Capítulo 29 - Strike
02/06
Estava deitada no chão. Minha cabeça doía. O céu estava nublado, e o vento soprava forte, assoviando. Consegui me sentar com certa dificuldade.
Olhei para trás e pude ver um túmulo. Aproximei-me para poder ler o que estava escrito. Reli várias vezes para ter certeza. Mas era isso mesmo. Edward morreria hoje. Comecei a chorar, ali mesmo. Ouvi passos, mas não dei importância. Tinha que dar um jeito de evitar aquilo.
— É hoje que próximo morrerá — disse uma voz conhecida. Aquela mesma, tenebrosa, assustadora, masculina.
Desta vez ia me mexer. Virei para trás e o vi. Olhos carmesins, arrogante, cabelos castanhos escuros e curtos, roupas negras, sobretudo voava de um jeito magnífico, dançando ao vento.
Seus olhos me hipnotizavam, eram vivos, atentos a tudo. A tal cicatriz do lado direito de sua testa era visível, parecia até brilhar. E ele sorria perversamente.
— Você irá fazer isso? — as palavras misteriosamente saíram de minha boca.
— Sim — ele me olhava perversamente, me causando muito medo.
— Você não está morto? — temia a resposta.
Ele deu mais um sorriso perverso.
— Espere a escuridão chegar.
Danielle acordou sentando-se rapidamente, soltando um grito de espanto. Ficou feliz por estar sozinha em casa. Ninguém ouviu seus gritos.
Enrolou-se no cobertor, estava morrendo de frio. Não imaginava o que esse sonho poderia significar. Estava cansada com esses sonhos que deveriam ter parado com a morte de Daniel. Esses sonhos, pelo Robert disse, vem da ligação dos dois, por que ela ainda os tinha?
Começou a pensar no que viria no seu dia. Um simples boliche que a maioria dos colegas topou ir pois era um lugar que reabrira recentemente. Pensava em como ia se divertir nesse dia. Mas esse sonho só a deixou com medo de alguém morrer naquela noite.
Afinal, Daniel vivia em algum corpo? Isso era possível? Era a única explicação para os sonhos não terem cessado.
A cabeça de Danielle só doía com tantos pensamentos e preocupações.
— Alô? — indagou Taylor ainda sonolenta — Sabe que horas são?
— Sete e meia?
— Não, é hora de dormir. Sabia que existem jeitos de mandar mensagem sem acordar as pessoas?
— Preciso desabafar isso agora... Tive mais um daqueles sonhos...
— Não foi somente um sonho comum?
— Não. Sonhei com o túmulo de Edward e que Daniel mataria alguém hoje. Ele disse que o mataria o próximo hoje à noite...
— Que loucura! Será que isso... Irá... Mesmo acontecer? — dava para sentir um medo em sua voz.
— Espero que não...
— Para qualquer coisa, eu estou aqui. Você sabe que pode ligar a qualquer hora. Só não garanto um bom humor matinal...
— Obrigada. Mesmo sem nenhum humor matinal.
— A propósito, você vai hoje?
— No boliche? Vou sim.
— Posso ir à sua casa para nos arrumarmos?
— Claro. Vai ser divertido. Agora pode dormir — disse rindo. Se despediram.
Esse dia Robert iria cuidar de Danielle, pois Victoria ia ajudar a Sue com uma encomenda de tortas.
Combinaram de se encontrar no boliche as sete horas da noite. Decidiram ir para aliviar o estresse com o período de provas chegando.
Às duas horas da tarde Robert chegou.
— Robert, então... Um garoto virá dentro de alguns dias me pedir em namoro — disse assim que Victoria saiu. Ela já sabia de tudo.
Depois de uma crise de risos por parte de Robert e Danielle amaldiçoar mentalmente Edward por fazer ela passar por aquilo...
— Era sério? Desculpe... Como ele é? — ele ficou sério de repente.
— Na hora certa você descobrirá... — sim, adorava um pouco de suspense.
— Ele estuda com você? — ela afirmou com a cabeça — Vai no boliche também?
— Sim. Eu acho...
— Você poderia trazer ele hoje para nós nos conhecermos...
— Ah... — Estaria Edward preparado para conhecer Robert? — Posso tentar...
— Traga ele, será interessante. Bem interessante conhecer alguém que é louco o bastante...
— Pra ficar comigo, sei, sei... Idiota — disse se levantando do sofá.
— É brincadeira Danielle. Ele deve ser uma boa pessoa.
— Melhorou — disse saindo da sala.
Às 3 horas, Taylor já estava na casa da amiga.
— Vai dormir quantos dias aqui?
— Nenhum. Por quê?
— Por que essa mochila enorme? — perguntou Danielle, convidando-a para entrar.
— Tenho que escolher a roupa, a maquiagem... — ela disse subindo as escadas. — Com que roupa você vai?
— Nem sei. Esse é seu trabalho — disse rindo enquanto entravam no quarto.
Começaram a ver as roupas. Depois de tirar metade das roupas do armário, Danielle conseguiu achar uma roupa que estava a fim de usar. Uma calça jeans escura, um all-star azul, uma blusa azul marinho com um leve decote, e uma jaqueta cinza de um moletom leve para usar mais tarde.
— Você ainda está com aquele pensamento na cabeça? — Danielle não entendeu — De que ele ainda está vivo. Você sabe que ele morreu, conversou com Vincent não? Não acredita nele?
— Acredito. Tenho medo de ele estar possuindo alguém. Somente seu corpo morto. Talvez sua alma, espírito...
— Onde fomos nos meter? — ela indagou sorrindo — Sabe, nós podemos atravessar as coisas e ficar invisíveis! E agora pode haver alguém possuído com o espírito do seu irmão! Quando tudo isso começou?
— Quando aqueles sonhos malucos começaram. Mas ficar assim perigoso...
— Vamos nos arrumar! Vamos nos divertir e esquecer tudo isso! — disse ela rindo, animando Danielle — Você vai com aquela roupa mesmo?
— O que é que tem? — perguntou desconfiada.
— Você pode pôr mais... Cor... — Danielle negou — Só uma blusa colorida....
— Taylor...
— Tá bom... Põe algo mais decotado...
— Para, vou com aquela blusa ali mesmo, não estou a fim de desarrumar a outra metade do meu guarda-roupa.
Taylor começou a rir, e Danielle começou a recolher a roupas espalhadas pela cama e algumas peças no chão.
— Você acha que Michel vai? — Taylor perguntou.
— Não sei. Ela anda mudado.
— Acho que foi aquela viagem a Delaware. Só pode ser. Depois daquilo, ele está muito diferente. Está me evitando.
— Também acho que aconteceu algo lá... Samara disse que Michel era muito apegado a avó. Que ela foi a primeira e a que melhor aceitou ele.
— Ele meio que me disse isso, mas ele está diferente.
Depois de banho tomado, cabelos secos e roupas escolhidas, conversaram mais antes de se maquiar. Taylor havia escolhido uma calça jeans skinny azul-marinho, um tênis e uma blusa verde com mangas longas.
— Esqueci de falar. Meu pai quer conhecê-lo — disse entusiasmada.
— Seu pai quer conhecer Edward? Quando? — ela indagou curiosa.
— Hoje, se der...
— Não brinca? Por que ele se interessou?
— Falei a ele que alguém viria me pedir em namoro.
— Disse quem era? Mostrou alguma foto? — Danielle negou com a cabeça.
— Adoro deixar ele curioso. Sabe, para devolver o que ele me faz...
— Sim, bem feito... — ela disse rindo.
Terminaram de se arrumar, se maquiando do jeito que Taylor sugeriu, olhos marcados e batom nude, foi uma combinação que agradou Danielle também. Pegaram as bolsas e avisaram Robert que estavam saindo:
— Tome cuidado. Se cuide.
— Por que isso tudo?
— Tive um sonho ruim, acordei angustiado, mas não lembro o motivo.
Essa angústia voltou a atormentar Danielle, que tentou ser forte para não ser impedida de ir ao boliche.
— Tudo dará certo. E eu posso me cuidar.
— Vai chegar que horas?
— Umas dez, no máximo dez e meia saio de lá.
— Se precisar que eu te busque é só avisar. Tchau e se divirta.
— Obrigada. Tchau.
Danielle deixou a sala com um pressentimento ruim.
— Aproveite a noite! Jogue, se divirta! Não se preocupe com nada! — disse Taylor tentando animar a amiga.
Danielle repetiu algumas vezes o que foi dito mentalmente, como um mantra.
Quando estavam saindo de casa, avistaram Michel e Samara mais à frente. Taylor os chamou, e esperaram, cumprimentando em seguida.
— Vocês já foram lá? — perguntou Samara.
— Uma vez, já faz tempo. Até mudaram a decoração e tudo depois disso.
— Eu nunca joguei boliche. Tomara que jogue certinho — ela disse sorrindo.
Danielle e Samara foram mais a frente, conversando. Notaram o clima entre e Taylor e Michel, que estavam calados, algo incomum semanas atrás.
— Samara, — sussurrou — por que Michel ainda está assim? Já faz...
— Dez dias — seguiram mais a frente — Não diga nada a ninguém — ela sussurrou. — O motivo de ele estar assim não tem só a ver com a morte de minha avó. Parte disso foi o que aconteceu em Delaware.
— Qual é esse motivo?
— Eu... — ela hesitou um pouco. — Bem, você saberá na hora certa.
Taylor e Danielle levaram a mochila a casa de Taylor.
— Danielle — disse Taylor enquanto subiam a escada — acho que Michel não gosta mais de mim — ela disse triste.
— Gosta ainda. Ele só está com problemas. Só isso — disse tentando animá-la.
— Espero que seja. Ele não fala mais comigo.
— É só uma fase. Depois, ele voltará ao normal... Vou tentar falar com ele...
Danielle pensou que deveria falar com Michel. Ela fez sinal para puxar conversa com Samara, falar sobre a roupa dela; um tênis, uma calça jeans azul marinho e uma camisa xadrez.
— Michel, o que está acontecendo com você?
— Você saberá na hora que for necessário — ele disse sério. Ele estava bem diferente, sem óculos e sem seus cachos — Não quero parecer grosseiro, mais ainda não é necessário — ele disse dando um leve sorriso.
Viraram à esquerda e Edward estava esperando no banco da floricultura, mais a frente. Danielle começou a admirá-lo. Calça jeans negra, camiseta polo vermelha vinho e jaqueta negra, com aquela bota usou no primeiro dia de aula, brilhando de tão limpas.
Poucos metros depois, chegaram ao boliche. Havia muitos carros devido ao cover que se apresentaria naquela noite.
O lugar havia mudado muito, estava mais espaçoso, com várias pistas e inúmeras mesas de metal prateado, com cadeiras prateadas com estofado vermelho. Também havia grandes mesas próximas às paredes, com sofás vermelhos ao invés de cadeiras. Uma das mesas estava reservada os garotos, e já havia metade dos seus colegas lá. Eram quase 7 horas.
Se cumprimentaram, deixaram as bolsas na mesa, já que Bryan quebrou a perna jogando futebol americano, poderia cuidar de tudo.
Quando foram na pista, puderam ver a banda se arrumando para tocar. Danielle e Taylor já tinham ouvido eles outras vez, faziam covers de muitas bandas de rock alternativo.
Começaram a jogar boliche. Foram um por vez por treino. Danielle deixou somente um pino, Taylor dois e Samara quase que não acertou nenhum, a bola foi bem na canaleta. Decidiram fazer dois times, elas contra eles. Mesmo com esforço, elas acabaram perdendo. Prometeram que os próximos times seriam mistos.
Decidiram comer antes de começar a próxima roda. Duas mesas juntas e os sofás deram conta dos adolescentes. Danielle sentou-se entre Edward e Taylor. Comeram hamburgueres, batata-frita e refrigerante. Típica comida dessa idade.
A banda chamou a atenção de todos, se apresentando e começando a tocar. Começaram com uma música autoral. Alguns ainda conseguiam lembrar-se de algumas partes da música, e os demais estavam planejando fazer uma guerra de comida, mas desistiram quando começou a tocar uma música que conheciam.
Terminaram de comer e todos foram ver o show na pista de dança. Bryan continuou cuidando das bolsas e mochilas, a sala foi em peso ver a banda de perto. A pista era de um piso negro brilhante.
Os garotos fizeram uma roda punk nas músicas que pediam isso.
— E agora uma música que nós amamos cantar. Quem saber cantar — ele levantou as mãos — vamos lá! Um dois, três...
E todos pularam ao som dessa música. Danielle conhecia mesmo antes de conhecer Edward, era uma das mais famosas do Three Days Grace, I Hate Everything About You. Mas Edward foi quem cantou a plenos pulmões.
A banda fez uma pausa para afinar alguns instrumentos, enquanto todos pediam mais músicas. A turma aproveitou para recuperar o folego e beber água. Bryan estava bravo, logo ele, um dos que mais pulava no outro show tinha que ficar sentado.
— E aí, gostou? — perguntou Danielle a Edward, sentando perto dele.
— Muito. Só peço desculpa a minha desafinação — ele disse sorrindo tímido.
— Eu devo pedir desculpas. Você canta certinho... No que você é ruim?
— Hum... História. Sou péssimo em decorar datas, lugares, nomes...
— Uma coisa! — exclamou rindo e erguendo os braços.
Uma pista ficou livre e voltaram a jogar, depois que ouviram que deu problema em uma das guitarras.
— Edward, Mike e Nolan foram os únicos que só fizeram strikes. Não podem ficar no mesmo time. Cada um escolhe o seu — disse Marcus, tentando equilibrar os times. Todos concordaram nisso e começou as escolhas.
— Eu a escolho — Nolan disse para Danielle, surpreendendo todos.
— Prefiro não jogar — ela disse cruzando os braços.
— Não escolhemos quem começa escolhendo Nolan — disse Mike sorrindo, tentando amenizar a situação — Nós três, dois ou um — Mike coloca dois e Edward e Nolan, um. — Ok fico por último.
— Jo Ken Po — Edward e Nolan disseram juntos. Nolan, pedra. Edward, papel.
— Ahá ganhei! Danielle vem comigo — Edward disse apontando para ela, que foi direto para o abraço dele.
Um clima pesado se instalou entre os dois. Pareciam que iam brigar ali mesmo. Ninguém entendia a rivalidade de Nolan com Edward, pois Nolan era passado para Danielle.
— Vocês dois — Mike disse ficando entre eles — sem brigas. Nolan vê se relaxa. Edward não tem culpa de ter ganhado de você, tanto no jogo quanto no amor. Agora, se quiser dar o troco, ganhe na pista.
Depois de todos serem escolhidos, começou a competição, que virou questão de honra. E o vencedor foi Mike e seu time pela diferença de um ponto para o segundo, de Edward, Danielle, Taylor, Samara e Michel.
Nolan, mesmo perdendo, olhava para Edward de um jeito provocativo. E estava funcionando. Danielle teve que arrastar Edward para a mesa. Não parava de encarar Nolan.
— O que deu em você Edward? — indagou Danielle, brava por ele ter se importado com as provocações de Nolan.
— Como assim? — ele perguntou tirando seu casaco e colocando sobre o sofá.
— Você não deveria ter se importado com ele...
— Eu não gosto de jeito que ele te olha. Parece que vocês já tiveram algo...
Danielle olhou para o lado, tentando desviar do seu olhar.
— Ele foi o cara que...
— Foi — respondeu Danielle, seco.
— O que ele te fez?
— Eu não gosto de tocar nesse assunto.
Ele a aproximou, fazendo-a escorar em seu ombro.
— Eu não gosto de falar sobre ele. Ele me traiu...
— Como ele pôde fazer isso com você — disse beijando o topo de sua cabeça.
— E agora aos casais, como aos sentados naqueles sofás — Thiago apontou para Edward e Danielle, e outro casal no lado oposto do boliche. Ela morreu de vergonha.
— A música tem que ser boa — disse Danielle com o rosto enterrado no ombro de Edward. Sentia sua pele vermelha de vergonha.
— A hundread days... — a banda começou.
Danielle desenterrou o rosto do seu ombro, vendo banda cantar. Todos cantavam baixo. Todos a conheciam. Todos cantavam com o coração.
A música acaba e boa parte das pessoas estava chorando. Danielle se incluía nesse grupo. Edward, tentando esconder, também.
Edward a aproximou mais dele, a abraçando forte.
— Juro que irei te proteger com a minha vida. Nunca, nada irá te machucar, fazer mal — ele sussurrou em seu ouvido.
Danielle só pensou em o que aconteceu com ele para ele jurar isso.
— Você a perdeu de um jeito trágico?
— Sim — sua voz custou a sair.
— Desculpa por ter...
— Sem desculpas, você não fez nada. Eu... Eu preciso de um ar... — Ele parou de abraçá-la e pegou a jaqueta na mesa. — Tudo bem?
— Sim. Quer ir sozinho?
— Posso? — ela confirmou — Te amo — ele disse beijando a sua testa.
Danielle não conseguiu ver ele indo para fora, pois, as luzes estavam apagadas, e quando foram acesas, ele já havia sumido.
— Danielle, podemos conversar? — indagou Samara sem jeito.
— Se puder lá fora — disse Michel. — Aqui tem muito barulho.
Ela aceitou o pedido. Foram para fora do boliche, ficando em um dos vários bancos de cimento trabalhado que havia ao redor. Tinha uma árvore enorme que escondia parte do céu estrelado. Os O'Connell ficaram de pé, enquanto Danielle ficara sentada. Ficaram se observando por certo tempo em silêncio. Os O'Connell não diziam nada.
Olá meus fantasmas!
Como estão?
Então, estamos na reta final do livro e estou ansiosa para saber a reação de quem chegar até o final da história!
Vou terminar de postar até fevereiro esse livro e começarei a postar quando esse tiver 1000 votos!
Até mais ♥
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