephiroth, o herói de guerra? — Aerith olhou para Owen ainda segurando na mão do jovem. — Sei que ele morreu num acidente a três anos. Saiu nas notícias.

— Talvez. Mas tenho a sensação de que ele ainda tá vivo.

— Ah... Entendi. — Aerith virou o rosto de canto. Ela começou a andar em direção ao portão enferrujado não muito longe deles. — Vamos lá.

Os dois mal haviam chegado próximos do portão quando um som alto começou a se espalhar.

Um helicóptero com o logo da Shinra havia chegado ao setor 5, pousando no que parecia ser uma área militar que estava a 20 metros do centro comercial.

— Shinra? — Indagou Owen.

— Deve ser o reforço que o Reno comentou. Vamos logo.

Owen e Aerith enfim atravessaram o portão enferrujado chegando até um orfanato. Várias crianças corriam alegremente pelo local e uma mulher de pele escura e cabelo preto encaracolado os observava sorrindo alegremente.

— Hey, Sra. Hills! — Aerith sorriu correndo até ela.

— Ah, Aerith!

— É a garota das flores! — Começaram os cochichos entre as crianças.

As crianças imediatamente correram até Aerith, todas alegres com a presença da garota naquele local.

— Quem é aquele? — Indagou a Sra. Hills.

— É meu guarda-costas. — Aerith sorriu. — Aqui estão as flores.

Aerith imediatamente entregou o cesto a Sra. Hills e em seguida pegou o que estava com Owen e também entregou.

O orfanato apesar de parecer ser uma escola meio velha, possuía cores vibrantes e flores enfeitando por todo lugar.

— Até logo, Sra. Hills! — Aerith se despediu indo embora com Owen.

— Então você ajuda órfãos... — Comentou Owen.

— É. Eu brincava muito nesse lugar quando eu era criança. — Aerith sorriu.

Aerith e Owen caminhavam por um local vazio da área residêncial do Setor 5. Os dois riam e conversavam até se depararem com um homem de pele branca, careca e de óculos que estava logo a frente. O traje que usava era idêntico ao de Reno.

O homem que estava agachado imediatamente se levantou e se virou para a dupla, ajeitando o óculos escuro que usava.

— Olá, Aerith. — Falou o homem com um tom de voz sério e firme.

— O que você quer? — Indagou Aerith o encarando.

— Nunca vi esse cara antes. É seu novo namoradinho? — O homem deu alguns passos a frente e Aerith recuou para trás, Owen ficou parado.

— Ele é o meu guarda-costas, se quer saber.

O homem desviou o olhar para Owen e notou a luz esverdeado sobre seus olhos azuis.

— Espera um pouco... Esses olhos... Foi ele que deu uma surra no Reno?

Owen calmamente caminhou até o homem ficando frente a frente. Ambos olharam nos olhos um do outros e se encararam.

— E se eu for? — Encarou Owen.

— Só queria devolver o favor. Só isso. — Falou o homem.

O homem abriu um portão vermelho que havia ao seu lado e adentrou. Owen e Aerith foram loco atrás.

O local era grande e plano, perfeito para uma luta sem que batessem em alguma casa ou pedaço de entulhos.

Aerith seguiu Owen que entrava no local e o agarrou pela mão.

— Owen, deixa pra lá. O Rude não é uma má pessoa. Sério.

— Não, não sou mau. Mas goste ou não... Às vezes eu preciso fazer maldades. — Rude falou ajeitando a luva de couro nas mãos.

Rude e Owen se encararam e se posicionaram para lutar. Rude levantou os punhos e Owen pegou sua espada.

— Nada pessoal. — Afirmou Rude.

Rude avançou em alta velocidade contra Owen e o chutou, mas Owen bloqueou com sua espada sendo repulsionado alguns centímetros para trás pela força do chute.

A mão de Aerith brigou e um bastão metálico imediatamente se formou, ela ficou ao lado de Owen pronta para lutar.

— Humpf! Vocês, Turks são todos iguais. Todos latem... Nenhum morde. — Provocou Owen.

— Olha quem fala. — Rude ajeitou o óculos.

Owen e Rude foram um na direção do outro. Ambos começaram a trocar socos sincronizados.

— Não tenham pressa! — Falou Aerith segurando o bastão.

— Para trás! — Owen e Rude falaram ao mesmo tempo.

Owen atacou Rude com um corte vertical e o mesmo desviou.

Rude segurou uma das mãos de Owen e o golpeou com um potente soco na barriga.

Aerith levantou seu bastão e uma luz verde poderia ser vista da ponta, ramos de plantas surgiram do solo e prenderam os pés de rude.

Owen imediatamente chutou Rude na altura do rosto e um pedaço da lente do óculos do homem quebrou. Ele recuou para o lado de Aerith logo em seguida.

Rude os encarou. — Então tá.

— E aí, já aprendeu a lição? — Aerith sorriu. Ela e Owen voltaram a posição de batalha.

Rude jogou oculos fora e puxou um novo do bolso do terno, colocando em seguida. — Não, acho que ainda não. — Rude falou dando um leve tava no ombro para remover a sujeira da roupa.

Owen encaixou a Kyutama em seu Seiza Blaster e em seguida o ativou apertando o gatilho, entrando em sua forma ranger.

— Wow! Então é assim... — Aerith olhou maravilhada.

— Espera um minuto, você é...

Não deu nem tempo de Rude terminar sua fala, Owen avançou tão rápido que quando percebeu, já estava sendo golpeado com vários socos no rosto e na barriga.

— Fire Punch! — Anunciou Owen.

O punho de Owen foi revestido com fogo e ao golpear Rude, uma explosão ocorreu.

Rude caiu de joelhos.

— Por favor. Deixa a gente em paz. — Pediu Aerith.

Rude se levantou limpando a roupa. — Você sabe que eu não posso.

Rude voltou a sua posição de batalha e Owen também. Ambos estavam se encarando quando derrepente um telefone começou a tocar.

Rude puxou do bolso traseiro um Smartphone e o colocou no ouvido.

— E aí, meu parceiro. — Era Reno. — Sei que você tá curtindo de montão, mas querem a gente de prontidão para um serviço. Algo sobre o Setor 7. — A voz de Reno tinha um certo tom de deboche. — Então volta logo pra cá, rápido.

A ligação estava no viva voz, Rude tentou tirar a todo custo mas não conseguiu. — Entendido. — Rude suspirou colocando o celular no ouvido e desligou em seguida.

— Tem outro compromisso? — Indagou Aerith curiosa.

— Parece que sim. — Rude novamente ajeitou o óculos.

Um helicóptero da Shinra imediatamente chegou ao local. Rude caminhou até próximo dele e uma escada foi jogada. Rude a agarrou e se virou para Owen e Aerith.

— Vá para casa e não saia de lá. — Alertou Aerith.

— Você sabe que eu não posso! — Aerith sorriu.

O helicóptero aumentou a altitude e começou a ir na direção da saída do Setor 5.

Owen desmorfou e olhou para Aerith.

Owen e Aerith caminharam novamente para casa, chegaram quase no por do Sol e aerith saiu correndo para o jardim.

Owen suspirou e foi atrás de Aerith, ele a encontrou de joelhos sobre um canteiro de flores amarelas, parecia estar conversando.

— Ahn... Tá falando com as...?

Aerith olhou para Owen e colocou o dedo indicar na frente da boca. — Shhhh! — Ela se virou novamente para as flores. — Então, é isso... Meu dia foi assim. — Aerith aproximou o ouvido das flores e em seguida sorriu se levantando. — Vamos. Não quero deixar minha mãe esperando.

— Ei... O que elas disseram?

— "Bom trabalho pessoal". — Aerith virou o rosto. — Brincadeira. Elas não falam. Mas, sabe de uma coisa...? — Aerith virou o rosto na direção de Owen. — Ah... Deixa pra lá. Você não ia acreditar em mim.

— Acho que não. — Owen se virou e deu alguns passos a frente, mas parou e virou para Aerith novamente. — Mas pode me dizer mesmo assim.

— Sério?

— Sim.

— É só questão de tempo. As flores, elas... Têm algo importante para dizer. — Aerith olhou para as flores. — Algo que elas precisam contar. Pelo menos, essa é a sensação que eu tenho... — Aerith ficou em silêncio por alguns segundos. — Mas... Antes que elas possam falar... Tem uma última coisa a ser feita. — Aerith fechou o punho. — Caso contrário... Não vamos poder ouvi-las. Talvez seja melhor eu desistir. — Aerith suspirou. — Honestamente. Eu sou boa nisso. Desistir...

— Não sei, não. Pelo que eu tenho visto, você nunca desiste.

Aerith se virou sorrindo. — É que hoje é um dia especial! Por isso eu tenho me esforçado tanto!

— Ahn... O que tem de especial?

Aerith começou a rir e em seguida andou em direção a sua casa. — Ok. Vamos nessa.

Owen olhou para as flores uma última vez. — Aprende logo a falar com ela.

Aerith se virou. — As flores falaram algo?

— Ahn... "Bom trabalho, pessoal"?

Aerith riu. — Esse é o espírito!

Aerith e Owen enfim chegaram. Elmyra apareceu furiosa com as mãos na cintura.

— Onde vocês se meteram? Fiquei tão preocupada!

— Desculpa. A gente se enrolou.

— O jantar está pronto, caso queiram saber.

— Ah, ótimo!

— Mas antes de comer, quero que arrume o quarto de hóspedes.

— Tudo bem. — Aerith subiu as escadas.

Elmyra cruzou os braços e se aproximou de Owen. — A julgar pelos olhos, suponho que seja um SOLDIER?

— Ex-SOLDIER.

— Odeio ter que pedir isso... Mas será que você pode ir embora ainda hoje? Sem fazer perguntas? — Elmyra andou até a mesa e se virou para Owen. — Você fez uma troca: Poder, em vez de uma vida normal. Você não pode ter as duas coisas.

Owen se virou para Elmyra e antes que pudesse dizer algo, Aerith retornou.

— Voltei!

— Ótimo! Espero que estejam com fome.

— Morrendo de fome, né? — Aerith se aproximou de Owen.

Owen ficou em silêncio.

Os três jantaram e em seguida subiram para seus quartos. Owen pegou no sono quase na mesma hora.

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