ⓗⓐⓡⓡⓨ ⑤
• Capítulo consta com +3k palavras.
Pés não falhem agora.
— Eu pedi para você não me procurar, o que faz aqui?
O silêncio permanece pelo quarto.
— Harry? Por favor diz alguma coisa.
— Eu deveria falar algo? — Ele levanta da cama decidindo andar pelo pequeno cômodo. — Você manda uma mensagem querendo por fim em nós dois, me bloqueia em tudo, sumindo por uma semana. Amanda, como responderei isto? Dessa vez quem deve explicações, é você.
— Não consegue ver meu lado? Eu não estou bem — Amanda já não disfarça o choro.
— Eu nunca te disse isso.
— Você nunca me diz várias coisas...
— Sério que irá mudar de foco? Eu só quero explicações verdadeiras, não estou te obrigando voltar atrás, só me diga por quê.
— Harry eu.... — As palavras chegam a ser cruéis para ela. — Eu fiquei com Felipe meses passados, eu passei dos limites e...
— Eu confiei em você.
— Eu sei.
— Dei o meu melhor a ti.
— Sim...
— Por que Amanda, por quê? — Ela nunca o viu chorar daquele jeito.
— Me perdoa Harry, eu não deveria ter feito isso.
— Amanda, eu te perdoo — houve um olhar de esperança da parte dela. — Eu não vou conseguir me perdoar, estava tão óbvio, porém eu preferi acreditar mais na parte confortante.
— Eu te amo, eu juro, aquilo não se passou de meros beijos.
— O problema não foi a traição, deslizes são cometidos, isso é normal, mas eu não entendo como você pôde esconder isso de mim por todo esse tempo.
— Tive medo de você desistir de mim, eu não consegui segurar a culpa por muito tempo.
— Porque significa algo, vamos assumir. — Harry caminha em direção da porta.
— Por favor não vai embora — as lágrimas de Amanda pareciam não ter fim.
Ele dá meia volta, ajoelhando em frente da garota, ela coloca a mão no rosto dele e acaricia, fechando os seus olhos e permanecendo em um eterno devaneio.
— Eu te amo muito — ele diz após beijá-la — Eu te amo mais do que a mim. Não consegue ver? Esse é o problema, enquanto eu continuar pondo você acima das minhas necessidades, nunca serei feliz. Querida isso não é amor, mas sim obsessão.
Aquelas palavras foram mais pesadas do que ar.
Harry desabotoa a camisa e a joga no chão, essa ação traz uma cruel realidade, ele até tenta entender como uma simples blusa azul e branca, o trouxe para um lugar tão obscuro, Amanda a deu de presente, geralmente costumava tirá-la sem nenhuma compaixão.
Ele não entende o porquê de tudo terminar em um passe de mágica, de suas inúmeras paixões, ela foi a qual mais lhe abalou, por quê? Talvez as situações eram belas apenas nos pensamentos dele, sendo que na verdade o seu romance não se passou de meras ilusões, onde ele mesmo as criou. Harry não tem mais para onde ir, muito menos correr, o seu quarto encontra-se escuro, assim como seu coração, qual seria a luz que o iluminaria? Pois nesse exato momento ele sabe que Amanda é a estrela que brilha o céu de outro alguém, mas por que não poderia ser no dele?
Ele vive pensando em coisas que poderiam ter sido feitas e ditas, como tudo seria diferente se determinada resposta fosse dada, ou evitada, mas no fundo ele sabe que todo esse achismo não o levará a lugar algum. Após retirar a maldita camisa do seu corpo, ele faz o mesmo com as outras peças de roupa, o seu primeiro dia na faculdade não foi agradável, principalmente em relação aos professores, na cabeça de Harry eles apenas possuíam meros diplomas e doutorados, porém para sua infelicidade, a sociedade atual não os vêem dessa forma.
Novamente ele mergulha nas águas mornas de seu chuveiro, desejando que todas as impurezas fossem jogadas pelo ralo, no entanto, algumas simplesmente não conseguem se expelir por algo tão pequeno. O ciclo de casa, aula, chuveiro e cama se repetiram nos últimos cinco dias.
— Você não está pretendendo passar o dia inteiro nesse quarto, né? — Disse Ramona pelo outro lado da porta.
— Obviamente. Hoje é domingo e não Ano-novo.
— Você é muito engraçado Harry, abre a porta ao invés de se comportar como uma criança.
— Qual é a senha? — Ele abre a porta pondo somente a cabeça para o lado de fora.
— Se você for para o shopping comigo hoje, eu ficarei muito feliz.
Como resposta Harry fecha a porta, ao ouvir o som da água caindo Ramona dá um leve sorriso, voltando para seus afazeres. Na clássica situação de abrir o guarda roupa e escolher o que vestir, ela vasculha algumas peças e as projeta sobre o corpo.
Nessa luta interna, ela experimenta um vestido verde oliva decotado em forma de V, no lugar das mangas há alças finas e por baixo, tem um suéter de gola alta combinando com seu salto branco. Ramona não quis caprichar na maquiagem, passou somente um batom alaranjado quase do mesmo tom de seus lábios, seus cabelos permanecem soltos, só que partidos para o lado.
Ao sair do quarto ela se esbarra em Harry segurando uma maçã.
— Nossa, olha ele todo arrumado.
— Você me deixaria sair se não estivesse?
*
— Quando você vai tirar a carteira? — Interroga Ramona após entrar no carro.
— Deveria reformular a tua pergunta.
— Não estou entendendo.
— Quando você quer que eu tire?
— Não é uma obrigação, apenas sugeri.
— Se fosse uma sugestão você diria, "deveria tirar a carteira". — Harry diz com um tom de ironia.
— Não quero que dependa de mim.
— Todo mundo anda de bicicleta, ou transporte público, uma carteira é desnecessária.
— A gente pode comprar uma bicicleta.
— Ok Ramona — ele diz para poupar seus problemas.
Tetos de porcelanas esverdeadas, abobadas e lustres, são as últimas coisas que Harry imaginária em um shopping da sua cidade natal, lugares do tipo não chegavam a ser tão caprichosos. Sentiu-se preocupado ao imaginar quanto sua irmã gastaria em uma simples tarde, quantos Euros seriam torrados em um dia? Ramona permanece distraída na tela do celular, quando Harry percebe que ela não está no mesmo plano, ele a chama uma, duas, três até quatro vezes, mas pelo menos na quinta ela o responde.
— Se você não se incomoda, eu irei rodar o shopping sozinho — ele prosseguiu.
— Ah... tudo bem, mas caso não se sinta confortável, só me ligar.
Sempre odiou o jeito que ela o trata.
Harry saiu sem ao menos se despedir, Ramona o observou sumir pela multidão e está em espera de o ver reaparecer. Para início de conversa, ele se encontra perdido, perguntou para atendentes, funcionários e até mesmo civis que passeavam pelo shopping, no entanto, ele não consegue achar uma simples livraria. O rapaz olha o movimento do local e as segue na esperança de encontrar o que busca.
Cansado ele decide ir ao segundo piso, onde há várias lojas de departamento e outros, após gastar algo próximo de vinte minutos, ele acha o que poderíamos chamar de livraria.
Harry permanece encantado com a quantidade absurda de obras que há neste local, mal poderia pensar no que escolher, fantasia ou aventura? Romance de época ou policial? Mistérios ou dramas? No final de ele escolhe literatura clássica.
Ele caminha até uma seção "clássicos", lá Harry imagina de tudo
O jovem gosta da sutileza do local, lâmpadas alaranjadas em cima das estantes de carvalho escuro, as escadas de metal levando para o segundo andar e o cheirinho de café que vem dançando até suas narinas.
Entre Dante, Maquiavel, Bishop, Plath, Poe, ele escolhe Shakespeare, por que não algo tão polêmico e incerto? Harry olha algumas obras e repara em Romeu e Julieta, mesmo sendo uma peça, ele sempre demonstrou uma afetividade por essa obra, ele puxa o livro de capa esverdeada e dura, talvez seja umas das edições mais próximas do original, o rapaz sabe que textos da primeira edição tendem ser mais tediosos, do que as adaptações, porém existe uma repulsa dentro de si sobre adequações muito contemporâneas.
Harry sente um toque vindo por trás dos seus ombros, logo seus olhos são tampados.
— Olá garoto estranho — uma voz sutil ecoa pelos seus ouvidos.
— Se eu voltar a enxergar e você não me assaltar, digamos que metade de minha vida estará ganha.
Os dedos saíram da face do rapaz, Harry não entende o porquê de um estranho recebê-lo daquela maneira, com um olhar ambíguo ele permanece, até que ela quebra o gelo.
— Oi garoto emburrado, tudo bem?
— Eu tento lembrar quem é você — ele diz com honestidade.
— Anastásia, mais conhecida como a garota que falou com você no avião — Harry a olhou assustado, sem entender o que ela fala. — Talvez pareça estranho, mas eu estava na loja de roupas, então vi você passando perdido, então eu te segui, pois eu queria ver se continua chato, mas pelo visto continua.
Impressionante o jeito que ela conversa comigo, como se me conhecesse a muito tempo.
— Eu estou assustado.
— Pelo visto você não veio para visitar, garoto assustado.
— Harry, por favor.
— Mas Harry é nome genérico de inglês, vou arrumar um apelido para você.
— Ok — ele diz tirando o livro da estante.
— Para com isso! Você é sem noção? — Algumas pessoas olham em direção deles, Harry reage com um sorriso e um gesto com as mãos.
— Angelina, você está chamando atenção.
— É Anastásia seu corno — ela retira o sobretudo pêssego e deixa somente seu vestido de cor semelhante amostra. — Eu estou vendo você comprar um livro que custa um rim, sendo que tem um sebo aqui perto.
— Eu sou novo por aqui.
— Está acompanhado? Podemos ir até lá de metrô.
Harry ficou calado por alguns segundos pensando no que responder, ou melhor, o que Ramona causaria com seu sumiço.
— Sim cara pálida, estou falando com você — ela o insulta.
— Tudo bem.
Ela saiu pela sua frente, ele a segue, Anastásia provavelmente deveria morar pela região, ele pensou, pelo menos não se perderiam. No meio da escada rolante, ele puxou o celular e tentou oferecer uma explicação a Ramona, Harry sabe que a irmã não engolirá isto, mas não chegará chamar a polícia. OK, talvez.
Os dois caminharam até o estacionamento.
— Anastásia, não íamos de metrô? — Ele pergunta enquanto tira o cabelo dos seus olhos.
— Íamos, mas vamos com meu carro — ela diz abrindo o veículo.
— Você tem um Camaro? —Ele se impressiona com o tom alaranjado do carro.
— É um Opala na verdade, sugiro que aperte os cintos, caso não queira morrer, é claro.
Harry obedeceu ao pedido, porém somente depois ele entendeu o motivo, ela dirigia de maneira brusca e extremamente arriscada, sem preocupação com a velocidade, ou sinais, não é à toa que demorou quase nada para chegar lá.
Quando os dois abrem a porta, o som do sininho despertou o ambiente mórbido, o sebo é dividido em algumas seções, na frente há livros, já no fundo prevalece CD's, DVD's e revistas. Harry busca o seu desejo por algumas estantes, sem muito esforço ele acha o mesmo livro que havia encontrado hoje cedo, a garota tinha razão, somente um sem noção compraria naquele lugar.
— Harry, corre aqui — ele pega a obra da estante e vai até o fim da loja. — Olha esses discos, quer um?
— Quem no século XXI tem toca disco?
— Então escolhe um para mim.
— Ah eu não sei, todo mundo gosta dos Beatles — ele diz pondo a mão nos discos.
— Abbey Road?
— Rubber Soul.
— Genial! Genial! Genial!
Harry a olha confuso, ele não consegue entender de onde o entusiasmo dela aparecia.
Os dois caminham até o caixa, por gentileza ele pagou os discos para ela, mesmo Anastásia insistindo que não era necessário, mas dinheiro nunca foi problema para ele.
— Legal, o que vamos fazer agora? — Ela pergunta enquanto abre a porta do carro.
— Eu pretendo ir para casa se não se incomoda.
— Você pretende, mas não vai, está maluco? São três horas ainda, eu prometo que te levo ás sete pode ser?
— Cinco.
— Seis.
— Fechado — ele sempre apresentou dificuldades em falar não, principalmente com garotas impulsivas.
— Vamos à praia.
— Está frio, não deve ter ninguém lá.
— E qual o problema? É como se tivéssemos uma praia particular e isso é ótimo! — Anastásia sempre apresentou otimismo em situações desagradáveis como essas.
— Está frio, a água do mar deve estar no mínimo abaixo de zero.
— Você muito teórico, não gosto de gente assim, odeio, odeio mesmo.
— Angelina eu não tenho tempo para isso — ele demonstra frustação.
— Anastásia.
— Pouco me importa — ele passa o polegar no banco branco de couro. — Você está me irritando, de verdade.
— Se você topar ir para praia comigo eu prometo não te irritar — isso mesmo, chantagem.
— Você ganhou, satisfeita?
— Muito — Anastásia girou a chave e pisou no acelerador novamente.
Harry fica em dúvida se ele irá morrer quando chegar em casa, ou se Anastásia o mataria primeiro, ele tem certos questionamentos sobre a garota, ela pelo menos havia tirado uma carteira de habilitação? Ela ignorou todos os sinais, limites de velocidade e perdestes.
Quando chegaram, ele conferiu se todos seus ossos estavam no lugar, o vento frio bate sobre o rosto dele, o mar está perturbado, verde e irritado, ninguém com senso se arriscaria de entrar ali.
Anastásia estica seu sobretudo por cima da areia úmida e logo convida Harry para se sentar, os dois ficam calados ouvindo os estrondos do oceano.
— Quer um cigarro? — Ela pergunta puxando um maço do bolso.
Ele balança a cabeça de maneira negativa, sua mente já tem problemas demais e nicotina não resolverá. Com os dedos ela puxa o diabo branco pondo entre os lábios, ascende o isqueiro e compartilha fumaça sobre a atmosfera.
— Me diz Harry, por que você sempre parece de mau humor?
— Eu pareço?
— Você é caladão.
— Caladão — ele repete.
— E vamos admitir que você me tratou muito mal no avião.
— Muito mal no avião.
— Por que você está repetindo o que eu falo?
— O que eu falo?
— O final para ser especifica.
— Especifica.
— Ah vá se foder — ela conclui.
— Tem certeza que eu sou o mal-humorado?
— Eu não disse que você é, mas sim que parece.
Harry não aguentou segurar o riso, na verdade aquilo pareceu estranho, pelo menos para ele.
— Você frequenta algum psicólogo? — Ele pergunta aleatoriamente.
— Está insinuando que eu sou maluca?
— Não, não, não! — Harry apresentou uma reação inesperada. — Eu achei que havia visto você lá.
— Não frequento psicólogo ao bom tempo.
Merda
— Vamos entrar no mar?
— Não acha que o mar está violento para ficar se banhando? — Harry pergunta.
— É só um pouquinho, mas o que mata é amor certo?
Ele suspira.
Anastásia retira os saltos e os deixa pregados na areia, assim como ela Harry faz o mesmo, ele dobra a barra da calça preta até os joelhos e estica as mangas do suéter colorido para o antebraço.
O rapaz permanece em pé encarando o horizonte, as águas do mar estão cinzentas e com aspectos tristes, as ondas estão brutais e tensas, ele se sente como caminhante sobre o mar de névoa prestes a se jogar no vazio, na escuridão, o problema é que seu corpo já se acostumou com a ausência de luz.
Harry caminha devagar até as águas violentas, ele olha para Anastásia e se surpreende pela calma da garota quando o mar quebra sobre os tornozelos dela, nenhum desvio, nem suspiro, apenas um corpo intacto. O rapaz até tentou aproveitar o momento silencioso, onde somente a maresia se manifesta pelo ambiente, porém para ele a demora já está se tornando presente.
— É melhor a gente ir embora.
— Porra deixa de ser chato inferno — ela faz uma concha com as mãos e começa a espirrar água nele. — Viu? Está tudo tranquilo.
Pobre Anastásia, pagou com a língua, depois dessa fala ela foi levada pelas ondas. Harry tenta segurar a mão dela sem se molhar, mas essa tentativa foi falha, pois acabou sendo puxado também, talvez essa nem era a preocupação, a água está tão gelada que se sentiu no próprio Titanic. Ela saiu do mar em risadas e ele mais chateado do que nunca.
— Tivemos sorte — ela diz. — O mar poderia ter levado minhas chaves, ainda bem que não estavam no meu bolso.
Ao ouvir a palavra "bolso", Harry de maneira inconsciente colocou as mãos nos fundos da calça, deparando com seu celular encharcado, ele olha furioso para a garota, já ela tenta se desculpar, porém o rapaz vira as costas sem ao menos querer escutá-la.
— Harry, me desculpa, eu não...
— Jogue um vaso no chão e peça desculpas — ele responde de forma fria.
— Eu posso comprar um celular novo para você, amanhã mesmo.
— Percebi que não posso confiar em você.
— Estou falando sério, se for preciso eu entrego na sua casa.
— Tanto faz.
Ambos voltaram molhados, chateados e abatidos, Anastásia se sente mal por ter sido tão irresponsável. Ela tenta acalmá-lo com piadas e brincadeiras, no entanto, ele permanece emburrado, só a respondendo sobre as direções e caminhos que ela deveria seguir, claro que ele teve ajuda do GPS.
Ao chegar no prédio, ela segue o resto do caminho, Harry entra no elevador e aperta o número oito, na espera do seu juízo final. Ele se depara com Ramona entre lágrimas e o telefone sobre os ombros, já era de se esperar um drama da parte dela.
— Por que você não atende o celular? Por que está molhado? E por que você voltou tão tarde?
— Muitos porquês para serem respondidos — ele a ignora.
— Então comece com o porquê de estar molhado.
Ele respira fundo.
— Eu estou molhado porque fui para praia, houve um pequeno acidente, não atendo o celular porque ele não está funcionando e isso acarretou o meu atraso. Foi desenvolvida minha tese? Ou precisa de mais ajustes?
— Eu sei que não está sendo fácil aceitar isso, mas toda vez que eu desgrudo os olhos de você, as coisas saem do controle — a voz de Ramona ecoou de forma sincera.
— Talvez porque preciso de espaço, eu não sou mais uma criança.
— Me desculpa maninho, eu não queria te sufocar dessa maneira, mas acho que está na hora de você esquecer, ela se foi Harry, essa é a hora de recomeçar.
— Eu já não sei mais quem eu sou Ramona — ele enxuga os olhos. — Eu tentei ser um bom irmão, um bom filho, um bom namorado, mas eu fracassei, fracassei em todos esses. Eu não durmo de noite, não me sinto bem de dia, estou fazendo uma faculdade na qual não me identifico, sinto como estivesse tudo fora do lugar.
— Harry... se você quiser, eu faço miojo para a gente, que tal um filminho depois?
— Ok.
— Use a minha banheira, eu posso ligá-la para você.
— Eu mesmo faço isso Ramona.
— Desculpa, eu esqueci que meu maninho tem dezoito anos — ela dá um olhar vazio. — Harry! Teu aniversário está chegando!
— Faltam literalmente cinco meses.
— Eu sei, mas....
— Eu vou trocar esta roupa e tirar este salitre, aí você pode planejar até meu enterro — ele a interrompe.
Ele consegue sentir o sal em seus cabelos e roupas, fazia tempo que não sentia o frescor da maresia, ele costumava ler um livro em frente ao mar, sentado na areia, ô saudade daquela época, você lembra quando era feliz e não sabia? Pois bem, ele lembra, até demais. Ao pôr o corpo na água morna, Harry fecha os olhos e começa a sentir.
Chiados são constantes pelos seus ouvidos, tontura o domina, a confusão está tão diferente, ele encara a maçaneta enquanto a mesma gira, novamente, tudo se repete.
Harry acorda, quanto tempo ele havia apagado? Talvez as mãos e pés enrugados já diziam muito, ele olhou para a porta e viu que não tinha ninguém lá, muito menos chiados, aquilo chegou a ser um alívio. Ele esvazia a banheira e se enrola na toalha.
— Achei que tinha sido sugado pelo ralo — diz Ramona quando o flagra caminhando em direção do quarto.
Entretanto, o rapaz não a dá uma resposta, apenas entra no cômodo e fecha a porta.
Lá Harry põe um suéter cinza e uma cueca samba-canção, indo atrás de sua cama saciável, depois de um tempo, Ramona passou pelo quarto e o cobriu, a noite está fria, porém não tão fria como o coração dele. Tudo pode se aquecer por questão de tempo, não pode?
Feche seus olhos, pois eu irei te beijar e com os pássaros compartilhei...
- Scar Tissue.
Red Hot.
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