Capítulo 25

Hoje, eu tenho que ir para a escola. Me sinto mal só de pensar que todos aquelas pessoas vão estar me olhando com pena. E todas as perguntas dos professores, e histórias para superar uma perda. Como se isso adiantasse.
Nunca pensei que eu me tornaria tão patético. E sem graça.

Como foi que eu fiquei assim mesmo?

Ah! Claro. Scott.

Ele me tirou tudo que eu tinha. Popularidade e a Cristha. Mas ela não era tudo que eu tinha.
E olha, se sacrificar por coisas pequenas dá bem menos trabalho.
E é menos cansativo.

Mas, as vezes, eu sinto falta. Das vezes que o treinador me elogiava, ou quando minha mãe ia ver o jogo e ficava gritando igual uma louca.
E quando, meu time ganhava o jogo, eu pulava no colo de John, e riamos igual crianças que acabaram de comprar doces.
Bons tempos. Sinto falta de tudo isso.

Mas ao olhar para o lado e ver o riuvo andar do meu lado sorridente, faz essa saudade desaparecer em questão de segundos. Sam é uma das poucas pessoas que eu mataria para salvar. É bom ter alguém importante para mim.

É bom ter alguém por quem lutar.

- Por que está me encarando? - Perguntou Sam, com o rosto escondido na toca de sua blusa, e com as mãos nos bolsos.

- Nada - Sorri para ele.

Chegamos na entrada da escola. Alguns alunos entram nela, outros saem pelo portão como se eles estivessem em suas próprias casas. Essa escola não tem proteção nenhuma.

Algumas carros de polícias estão estacionados na frente da escola, eles provavelmente vêem os alunos matando aula, mas não fazem nada.

Encontro o policial Josh. Ele acena para mim, e vem se aproximando.
Seguro o braço de Sam, para que ele possa parar de andar.

- Sam, vai entrando, depois eu te alcanço.

Sam balança a cabeça, e anda em direção à entrada da escola.
O Policial Josh me alcança e sorri.

- Olá, estudante - Diz o policial Josh, tirando sarro com minha cara.

- Não humilha. - Digo dando uma leve cotovelada nele - O que veio fazer aqui?

- Avisar que você pode voltar para sua casa. A morte de sua mãe foi registrada como acidente doméstico não concluído. Resolvemos que não vamos divulgar a causa da morte dela para ninguém. - Diz ele, cruzando os braços e olhando ao redor, como se estivesse esperando alguém.

- Por que? Você sabe que foi assassinato, não é? - Pergunto cruzando os braços também.

- É claro que sabemos, mas não divulgando o real motivo, será mais fácil de encontrar o culpado. Você tem a vantagem agora. - Ele volta a me olhar - Tem suspeitado de alguém?

- Não - Resolvi que não vou contar para ele ainda, mas depois quando eu tiver certeza, ele será a primeira pessoa a saber - Mas você pode me ajudar com isso, não é?

- Claro. - Ele olha para o lado, e encara alguém. - Tenho que ir.

O Policial Josh rapidamente corre em direção à saída da escola, e os carros que estavam estacionadas o seguem. Algo deve estar acontecendo.

Entro na escola, e encontro Sam, em frente ao seu armário. Que por sinal, estava limpo e praticamente novo. Pelo menos, o diretor sabe fazer alguma coisa sobre isso.

Me aproximo dele, e tiro sua toca. Coloco minha mão sobre seu ombro.

- Passa o dinheiro do lanche - Forço um pouco a voz, para disfarçar.
Sam gela, e tira de seu bolso o dinheiro e me entrega.

Sou obrigado a começar a rir. Coloco o dinheiro de volta nas mãos do Sam, e me escosto em meu armário. Sam me olha com o cenho franzido e vermelho de raiva.

- Desculpa - Bagunço seus cabelos com as pontas dos dedos, o fazendo me dar um tapa e colocar de volta o capuz - Você estava muito sério, Sammy. Eu tinha que te alegrar um pouquinho.

- Que engraçado, Andrei. - Ele me dá um leve soco no braço, o que me faz rir ainda mais.

Ele termina de pegar seus livros no armário, e vai em direção à sala de aula. Sigo ele, e ele se mantém em silêncio. Parece que ele se aborreceu mesmo. Sam leva muito a sério uma brincadeira. Ou, apenas ele sofreu muito bullying.

Eu não sei.

Entro na sala, e vou em direção a minha mesa. Coloco minha mochila na carteira de trás e me sento.
É aula de Química. Isso quer dizer que vou ter que aguentar Cristha mais um dia. Talvez ela nem me irrite tanto, já que ainda estou de luto.

Passo a mão por cima da minha mesa, e sinto algo fundo. Como palavras gravadas.
Olho para o meio da mesa, o que faz meu coração disparar e uma raiva subir por minha cabeça.

É isso o que eu faço quando mexem com a minha família.

Era isso que estava escrito. A mesma coisa que eu disse para o diretor Samuel. E que ninguém ouviu além dele.

Isso é uma confissão?

Saio da sala em disparada, deixando a professora sem saber o que fazer. Ando pelo corredor, quase correndo. Esbarrando em algumas pessoas, fazendo elas me xingarem.

Ao chegar perto da porta da direção, um sentimento de remorso toma conta de mim. Querendo sair correndo e ir para casa. Mas pode ser que amanhã aquilo não esteja mais lá, e eu comece a acreditar que isso foi apenas coisa da minha cabeça.

Entrei na sala sem bater, fazendo a secretária que conversava com o diretor, soltar um grito que me fez recuar um pouco.

- Sr. Müller? - Fala o diretor que faz sinais com a mão para que a secretária deixe a sala. Que assim fez.

- Acha que foi uma ameaça? - Pergunto após ouvir a porta sendo fechada atrás de mim.

- O que? - Perguntou o diretor entrelaçando as mãos e colocando aquele maldito sorriso no rosto de novo.

- A morte da minha mãe. - Cruzo os braços, e me aproximo da mesa.

- Você está me acusando de assassinar sua mãe? - Pergunta ele, ainda com o mesmo sorrisinho no rosto.

Travei a mandíbula, e desviei o olhar para a parede. E logo depois voltei a olha-lo.

- Não disse que foi assassinato - Levantei as sobrancelhas. E nesse exato momento, o sorrisinho do diretor Samuel sumiu, e um expressão preocupante tomou conta de sua face. - Minha mãe morreu, mas eu não disse como.

- Ouvi dos policiais. - Disse ele, mas manteve a expressão séria. Ouvi algumas leves batidas no chão. É o pé do diretor batendo várias vezes no chão.

Ansiedade. E ansiedade é igual a pressão.

Peguei você.

- Os policiais não divulgaram a morte da minha mãe para ninguém, nem para jornais, nem para familiares.

- Foi uma especulação.

- Você me ameaçou baseado numa especulação?

- Eu não...

- Eu não importo com o que você faz quando mexem com sua família, mas é isso, o que eu faço quando mexem com a minha.

Me viro para sair da sala, coloco a mão na maçaneta, mas o barulho da batida do pé do diretor sendo interrompido, me faz parar. Olho para ele de novo, e de novo ele está com o sorrisinho no rosto.

- Sabe qual a diferença entre bater em alguém e matar alguém? - Diz ele, me olhando de cima a baixo - É que um você deixa a pessoa viver a vida de merda que tem, que seria bem pior do que morrer. E outro, é que você livra a pessoa da vida desgraçada.

Cerro os punhos. Parece que o diretor Samuel entrou na brincadeira.

- Isso é uma ameaça? - Pergunto, pronto para me virar para ir embora.

- Não sei. É uma ameaça?

Saio da sala dele, e vou em direção à minha sala de aula. Entro e peço desculpas para a professora, que apenas diz que está tudo bem. Embora eu saiba que ela vai querer saber o motivo depois.

Não prestei atenção na aula, e nem precisei me esforçar para isso.
Intimidar o diretor Samuel é bem mais difícil do que parece.

Mas, na terceira vez, dá sorte?

Não é?

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