Capítulo 1

* Adaptação de 'Phenomenal X' de Michelle A. Valentine, todos os direitos são reservados à autora.

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Camila

Não há uma maneira melhor de estragar um vôo perfeito pelo Pacífico do que ficar entre dois estranhos. Eu sempre peço um assento do corredor ou janela quando posso, mas esse vôo foi reservado por outra pessoa e a senhora inútil no balcão de check-in me disse que não havia absolutamente nenhuma maneira que eu pudesse mudar de lugar. O senhor à minha esquerda continua virando para mim e sorrindo, provavelmente esperando que eu comece uma conversa educada com ele, mas não estou com vontade de ser agradável. Eu estou deixando Portland, deixando para trás a única vida que já conheci e a única coisa que quero é manter o silêncio e rezar para que eu esteja tomando a decisão certa. Esta manhã o meu pai, em meio a uma crise de ira e cheio de sermões, me disse que eu era uma pessoa horrível, quando lhe contei que tinha reservado um vôo e que às 10 horas em ponto, eu estaria partindo para Detroit para ir viver com a Tia Elisa, a irmã excêntrica dele. Os meus pais, especialmente meu pai, sempre foi muito controlador comigo. E é exatamente por isso que estou saindo agora.

Eu segui os seus planos nos últimos vinte e um anos e eles não trouxeram nada além de dor de cabeça. Estou pronta para tomar minhas próprias decisões sobre o que é melhor para mim. Enquanto os outros passageiros se acomodam em torno de mim, eu rapidamente olho minhas mensagens de texto. A raiva nas mensagens do meu pai é nítida. Disse a mesma coisa 1 milhão de vezes de maneira diferentes: Que eu pare com essa bobagem de começar minha própria vida e volte para casa, onde eu pertenço. Onde estou a salvo.

Eu balanço a cabeça e desligo o meu telefone antes dele escorregar no bolso do encosto na minha frente. "Não posso fazer isso, pai", eu resmungo para mim mesma.

Uma mãe e seus filhos gêmeos preenchem os três lugares vazios na fila à minha frente. Eles estão sentados na primeira fila, imediatamente atrás da parede que separa a primeira classe do resto de nós passageiros, pessoas humildes. Se eu tivesse que adivinhar, diria que os gêmeos têm cerca de doze anos aproximadamente. É possível ver seus cabelos castanhos debaixo dos bonés de beisebol que estão usando. Os bonés combinam com suas camisas vermelhas com símbolo de alguma arte marcial estampada nelas. Posso dizer que é luta livre. Lembro-me que assistia ao show na televisão escondida com meu irmão mais novo, quando ele passou por uma fase de amar esse tipo de coisa.

Só então notei uma mulher relativamente alta, ombros um pouco largos, vestindo jeans e uma camisa azul, com as mangas arregaçadas até os cotovelos. Mesmo com a camisa eu posso dizer que ela é bem musculosa. A definição em seus braços é inegável, como as tensões de tecido contra seu peito e bíceps. Havia algumas tatuagens na carne exposta em seus braços, e imediatamente percebo que ela é o tipo de pessoa que minha mãe sempre me alertou que tenho que manter distância. Eu mordo meus lábios e quando levanto meus olhos, me deparo com cabelos curtos e negros levemente bagunçados, o que a faz parecer mais perfeita ainda. Seu nariz não é perfeitamente reto – indicando que ele foi quebrado uma vez ou duas vezes – o que só contribui para aumentar sua beleza. A maneira que ela levanta o queixo para cima a deixa com uma expressão audaz, transpirando confiança. Tudo sobre ela diz que não aceita merda de ninguém, que é uma característica altamente atraente em uma mulher. E o corpo... Nossa! E que corpo! É absolutamente delicioso e poderia perfeitamente estampar capas de revistas. O seu corpo foi esculpido para as pessoas desfrutarem devorando com os olhos e é exatamente isso o que estou fazendo. E eu estou amando!

Meu coração dispara no momento em que a mulher misteriosa cruza seus olhos com os meus. Eu não consigo desviar os olhos dela e um ligeiro sorriso surge no canto de seus lábios carnudos. Estou tão hipnotizada que não percebo que ainda estou pensando sobre o seu corpo e que estou mordendo meus lábios. Ela pisca para mim como se soubesse exatamente o que se passa em minha mente e continua seu caminho rumo à primeira classe e senta em uma das cadeiras vazias à frente. Um homem baixinho e elegante com barba curta senta-se na poltrona do corredor, bem ao lado dela. Eu inclino a minha cabeça contra o assento e suspiro, sentindo o calor em minhas bochechas. "Que mulher é essa!" É perigosamente sexy e muita areia para o meu caminhãozinho.

Os dois garotos na minha frente começam a agitar seus braços acima de sua cabeça. — L! L! Volta aqui! Pode nos dar um autógrafo?

A letra L é tudo o que eu consigo ouvi-los falar, mais e mais. Então o homem baixinho que embarcou por último no avião se vira e diz:

— Agora não, rapazes! The Phenomenal One está tentando descansar. — Então imagino que a bonitona ao lado dele deve ser a tal "Phenomenal One", porque logo depois que o homem termina de falar com os garotos, ela imediatamente se inclina e diz algo para o homem baixo, que concorda e vira de volta para os dois meninos. — Podem mandar qualquer coisa, que a L vai assinar para cada um de vocês.

— Legal! — exclama um dos meninos. Logo que percebem a presença da "mulher misteriosa", o resto dos passageiros do vôo começam a se agitar com o reconhecimento de que havia uma celebridade a bordo. Eu não faço ideia de quem seja essa mulher extremamente atraente, e não consigo entender por que tamanho alvoroço sobre isso. E penso comigo que uma mulher como ela nunca daria a alguém como eu uma hora do seu precioso dia.

Em pouco tempo as pessoas começam a mandar coisas do corredor para a primeira classe para ela autografar. Eu quase sinto pena dela! A coitada provavelmente terá uma cãibra antes que termine o vôo. Depois que eu recuso a oferta da aeromoça de uma bebida, ajudo o senhor ao meu lado que pede um suco de tomate, inclino minha cabeça para trás e fecho os olhos. Tento não pensar sobre as mensagens de texto que meu pai provavelmente vai mandar-me agora, várias vezes, lembrando-me que estou fugindo dos meus problemas em casa. Mas isso não é algo que quero me preocupar agora.

Abro os meus olhos no momento que sinto algo frio e molhado sobre as minhas pernas. Minha boca cai aberta quando eu olho para baixo e vejo que o meu colo está coberto de suco de tomate. "Não, não, isto não está acontecendo comigo!". O suco escorre para o chão e quando eu olho para baixo, vejo que os meus sapatos e a bolsa de pelúcia debaixo do banco à minha frente, tudo está coberto de suco. Eu pressiono o botão para solicitar assistência da comissária de bordo com a limpeza, tomando cuidado para segurar a minha mão longe do meu corpo.

O homem idoso ao lado está corado e me olha por cima dos óculos, com as sobrancelhas franzidas e diz:

— Perdoe-me, mocinha. Estes olhos não veem como antigamente. Não quis derramar o suco no seu colo. — Posso ver a sinceridade em seu rosto e lhe ofereço um pequeno sorriso, porque não quero que se sinta pior.

— Acidentes acontecem. Não se preocupe.

A aeromoça se aproxima de nós, inclina-se um pouco para pressionar o botão e encerrar a chamada de emergência, depois olha para baixo.

— Oh, querida, parece que tivemos um pequeno acidente com o suco de tomate aqui.

Eu a encaro e me pergunto como ela pode estar tão calma nesta situação, mas posso dizer, só de olhá-la, que ela não é o tipo de mulher que fica irritada facilmente. Não há um fio de cabelo loiro fora do lugar em seu coque e seus olhos azuis brilham com bondade. Eu olho para baixo para as minhas roupas sujas e digo:

— Pode me dá uma toalha ou algo assim? — Eu verifiquei minhas roupas e não tenho nada extra para vestir.

— Vamos lá à frente comigo e veremos se conseguimos limpá-la — ela responde. Eu aceno, grata pela sua oferta.

— Obrigada. — Qualquer coisa é melhor do que cheirar a tomates podres nas restantes três horas de término do vôo. Eu olho para o homem mais velho ao meu lado. — Pode me dar licença? — Ele começa a levantar-se.

— Claro que sim moça.

Eu a sigo pela primeira classe até a parte da frente do avião. Ela abre um armário onde há umas prateleiras com refrigerantes e enlatados e ao lado há uma pilha de toalhas brancas e lisas. Ela pega, e me entrega e com a sobrancelhas franzidas diz:

— Desculpa, não é muito, mas tente se limpar para não manchar mais sua roupa. Tirando o cheiro fará sua viagem mais confortável. Ofereceria um assento de primeira classe, já que tenho certeza que seu assento está todo sujo, mas, infelizmente, está cheio.

— Ela pode ficar aqui —, diz uma voz profunda e rouca.

Quando me viro em direção à voz, meu olhar trava no par de olhos verdes mais lindos que eu já vi. Eles são praticamente transparentes. Se eu pensava que ela era atraente de longe, de perto então é algo que não tem comparação. A intensidade da sua beleza faz com que meu estômago vire e meus joelhos fiquem um pouco fracos. Engulo com dificuldade. Olhando ao redor, percebo que todos os assentos se encontram cheios, encontro-me confusa quanto a onde é exatamente aqui. — Será que me convidou para sentar em seu colo nas próximas três horas que resta para o vôo terminar? — Afasto esses pensamentos pecaminosos de minha mente. Ela não é para mim. Acho que nunca vi alguém tão... Intenso.

— Está disposta a dar seu assento a ela, Senhora Jauregui — Pergunta a comissária.

Ela balança a cabeça.

— Não, mas meu empresário lhe dará seu lugar. — O cara baixo vira a cabeça em direção a ela.

— Eu vou? — Senhora Jauregui desce seu pescoço e o olha com um olhar intenso e duro, que é quase assustador.

— Você tem algum problema com isso?

— N-não, claro que não, L. — Ele gagueja claramente intimidado com a mulher ao lado dele. — Ela pode ficar com o meu lugar.

— Então dá o fora! — Senhora Jauregui fala pra ele.

O Homem reúne rapidamente suas coisas e, de cabeça baixa, volta ao meu lugar sujo de suco de tomate sem mais uma palavra. Eu olho para a aeromoça, mas ela simplesmente dá de ombros, caminha e continua distribuindo as bebidas. Olho para o lugar vazio ao lado da mais atraente e assustadora mulher que eu já estive em contato e o meu coração faz uma batida dupla. Eu imagino que sentar ao seu lado pelas próximas três horas vai fazer meu sistema cardiovascular entrar em colapso. Meu coração nunca vai sobreviver, certamente vai explodir por causa de todas as batidas extras. Eu despejo água tônica sobre o pano e tento tirar a mancha do meu jeans e da minha blusa. Eu pressiono e esfrego até que minha roupa praticamente está toda encharcada. Não é exatamente a melhor primeira impressão para se apresentar a uma celebridade, mas é o melhor que posso fazer considerando que estou a trinta e cinco mil metros do solo.

Eu suspiro e em seguida, coloco o pano sobre o carro de bebidas na cozinha e sigo na direção da Senhora Jauregui. Sento-me no banco de couro cinza enorme, surpresa com o quanto há de espaço ali. Eu sempre fui curiosa para saber como seria viajar na primeira classe. Percebo o olhar pesado da Senhora Jauregui sobre mim. Eu não posso simplesmente sentar ao seu lado nas próximas horas e não lhe dizer nada. Eu poderia muito bem acabar com isso e agradecer-lhe.

— Obrigada pelo assento. Isso foi muito gentil.

Seus olhos descem pelo meu corpo e depois retornam ao meu rosto.

— Não foi nada. Você precisava de ajuda, por isso ajudei.

Eu mordo meu lábio inferior. Seus olhos são como aqueles descritos em poemas e músicas! Eles são de um verde claro, nunca vi alguém com olhos tão intoxicantes. Quase rouba a minha respiração cada vez que olho para eles e ela continua a olhar para mim. Antes que qualquer uma de nós possa dizer outra palavra, alguém passa uma folha de papel em branco por cima do meu ombro.

— Dê isso a L. É para uma criança lá atrás. — Pego o papel e deslizo para a bandeja da Senhora Jauregui.

— Meu Deus, você nem é popular. — Ela acena e começa a riscar o nome do outro lado da folha.

— E quanto a você? — Eu enrugo a testa em confusão.

— Eu, o quê? — Ela me olha por cima e sorri com desdém.

— Não gostaria que eu assinasse algo para você? Uma peça de roupa... Sua pele nua, talvez?

Faço uma careta, pois eu não sei exatamente o motivo dela ser famosa. Se eu tivesse que adivinhar, pelas reações das crianças, acho que ela é uma atleta profissional de algum tipo. Ainda não significa que eu preciso, ou mesmo quero seu autógrafo — especialmente em minha pele.

— Eu estou bem, mas obrigada. — Ela levanta as sobrancelhas, surpresa.

— É a primeira vez que recusam meu autógrafo.

De repente me sinto mal por insultá-la. Ela foi gentil o suficiente — em mandar seu empresário se retirar — para dar-me um assento na primeira classe. Devia pelo menos tentar ser graciosa.

— Desculpe-me por isso, foi indelicado da minha parte. Se você pudesse assinar alguma coisa para mim... Seria ótimo.

A Senhora Jauregui ri com o papel em mãos e devolve com a assinatura, para outro pedido de autógrafo vir de trás.

— Não peça por obrigação. Eu odeio isso. Faça o que quiser e não o que você acha que as pessoas querem que faça.

Suas palavras me bateram com força e me fez lembrar que era exatamente por isso que eu estava indo embora para Detroit. Como uma boa menina, eu sempre fiz o que era esperado de mim. Fui para um colégio cristão para agradar meu pai e namorei rapazes da igreja que nossa família frequenta — o cara tinha que ser da igreja para entrar no molde ideal que minha família tinha e que um bom namorado deve representar — tudo para agradar o pai. Nada disso me fez feliz.

Toda vez que eu queria explorar o mundo ou provar algumas "frutas" diferentes que a vida tinha para oferecer, sempre lembrava que a "fruta" era proibida por alguma razão. Francamente, estava cansada de sempre me dizerem o que fazer e sem me perguntar como me sinto. Respirei fundo. É hora de começar a viver a vida do meu jeito.

— Você está certa. Não quero sua assinatura. Nem sei quem você é. — Seu olhar se volta pra mim duro e intenso e eu entro em pânico, sentindo a necessidade de recuar. — Não me entenda mal, eu sou grata pelo assento, mas não quero um autógrafo.

Ela sorri e sinto um formigamento que começa em minha barriga e se espalha pelo resto do meu corpo. Ela tem um sorriso lindo e acompanhado com aqueles lindos olhos, é uma combinação mortal de sensualidade. Imagino que muitas pessoas perderam seu juízo por causa desse sorriso.

— Qual é seu nome, linda?

Meu coração faz um baque duplo enquanto engulo em seco e tento lembrar qual é o meu nome. Esse sorriso está me deixando um pouco maluca. Não que alguém pudesse me culpar. Afinal, esta mulher deslumbrante chamou-me de "linda".

— Camila Cabello — respondi.

Os olhos dela dançaram com divertimento.

— Cabello — Ela repete.

A maneira que ela repete meu nome soa tão sensual e safado. É quase como se ela estivesse tentando castigar-me, me fazendo contorcer de propósito por ter recusado seu autógrafo estúpido.

— Isso é espanhol?

— É — simplesmente respondo. — E se pronucia CabeYo.

— Ah, vejo que é atrevida e inteligente — A Senhora Jauregui brinca. Ou pelo menos... Acho que ela está brincando. Não parece que ela está chateada nem nada, porque ela ainda está sorrindo. — É um prazer conhecê-la, Camila Cabello.

— Igualmente, senhora.... — Oh, droga. Chamo-lhe de Sra. L? Ou me refiro a ela como Senhora Jauregui como a comissária de bordo? Eu odeio ficar presa a essas situações embaraçosas e sociais. Eu nunca conversei com uma pessoa famosa.

Felizmente para mim, ela preenche a lacuna.

— Você pode me chamar de Lauren.

As coisas começam a ficar claras para mim.

— Que é de onde vem o L? — perguntei.

— É! - Ela disse.

Passei a língua sobre meus lábios e antes que percebesse perguntei em voz alta.

— E a parte do 'Phenomenal'? — Seus olhos vão até meus lábios e depois voltam novamente para meus olhos.

— Eu poderia até dizer, mas acho que seria muito mais divertido se eu te mostrasse de onde vem essa parte do meu nome.

Por que tenho a impressão de que esta mulher tem me cantado desde que sentei ao seu lado?

— Ninguém, além de mim, entra nesses jeans tão rápido. — Ela fala.

— Eu acho que também sou boa nisso.

— Você é uma boa menina, não é Camila? — Lauren pergunta, tentando saber mais informações minhas.

— Eu gostaria de pensar assim, mas se você fizer essa pergunta ao meu pai agora, certamente ele lhe dirá que sou filha do Satã. — Respondo sem pensar e então imediatamente me arrependo de ter dito a última parte. Costumo falar demais quando fico nervosa, expondo todos os meus segredos. E essa mulher é a última pessoa que precisa saber da minha história de vida. Além disso, é o tipo que realmente não se importa, de qualquer maneira.

Lauren nega com a cabeça.

— Eu conheci alguns demônios e confie em mim, Camila, você está muito longe de ser uma criatura do mal. Seu pai precisa acordar. Eu poderia dizer no segundo que nossos olhos se encontraram que você era um doce.

— Você... Reparou em mim... Antes?

Eu lhe pergunto, sem nunca imaginar que o rápido contato visual que nós compartilhamos quando ela subiu no avião tinha feito uma impressão nela também. Ela volta a assinar seu nome e encolhe os ombros.

— Eu sempre olho cada centímetro ao meu redor e uma pessoa seria muito idiota se não reparasse em você.

Sinto minhas bochechas corarem com seu elogio, porque nenhuma pessoa que já saiu comigo falou dessa maneira antes. Todos com que saí foram bons, educados e comedidos. Lauren fez meus dedos enrolarem com um simples olhar e algumas palavras sujas. Sim. Estou fora do seu alcance. É difícil, mas eu preciso desviar minha atenção para longe dessa mulher que está perto de mim e começo a estudar minhas unhas, fazendo o meu melhor para manter os meus olhos longe dela. Se eu fosse o tipo de garota que faz coisas impróprias, como essas gostosonas quaisquer, aceitaria a oferta para descobrir o quão "Phenomenal" ela é num piscar de olhos. Mas como as coisas estão, eu ainda sou uma boa menina. Eu sei que eu sou, mesmo que meu pai diga que não. Tudo porque eu fugi de um homem a quem eu tinha prometido me casar.

— Você ficou quieta de repente. Eu te irritei?

Lauren fala com um tom de voz mais macio, mas ainda assim com um tom rouco natural e eu mordo o canto dos lábios.

— Não. Você não me chateou. Eu estava só pensando.

— Sobre...

Ela indaga e olha para baixo no meu braço onde há algumas marcas deixadas pelo meu pai. Minha mão instantaneamente cobriram os pequenos hematomas, não querendo que ela pergunte sobre isso. Explicar como as coisas ficaram um pouco fora de controle quando eu disse ao meu pai que estava saindo de casa não é exatamente algo que quero discutir com uma desconhecida. Eu dobro meus braços sobre meu peito, tomando cuidado para manter o lugar escondido e olho para baixo para minha roupa manchada, desejando que eu não tivesse trazidos as roupas contadas.

— Nada que você gostaria de saber, tenho certeza. Ninguém gosta de ouvir o drama de um perfeito desconhecido. Além disso, tenho a certeza que minha vida é chata, comparada à sua, não há nenhum autógrafo na minha normalidade.

Falei ao final para provocá-la e melhorar meu humor. Lauren desliza seu dedo sob o meu queixo e então suavemente belisca-o com o polegar, obrigando-me a olhar para ela.

— Você estava franzindo a testa. Por quê?

Sua preocupação me surpreende e me deixa feliz, mas não posso derramar minha história de vida trágica para ela, mesmo vendo a sinceridade de suas intenções no brilho do seu olhar. Não esperava este tipo de reação dela, então eu estou fora de equilíbrio, por um momento, não sei ao certo como responder.

— Eu, uh... — Seus olhos nunca deixam os meus.

— Uma carranca não pertence a um rosto como o seu, Camila. Nunca! Só por curiosidade, quem a colocou lá?

— Ninguém me colocou lá. — sussurrei tentando bloquear o fato de que seu toque ligeiro estava enviando uma energia elétrica pelo meu corpo.

— Seu namorado perturbou você?

Eu diria que não tenho namorado porque quando Shawn descobrir que eu deixei a cidade sem nenhuma intenção de voltar, ele não vai querer me ver novamente, de qualquer maneira. Tecnicamente, sou solteira e tenho a sensação que isto é exatamente o que Lauren quer ouvir de mim. Se ela souber que eu estou solteira, vai ser difícil resistir às últimas horas de vôo sem eventualmente concordar em transar com ela assim que aterrissarmos e pelo que pude notar ela é o tipo de mulher que nunca desiste. Não é preciso balançar um bife na frente de um leão faminto, concluo.

— Ele não é o problema. Eu estou bem, veja. — Dou-lhe um pequeno sorriso, esperando que ela pare de ser curiosa.

— Não sei se vou comprar esse seu sorriso fraco.

Seus lábios puxaram em uma linha apertada e eu esperei que ela me liberasse, mas ela não o fez. Os dedos de Lauren ficaram no lugar, queimando em minha pele.

— Tudo bem se você não quiser dizer o que está em sua mente. Eu entendo. Mas não quero que você fique assim o resto da viagem ou vou ter que encontrar outras maneiras de fazer você sorrir só para esquecer o seu namorado e manda-lo ir se foder.

Ela passa seus dedos no meu pescoço e em toda a minha clavícula, deixando um rastro de fogo pelo caminho. Minha boca cai aberta e não consigo deixar de perguntar.

— Que tipo de maneiras?

Porra, meu cérebro estúpido curioso. Quero apenas pensar em todos os tipos de sacanagem com ela. Ela me olha com um sorriso.

— Mais maneiras do que seu doce cérebro pode imaginar.

Ela se inclina para mim, fico tensa, mas não posso fazer nada, sua mão desliza do lado do meu pescoço, em um gesto muito íntimo. Ela está perto o suficiente. Se eu me mover alguns centímetros para frente esbarro com seus lábios e os nossos lábios se uniriam no que eu imagino que seria um beijo que abalaria a terra.

— Eu poderia fazer coisas para o seu corpo que a maioria das mulheres só sonha ao ler romances eróticos e eu prometo que você vai gostar.

Eu a olho sem palavras. Uau. Só... Uau, é o que consigo pensar. Não acredito que ela disse isso para mim. Lauren passa a língua entre seus lábios deliciosos!

— Sem compromisso e seu namorado nunca teria de saber. — Ela se inclina e sussurra no meu ouvido — Eu só quero provar um pouco.

Minha respiração fica rápida e fecho os olhos. A ideia de permitir que esta mulher tenha alguma coisa comigo é muito tentadora. Tão tentadora que, de fato, por um momento, eu seriamente penso em concordar. A oportunidade de ter o melhor sexo da sua vida inteira não aparece todos os dias e posso dizer, só de olhar para Lauren Jauregui, que sua habilidade no quarto provavelmente não conhece limites. Ela seria perfeita para a rebelião que quero e vai contra tudo o que minha vida representa atualmente — uma representação que estou desesperada para mandar longe de mim. Eu quero dizer sim a ela, penso, mas não importa o quão duro eu lute para romper com a imagem de boa menina, eu sei que o sexo casual com uma estranha nunca será o meu tipo de coisa. Abro os olhos e eles esbarram imediatamente com seus olhos verdes.

Tomo uma respiração profunda e sussurro:

— Não. — Suas sobrancelhas levantam, como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo.

— Não?

Meu peito começa a acelerar, por alguma estranha razão, é como se meu corpo estivesse desafiando meu cérebro e tornando-se excitado, mesmo que minha cabeça gritasse para eu correr mais longe que pudesse. Lauren suga seu lábio inferior lentamente, puxando entre os dentes.

— Você não parece tão certa sobre isso, não é, Mila? Você quer mudar a sua resposta? Eu vou ser gentil com você, eu juro. Você não precisa ter medo de mim.

— Eu, uh...

— Eu, uh... O quê? Não há nada para considerar aqui.

Não sei por que estou tendo tanta dificuldade em dar-lhe um simples não.

Não parece que estou falando sério? Será que estou lhe enviando sinais misturados sem perceber e desta forma permitindo que ela me toque e sussurre promessas sujas no meu ouvido? Desesperada para conseguir sair fora dessa confusão intensa que me permiti por um tempo, eu chego um pouco pra trás e falo com uma senhora de meia idade, morena, sentada do outro lado do corredor.

— Tem um papel em branco, por favor?

Ela acena e se inclina sob o assento à sua frente para pegar uma bolsa. Após a procura, encontra um pequeno caderno e rasga uma página.

— Isso é tudo que tenho.

— Obrigada. É perfeito. — Falo devolvendo o sorriso.

Eu volto a direcionar minha atenção a Lauren, que me observa com uma mistura de diversão e curiosidade.

— A única coisa que eu gostaria de você é seu autógrafo. Nada mais.

Coloquei o papel na bandeja dela, mas ela não tirava os olhos de mim.

— Isso é tudo?

— Isso é tudo. — Eu confirmo.

Ela ajusta o papel na sua bandeja e então levanta os olhos para mim.

— Vamos ver.

Este joguinho com ela é cansativo. Se continuarmos assim, no final do vôo eu vou também querer matá-la ou explodir meus miolos, e nenhuma dessas coisas estão na minha lista de tarefas agendadas no caminho para começar minha nova vida. Inclino minha cabeça para trás, fecho os olhos e rezo para dormir o resto do vôo e ignorar a mulher perigosamente sexy sentada apenas centímetros longe de mim. Essa é a única maneira que eu encontrei para que meu corpo não aceitasse sua oferta.

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A história vai ter gifs e fotos quando tiver menção ao Wrestling para as pessoas que nunca ouviram falar sobre esse esporte possam entender com mais facilidade.

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