11. DON'T YOU KNOW
Você não sabe que eu
Você não sabe que eu te quero tanto (tanto)
Que faria qualquer coisa para te amar?
Eu sorri ao ver os meninos reunidos na sala novamente, discutindo algo enquanto Kid 'brincava' com seu novo braço fazendo movimentos aleatórios com as mãos.
— Ei, café. — Ele entrou na cozinha, se jogando em uma cadeira e me encarando com um sorrisinho quase inocente. — Por favor.
— Toma. — Eu coloquei a xícara na frente dele, me sentando e beliscando alguns biscoitos que tinha recém abastecido naquela semana.
— Qual é... Isso é chá. — Ele me encarou por um momento, suspirando antes de fazer uma cara mal-humorada e puxar para si o pote de biscoito.
— O que vocês têm hoje? — eu sorri quando ele deu ombros, levantando os olhos para mim.
— Nada. — Kid ficou encarando a xícara de chá por mais um instante antes de tomar um gole e fazer uma careta. — Ei, o que o Cormac quis dizer com nórdico quando você disse seu sobrenome?
— O que você acha? — eu ri quando ele me encarrou irritado, rolando os olhos. — Segundo a minha avó, e possivelmente minha árvore genealógica, meu sobrenome é de uma linhagem nórdica antiga. Algo como vikings.
— Parece interessante, me conta mais. — Ele apoiou o rosto a uma das mãos antes de ver minha expressão mudar. — Que foi?
— Não tem mais. Ela tinha um livro bem antigo com toda a linhagem da família. Ele não existe mais... — eu engoli em seco. Mais de mil anos de história da minha família, das bruxas da família, perdidos por causa de um babaca.
— É... — Kid coçou a cabeça, me fazendo rir quando ficou irritado por causa do movimento de espelho da prótese. — Sinto muito.
— Uma merda né... Sobreviveu a guerras e talvez até a Salem, mas não aguentou uma década na minha mão. — Eu forcei uma risada, tentando amenizar a situação, mas Kid estava certo, ele me conhecia e tinha aprendido a me ler.
— Não faz isso. Te machuca. Me manda à merda por ser a porra dum curioso, mas não faz isso. — Ele se levantou, arrastando a cadeira para perto de mim e pegando minha mão. — Tem alguma forma de recuperar isso?
— Acho que não... — eu apoiei meu rosto a uma de minhas mãos, o encarando enquanto beliscava alguns biscoitos e me perguntava se eu não tinha uma cópia ou algo assim do livro. Não fode! — Kid... Tem como recuperar fotos e documentos de um computador molhado?
— Depende um pouco da tecnologia do computador, mas com o que temos aqui é quase certo que sim... Porquê? — ele me encarou, abrindo um sorriso e me roubando um beijo quando meu rosto se iluminou. — O que está tramando?
— Eu tenho um computador velho guardado e tem algumas coisas nele que eu gostaria de recuperar. E isso inclui as fotografias que fiz de alguns livros que perdi. Livros com conhecimentos inestimáveis para mim. — Eu ri quando ele me puxou pela cintura.
— Vamos buscar isso então. — Eu engoli em seco. Teria que sair do Victoria, encontrar pessoas... — Ei, não precisa sair daqui se não quiser. O Mallacht e o Aestus podem ir buscar. Só entrega o endereço que eles resolvem o resto.
Eu sorri para ele. Algumas vezes eu tinha vontade de voltar a minha vida 'normal'. Sair de casa para ir ao mercado ou ir as compras, ir fazer meu cabelo e minhas unhas, ir ao shopping com os rapazes ou à um parque..., mas ao mesmo tempo, sentia o terror voltar. O medo das pessoas me reconhecerem novamente, pensar que toda pessoa que me encara por mais um momento na rua pode ter me reconhecido... Fora outras coisas, coisas que prefiro não me lembrar.
— Você tá pensando demais nisso. — A voz de Kid me trouxe de volta, me fazendo o encarar. — Não precisa sair do Victoria se não quiser. Se quiser sair, não precisa nem pisar na rua. Nós temos a porra de um carro de luxo blindado e com vidros tão escuros que nem com um raio-x você conseguiria olhar dentro dele.
Eu ri do exagero dele, deitando a cabeça em seu ombro.
— Eu sei que te aconteceu muita merda e, infelizmente, eu não posso mudar isso. Mas olha, você tem a gente agora. Eu juro que se alguém tentar te fazer mal eu quebro o cara em pedaços e mando para a porra do inferno. — Eu levantei meus olhos e me perguntei como alguém podia soar tão fofo e romântico falando daquela forma ou com aquele olhar. — Se você quiser passar o resto da vida aqui dentro, por mim tudo bem, eu vou fazer o impossível para que esse seja o melhor lugar do mundo pra você. E se quiser sair daqui e ir explorar o mundo lá fora de novo, saiba que vou estar ao seu lado... e que vou arrebentar qualquer um que ousar chegar perto de você.
Eu ri, pegando a mão dele entre a minha e entrelaçando nossos dedos, fazendo Kid me olhar um pouco surpreso.
— Obrigado. — Eu ajeitei meu corpo, beijando seu rosto e trocando nossas xícaras. — Não acostuma e nem pensa que foi por isso.
— Valeu. — Ele sorriu, tomando o café como se fosse a melhor bebida do mundo me fazendo rir.
— Ei, idiotas, cheguei! — a voz de Killer me fez rir antes que Kid se levantasse e praticamente me arrastasse com ele para a sala. — Oi Merindah.
— Com você ele é todo delicado. — Kid encarou o amigo com uma falsa expressão irritada.
— Primeiro, ela merece a minha educação. — Eu sorri, acenando em agradecimento. — Segundo, ela pode nos matar de formas dolorosas sem a gente saber.
— Jamais faria isso. — Eu ri, me aproximando deles e vendo a caixa de presente que Killer tinha em mãos. — O que você fez?
— Como assim? — ele me encarou, rindo quando eu apontei para a caixa. — Ah, isso é do Kid.
— É pra você. — Kid puxou a caixa pra mim, me encarando com um enorme sorriso. O que ele aprontou? — Que foi?
— Homens, bem os normais pelo menos, só dão presentes monstruosos como esse quando fazem uma merda bem grande. — Eu o encarei curiosa enquanto eles e os rapazes abriam um sorriso.
— Bem, não somos normais, agora abre. — Kid apontou para a caixa novamente enquanto eu me aproximava e tentava ser delicada com o papel de presente. — Rasga isso logo.
— Por favor, Meri. Ele tá mais curioso pra ver o resultado final que você. — Eu ri quando Kid mostrou o dedo para Aestus, finalmente rasgando o papel de presente de rosas.
Eu encarei o baú de MDF com runas de Freya e Loki na tampa e com um fecho com chave antes de o abrir, encarando surpresa o conteúdo.
— Merindah? — Kid se aproximou quando eu continuei em silêncio, totalmente surpresa e um pouco encantada. — Te irritei?
— O quê? Não. — Eu me aproximei, examinando com mais cuidado o conteúdo. — Runas de Odin... Como sabia?
— Eu mexi naqueles seus livrinhos... — Kid sorriu sem jeito, me fazendo sorrir. — Acertei? Tinha muita coisa, mas essas runas pareciam ser o que mais te interessava.
— Sim. Acertou em tudo... é perfeito. Eu vou purificar e consagrar o baú e todas as coisas e depois vou deixar no quarto, assim não vai incomodar ninguém. — Eu sorri para os rapazes, rindo quando Aestus ficou tristinho. — O que foi?
— Eu disse. — Eu me voltei para Kid a tempo de ver ele ser acertado com uma bolinha de papel. — Ai. Ele separou um cantinho para você perto da mesa dele.
— Jura? — eu segui Aestus até a mesa ao lado da sua. Era espaçosa como as dos rapazes, mas totalmente decorada para ser um espaço de estudo para mim, com uma cadeira novinha, uma planta pequena e materiais de escritório recém saídos da loja, todos novos e que estavam no meu carrinho de compras há semanas. — Mas o altar-
— Se não for te dar algum tipo de problema, monta ele na outra mesa, o Mallacht que escolheu, foi ideia dele. — Aestus sorriu para mim, exibindo a mesa em uma parte mais discreta do 'escritório'. — Ou isso é pessoal demais?
— Bom... Não tanto assim. — Eu olhei ao redor e me vi sendo atingida, de forma um tanto violenta, pela minha atual realidade.
Eu não morava com o meu namorado. Eu morava com o Killer, o melhor amigo do meu namorado e meu amigo, o cara com quem eu dividia meus chás e conversava sobre medicina natural. Eu morava como Aestus, a melhor pessoa da face da terra para se ir as compras e conversar sobre qualquer bobeira. Eu morava com o Mallacht, o cara caladão com quem eu via filmes trash e me acabava de rir e com quem eu aproveitava o silêncio para estudar. E mesmo que não conversássemos tanto, ainda era um ótimo amigo. E é claro, o Kid, o teimoso cabeça dura de quem eu fui babá por longas semanas antes de, por conta de uma provocação, me apaixonar.
— Meri... — eu engoli em seco, levantando meus olhos para Aestus.
— Ei... Você tá chorando, tá tudo bem? — Kid se aproximou, passando seus braços ao meu redor e me abraçando.
— Sim... Tudo ótimo na verdade. — Eu sorri, percebendo pela primeira vez que eu estava totalmente segura. Não por causa do prédio em que estava, mas por causa das pessoas ao meu redor. — Eu só estou feliz. Eu adorei o presente, muito obrigada.
— Eu vou abraçar você. — Aestus se aproximou, passando os braços ao meu redor, ignorando o fato de que Kid não se afastou. — Deixa de ser chato Kid. Ou quer um abraço em grupo?
Não demorou muito até todos os rapazes se juntarem no abraço, me fazendo rir.
— Eu quero deixar bem claro que isso é culpa sua. — Kid me encarou, fingindo uma irritação que eu sabia que não estava ali. — Antes de você chegar eles eram um bando de brutamontes e agora são mais derretidos que manteiga.
— Olha quem fala! A ideia foi sua. — Eu ri quando Kid ficou vermelho e desviou o olhar para Mallacht, agora realmente irritado. — Até a capacidade de ficar envergonhado ela te deu.
Uma onda de risadas se seguiu ao comentário, deixando Kid ainda mais vermelho.
— Essa é minha nova carinha favorita. — Eu segurei seu rosto entre minha mãos quando os rapazes se afastaram, após as ameaças de Kid de trocar alguns socos com eles. — Adorável.
— Vai se foder. — Ele sorriu quando eu ri antes de ouvir os rapazes comentarem algo. — Peraí que eu tenho que mostrar ao Killer que o molenga é ele.
Ele se afastou, indo até o sofá e tomando das mãos do Aestus o controle enquanto trocavam alguns insultos.
— Então, foi ideia sua... — eu levantei meus olhos para Mallacht quando ele colocou uma xícara de café nas minhas mãos.
— Tenho que admitir, achei a estética de um altar muito bonita e interessante. — Ele sorriu, voltando seus olhos para mim. — Eu sei que para você tem um significado mais espiritual, espero que não se ofenda.
— Longe disso. — Eu voltei os meus olhos para o sofá a tempo de ver Aestus e Killer empurrarem Kid para fora, o fazendo perder no jogo. — Sabe... Loki está comigo há anos e nunca entendi muito bem o porquê.
— Agora faz sentido? — Ele voltou seus olhos para mim enquanto eu concordava. — Nem sempre o caos é um local sujo e desorganizado. Às vezes é apenas um bando de hackers com problemas de temperamento.
Eu ri antes de irmos para o sofá, nos juntando aos rapazes em uma divertida brincadeira de 'quem irrita mais o Kid'.
— Então é só pedir pro cara levar a gente até o depósito e pegar o computador? — eu concordei com um aceno enquanto Aestus trocava um olhar com Mallacht que ia atrás das chaves do carro. — E tem só isso lá?
— Não. Tá numa caixa escrito 'eletrônicos'. Tem mais algumas coisas, móveis, roupas velhas... Mas tá tudo bem organizado. É a Merindah né. — Eu levantei os olhos para ele, o vendo concordar antes de se afastar. — Boa sorte.
— Valeu. — Ele e Mallacht saíram e eu aproveitei para descansar um pouco, indo atrás da Merindah.
— Oi, tá aí? — Eu espiei dentro do quarto, olhando ao redor antes de entrar e ir até a suíte. Merindah estava deitada na banheira, com os olhos fechados e usando um headphone azul claro. Eu ri, me aproximando e tocando seu ombro. — Oi. Como você está?
Eu a encarei enquanto ela abria um sorriso preguiçoso.
— Graças as bath bombs caríssimas que vocês estão pagando, mais relaxada que nunca. — Ela se ajeitou, se virando para mim e apoiando o rosto aos braços. — E você?
— Estava pensando em relaxar um pouco... Alguma sugestão? — eu a encarei enquanto ela apontava para a água. — Sério, um banho?
— A água está quente e eu estou com preguiça demais de sair daqui. — Ela voltou a deitar, fechando os olhos enquanto eu suspirava e começava a arrancar a calça e a box antes de largar a prótese sobre a cama.
— Melhor que eu caiba aí dentro. — Eu sorri quando ela riu, abrindo os olhos e se sentando, me encarando enquanto eu me juntava a ela na água. — Caralho, 'tava tentando se escaldar mulher?
Merindah gargalhou, me fazendo sorrir antes de a chamar para mim e deixar que ela apoiasse seu corpo contra o meu depois de desligar os fones e colocar uma daquelas músicas calmas no telefone.
— Olha, nós realmente precisamos entrar num acordo musical... Essas canções de ninar não dá. — Seu corpo se sacudiu uma risada preguiçosa enquanto eu passava meu braço ao redor dela. — É sério.
— Kid, vocês ouvem metal pesado. Para de reclamar das minhas músicas indies ou dos meus lo-fis. E admita, eles te ajudam a se concentrar. — Ela levantou os olhos para mim, me encarando por alguns momentos.
— Admito. Mas, precisamos de um meio termo. Sério. — Merindah sorriu, balançando a cabeça e voltando a sua posição preguiçosa, adormecendo.
Em algum momento eu também acabei pegando no sono e só acordei quando ouvi as vozes do outro lado da parede.
— A prótese tá aqui, melhor deixar eles desfrutarem da privacidade sozinhos. — A voz de Aestus me fez sorrir, voltando os olhos para Merindah, que ainda dormia.
— Eles estão quietos demais pra estarem transando. — Eu olhei surpreso para Merindah, agradecendo que ela ainda dormia como uma pedra.
— Ô bando de filha da puta, eu posso ouvir vocês! — eu disse alto o suficiente para chamar a atenção deles sem a acordar, propriamente dizendo. Ela apenas resmungou, mexendo as pernas antes de murmurar por causa da água quente.
— Você não pode dizer que é mentira. — Mallacht espiou dentro do banheiro, vendo o corpo de Merindah praticamente submerso na banheira espaçosa. — Trouxemos o computador, você quer olhar?
— Deixa em cima da minha mesa, vou colocar ela na cama e desço pra começar. — Ele concordou com um aceno, pegando a prótese com Aestus e entrando para me entregar ela e uma toalha.
Eles saíram e eu sequei os circuitos, colocando a prótese e a ligando antes de pegar Merindah.
— Me deixa dormir... — ela resmungou, se aninhando contra mim enquanto eu ia para o quarto e a deixava sobre a cama, a cobrindo antes de voltar para o banheiro e me secar, vestido a calça e descendo as escadas.
— Eu dei uma olhada. Ele secou sozinho e o HD está aparentemente intacto. — Aestus colocou a peça sobre a minha mesa, me encarando por um momento.
— O que foi? — ele balançou a cabeça, saindo para a cozinha. Eu conheço esse olhar. — Volta aqui, porra! O que você sabe?
— Nada. — Ele pegou um pouco de café, me olhando de soslaio. — Você pode tomar café?
— Se a Merindah não tá acordada eu posso até nadar em café. — Ele riu, pegando uma xícara e me entregando. — Não vai me contar o que sabe? Por que eu sei que você sabe de algo.
— Então, já que você sabe, eu não vou te contar. — Ele exibiu um pequeno sorriso, pegando um dos potes de biscoito da Merindah e se sentando na mesa. — Um segredo a mais para você não faz diferença.
— Vocês são uns merdas. — Ele riu enquanto eu voltava para a minha mesa. Eu odiava que eles soubessem de algo e não me contassem. — Preciso tirar isso da minha cabeça. No fim das contas de nada adianta eu saber dessas coisas.
— Exato, só vai te deixar puto da vida. — Mallacht passou por mim, exibindo com um sorriso o altar já montado de Merindah. — Isso deu até mais vida pra esse lugar.
Eu concordei com um aceno, encarando as pedras, velas e símbolos por um momento a mais antes de voltar minha atenção para o HD e começar a trabalhar.
— Oi... — a voz calma e o aroma de flores me envolveram, me fazendo tirar os olhos da tela do computador. — Como estão as coisas?
— Indo. — Eu empurrei minha cadeira um pouco para trás, puxando Merindah para o meu colo. Ela parecia relaxada e tranquila, com um sorriso doce nos lábios rosa e olhar suave. — Caralho, já anoiteceu.
Ela riu, passando a mão pelo meu cabelo antes de me beijar.
— Quer pedir o jantar? Eu conheço um lugar que faz um ravioli com figos caramelizados delicioso. — Ela sorriu para mim enquanto eu pensava por um instante.
— Claro. Vou mandar uma mensagem pra eles decidirem quem vai buscar o jantar hoje e enquanto isso a gente acha o teu arquivo e restaura ele, que tal? — Merindah concordou com um aceno, fazendo menção de sair do meu colo antes que eu passasse meu braço ao seu redor. — Ei, fica aqui.
— Tá bem. — Ela riu, se ajeitando melhor enquanto eu mandava uma mensagem para Killer antes de voltar minha atenção para o computador. — Então... você tem que resgatar tudo? Eu realmente só preciso dos livros.
— Depende. — Eu puxei a cadeira um pouco, ficando mais próximo do teclado. — Se tudo estiver em um único local, como uma pasta, não. Mas se estavam soltos, vou precisar restaurar todo o HD.
— Era uma pasta. Se não me engano o nome era Livros da Família Nimhìuil. — Ela me encarou por um momento a mais, abrindo um sorriso e voltando a brincar com o meu cabelo. — Você fica tão sexy trabalhando. Todo sério.
— Olha, eu vou ser obrigado a comprar mais dessas bombas suas. — Eu ri, a fazendo sorrir. — Essa coisa te fez bem. Você chega estar zen.
— Não é culpa só da bath bomb, eu estou me sentindo segura como nunca e isso é mais relaxante que qualquer coisa. — Ela afastou seu corpo um pouco, me encarando ainda com aquele sorriso doce. — Eu tenho amigos legais, um namorado gostoso e estou podendo estudar o tanto que eu quiser. No momento, a minha única preocupação é melhorar os hábitos alimentares de um bando de hackers teimosos.
— Bem que eu percebi meus doces sumindo. — Ela riu me fazendo sorrir. — Então me acha gostoso é?
— Muito. — Ela afundou o rosto em meu pescoço, espalhando alguns beijos e uma leve mordida por ali. — Isso vai demorar?
— Hm, não. Isso é você ou alguma arrumação da sua deusa como foi da outra vez? — Eu a encarei, exibindo um pequeno sorriso tão travesso quanto o dela.
— Te garanto que no fim não faz tanta diferença, mas sou eu. — Merindah passou a mão por meu cabelo, deitando a cabeça em meu ombro. — Você vai descobrir várias vantagens em me deixar relaxada assim...
— 'Tô começando a gostar disso. — Eu apertei sua cintura, voltando meus olhos para a tela e encontrando a dita pasta. — Pronto. Agora é só esperar. Quer subir?
Ela concordou com um aceno, dando um pequeno gritinho quando eu a peguei no colo e a carreguei escada acima, indo para o quarto e nos jogando sobre a cama.
— O que quer ver hoje, Bruxinha? — ela sorriu pelo apelido, pegando o controle e procurando por algo, até finalmente parar em um novo lançamento de terror de gosto questionável. — Ui, um terror que não assusta.
Merindah riu, fazendo com que eu me juntasse a ela na cama, iniciando uma sessão de provocações que podem muito bem ser chamadas de preliminares.
Beijos, mordidas, carícias insinuantes e muita sacanagem dita baixinho junto com uma daquelas músicas calmas dela com uma melodia mais sensual.
— O jantar! — Mallacht gritou, me fazendo bufar e Merindah rir.
— Fica aí. — Eu apontei para ela, tentando arrumar o nem um pouco discreto volume nas minhas calças.
— Traz vinho branco, por favor. — Ela acenou para mim enquanto eu ia buscar o jantar quase correndo.
Eu parei rapidamente no computador, olhando como estavam os arquivos, sorrindo ao ver que estava tudo quase pronto antes de ir para a cozinha e pegar uma bandeja.
— Você demorou demais. — Merindah sorriu para mim, ignorando completamente meu olhar irritado. — Coloca a comida em cima da cama, eu quero te mostrar uma coisa.
— Tá, mas se for algum fetiche estranho com comida me avisa. — Ela gargalhou, me fazendo sorrir.
— Não é isso, seu tarado. — Ela se aproximou da cômoda, me encarando por um instante antes de pegar um vidrinho. — Óleo para massagem, antes que você pense em algo pervertido de novo. Agora, tira a roupa.
— Tem certeza que eu não devia pensar em algo pervertido? — ela rolou os olhos me fazendo sorrir. — Tá bem... E agora? 'Tô começando a gostar dessa história.
Merindah me encarou, apontando para a cama e se sentando perto de mim, colocando a bandeja com os pratos entre nós dois.
— Vamos comer primeiro. — Ela serviu uma taça de vinho para cada um, ignorando minha expressão curiosa.
— Primeira vez que como ao natural. Ainda mais acompanhado. — Ela sorriu para mim, rindo quando eu me irritei com o movimento espelho da prótese.
— Difícil de acreditar... — ela tomou um pequeno gole do vinho, me encarando antes de exibir um sorriso.
— Em que está pensando? — eu sorri quando ela se aproximou, beijando levemente meus lábios.
— Nada. É apenas bom aproveitar um pouco de paz. — Merindah voltou sua atenção para a comida, me fazendo sorrir antes de fazer o mesmo.
A mensagem de Killer me fez sorrir e Merindah levantar seus olhos para mim, me encarando com curiosidade.
— Seus arquivos estão prontos, podemos olhar eles depois. — Eu sorri, terminando de comer e enchendo novamente a taça de vinho, apoiando meu corpo a cabeceira enquanto Merindah colocava a bandeja sobre a cômoda e a garrafa de vinho ao lado da cama. — Esse novo programa é foda pra caralho. Processa os arquivos muito mais rápido.
— Me conta mais. — Eu olhei surpreso para ela quando ela apoiou seu corpo ao meu, girando o vinho na taça e voltando os olhos para mim.
— Claro. — Eu sorri animado, começando a falar praticamente sem parar sobre o novo software que Haytham havia nos arrumado e respondendo algumas de suas perguntas antes de notar o olhar quase encantado dela e o sorriso enorme em seu rosto. — O que foi?
— Adoro o jeito como você fica entusiasmado falando das coisas que você gosta... Como você não percebe que acaba falando mais alto... — ela deixou uma risadinha escapar, virando o resto do vinho.
— Desculpa por falar alto. — Eu passei a mão por seu cabelo antes que ela se sentasse e segurasse meu rosto.
— Jamais peça desculpa por isso de novo. Eu disse que gosto. Você está entusiasmado, com um sorriso gigante e feliz. Ninguém deveria tirar isso de você apenas porque você está falando um pouco mais alto. — Merindah beijou meus lábios, apertando minhas bochechas e me fazendo rir. — Você poderia estar gritando aos sete ventos e ninguém teria o direito de tirar essa sensação de você.
Merindah sorriu, fazendo um carinho no meu rosto antes que eu a envolvesse e a puxasse para mim, a beijando.
— Já disse que você é a coisa mais perfeita desse mundo? — ela riu, subindo as mãos por meu cabelo e me encarando com aquela expressão sedutora, na falta de palavras melhores. — Sabe, tem uma coisa que eu estou querendo testar com meu novo braço.
— E o que seria? — ela riu quando eu girei nossos corpos, ficando sobre ela na cama.
— Ver essa sua linda expressão arrogante enquanto eu te faço perder o controle. — Merindah sorriu, passando as pernas ao redor do meu quadril e agarrando meu rosto.
— Dê o seu melhor, Hacker. — Ela me puxou, me beijando como se precisasse de mim para respirar.
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