Capítulo 13 - Medos

22/03

— Ainda estou com algumas dúvidas — voltou a sentar-se no sofá, ainda sonolenta.

O cochilo ajudara Danielle a colocar suas ideias no lugar, absorvendo as novas informações adquiridas e comparando com o que acreditava saber, inclusive sobre seu irmão.

— Pode perguntar o que você quiser — respondeu seu pai — Mas antes quero entender o que você disse antes: Como assim você acha que ouviu a voz dele ontem? E que outros sonhos você já teve dele?

Danielle ficou sem jeito, pois forçara a se convencer que tinha sido apenas delírio enquanto estava doente. Mas agora tudo havia mudado.

— As vozes... — murmurou, incerta sobre a melhor maneira de contar — Eu achei que fosse tudo alucinação sabe?... Eu estava me sentindo febril, com dor de cabeça... Achei que tivesse imaginado tudo aquilo, mas, agora que você falou sobre ele, sei que foi verdade, que aconteceu.

Robert ficou quieto por um tempo, tentando entender como aquilo era possível.

— Você lembra o que essa voz te disse?

— Foi algo como "Não aguento mais isso" e "Tenho que sair daqui" — só de lembrar, já causava arrepios — Mas por que quer saber...

— Ele falou algo exatamente como isso quando fugiu ontem...

Danielle só precisava daquela confirmação para sentir-se mais tranquila, mais dona da própria mente.

— Eu... Eu não estava delirando... Era tudo verdade?

— Ele realmente disse isso... — seu pai respondeu sorrindo, entendendo como ela se sentia.

— Okay, se for verdade mesmo, por que eu sou capaz de ouvir a voz dele na minha cabeça?

— Vocês são gêmeos. A ligação entre gêmeos é sempre muito forte, em gêmeos fantasmas, mais ainda.

— Por que só agora? E... Então isso explica os outros sonhos... Eu sei o que ele passou quando ele foi preso, o quanto ele sofria... — começou a ficar angustiada — O Natal e a cesta, o seu aniversário com um cartão... Seus sentimentos... — apertou os dedos nas têmporas, lembrando-se da voz do irmão, pedindo ajuda para sair, querendo apenas estar fora daquele lugar horrível. Lembrou-se de ele sofrendo, da voz rouca falando Feliz Natal e desejando um Feliz Aniversário a si mesmo, como o Harry em A Pedra Filosofal.

— Eu não sei, Danielle... — Robert pareceu tão angustiado quanto ela — Você já tinha sonhado com ele antes?

— Não foi você quem deu a ele uma cesta de Natal e um cartão de aniversário? E pensar que eu acreditei que o sonho fosse por ser também o meu aniversário! Minha psicóloga teve tanto trabalho comigo... — Danny soltou os dedos emaranhados agora no próprio cabelo — Como pôde aguentar ver seu filho em um lugar tão horrível?

— Foi difícil vê-lo daquele jeito — respondeu com uma sinceridade dolorida — Só posso imaginar você tentando entender tudo aquilo, acreditando que eram sonhos — ele parecia preocupado.

— Mas era eu vendo as coisas através da visão dele.

Fizeram uma pausa. Danielle pensou em contar sobre o acidente da escadaria e sobre o homem que seu irmão matara. Mas desistiu, seu pai deveria saber de tudo mesmo. Isso não acrescentaria nada.

— Aquele quarto de visitas perto do meu, seria o quarto dele?

— Sua mãe comprou esta casa na esperança de que ele retornaria algum dia — respondeu Robert bebendo um gole do café já morno.

— Como Daniel está fisicamente hoje em dia?

— Ele era muito parecido com você: olhos azuis, cabelos escuros... Mas agora eu não sei dizer — a sua expressão mostrava que realmente ele não sabia.

— Como não sabe? — quis saber achando impossível ele não saber, pois o visitava.

— Bom, para poder não ser descoberto, ele deve ter mudado a sua aparência. Pode ter pintado o cabelo, ter ficado loiro, pode estar usando disfarces.

— Você acha mesmo que ele pode ter mudado radicalmente a sua aparência?

— É uma possibilidade. E, na última vez que o vi na prisão, ele já tinha mudado um pouco. Estava mais magro e abatido.

Ela pensou em como era doloroso para Robert ver seu filho assim, um fugitivo de prisão, e em como ele pôde simplesmente esconder tudo isso dela.

— Então, por que ele ficou assim? Daniel já não gostava de mim desde quando éramos pequenos? — perguntou olhando para ele.

— Não — uma nostalgia o invadiu, pensando nos filhos quando crianças — Vocês se davam muito bem quando pequenos. E vocês foram um bom exemplo de que irmãos gêmeos possuem realmente algum tipo de ligação especial, pois estavam sempre juntos, como se ouvissem os pensamentos um do outro e já soubessem o que cada um queria.

Era impossível ela não acreditar nele, as provas estavam aí, nos sonhos, em ainda ser capaz de ouvir a voz de Daniel.

— Por que então ele mudou? Ele não estava se dando bem nesse internato onde estava?

— Estava realmente tudo bem, mas pelo o que deu para entender, ele ficou com ódio quando percebeu que ele também tinha poderes e que poderia ter vivido aqui, nós todos juntos...

— Ele deve ter achado que era culpa dele a nossa família ter se separado. Ou melhor, ele achou que a culpa era minha.

— Pode ter sido isso mesmo. Como falei: não tem como saber o que se passa na cabeça dele o tempo todo.

— Nessa escola, ele tinha amigos? — "Tudo teria sido ainda mais difícil se ele fosse solitário", pensou Danielle.

— Tinha sim. Ele tinha que dividir o quarto com outro garoto e lá eles ficam com o mesmo colega até terminarem de estudar. Presumo que eles eram amigos.

— Você sabe qual era o nome desse garoto? — perguntou enquanto pegava uma almofada para deitar, de novo.

— Sim, era David Baker.

Seu pai voltou a ficar mais sério e urgente, desejando que ela entendesse.

— Danny, minha filha, você tem que entender que eu só fui embora porque alguém tinha que ficar com o seu irmão, ele não podia ficar sozinho em outro país. Fui o tutor dele.

Danny, por sua vez, assentiu. Entendia tudo aquilo, sim, mas o sentimento de traição seria sempre forte.

— Vocês estavam na Inglaterra, não é?

— É, na Inglaterra que vivemos esse tempo todo, e é por lá que fica a prisão.

— Você acha que vai demorar muito tempo até ele aparecer por aqui? —indagou lentamente, pois não queria pensar muito nisso. Estava com medo de Daniel.

— Não sei bem, pelo que os guardas disseram, pela maneira com que ele fugiu e por ter seus poderes há pouco tempo, ele deve voltar a poder se movimentar só amanhã, e ter seus poderes completos de volta em até uma semana, isso se ficar em repouso absoluto.

Danielle se sentou rapidamente, tentando imaginar o que Daniel teria sido capaz de fazer para ficar sem energia por tanto tempo.

— Se mexer só amanhã? O que ele fez para ficar tanto tempo sem forças?

— Bem — Robert pareceu inquieto — Ele conseguiu possuir alguém. Foi como saiu de lá, possuindo um guarda.

Primeiramente ela pensou que se tratava de outro poder óbvio de fantasma, possuir outros corpos. Sentiu medo pela capacidade de entrar no corpo das pessoas e poder controlá-las. Depois lembrou-se do guarda que seu irmão odiava. Teria disso ele o escolhido?

— Antes que você me encha de perguntas sobre isso, tem que entender que esse dom não é muito comum na nossa família. Já houve casos, mas são raros. Algo como um por geração.

— Como se treina possessão? Só por dúvida...

Ele fez um olhar incrédulo, depois acabou rindo da curiosidade da filha, pois sabia que Danielle era apenas curiosa. Jamais usaria algo como aquilo para o mal.

— Esse é o único poder que não podemos treinar sem antes ele ter aparecido. Você nunca voou, mas conseguiu treinar mesmo assim. A possessão é mais complicada, quando acontece pela primeira vez, você acaba possuindo acidentalmente outra pessoa. E só depois começa a treinar, geralmente possuindo outra pessoa — ele fez uma pausa. — Mais perguntas?

— Ele possuiu o guarda da ala 02?

Robert olhou para filha, ali estava a prova de que ela sonhara mesmo com Daniel.

— Foi. Você sonhou com isso?

— Sim, ele ficou bravo com esse cara e o puxou pelo colarinho do uniforme. Depois não vi mais nada.

— Foi isso mesmo que Adam, o guarda, relatou — Robert lembrou-se do depoimento do colega pós-possessão — Se você não estiver mais nenhuma pergunta, eu vou subir.

— Não, também vou — respondeu e os dois foram juntos ao andar de cima. Até Robert parar no meio da escada.

— Danielle, não conte nada disso a sua mãe.

— Nada sobre o Daniel? Por quê?

Achou errado ter que esconder isso da mãe, ela que sempre fez o possível para apoiá-la, mesmo quando não podia contar nada da verdade.

— Sua mãe sofreu demais com tudo isso. Foi quem mais sentiu a falta de Daniel. Ela sofreu tanto... — a dor que ele sentia era visível —... E sei que as suas feridas já cicatrizaram. Não quero que ela sofra novamente como daquela vez, é melhor deixá-la pensar que ele ainda está na Inglaterra estudando — ele foi na direção da filha, colocando a mão em seu ombro — Posso contar com você?

— Não posso — ela retirou bruscamente a mão de seu ombro — Não posso fazer isso com ela.

— Danielle... — pediu tentando por novamente as mãos em seus ombros, mas ela conseguiu esquivar descendo alguns degraus.

— Já disse que não posso fazer isso com ela! — exclamou se esquivando dele e conseguindo subir as escadas sem que ele interferisse.

— Por que você está fazendo isso comigo? — indagou, fazendo-a parar no último degrau.

Virando-se para ele, Danielle o olhou com pena e raiva.

— Porque foi por causa dela que te aceitei. Você pensa que é fácil pensar que seu pai está morto, e que as cinzas dele estão no mar que ele sempre admirava? E de uma hora para outra, descobre que é tudo mentira, tudo ilusão — conteve a vontade de chorar de raiva — Para descobrir ainda que ele ficou longe de mim por causa de um irmão gêmeo delinquente que descobrir ter. Foi por causa de um assassino que meu pai ficou longe de mim! — terminou de dizer e deu as costas para seu pai.

Danielle foi para o quarto o mais rápido que pode, para não deixar as lágrimas escaparem na frente dele, que apenas ficou quieto quando ela saiu. Acreditava que ele tentaria conversar com ela, mas isso não aconteceu.

No quarto, sentou-se no chão e segurou as pernas. A posição que usava para pensar. Recapitulou tudo o aconteceu naquela tarde. Ficou na dúvida entre falar a verdade para a mãe ou não falar para que ela não sofresse. Pesando o lado negativo e positivo, decidiu não dizer nada a mãe. Como seu pai havia dito, ela já sofrera demais, não precisava ter que lidar com aquilo agora. Era melhor a mãe acreditar no sonho encantado no qual seu filho estava bem no colégio interno.

Secou as lágrimas do rosto, levantou-se, e foi a procura do pai. Encontrou- abatido no quarto de seus pais. Talvez não devesse ter dito tantas verdades na cara dele de uma só vez.

Assim que Robert a viu, foi ao encontro da filha e abraçou forte, de um jeito que ela só se lembrava de ter sido abraçada quando era pequena.

— Desculpe por tudo isso, minha filha. Nunca quis que nada disso acontecesse — murmurou.

— Não se preocupe, eu não vou dizer nada a minha mãe — murmurou de volta, ainda no abraço — Vai ser difícil, mas sei que posso tentar.

— Obrigado — seu pai apertou o abraço e a soltou — De verdade, Danielle, desculpe por toda essa confusão que é a nossa vida.

Ela sorriu porque era exatamente o que pensava.

— Esqueça isso — respondeu — Eu só pensei no que eu sentia e não no que a minha mãe poderia sentir.

De volta ao seu quarto, observou mais uma vez a foto no porta-retrato na sua estante, do jogo de beisebol, tentando se lembrar daquele dia como ele realmente havia sido e não nas memórias criadas depois. Só então reparou que uma borda da foto estava rasgada. Tentou abrir o porta-retratos, mas não conseguiu. Não sabia que o fecho estava emperrado, de tantos anos sem mexer. Usou a intangibilidade para alcançar a fotografia, percebendo que ainda estava bem conservada. Virando-a, pode ver algo surpreendente:

, Daniel e Danielle.

Bem na sua frente, esse todo tempo, havia uma pista de seu irmão. Os nomes de seus pais haviam sido cortados da foto.

Queria ainda saber como ele estaria atualmente.

Deu um pulo ao ouvir sua mãe chamar lá da cozinha para que fossem jantar. Colocou com cuidado a foto de volta no porta-retratos e foi avisar o pai.

Quando se aproximou do quarto dos pais mais uma vez, lembrou de quando foi chamá-lo para jantar em outra noite e encontrara seu pai ao telefone. Será que já falava com Daniel na época?

Perguntou exatamente isso a ele.

— Estava perguntando se ele estava bem — foi a resposta de Robert.

Ela somente balançou a cabeça, em reprovação:

— Por que você não me contou dele naquele dia?

— Danielle, àquela altura, eu não sabia que ele conseguiria escapar da prisão em menos de um ano. Ninguém nunca fugiu de lá!

— Por quanto tempo ele ficou preso?

— Por volta de seis meses.

Danielle fez as contas e percebeu que batiam com as datas dos sonhos.

— E como é aquela prisão? Tudo que sei foi o que vi nos sonhos, mas como é de verdade?

Ele suspirou, pensando no que poderia ser dito a ela sobre a prisão Wraith.

— Lá têm pessoas como nós, em variados graus. Têm pessoas, por exemplo... — ele olhou para cima, buscando palavras. — Que só voam, ou só ficam invisíveis... não é todo fantasma que tem o pacote completo das habilidades, como você já sabe.

— Então só há fantasmas lá? E como eles conseguem prender pessoas que podem ficar invisíveis e atravessar as paredes? Como prender pessoas como a gente?

— Sim, é uma prisão apenas para fantasmas. E isso é um pouco complicado mesmo. As paredes são revestidas com óleo de uma planta venenosa para nós, as Rosas de Sangue, que, em pequena quantidade, nos impede de atravessar as paredes.

— Essas rosas têm por aqui perto?

— Não, essas rosas nascem somente no arquipélago em que fica a ilha da prisão. Dizem que o solo tem nutrientes que faz que elas sejam endêmicas de lá.

— E tem mais algum sistema de segurança? Porque, na verdade, pareceu bem fácil para o Daniel fugir.

— Em alguns casos, como no caso do próprio Daniel, existem aparelhos que conseguem perceber quando o fantasma usará seus poderes, e...

— ...E esses aparelhos dão fortes choques no prisioneiro — ela completou.

Ficou paralisada lembrando-se da sensação que tivera no sonho. O que parecia ser um choque era realmente o choque.

— Sim, você sonhou com isso também?

Ela apenas assentiu.

— Mas como são esses aparelhos? — indagou ainda impressionada com o que tinha acabado de ouvir e com a lembrança do sonho que tivera.

— São acoplados com as câmeras de segurança. São muito pequenos e ficam nos cantos da cela, sendo capazes de captar qualquer movimento de poder.

Victoria gritou novamente para que descessem para o jantar e ela foi, sem ouvindo direito o que os pais falavam, apenas pensando em como era ser um prisioneiro em Wraith: se ficavam todos em solitárias, se tinham visitas descentes e banhos de Sol. O último pensou ser impossível para quem voava.

Depois de um banho quente, foi dormir, ainda sem acreditar em tudo que ouviu naquele dia.

23/03

Dia do aniversário de Taylor, e os recém completados 15 anos a deixavam mais ansiosa ainda pelos seus poderes. Danielle desejou felicidades e entregou os presentes antes mesmo de irem para a escola. Algumas camisetas de estampas fofas, de ursos, unicórnios e doces. Não parecia, mas era a cara de Taylor.

Depois da aula, Danielle seguiu para casa de Taylor ver os presentes ganhos. O quarto dela estava repleto de livros, ursos de pelúcia e roupas, ganhos dos parentes dela que estavam no exterior, que a visitavam sempre que possível.

Taylor percebeu rapidamente que algo tinha mudado na amiga, só esperava o momento para conversarem.

— Danielle, aconteceu alguma coisa? Parece que você não está bem.

— Tá tudo bem Tay — disse sorrindo, enquanto se sentavam na cama.

O quarto era semelhante ao de Danielle, com pôsteres de outras bandas e de atores, alguns livros tinham em comum, e as paredes tinham tons de laranja. Logo entrando no quarto, a primeira coisa que se vê é um quadro dela com os pais. Ela ainda criança e sua mãe ainda viva. Clarisse era muito bonita, e Taylor era muito parecida com ela olhos verdes claros e cabelos loiros, sendo os cachos a única diferença.

— Sua madrinha veio aqui ontem trazer pela família inteira? — essa era a única maneira que Danielle pensou de fugir do assunto, desconversando.

— Não tente mudar de assunto, o que te deixou assim? Tem alguma coisa a ver com o que meu pai falou para o teu ontem?

— Meu pai me contou o verdadeiro motivo de ter nos deixado aqui sozinhas. Não sou filha única. Tenho um irmão.

— Ele ficou com outra mulher enquanto não estava aqui? Esse era o segredo que tanto escondia? — Taylor perguntou achando que era algo tão banal para ser excessivamente bem escondido.

— Não, tenho um irmão gêmeo.

— Sério? Mas, deve ser bom ter um irmão... — ela tentou contornar a situação.

— É, deve ser muito bom mesmo... Tirando a parte que ele acabou de fugir da prisão, é um assassino e quer me matar...

— Isso tudo é brincadeira? Não é?

— Não, eu não teria motivos para brincar com isso. O que eu disse a você é tudo verdade. Pelo menos foi o que meu pai disse e é o que acredito.

— Mas, como você sabe que é verdade?

— Eu tenho certeza que é verdade. Mesmo que pareça surreal. Os sonhos e as vozes...Meu pai disse que as vozes podem ser as do meu irmão, e que por sermos gêmeos temos uma ligação e tal. Eu acredito muito nisso. Tenho certeza que as vozes eram dele e que todos os sonhos que tive nos meses passados vieram da mente dele.

— Eu já ouvi sobre isso. A ligação entre os gêmeos. Mas você teve mais sonhos?

Danielle contou por cima sobre os sonhos no Natal, no aniversário, dele sendo preso, dizendo até que ele havia matado um homem em uma floresta. Assustada era pouco para descrever Taylor naquele momento.

— Então meu pai me disse que quando ele ia visitar o Daniel...

— Daniel?

— É o nome do meu irmão — sorriu por ter se esquecido de dizer o nome dele.

— Ah... Seus pais têm uma bela criatividade hein — e começou a rir.

Danielle bateu de leve no braço da amiga, rindo também.

— Quando Robert ia visitá-lo na cadeia, ele sempre estava sentado, encolhido no lado da cama e de cabeça baixa. Sua íris era avermelhada, e...

— Caramba Danielle, que medo! É muita coincidência!

—... E na prisão, ele não conseguia atravessar as paredes e nem as portas.

— Nossa! Ele tem poderes também?

— Agora sim. Na verdade, ele sempre teve, mas meu pai não conseguiu detectá-lo, e ele achou que Daniel não tinha poderes. Daniel e Robert foram para a Inglaterra e Daniel ficou estudando e aconteceu tudo isso que te contei

— Quando ele vai vir para cá?

— Não sei bem. Parece que, como ele fugiu, ele vai demorar um pouco para chegar. E ele nem sabe direito onde estamos.

— Como ele fugiu se não dava para atravessar nada lá?

— Possuindo alguém — disse dando um sorriso torto.

— Possuir? Como entrar no corpo das pessoas? — Danielle confirmou — Podemos fazer isso? — ela perguntou olhando seriamente.

— Não é muito comum na nossa família. É um poder raro. Mas parece que ele não poderá usar seus poderes completos por mais ou menos uma semana.

— Ele é forte? — indagou receosa.

Danielle somente confirmou com a cabeça.

— Tay, desculpa te preocupar assim logo hoje, no seu aniversário.

— Para com isso. Amiga é para essas coisas.

Danielle retribuiu com um sorriso, feliz em saber que tinha alguém para ajudar sempre. Alguém que poderia dizer que era sua amiga verdadeira.

Conversaram um pouco mais sobre isso, com Taylor afirmando que todos os poderes de Danielle valem a pena e que a culpa de Daniel ser assim não era dela.

Retribuiu as palavras de Taylor com um forte abraço. Ela era ótima em apoiar os outros, sabendo perfeitamente o que falar na hora que mais precisava.

Enquanto fazia algumas tarefas escolares, pensou que Daniel poderia vir atrás dela possuindo alguém, podendo vir com qualquer aparência. Como não ser pega por alguém que poderia fazer isso?

— Bem, quando uma pessoa possui alguém, os olhos do possuidor prevalecem. Se Daniel possuir alguém de olhos verdes, por exemplo, a pessoas ficará com os olhos do Daniel, ou seja, vermelhos — disse Robert calmamente. — Temos certa sorte por ele estar com a íris vermelha agora.

— Entendi. Ou ele aparece com olhos vermelhos, ou com lente de contato.

Robert concordou.


24/07/2019

Olá meus fantasmas! Como vão?!

Então, estou tentando aproveitar minhas férias para postar aqui.

Sei que sumi, mas foi uma correria com Faculdade, estágio...

Estou lendo e arrumando tudo para continuar a escrever, e esse capítulo mudou um pouco sim! 

Não garanto que vou continuar, pois semana que vem começa um novo semestre na Faculdade!

Gostou? Não esqueça daquela estrelinha fofa! E comentários!

P.S.: Para quem não viu, o Capitulo Zero será publicado! Novidades posto aqui!

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