Capítulo 23 - Gêmeos
09/05
— Como assim você tem um irmão gêmeo?
Não havia fotos e nem notícias de alguém da família de Robert. Mas não saber que ele tinha um irmão era demais para ela. Ele baixou seu olhar quando percebeu a reação da filha.
— Alexander. Ele é meu irmão gêmeo. Eu imaginava que eu poderia ter filhos gêmeos também. E foi o que aconteceu.
— Mas... Você... Por que me escondeu isso? Minha mãe sabe disso? Vocês também foram separados? — ela ficou agitada ao saber sobre seu tio.
— Ela sabe. E não fomos separados, não houve necessidade.
— Ok, por que para nós teve e para vocês não? — Danielle indagou brava.
— Então, digamos que a desigualdade de poderes entre você e Daniel não ocorreu também comigo e Alexander.
— Por que não ocorreu a mesma coisa?
— Meio que nossa mãe conseguiu amenizar a nossas diferenças por ser um fantasma também. Algo que sua mãe não pode fazer, sabe...
— Acho que entendi. É mais fácil quando a mãe é fantasma para equilibrar isso, não é? — Robert afirmou com a cabeça — Seu irmão, era igual a mim ou Daniel?
— Em que sentido?
— Ele conseguiu ser detectado, ou igual a Daniel, achavam que ele não tinha poderes?
— Minha mãe o detectou cedo, com sete anos. Mas ele não mostrava nenhum dom como fantasma até completar quatorze anos. Algo muito tardio.
— Você disse que começou a treinar com dezesseis...
— Comecei com treze. Dezesseis foi Vladimir, algo comum para um Espírito.
— Lindo isso. Mentiroso...
— Não quis deixar você chateada por ter seus poderes muito tarde — ele disse dando de ombros — Quinze ou dezesseis é o mais comum. Mas para o meu e o seu caso, é mais comum entre os doze e quatorze anos.
— Por que para mim foi com quinze?
— Tem certeza de que nenhum poder apareceu com quatorze anos?
— Fiquei invisível um dia ano passado. Então já poderia...
— Ter começado a treinar? Sim, já poderia.
Ela não quis se alongar no assunto. Voltou a falar do seu tio.
— Mas ele consegue fazer tudo que você consegue?
— Sim, mas não com tanta rapidez. Ele faz tudo igual a nós, mas não como nós. Ele tem dificuldade em voar muito sabe. Não parece muito um Haunt, mas é muito habilidoso para um fantasma.
— Eu quero conhecê-lo...
— Mas não sei se ele também vai querer.
— Como assim? — indagou sem entender o desinteresse de Alexander.
— Ele me evita. Ele diz que não me odeia, mas não quer criar nenhum vínculo comigo.
— Ele tem inveja de você? — Danielle começou a ficar interessada no tio só por ele querer evitar Robert.
— Pode ser. Faz tanto tempo que não o vejo...
— Quanto tempo?
— Provavelmente a última vez foi quando levamos vocês para conhecer a família, acho que ainda eram de colo.
— Nossa, faz uns quinze anos. Quero poder ver um dia ele, meus avós...
— Podemos ver isso, algum dia.
— Mas voltando o assunto, você sonha com o que? — indagou querendo saber se o conteúdo dos sonhos era semelhante.
— Além de sonhar com ele, estranhamente sonho com o Daniel. Não como os sonhos que os gêmeos têm, mas foi... Tão real.
Robert não conseguia entender como tinha aqueles sonhos. Teorizou até que Danielle transmitia esses sonhos a ele, embora não tivesse como provar isso.
— Você consegue ver como seu irmão está nesses sonhos? — perguntou, já que ela não obtinha sucesso para ver o rosto de Daniel.
— Sim. Está igual a mim, com cabelos mais longos e com uma barba rala.
— Você não se sente mal por vocês não se darem bem?
— Sim. Eu acho que culpa da gente não se dar bem é minha.
— Por que você pensaria isso? — Danielle o fitou, sem entender.
— Eu me acho culpado — ele disse roucamente — Sabe, talvez ele deveria ser mais forte e não eu — ele estava pensativo.
— Então, eu sou culpada pelo o que aconteceu com Daniel? — indagou Danielle tentando seguir o raciocínio dele — Ou por você querer nos separar?
— Cada um sabe a culpa que tem. A minha eu acabei de falar. Não quer dizer que você tenha a mesma.
— Mas nesse caso somos iguais. A culpa da separação é minha? — indagou quase implorando uma resposta.
Ele sorriu e deu de ombros.
— Eu me acho culpado. Não quer dizer que você seja.
10/05
— Hum... O que? — indagou Michel, sacudindo a cabeça.
— Só perguntei como você vai... — disse Danielle, rindo de Michel por estar com a cabeça nas nuvens.
— Michel nunca esteve tão avoado assim. Nesses últimos dias, está sempre fora de estação. Acho que alguém está apaixonado — disse Samara, sacudindo o irmão.
— Ali está a culpada — disse Danielle, fazendo Samara olhar para o outro lado da rua. Enquanto Taylor se aproximava deles.
— Samara! — Michel exclamou, cutucando sua irmã.
Taylor atravessou rapidamente a rua, pegando rapidamente o braço de Danielle, a trazendo perto de si.
— Como vai? — ela indagou.
— Bem... — disse querendo entender a agitação da amiga.
— Meu último presente de aniversário está demorando a vir...
— Pois é. Mas acho que isso é normal — disse tentando reconfortá-la.
O caminho ao colégio foi engraçado com as piadas contadas por Michel. Taylor ria desafinadamente com tudo.
— Edward não veio ainda... — disse Taylor, como uma criança pequena que quer fazer birra.
— Mas ele virá, tá bem? — respondeu Danielle no mesmo tom que ela.
Danielle pensou que se ele não viesse, teria mandado alguma mensagem. Eles já tinham algo rolando, pensou.
Deixaram suas mochilas na sala de aula, e Michel criou coragem para pedir para conversar com Taylor a sós. Samara e Danielle compreenderam, seguiram para um lugar mais afastado, em um dos bancos dos corredores ainda próximo a sua sala, sendo possível ver eles rindo e trocando olhares suspeitos.
— Samara, você nasceu aonde? — perguntou tentando fazer passar o tempo.
— Nasci em Delaware, mas já moramos em diversos lugares do mundo.
— Legal, ficar viajando. Vocês devem gostar bastante.
— É... Nós nos mudamos constantemente.
— Devem ter feitos muitos amigos — disse animada.
Samara sorriu. Não queria dizer como era fácil fazer amigos e como era difícil mantê-los.
— Sim, e o melhor amigo que consegui foi Michel. Conheci-o enquanto morávamos na Itália.
— Ainda acho incrível essa ligação que vocês têm.
— Também acho. Quando o vi, parecia que já o conhecia. Parecia ser meu irmão de verdade. Devíamos ter sido em outra vida... — ela disse sorrindo.
Danielle também sorriu, lembrando de seu irmão. Sabia que tinham uma ligação especial, aquela famosa ligação entre gêmeos que era fortalecida se a pessoa tiver poderes fantasmagóricos. Mesmo depois de tudo, tinha que admitir que o que viu antes dele morrer foi surreal, poder ver o mundo com os seus olhos.
— Você não tem irmãos, certo? — ela perguntou.
— Não, sou filha única — disse sorrindo, tentando parecer convincente.
Repentinamente, alguém envolvera Danielle num abraço, por trás.
— Oi — ele disse em seu ouvido.
Deu um beijo na bochecha de Danielle, saltando o banco de madeira, ficando entre as duas que conversavam.
O sorriso contagiou a garota que pensava antes no irmão gêmeo, fazendo sorrir igual uma boba apaixonada.
— Vou deixar a mochila na sala, e já volto, está bem?
— Claro — respondeu Danielle, disfarçando o olhar apaixonado.
Um silêncio caiu entre elas até Edward entrar na sala:
— Vocês formam um belo casal — disse Samara sorrindo.
— Você acha? Eu... — Danielle ficou surpresa por ouvir isso de alguém que não fosse Taylor — também acho.
— Você e Edward, Michel e Taylor. Também quero um... Você conhece alguém... Sabe...
— Um bom partido? — indagou Danielle rindo. Samara concordou — Ah, espera, deixa eu ver...
— Aqueles dois lá — ela disse olhando para dois alunos próximo da sala.
Danielle olhou, e disse o que pensava.
— Hum, o da direita, Nick. Gente boa ele, é bem engraçado e brincalhão. E o outro... Nolan — disse a última palavra bem rispidamente.
— Você não gosta desse Nolan, não é?
— É, não gosto mesmo dele.
— O que ele te fez?
— Bem... — pensou um pouco. Por que não contar o que ele fez? — Num certo dia, ele disse que me amava. Minutos depois, ele estava com... Outra.
— Quem era essa garota? — ela perguntou.
— Ashley Mastery. Mas não se preocupe, ela não estuda mais aqui...
— Ashley Mastery... Será que ela é parente de Jason Mastery?
— Não sei. Quem ele é?
— Se eu não me engano, ele é um famoso advogado, que já cuidou de cada caso... É rico, disse eu tenho certeza. Podre de rico.
— É, pelas roupas que ela usava... Pode ser.
Foram para a sala quando o sinal tocou.
No intervalo, Edward e Danielle ficaram no banco que ela tanto adorava, conversando sobre qualquer coisa.
— Edward, como era sua vida com o tio?
— No dia que ele chegou a minha casa... Tive medo dele, ele era alto, dava medo mesmo, para uma criança. E, a primeira coisa que ele me disse foi para mim não me culpar pela morte de seus pais e que tudo foi uma fatalidade.
— A sua relação com ele foi boa? — disse enquanto mexia em seus cabelos e brincava com as argolas.
— Não foi ruim e nem boa. Não teve muita relação, ele era mais reservado e trabalhava muito — disse sorrindo.
— Mas, ele era gentil com você? — perguntou parando de mexer em seus cabelos, se concentrando em ouvir sua resposta.
— Eram sim. Adorava quando ele pegava férias e saíamos juntos.
— E seu tio, não pode estar preocupado com você? — perguntou enquanto eles entrelaçavam os dedos.
— Não, mando quase um relatório toda semana para ele. Sabe que no tempo que passei agora em Boston ele falava mais comigo, a ponto de se convencer a emancipação. Não sei se foi o casamento, mas me tratava muito melhor, conversava mais sobre tudo.
— Que bom isso. E foi difícil ele deixar você se emancipar?
— Sabe que não foi difícil não, acho que ele sabe que sou responsável. Então...
— O que foi?
— Falei sobre a minha família. Agora fale de você. Como é a sua relação com a sua família?
Ela pensou um pouco. Com Robert, ela sentiu saudade, raiva, pena... Com Victoria, sentia ter a melhor mãe do mundo. Com Daniel, pensou que poderia ter alguma relação boa com ele, o que infelizmente não aconteceu.
— Ah, é boa. É comum ter algumas desavenças, mas nada muito sério
— Você é filha única? — ele indagou.
— Sim, e moro com os meus pais.
Edward sorriu, pensando que queria voltar a morar com seus pais, algo que parecia impossível.
— Estou feliz por ele — disse Edward.
— Quem? — perguntou Danielle, voltando a prestar atenção em sua voz.
— Pelo meu tio. Está casado e ficou muito mais feliz. Nem parece a mesma pessoa — ele disse, olhando de um jeito estranho para Danielle — Olha, não sei como conseguiu tirar tanta coisa de mim.
— É bom se abrir com os outros. A Taylor já está farta de ouvir os meus problemas.
— Pode falar as coisas para mim também, se quiser.
"— Então tá. Eu sou um 'fantasma'. Atravesso coisas e voo... Legal, não é?"
— É coisa de garota sabe... — Danielle torceu para ele não saber ler mentes.
— Hum, sei... Espera... — ele se levantou, e começou a falar com pequena modificação na voz — É sobre bolsas, maquiagens, sapatos... — Danielle começou a rir. —... Perfumes, garotos... — nessa parte ele começou a rir, enquanto interpretava — Amiga! — ele deu uma gargalhada, voltando a falar com seu timbre normal. — Desculpe, me empolguei. Meus professores de teatro diziam que eu deveria tentar ir pra Hollywood.
— Tá explicado — disse Danielle ainda rindo.
Foram para sala antes do sinal bater. Viram Taylor e Michel de braços entrelaçados. Karen viu, e não segurou o comentário:
— Ah, mais um casal! Que fofo! — ela disse, olhando para os dois, e depois para Danielle e Edward.
— Cadê o outro, Kary? — indagou Lucy, que vinha logo atrás dela.
— O primeiro novato, quer dizer, novato ele não é porque estudou comigo Inglês no começo do semestre, e a Danny, e o segundo novato, e a Tay. As amigas inseparáveis ficaram com os novatos. Também quero um! Cadê os novatos nesse colégio minha gente! — respondeu Karen.
Começaram a rir das coincidências.
— Você estudou Inglês com Edward? — perguntou Danielle a Karen antes de irem para as suas salas.
— Sim. Mas ele era bem mais tímido. Em duas semanas de aula ninguém fez amizade com ele — Karen apertou os olhos, olhando para Danielle — O que você fez com ele para ficar assim?
— Fiz nada não — disse rindo e se entregando.
Começaram a rir, se despedindo para Karen seguir para sua sala. O fim da aula chegou, e a hora de despedidas também.
Danielle foi embora com Taylor e os O'Connell. Samara com Danielle, conversando, e Michel com Taylor, se conhecendo melhor.
Chegando em casa, Danielle resolveu treinar um pouco. Foi para o quarto, deixou sua mochila e pegou seu travesseiro. Ficou do lado da cama, largando o travesseiro, pretendendo fazer ele atravessar o colchão, parando no chão. Mas isso não aconteceu, o travesseiro ficou metade para cima da cama e metade para baixo.
Quando um fantasma está em contato com o chão, que por sua vez está em contato com a cama, ele pode criar uma área no colchão e fazer qualquer coisa atravessar essa área.
Pensou começar mais devagar, primeiro atravessar só o chão. Ela imaginou uma área em que o travesseiro ia passar. Os seus pés estavam em contato direto com o chão, seria mais fácil. Deixou o travesseiro cair, ficando metade submerso no outro andar. Tentou novamente, e o travesseiro passou por inteiro para o primeiro andar. Mergulhou para pegá-lo no contra piso.
Se desafiando, Danielle imaginou uma área na parede. Além de se concentrar, teria que calcular a trajetória do travesseiro até chegar na parede. Facilitou, imaginando uma área do tamanho da parede. O travesseiro entrou poucos centímetros na parede. Teria que se concentrar ainda para o travesseiro não ser esmagado pelos tijolos.
Uma, duas... dez... vinte. Perdeu a conta depois disso. Pegou novamente o travesseiro enfincado quase inteiramente na parede e jogou em sua cama. Precisava descansar.
Fechou os olhos e adormeceu.
Boa noite meus fantasmas!
Não achei uma foto pro capítulo, se alguém tiver alguma ideia...
O que vocês acharam da descoberta de Alexander?
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