12-Um gelatto para adoçar a vida.

Matteo estava saindo da ala de emergência ainda segurando a mão de Kiara quando foi surpreendido por uma voz doce e calma.

—Doutor!

—Oi princesa!— disse fazendo um carinho nos cabelos loiros da criança.— Como você está?

—Eu estou bem doutor, eu vim trocar os meus curativos. —disse a garotinha sorridente para o médico, e então parando depois de um breve momento para olhar para Kiara que estava sorrindo.—Quem é a moça bonita? É a sua namorada?

Matteo ficou surpreso com a pergunta da garotinha, ele não queria mentir para uma criança, mas ainda existia pessoas o observando no local.

—Sim, ela é minha namorada. Se chama Kiara.

— Oi bonequinha, é um prazer conhecer você. - falou a morena carinhosamente para a criança.—

— Igualmente. — sorriu a pequena.—Você é muito bonita e simpática, combina com o doutor.

—Obrigada! —disse Kiara corando violentamente sem graça devido o comentário.—

—Bem pequena, eu preciso ir... Prometa que vai se cuidar direitinho e obedecer a sua mamãe.

—Eu prometo. —sorriu a pequena — Quando eu crescer, quero me tornar uma médica igual a você para cuidas das pessoas.

—Você pode ser o que quiser, basta se dedicar e se esforçar.

—Eu irei me esforçar.

Matteo apenas sorriu calorosamente para a pequena e depois de se despedir,b partiu com Kiara. O casal andou até o estacionamento de mãos dadas sobre o olhar curioso de pessoas que passavam pelo local. Assim que chegou no estacionamento abril a porta do carro para ela entrar, em seguida se acomodou no banco do motorista e deu partida no veiculo. Seguiram o percurso em absoluto silencio.

Estava um silencio absurdo e constrangedor, Kiara não sabia o que dizer e Matteo tão pouco. Quando finalmente decidiram falar, falaram ao mesmo tempo.

— Me desculpe! — disse os dois em coro e depois começaram a rir.—

—Eu queria me desculpar com você Kiara.

—Pelo que?

—Por tudo... Pela intoxicação alérgica, por aquela confusão toda no hospital, e por aquela historia de namorada.

—Tudo bem, sem problema. Eu sei que que você não fez por mal.

—Mas eu só não entendi uma coisa Kiara.

— O que?

—Por que você disse que era a minha namorada? Você poderia simplesmente dizer que éramos amigos.

—Quando eu estava saindo da sala de medicação, eu ouvi às enfermeiras falar que o dr. Matteo tinha dado entrada no hospital com a namorada. Eu achei estranho mas aí me lembrei daquilo que você me falou hoje de manhã. Aí depois estava tudo bem e tranquilo, até aquela médica chegar me olhando dos pés a cabeça de forma intimidadora como se eu tivesse feito algum crime e me avaliando como se dissesse "Nossa é essa aí a sua namorada" —riu nervosamente —Eu não gostei de ser avaliada por aquela residente, então antes de você dizer qualquer coisa eu acabei concordando e me apresentando como sua namorada. Foi algo no calor do momento, me desculpe se passei dos limites.

—Tudo bem, sem problemas... Eu também peço desculpas pois tive que falar na recepção que era seu namorado, caso contrário eles não me permitiria ficar por perto, e eu me sentia muito culpado por tudo que estava acontecendo e não sabia para quem ligar já que você não tem nenhum parente aqui. Me desculpe por tudo.

—Imagina, não precisa se desculpar de nada. —sorriu Kiara —Obrigada por ter me ajudado e ter pagado às despesas do hospital. Eu prometo devolver o dinheiro depois.

—Nem pensar, você não precisa me devolver nenhum centavo. Eu fiz mais do que a minha obrigação. — disse enquanto parava o carro no semáforo e olhava para Kiara atentamente —Bom, mudando de assunto. Eu estou com fome, e não comemos nada até agora. — murmurou consultando o relógio —o que me diz de pararmos para comer alguma coisa. Você quer jantar, ou comer algum lanche saudável.

—Eu vou aceitar comer um lanche.

—Ótimo. tem uma lanchonete muito boa aqui perto. —disse dando partida no carro no momento que o farol verde abriu e dobrando o veículo na segunda rua a direita antes de chegar na frente da lanchonete e estacionar o carro. Assim que entraram no ambiente escolheram uma mesa perto das janelas que dava acesso para toda a vista da rua. Fizeram seus pedidos para uma garçonete que os atendeu. E depois ficaram por um tempo apenas observando a vista que dava para a rua principal.—

—Você está se sentindo realmente bem?—perguntou Matteo ainda preocupado.—

—Sim estou bem, acho que foi só o susto mesmo. Me desculpe por tudo.

— Imagina, sou eu quem devo pedir desculpas aqui.

—Não foi sua culpa, você não sabia de nada.

— Mesmo assim eu me sinto culpado por tudo isso.

Minutos depois a garçonete se aproximou com os pedidos, ele agradeceu calorosamente e assim que a moça saiu ele foi logo perguntando.

— Você faz faculdade deque Kiara?

— Arquitetura paisagística.

— E falta muito para terminar?

— Não, apenas mais seis messes e termino.

— E você pretende abrir o seu próprio negócio?

— Eu queria muito, mas eu teria que ter um bom dinheiro para investir mas no momento isso é impossível. —sorriu —Eu trabalho em uma floricultura no centro da cidade, e me ajuda muito, não apenas em conhecimento como também conta muito na minha experiência profissional.

—E nas horas vagas é uma sereia.

—Hei, é um trabalho sério.

— Eu nunca disse o contrário. —sorriu — Eu admiro o seu trabalho, você tem coragem de entrar em um tanque com água gelada e cheio de peixes para mergulhar.

—É muito lindo... Sem contar que eu sinto muita paz e tranquilidade.

— se percebe... é contagiante sua energia e vibração, você encanta a todos com o seu carisma e graça.

—Obrigada! - disse a morena constrangidas sobre o olhar do rapaz. —

Seus olhos se encontraram por um longo momento. Matteo pousou o olhar nos lábios delicados da garota e sentiu uma enorme vontade de beijar eles. Levantou a mão subitamente e tirou uma madeixa da frente do rosto da morena, e colocou atrás da orelha, e em seguida pousou a mão no canto dos lábios da garota.

— Está sujo aqui de maionese. — disse limpando o canto da boca da morena com um guardanapo e fazendo Kiara corar violentamente e se sentir constrangida com o toque do rapaz. Foi então que o celular tocou sobressaltando a garota que atendeu prontamente desviando o olhar de Matteo que ainda lhe observava.

—Alô!

—Kiara onde você está? Eu estou aqui na frente da sua casa e já toquei a campainha umas 500 vezes e ninguém atende.

— Bianca, eu estou em uma lanchonete com o Matteo.

—Ah, claro! Você está em uma lanchonete com... Oi! Como assim? Eu ouvi bem? Você e o médico bonitão?

—Sim amiga.

—Mas eu não estou entendendo nada Kiara, o que esta acontecendo?

— É uma longa historia amiga... Mas resumindo, eu passei mal, e Matteo me levou ao hospital. Agora paramos para comer alguma coisa antes de voltar para casa.

—Mas você está bem, foi algo grave?
—Não precisa se preocupar com nada, eu estou bem.  —falou Kiara seriamente —Olha depois a gente conversa com mais calma e eu te explico o que aconteceu.
—Tudo bem! Assim que chegar em casa você me liga ok.
—ok! —disse a morena se despedindo da amiga calorosamente sobre o olhar do rapas que a observava.—
— Você quer comer mais alguma coisa?
—Não, eu estou satisfeita, obrigada.
—Tem certeza, eu posso pedir algo para a viagem.
— Ok, então eu vou pagar a conta e partimos
— Não será necessário. Eu realmente estou satisfeita.
—Tudo bem!

Matteo se dirigiu até o caixa sobre o olhar de Kiara. Percebeu que algumas garçonetes o olhavam maravilhadas e curiosas, talvez fossem mais alguma de suas fãs. Não demorou muito para ele retornar a mesa segurando nas mãos um gelatto e estendendo para a garota.

—Um gelatto para adoçar a vida. - sorriu —Não sei se gosta de morando com creme, mas era os únicos sabores que tinha.

—Eu adoro, muito obrigada. - disse calorosamente pegando o sorvete das mãos do moreno, enquanto andava com ele até a saída em direção onde se encontrava a caminhonete. -

— Como está a sua mão? - Matteo perguntou subitamente —

—Está ótima! Obrigada por cuidar de mim e se preocupar.

— Imagina, é o mínimo que poderia fazer. —disse com um largo sorriso — Não gosto de ver pessoas feridas.

— Por que você se tornou um médico? Afinal a sua família é bem conhecida e conceituada aqui em Gênova. Matteo Martinelli De Luca, filho de um grande juiz e neto de uma médica renomada. — sorriu —Por acaso você se sentiu pressionado a seguir os passos de seus ancestrais.

—Não, de forma alguma. —sorriu — meu pai queria que todos os filhos dele fossem advogados para seguir o negócio da família que foi deixado pelo meu avô. —riu — Mas a minha mãe sempre disse para eu fazer o que meu coração queria de verdade... E eu sempre admirei muito minha avó. Ela é uma mulher muito forte e batalhadora. Se ela conquistou tudo o que tem hoje é graças a cada esforço e dedicação.— Matteo suspirou profundamente ao parar em frente ao carro e depois destravar para poder entrar com Kiara antes de continuar a conversa.— Quando eu tinha 10 anos, eu estava brincando com o meu irmão Enzo no jardim dos fundos, da casa da minha avó. E encontramos um pássaro que não conseguia voar por que estava muito machucado. Eu o peguei e levei para a minha avó tentar salvar ele. —sorriu ao se lembrar da cena.— E apesar dela não ser veterinária, ela fez todo o seu melhor ao prestar os primeiros socorros e eu fiquei impressionado enquanto ela cuidava de tudo com tanto amor e carinho. —suspirou profundo.— Naquele dia, ela havia me pedido para ficar segurando o pássaro e tentando o tranquilizar para ele não se debater e se machucar ainda mais. E então eu senti que precisava fazer algo para ajudar os seres vivos. Por que eu não iria conseguir ver as pessoas que amo se machucar. — sorriu — E no final, minha avó sorriu para mim e disse: " você foi muito corajoso e tem um bom coração. Um dia você poderá se tornar um grande médico ou um grande veterinário, basta você se dedicar, querer aprender e ter amor pelo que faz."

— E então você decidiu segui os passos de sua avó?

—Sim! Aquelas palavras mexeram muito comigo. Então desde pequeno eu tive certeza da minha escolha e do meu papel nesse mundo. Então eu dei o meu melhor, me esforcei e estudei muito até passar na faculdade de medicina.

—Seu pai não ficou desapontado?

—No começo sim, afinal ele queria que os filhos seguissem os seus passos. — sorriu— Mais como o meu irmão mais velho Enzo, acabou fazendo advocacia e assumindo a empresa, e ele simplesmente me deixou fazer o que eu realmente amava.

— E sua mãe?

—Minha mãe nunca disse nada, nem mesmo quando o meu irmão mais novo largou a faculdade de engenharia para viver de música.—riu divertidamente— Minha mãe costuma dizer, que cada um tem o seu próprio talento e que cabe a nós mesmos buscar e encontrar.

— Muito sábio da parte dela.

— Sim, ela também e um grande exemplo de mãe, e mulher, sem contar que é uma excelente profissional.— sorriu — E assim como você, ela também adora tudo que envolve plantas. Tenho certeza que ela iria adorar conhecer você.

—Ela é paisagista também?

—Botânica. Atualmente gerencia a loja de flores da minha família que pertencia a minha bisavó.

—Entendo!

—Bom, o papo está bom, mas é melhor irmos pois já está ficando tarde. Tivemos um dia longo e precisamos descansar.

— Verdade, você tem toda razão.

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