Capítulo 5

28 de maio de 2000

Sirius Black estava esperando por Hermione Granger.

Numa análise mais retrospectiva e profunda dos fatos, ele esteve esperando por ela por praticamente toda sua vida. Não que soubesse disso, obviamente. Em sua juventude fora irresponsável e imaturo demais para ter noção do quanto desejava um amor. Depois veio sua temporada em Azkaban, afastando de vez a possibilidade de um romance. Quando conseguiu fugir e toda a guerra se desencadeou, o objetivo principal de Sirius era salvar Harry, o mundo bruxo e, com sorte, a si mesmo. Paixão e amor nunca estiveram no topo de sua lista de prioridades. Até ela chegar. Foi apenas quando Hermione invadiu sua vida e ali fez morada que tudo fez sentido. Toda a dor, toda a luta, o luto. Sirius viu amigos morrerem em nome desse amor mas nunca compreendeu realmente, pois não havia vivenciado ou sentido. Agora ele entendia. Ele mataria e morreria por Hermione, mas acima de tudo, viveria por ela.

Era difícil acreditar que apenas um ano havia se passado. Desde o dia em que ela invadiu sua casa, magnífica naquele vestido vermelho grifinória, eles nunca mais se separaram. Apenas durante a semana nos poucos meses restantes em que Hermione estudou em Hogwarts, mas os finais de semanas eram somente deles. Harry estava num mundo próprio em seu treinamento de Auror, e Ronald lambendo as feridas do término com Padma, que o havia trocado por Simmas Finnegan. Ele se desculpou pelas duras palavras que disse a Hermione, mas a amizade deles permaneceu estremecida por um tempo. O que significou absoluta privacidade para eles nas primeiras semanas. Mas, como sua garota havia dito uma vez, eventualmente o mundo exterior invadiria a bolha de felicidade que construíram com tanto carinho.

Isso aconteceu pouco antes da formatura de Hermione em Hogwarts. A diretora Mcgonagall organizou uma recepção no salão principal para homenagear os formandos, a primeira turma a se despedir da escola após a vitória sobre as trevas. Era um momento especial que precisaria ser comemorado adequadamente, segundo as palavras dela. Desde o anuncio da data festiva, que seria em 1° de setembro, alguns dias após o término das aulas, Hermione começou a infernizá-lo.

- Sirius! - ela disse logo ao chegar em sua casa para o final de semana - Tenho uma ótima noticia!

Hermione pulou nos braços abertos do bruxo que a esperava ansiosamente, ao lado do Flu que havia sido ligado na rede da diretora de Hogwarts para facilitar as viagens dela.

- Olá, amor. - ele a abraçou e afundou o rosto nos cabelos selvagens dela, inebriando-se com seu perfume - Pode me contar depois? Primeiro quero matar a saudade.

Hermione aceitou seu pedido com empolgação surpreendente. Cada vez que eles transavam era melhor que a anterior. Mesmo em seus sonhos mais depravados, Sirius jamais seria capaz de imaginar que ela fosse tão disposta as aventuras sexuais que ele constantemente lhe propunha. Ele já a havia fodido em todos os cômodos habitáveis de sua residência, diversas vezes, mas o lugar preferido deles ainda era a sala de estar. Mais especificamente aquela poltrona.

- Me diga a novidade, Hermione. - ele pediu ao se deitar em sua cama, puxando-a para ficar aninhada em seu peito, ambos ainda ofegantes pela trepada.

- Haverá uma festa de formatura esse ano. Como você sabe não é tradição, mas a diretora Mcgonagall disse que devemos comemorar adequadamente esse ano, ao formar a primeira turma após a vitória sobre as trevas.

- Isso é excelente, amor. Eu sempre gostei das festas de Hogwarts. Antes da primeira guerra eram mais frequentes, haviam bailes e essas coisas. James e eu constantemente contrabandeavamos Firewhisky e batizavamos alguma bebida inocente.

- Vocês eram terríveis. - ela lhe deu um cutucão na costela, fazendo-o gargalhar - Eu estava pensando que seria uma boa oportunidade para tornar nosso relacionamento público.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, analisando as implicações das palavras dela.

- Hermione...

- Sirius, por favor! Eu não quero nos esconder da sociedade.

- Mas estamos juntos há pouco mais de um mês, apenas. Não estamos exatamente nos escondendo, amor, estamos nos permitindo algum tempo de privacidade antes da mídia nos devorar.

Ela compreendia o que ele queria dizer, Sirius sabia. Mas aparentemente não se importava.

- Como não estamos nos escondendo? Eu venho pelo Flu na sexta-feira e vou embora por ele no domingo. Nós mal vemos a luz do sol todos esses dias, não saímos para lugar nenhum!

- Isso porque trepamos como dois coelhos! Eu não posso te foder na mesa da Floreios e Borrões como fodo na mesa da minha cozinha!

Hermione se levantou, bufando de irritação, e se sentou sobre a cintura dele. Sirius ficou em dúvida se ela iria castigá-lo ou recompensá-lo com o contato delicioso de suas intimidades lambuzadas pelo prazer de ambos, e a visão magnífica de seu corpo nu montado sobre ele.

- Sirius Black! Não use sexo como desculpa! Do que você tem tanto medo? - ela exigiu em voz autoritária.

- Não é óbvio? Tenho medo de que alguém a faça enxergar que eu não a mereço. - respondeu honestamente, tentando não demonstrar toda a insegurança que sentia em seu tom de voz - Sejamos realistas. Nós vamos chocar a sociedade bruxa, eles são um bando de tradicionalistas. Hipócritas, sim, mas tradicionalistas arcaicos. Será um escândalo! Eu não quero que você saia em manchetes desagradáveis, Hermione. - suspirou derrotado - Eu não quero perder você.

A bruxa apenas o encarou por um momento, os seios subindo e descendo com sua respiração descompassada. Ela se abaixou, mantendo o olhar no dele, e sussurrou em seus lábios.

- Eu quero que você preste muita, muita atenção no que eu vou dizer. - ela mordeu o lábio inferior de Sirius, ainda encarando-o - Pode fazer isso por mim, querido?

- Sim. - ele apertou a bunda dela.

- Para o inferno com a sociedade bruxa tradicionalista. - Hermione levantou o quadril levemente e rebolou, permitindo que o pau de Sirius a penetrasse totalmente - Para o inferno com as malditas manchetes. Para o inferno com as opiniões de pessoas que sequer nos conhecem. - ele não sabia o que era mais excitante: suas palavras, seu olhar, ou vê-la quicando deliciosamente - Eu lutei na porcaria da guerra, você lutou em duas. Nós temos o direito de sermos felizes. E eu exijo o direito de dançar com meu namorado na minha formatura. - ela rebolou e ele entrou fundo, fazendo ambos gemerem - Você vai fazer isso por mim, Sirius?

- Qualquer coisa. - ele cedeu - Qualquer coisa para você, Hermione. Agora pule mais forte, sim? Isso, amor...

Ele puxou a gola do traje social bruxo que usava, engolindo em seco. Onde Hermione estava? Onde estavam Harry e os outros? Estavam todos atrasados? Puxou o relógio trouxa do bolso, presente de sua bruxa, e verificou as horas. Havia chegado uma hora mais cedo. Maldição, pensou irritado. Ele já estava uma pilha e teria de esperar mais. Com sua varinha convocou a pequeno cantil com Firewhisky em seu bolso. O retornou ao tamanho normal, deu um breve gole e guardou novamente. Não havia muito a fazer a não ser esperar. Portanto, permitiu sua mente voar em liberdade.

- Como faremos o anúncio? - ele perguntou no dia seguinte da pequena discussão, durante o café da manhã - Apenas nos beijaremos no meio da valsa?

- Eu realmente adoro suas tendências dramáticas, Sirius. Você se sairia bem no teatro. - ela riu dele, enquanto ele lhe mostrou a língua - Não, eu estava pensando em algo bem mais simples.

- Nos beijarmos nas ruas do Beco Diagonal? - ela revirou os olhos, e ele se deliciou pois adorava provocá-la.

- Ou podemos apenas conversar com nossos amigos e dizer a eles que nos amamos e somos um casal agora. Eles querem nosso bem, não será um evento cataclísmico.

- Muito bem. De acordo. - ele levantou uma sobrancelha, divertido - Devemos organizar uma festa e então nos beijamos do nada no meio da sala?

- Céus... Você é impossível! - ela reclamou, mas estava rindo.

- Só estou te irritando. Quem será o primeiro?

- Harry, é claro. - ela disse, recebendo um aceno de concordância da parte dele como resposta.

Como se a lembrança o convocasse, a voz de seu afilhado o puxou do mar de seus pensamentos nostálgicos.

- Eu sabia que você chegaria cedo demais. - Harry disse enquanto caminhava pelo corredor indo até seu padrinho - Você comeu alguma coisa hoje?

- Não consegui. - ele deu de ombros, achando que não era necessário explicação adicional, pois sua expressão angustiada já dizia o suficiente - E Hermione?

- Gina está com ela, estão terminando de se arrumar. Você sabe como mulheres são nesses eventos.

- Sim, eu sei. Merlim as livre de chegar na hora programada. Acho que vou fumar um charuto. Me acompanha?

- Não, sinto muito. Estou encarregado de buscar o senhor e senhora Granger. Só passei aqui para ter certeza de que você ainda não havia surtado.

Aquilo tirou um sorriso honesto dele.

- Não, garoto. Ainda não.

- Ótimo! - Harry apertou o ombro de Sirius, num tipo de abraço masculino amistoso - Eu volto logo, então. Antes dos convidados, acredito, se a senhora Granger estiver pronta. Até mais.

Sirius acenou em despedida, observando-o sair. Imediatamente um sorriso torto cruzou seus lábios ao se lembrar da maneira inesperada que Harry descobriu sobre eles.

Na semana seguinte após entrarem num acordo para divulgar seu relacionamento para seus amigos mais próximos, Hermione estava novamente em Grimmauld Place para o fim de semana com seu namorado. Era sexta a noite e ambos estavam se divertindo muito na sala de visitas. Hermione havia se tornado uma apreciadora vigorosa de sexo oral, e estava se deliciando com o pau de Sirius enfiado em sua boca. Ajoelhada sobre o tapete felpudo da sala, estava chupando-o ferozmente enquanto acariciava suas bolas. Ela já estava expert e era capaz de fazê-lo gozar rapidamente. Uma aprendiz tão dedicada, sua garota. Sirius estava gemendo alto e balançando os quadris no ritmo da cabeça dela quando ouviu, de maneira bem distante, o Flu acionando. Foi só quando ele ouviu o grito de seu afilhado que percebeu o que estava acontecendo.

- Mas que porra é essa?! - Harry guinchou, chocado.

Imediatamente os lábios de sua bruxa se foram e ele lamentou profundamente a perda do contato.

- Harry! - Hermione respondeu mortificada, a meio caminho de se levantar de sua posição vulnerável.

Porém Sirius foi mais rápido. Ele a segurou com força e os aparou para o quarto, trancando a porta com uma magia de bloqueio não verbal.

- Droga! Ele chegou antes para o fim de semana de folga? - sua bruxa murmurava - Não era para ele descobrir desse jeito.

Como se para mostrar concordância com a afirmação de Hermione, um grito ampliado de um Harry Potter irado fez-se ouvir do andar de baixo.

- Vocês voltem aqui imediatamente! Eu exijo uma explicação!

Hermione e Sirius se entreolharam, sorrindo constrangidos, mas não fizeram menção de descer imediatamente como lhes fora exigido.

- Ele já está furioso mesmo. - o bruxo deu de ombros - Podemos terminar o que começamos, amor?

Ele gozou na cara de Hermione alguns poucos minutos depois, jorrando seu esperma quente na língua, bochechas, queixo e seios... Esplendorosa, sua bruxa era magnífica. Saciados - por enquanto - eles se limparam rapidamente e desceram para enfrentar Harry, que os aguardava na cozinha.

- Olá, Harry. - Hermione cumprimentou ao chegar na porta e vê-lo sentado a mesa.

- Harry. - Sirius cumprimentou, sério. Ele não estava particularmente feliz com a interrupção de sua foda.

O jovem Potter olhou de um para o outro, visivelmente magoado.

- Como isso aconteceu? Desde quando? - Hermione se apressou a explicar os detalhes para seu amigo. Sobre como notou o interesse de Sirius, sobre como seu próprio interesse por ele começou e sobre o fracasso do namoro com Rony. Harry estava chateado e chocado no começo, mas ao final da explicação parecia aceitar bem a ideia de seu padrinho e melhor amiga de infância como um casal. - Então isso é sério? Não é só uma aventura?

- Nós nos amamos, Harry. - ela se aproximou e abraçou o namorado pela cintura.

- Mas é tão repentino!

- Para você, deve ser. - Sirius disse retribuindo ao abraço da namorada - Para nós, demorou tempo demais para acontecer.

- Perdemos muito tempo sendo teimosos, não foi? - Hermione deitou a cabeça no peito dele, que lhe beijou o topo carinhosamente.

- Ainda temos muito tempo, amor. - Sirius prometeu.

Harry assistia a toda a interação atentamente, forçando sua mente a compreender toda a situação. Mas eles pareciam tão seremos e felizes, realmente em paz e confortáveis, que ele jamais se permitiria ser um empecilho na felicidade das duas pessoas que mais amava.

- Bem, se vocês estão felizes então estou feliz também. Mas vou passar meu final de semana com Gina na Toca. Realmente não preciso ver outra cena de vocês, nunca mais.

Seu afilhado cumpriu a promessa, e surpreendendo a Sirius e Hermione, mudou-se logo em seguida para uma casa bem agradável num bairro trouxa não muito distante do Beco Diagonal. Black questionou a decisão repentina do garoto, afirmando que não era necessário. Harry apenas disse que isso aconteceria mas cedo ou mais tarde, e que ele ficava feliz em dar toda a privacidade que Sirius e Hermione precisavam - enfatizando diversas vezes que eles realmente precisavam - e que isso contribuiria para que ele e Gina tivessem o mesmo privilégio. O único pedido de seu afilhado, que foi praticamente implorado, era que Sirius bloqueasse o Flu e ativasse proteções anti aparatação quando fosse se divertir com a namorada. Sorrindo, Black prometeu que tentaria se lembrar disso.

- Você parece um homem doente. - uma voz arrastada soou próxima a porta - Esse, supostamente, não deveria ser o dia mais feliz da sua vida?

Sirius foi obrigado a sair de suas lembranças para encarar a carranca permanente de Severus Snape, que o observava da porta de uma entrada lateral do salão social do Ministério.

- Severus! - ele cumprimentou com genuína alegria - Finalmente um companheiro para fumar um charuto comigo. Vamos, vamos não ouse recusar.

- Me obrigar a comparecer nessa sua festividade ostentosa não é o suficiente para você? - Snape reclamou, porém seus olhos negros traziam um ínfimo brilho de diversão quase imperceptível.

- Ah, pare de cinismo seu velho rabugento! - Sirius provocou - Eu sei muito bem que você aprecia minha amizade e a de Remo.

- Por Salazar! Rezei para que nunca chegasse o dia que vocês dois idiotas aprendessem a me ler, mas aqui estamos. - a expressão estoica dele não vacilou nenhuma vez, mas sua voz tornou-se um tom mais suave - Se quer uma tragada precisa se apressar, os convidados devem começar a chegar em breve.

Sirius Black e Severus Snape atravessaram a porta lateral em silêncio, rumando para o pequeno jardim magicamente expandido que havia ao lado, apenas os barulhos de suas roupas farfalhando no caminho. Eles chegaram e se posicionaram ao lado de uma roseira, alguns botões avermelhados brotando. Black pegou um charuto e o duplicou com um feitiço de sua varinha, entregando um ao companheiro.

- Quem diria, Severus? - Sirius perguntou, nostálgico demais no dia do seu casamento com a mulher que amava - Depois de todos esses anos, todo aquele bullyng, duas malditas guerras... Aposto que chocaríamos James e Lilian com o desfecho de nossas histórias.

- Eu ainda me choco regularmente, imagine eles. - Snape soltou uma baforada de fumaça densa - Se Harry não tivesse chegado até mim a tempo após o ataque de Nagini, não estaríamos tendo essa conversa. Jamais teríamos tido a oportunidade de acertas nossas diferenças.

- Meu afilhado é um homem excepcional, de fato.

- São os genes de Lilian, você sabe. - Severus brincou, mas Sirius o conhecia bem para perceber a verdade em suas palavras, a reverência pela única mulher que amou, e permaneceu em silêncio. Ele respeitava demais os sentimentos ainda latentes que o homem nutria pela falecida senhora Potter.

A amizade entre Remo, Severus e Sirius foi um tanto quanto inesperada para todos. Depois de todos os eventos, verdades e mentiras da guerra serem finalmente revelados, o ódio antigo e juvenil entre eles não tinha mais lugar. Por insistência de Lupin, o lobisomem e Black fizeram uma visita a Snape onde tiveram uma conversa adulta e honesta. Pedidos de desculpas e perdões aconteceram de ambos os lados, pondo fim a antigos rancores. Tudo regado a muito Firewhisky, o que acabou tornando as coisas surpreendentemente divertidas. Então na semana seguinte, foi Sirius quem insistiu em uma nova visita ao morcegão da Sonserina, apelido revelado por Rony que parecia irritar Snape profundamente, o que obviamente fazia Black usá-lo com frequência. Os meses foram passando e os encontros semanais continuaram acontecendo. Snape revirava os olhos quando via a dupla em sua porta, mas sempre havia Firewhisky e petiscos prontos para recebê-los. O morcegão jamais admitiria sem uma dose generosa de Veritasserum no organismo, mas gostava da amizade que os três estavam construindo. Todos eles gostavam.

Depois que Harry soube do relacionamento de Hermione e Sirius, e consequentemente toda a família Weasley, foi a vez de contar aos seus dois amigos. Ele os convidou para Grimmauld Place num dos últimos dias letivos de Hogwarts. Estavam os três na sala de jogos, Remo e Severus sentados na mesa entretidos numa partida de xadrez bruxo. Cada um dos três carregava um copo, a garrafa encantada para não permitir que ficassem vazios por muito tempo. Eles já estavam ali por algumas horas, haviam conversado amenidades e sobre acontecimentos interessantes da rotina de cada um. Porém Sirius deixou sua novidade de lado enquanto pensava em como abordar o assunto. Dizer aos seus dois amigos apenas "Ei, boas novas. Estou namorando e fodendo loucamente uma garota com metade da minha idade. Por acaso é Hermione Granger, a aluna mais brilhante de vocês" não parecia ser a melhor maneira de anunciar seu romance escandaloso. Sirius esperava que mais algumas doses de álcool lhe mostrassem o que fazer. Por hora, ele decidiu apenas observar seus amigos jogando enquanto degustava sua bebida, confortavelmente apoiado na lareira apagada, na parede oposta da mesa onde ambos estavam concentrados. Não demorou muito e o rugido do Flu soou a alguma distância, mas o dono da casa não se importou o suficiente para verificar quem havia chegado pois tinha certeza de ser seu afilhado.

- Sirius! - uma voz feminina soou próxima demais, chamando por ele, fazendo sua postura endurecer imediatamente.

- Hermione? - Remo levantou a cabeça, surpreso - O que ela faz aqui a essa hora? Deve ter acontecido alguma coisa.

Ele realmente não teve tempo de reagir. Até pensou em gritar um "surpresa", mas nem isso conseguiu. Num segundo ouviu o som lindo de sua namorada procurando por ele, no seguinte a voz alerta e preocupada de Lupin, e no próximo já sentiu braços o agarrando e lábios o beijando com força, saudade e luxúria. Como se encantado para jamais se atrever a resistir a ela, em hipótese e situação alguma, Sirius a abraçou pela cintura, aproximando-a de seu corpo já quente, e retribuiu o beijo. Ele sabia porque ela estava ali. Tinha certeza de que Hermione estava molhada, desesperadamente excitada e que uma simples masturbação não seria suficiente para ela. Sua bruxa precisava dele, apenas seu pau, dedos e língua a satisfariam. Numa parte mais profunda de sua mente ele se perguntou como ela conseguiu autorização da diretora Mcgonagall para estar ali, pois ainda era quinta-feira.

Apenas a voz arrastada de Snape foi capaz de fazer o casal recobrar a consciência, imersos como estavam um no outro.

- Boa noite, senhorita Granger. - o professor de poções cumprimentou sua aluna - Que surpresa agradável.

Isso bastou para fazê-la se afastar de Sirius abruptamente, que quase rosnou de descontentamento. A bruxa, ficando cada vez mais adoravelmente vermelha de constrangimento, se virou de frente para os visitantes e tentou colocar alguma distância entre seu namorado mas ele não permitiu, mantendo as mãos na cintura deliciosa dela e segurando-a perto dele. Black lançou um olhar para os amigos, analisando a situação. Ambos estavam em pé, enraizados em seus lugares, expressões chocadas no rosto. Foi fabulosamente satisfatório para Sirius ser capaz de finalmente colocar alguma expressão na carranca sempre estoica de Snape.

- Surpresa! - ele anunciou alegremente, sem saber bem o que dizer.

Hermione, como se possível, pareceu ainda mais envergonhada.

- Você ainda não disse a eles? - ela ofegou, desesperada, virando o rosto levemente para lhe lançar um olhar furioso.

Oh, baby, amo quando você me olha assim. Eu fui um homem levado que merece ser punido. Eu me deitarei no chão e permitirei que você se sente na minha cara enquanto chupo toda sua boceta perfeita.

Hermione afiou ainda mais o olhar, parecendo ler os pensamentos safados de sua mente pervertida. Sirius apenas abriu um largo sorriso.

- Eu realmente não soube trazer o assunto à tona. - deu de ombros - E dificilmente tive tempo de reagir quando você apareceu e pulou em cima de mim, amor.

- Bem... - ela sussurrou praticamente gritando, ainda mortificada - Eu achei que eles já teriam ido embora.

- A nossa noite dos meninos costuma acabar apenas na alta madrugada, Hermione. - Remo respondeu parecendo ter recuperado a compostura, os olhos curiosos dançando sobre o casal a sua frente - Temo que Sirius não tenha te revelado que nós geralmente nos empolgamos com o Firewhisky.

- Não, professor Lupin. - ela estava espumando de raiva, enquanto Sirius estava se divertindo - Ele não disse.

- Talvez uma pequena dica pudesse ter evitado tamanho choque, Black. - Snape comentou, ainda parecendo ligeiramente abalado.

- E perder essa expressão na sua cara, Severus? - ele zombou - Jamais, amigo. Te surpreender é impagável.

- Certo. Me desculpem interromper. - sua bruxa pediu, soando mais tranquila agora que os amigos de Sirius pareciam mais calmos também - O que meu querido Sirius aqui deveria ter lhes dito essa noite é que estamos juntos. E se a reação de vocês for de alguma indicação, será um caos quando isso for a público. Tudo o que pedimos é o apoio de vocês.

De fato, acabou sendo bom que as coisas aconteceram daquela maneira, pois Sirius jamais seria capaz de um anúncio tão simples e certeiro. Hermione havia sido perfeita, como sempre. Ele a amava. Tanto que estava plenamente ciente de que seu amor estava obviamente transbordando do sorriso bobo que insistia em permanecer em seus lábios. Severus e Remo trocaram um olhar e se aproximaram.

- Ofereço minhas mais sinceras estimas de felicidades para vocês. - Snape murmurou levemente.

- Assim como eu, é claro. - Lupin concordou, puxando Sirius para um abraço masculino cheio de tapas nas costas - Espere Dora ouvir isso, ela vai achar hilário. - em seguida puxou Hermione para um abraço mais contido - Faça esse velho lobo feliz, Hermione. Sirius será bom para você.

- Sim, de acordo. Eu posso compreender como vocês dois se encaixam como casal. Enquanto a senhorita Granger vai ser capaz de, com sorte, finalmente enfiar um pouco de bom senso nessa sua cabeça desajuizada, você se encarregará de ensinar-lhe a ser mais espontânea. O equilíbrio perfeito.

Remo balançou a cabeça numa concordância e Sirius ficou sem palavras com a gentileza de Severus.

- Obrigada, professor Snape. - Hermione também parecia emocionada.

- Agora vamos, Lupin. Os pombinhos precisam de um tempo a sós.

Os dois amigos se despediram e, antes mesmo que o fogo verde do Flu os sugasse pra longe, Sirius já havia debruçado Hermione sobre a mesa de jogos com as peças do tabuleiro de xadrez espalhados aos seus pés. Sirius a amou ardentemente naquela noite, insaciável, incansável... Estava sentindo uma felicidade tão fantástica construindo sua vida com Hermione, sentia-se constantemente alto como se ela fosse sua droga pessoal. Um sorriso quase canino torceu seus lábios enquanto ele se lembrava daquela noite em especial, recordando-se de ter realizado a fantasia de ter sua namorada sentada em sua cara enquanto ele a lambia e fodia com a língua.

- Pare de ter esses pensamentos impróprios ou eu irei embora imediatamente, Black. - a voz de Snape o trouxe de volta ao presente.

- Como você poderia saber o que eu estou pensando sem usar Legilimência em mim? - ele desconversou.

- Essa é fácil! É porque sempre que você está pensando em Hermione, você tem a expressão de um cão olhando um pedaço de bife. - foi Lupin quem respondeu, chegando até onde eles estavam - Como estamos, companheiro? Pronto para enfim vestir uma coleira?

- Eu deveria tê-la trazido aqui meses atrás e realizado uma cerimônia íntima, apenas nós dois. - Sirius bufou, tragando o charuto e inalando a fumaça - Me diga, por que mulheres precisam dessas coisas? Festas e tudo o mais.

- Porque elas se casam apenas uma vez na vida. Tudo precisa ser perfeito. - Remo respondeu simplesmente - Você vai compreender quando a vir caminhando até você no corredor. Agora me dê um charuto, antes que Dora chegue com Teddy e eu precise ficar correndo atrás do garoto. Ele está levado, você acredita que...

Remo iniciou uma história engraçada, contando a última estripulia do pequeno Lupin, mas os pensamentos de Sirius insistiram em voar novamente, dessa vez mais rápidos.

Lembrou-se da valsa na formatura de Hermione, e no beijo avassalador que ela lhe deu ao final da dança. Sob suspiros dos desconhecidos e aplausos de seus amigos, o segredo mais lindo foi revelado ao mundo. Manchetes sobre ambos inundaram os jornais, acompanhados de pedidos de entrevista, sessão de fotos, contratos de propaganda e cartas de fãs enlouquecidos, divididos entre apoio ao casal e repulsa. Mas logo o burburinho ao redor deles foi esquecido, pois o Menino-com-complexo-de-salvar-o-mundo anunciou seu noivado com Ginevra. Sirius e Hermione sabiam que ele antecipou essa decisão para tirá-los do foco dos urubus jornalistas, mas Harry apenas deu de ombros dizendo que a felicidade deles o havia inspirado para não perder tempo em sua própria felicidade com a ruiva que amava e Gina não poderia estar mais radiante com o pedido, então todos ficaram felizes.

- Ei, pessoal! - seu afilhado chegou até eles, os cabelos escuros apontando para todas as direções. Tão idêntico a James... Sirius sentia uma pontada de tristeza sempre que notava as semelhanças - Os convidados já chegaram, e Gina mandou um patrono avisando que Hermione está a caminho. Então já é hora de...

Sirius Black saiu correndo, sem sequer perder tempo ouvindo o restante do que Harry tinha a dizer. Tudo o que lhe importava era Hermione e o dia que seria o início do resto de suas vidas juntos. O bruxo adentrou o salão novamente indo para seu posto, notando que realmente parecia que todos já estavam ali. Várias cabeças ruivas anunciaram que os Weasleys já haviam chegado. Reconheceu também todos os professores de Hogwarts, e mais alguns conhecidos. Não demorou e Harry entrou, indo sentar-se ao lado da senhora Granger na primeira fila. Sirius se lembrou brevemente dos meses intensos da restauração das memórias dos pais de Hermione, mas felizmente o processo havia acabado bem, mesmo que tenha sido extremamente difícil.

O Ministro Shaklebolt chegou, avançando rapidamente pelo corredor para seu lugar atrás de uma mesa elegante e robusta, lançando a Sirius um aceno como cumprimento. Ter sua cerimônia de casamento realizada pelo próprio Ministro da Magia em pessoa era um privilégio concedido a pouquíssimas pessoas. Mas sua futura esposa certamente era merecedora de tamanha honraria. Agora aos vinte e um anos de idade, Hermione já começava sua revolução nas legislações sendo Diretora do Departamento de Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas. Sirius poderia apostar três centímetros do seu pau que esse era apenas o primeiro degrau da carreira dela em rumo de ser a próxima Ministra da Magia.

Um som doce e lírico tomou conta do ambiente, o sinal claro de que a noiva estava a caminho. Ele juntou as mãos diante de si para evitar que tremessem, respirou fundo e passou a observar atentamente as portas duplas do salão sendo abertas. Seu coração parecia capaz de explodir o peito e, como Severus sabiamente havia observado, ele se sentia doente. Enjoado com a súbita descarga de adrenalina. Desmaiar de emoção em seu próprio casamento não era nada másculo ou sexy, então Sirius respirou fundo e fechou os olhos, pensando no sorriso da mulher que amava para se acalmar.

Ele se recordou com carinho de um dia muito especial, o dia que definiu o futuro deles.

Depois de finalizar sua educação em Hogwarts, Hermione aos poucos se mudou para Grimmauld Place. Eventualmente ela ia ao próprio apartamento pegar um ou outra coisa de que precisava, e quando deram por si praticamente todos seus objetos pessoais estavam perfeitamente organizados no quarto de Sirius. Quando percebeu o rumo que as coisas estavam tomando, planos começaram a se formar em sua mente. Eles estavam há apenas seis meses num relacionamento. Hermione havia iniciado seu novo emprego como assistente no Ministério há apenas poucas semanas. Será que Black estava sendo precipitado em pensar em lhe propor casamento tão rápido? Sua namorada era sempre a voz da razão e maturidade, ela provavelmente diria que estavam indo rápido demais. Mas Sirius era realmente incapaz de pisar no freio.

Então após Hermione lhe dar um beijo de despedida e sair para trabalhar, ele esgueirou-se até uma espécie de imobiliária bruxa e deu uma olhada nos imóveis disponíveis. E encontrou o lugar perfeito. Uma casa de dois andares, que ficava há apenas cinco ruas da entrada do Ministério. Arejada e bem iluminada, com cômodos espaçosos e confortáveis. Quando foi visitar o local pessoalmente no mesmo dia, ele praticamente podia ver sua vida com Hermione passando diante de seus olhos. Ela cozinhando suas panquecas deliciosas no café da manhã aos fins de semana, vestindo uma de suas camisas que caiam nela até o meio das coxas atraentes. Havia o cômodo perfeito para uma biblioteca, onde eles passariam horas juntos lendo mistérios e diversas outras coisas. Sirius montaria uma academia no porão, junto de uma sala de jogos e bebidas para a noite dos meninos com Remo e Severus. Haviam diversos quartos também, uma suíte principal com varanda para o jardim dos fundos, um quarto distante perfeito para hospedar os pais dela nos feriados, e dois quartos mais próximos que já pertenciam aos filhos que um dia eles teriam.

Oh, céus. Era um maldito sonho perfeito.

Ele comprou a casa. Em seguida visitou uma joalheria trouxa e seguiu para Grimmauld Place. No caminho encontrou uma barraca de flores e comprou um buquê de rosas vermelhas para sua garota. Quando Hermione chegou do trabalho mais tarde naquele dia, ele não foi capaz de se conter e anunciou que tinha uma surpresa para ela, que não eram as flores. Ele os aparou para - o que esperava - ser o futuro lar deles.

- Onde estamos, Sirius? - ela perguntou observando a bela casa da calçada, próxima ao portão, as luzes externas acesas iluminando a elegante arquitetura francesa.

- Eu descobri esse lugar hoje, amor. Fiquei absolutamente deslumbrado. - ele a abraçou por trás, depositando as mãos sobre a barriga dela, e lhe beijou abaixo do lóbulo.

Hermione se aconchegou, praticamente deitando-se nele.

- É uma bela casa, sim. Mas o que o fascinou tanto?

- A história da família que vive ali. - ele sussurrou, sentindo o nervosismo brotando no estômago como borboletas enlouquecidas. A caixinha de veludo vermelho parecia queimar no bolso de sua calça.

- Oh, sério? São pessoas interessantes? - ela soou curiosa, observando o lugar com mais atenção.

- Na verdade, a senhora da casa é a mais interessante. Ela tem um alto cargo no Ministério. Realiza coisas incríveis, realmente mudando a vida de pessoas e criaturas.

- Você sabe o nome dela? Talvez eu a conheça.

- Eu vou chegar lá. - ele beijou o pescoço de sua namorada ansiosa - O senhor da casa é um homem mais velho, vive dos rendimentos de sua fortuna. Apesar da idade é ele é bem moderno, gosta de esportes e não se importa de cuidar das crianças para que a esposa possa sair e fazer do mundo um lugar melhor.

Sirius deu uma espiada no semblante de Hermione e a encontrou sorrindo, maravilhada.

- Um pai cuidando dos filhos para a mãe trabalhar? Eles devem ser um casal excepcional. Quantas crianças são?

- Até o momento são duas, apenas. Um lindo casal, mas eles estão discutindo sobre um terceiro. Os pequenos têm os cabelos da mãe e os olhos do pai.

Hermione riu com encanto.

- Parece uma vida perfeita, saída de um conto de fadas. - ela suspirou - Você os conhece? Veio me apresentar?

Sirius intensificou seu abraço nela, cheirando seu perfume de morangos, baunilha e jasmim, sua Amortentia perfeita.

- Você já os conhece, amor. - ele a soltou um deu um passo para trás.

Sua bruxa apenas balançou a cabeça em exasperação.

- Isso é uma piada, Sirius? Como eu poderia conhecê-los se... - ela se virou para olhar nos olhos dele, mas o que viu a calou de imediato.

Sirius Black estava sentado sobre um joelho, estendendo uma caixinha vermelha onde um anel com uma gota de rubi adornado por diamantes repousava brilhando. Hermione olhou dele para o anel, e de volta para ele. Com as luzes do poste que iluminava a rua no início da noite, ele já podia ver as lágrimas brotando em seus olhos.

- Eles somos nós, amor. Se você me aceitar. - ela arregalou ainda mais os olhos, levando uma mão à boca que se abriu em choque - Eu não preparei um discurso com palavras bonitas e significativas, não sou bom nisso. O pensamento me ocorreu hoje de manhã, então eu saí e comprei essa casa pensando o quando podemos ser felizes aqui. E eu... - Sirius respirou fundo - Hermione Jean Granger, você me daria a honra e o privilégio de ser minha esposa, e permitir que eu tente fazer de você a mulher mais feliz do mundo enquanto minha vida e minha magia existirem?

- Você... Comprou essa casa? - a voz dela não passou de um sussurro trêmulo.

- Sim, eu fiz.

- Pensando em mim? - uma lágrima lhe escapou.

- Eu faço tudo pensando em você, amor. Em cada segundo do meu dia.

- Sirius... Eu...

Oh. Ele tinha dado um passo grande demais. E parecia prestes a se machucar gravemente.

- Pelo amor de Merlim, Hermione. Apenas responda logo e não torture esse velho coração.

- Eu... - ela olhou para a casa por um segundo - Esse lugar é perfeito. Você é perfeito. - ela se jogou no chão para abracá-lo com força - Sim. Eu te amo. Claro que eu aceito me casar com você. Sim!

Sirius nunca tinha chorado de felicidade, mas ao sentir a pureza e intensidade do amor que o dominou naquele dia, as lágrimas vieram e ambos não fizeram nada para contê-las.

Desde que ficaram noivos, seis meses haviam se passado. Foram preciso algumas pequenas reformas e mudanças para a casa nova se tornar o lar perfeito deles. Com tudo pronto, eles se mudaram logo em seguida. Já faziam quase dois meses que estavam morando lá e era o paraíso na terra. A cerimônia de casamento não deveria significar tanto para eles, que já viviam juntos desde o início da relação, mas Sirius descobriu na pele que havia uma magia na união matrimonial que nunca havia notado. As promessas, os laços firmados diante de todas as pessoas que eram importantes para eles, traziam um novo significado e intensidade à união. Eles seriam marido e mulher. Unidos no amor, na lei e entrelaçados na magia.

Sirius ouviu a música mudar para a marcha nupcial trouxa, que Hermione havia lhe apresentado algumas semanas atrás. Ela havia lhe perguntado se aceitaria uma mescla das tradições bruxas e trouxas na cerimônia, ou se ele fazia questão de algo mais puro sangue. Claro que ele permitiu que ela planejasse tudo como queria, para o inferno com as antiguidades puro sangue. E tudo estava tão lindo, tão fodidamente perfeito. A decoração minimalista, com elegantes flores brancas espalhadas pelo salão, trazia beleza e o perfume dela. Eram jasmins, ele havia percebido no segundo em que chegou. Mas nada, absolutamente nada, estava tão belo quanto sua noiva. O bruxo abriu os olhos e a viu, já com o olhar sobre ele e um sorriso esplendoroso nos lábios pintados de um batom rosa queimado. A ansiedade e nervosismo de Sirius desapareceram imediatamente. Vendo-a caminhar até ele pelo corredor de braços dados com o pai, ele nem sabia mais porque diabos estava tão agitado.

O dia 28 de maio seria para sempre o dia mais especial da vida de Sirius Black. Mas agora não mais pelo seu aniversário de liberdade, mas sim pelo aniversário de casamento com o amor da sua vida. O amor mais puro e belo que conheceu  até então. Ele observou atentamente os passos firmes e decididos de Hermione, indo até ele sem vacilar. Mais rápido do que pensou, ela chegou até ele. O bruxo cumprimentou o sogro num aperto de mãos amigável, já que a desconfortável conversa no estilo "se magoar minha filha eu te capo" já havia acontecido alguns meses atrás. Em seguida, ele pegou a mão de Hermione e a levou aos lábios, depositando um beijo sobre o anel de rubi e diamantes que ela usava.

- Sentiu minha falta? - ela perguntou num sussurro provocativo, os olhos castanhos brilhando com lágrimas contidas.

- Apenas minha vida toda. - respondeu igualmente baixo, rouco, fazendo os olhos dela escurecerem.

- Me perdoe por demorar tanto, querido.

- Não se preocupe, Hermione, meu amor - pegou a mão dela e a apoiou na curva interna de seu braço, virando-os de frente ao Ministro que os observava silenciosamente, porém permaneceram olhando um para o outro, hipnotizados - Você sabe, já discutimos isso, nós bruxos temos uma longevidade impressionante. Meu avô viveu até cento e oitenta anos. Nós temos tempo.

- Para sempre ainda será pouco para mim. - ela apertou o braço dele - Eu o reivindico nas próximas vidas também.

O fogo nos olhos e nas palavras dela o fizeram perder o fôlego, a firmeza nas pernas.

- Todas. É tudo seu, Hermione. - ele prometeu - Sou todo seu.

- Isso soa justo, porque eu sou sua. - uma lágrima escapou dos olhos dela, e Sirius se apressou a secá-la com uma carícia - Completamente sua. Eternamente sua.

Eles sorriram um para o outro, imersos em seu próprio mundo, até que uma tosse suave os trouxe de volta à realidade.

- Acredito que esses votos tenham sido suficientes. - o Ministro disse com um sorriso divertido - Quem está com as alianças?

Harry se levantou e trouxe a caixinha aveludada para Shaklebout, que lançou alguns feitiços sobre as joias douradas. Em seguida, ambos empunharam sua varinha, conectadas uma na outra, enquanto o Ministro lançava mais feitiços unindo seus núcleos mágicos. Uma sensação intensa e avassaladora dominou o casal, que arregalaram os olhos em surpresa, fazendo com que o aumento da percepção e consciência um do outro aumentasse. A magia tornou Hermione ainda mais perfeita e sexy aos olhos de Sirius, que começou a endurecer. Sendo a besta semi selvagem que era, ele os aparatou para casa logo após o beijo que selava a união.

- Sirius! - Hermione arquejou em surpresa, mas não fez nenhum movimento para realmente afastá-lo - Temos uma festa para comparecer!

- Só depois que eu esfolar o pau de tanto foder minha esposa.

Em sua noite de núpcias, o senhor e senhora Black se amaram com uma paixão intensificada. As roupas desapareceram com magia e ambos se entregaram totalmente aos desejos carnais e pecaminosos que sentiam, sem remorso algum em deixar os convidados numa festa de casamento sem os noivos. Sirius levou horas para se satisfazer, divertindo-se demasiado em dar prazer a sua mulher que já estava trêmula, mas jamais cogitou pedir para pararem.

- Você é um homem levado, Sirius Black. - ela cantarolou de madrugada, aninhada nos braços de seu marido sob as cobertas.

- Quando estivermos trepando, eu juro solenemente não fazer nada de bom, senhora Black.

A voz dele soou deliciosamente rouca, fazendo sua esposa estremecer, e ele a apertou ainda mais.

- Em minha opinião, você tem feito um excelente trabalho quanto a isso. - Hermione soou sonolenta, realmente cansada após a noite de sexo alucinado com seu marido.

A bruxa se aninhou ainda mais no peito quente dele, pensando em como o primeiro dia do resto de suas vidas havia sido maravilhoso. A mais nova senhora Black adormeceu tendo a plena certeza de que seu marido faria com que todos os dias fossem assim, absolutamente perfeitos. Sirius tinha os mesmos pensamentos rondando sua mente sonolenta. Ele adormeceu imaginando as safadezas que faria com Hermione amanhã, antes mesmo do café, carregando aquele permanente sorriso maroto curvando seus lábios.

Mal feito, feito.

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