Capítulo 14 - Edward

27/03

Vamos tentar algo novo...

Danielle acordou assustada ao ouvir isso. Achou que talvez se tratasse da voz de Daniel, mas não teve muito tempo para analisar, pois já estava atrasada para a escola.

— E aí, algo novo? — perguntou Taylor ao se encontrarem na frente de casa para irem juntas, como sempre.

— Como é? — perguntou Danny espantada, lembrando-se da frase que ouvira mais cedo.

— Perguntei se você tem algo novo, alguma novidade, qualquer coisa para me contar... — respondeu a amiga sem entender tanto espanto.

Danielle pensou a respeito. Ainda era difícil colocar nome em tudo que se passava com ela.

— Acho que ouvi a voz do meu irmão hoje dizendo "Vamos tentar algo novo".

Taylor arregalou os olhos.

— O que você acha que pode ser?

— Não sei. Talvez ele tente possuir alguém, voar, pegar algum transporte... Eu não... Sei... — estava com medo de algo acontecer com ela ou alguém próximo.

— Aí, Danny, tenta se acalmar. Vai dar tudo certo.

Teorizaram sobre como ele poderia alcançá-la, parando de falar quando se aproximaram da Rhodes High School. Explicar para os colegas que tinha um irmão era a última coisa que queria fazer no momento, menos ainda que explicar que era órfão de pai vivo.

Separaram-se ao se aproximarem dos armários, pois a aula de Química exigia alguns equipamentos de segurança, mesmo que às vezes só mexessem com água e sal, mas o professor exigia o uniforme completo. Danielle foi pegar o seu jaleco e Taylor não fez o mesmo pois tinha levado ele para lavar e já estava em sua mochila, então foi andando na frente.

Abrindo o armário, Danielle pode ver as fotos que guardava com tanto carinho presas por imãs em formato de coração rosa. Fotos da pequena formatura que tiveram quando saíram do Middle School, de encontros escolares, saídas a acampamentos e a fazenda de sua avó.

Sentiu um forte arrepio na espinha ao pensar que não poderia viver mais nada daquilo se Daniel a encontrasse. Chegou até a se curvar, com uma vontade incompreensível de sentar-se no chão e chorar em posição fetal.

Mas lembrou-se que estava no meio do corredor cheio da Escola, onde seria taxada como louca ou carente. Sem contar as muitas perguntas que teria para responder. Respirou fundo, tentando se controlar. Não precisava de mais um problema na sua vida.

Pegou o jaleco, puxando com força ao perceber que estava com as mangas enroladas no livro de Cálculo. Quando o livro caiu, quase no seu pé direito, torceu para não ter o estragado, pois a multa da biblioteca era gigantesca.

Jogou o jaleco sobre o ombro e se abaixou para pegar o livro, mas tudo que viu foi um par de coturnos negros militares. Levantou-se rapidamente e fechou o armário sem trancá-lo para poder guardar o livro depois que o dono do coturno negro lhe devolvesse.

Ficaram um certo tempo apenas analisando um ao outro, como se já se conhecessem, mas não pudessem dizer exatamente de onde. O rapaz tinha olhos em um azul vivo que pareciam safiras. Danielle nunca tinha visto um tom de azul tão bonito quanto aquele. As grossas sobrancelhas completavam um olhar curioso. A pele era muito clara, como de uma pessoa que não costumava pegar Sol. Os cabelos eram negros, a inexistência de cor, pendiam na altura das orelhas em um corte despojado.

Vestia uma camiseta cinza grafite, da mesma cor do uniforme de Rhodes, deixando os músculos dos braços à mostra. Uma calça jeans também escura, além do coturno empoeirado, formavam sua vestimenta de bad boy. Carregava consigo uma jaqueta de couro em uma mão e na outra o livro de Cálculo de Danielle que havia caído.

Ela sentiu algo inexplicável no momento. Uma mistura de admiração, ansiedade e talvez uma paixãozinha à primeira vista. Se viu desejando ficar perto dele.

— Acho que deixou cair — comentou garoto misterioso. Ela gostou de ouvir a voz dele, o timbre a agradou. E se ele não tivesse puxado assunto, ainda estariam se olhando. Ela se sentia um pouco estúpida por ter encarado durante tanto tempo um cara que nunca tinha visto.

— Obrigada — respondeu, sentindo-se rapidamente encabulada. Pegou o livro, abriu o armário e o colocou no lugar onde deveria ficar, e rezou para não cair mais nada e o fizesse acreditar que ela era uma garota extremamente desastrada.

— Armário novo... O meu antigo emperrava direto... — resmungou o garoto batendo no armário que era vizinho à direita do dela.

Danielle se virou para analisá-lo melhor. Como assim "armário antigo?". Ela se lembraria de algum garoto como ele.

— Você já estudou aqui antes? Não me lembro de você.

— Eu já morei aqui, mas por pouco tempo. Estudei nessa escola apenas alguns dias do semestre passado. Acho que ninguém vai se lembrar de mim mesmo, não é como se eu tivesse feito muita amizade — ele fez uma pausa, fitando-a — Também é do nono ano?

— Sim, e eu realmente não me lembro de você — Danny estava impressionada com a sua falta de memória — Talvez não tenhamos feito nenhuma aula juntos. Se lembra de mim? — não tão interiormente, ela desejava que ele lembrasse.

— Acho que sim. Talvez de vista — ele respondeu sorrindo.

— E qual é o seu nome? Talvez pelo nome, eu lembre.

— Edward Nightingale. Você é a... Espera, eu vou lembrar... — ele apertou os olhos, como se forçasse a memória. O gesto a fez sorrir.

— Danielle Haunt e devo ter uma péssima memória.

— Somos dois. Então, prazer — e estendeu a mão para um cumprimento e ela segurou. Mesmo com o frio que fazia, se surpreendeu pela mão dele não estar gelada.

Danny sentia e via nos olhos do aluno novo que ele também parecia sentir, que algo entre eles era conhecido, mas não conseguiriam explicar ao certo o que era. Tanto ela quanto ele ficaram em silêncio; Danielle não queria parecer louca para ele, e começar a falar sobre sentimentos estranhos. Era tudo estranho demais até para ela.

É melhor eu ir andando — ele disse depois de um tempo e sorriu, meio envergonhado — Não me lembro onde ficam minhas salas de aula.

— Eu posso te ajudar — murmurou Danielle, mas um pouco tarde demais, enquanto assistia ao garoto andar para alguma sala.

— Qual era o nome daquele garoto que você estava conversando? — indagou Taylor quando a encontrou entre os corredores dos laboratórios de Química.

— Você por acaso lembra dele? Porque eu não e estou achando isso horrível.

— Ele não estudava aqui no começo do semestre passado? — disse incerta.

— Foi o que ele me disse. Se chama Edward Nightingale.

— Edward Nightingale... Acho que me lembro... Ou não era ele?

— Não sei mesmo.

O laboratório era separado em mesas grandes com duas cadeiras, pois os experimentos eram sempre em duplas. As garotas sempre ficavam mais a frente e os garotos atrás, para o professor não ver o que aprontaram ou quando enrolavam nas aulas.

Entrando na sala, o senhor Lawrence estava conversando com um garoto, que Danielle pode ver que era Edward. Pensou que realmente poderia ter o ajudado a encontrar a sala.

— Ele tinha essa aula com a gente? Não lembro dele aqui — perguntou Taylor fitando o garoto.

— Ele deve ter mudado os horários.

— Ou é um sinal — a outra garota sorriu, levantando as sobrancelhas de maneira sugestiva. Danny apenas revirou os olhos.

— Não começa, Tay — respondeu seguindo para o lugar de costume na sala, primeira mesa perto da porta.

Edward se virou reparando na chegada das duas. Sorriu em reconhecimento.

— Confesso que ele é muito gato, de um jeito que chega a dar nojo — sussurrou Taylor para somente Danielle ouvir.

— Pode se sentar com as senhoritas Haunt e Spook nessa primeira aula. Sei que serão um bom exemplo para você — falou o professor olhando para as garotas.

— Está bem — respondeu o garoto levando com ele uma sacola verde em que estava escrito "EPIs". Pegou uma cadeira da mesa vizinha e se juntou a elas.

— Tínhamos essa aula juntos? — perguntou ao sentar-se.

— Seus horários continuaram os mesmos?

— A maioria, mas alguns mudaram sim. Acho que esse primeiro período era de Literatura.

— Você foi transferido? Por que voltou para Rhodes? — quis saber Taylor sem perder tempo.

— Tive que sair do estado, mas não achei que demoraria muito, acabei deixando minha matrícula e tudo aqui. Só que a viagem foi se alongando e só consegui voltar agora.

— Foi para onde?

— Então, estão todos aqui. Primeiramente, Edward Nightingale, por favor, se levante para cumprimentar os colegas — o garoto se levantou envergonhado e o professor voltou a falar com a turma — Ele foi transferido no começo do semestre para outro colégio, mas voltou. Bem-vindo de volta

O professor esperou Edward se sentar para falar de novo:

— Então, rapidamente sobre EPIs, já que é minha obrigação falar em toda primeira aula prática...

Um suspiro coletivo se formou no fundo da sala. Não queriam ouvir tudo de novo. O professor desaprovou a turma com um olhar.

— Continuando, Edward, você precisa saber que nessa sacola que você e seus colegas carregam um jaleco, óculos de proteção, protetor auditivo, máscaras descartáveis e uma caixa de luvas — Edward abriu a sacola e pegou o jaleco, vestindo-o e para ficar igual aos demais — O uso do jaleco é obrigatório em todas as aulas, assim como sapato fechado e calça comprida. Não adianta reclamar se está calor e tiver vontade de usar bermuda. Biblioteca e um trabalho de vinte folhas à mão o esperam — ameaçou olhando para o fundo da sala — Ouviram bem, garotos?

Risos denunciavam quem já fora à aula de bermuda ou sem jaleco.

— Também recomendo o uso das luvas. Eu sempre aviso quando necessário for a utilização da máscara e dos óculos. Mas se você usa lentes, recomendo colocar os óculos, como faz a senhorita Miller.

— Não uso lentes, professor — respondeu Edward.

— Está bem. Outras recomendações são óbvias, mas vamos lá: se não sabe o que é, não cheire, não toque e muito menos tente beber ou jogar nos outros — risos invadiram a sala mais uma vez — Tem uma cartilha explicando melhor na sacola. Por ora, observe o que fazem seus colegas e leia a cartilha.

Enquanto faziam o experimento proposto, Edward lia a cartilha, às vezes dando umas olhadas em como as garotas executavam a tarefa. Danielle aproveitava o foco dele na cartilha para observá-lo sem ser vista. Com toda certeza não tinha estudado com ele, senão lembraria daqueles olhos.

Olhos que a faziam lembrar e ficar alivia por não serem lentes.

Refletiu sobre a sorte que ela tinha de o irmão estar com a íris vermelha agora, mesmo não entendendo como isso era possível e como isso facilitaria de reconhecê-lo entre a multidão. Lembrou-se também de seu pai a ensinando como detectar Taylor e obviamente, Daniel. Quando um não queria, ninguém conseguiria. Poderia ser mais difícil de Daniel encontrá-la sem poder detectá-la, se ela assim o quisesse e se forçasse a amortecer suas habilidades.

Enquanto a amiga fazia parte do procedimento, ela olhou ao redor da sala, observando os outros alunos concentrados na tarefa. Seu olhar parou em Ashley e Charlotte, que olhavam Edward, suspirando. Olhavam-no fixamente, sem nem tentar disfarçar. E, com surpresa, Danielle percebeu que estava sentindo uma pontada de ciúmes.

"Como posso estar sentindo ciúmes de um garoto que conheci há tão pouco tempo?! Sou muito louca mesmo", perguntava-se, indignada com aquele sentimento repentino.

O restante da aula passou sem que se percebesse, já que acabara se distraindo com os próprios pensamentos.

— Finalmente — disse Taylor acabando de limpar a vidraria do experimento e a tirando do transe.

O professor liberou a turma mesmo faltando ainda dez minutos para a próxima aula. Sem pressa, todos foram saindo da sala em direção aos armários dos alunos.

— Novo colega de armário então? — perguntou a vizinha de armário a esquerda de Danielle, Taylor, referindo-se a Edward, que se limitou a sorrir.

— Que aula vocês têm agora? — ele perguntou.

— História — respondeu Danielle ao mesmo tempo que Taylor respondia "Língua Inglesa".

O garoto verificou seus horários.

— Deixe-me ver aqui... História, junto com você, Danielle — disse e pegou o livro da matéria no armário.

Taylor não pode perder a oportunidade e cutucar a amiga.

— Aproveita — ela brincou, dando um sorrisinho — Tchau para vocês, até o almoço — e saiu em direção a sua sala.

— Com os professores de quais matérias devo tomar mais cuidado? — indagou Edward, fazendo Danielle rir enquanto caminhavam para a aula.

— Vejamos... O de Química é gente boa, a não ser que você venha de bermuda e chinelo ou esqueça os EPI. O de Cálculo não gosta de explicar duas vezes, então preste atenção. O de História, que teremos agora, ria das piadas que ele faz, mesmo que não tenha a menor graça. A professora de Geografia sempre dá provas diferentes, então nem tente colar. Teve gente que conseguiu a proeza de zerar a primeira prova. Acho que é isso. Posso ver seus horários?

Edward entregou os horários das aulas, revelando à garota que fariam todas as aulas juntos. Ela sorriu.

— Então, se você me seguir, saberá onde são as aulas — disse entregando o papel a ele — Queria ter essa sorte com Taylor também, algumas não bateram.

— Que bom que eu já vou conhecer alguém em todas as aulas.

Entrando na sala, Danielle sentou-se perto da janela, como de costume.

— Alguém se senta aqui? — perguntou Edward, apontando para mesa atrás dela.

— Não. A maioria fica mais ao fundo.

— Posso?

— Claro.

Arrumaram os materiais na mesa, quando Ashley e Joanne entravam na sala de aula. Pode-se ouvir um cochicho malsucedido de Joanne sobre Edward:

— Realmente, muito gato — disse a garota entre risos.

Joanne foi se sentar no lado oposto, perto da porta. Ashley aproveitou os minutos que faltavam para a próxima aula começar e foi falar com ele:

— Oi, Edward, tudo bem? — perguntou conseguindo deixar sua voz mais doce do que o habitual.

— Tudo — respondeu ele distraído, escrevendo o nome da matéria no caderno. Estava de cabeça baixa e nem levantou os olhos para a garota.

— Sou Ashley, você se lembra de mim?

— Não lembro de quase ninguém — ele respondeu, ainda sem olhar para ela que ficou um tempo sem reação. Estava acostumada a apenas dizer seu nome para os garotos já pedirem seu o número de telefone ou a convidem para sair.

— Bem, eu me lembro de você. E você é o primeiro garoto com quem eu puxo assunto que não me convida para sair — sentou-se na mesma dele — O que eu achei muito legal da sua parte.

— Que coisa louca, não é mesmo? — ele retrucou, visivelmente sem prestar atenção.

Sem se abalar muito, Ashley tentou de novo:

— O que acha de a gente dar uma volta depois da aula para eu te mostrar a cidade?

— Não — respondeu ele e finalmente a olhou. Não parecia nada o garoto simpático de sorriso fácil que era há dois minutos.

— Como assim não? — ela perguntou já nervosa com o fora.

— Eu morava aqui antes, conheço a cidade — respondeu ele com a mão no queixo, apoiando-se na mesa de uma maneira com que Ashley teve que levantar.

Ela abriu a boca, chocada com a desculpa que tinha ouvido.

— Ou então para tomar um café? — tentou mais uma vez.

— Não estou interessado, mas obrigado — e voltou a escrever seja lá o que estivesse escrevendo no caderno. Ashley saiu com as bochechas coradas e o olhar atônito. Aquilo nunca tinha acontecido antes.

Danny também estava surpresa. Tanto por assistir à Ashley praticamente implorar para sair com alguém, quanto por ouvi-la levando um "não" cheio de classe de Edward.

O garoto só conseguia ficar mais e mais interessante ainda para Danielle.

Quando estavam saindo para o almoço, Edward a pegou pelo ombro, fazendo-a parar no meio do caminho:

— Eu não conheço ninguém aqui direito, então, posso almoçar com você?

Taylor, que já estava no corredor esperando a amiga, respondeu por ela.

— Aceitamos — disse convencida. — Desculpa, mas eu venho sempre de brinde.

— Eu imaginei que vocês almoçariam juntas — respondeu o garoto rindo, enquanto seguiram para o refeitório. Tudo que Danny queria era contar para Taylor sobre o fora de Ashley, mas ele com almoçando com elas, a fofoca teria que esperar.

Sentaram-se a uma mesa aleatória, pois era impossível sentar-se sempre à mesma, a não ser que você fosse bastante popular ou jogasse no time titular de futebol americano da escola.

— Você é daqui da cidade então, Edward? Que estranho nunca ter esbarrado contigo... — Danielle perguntou, após se sentarem, deixando claro que tinha ouvido a conversa dele com Ashley.

— Sou. Só que estudei numa escola bem desconhecida e logo fui para Boston visitar meu tio. Lá eu meio que acabei preso com algumas coisas de família.

— É muita intromissão perguntar sobre isso? — quis saber Taylor.

— Não, tudo bem — o garoto suspirou — Foi uma bagunça em relação a quem ficaria com a minha guarda ou se eu gostaria de ser emancipado.

— Guarda? O que houve com seus pais? — perguntou Taylor, não tentando mais conter a curiosidade ou manter a polidez.

— Eles não estão aqui — ele respondeu dando um leve sorriso — Estão no céu, eu acho — confidenciou o garoto olhando para ambas com semblante triste.

— Sinto muito. Eu te entendo — continuou de um jeito bem carinhoso — Sei como é não ter mãe, então posso imaginar perfeitamente como é essa dor.

E mais uma vez, Edward sorriu.

— Você pode falar como eles faleceram? — continuou ela, agora com cuidado — Já digo que minha mãe se foi em um acidente de carro.

— Em um acidente de carro também. Estavam a caminho da casa de um amigo meu para me buscar — ele pareceu sem jeito, mas falou — Pode parecer bobagem, mas eu ainda acho que a culpa foi minha.

— Mas a culpa não foi sua, você não pode pensar assim... — Retrucou Danielle, tentando amenizar as coisas. Não sabia muito o que dizer em um momento como aquele.

— Eu até sei que não é, mas lá no fundo, ainda acho isso.

Ficaram em silêncio por um tempo, sem saber como continuarem o assunto com uma atmosfera tão pesada. Porém, logo Taylor levantou-se depressa, sorrindo.

— Vou pegar um sanduíche para mim. Vocês querem? — ofereceu, resolvendo mudar de assunto para fazê-lo esquecer daquilo tanto quanto fosse possível.

— Quero um de queijo — responderam Danielle e Edward em coro e ela se foi.

— Desculpe pelas perguntas, é que somos curiosas, sabe — pediu Danielle.

— Tudo bem. Foi menos difícil que imaginava.

Taylor voltou com os sanduíches e os distribui sobre a mesa.

— Edward, eu preciso que fazer essa pergunta... — disse ela dando uma mordida em seu sanduíche.

— À vontade — respondeu o garoto, também já comendo.

— Seus olhos, você realmente não usa lentes?

— Não uso, são herança do meu pai — ele engoliu um pedaço — Pergunta por eu ter olhos claros?

— Sim, sempre me perguntam se tenho algum problema de visão por ter olhos verdes. Mas somos exceção — olhou para Danielle. — Te perguntam isso também?

A garota respondeu com um movimento de cabeça, pois estava comendo.

— Você tem irmãos?

— Não, sou filho único.

— Nós também — respondeu Danielle olhando para Taylor para ela perceber o porquê dizer isso. Ninguém precisava saber que ela tinha um irmão psicopata atrás dela.

Edward se despediu das garotas, agradecendo por terem o ajudado na adaptação.

Taylor foi para casa de Danielle, o que fazia de vez em quando.

— Tay, agora que eu percebi — disse ela quando Taylor saiu do banho, a toalha enrolada no cabelo — Consegui ficar quase a aula inteira sem pensar no meu irmão.

— Também... Só pensou no Edward — disse rindo

— Para! — retrucou Danielle, mas estava rindo também, indo para o banheiro para também tomar um banho.

No banho, como de praxe, pensou na vida. Pensou que talvez tivesse se apaixonado à primeira vista por Edward, porque o que estava sentindo era algo muito forte. Ou talvez não tivesse sido à primeira vista, já que tinha a impressão de ter cruzado com ele em algum corredor no começo do ano letivo.

Adiantaram as tarefas da aula do dia seguinte praticamente em silêncio, pois a matéria vinha ficando mais difícil no decorrer do ano. Quando Taylor se ajeitou para ir embora, brincou de novo:

— Vou deixar você ficar pensando no Edward sozinha.

— Você acha mesmo que eu gosto dele? — perguntou Danielle tentando fingir que a amiga não a conhecesse tão bem assim.

— Não, imagina — a outra garota revirou os olhos.

— Não vou conseguir te convencer do contrário, não é?

— Não. Você está gostando dele e ponto final.

Danielle abriu a porta da frente e esperou Taylor pegar o tênis para calçar. Resolveu se entregar:

— Okay, eu desisto.

— Você está gostando dele? — perguntou Taylor, alegre pela amiga e chegou a dar uns pulinhos.

Uma não conseguia mentir para outra por muito tempo.

— Acho que sim. É bem cedo para dizer o que estou sentindo — respondeu sorrindo, mas muito feliz com a possibilidade de aquilo dar certo, ainda mais depois da decepção que havia sido com Nolan.

— Você está apaixonada, Danielle! — ainda dando pulinhos, começou a fazer uma dancinha.

bem, estou — Danny rendeu-se o suficiente para rir.

Depois da amiga ter ido embora, passou boa parte do resto do dia pensando se deveria alimentar o sentimento que sentia. Queria conhecê-lo melhor, mas não sabia direito o que pensar, pois ele dispensara Ashley, a garota que nunca havia sido dispensada antes. Será que ele era comprometido? Havia deixado alguém em Boston?

Ouviu seus pais chegarem e foi conversar com Robert sobre Daniel; não tinha como evitar. Não importa quão animada estava com a ideia de ter um relacionamento e uma "vida normal". Ainda tinha um irmão que poderia matá-la.

— Você acha que ele vai demorar a vir? — perguntou.

— É algo que não consigo te responder — respondeu seu pai com sinceridade, sentando-se no sofá. Parecia cansado depois de ter passado o dia fora em seu trabalho completamente humano.

— Será que ele veio voando, de avião...?

— Acho que pela demora em ter notícias dele, pode estar descansando para poder voar. Ou foi para onde morávamos.

— Casper? Isso pode ser problema para quem mora lá? — indagou Danielle, com medo de quem morava lá na época que Casper era seu lar.

— Se ele estiver lá, teremos notícias. Nesse caso, pode ficar tranquila. E acho que é impossível saber que estamos aqui.

Danielle hesitou sobre a ideia em falar de Edward para seus pais, mas o fato de ter entrado um garoto novo na escola era irrelevante para os adultos. Talvez se Edward virasse algo para ela, poderia falar sobre ele em casa.

Quando foi dormir, pensou em como seria bom poder sonhar com ele naquela noite.


Boa noite meus fantasmas!

Capítulo inteiro postadinho para vocês! O que acharam do Edward? 

Saudade de vocês! Vou tentar postar mais alguma coisa até semana que vem <3

Beijos e até a próxima

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top