9. HIGH
Você me ajuda a não cair
Fique mais um pouquinho,
Fique mais um pouquinho, comigo
— Você tem mesmo que se vestir? — Kid saiu do meu banheiro esfregando uma toalha na cabeça.
— Sim e você também. — Eu joguei uma samba-canção que achei perdida na cara dele, rindo quando ele revirou os olhos antes de ficar me encarando por alguns segundos e sorrir.
— Vocês nascem com essa habilidade especial? — ele exibiu um sorriso, se vestindo antes de notar a minha expressão confusa. — Essa coisa de ficar gostosa pra caralho apenas com uma camisa masculina extra larga e calcinha... O que você tá quase fazendo agora.
— Cala a boca. — Eu ri, me aproximando dele e me deitando ao seu lado.
— É sério. — Kid girou seu corpo, ficando mais próximo de mim. — É um dom natural ou ensinam isso pra vocês em um tipo de aula secreta?
Eu ri, passando a mão por seu cabelo bagunçado e deixando um pequeno sorriso permanecer em meus lábios antes que ele se arrumasse sobre a cama, ficando com sua mão livre e próximo de mim.
Kid colocou sua mão sobre a minha coxa, a apertando e fazendo com que eu me aproximasse ainda mais dele. Sua mão subiu em uma carícia enquanto meus dedos brincavam com as mechas bagunçadas e ainda úmidas de seu cabelo.
— Isso é bom. — Ele sorriu, apertando minha coxa e fechando seus olhos. — Eu sei que você tem um monte de coisa pra fazer..., mas posso ficar aqui?
— É claro que pode. — Eu o encarei por um instante, revirando meus olhos ao notar meu sorriso se tornar maior e aquela sensação boa me envolver. — Nem precisa pedir...
Kid sorriu, ajeitando seu corpo sobre a cama e adormecendo enquanto eu brincava com seu cabelo, fazendo trancinhas. Ótimo, melhor estarem muito felizes, olha onde essa brincadeira me levou...
***
— Merda. — Killer passou pela porta do quarto, chamando minha atenção. Kid estava no seu segundo longo período de sono, depois de dormir algumas horas comigo e passar a noite fazendo algum trabalho menor antes de voltar para a minha cama as seis da manhã.
— Tudo bem? — eu levantei meus olhos para o grande loiro de expressão no mínimo preocupada e o vi sorrir ao encarar Kid. — Não vai deixar isso passar, né?
Killer balançou a cabeça enquanto eu fazia um carinho em Kid, bagunçando ainda mais seu cabelo.
— Preciso que você o acorde e o convença a colocar uma roupa apresentável. O Kenway está chegando e ia ser bom pra nossa imagem se o Kid estiver lá embaixo em... — ele olhou as horas no notebook aberto sobre a minha escrivaninha — quinze minutos.
— Vou fazer o possível. — Killer sorriu, me agradecendo antes de sair. Um instante depois e eu podia ouvir os passos apressados dos rapazes se aprontando para a visita surpresa. — Você ouviu seu amigo, vamos levantar.
— Deixa eles se resolverem com o Kenway... Eu estou deitado no travesseiro mais confortável do mundo. Não quero sair daqui. — Ele esfregou o nariz contra a pele do meus seios, me fazendo rir.
— Vamos... antes que seu chefe resolva tirar todas as regalias que me fazem ficar aqui. — Kid bufou, se levantando a contragosto e me encarando por um momento a mais, na esperança de que eu participasse de seu pequeno motim.
— Tá bem... — ele fez um sinal de descaso com a mão, me fazendo rir e ir procurar por algo que não fosse um pijama em meio as minhas roupas.
— De onde isso saiu? — Kid olhou para a blusa com apliques de pérolas e o short de alfaiataria cinza como se fossem um vírus em seus preciosos computadores.
— Do meu guarda-roupa, por que? — eu o encarei levemente divertida por seu quase horror ao meu estilo.
— Você devia ser proibida de usar uma coisa tão... conservadora aqui. É quase um atentado ao meu estilo de vida. — Ele sorriu quando uma risada alta escapou por meus lábios.
— Oh, desculpe estar insultando o seu estilo de vida com a minha roupa comum e apresentável para o seu chefe que parece ter saído de um livro de CEO new adult. — Eu me aproximei um passo a mais dele, arrumando a gola da camisa com a estampa de alguma banda antes de ver a calça xadrez com duas cores diferentes, uma em cada perna. — Você está falando da minha roupa, mas de onde saiu esse atentado à moda?
— De um brechó, eu acho. — Killer apareceu, arrumando o cabelo em um coque antes de encarar o amigo. — Pensei que tinha me livrado dessa coisa.
— Ei! — Kid arrumou o cinto, fazendo as correntes balançarem antes que Killer tentasse arrumar o cabelo dele. — Querem parar com isso? Eu estou apresentável. Agora vamos descer que o Kenway já deve estar aqui.
Aestus e Mallacht estavam parados aos pés da escada, esperando por nós. Mal pisamos no último degrau e a porta se abriu dando passagem para os três mesmos seguranças da última visita, Law, Haytham Kenway e um motoqueiro que eu ainda não conhecia.
— É, essa sua enfermeira faz mesmo milagres, Garoto. — O homem sorriu para mim, se aproximando e esticando sua mão. — Shay Cormac, seu assassino de aluguel e algumas vezes, babá de hacker.
Eu ri, o cumprimentando e vendo de soslaio Kid o encarar com uma expressão irritada.
— Merindah Nimhìuil. — Ele me encarou por um instante a mais antes de sorrir.
— Gostei do sobrenome. Celta ou Nórdico? — seu sorriso se tornou maior quando eu fiz um dois com os dedos. — Cuidado com ela, rapazes, ela é pior que vocês juntos.
Eu sorri para ele antes de notar a caixa maleta preta que ele tinha em mãos.
— Acho que já basta de formalidades, senhor Cormac. Não quero ser rude, senhorita Nimhìuil, mas tenho diversos assuntos para resolver hoje e não posso me atrasar para alguns deles. — Haytham apontou para a mesa quando eu concordei e todos nos aproximamos dela, vendo Shay colocar com cuidado a maleta sobre ela. — Um presente para você, senhor Eustass.
Ele abriu a caixa, exibindo a prótese de um braço esquerdo em um material metálico de cor grafite.
— Entrei em contato com a Doutora Galimatias e ela me esclareceu algumas coisas. — Haytham fez uma pausa, pegando uma pasta que estava junto da maleta e a entregando a Killer. — Podem analisar isso depois e atualizar o software e fazer os outros ajustes mais tarde com base nas informações não adulteradas.
— Informações adulteradas? — eu sorri ao ver Kid e Killer falarem ao mesmo tempo.
— Posso? — Law deu um passo à frente, me cumprimentando com um sorriso antes de voltar sua atenção para os rapazes. — A Doutora Galimatias achou prudente, depois de algumas observações, interromper o projeto até que pudéssemos encontrar novos voluntários, já que os anteriores aparentemente têm um sério desequilíbrio ligado a raiva.
— E como ela deduziu isso sem a sua ajuda? E porque sabotar o projeto ao invés de avisar ao senhor Kenway? — Kid tomou as anotações das mãos de Killer, as folheando sobre a mesa enquanto seu rosto se contorcia em uma expressão irada.
— Os animais. É um método questionável, embora me veja forçado a admitir que seja eficiente nesse caso. Ela observou com cuidado as relações dos voluntários com as cobaias. — Law deu ombros, voltando seus olhos para Haytham que concordou de forma quase imperceptível.
— Quanto à não ter me informado... Ela tentou, mas eu estava mais afastado do projeto e aparentemente Charles não deu a devida atenção a isso. — Nossa, eu realmente não queria imaginar como aquele homem era quando muito irritado. Ele tinha uma voz fria e cortante, além do olhar que parecia ser capaz de te atravessar como uma lâmina. — Mas isso não vem mais ao caso. Irei reabrir o projeto com novos voluntários e espero que possam me ajudar.
Kid concordou com um aceno, examinando com a ponta dos dedos o material da prótese.
— É um novo material que estamos desenvolvendo, é leve, resistente a impacto e muito durável. Você vai se divertir bastante com esse novo brinquedinho. — Shay sorriu de canto para Kid, se aproximando e tirando a prótese da maleta. — E, o doutor Law fez uma média de peso do seu antigo braço, então tem o mesmo peso. O que deve te ajudar em alguma coisa.
— Agora... Vamos a segunda razão da minha visita. — Haytham se voltou para mim e o sorriso que Shay tinha em seus lábios desapareceu, dando lugar a uma expressão séria. — Seu contrato, senhorita Nimhìuil.
— Contrato? — eu os encarei confusa por um momento.
— É, disse que queria um assassinato, certo? — a expressão de Shay se suavizou um pouco enquanto eu concordava com um aceno. — Ótimo. Eu sou o cara para esse serviço. Me diz o que quer e eu vou providenciar para você.
Haytham rolou os olhos de forma discreta antes pigarrear, me fazendo voltar minha atenção para ele.
— Antes de acertar esses detalhes, quero perguntar se é isso mesmo que deseja e se a resposta for sim, agendarei uma visita com a senhorita para acertar alguns detalhes e conversarmos. — Ele me encarou por um momento enquanto eu concordava com um aceno e minha expressão se tornava séria e talvez um pouco irritada.
— Sim, eu quero isso. E sim, eu tenho certeza de que é isso que quero. Eu quero que ele sofra e saiba que fui eu, se possível eu quero ver, assistir... — minha respiração estava irregular e eu sentia um frio na barriga pela ansiedade enquanto o ódio queimava minha garganta. — Eu quero ver ele implorar pela vida, quero ver ele chorar e gritar...
— Verá. Mesmo que não seja presencialmente, mas verá. — Shay exibiu um sorriso cruel enquanto Haytham apenas concordava com um leve aceno.
— Ótimo. Esses assuntos estão resolvidos então. Retorno em algumas semanas para discutimos seu contrato, senhorita Nimhìuil. — Haytham se virou, seguindo para a porta acompanhado de seus seguranças enquanto Shay se despedia de mim com um aceno e um sorriso gentil, saindo do prédio e fechando a porta logo atrás de si.
— Você precisa de um chá... ou um calmante. — Law colocou sua mão em meu ombro, me fazendo respirar profundamente e sair para a cozinha, sem olhar para o rosto dos homens ao meu redor. Eu não queria ver aquela expressão de julgamento de sempre que eu falava que odiava o homem que destruiu a minha vida.
— Que porra aconteceu com ela? — eu voltei meus olhos para o Lawrence, o encarando enquanto ele mantinha o olhar fixo à porta da cozinha, me ignorando. — Caralho Law! O que aconteceu com ela? Fala logo porra!
— Sinceramente, não sei muito além de vocês. Fiz o que estava ao meu alcance na época, mas não sei o que houve depois que ela se afastou do hospital. — Ele se voltou para nós, olhando para todos antes de fixar seu olhar em mim. — Um residente vazou as fotos dela, as pessoas falaram merda por algumas semanas até perceberem que minhas ameaças eram reais e eu dei uma surra no cara e depois o denunciei, mas não adiantou de muita coisa... Mas não sei o que aconteceu quando ela saiu do hospital e se mudou pela primeira vez. Nosso próximo encontro foi pouco mais de um ano depois, um ano e meio atrás quando me chamaram em um hospital depois de... bem, não vem ao caso.
— Por quê você? — Killer o encarou curioso e Law voltou seus olhos para a cozinha.
— Eu sou o contato de emergência dela. — Ele deu um passo à frente, indo em direção a cozinha e eu fiz o mesmo, até Killer me segurar.
— Espera um pouco. — Eu o atravessei com meu olhar e ele apontou para a cozinha com um aceno. — Ele sabe lidar com as pessoas, estudou pra isso. Deixa ele conversar com ela primeiro e depois nós vamos.
Eu suspirei, me afastando dele com um puxão e indo até meu computador, me jogando sobre a cadeira e encarando a tela por um momento, tentando pensar em qualquer coisa que não fosse na raiva que eu sentia ou a curiosidade que quase gritava em minha mente.
— Dá uma olhada nos arquivos que o Kenway mandou. — Killer passou, dando um tapinha no meu ombro e indo para o próprio computador.
Eu respirei fundo, encarando a tela antes de abrir os arquivos e começar a estudar o protótipo, já começando a fazer algumas alterações no sistema. De canto de olho eu pude ver Aestus e Mallacht se juntarem a nós nos computadores e também começarem a trabalhar.
Levou algum tempo até que eu visse Law sair da cozinha e acenar para nós, deixando uma pasta de arquivos sobre a mesa e saindo do Victoria.
— Kid. — Eu ignorei Killer, indo para a cozinha e vendo Merindah com a cabeça deitada na mesa, encarando a geladeira.
— Ei, se está com tanta vontade de comer algo é só falar que eu mando alguém ir buscar. — Eu me sentei de frente para ela, encarando seus olhos vermelhos de tanto chorar e sentindo meu peito se apertar dolorosamente e a raiva queimar.
— Por favor, não fala nada... Já basta o Law. — Ela suspirou e parecia cansada, mais cansada do que quando cuidou de mim. — Eu não quero ouvir que exagerei, que eu deveria ser melhor que isso ou que eu deveria estar fazendo terapia por causa do que aconteceu... Eu só quero... Merda, nem sei o que eu quero!
— Tudo bem. Eu não vou te mandar para a terapia, até porque se eu fizer isso seu terapeuta vai te mandar ir morar em outro lugar mais saudável. — Eu sorri quando ela riu, esticando minha mão e envolvendo a dela em um gesto afetuoso de suporte que eu conhecia tão bem. — E não acho que você esteja exagerando. Não sei o que aconteceu, e tenho certeza que vou odiar quando descobrir, mas você tem suas razões. E sinceramente, não somos lá muito de julgar as pessoas. Qual é, olha pra gente.
— Um bando de hackers, punks e viados. — Mallacht passou atrás de mim, exibindo um sorriso cordial para a Merindah antes que Killer e Aestus se juntassem a nós, ficando parados à porta.
— E você é uma de nós, Meri. — Ela sorriu pelo apelido carinhoso de Aestus que se aproximou, a abraçando. — Se quiser, a gente dispensa o Cormac e te ajuda a matar o cara e esconder o corpo.
Ela riu antes de respirar fundo algumas vezes.
— Okay, vocês conseguiram. Estou melhor... — ela sorriu, beijando a bochecha do Aestus antes de se levantar e fazer o mesmo com o Mallacht e o Killer, finalmente se aproximando de mim e me dando um selinho. — Mas adoraria descansar cercada pelo caos...
— Ótimo. — Eu a envolvi com o meu braço, a mantendo colada ao meu corpo em um tipo de abraço. — Pro sofá, vou te mostrar porque eles não sobreviveriam em um filme de terror.
Merindah riu, me deixando levá-la até o sofá. Todos se acomodaram e não demorou para a sessão de xingamentos começar. E no meio daquela bagunça e de todo aquele barulho ela dormiu, como se estivesse no local mais sereno e seguro do mundo, ao meu lado.
***
— E então... — Merindah se aproximou, encarando os códigos que corriam na tela.
— Progresso... Mais lento do que eu gostaria, mas progresso. — Eu sorri quando ela colocou uma xícara de café na minha mão. — Obrigado.
— Você merece. — Ela sorriu, se afastando e me deixando sozinho novamente com a atualização de software e aqueles mesmos pensamentos.
— Para de pensar nisso. — Eu levantei meus olhos da tela, encarando Killer que mantinha seu olhar no monitor onde ele programava o aplicativo de espelho. — E não adianta me olhar assim. Deixa isso pra lá, por enquanto.
— Você sabe de algo e não quer me contar. — Eu olhei ao redor rapidamente, me certificando de que Merindah tinha subido.
— Sim. E não é o seu olhar assassino que vai me fazer mudar de ideia. — Ele anotou algo em um caderninho, levantando seus olhos para mim. — Presta atenção nisso aí e deixa a história da Merindah de lado. Resolve uma coisa de cada vez.
Eu suspirei. Nada que eu fizesse ia fazer o Killer me contar o que ele estava escondendo, nem mesmo acessar os dados do computador dele me ajudou nisso. Tudo o que eu podia fazer era esperar. E eu odiava esperar.
— Ei, grande hacker, vamos ver um filme. Você tem que descansar um pouco. — Merindah surgiu com um sorriso e uma garrafa de vinho, apontando para o segundo andar. Haviam se passado algumas horas e o Victoria estava quase escuro por causa do entardecer.
— Boa ideia. — Eu me levantei e a segui até o quarto. Aestus e Mallacht assistiam à algum clássico cult enquanto Killer estava jogado na cama conversando com a namorada. — Okay, Bruxinha, qual o filme de hoje?
— Hm, não sei... Pensei em deixar você escolher algo. Me surpreenda. — Merindah sorriu, se jogando sobre a cama e me encarando por um instante.
E naquele momento meus pensamentos se calaram e a raiva sumiu. Naquele momento eu me dei conta de que o passado dela não importava para mim, eu não ia poder fazer nada quanto ao que aconteceu. Mas eu tinha o aqui e o agora.
— Que foi? Deu tela azul é? — ela riu, me trazendo de volta e me encarando preocupada quando eu não respondi a sua provocação, apenas fiquei a encarando. — Kid, você tá bem?
Ela se levantou, se aproximando e segurando meu rosto com ambas as mãos.
— Não sei. Tô sentindo uma coisa estranha... mas boa, eu acho... — aquela sensação de calor confortável se espalhando pelo meu peito e se tornando mais intensa quando ela riu, se misturando ao desejo. — Okay, isso tá ficando estranho demais.
— O quê? — Merindah riu quando eu fechei a porta e apoiei minhas costas a ela.
— Sei lá. Essa vontade estranha de foder você, mas não do jeito de sempre, sabe... — ela exibiu um sorriso de canto, se aproximando.
— Hm, quer que eu te prenda hoje na cama com uma algema e te bata com um chicotinho ao invés das nossas brigas por controle de sempre? Achei que gostasse dessa brincadeira. — Ela se aproximou o último passo que nos separava, tocando meu peito e delineando uma cicatriz com a ponta do dedo.
— Adoro essa brincadeira. — Eu sorri, pegando sua mão e encarando a palma. — Mas não sei explicar... Me deu uma súbita vontade de ser... carinhoso?
— Tem certeza? Você parece meio em dúvida... — Merindah riu quando eu lhe mostrei o dedo. — Tá, vamos supor que você queira ser carinhoso e que eu vá te deixar no controle... O que você pretende fazer?
Eu a encarei por um instante pensando em como faria isso antes de fazer um carinho em seu rosto, como ela sempre fazia comigo, e a beijar.
— Sinceramente, não tenho muita certeza, mas acho que posso tentar fazer isso do meu jeito... O que acha? — Merindah passou os braços ao redor do meu pescoço, me puxando e me beijando.
— Eu gosto do seu jeito único de demonstrar afeto... Me mostre como seria isso na cama. — Ela sorriu, ainda com os lábios colados aos meus, pela primeira vez me deixando tomar o controle da situação.
Eu passei minha mão ao redor da sua cintura, a puxando para mim e a beijando, nos levando em direção a cama. Merindah riu quando caímos sobre o colchão enquanto eu xingava.
— Já te disseram que você fica uma graça irritado? — Ela me encarou com um sorriso, se ajeitando sobre a cama antes de arrancar o short do pijama.
— Você é a única pessoa que acha isso... — eu disse enquanto espalhava beijos por seu pescoço enquanto ela dava ombros e suspirava com suas mãos percorrendo minhas costas em uma carícia.
Eu estava sobre ela, meu corpo pressionando o seu, tão macio e quente, me fazendo desejar tocar e beijar cada pedaço da sua pele. Sua voz baixa e rouca, falando sacanagem e me chamando, seu hálito quente arrepiando minha pele e me enlouquecendo.
De alguma forma, Merindah conseguiu se livrar da minha calça, pelo menos o suficiente.
— Caralho! — ela riu quando eu caí de cara no colchão. — Essa merda não vai funcionar... Preciso pensar.
— Levanta, você é pesado. — Ela tinha um sorriso divertido e safado, como isso é possível? — Deixa eu te ajudar com isso...
Merindah se levantou, apontando para a cabeceira da cama e eu me sentei, apoiando as costas ali, completamente à contra gosto.
— Não foi assim que imaginei... — eu devia estar com uma expressão irritada que a fez sorrir de um jeito doce.
— Sinto por isso... — ela terminou de puxar meu moletom, subindo no meu colo e me encarando por um instante, abrindo um sorriso sacana antes de arrancar a blusa e praticamente envolver minha cara com seus belos, fartos e macios seios. — Mas vai gostar dessa posição também... Vai a achar muito... confortável.
— Ah, vou sim. — Eu levantei meus olhos para ela, enterrando ainda mais meu rosto em sua carne, abrindo um sorriso antes de morder a pele macia arrancando um suspiro dela antes de colocar a ponta em minha boca e apertar sua cintura.
— Kid... — sua mão agarrou meu cabelo, brincando com as mechas vermelhas enquanto minha mão descia em um carinho até a sua bunda, a apertando.
— Você é a coisa mais perfeita que eu já vi... — meus lábios subiram, beijando sua pele até o pescoço, onde mordi, deixando uma marca antes de finalmente beijar seus lábios cor de rosa como se precisasse dela para viver. — Você é quente, macia... gostosa como o inferno...
Ela riu, se afastando para me encarar antes de descer seu corpo, praticamente sentando em cima do meu pau e se esfregando nele.
— Caralho! Isso é muito bom... — minha mão subiu e apertou um de seus seios enquanto meus olhos percorriam seu corpo antes que ela segurasse meu rosto, fazendo com que eu a encarasse e me beijasse. — Porra...
Ela me deixou deslizar lentamente para dentro dela, era quase uma tortura, uma deliciosa tortura.
Deuses... Esse homem ainda vai me enlouquecer.
Kid estava agindo estranho já há alguns dias, sendo mais cuidadoso comigo e afetuoso, à sua forma é claro. E a cereja do bolo de estranhezas da semana: ele querendo 'fazer amor'. Embora esse seja o termo mais errado a se usar para isso.
— Porra... é tão bom estar dentro de você... — eu suspirei quando empurrou seu corpo contra o meu, abrindo um sorriso de canto que me fez praticamente tremer junto com a voz rouca e grave. Kid jogou sua cabeça para trás, a deixando apoiada a cabeceira da cama, com os olhos fechados e um enorme sorriso. — Porra mulher, eu amo você.
Sua 'declaração' me pegou de surpresa, fazendo com que eu apoiasse minhas mãos ao seu peito e o encarasse. Mas o desgraçado continuava a empurrar dentro de mim, me fazendo gemer e acertando aquele lugar que me levava ao paraíso.
— Kid... — seu nome soou como um sussurro, fazendo com que ele levantasse a cabeça, sua mão ainda segurando meu quadril com firmeza.
— Eu sei o que eu disse... — ele me encarou sério, abrindo um pequeno sorriso de canto antes de arrumar sua postura e me puxar contra si, me abraçando firmemente, empurrando lentamente contra mim e mordiscando meu pescoço. — Não 'tô esperando que você diga o mesmo e sei que o momento é o pior, uma merda... Mas foda-se, não tô mentindo e acabei de me dar conta disso. Caralho, eu amo você Merindah.
Ele enterrou o rosto em meu pescoço, o beijando enquanto meus seios estavam pressionados contra seu peito, minhas mãos agarravam seus cabelos em meio àquele abraço e seu corpo quente e suado provocava os locais exatos me deixando à beira de um orgasmo que apenas ainda não tinha acontecido por causa dos pensamentos que corriam na minha mente.
Um cheiro misto de mel e morangos tomou meu quarto, me fazendo suspirar em meio aos gemidos que eu tentava controlar. As lembranças que invadiam minha mente se dissipando enquanto restava apenas a sensação que estava presente em todas elas e que eu sentia naquele momento. Merda.
— Kid... — eu chamei por ele, puxando seu cabelo até que ele me encarasse e eu pudesse o beijar. Ele me encarou com aqueles olhos amendoados, abrindo um sorriso largo antes de agarrar meu quadril, o apertando e se movendo mais rápido, fazendo com que eu apoiasse minha testa a sua. — Droga...
— Aprendi a ler você... — ele me puxou para baixo em um movimento brusco me fazendo suspirar. — Eu sei do que você gosta... De onde gosta...
— Convencido... — eu o encarei com os olhos semicerrados enquanto ele dava ombros antes de me beijar.
— Eu sou o melhor no que faço... — ele sorriu antes de voltar a envolver minha cintura e apertar meu corpo contra o seu, afundando o rosto em meu pescoço.
Ele se ajeitou até ter cada exato ponto que me enlouquecia pressionado contra seu corpo, me provocando e me levando em um orgasmo bagunçado, confuso, febril e intenso, muito intenso. Ele veio com um rosnar rouco, mordendo meu ombro antes de seu corpo relaxar sob o meu.
— Merda... Eu fo- — Eu cobri sua boca com a minha mão, deixando meu corpo praticamente cair sobre o dele, nos empurrando em direção aos travesseiros na cabeceira da cama e apoiando minha cabeça ao seu ombro.
— Por favor, cala a boca. — Eu levantei meus olhos para ele, sorrindo quando ele me olhou irritado. — Eu 'tô grogue demais pra dizer qualquer coisa.
Kid riu, passando sua mão em uma carícia que fez minha pele se arrepiar enquanto eu respirava profundamente. Okay, eu entendi.
— Eu... — eu respirei profundamente, buscando uma coragem que eu não sabia se ainda tinha. — Eu acho que também amo você e esse seu jeito doido de fazer as coisas... Eu só... não entendo como isso funciona. Pelo menos não mais.
— Bem... As coisas podem ficar como estão. Sei lá. Tá bom assim, não é? — ele me apertou contra si, me fazendo sorri.
— É, tá bom assim... — Eu me aninhei contra ele, sorrindo quando ele abriu um cobertor sobre nós dois e se ajeitou, dormindo quase instantaneamente, me fazendo rir enquanto o sono me envolvia.
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