Capítulo - 48

Noah Urrea

Como é que diabos aquela garota pode ser vigem? Minha cabeça está um caos e eu tento focar meus pensamentos no como eu posso arrumar essa situação, mas minha mãe está inflexível!

Estou furioso! Estou furioso com ela por nunca ter transado, por ser tão pura e por não ter me contado todas as vezes que eu tentei foder com ela. Eu poderia ter a machucado tantas vezes. Me sinto culpado e mal, como um pervertido tentando corromper uma boa moça de um convento. Depois de descobrir que ela é virgem, algumas coisas começaram a fazer sentido e me sinto um imbecil, tarado que não pensava em nada, além da vontade de estar dentro dela. Como é que eu não percebi? Como é que essa possibilidade não passou em minha cabeça ao longo de quase um ano? Mas como eu poderia imaginar que uma mulher como ela fosse virgem? Olhando agora, ela deu tantos sinais... era óbvio que aquela inocência que reluzia nela era genuína. Não era um personagem! Era ela, na sua mais pura imagem. Era ela, na imagem de uma mulher que não conhece o prazer de ser tocada e devorada de dentro para fora.

Não durmo por toda a noite pensando em uma solução cabível, mas está difícil! Se ela tivesse transado ao menos uma vez, isso não seria problema, mas o médico foi muito claro. Ela nunca, em toda a vida, fez sexo. Nunca esteve com alguém. Nunca soube o que é ser preenchida e amada, da forma mais primária e primitiva existente.

Como é que ninguém nunca a tocou? Como pode ela ainda ser intacta? Como é que alguém nunca a olhou e pensou em amar cada pedaço daquele corpo? Me levanto e vou até seu quarto e ela ainda está acordada.

- Você pensou em alguma solução? - ela me questiona e eu mal consigo olhar para ela.

- Na verdade sim. - digo e me sento na cama, enquanto ela está sentada a beira da janela - Tem outras formas de romper um hímen sem necessariamente estar transando. Eu imagino que você não queira fazer de qualquer jeito. Se evitou o sexo até hoje, deve ter suas razões. - digo e ela não me encara e me sinto mal por ser eu a estar falando isso. Sou eu que tentou corrompê-la. Sou eu que estou falando essas coisas pra ela.

- Eu não entendi. - ela diz, quase em um sussurro, mostrando toda sua inocência.

- Masturbação. - digo - É simples! É só você fazer movimentos mais fortes e um pouco mais fundo. Se for possível, tente por mais um dedo dentro de você. - ela me olha nervosa e sua boca seca, olhando pros dedos em seguida, como quem imagina a situação e está aflita - O que foi? Qual é o problema?

- Eu... é... eu.... - trava e está mais tímida que nunca.

- Você não se toca! - não preciso nem da confirmação, o olhar já diz tudo - Que grande merda! - falo baixo pra mim mesmo. É até pecado essa menina nunca ter tido um orgasmo.

- Eu nem sei como fazer... eu não sei como começar... eu... eu não sei! - ela treme e começa a chorar compulsivamente e eu sei que ela tem graves problemas com ansiedade.

- Fica calma... - digo tentando manter o controle - Eu posso fazer isso!

- O quê? - pergunta e arregala os olhos.

- Eu imagino que você tenha suas razões e eu não as entendo. Mas não é só sua família que vai entrar em conflitos se a mídia descobrir que a princesinha é imaculada. - digo grosseiramente e me arrependo. Não me conformo com a situação - Desculpa! Não está sendo nada fácil para mim também. Não era uma revelação que eu estava esperando. Eu tinha uma imagem de você e acabei de descobrir que não fazia sentido.

- Faça o que tem que fazer...eu não vou prejudicar minha família mais do que já prejudiquei! - diz e olha para mim, ficando de pé, me aproximo - O que eu devo fazer?

- Só me diga quando parar! - digo e ela concorda e a guio para que se sente na borda da cama e eu fico de joelhos em sua frente e ela está nitidamente nervosa. Deixo que minhas mãos entrem por sua saia e tiro sua calcinha, passando pelas coxas e em seguida, tirando pelos pés, enquanto ela permanece com a saia. A empurro e faço com que ela deite as costas no colchão e assim ela faz. Me deito ao seu lado e me apoio no cotovelo para ter uma melhor flexibilidade.

- Você... você acha que vai doer? - pergunta nervosa e suas mãos estão geladas e é claro que está com medo.

- Eu não sei..., mas se eu te machucar, peça, que eu paro! - digo e ela concorda com a cabeça. Houve tantas chances para que isso acontecesse e agora, vai ser assim. Levo minha mão até sua entrada e ela permanece parada, olhando para o teto e ameaçando chorar a cada dois segundos - Você precisa relaxar... se continuar tão tensa, nem ao menos um dedo vai ser capaz de entrar em você. - forço um dedo para dentro, mas ele não entra para seu interior e ela aperta os olhos - Você não está pronta pra isso, está?

- Não..., mas agora, não é uma questão de estar ou não estar. - responde.

- Eu acho que você não deveria fazer isso! - digo - Quem sabe você não encontre um cara legal que possa te fazer querer fazer isso?

- Em vinte e um anos, só uma pessoa me fez querer fazer e foi você! - confessa.

- Pelo visto não é mais assim! - digo - Eu nunca transei com alguém como você. Na verdade, você é a única virgem que eu conheci ou que tive interesse. Isso é um pouco estranho no mundo que vivemos.

- Alguém como eu? - pergunta - E como pode ter tanta certeza?

- Sem nenhuma experiência... - digo - E sei porque transei com todas - digo e ela se cala - Não vai acontecer, Any!

- Precisa acontecer! - diz e se levanta, passando as mãos na saia - O que eu fiz de errado?

- Nada, você não fez nada de errado... eu é quem não estou sabendo lidar com essa situação. - digo - Você merece bem mais que isso! Você esperou demais pra que sua primeira vez acontecesse desse jeito.

- Viu? Era por medo disso que eu não lhe contei. - diz e chora - Era por medo da rejeição, de ser abandonada, de você não me querer ou me achar infantil e ridícula. Por isso eu não contei! Porque eu sabia que você não ia ficar satisfeito em saber que se casou com alguém como eu.

- Se você tivesse me contado, as coisas teriam sido diferentes. - digo com raiva - Eu não vou dizer que eu não ficaria assustado no início, e acharia normal, mas eu jamais teria te rejeitado. Eu teria feito um jantar, teria levado pra passear, preparado tudo e antes de fazer amor com você, eu teria beijado cada pedaço do seu corpo e te feito relaxar para que você pudesse ficar calma e não sentisse dor... eu não teria pensado que você estava brincando comigo e testando os meus limites. Porque sim, foi isso que eu pensei!

- Eu sinto muito! - diz.

- Eu vou dar um jeito, tá bom? - digo e ela me olha, enquanto fecho a porta do quarto e saio.

Any Gabrielly Urrea

Me sinto uma idiota! Me sinto uma fracassada e é de fato isso que eu sou! Por que nada dá certo? Por que eu não me entreguei quando tive a chance? Por que tudo que temi aconteceu? Tive meu coração partido, e depois fui rejeitada pelo o único homem que amei na vida.

Sento-me na cama e me coloco a chorar, deixando que barulho nenhum saia de minha boca, mas é quase impossível. Abraço o travesseiro e choro alto, como uma criança que se sente perdida e é exatamente isso que eu sou.

Me levanto rápido e desajeitada quando ouço a porta sendo aberta e é Noah. Ele fica em minha frente e me olha nos olhos desesperado e aflito.

- Vamos embora! - diz e pega em minha mão - Arrume suas coisas, só leve o necessário! Estamos indo agora mesmo. É o que deveríamos ter feito desde os problemas com meu irmão.

- Sem nos despedir?

- Sem nos despedir! - diz - Precisamos ganhar tempo e faremos o que terá que ser feito, mas hoje não. Não aqui, nessa casa, nessa situação.

- Tudo bem! - digo com o coração disparado - Vou pegar minhas coisas. - digo e começo a arrumar algumas poucas coisas e colocá-las nas malas.

- Leve roupas leves. - diz - E não precisa de muitas.

- Mas em casa faz frio. - digo.

- Não vamos para casa. - diz - Nós vamos para o Rio de Janeiro!

- Para o Brasil?

- Para o Brasil! - diz - Conhece o Brasil?

- Nunca sai do país. - respondo.

- Mais uma primeira vez para minha conta. - diz e coro violentamente, mas ignoro esse detalhe.

Saímos da casa de meu pai pelos fundos e pegamos um táxi até o aeroporto e todo o caminho é feito em silêncio. Lá, pegamos o avião e a viagem é longa, mas chegamos e observo o céu azul desde o primeiro minuto que desço do avião. Observo tudo como uma criança pela primeira vez na Disney e ao sairmos do aeroporto, indo em direção ao estabelecimento que aluga carros, vejo o mar e é o mais azul que já vi em minha vida. O cheiro de liberdade invade meus pulmões e sorrio internamente. Noah me observa e me recomponho de minha admiração.

Alugamos uma Fiat Toro vermelha e de vidros escuros e seguimos até o apartamento. Ele é espaçoso, mas só há dois quartos. A vista é de tirar o fôlego e a brisa quente e aconchegante bate em meu rosto, me fazendo respirar aliviada, mas me lembro que saímos escondidos e há sessenta e uma chamas perdidas em meu telefone. Começo a escrever e pensar em alguma desculpa para dar, mas não penso em nada. Noah fica de pé ao meu lado e me observa com o celular na mão.

- Está tudo bem? - pergunto.

- Sim, está! - diz e continua olhando para o horizonte - O apartamento está alugado por um mês.

- Um mês?

- Não se preocupe! Voltaremos a tempo para suas aulas. - diz e confirmo com a cabeça - Como pode? - ele pergunta, mas tenho certeza que não é direcionado a mim.

- Como pode...?

- Você é estranha... diferente das outras pessoas! - diz e ainda não me olhou.

- Estranha? - pergunto e passo a mão pelos cabelos.

- Sim! - diz - Uma universitária virgem e casada com um promíscuo.

- Oh!

- Entrou virgem na faculdade. Provavelmente, sairá virgem. Se casou virgem e se manteve pura durante todo esse tempo. - diz e me olha - Não entendo!

- É, eu também não! - digo e desvio o assunto constrangedor - Precisamos dar notícias!

- Você não perdeu mesmo o costume de ser tão certinha, não é mesmo? - diz bravo.

- E você de ser arrogante! - digo e começo a digitar uma mensagem para Catarina.

Cat, por gentileza, avise a papai e a Ângela que está tudo bem.? Noah teve uma viagem de última hora e eu vim com ele. Passamos muito tempo longe um do outro e optamos por uma ''segunda lua de mel''. Estamos bem e voltaremos em breve. Amo vocês e se cuidem!

- Any e Noah.

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