Capítulo - 50
Any Gabrielly Urrea
Noah abre a porta e entramos e é como se fizesse anos que não vínhamos aqui. A casa está limpa, pois mesmo fora, Karina fez a limpeza todos os dias. Na mesa de entrada, há uma foto nossa, e pego o porta-retrato em minhas mãos, observando a foto. Eu estou no vestido de noiva e olhando agora, vejo como meu rosto de infelicidade e como as coisas mudaram e como eu mudei!
Observo Noah também e ele veste um terno preto e é óbvio que ele está mais sério que o normal. Ele se aproxima e pega o porta-retratos das minhas mãos e observa, esboçando um sorriso de lado em seguida. Põe a foto no lugar e fica a minha frente.
- Bem-vinda de volta! - diz.
- Bem-vindo de volta! - digo.
- O que acha de um passeio? - pergunta e eu sorrio pela familiaridade do momento.
- Acho justo! - respondo e saímos, sem nem ao menos descansar. Eu deveria estar nervosa, e desconfortável, mas sei que ele não me deseja mais e isso me entristece, mas me deixa calma.
Saímos e ele dirige por alguns minutos e só há o som do vento por todos os lados. Chegamos a um jardim e na entrada, há um vendedor de flores, onde ele compra dois buquês de rosas e me entrega um. Sorrio, mas sei que não são para mim!
Andamos um ao lado do outro e em silêncio e logo, vejo o espaço de minha família. Caminho até a primeira placa e coloco as flores. É onde minha mãe foi enterrada! Passo a mão pela foto e sorrio... havia tempos que não me lembrava tão claramente de seu sorriso.
- Você sente falta dela? - pergunta sério e eu continuo abaixada, ao lado do túmulo.
- Todos os dias! - respondo - Você tem sorte de ainda ter a sua mãe. E falando nisso, devo desculpas a todos.
- Você foi grossa com eles, mas foi libertador... e necessário! - diz. Me levanto e ele me entrega o outro buquê de flores e caminho até o túmulo de Eliott e deposito as flores. Vejo ali também a foto de meu primo e me emociono, pois era como um irmão para mim. De toda a família de mamãe, ele era o último! Me levanto e Noah encara o túmulo, muito sério.
- Você sente falta dele? - pergunto.
- Ele foi o meu melhor amigo! - diz e suspira, mas não deixa que sua tristeza fica óbvia - Eu sinto falta dele todos os dias. - fala e abaixo os olhos. Vendo sua mão livre e eu a pego, apertando em um gesto de conforto, mas soltando em seguida.
- Acho que já deu de coisas tristes por hoje. O que acha? - pergunto.
- E o que você propõe?
-O Clubbienys? O que acha?
- Você nos Clubbienys?! - pergunta - Ok!
Vamos até o bar e pedimos algumas bebidas. Eu não peço nada forte e Noah, como sempre, pede o melhor Whisky. Nos mantemos na área VIP, até porque, Noah é amigo do dono e tem a carteirinha de cliente especial.
Um tempo se passa e sinto uma mão em meu ombro e uma voz familiar. Viro-me para trás e vejo Jean que me abraça e o abraço de volta.
- Any, por onde você andou? - pergunta.
- Eu estava com minha família, depois eu viajei. Eu conheci o Brasil! - digo.
- Uau! Que incrível. - diz Jean - Da próxima, poderíamos ir juntos. Sou louco para conhecer as praias do nordeste brasileiro.
- Que inconveniente, Jean... não vê que foi uma viagem de casal? - ouço a voz e sei que é Pedro - Oi Any!
- Oi Pedro. - digo tímida - Como está?
- Muito bem! - diz - Pelo visto, você é quem não está muito bem.
- Eu estou muito bem! - digo - Onde estão as meninas?
- Helen está na pista de dança. Carla não veio por conta de Isis. - diz Jean - Falando nisso, você já a viu depois que voltou?
- Ainda não. Eu voltei hoje! - digo.
- Então vamos comemorar! - diz Pedro e ele já está alterado - Vem! - ele pega minha mão - Vamos dançar!
- Eu não sei dançar! - digo e puxo minha mão gentilmente.
- Não sabe ou é o ''seu dono'' quem não deixa, Any? - Pedro diz e vejo que ele fala, mas não olha pra mim, mas sim para algo que está atrás de mim. Me viro e agora entendo o comentário.
- Boa noite! - diz Noah com a voz grave, cumprimentando Pedro e Jean e permanecendo atrás de mim. Ele abaixa o rosto lentamente e sua boca de aproxima de meu ouvido e ele sussurra: - Pode dançar com seu amigo. - diz e a última palavra ele fala olhando para Pedro.
- Eu não sei mesmo dançar. - digo nervosa pela situação - Noah, vamos? Está tarde e eu estou cansada.
- Tem certeza que não quer ficar mais um pouco, ou dançar com seu amigo? - pergunta.
- Tenho sim! - me viro em sua direção - Meninos, mandem um beijo para Helen, por favor! E eu vejo vocês na segunda.
- Você não vai com a gente na festa dos novatos? É na sexta. - Pedro questiona e eu só quero sair logo daqui.
- Eu não sei. Eu ligo para confirmar. - digo e me viro - Tchau meninos!
Noah pega minha mão e vamos para o lado de fora da boate e respiro aliviada quando saímos e aquela situação de tensão acaba. Noah me olha estranho e entramos no carro e seguimos para casa, em silêncio.
Entramos e ainda estamos em silêncio, até que ele quebra.
- Você se divertiu? - pergunta.
- Sim! - digo - E você?
- Também! - responde.
- Que bom!
- Que bom! - repete o que eu disse.
- Tá! - digo - É... boa noite!
- Boa noite, Any! - diz e eu começo a subir as escadas e ele permanece parado, no mesmo lugar, com as mãos no bolsos, me observando subir, mas paro imediatamente quando ouço sua voz - Ei, só mais uma coisa...
- O quê? - pergunto e me viro e ele sai do lugar, indo até uma gaveta e tirando uma pasta preta de lá e me estende a mão, segurando a pasta. Fico parada por alguns segundos o observando e desço novamente os degraus, ficando parada em sua frente - O que é isso?
- Leia quando chegar lá em cima. - diz - Considere um presente de casamento.
- Presente de casamento?
- Na sexta, faz um ano que nos casamos.
- Oh!
- E se você quiser, pode ir à festa... - diz e me olha - E se conhecer alguém que goste, não se preocupe. Não a proibirei de viver a sua vida e nem de trazer alguém para casa e para seu quarto. - diz e eu o encaro incrédula, mas ele não diz mais nada e sai da minha frente, entrando em seu quarto e me deixando perplexa.
Fico parada alguns segundos antes de subir para o meu quarto. Entro e sento-me na poltrona, com a pasta na mão. Ao abri-la, vejo alguns papeis e começo a ler. É o divórcio!
Há a assinatura de Noah nele e o espaço para meu nome está em branco.
Na parte de trás, há uma folha com algumas instruções e esclarecimentos. Começo a ler e vejo que ele assumirá o valor da multa de rescisão do contrato e eu nem posso acreditar. Com uma única assinatura, eu serei livre.
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