Capítulo 4

PARTE II - PONTO FORTE

Hermione sabia que eles fariam sexo.

Foi para isso que ela bateu à porta de Sirius Black, afinal. Mas ela não esperava estar na sala de jantar de Grimmauld Place, número 12, a uma da madrugada, degustando seu prato favorito, de seu restaurante favorito, vestindo nada além do roupão de Sirius que ficava enorme nela. O macarrão com frutos do mar estava divino como sempre, e o bruxo diante de si soube harmonizar perfeitamente o vinho tinto que serviu. Élfico, português, segundo ele, excelente safra. Já na metade de sua taça, ela era obrigada a concordar. Mas melhor do que a massa e o vinho, sem dúvida era a companhia. A bruxa sentiu aquele formigamento já tão familiar subindo por sua coluna e levantou os olhos, dando um pequenino sorriso ao encontrar o foco de seus pensamentos a encarando fixamente. Oh, sim... ela realmente admirava ter a atenção daquele homem. Sirius sorriu de volta, cortando um grande pedaço de seu cordeiro mal passado e devorando-o em seguida. Depois de suas atividades sexuais extenuantes, ambos estavam com um apetite feroz. Céus, apenas pensar nas coisas que ele a fez sentir a fazia desejá-lo novamente. Parecia que a intensidade de seu tesão se renovava cada vez mais e mais após cada vez que ele a fazia gozar. Ela estava apreciando a descoberta da intensidade de sua libido. Aparentava ser inesgotável quando se tratava de Sirius ser seu parceiro.

Bem diferente do que fora com Ronald. Aquele bastardo.

- Pare de pensar em coisas desagradáveis. - Sirius disse do outro lado da mesa.

- Eu não estou.

- Suas sobrancelhas franziram e você apertou os lábios. Foi uma expressão bem descontente. - se inclinou ligeiramente para frente - Será que não estou sendo capaz de satisfazê-la adequadamente, minha senhora?

Merlim! Aquele tom de voz e aqueles olhos acinzentados fixos nela... A faziam querer recusar qualquer outro tipo de assento pelo resto da vida, para sentar para sempre apenas no colo de Sirius e seu pênis perfeito.

- Definitivamente você está. - ela mesma foi capaz de perceber a lascívia em sua voz, mas não se envergonhou nem um pouco.

Os olhos dele brilharam de satisfação pelo elogio de seu desempenho.

- Então pare de pensar no mundo lá fora. Nessa noite só existimos você e eu.

- Eventualmente o mundo externo vai se infiltrar em nossa bolha, você sabe. - ela terminou seu prato e tomou um gole do vinho refrescante.

Agora foi a vez dele franzir as sobrancelhas, e sua expressão tornou-se sombria. Tão diferente da jovialidade que ele sempre demonstrava quando estava de bom humor.

Para uma mente tão cética e racional como a de Hermione, que tomava suas decisões seguindo lógica e pesquisas acadêmicas infinitas, era revigorante o sopro de espontaneidade que Sirius carregava em sua alma. Mesmo às vésperas de seu aniversário de quarenta anos, havia um brilho juvenil nele que certamente seria eterno. Às vezes Hermione pensava ser a mais velha ali, e não o inverso. Mas havia momentos, como aquele, em que uma sombra negra nublava a luz interior de Sirius. Ela detestava quando acontecia. Depois de tudo o que precisou enfrentar, ele merecia apenas felicidade e viver aquela empolgação estimulante intrínseca nele em qualquer coisa que desejasse. Ela se considerava uma mulher de muita sorte por ter conseguido capturar a atenção do bruxo em algum momento. E com certeza não perderia a oportunidade de, pela primeira vez em sua jovem vida, seguir seus instintos e desejos primitivos. Pois foi isso que Sirius fez com ela. Ele despertou em Hermione uma vontade de se entregar às suas vontades, enfrentando os seus medos mais profundos. Medo de errar. Dos julgamentos que viriam de seu erro.

Sirius Black a fez ser corajosa o suficiente para terminar um namoro "dos sonhos" fracassado. A fez ter coragem de aparecer em sua porta tarde da noite, usando um vestido vermelho comprado especialmente para ele tirar. A fez ter coragem de mostrar sua alma, mesmo com a possibilidade de recusa ou de ser tarde demais. Ele era seu ponto forte.

- Tudo o que é bom dura pouco, é o que os trouxas dizem. - ele pegou o guardanapo e limpou os cantos da boca elegantemente, dando um vislumbre do bruxo puro sangue com criação elitista que havia escondido dentro dele.

- É isso que você espera? - ela se surpreendeu com a mágoa em sua voz - Que dure uma noite? Apenas uma aventura de final de semana?

O bruxo passou uma mão nervosa em seus cabelos molhados, que caiam soltos em ondas negras deliciosas quase encostando em seus ombros fortes.

- Honestamente eu não sei o que esperar, Hermione. - ele apoiou os cotovelos na mesa, visivelmente angustiado - Tudo o que eu sei é que você apareceu na minha casa chorando por outro homem e de alguma maneira isso terminou comigo enterrado até as bolas em você. Eu realmente não sei em que página estamos.

- Sirius Black... - sussurrou o nome dele, deliciando-se em como as sílabas envolviam sua língua. Ela se levantou e ele arqueou uma sobrancelha, atento aos movimentos enquanto a bruxa dava a volta na mesa e seguia até ele. Com feitiços não verbais, Hermione desapareceu os pratos e taças da mesa, deixando-a impecável, e logo alcançou a cadeira dele. Percebendo sua intenção, de olhos já escuros em expectativa, o bruxo lhe deu acesso permitindo que se sentasse em seu colo. Ela passou uma perna por sobre as dele e se sentou, frente a frente, sobre sua ereção que parecia sempre permanecer num estado semi enrijecido em sua presença. Deu-lhe um beijo casto nos lábios e acariciou-lhe a bochecha sentindo a aspereza da barba por fazer. Hermione ficou feliz por ver a expressão dele suavizar, pois era seu objetivo principal - Você entendeu tudo errado.

As mãos grandes e quentes dele envolveram sua cintura e desceram para sua bunda, num aperto possessivo.

- Talvez eu precise que você me explique, amor. - pediu e enterrou o nariz na curva de seu pescoço, expirando o perfume de sua pele, que cheirava ao sabonete dele.

- Está na hora de colocar todas as cartas na mesa, então. Vamos para a sala de visitas?

- Eu estou bem confortável com você sentada sobre mim. - ainda segurando sua bunda com força ele a puxou para frente e para trás, esfregando-a em seu pau - Assim...

- N-não, depois... - ela levantou o rosto dele que permanecia afundado no pescoço dela, buscando fixar seus olhos nos cinzentos dele - Agora nós realmente precisamos conversar, Sirius. Já precisamos há um bom tempo.

- Você tem razão, como sempre. - expirou - Muito bem, vamos.

Eles se levantaram e seguiram até a sala de visitas de mãos dadas. O bruxo pareceu se surpreender quando sentiu Hermione lhe tomar a mão, mas ele a apertou com força aceitando o contato sem tecer comentários. Quando chegaram, seguiram aos seus assentos do início da noite, ela no sofá e ele na poltrona. Olhando-se nos olhos por alguns momentos enquanto o bruxo aguardava que ela conduzisse a conversa. Ela tentou organizar os pensamentos, decidindo que começar pelo começo seria a melhor forma de esclarecer tudo.

- Tenho apenas uma pergunta antes de eu explicar tudo. - ele acenou para que ela prosseguisse - Quando isso começou para você?

O bruxo suspirou profundamente, parecendo momentaneamente desconfortável. Ela não se ofendeu, apenas aguardou pacientemente pois tinha consciência de que uma conversa tão íntima e profunda quanto a que teriam exigia um certo grau de honestidade bruta, acompanhada da revelação dos segredos sórdidos que ambos esconderam por tanto tempo.

- Quando você salvou minha vida na batalha no Departamento de Mistérios. - ela arregalou os olhos levemente, surpresa em como já fazia tanto tempo para ele - Não me julgue mal! Ali eu não te desejava dessa forma, não ainda. Mas foi onde tudo começou. Eu nunca tinha te visto como nada além da melhor amiga de Harry, uma jovenzinha com inteligência acima da média. Mas então, depois daquele dia, eu comecei a prestar mais atenção em você. No início achei que fosse gratidão. Eu estava sempre atento em você, te observando a distância. Eram tempos sombrios e eu precisava garantir sua segurança, era o mínimo que poderia fazer. Era inocente, Hermione, eu juro. Mas os anos foram passando e eu vi você amadurecer. Cada dia mais linda, cada dia mais radiante. Foi no dia do casamento de Fleur e Gui que eu percebi que minhas atenções para com você estavam tomando outro caminho. Te observei dançar com Ronald. Seus olhos brilhavam, suas bochechas estavam coradas e seu sorriso era de pura felicidade inocente. Eu tinha consciência dos sentimentos de Harry por Ginevra, então foi naquele instante que percebi que você terminaria com o Weasley. Eu senti tanta raiva. Soa ridículo, eu sei, um homem da minha idade desejar uma adolescente como você, mas foi mais forte que eu. Naquela noite eu quis ardentemente que você olhasse para mim da maneira que estava olhando para ele. E desde então... as coisas que sonhei em fazer com você, Hermione... Tão sujas e depravadas. - ele passou uma mão no rosto - Eu sou um pervertido, me perdoe por isso.

- Sirius, eu já era legalmente maior de idade. Você não tem pelo que se desculpar.

- Isso não exclui os vinte anos de diferença entre nós. - ele soou entristecido - Você é inalcançável para mim.

- Estou aqui, não estou? - ela sorriu para ele.

O bruxo levou um momento pensativo para responder, observando-a.

- Sim, de fato. Isso nos leva à questão principal da noite. Por que você está aqui, Hermione?

Ele esperou pacientemente pela resposta enquanto usava a varinha para convocar um charuto que voou de um armário ao lado do aparador no canto. Sirius incendiou a ponta, tocando-a brevemente com a extremidade da varinha, e puxou uma carga de fumaça espessa soltando-a em seguida. Mantendo os olhos fixos nos dela em todos os movimentos. Sem camisa, vestindo apenas uma calça jeans preta confortável, pés descalços e cabelos úmidos soltos, o charuto repousado entre os dentes... Sirius Black era o retrato do pecado.

- Quando você me abraçou ao nos despedirmos quando me mudei...

- Correção, princesa. Foi você quem me abraçou. - apontou orgulhosamente.

- Sim, bem... era a coisa certa a fazer. - ela sentiu suas bochechas esquentarem, pois não foi apenas por gratidão que tomou a liberdade de abraçar Sirius  - E eu não me lembro de você reclamar aquele dia.

- Como eu poderia, amor? - ele tirou o charuto da boca e assoprou fumaça densa no ar - Se aquele abraço fosse tudo o que eu teria de você, eu precisaria aproveitar ao máximo.

- O jeito que você me olhava, Sirius, que me olha. Me faz sentir exposta. - ela confessou num tom de voz baixo, transbordando honestidade - Sinto que você é capaz de enxergar minha alma. E eu sei que o que você vê não é uma adolescente afetada. Essa não sou eu. Por dentro somos iguais, você e eu, espíritos velhos e cansados, forçados a amadurecer rápido demais. Mas você ainda carrega essa leveza própria que te faz tão único e divertido. Você tem uma luz que me atrai feito mariposa.

- Hermione... - ele gemeu o nome dela.

- Aquele abraço foi um teste. Soa negativo dito assim, eu sei, mas eu precisava ter certeza de que o frio na barriga que eu estava começando a sentir em sua presença não era apenas imaginação. Quando eu cheguei em casa naquele dia e Ron apareceu de surpresa, eu fiquei terrivelmente irritada. Eu precisava de um tempo sozinha para entender o que estava sentindo e ele estava sendo pegajoso demais desde a Batalha Final. Ir para Hogwarts dias depois foi uma bênção. A decisão de Harry de ir para o treinamento de Aurores, e Ron, de ajudar Fred e George na loja de piadas foi igualmente positiva para mim. Eu só queria focar nos estudos e na bagunça que estava por dentro, tentando conhecer a mulher que eu havia me tornado após a guerra.

Sirius a ouvia atentamente, sem sequer piscar, o charuto esquecido e apagado entre seus longos dedos. Isso foi incentivo suficiente para as palavras continuarem jorrando de seus lábios numa confissão fervorosa.

- Não sei se você sabe, mas Rony nunca me pediu em namoro. Nos beijamos após matar uma orcrux na Câmara Secreta. Eu tive uma queda por ele desde o terceiro ano, mas eu realmente achava que o beijo aconteceu no calor do momento e não passaria disso. Mas as pessoas ao nosso redor não pensavam assim, inclusive ele. Inúmeras vezes ouvi que linda história de amor estávamos vivendo, que éramos o casal perfeito, de contos de fadas. Amigos de infância que enfrentaram uma guerra juntos, mas enfim o amor venceu. - ela sorriu com tristeza - Deveria ser nosso final feliz, você não acha? Ficamos juntos por um ano, nos dizendo que era a coisa certa. Nos obrigando a nos sentir felizes quando não estávamos, pois nos disseram que seríamos tão felizes juntos. Patético, Ronald e eu.

- Mas então por quê...

- Por que eu apareci chorando na sua porta, você que saber?

- Sim. - ele guardou o charuto no cinzeiro sobre a mesa ao lado da poltrona.

- Minhas lágrimas não eram pelo motivo que você pensa. Eu tomei a decisão de terminar com Ron na quarta-feira, mas na verdade já tínhamos nos separado há muito tempo.

Isso o surpreendeu.

- Você tomou a decisão? - ele tinha os olhos cinzas vidrados em expectativa - O que aconteceu na quarta-feira?

- Eu reconheci seu cheiro na minha Amortentia. - Sirius ofegou em surpresa - Na quarta-feira eu estava na aula de poções com o professor Snape. Ele me convidou no início do ano letivo para ser sua assistente. Já que recusei as funções de monitora-chefe, o que acabou deixando alguns períodos vagos em minha agenda, aceitei a tarefa pois sou uma excelente pocionista e ele precisaria de mim apenas duas aulas na semana. E também porque realmente detesto ter tempo ocioso, pois isso me fazia pensar em você. E tais pensamentos sempre me deixavam num estado deplorável de excitação.

- Hermione... - o bruxo praticamente rosnou em descrença.

- Você duvida de mim, Sirius? Depois de ver com os próprios olhos algumas horas atrás?

- Não duvido de você, amor. - ele negou veemente - De você nunca. Eu só... Isso parece um sonho. Você é um sonho. Você é perfeita. Boa demais para Weasley, e boa demais para mim também. Eu não a mereço.

- Não seja vitimista, querido. - ele fechou os olhos e praticamente ronronou com o termo carinhoso - Agora deixe-me finalizar a história para que possamos encerrar esse assunto. Como eu estava dizendo, na quarta feira estava auxiliando Snape na aula de poções. Enquanto ele explicava os ingredientes, efeitos, modo de preparo e antídoto da Amortentia, eu estava num canto preparando a poção. Depois de despejar o último ingrediente e mexer no sentido horário sete vezes por treze segundos, a poção atingiu a cor rosa perfeita e o cheiro afrodisíaco começou a exalar por todo o ambiente. Os alunos ficaram imediatamente agitados, alvoroçados ao identificar seus aromas. Veja bem, eu já tinha tido contato com Amortentia antes. E era sempre o mesmo cheiro para mim: pergaminho, pasta de dente trouxa sabor menta, grama molhada. Mas dessa vez, minha Amortentia cheirou exatamente como você estava cheirando naquele dia em que nos abraçamos numa despedida: almíscar, verbena e suor.

- Eu estava malhando. - explicou o último aroma, como um pedido de desculpas.

- Sei disso. Você está sempre malhando. E, oh, quando eu reconheci você na minha poção. Seu cheiro exato, masculino e forte, intenso e dominante. Minhas pernas falharam com o peso do significado que explodiu bem na minha cara. Eu fiquei indignada pois sempre esteve óbvio para mim esse tempo todo que estava perdendo tempo nesse relacionamento com Ronald quando era você quem aparecia nos meus sonhos molhados, mas eu nunca quis enxergar que era real. Talvez algum fetiche no padrinho sexy do meu melhor amigo, mas não amor.

Black continuou imóvel após sua grande revelação. Hermione deu alguns segundos para ele absorver a notícia, num silêncio carregado de significados.

- Minha Amortentia cheira a morangos silvestres recém colhidos, baunilha e jasmim. - ele confessou rouco, as pupilas dilatando-se.

Uma enorme onda de prazer e satisfação a invadiu ao receber a certeza da reciprocidade de seus sentimentos por ele.

- Minha loção hidratante. É um produto trouxa que eu uso.

- Eu amo. Eu... - interrompeu-se, engolindo em seco - E quanto a Rony?

Hermione sabia o que quase escapou dos lábios dele. Ela ansiava por ouvir aquelas palavras e também por dizê-las em voz alta finalmente, depois de se obrigar a silenciá-las por tanto tempo. Mas era preciso explicar esse último detalhe para que ambos pudessem dar vazão ao lindo sentimento que compartilhavam.

- Oh, sim. Rony. Aquele imbecil. - ela murmurou, ainda irritada com seu ex namorado e provavelmente ex amigo também - Depois que me recuperei do choque da descoberta na aula de poções, eu enviei uma coruja para ele dizendo que precisávamos conversar com urgência. Eu só recebi a resposta dele hoje a tarde, concordando em se encontrar comigo no Três Vassouras. Ainda cheia de adrenalina eu bolei um plano rápido. Fui a Hogsmead assim que terminei a última aula e comprei um vestido. Foi difícil escolher a cor, eu não sei qual a sua preferida e...

- Espera, espera. Aquele vestido vermelho era para mim? - o tom dele era de pura admiração.

- Sim, Sirius. Depois do jantar com Rony, meu plano consistia em vir direto para cá.

- Mas por que diabos você estava chorando, então?

- Quando eu toquei no assunto do nosso relacionamento, Ron foi mais rápido do que eu em terminar o namoro. Ele não percebeu que eu estava bem com aquilo e começou a justificar sua decisão dizendo todas aquelas coisas desagradáveis que eu já citei mais cedo. Além do mais, aquele idiota confessou que estava ficando com Padma Patil desde o fim de semana anterior, mas estava com medo de me magoar e por isso não terminou antes. Como se ser traída fosse mais aceitável do que ter uma conversa adulta e respeitosa. Eu não estava chorando por ter levado um pé na bunda, como você deve ter presumido. Eu estava chorando pois sinto que meu amigo me traiu sendo desonesto e ofendeu minha autoestima dizendo que sou frígida. Quando se está prestes a ir se declarar ao homem que você ama, essas palavras podem ser bem impactantes.

Sirius piscou algumas vezes, pensando, absorvendo. Ele se levantou e seguiu até o aparador ao canto e, confundindo Hermione, serviu quatro copos de Firewhisky. Ela observou atentamente o corpo dele durante todos os movimentos, a maneira como as costas musculosas se tensionavam e como as luzes fracas da iluminação faziam as sombras dançarem na pele clara. O bruxo pegou dois copos e retornou ao seu assento, mudando de ideia no último segundo para ir se sentar ao lado de Hermione no sofá, lhe estendendo um copo. Ele bateu com seu copo no dela, e ambos tomaram um pequenino gole. A bruxa suspeitou que ele não queria realmente uma dose, apenas precisava daqueles poucos minutos para pensar.

- Isso significa que o que eu senti... o que eu sinto por você é recíproco? - ele sussurrou - Todo esse tempo?

- Sim. - ela respondeu igualmente baixo - Já faz um tempo que é recíproco, Sirius. Me perdoe por levar tanto tempo para perceber. Eu acho que eu tinha medo. Ronald era algo conhecido. Previsível. Mas eu não sei o que esperar de um futuro com Sirius Black ao meu lado, e isso me assusta.

- Você continua dizendo essas coisas... - ele tomou o copo dela e apoiou ambos ainda cheios na mesa de centro - Meu velho coração não vai aguentar se você continuar a me chocar desse jeito. Hermione, você realmente quer isso comigo? Um futuro?

A bruxa esticou uma mão e buscou a dele, entrelaçando seus dedos. A mão de Sirius era enorme, máscula, com calos. Fazia ela se sentir segura e quente, pensando nas magias que aqueles dedos eram capazes de fazer quando estavam dentro dela.

- Eu quero tudo com você, Sirius. - ela confessou e as pupilas dele dilataram-se escurecendo seus olhos. Porém ele nada disse, o que começou a deixá-la com medo de ter dito tudo rápido demais - Eu estou aqui abrindo meu coração e você continua hesitante. Se eu te assustei, ou se você não corresponde a intensidade dos meus sentimentos então...

Rápido como um animal selvagem, sabendo muito bem que uma parte do bruxo era exatamente isso, Sirius mudou de posição ajoelhando-se no chão à frente de Hermione, pegando o rosto dela nas mãos.

- Perdoe-me, amor. Estou com medo de acordar desse sonho. - ele depositou um beijo carinhoso nos lábios dela - Mas não estou sonhando, não é?

- Não. - ela passou as mãos pelo abdômen, deliciando-se com os músculos rígidos sob a pele macia.

- Eu te amo, Hermione Granger. - ele disse em voz firme sem espaços para dúvidas, fazendo-a sentir o grave do timbre até as pontas dos dedos dos pés.

- Eu também te amo, Sirius Black.

A bruxa se inclinou para frente, capturando os lábios masculinos que beijou com ardor, luxúria e todo o amor que escondeu dentro de si nos últimos meses. Como ela pôde sequer pensar em viver sem ele, recusar seus próprios sentimentos? Era loucura, inimaginável. Ela sentiu quando o laço de seu roupão foi desatado e uma mão quente subiu por suas coxas em direção a sua feminilidade úmida e pulsante.

- Você já está tão pronta, amor... - ele enfiou um dedo curvado e ela gemeu.

- Eu te disse. Estou sempre excitada perto de você.

- É recíproco, baby. Estou constantemente duro quando você está por perto. - ele continuou a bombear aquele dedo longo e maquiavélico dentro dela - Ou até mesmo quando está longe, pois só de pensar em você já me deixa excitado.

- Sirius...

- Você não faz ideia de quantas punhetas eu já toquei pensando em você, Hermione. Centenas... - um segundo dedo a penetrou e ela jogou a cabeça para trás no sofá, entregue, enquanto ele continuava com aquela doce tortura com os dedos e palavras sujas que ela descobriu amar - Praticamente todos os dias, pelos últimos três malditos anos, eu me masturbei pensando em você. Devo ter batido algum tipo de recorde. Você não acha?

- Sim! - ela gritou quando ele circulou seu clitóris espalhando a lubrificação que pingava de sua entrada - Sim! Sim...

Foi só o que ela conseguiu expressar, naufragando nas sensações deliciosas que aquele bruxo causava nela. Sirius sabia manuseá-la com a precisão e exatidão de um artista experiente.

- Eu vou chupar sua linda bocetinha agora, tudo bem? - ele avisou retirando os dedos de dentro dela, em seguida numa velocidade impressionante ele a puxou pelas coxas para mais próximo da borda do sofá e lhe abriu as pernas, enfiando a cabeça em seu centro sem nem lhe dar tempo de pensar.

Hermione gritou quando a língua molhada a atingiu, quente e escorregadia, subindo e descendo pelo seu clitóris já inchado. Sirius estava devorando-a, com língua, dentes, lábios e barba. Tantas sensações explodindo por todo seu corpo a partir daquele contato tão depravado e delicioso. Ela o agarrou pelos cabelos, puxando, como se o quisesse ainda mais perto. Ela gemia alto a cada vez que a língua dele subia, distribuindo uma descarga de arrepios vertiginosos, fazendo-a sentir-se a beira de um abismo onde em breve estaria em queda livre.

- Eu quero que grite meu nome quando gozar. - ele ordenou, possessivo.

Ela estava descobrindo que amava um Sirius Black possessivo. Ela o amava de todas as formas.

O bruxo inseriu dois dedos em sua boceta encharcada e essa foi sua perdição, sua ruína. Hermione gozou violentamente, estremecendo numa convulsão alucinante balbuciando o nome do homem que a estava fazendo gozar com a boca, sua mente numa nuvem distante, pois tudo o que sentia era Sirius fazendo coisas indizíveis e inimagináveis com seu corpo. Levou alguns minutos até que ela voltasse a si, e quando o fez abriu os olhos buscando o olhar dele, que já a encarava com um sorriso enorme no rosto. Extremamente feliz e orgulhoso pelo descontrole que obviamente causou a sempre controladora Hermione Granger. Ainda um pouco aérea pelo orgasmo, ela pulou sobre ele, beijando-o profundamente, provando o próprio sabor.

- Isso foi delicioso. - ela murmurou e Sirius a beijou novamente - Você é delicioso... - ele lhe roubou as palavras ao assaltá-la num novo beijo, insistente - Me leve para sua cama e me foda, Sirius... Por favor...

Imediatamente Black a pegou no colo e os aparatou para o quarto dele.

- Seu desejo é uma ordem, amor. - aparentemente ele não suportava a ideia de separar seus lábios - Eu nunca vou me saciar de você, mas estou adorando tentar. - beijos, beijos... as línguas deles estavam quase alcançando a garganta um do outro, absolutamente extasiados - Vou te foder agora, baby. Rápido e forte. Você aguenta, não é? Você é minha boa garota, Hermione?

- Eu sou! - ela abaixou uma mão e bombeou o pau dele, fazendo ambos gemerem - Me fode, me fode agora, Sirius...

Ela quase choramingou quando se sentiu sendo cuidadosamente colocada no centro da cama. Hermione abriu as pernas o máximo que pôde para recebê-lo e logo Sirius estava no meio dela, roçando a cabeça aveludada do pau em sua boceta molhada. Mantendo os olhos fixos nos dela, ele a penetrou de uma vez e a pressa pareceu desaparecer. Ele iniciou as estocadas lentamente, explorando, sentindo... as duas mãos foram para os seios dela, acariciando os mamilos endurecidos, e logo a boca insaciável dele substituiu as carícias. A velocidade gradativamente aumentou, junto com a força das investidas, e logo o rosto de Sirius estava enterrado em seu pescoço, murmurando obscenidades que a fariam corar se o pau maravilhoso dele não estivesse dentro dela. Hermione estava exausta, mas podia sentir um novo orgasmo se formando em seu baixo ventre. Ela o abraçou, cruzando as pernas ao redor da cintura dele, mantendo a posição que favorecia ir mais fundo e alcançar aquele ponto dentro dela, e rebolou para aumentar a fricção de seu clitóris. Isso bastou para empurrar ambos do abismo do prazer.

Hermione e Sirius gozaram juntos, murmurando declarações e promessas de amor.

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