5 - UM MONSTRO EM MINHA VIDA
Any Gabrielly
Estou pronta! Pronta para ser levada ao matadouro. Estou pronta para ser entregue de mão beijada para uma família de crápulas. Estou pronta para ter em meu nome, um sobrenome do qual tenho nojo e repulsa. Estou pronta para me calar e entregar minha vida, meus planos, meus sonhos para o vento e vê-los sendo totalmente destruídos. Estou pronta para fingir ser alguém que não sou. E estou pronta para ser dele... NOAH URREA! Na verdade, eu não estou... eu estou sendo obrigada a estar.
Ainda não acredito que minha família me obrigará a casar com aquele monstro! Eu estou desesperada. Aquela família é má! A fama de crueldade é extensa. Eu não posso ficar quieta! E hoje é a minha chance de escapar e eu faço qualquer coisa para ter minha liberdade, nem que seja, voltar para aquele colégio sujo e ficar confinada.
Estou tão perdida em meus devaneios, que não vejo Cat se aproximar. Me sinto sufocada desde o momento que pisei meus pés novamente nessa casa e isso é estranho. Será que nunca mais terei minha liberdade?
- Amiga, você está incrível! - ela diz - Vamos? Seu noivo já está aí. - fala com entusiasmo.
- Meu noivo?! - pergunto com a voz carregada de ironia e tristeza - Não quer dizer, meu dono, Catarina? - estou quase chorando novamente - É quase uma venda esse casamento! Minha família está me vendendo por sucesso nos negócios. - falo engolindo o choro - Eu sou quase uma prostituta!
- Uma prostituta cabaço? - ela pergunta sorrindo e vê que não gostei da brincadeira, pois não estou no clima - Não fale assim, baby! Tudo vai ficar bem. Você vai se divertir!
- Me dê mais alguns minutos. Já estou indo! - peço e ela atende meu pedido.
Eu tento pensar que de fato, tudo ficará bem, mas a quem eu estou querendo enganar? Eu sei que não há chances de isso dar certo. Eu não quero que dê certo! Essa possibilidade é inexistente.
Eu tinha apenas dezesseis anos quando minha mão foi dada à Noah Urrea, o melhor amigo do meu irmão e herdeiro das empresas Company Urrea.
Ele era mais velho, já estava com a vida encaminhada e era um homem de várias mulheres... e eu nunca me importei com isso. Já perdi as contas da quantidade de mulheres exuberantes que já vi ao seu lado. Todas extremamente bonitas e ricas.
Noah tinha vinte e cinco anos na época em que ficamos noivos e foi extremamente bizarro.
Meu irmão Arthur foi noivo de Sophie, também uma Urrea. Sophie foi adotada pelo Sr. Berg Urrea e pela Sra. Ângela Urrea quando ainda era um bebê. Ela cresceu como irmã de Noah e Richard, mas as coisas mudaram... e mudaram muito!Tudo naquela família soa estranho.
Sophie ficou noiva de Arthur e mostravam-se ter uma boa relação. Eu lembro de como eu gostava dela e seus cabelos loiros platinados... era como uma irmã mais velha para mim! Eu a adorava! Até o dia que a bomba estourou na família Urrea e atingiu a nossa família com força total.
Richard e Sophie que foram criados como irmãos, eram amantes! Me lembro de Arth ficar arrasado. Ele a amava! Eu nunca havia visto meu irmão tão triste, desde a morte de nossa mãe. Isso me fez odiar Sophie! Eu a odiei porque ela fez meu irmão sofrer... e agora, ele que me entrega em uma bandeja e contrato ao sofrimento e infelicidade. Eu sou mesmo uma boba!
E foi aí, com essas descobertas e separações, que meu inferno começou:
Com o início do relacionamento de Sophie e Arth, as famílias se empolgaram. Fizeram negócios e junções empresariais. Muito dinheiro envolvido, burocracia e outras coisas das quais não compreendo, mas tentei. Apostaram tudo naquele relacionamento, que acabou em tragédia.
Com o rompimento do noivado de Arthur e Sophie, os planos das famílias seriam desfeitos. Então, eu e Noah entramos na história.
Eles não pediram nossas opiniões, não nos chamaram para uma conversa. Nada! Simplesmente, fizeram o compromisso e nos fizeram assinar. Eu questionei e por isso, fui mandada para um colégio interno, mas Noah nem ao menos, quis lutar. Covarde!
- Eu deveria ter fugido, quando tive a chance? - penso comigo mesma.
Meus pensamentos me levam para um lugar que me assombra, até que, eles são interrompidos e passa de um pensamento ruim, para uma terrível realidade com nome e sobrenome.
Eu não gostava de Noah e para ser sincera, eu tenho medo dele! Mas Richard... Richard me causava um terror inexplicável! Richard me trazia repulsa! Me causa sentimentos terríveis, ao qual não consigo defini-los, e me fazia ficar alerta sempre que estava por perto. Perigo! Tanto Noah, quanto Richard, só trouxeram desgraça e tristeza para minha família.
- Querida Any! Como está minha cunhada?
Eu reconheço essa voz... inferno, é Richard!
Eu tento ignorar e respirar o mais fundo que posso, mas meu coração acelera de uma forma descontrolada que eu engulo seco e só respondo:
- Estou bem, obrigada! - não falo mais que o necessário.
- O internato te fez bem, querida. Você está belíssima!
- Obrigada! - digo e me levanto - Eu preciso ir, me dê licença! - digo, passando pela porta, para sair, mas Richard segura meu braço com força e me olha feroz.
- Richard, me solte! - peço - Por favor!
- Calma, cunhadinha! - ele fala lento e sinto seu hálito em minha face - Eu só quero lhe dar um pequeno conselho... não é isso que fazem as famílias?
- Richard, por favor! - minha voz sai como um sussurro - Minha família já me deu todos os conselhos possíveis.
Ele sorri e aperta minhas bochechas com força, passando o polegar por meu lábio inferior e a lateral de meu rosto com os outros dedos nojentos.
- Eu sei o que você pretende fazer lá embaixo, lindinha, mas não faça! - como ele pode saber? - Isso pode estragar os negócios das nossas famílias e eu posso com toda certeza... e vou... e com muito, mais muito prazer... estragar essa tua boquinha linda! - fala forte e sinto seu hálito quente no meu ouvido - E você não quer isso, não é mesmo... cunhada? -diz a última palavra a destacando.
Nesse momento, ele põe sua mão por dentro de meu cabelo e inclina mais minha cabeça me forçando a olhar dentro de seus olhos.
- Você é uma garota ingrata, Any! Agradeça aos céus pelo seu compromisso ser com meu irmão e não comigo. Eu acabaria com você, gatinha! De todas as maneiras imagináveis. - Ele lambe o lábio e abre um sorriso - E se isso não é motivação suficiente para você, saiba que se você abrir a boca pra falar qualquer coisa que nos prejudique, os prejudicados serão vocês e eu posso garantir isso... Não se esqueça do que aconteceu com seu primo Elliot! Não quer ter o mesmo fim que ele teve, quer?
Sorri e aperta meu pulso e com a outra mão, ergue meu queixo.
- Eu mato seu pai, depois mato seu irmãozinho de merda e por último, Catarina. Mas antes, eu a pegaria de jeito. A mostraria o que é prazer de verdade, assim como seu irmãozinho fez com a minha Sophie... e não seria sacrifício algum te dar uma lição parecida, garotinha! Eu já até imagino como é foder você... - fecha os olhos, lambendo os próprios lábios - Deliciosa! Foder você até que você peça para parar. Adoraria marcar você!
- Me solte, por favor! - peço com lágrimas nos olhos. Nunca senti tanto medo. Nunca ouvi palavras tão sujas direcionadas a mim.
- Estamos entendidos, Any? - ele pergunta apertando ainda mais meu rosto.
- Sim! - Meu coração já teria saído pela boca ele não estivesse apertando meu rosto com tanta brutalidade - Eu não vou dizer nada! Eu... eu juro!
- Ótimo! Good Girl! - diz - Ah, mais uma coisinha... - pausa e me encara - Cumpra seus deveres de mulher. Vai ser melhor pra você, querida!
Richard me dá um beijo no rosto e sai, mas antes de fechar a porta, ele diz:
- A propósito, você está ainda mais linda! - ele diz e me analisa de cima a baixo. Me sinto exposta - Seu irmão comeu a minha irmã, seria um prazer dar o troco na mesma moeda... e como você já sabe, eu gosto de um incesto e adoraria te ouvir gemer. Eu como a minha irmã adotiva, comeria também minha cunhadinha.
Richard sai de meu quarto e eu estou devastada! Eu tenho vontade de me jogar da janela, de cortar meus pulsos, de engolir meu choro e mágoas até sufocar. Mas preciso salvar minha família! Sei o quão louco Richard é, e das coisas que é capaz. Eu não posso arriscar a vida das pessoas que eu amo. Eu preciso me casar com Noah Urrea, nem que seja para salvar as pessoas que são tudo para mim... minha família.
[...]
Tempo demais já se passou e tento respirar, preciso descer! Cat já veio até o quarto umas três vezes. Não posso contar o que houve, não quero colocá-los em risco e sei que Noah é igual ou pior que seu irmão. Me perdoe, Elliot! Me perdoe e me dê forças!
Seco às lágrimas e passo mais um pouco de maquiagem onde os dedos daquele ogro deixaram marcas vermelhas e então, decido descer.
Nos primeiros degraus, já avisto Noah, sentado ao lado do pai, com um copo de bebida na mão. Não mudou muito! Só está um pouco mais forte e agora usa um corte de cabelo moderno e uma barba que o deixa com uma cara séria e arrogante. Mas ele continua com o mesmo olhar duro, sombrio... e bonito. Apesar de tudo, nunca pude negar sua beleza. Mas isso nunca será o suficiente para deixar essa situação menos terrível.
- Any! - me cumprimenta.
- Sr. Urrea, como vai? - forço um sorriso.
- Eu estou muito bem, obrigado! E você?
- Eu... eu... eu também estou bem! Obrigada, Sr. Urrea!
- Bom, fico feliz em saber. - ele diz friamente - Me chame de Noah, por favor!
- Claro! - concordo constrangida pelo tom forte de repreensão.
Tento forçar a simpatia, mas falo o menos possível e o silêncio reina por alguns segundos, até que papai o quebra, nos chamando para sentar e vamos até a mesa em silêncio.
- Any, está tudo bem? - Arth pergunta preocupado.
- Sim! - respondo tentando ser o mais neutra possível.
Sento-me do lado de papai e Cat, e Noah está de frente para mim... queria poder evitar.
Durante o jantar, ele me olha, às vezes. Ele é intimidador e eu já estava ciente disso... só não me lembrava da intensidade dessa intimidação.
Richard e Sophie estão longe de mim, para minha sorte! Não quero ter que olhá-los também.
- Any, está tudo bem? Você está pálida! - pergunta Sr. Berg Urrea, o pai de Noah e Richard.
- Ó, sim! Eu só estou um pouco enjoada, senhor.
- Será que já não é meu sobrinho a caminho, meu irmão? - Richard pergunta debochado e sinto-me ruborizar - Será que Noah não fez algumas visitas íntimas á Any enquanto ainda estava no internato, Sr. Soares?
Noah o ignora completamente e direciona sua atenção para mim e pergunta:
- Quer que eu chame um médico, Any?
- Não precisa. Mas obrigada! É só cansaço. - respondo o olhando só o necessário.
- Se continuar, me avise! Eu faço questão. - diz e eu aceno com a cabeça.
O jantar foi longo e demorado! Conversaram de como eram os negócios das empresas e como essa junção seria favorável para ambas. E eu reparei de como Noah era muito bem politizado e inteligente. Mas ainda, era arrogante demais! Bonito, inteligente, rico, sedutor e mal. O típico vilão!
O jantar é encerrado e conversas paralelas e de despedidas são iniciadas.
- Amanhã o catálogo de vestidos estará em sua mão, Any. - diz gentilmente a Sra. Urrea.
- Obrigada por me ajudar! - digo docemente.
- Não há pelo que agradecer, minha linda! Você se casará com meu filho e é meu dever cuidar de você como a sua mãe cuidaria.
- Obrigada, de verdade! - sinto conforto em seu abraço e penso em, como uma mulher tão doce e boa como Ângela, pôde gerar pessoas como Noah e Richard em seu ventre.
- Não há pelo que agradecer, meu doce. - sinto sinceridade em sua fala - Noah viajará amanhã e só volta na sexta, para o casamento. Até lá, vamos nos divertir muito, minha querida. Prometo! - ela me abraça novamente e se retira, mas antes, me entrega um colar que seu filho comprou para mim.
Noah não se despediu, e é melhor assim! Richard me deu um beijo no rosto e me desejou boa sorte. Estou tão enjoada que seria capaz de vomitar até minha alma.
Sinto alguém pegar em meu braço e sou puxada até um canto escuro do jardim.
- Any, você está grávida? É por isso que você não quer se casar com o Noah? - papai perguntou gritando, mas contido.
- O quê? - pergunto espantada - Não papai! Eu quero me casar com o Noah Urrea... e eu... e-eu...
- Então este bebê é dele? Que alegria minha filha! - meu pai diz com os olhos cheios de lágrimas, emocionado.
- Papai, eu não estou grávida! Nem de Noah e nem de ninguém. - grito - De onde o senhor tirou essa ideia?
- Bom, você disse que estava enjoada e nenhum dos dois responderam o comentário de Richard, então, imaginei que... - interrompi.
- Richard é um idiota que gosta de chamar atenção! Não gastarei meu tempo com aquele almofadinha sem caráter. -falo de forma grossa e impaciente - Com licença, eu vou me deitar!
Não espero a permissão de papai, apenas saio e eu vou para meu quarto, mas não consegui dormir! Cat e Arth estão no quarto ao lado e eles fazem muito barulho, muito barulho mesmo. Da última vez que eu vi uma pessoa gritar tanto, foi quando ''meu noivo'' me chamou para conversar em seu escritório, logo depois do nosso noivado, e quando entrei na sala, ele estava tendo relações sexuais com a ajudante de sua secretária na mesa de seu computador. Ele é patético e ainda diz às pessoas que eu gosto dele! Não se de onde ele tirou essa ideia irreal.
Mas não é o barulho o maior motivo de eu não conseguir dormir, mas sim, das palavras de Richard que não saem da minha cabeça.
Eu não posso arriscar minha família e se for preciso, eu me tornarei uma Urrea m, nem que seja para destruí-los.
[...]
O dia mal amanhece e eu já me levanto, não quero prolongar isso mais que o necessário. A Sra. Urrea me ajudará escolher um vestido, já que não tenho ânimo nenhum para isso. Adoro a presença dela, mas não a da pessoa que chegou junto.
Eu não acredito que depois de tudo, essa mulher ainda ousa retornar para casa de minha família.
- Bom dia, minha querida! - Ângela fala.
- Bom dia, Sra. Urrea! - respondo e lhe dou um beijo no rosto.
- Me chame de Ângela, por favor! Seremos da mesma família agora. - ela diz e a jararaca surge como uma assombração. Não sou o tipo de mulher que não gosta de outras mulheres. Muito pelo contrário! Acredito que mulheres devam unir suas forças e seremos todas por todas. Mas essa Sophie... ela com certeza é um grande empecilho nessa minha meta - Ah, espero que não se importe, Sophie insistiu para vir comigo e eu a trouxe.
- Tudo bem, Sra. Urrea..., Ângela! - tento não mostrar meu incômodo, apesar de tudo, Sophie foi criada como filha, jamais a trataria mal - Tudo bem, Sophie?
- Eu estou ótima, docinho. E estou muito feliz por você. Noah é um homem e tanto. - me abraça.
- Imagino! - digo para não demonstrar o quão desconhecido por mim é a pessoa em que irei me casar. Eu não sei nada sobre ele! As poucas informações que tenho, é da boca de terceiros e não são informações atrativas ou animadoras... muito pelo contrário! Só de pensar nisso, já sinto vontade de chorar.
Começamos a olhar os vestidos e foram muitos. Escolhemos um simples, mas bonito. Mangas longas e renda. Ele é justo e rodado, mas não muito. Ele mostra parte das costas e dos ombros. Optamos por não usar véu, e nem luvas. O cabelo será usado solto e um batom vermelho sangue, para que combine com o buquê. Eu teria adorado o vestido, se o momento não fosse tão triste para mim. Ás vezes, tenho a impressão que Ângela nota meu descontentamento, então, tento disfarçar.
- Você está com cara de cansada, querida! - diz Ângela
- É, eu não dormi muito bem!
- Precisa ficar bem para lua de mel, gatinha. - acrescenta Sophie - Bem disposta...
- Eu não estou preocupada com isso, Sophie! - falo envergonhada e minto. Eu penso nisso há muito tempo, mas não de uma forma boa. Eu nunca imaginei que esse casamento iria mesmo se concretizar. Nesses três anos, fiquei na esperança de minha família ver o quão absurdo isto é e terem um surto de sanidade.
- Mas deveria, gatinha! - sempre antipática - Se Noah for igual o irmão, você vai precisar de fôlego, não é mamãe? E pelo tempo de espera, na primeira chance... pau!
- Não é querendo me gabar, mas Henry também era uma loucura - Ângela sorri! - Para falar a verdade, ainda é. É uma vantagem de família!
- Segundo os comentários, Noah é uma pessoa durona e grossa. Bom, as exs namoradas só têm elogios e disseram que isso também serve para a parte literal da coisa, se é que vocês me entendem. - diz Cat sorrindo - É muito fôlego!
- Catarina! - a repreendo envergonhada e sentindo meu rosto queimar. Eu não acredito que estão falando disso aqui, no meio da sala... na minha frente!
- O que você tem a dizer sobre, Any? Você concorda? - pergunta Sophie.
- Eu... eu... eu... eu não sei. Não tenho nada a comentar, desculpa! - esse assunto não me ajuda em nada, ele não me tranquiliza. Ele me apavora! Eu tentava não pensar nisso, mesmo sabendo, que teria que acontecer.
- Tudo bem, querida! Você ficou dos dezesseis aos dezenove presa, não tinha como transar naquele lugar, nem com autorização. - Ângela tenta me deixar mais confortável.
- Na verdade, até que é bem possível, Sra. Urrea. - diz Cat.
- Cat, por favor! - digo em tom de aviso - Comporte-se!
- Noah foi até o internato algumas vezes. Vocês transaram? - Ângela me pergunta e sorri.
- Não! A gente nunca... Meu Deus! Não... eu ele... nunca... não! - começo a gaguejar e sinto todos os olhares direcionados a mim- Ele não ia me visitar! Ele ia para saber notícias. Nunca nos encontramos no internato. - explico - E Cat, por favor, pare! E ele não podia me tocar, eu era menor de idade.
- Tudo bem, dona puritana! - fala Cat em tom de brincadeira - Mas menores de idade também fazem sexo.
Sophie continua me encarando e só tira os olhos de mim para colocá-los em Arth, mas ele a ignora e beija Cat, como um mocinho apaixonado.
- Estão falando da vida sexual de vocês, danadinhas? - pergunta Arthur, entrando na sala.
- Que vida sexual? Nunca vi! - Cat fala com deboche e solta uma risada.
- Bom, então o que foi aqueles gritos ontem à noite, querida? Achei que você estivesse gostando quando eu... ahhh, Catarina! Seus olhos se revirando... - Arth provoca.
- Não sei do que você está falando, querido. - Cat diz e penso o quanto eles se expõem.
- Vocês são tão repetitivos e chatos. Com licença! - digo para poder sair desta conversa constrangedora.
- Então você gosta de variar, docinho? - Sophie me pergunta, mas eu ignoro - Gosta de variar parceiros, posições...?
- Desculpa irmã! - Arth dá risada - Não era nossa intenção poluir seus ouvidos virgens.
- Me poupe, Arthur! - levanto-me ao ver Richard entrar - Com licença, Ângela! Preciso descansar! Meu irmão e cunhada acham que nossa casa é um motel e não me deixaram dormir.
- Tudo bem, minha linda! Vá descansar. - ela diz e lhe dou um beijo no rosto, me retirando.
Vou para meu quarto e passo quase toda a semana lá, sozinha. Estou evitando pessoas perto de mim, preciso pensar e ficar sozinha comigo mesma. Não terei tanto tempo depois do casamento! Noah viaja com uma frequência grande e já me foi adiantado que preciso acompanhá-lo e até abrir mão de minha faculdade. Eu não serei mais eu. Eu serei a esposa de Noah Urrea. Aqui jazz Any Gabrielly Soares!
Sei que depois da cerimônia, viajaremos para uma cidadezinha no interior da Flórida, onde Noah comprou uma casa. E é lá que passaremos à noite e eu nem terei a quem recorrer. Será que ele tentaria me machucar? Por Deus!
Eu evitei pensar em como seria a noite de núpcias, mas agora, não consigo parar de imaginar e o frio na minha barriga só cresce e se instala mais. Não é tradição da nossa família casarmos virgens, ninguém nunca exigiu isso de nós. Nossa família sempre foi muito liberal e nada tradicional. Mas comigo, acabou acontecendo... Eu poderia ter ficado com alguém se quisesse, mas eu não consigo ser assim. Eu nunca tive vontade e para ser sincera, nem atração. Eu me achava extremamente estranha por isso, pois com Cat, aconteceu cedo. Com todas as minhas amigas, na verdade e eu? Bom, comigo não aconteceu!
E agora, a minha primeira vez vai ser com alguém que eu mal conheço e não amo. Minha família não sabe desse detalhe e eu espero que continue assim. Não quero que façam espetáculo em cima de minha inexperiência. Isso seria vergonhoso!
[...]
A semana passou voando e eu pensei durante todas essas noites uma possível saída e não cheguei a qualquer conclusão.
Na quinta, o catálogo de lingeries chegou eu tive que escolher para montar o enxoval. Cat tentou me ajudar, mas ela escolhia sempre peças pequenas demais, transparentes demais. Acabei montando sozinha, no final, ao menos, a grande parte. Ela também me deu alguns conselhos em relação a como agir quando Noah me procurasse para... para cumprir as obrigações matrimoniais. Mas eu não conseguiria agir daquela forma... de jeito nenhum!
- Cat, eu não vou fazer isso!
- Você é muito boba, Any! Eu já sentaria com força antes mesmo de chegar ao quarto. -Cat ri muito - Ele é muito gato. Não tem como olhar para ele e não querer dar pra um homem daquele. Não tem como olhar pra ele e não pensar em chupar aquele pauz... - interrompo-a.
- Eu não quero fazer qualquer coisa, Cat. - digo triste e agitada pelo nervosismo - Muito menos com ele.
- Você é careta, ok! Então faz o seguinte... - começa - Deixe que ele conduza! Ele tem experiência, muita experiência... e vai saber o que fazer. - ela diz - Só feche os olhos, deite, abra as pernas e relaxe. Ele sabe que você é virgem, não sabe?
- Eu não sei! - digo - Eu não contei isso a ele! Ele é um desconhecido para mim e eu não sei se quero contar. Eu o vi três vezes em todos esses anos.
- Ele pode até ser um desconhecido pra você, mas o pau dele que vai ser o primeiro a conhecer esse periquito ai. Então, sugiro que conte. Se ele te comer com muita força, vai te machucar e pode ser traumático. - ela me aconselha... do jeito dela, mas ainda assim, aconselha - Tu tem noção do que é um pau enorme entrando em você quando ainda é lacrada? Pior, sem cuidado nenhum? - ela pergunta e sabe que é retórico - Com cuidado, já dói, imagine, no bruto, no seco e na violência!
- Mais traumático que me casar obrigada? Ah, eu duvido! -digo - Mas eu vou pensar... talvez eu conte.
Eu não queria ter pensado, mas eu pensei no que Cat disse. Mas isso me deixa ainda mais aflita e com medo. Eu não sei qual pode ser sua reação ao saber que eu não sei fazer absolutamente nada... e eu não quero despertar a raiva de um Urrea novamente.
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