7. BEST I EVER HAD
Suas mãos ao redor do meu coração, você está no controle
Você é o único que eu mantenho tão perto
Porque nenhum outro amor jamais pareceu certo
— Por que você tá tão irritado? — Killer colocou uma xícara de chá a minha frente, apoiando seu corpo a minha mesa.
— Não é da sua conta, empata foda. — Ele riu, jogando a cabeça para trás enquanto eu suspirava. — O que você quer?
— Nada... apenas ver você saindo da linha de uma forma diferente. — Ele se afastou, ainda com um sorriso no rosto, indo para a cozinha.
Eu suspirei. Killer estava certo, Merindah estava me fazendo sair da linha e de um jeito que eu não gostava. Desde quando eu faço carinho nos outros?
— Ei, grande gênio do crime. — A voz de Merindah me fez tirar os olhos da tela, os levantando para ela e sorrindo. — Petiscos, e o Law vem dar uma olhada em você depois do almoço, não esquece.
— Eu sou o quê? Um cachorro pra você ficar me dando petiscos? — ela riu e eu bufei ao lembrar do Law. — Preciso mesmo ter uma consulta com o Lawrence?
— Sim. E deixa essa picuinha de lado. — Merindah passou a mão pelo meu cabelo, fazendo aquela sensação boa se espalhar pelo meu corpo. Eu agarrei o pulso dela, a puxando mim e a beijando de surpresa. — Hm, isso vai acabar com sua reputação de hacker perigoso e badboy.
— Posso recuperar ela depois. — Eu sorri ao ouvi-la rir, se afastando em direção a cozinha. Killer estava apoiado a porta e sorriu para ela antes de voltar seus olhos para mim com um sorriso irritante.
Eu revirei meus olhos enquanto ele, Aestus e Mallacht se aproximavam.
— Então... O que aconteceu ontem? — Aestus puxou uma cadeira, se sentando e me encarando com uma expressão curiosa.
— Vocês são o quê? Um bando de velhas fofoqueiras? — eu fechei a cara, os encarando enquanto eles sorriam. — Ah, por favor, parem com isso...
— Tá bem, só queremos saber o que está acontecendo. Vocês estão namorando ou o quê? — Mallacht sorriu, olhando de soslaio para a cozinha.
— Não sei. Estamos... testando a química, como ela mesma disse. — Eu dei ombros, vendo Merindah sair da cozinha com uma bandeja com um lanche e ir para o quarto estudar. Merda. — Okay, eu admito, eu gosto dela. Ela é inteligente, petulante, organizada demais pro meu gosto, divertida e cuidadosa. E sim, o fato dela ser gostosa pra um caralho só dá mais pontos de controle pra ela sobre mim.
Os rapazes riram e eu me limitei a sorrir.
— Okay, já o irritamos o suficiente, hora de deixar ele voltar ao trabalho. — Killer apontou para os computadores e eles se dispersaram, voltando cada um para as suas respectivas tarefas.
Eu voltei meus olhos para a escada, pensando por alguns instantes. Eu ficava irritado ao pensar em como Merindah mexia comigo, me fazendo querer agradá-la ou sorrir, desejando seu toque suave e, em momentos mais extremos, seu corpo sob o meu.
Eu suspirei, girando meu corpo sobre a cama e encarando a mensagem recém-recebida de Law. Ele me avisava que viria visitar os rapazes, acompanhado do seu chefe e que eu deveria estar presente, já que um desses assuntos me envolvia diretamente.
— Nossa. — Os olhos de Kid percorreram meu corpo e ele sorriu charmoso. — Adorei o modelito.
— Cala a boca. — Eu ri, arrumando o vestido florido de tons sóbrios e escuros que Killer havia arrumado para mim com sua nova paquera. É, Freya gostou mesmo dos rapazes. — Que milagre é esse? Você? E vestido?
— Pois é... infelizmente o Haytham tem uma política de não me deixar tão à vontade em suas visitas. — Kid deu ombros, tentando arrumar a gola da camiseta com uma estampa de caveira. — Porque essa coisa está me incomodando tanto?
— Deixa eu te ajudar. — Eu fiz ele se virar para mim, arrumando a camisa ao seu corpo antes de fazer o mesmo com o jeans escuro. — É incrível como você consegue se virar sozinho, mas não vai te matar pedir ajuda às vezes, sabia?
— Não sou de pedir ajuda... — ele desviou os olhos para o teto e eu sorri, segurando seu queixo e fazendo seu olhar se voltar para mim antes de me colocar na ponta dos pés e beijar levemente seus lábios.
— Entendo isso, mas tente deixar que a gente te ajude quando precisar, okay? — ele concordou com um aceno, passando seu braço ao redor do meu ombro enquanto descíamos as escadas.
Eustass William 'Kid', sim, eu descobri o nome completo dele, não é exatamente a criatura mais romântica e carinhosa da face da terra. Ele tem um jeitinho especial e violento de mostrar afeto pelos amigos e isso me faz rir.
Ainda assim, ele parece ter alguns momentos tela azul quando se refere a fazer o mesmo comigo. São coisas sutis, algumas vezes nem tanto, como colocar uma mecha do meu cabelo no lugar ou apoiar sua cabeça sobre a minha e cheirar meu cabelo, falando algo sobre a minha altura pra tentar me irritar. Outras vezes ele demonstra carinho me puxando contra seu corpo, quase nos fazendo cair antes de me dar um beijo e ir fazer outra coisa. E sim, beijo, não selinho, ele parece não saber o que é isso.
Esse é aquele momento em que alguém diria 'ah, mas isso todos fazem'. Sim, eu sei. O ponto em questão é que Kid fica limitado a isso e aos beijos. Nós não ficamos de mãos dadas, nem falamos coisas fofas, embora eu ache que aí já é exagero.
Esse é aquele momento 'garota das fanfics' em que eu penso longe demais. Eu sei que não teremos um jantar romântico, não vamos dançar juntos ou ir ao cinema só nós dois, não vamos ter uma guerra de travesseiros que vai terminar em um momento fofo, nada de coisas de filmes ou livros românticos clichês. Isso seria esperar demais de um cara que cresceu praticamente nas ruas e que até a minha chegada, viveu cercado apenas de homens e filmes de ação.
— Olha só quem está vestido... — eu ri quando Kid mostrou o dedo a Killer que terminava de arrumar a mesa de reuniões deles, que eu desconhecia a existência por causa de toda papelada em cima dela.
— Tudo pronto? — Kid se afastou de mim, espiando a cozinha e sendo expulso de lá por Aestus, que surgiu um minuto depois com uma badeja com café e chá.
Não demorou muito para Killer ir abrir a porta. Um homem de aparência séria entrou, olhando ao redor antes de vir na nossa direção. Ele usava um terno de aparência cara e exalava perigo e imponência.
— Merindah, esse é Haytham Kenway, nosso chefe. — Law se aproximou, sendo seguido por um grupo de três homens usando ternos bem arrumados, mas de aparência mais comum. — Temos assuntos a tratar com você antes.
Law exibiu um pequeno e simpático sorriso para mim enquanto todos, exceto o trio de seguranças, se sentavam a mesa.
— Senhorita Nimhíuil, é um prazer finalmente conhecê-la. — Haytham esticou sua mão para mim, me cumprimentando sem exibir qualquer emoção além da seriedade. — Devo admitir que a senhorita tem se mostrado um investimento interessante.
— Investimento? — eu o encarei confusa e vi Kid e Law sorrirem.
— Se preferir posso dizer contratação, mas seria uma quase mentira. — Haytham ajeitou as mangas do paletó antes de voltar seus olhos para mim. — A senhorita tem feito um excelente trabalho como enfermeira do sr. Eustass — ele fez uma expressão de desagrado ao usar o primeiro nome do Kid antes de voltar a sua expressão fria — e também cuidando dos meus preciosos e caros hackers evitando assim uma morte prematura por burrice.
Eu me segurei para não rir e vi Law fazer o mesmo enquanto os rapazes praticamente se encolhiam nas cadeiras.
— A senhorita me poupou o gasto de enviar o senhor Cormac para uma vistoria. Infelizmente, o que eles têm de geniais tem de preguiçosos. — Haytham percorreu com os olhos o quarteto que desviava o olhar para qualquer ponto que não fosse a figura a sua frente. — Eles não cozinham e ao invés de pedirem um jantar, preferem pizza e fast-food.
Eu voltei meus olhos confusa para o Killer, que deu ombros. Ele ama cozinhar, não entendi essa. Law riu e isso chamou minha atenção para ele.
— Eles são preguiçosos demais para ir num supermercado e comprar algo para cozinhar. Você, felizmente, resolveu esse problema com seus conhecimentos e experiência. — Law exibiu um sorriso, apoiando seu rosto a uma de suas mãos e Kid voltou seus olhos para ele, irritado. Porém, a presença do seu chefe o impediu de dar uma resposta mal-educada ao doutor.
— Eu não teria explicado melhor, Dr. Lawrence. — Haytham voltou seus olhos para mim, me encarando com seriedade. — Agora, senhorita Nimhíuil, nós temos outro importante assunto a tratar. Creio que será mais seguro que a senhorita continue a morar aqui. O Victoria é sem dúvida o local mais seguro para a senhorita e para o Eustass nesse momento.
Haytham parou por um instante, me encarando e, creio eu, percebendo que apesar da minha expressão surpresa e um tanto relutante, eu não era totalmente contra essa ideia.
— A organização que arquitetou o ataque contra vocês ainda não foi... erradicada. — Haytham tinha um tom frio, cortante e perigoso em sua voz, como se estivesse muito irritado com essa situação. — Infelizmente, não posso deixar que a senhorita saia daqui, colocando-se em perigo e se tornando um triste efeito colateral.
Eu engoli seco, concordando com um aceno. Haytham fez um leve e quase imperceptível meneio com a cabeça antes de voltar seus olhos para Killer.
— Creio que ela tenha deixado algumas coisas no apartamento, esse pode ser o melhor momento para se resolver isso. — Killer concordou com um aceno, se levantando e afastando-se enquanto dois dos seguranças faziam menção de o seguir.
— Espera! — eu me levantei e ele me olhou, virando um pouco seu corpo. — Toma cuidado com as minhas plantas... e tenta não chamar atenção. Algumas são... raras.
Eu esfreguei minha nuca, um pouco desconfortável e Killer sorriu, concordando com um aceno e se afastando. Elas não eram apenas raras, eram contrabandeadas, ilegais, algumas venenosas e impossíveis de serem encontradas novamente se necessário.
— Sei de sua coleção de raridades, senhorita. Deveras fascinante. — Quem fala 'deveras'? — Ficarei feliz em lhe dar um pequeno presente de boas-vindas à sua escolha. Qualquer um.
— Obrigada, senhor Kenway. — Eu sorri para ele antes de me afastar um passo. — Agora, acho melhor dar espaço para vocês conversarem.
Ele concordou com um meneio enquanto eu me afastava em direção ao sofá e Aestus e Mallacht se aproximavam carregando pastas e notebooks.
Eu estava começando a me sentir entediada quando Law se aproximou, me encarando por alguns instantes antes de se sentar ao meu lado.
— Podemos conversar um pouco? — Law apontou para a cozinha e eu concordei com um aceno, me levantando e o seguindo. — Quero saber se está confortável em ficar aqui. Devido a tudo o que aconteceu, nós vamos entender e eu posso conversar com o sr. Kenway, talvez encontrar um hotel ou coisa assim para você ficar. Ainda vai ter que trabalhar com eles, mas-
— Na verdade... eu sei que pode soar estranho, mas eu estou muito confortável aqui. É tudo caótico, barulhento e as vezes bruto, mas é confortável. — Eu encarei Law e ele sorriu, apoiando seu rosto a uma de suas mãos.
— Me conte o que eu perdi. — Eu ri e pensei por dois segundos quando tudo tomou aquele rumo.
— No começo foi estranho, mas tudo melhorou depois de uma conversa bem franca com o Killer. Assuntos foram esclarecidos e depois as coisas correram naturalmente. — Eu sorri ao me lembrar de como uma simples compra de roupas pela internet se tornou uma longa e divertida conversa e de como um gesto simples como levar minha roupa para lavar e me emprestar uma camisa transformou tudo. — Agora, eu divido e discuto sobre meus chás favoritos com o Killer, me acabo de rir assistindo filmes de terror trash com o Mallacht e faço compras e divido algumas das minhas roupas e acessórios com o Aestus.
Eu pensei por alguns instantes enquanto Law encarava a porta da cozinha, parecendo distante.
— Eu sei que isso pode soar muito tosco, mas sabe, é aquela coisa de me sentir 'um dos caras'. — Eu revirei meus olhos e Law riu.
— Tem razão, é tosco. Mas eu entendo. Como eu disse antes, eles são boas pessoas. — Law manteve seus olhos sobre mim, examinando minhas feições. Eu conhecia essa cara dele, era a cara do psicólogo. — Estão mesmo te fazendo bem. Eu fico feliz.
Eu sorri e concordei com um aceno antes que o segurança aparecesse e nos chamasse. Haytham se despediu dos rapazes, dando uma última bronca neles e me cumprimentando de maneira educada, dizendo que mandaria para mim alguma flor exótica e bonita da floresta amazônica.
Law se limitou a acenar para todos nós, dizendo para ligarmos para ele caso algum problema aparecesse.
— Finalmente. — Eu vi Kid suspirar e ri. — Não ria. O Haytham é a última pessoa na terra que você quer irritar. E bem, nós parecemos ter uma facilidade para tal feito.
— Mas a culpa é nossa. Ele está certo, nós somos muito desleixados. — Aestus suspirou, afastando o cabelo de seu rosto. — Mas, para a nossa sorte, uma bruxa apareceu em nossas vidas.
— De nada, de nada. — Eu ri, fazendo uma reverencia exagerada. — Agora, vamos relaxar até o Killer voltar com as minhas coisas.
Eles se largaram sobre o sofá e eu me surpreendi quando Kid puxou minhas pernas, as colocando sobre seu colo enquanto Mallacht escolhia um filme de terror de qualidade questionável.
Merindah estava largada sobre o sofá, ainda colocando seu sono em dia. Como alguém pode dormir tanto?
— Continua olhando pra ela assim e quem sabe ela acorda. — Eu empurrei Killer com minha mão livre, desviando meus olhos de Merindah por um momento. — Como estão as coisas?
— Graças a você, seu empata foda, na mesma. — Eu me joguei sobre a cadeira, encarando a tela a minha frente. — Infelizmente ainda não tivemos outro momento oportuno para testar nossa química.
— E nem terão pelo tanto de trabalhos que temos pela frente. — Ele deixou algumas pastas sobre a minha mesa e eu suspirei. — Mas fora isso, como estão as coisas?
— Bem. É diferente de qualquer coisa que eu tenha... experimentado. — Eu girei minha cadeira novamente encarando as curvas femininas no sofá. — É bom, mas é... estranho... Sei lá, essa porra é confusa. Só sei que quero muito estar com ela, mesmo quando eu penso que não suporto a presença dela por que ela me irrita.
Eu estranhei o silêncio de Killer, voltando meus olhos para ele e o vendo prender a risada.
— Vai se foder. — Eu mostrei meu dedo a ele e me levantei.
— Foi mal, mas tem que admitir, é engraçado te ver apaixonado. — Por um momento eu pensei em respondê-lo e dizer que não estava apaixonado. — 'Não estou apaixonado coisa nenhuma'. Sei...
Ele riu da péssima imitação que fez da minha voz, ignorando minha expressão irritada e me seguindo até a cozinha.
— Você é um idiota... — eu peguei uma xícara de café e me surpreendi por ele não tentar arrancá-la da minha mão.
— Sei... — ele se afastou, olhando o calendário de gatinhos que havia trago do apartamento de Merindah. — Bem, melhor eu adiantar meu lado... Tenho um encontro ainda essa semana.
Ele saiu, se sentindo vitorioso por ter me deixado puto. Não basta ele empatar a minha foda, ainda tem que jogar na minha cara as dele.
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