47 - INOCENTE
Any Gabrielly Urrea
Noah me busca no hospital e ele me diz que sua mãe pediu para que ficássemos mais um tempo e eu concordei, contanto que fosse na casa de meus pais.
Não nos perguntam muita coisa e eu prefiro assim. Vejo Noah de segredinho com a mãe e ela me olha e sorri de longe e por que eu tenho a sensação que falam de mim? Vejo que conversam mais uns minutos e ele balança a cabeça em sinal de positivo e subimos para o quarto.
Entramos e eu me sento na cama e ele pega meu casaco, colocando na cadeira.
- Obrigada! - digo.
- Não há pelo que agradecer! - ele diz.
- Há sim! - falo e abaixo a cabeça - Obrigada por ter me salvo na praia outro dia. Obrigada por me defender de seu irmão e obrigada por hoje. Por se importar e me levar ao médico. Eu estava mesmo mal.
- Eu vou cuidar de você sempre, independentemente de qualquer coisa. É minha obrigação! - diz rude e parece bravo - E isso não é totalmente por você, mas por mim também! Não quero problemas ou te que carregar uma doente nas costas. E mesmo não nos dando bem e nos odiando, por culpa sua, eu vou cuidar de você! - diz e como pode ser grosso e fofo quase ao mesmo tempo?
- Uau! Por um segundo, eu havia me esquecido de quão ogro você é! - digo ofendida - Quer saber?! Eu não quero e não preciso da sua proteção... nem da sua ajuda.
- Não é o que parece, sabia? - pergunta - Sabia que seu amiguinho foi até o hospital? Ah é, ele não é suficiente para te proteger ou cuidar de você.
- Você tem razão! Mas já parou pra pensar que talvez eu não precise de cuidados? - falo rapidamente - Talvez, Richard não seja quem mais me odeia nessa família. - digo - Talvez seja você! E você não tem como me proteger de si mesmo.
- Então você deveria se afastar! - diz e eu me levanto.
- Pela primeira vez em anos, você está certo de algo que fala. - digo e me viro para sair, mas ele segura meu braço e me puxa, fazendo seu braço cercar minha cintura e seu rosto ficar muito próximo ao meu e a tensão se instalou.
- Isso tudo é culpa sua! Se não tivesse aquele moleque... - diz e eu o interrompo.
- Você nunca vai parar de culpar os outros pelas suas merdas? - pergunto, tentando me soltar de seu aperto - Assume o que você fez, droga! - digo e ele me olha furioso, mas faz algo que eu não esperava. Ele olha em meus olhos e me beija. Beija forte e intenso, como quem sente saudades. Um beijo que me tira de órbita e fez perder os sentidos. Me afasto por impulso e ele está ofegante e em um momento de loucura, sem pensar em nada, eu volto para o beijo e sou pressionada contra seu corpo, matando toda essa saudade que queima minha pele.
Ele arranca minha blusa e me empurra contra a parede, me pressionando tanto, que mal consigo respirar e minhas mãos passeiam por suas costas, ombros e rosto, enquanto meus seios pressionam contra seu grande corpo. Meu coração acelera mais, se é que isso é possível, quando ele me puxa em direção a cama e se senta na borda, me fazendo ficar de joelhos enquanto abre o cinto de suas calças e eu imagino o que ele queira que eu faça, mas por algum motivo, talvez o meu olhar, talvez a pressa, ele desiste e me puxa para seu colo e continua a me beijar, apertando minha bunda e me puxando para si, enquanto minhas unhas rasgam a pele de seus ombros.
Escuto um barulho do lado de fora do quarto, como um copo sendo quebrados me assusto, caindo em si.
- Ei, espera um pouco! - digo amedrontada e aflita - Eu... eu não posso... eu... eu estou menstruada! - minto.
- Isso não é problema! - diz e se levanta, segurando-me contra si.
Me levando para o banheiro, não vejo quando ele abre meu sutiã com apenas uma mão, habilidade que nem eu mesma tenho, e arranca de meu corpo, deixando meus seios expostos. Ele olha para baixo, os analisando e leva a mão até um deles e o aperta, colocando um dos mamilos entre os dedos e o apertando numa dor deliciosa e meus olhos se fecham. Meu rosto está totalmente corado e penso em pedir para ele apagar a luz, mas seria ridículo demais, até pra mim.
Sou empurrada para debaixo do chuveiro e escoro na parede de cerâmicas para não desabar e ele se afasta, enquanto termina de tirar sua calça e camisa, ficando apenas de cueca. Ele se aproxima novamente e beija minha boca, fazendo minha língua duelar com a sua. Sem delicadeza nenhuma, descendo os beijos por meu rosto e morde meu queixo, indo em direção ao meu pescoço molhado e chupando a pele sensível, a marcando, descendo para os seios e parando seu olhar sobre eles. Massageando, ele os põe na boca, e nesse momento, sinto todo meu interior se contrair pelo toque de sua língua habilidosa em minha pele.
Ele lambe meu seio e aperta o outro com a mão livre, enquanto seus dentes passam de leve em minha pele recém explorada. Não controlo o gemido que sai de minha garganta neste momento e ele aperta ainda mais forte, subindo em seguida para minha boca e pescoço. Sua mão firme segura meu cabelo por trás e puxa para trás, lhe dando espaço livre pra exploração de minha nuca e pescoço. Sua mão desce espalmada por minha barriga e em segundos, minha calcinha já não está mais em meu corpo e nem me lembro da vergonha que é estar totalmente nua na frente de alguém.
Ele ainda usa a cueca e sinto seu grande membro pressionando minha barriga e fazendo meu coração disparar. Ele pega a minha mãe e a coloca em cima do grande volume que está por trás do tecido. Eu nunca fiquei sem roupa na frente de um homem, nunca vi um homem em tão poucas roupas e nunca o desejei tanto como o desejo agora. Ele aperta seus dedos contra os meus, fazendo a pressão de minha pele no seu membro aumentar e não posso evitar o nervosismo, pois temo que seja tão dotado quanto parece.
Ele movimenta minha mão e posso o ver fechando os olhos e isso me dá uma coragem até aqui, desconhecida por mim.
No minuto seguinte, ele abre os olhos e posso ver um brilho feroz neles.
- Vire-se, mentirosa! - ele diz em uma voz rouca.
- O quê? - pergunto confusa e quase sem acreditar no que ouvi.
- Não está menstruada, mentirosa? - pergunta e me mantenho em silêncio - Então vou te comer por trás.
- Nós não vamos pro quarto? - pergunto já com medo e ele me beija, machucando minha boca e segurando meu queixo e pescoço.
- Não! Eu preciso estar dentro de você agora. - diz e me morde.
- Aqui nossos pais podem ouvir. - invento outra desculpa.
- Eu não ligo! - diz rude e aperta minha costela - Eu preciso te foder agora! - ele diz e todo o meu tesão se transforma em medo, pois ele começa a me machucar com sua brutalidade.
- Noah, para! - digo e o empurro e ele me olha com rancor... raiva... ódio.
- Por que eu deveria atender a merda do seu pedido? Qual é, Any? Trepar no quarto adolescente lhe lembra aquele idiota? - grita e temo que todos tenham ouvido.
- Você é um imbecil! - digo e tento me cobrir com as mãos - Eu tenho minha parcela de culpa, mas você é um babaca.
- Foda-se! Eu é quem não quero mais foder uma vagabunda como você. - diz e joga a toalha pra mim, e ela me atinge no rosto - Eu não sou seu inimigo? Me considere um daqui pra frente. E quer saber? Você não é tudo isso que pensa. Pra mim, você morreu!
Ele joga tudo isso em cima de mim e sai do banheiro revoltado e estou com o coração na mão em dor. Ele me ofendeu depois de me tocar, minutos antes de eu quase ir pra cama com ele.
Não consigo parar de chorar e toda a minha dor emocional parece virar física, porque eu choro como nunca chorei.
Estou decepcionada, magoada, triste e envergonhada. Como eu pude pensar em me entregar pra ele? De permitir que fosse ele a tocar no que eu sempre guardei pra quem me amava de verdade e não fosse me tratar como uma vagabunda.
Eu penso em sair e beber até esquecer tudo isso, mas não é o tipo de coisa que eu faço. Olho para as malas dele no canto do quarto e penso em atirar fogo em todas e contar para o mundo a farsa que somos, mas essa dor que toma conta do meu corpo é maior que qualquer raiva que eu já senti em toda a minha vida. Fico deitada por horas, até que ouço batidas na porta e ignoro, mas ouço a voz da Sra. Young e abro e ela me diz que Noah teve uma viagem de emergência e volta em alguns dias. Eu sinceramente, espero que nem volte!
Paro em frente ao espelho e deixo que a toalha caia sobre meus pés e agora, vejo as marcas que ele deixou em meu pescoço, meus seios e costelas. Há marcas por todos os lados onde sua boca provou e passou.
[...]
Um mês se passou e nenhuma notícia dele recebi. Nesse período todo, a culpa, o medo, a dor deram espaço pra raiva. Nunca odiei tanto alguém como odeio Noah Urrea!
Meu pai me faz algumas perguntas, mas eu desvio de todas e passo a maioria do tempo no quarto e só saio quando Ângela vem me visitar... e as marcas? Elas sumiram depois da segunda semana.
Hoje, eu soube que ele está de volta e Ângela está muito animada. Me chamou para um café e eu compareci e lá, ela me disse que ele voltou para um compromisso. Que compromisso será esse?
- Então, Sra. Urrea, você disse que era urgente. O que houve? - pergunto preocupada.
- Ah, sim, é! - diz - Depois de uma longa fila de espera, eu consegui uma consulta com a Dra. Sway para você!
- Dra. Sway? - pergunto não sabendo de quem se trata.
- A doutora Sway é uma médica de família. - ela diz - E pelo histórico familiar e todos os indícios, acredito que você esteja grávida.
- Garanto que não, Sra. Urrea! - digo parecendo calma, mas apavorada por dentro.
- Vamos só para ter certeza, querida! - diz ela - E uma consulta ao ginecologista é sempre muito bem-vinda para manter a saúde em dia.
- Todos os meus exames estão em dia. - digo e meu coração está para sair pela a boca.
- Mas uma segunda opinião é importante. Ela é a melhor médica do país e você está na lista de espera há semanas. - diz - Está marcado! Noah já está no escritório e assim que ele chegar, iremos todos ao consultório. Se você estiver mesmo grávida, eu quero estar lá desde o primeiro momento e meu filho também. - diz, sorri e se despede, saindo e me deixando sozinha e totalmente paralisada no sofá, prestes a ter uma crise de loucura. É uma visita ao ginecologista ou uma reunião de família?
Meu Deus, o que eu vou fazer? Se eu fazer o que minha sogra me pede, ela saberá que esse casamento é uma farsa total. E tenho certeza que ela não manterá segredos isso pode destruir a minha família. O que eu posso fazer?
Tento ligar para esse tal consultório e desmarcar, mas não é possível, pois só Ângela é quem pode. Se eu sumir no horário, todos vão desconfiar e talvez, seja pior.
Eu poderia pedir ajuda a Carol, mas ela está há sete horas de distância de mim. Não posso falar com Cat sobre isso, muito menos com meu pai.
- Any, está tudo bem? - pergunta a Sra. Young, me tirando de meus pensamentos.
- Está sim! - respondo.
- Tem certeza? Você me parece nervosa. - ela diz e se senta perto de mim.
- Tenho... - digo e repenso - Na verdade, não tenho! - lágrimas ameaçam escorrer por meus olhos.
- E eu posso ajudar você em alguma coisa? Eu sei que não somos próximas e nem todos os filhos aceitam muito bem as novas namoradas de seus pais. - diz.
- Especialmente quando a madrasta já teve um caso com o atual marido da enteada. - completo.
- Principalmente! - ela diz e me arrependo.
- Desculpa, Sra. Young... eu não quis ofender! - digo arrependida - Eu só estou um pouco nervosa. Me perdoe! Fui estúpida.
- Tudo bem, querida! - fala.
- Eu quero que meu pai seja feliz e é só isso! Se é você quem o deixa feliz, eu também fico feliz. - digo e ela sorri sincera, e talvez, eu devesse... - Eu posso te fazer uma pergunta?
- Claro. O que quiser! - fala.
- Meu pai sabe sobre vocês no passado? - pergunto e ela se assusta, mas responde.
- Sim eu contei! - fala.
- Por quê? - questiono.
- Porque era muito melhor ele saber da minha boca do que da dos outros. - fala - A verdade é sempre o melhor caminho, Any! Absolutamente nada dura ou se mantém em cima de mentiras e segredos.
- Sim! - digo e estou chorando. Será um sinal divino? - Você está certa!
- Por que está chorando, minha querida? - pergunta e me observa.
- Não é nada! - digo e me levanto do sofá, pegando minha bolsa, a olhando - Obrigada, Sra. Young!
- Obrigada pelo quê?
- Por ser sincera! - digo e a abraço, e ela pareceu-me surpresa, mas revida o gesto.
Pego meu carro e crio coragem para ir ao escritório. Eu não tenho como resolver esse problema sem a ajuda de Noah. Dirijo até lá e ao chegar, penso mil vezes antes de entrar, mas acabo entrando. Coragem, Any! Só de pensar em vê-lo novamente, sinto meu estômago contrair.
- Mamãe, por favor, me ajude ai do céu! - clamo - Me ajude a ter coragem!
Peço que Margarida não avise que estou aqui, pois ele não me receberia... tenho certeza!
Passo pelo corredor e abro a porta, entrando. Ele não me vê, até que eu fecho a porta atrás de mim. Seus olhos me encaram e ele parece não gostar nada do fato de que eu esteja aqui. Coragem, droga! Coragem, Any! - repito sem parar a mim mesma.
- Noah? A gente precisa conversar! - digo com muito esforço e ele nem sequer me olha novamente. Pegando o telefone, ele liga para recepção e é extremamente rude e grosseiro com Margarida:
- Margarida, eu não lhe disse que a entrada de visitas inconvenientes estariam proibidas até segunda ordem? - fala lentamente - Posso saber por que minhas ordens diretas foram... desacatadas? - pergunta baixo, mas bravo e seguro as lágrimas, junto ao ódio e ao arrependimento. Não queria colocar Margarida em problemas!
Ele fala mais algumas coisas e ela responde, mas não sou capaz de decifrar nenhuma, pois minha humilhação grita em minha cabeça e me aponta. Desligando o telefone, ele nem me olha - Eu não posso conversar agora! Estou com visitas. - diz e só agora vejo que há uma moça de cabelos vermelhos tingidos sentada no canto da sala, mas insisto.
- Nesse caso, eu sinto muito...,mas é urgente!
- Ele já não disse que não te quer aqui, inconveniente? - diz a moça, se levantando e vindo até mim e olha com um desprezo que me sinto diminuída e envergonhada.
- Noah, por favor! Eu não viria até aqui se não fosse urgente. - digo, ignorando a moça que está de pé em minha frente em uma roupa vulgar e saltos finos, mas não sou capaz nem erguer meu olhar. Ele está nervoso e fica em silêncio por alguns segundos.
- Saia! - ele diz e meu coração treme com seu tom rude.
- Noah... - sou interrompida.
- Você não ouviu, garotinha? - pergunta e me olha enojada - Saia logo! Agora! Vamos, não demore... inconveniência! - fala grossa.
- Não ela. Você! - Noah diz impaciente - Aguarde lá fora, Rebecca!
- Roberta. Meu nome é Roberta! - diz e me olha furiosa, e sei que se ela pudesse, me daria um tapa, mas ela apenas pega sua bolsa e sai da sala batendo fortemente a porta.
Permaneço de pé no mesmo lugar, buscando de alguma forma em meu interior o resto de dignidade que me sobrou. Merda!
- Fale logo, Any! - diz Noah, grosso e impaciente - Não tenho muito tempo! Estou muito atarefado hoje.
- Eu não quero tomar mais tempo do que o necessário. Não quero atrapalhar seus planos com a Roberta, não é? - digo direta e ele está bravo - Eu preciso que você fale com sua mãe. Ela marcou uma consulta no ginecologista pra mim e eu não quero ir!
- Por que não? - pergunta friamente - Eu mesmo disse que poderia marcar. E é da extrema confiança de meus pais!
- Eu não posso ir! - digo - E você não tinha o direito de dar autorização alguma. Não é seu corpo que eles vão analisar.
- Bem, se você está tão apavorada assim, deve ter algo a esconder, certo? Por acaso as desconfianças dela fazem sentido? - pergunta e eu balanço a cabeça negativamente - Então não há o que temer! Eu não vou desapontar minha mãe por conta de seus caprichos.
- Noah, por favor! - peço - É a última vez que te peço algo na vida... eu juro! Você é o único que pode convencer a sua mãe. - suplico - Por favor!
- Não e acabou assunto. - diz - Agora pode sair! E não venha mais aqui sem avisar com antecedência.
Não me darei por vencida.
Eu não posso aceitar isso! Eu não posso estragar a vida da minha família e tudo que gerações construíram. Eu preciso contar a verdade, eu não posso colocá-los em risco e decepcioná-los.
- Você quer a verdade, não quer? - digo - Ok! Eu vou contar a verdade.
- Estou esperando! - ele diz.
- Se eu for naquela droga de médico, todos saberão que eu e você não existe. Todos vão saber que esse casamento foi uma farsa, do começo ao fim... e acredite, esse será o final! - digo firme.
- Você está me ameaçando? - pergunta. Em seus olhos, há seu ódio e ele é quase físico. Ele se aproxima, ameaçador e eu paro de respirar.
- Não, eu não estou ameaçando ninguém! - digo e respiro fundo - Se eu for nessa consulta, eles saberão que eu e você nunca... que nós nunca... - digo, mas não concluo.
- Que nós nunca fodemos? - fala - Não há como saberem. - diz impaciente- Só me diga a verdade... uma vez na vida, diga-me a verdade. Você está grávida?
- Não, Noah! - grito - Eu não estou grávida! Eu nunca estive grávida!
- Tem pouco mais de quatro meses que você voltou. Você voltou a encontrar aquele playboyzinho novamente?
- Não!
- Você transou com outras pessoas desde então? - pergunta e estou muito nervosa.
- Também não!
- Então se você não está grávida, não vejo o porquê não ir até lá! - diz - Não há nenhum exame que mostre a quanto tempo você não tem relações sexuais. Não há com o que se preocupar! Você é bióloga, é inteligente. Deveria saber disso! - fala agressivo - Só saberão que nós não transamos se você contar.
- Por favor! Tenta desmarcar. Por que você sempre tem que complicar tudo? - peço e ele nega com a cabeça - Ok, não há nenhum exame do tipo..., mas..., mas... - engasgo com as palavras e ele se afasta, mas me aproximo, segurando seu braço e ele olha para mim, de cima e não sustento meu olhar.
- Mas o quê? - pergunta, esperando que eu termine o que comecei - Diga!
- Mas eles têm como saber se você nunca... nunca...- engasgo novamente com minhas palavras e ele me olha com o cenho franzido, como uma interrogação na testa e minhas palavras somem.
- Se você nunca...? - eu não consigo encará-lo por mais que cinco segundos e ele parece estar com o olhar totalmente perdido e sua ficha parece cair.
Quando levanto meu olhar, ele ainda me observa. Ele está bravo e me encara, como se tivesse nojo de mim e tiro minha mão de seu braço. Ele passa a mão pelo rosto e depois sua expressão séria some, quando ele me olha e sorri debochado, como se eu fosse a piada mais engraçada que ele já ouviu. Segurando meus cotovelos, ele me faz o encarar.
- O que você quer dizer com isso? - pergunta e seu sorriso agora é menor e incrédulo.
- Eu não posso ir até lá! Você precisa me ajudar, porque isso não é um problema só meu. - digo rapidamente, na tentativa falha de disfarçar o que eu acabei de dizer e o quanto estou constrangida por assumir isso.
- Deixa-me ver se eu entendi direito... - diz e me encara, olhando em meus olhos - Você está me dizendo que não pode ir à consulta porque nunca fez sexo? Você está mesmo me dizendo que você é VIRGEM? - grita e aquele sorriso debochado morreu e me sinto tonta.
- Por favor... liga para sua mãe! - peço envergonhada e não tiro os olhos do chão.
- Diga! - grita.
- Sim. É exatamente isso que estou dizendo. - digo o que tanto evitei.
- Você está mentindo! Você está mentindo porque é uma mentirosa compulsiva! - grita alto e estremeço, me soltando - Você tem vinte e um anos, é bonita, é inteligente... eu ouvi você com o tal Pedro... as idas a biblioteca a noite. Você é amiga de Catarina! - berra alto - Isso não é verdade! Você não vai me enganar de novo! - diz e cerra os punhos, andando de um lado para o outro e jogando um jarro na parede em seguida, e eu fecho os olhos - Você definitivamente não pode ser virgem! Por que? Droga, me diga o porquê...
- Eu menti! - digo e soluço - Eu menti em ralação a Pedro. - digo e as lágrimas escorrem por minha face - Eu nunca tive nada com ele! Aquele beijo que você viu, não foi consentido. Ele se declarou, disse que estava apaixonado e me roubou um beijo. Mas eu o dispensei e fui atrás de você! Eu fui atrás de você porque eu ia contar a verdade! Eu ia contar que eu nunca tinha... o porque eu tinha medo de... - respiro - Por que eu tinha medo de fazer amor com você. E eu desisti da especialização por você! - choro ainda mais - Mas você estava com a Alana e eu fiquei furiosa e eu menti. Eu deixei que você acreditasse que te traia, porque eu estava apaixonada por você e eu não queria acreditar que o meu coração tinha sido despedaçado, então eu menti! Eu menti por meses... eu menti pra você e menti para mim mesma.
- Você não está falando sério! Virgem não! - diz perplexo - Por que você não me contou? Droga! POR QUE VOCÊ NÃO ME CONTOU? - seu tom é quase choroso agora.
- Eu fiquei com vergonha! - digo e enxugo meu rosto - Eu fiquei com medo de ser rejeitada... ou de você ficar decepcionado. - choro novamente, envergonhada - Você já teve tantas mulheres. E eu?
- Eu não sei se posso acreditar em você! Você mentiu antes e pode estar mentindo agora. - diz e passa as mãos pelos cabelos, nervoso.
- Então vamos arriscar! - digo - Dúvida de mim e eu vou até lá e sua família vai saber. - ele me olha torto - Ou ligue para alguém de sua confiança e eu faço a merda do exame. - digo.
- Por que você faz tanta questão de me provar algo a essa altura do campeonato? Não é como se todas essas revelações fossem apagar o que aconteceu. - me questiona grosseiramente.
- Porque ninguém pode saber disso, ou será o fim da minha família... e eu faço o que for preciso para impedir que isso aconteça. - digo - Eu faço qualquer coisa!
- Até abrir as pernas para provar pra mim que homem nenhum nunca te comeu? - pergunta e ruborizo pelas palavras sujas - Eu mesmo poderia fazer isso! - há raiva em sua voz.
- Você não está ajudando. - digo e choro. Ele começa a ficar irritado de novo.
- Tá! - ele diz e pega o telefone, discando para alguém, que provavelmente, é o médico.
Em menos de cinco minutos, estamos deixando o prédio e a garota ainda está na recepção. Ela levanta assim que nos vê, mas Noah passa direto, sem nem ao menos, olhá-la e anda em passos tão rápidos e largos, que mal consigo acompanhá-lo e a moça nos olha torto, mas logo, sai de meu campo de visão.
Entramos na sua SUV e o trajeto é feito no mais absoluto silêncio. Ele está nervoso e sei disso porque ele aperta as duas mãos no volante, o que mostra que ele está duplamente irritado e a convivência me fez notar isso. A mania de sorrir ele perdeu, mas não a de colocar o cinto de segurança... algumas coisas nunca mudam!
Chegamos ao consultório e é enorme e todo branco, no mais puro mármore indiano e caro. Somos recebidos pelo médico assim que chegamos. Já na recepção, um termo de confiabilidade é assinado e uma grande quantidade de dinheiro é pego ali. O médico nos guia até a sala. Tinha mesmo que ser um homem?
- Sejam muito bem-vindos, Sr. e Srta. Urrea! - diz o médico idoso muito simpático.
- Muito obrigado, Dr. Oliver! - Noah diz e acertam mais alguns detalhes, e eu me mantenho em silêncio, só falando quando sou requisitada. Como data da última menstruação, uso de pílulas e outras coisas comuns.
- Senhorita, pode ir até ali se trocar, por gentileza! - diz o médico, apontando para uma cabine e faço o que ele me pediu. Me troco e logo volto. Estou muito, muito, muito nervosa! O médico pede para que eu deite e coloque as pernas separadamente no apoio e assim eu faço. E sim, esse é o momento mais constrangedor e humilhante da minha vida. O doutor notando minha vergonha, se direciona simpático a mim.
- A senhorita prefere que seu esposo lhe espere em outra sala? - pergunta.
- Não é necessário, não é mesmo, amor? - fala e sua voz é pura pressão e diz antes mesmo que eu possa abrir minha boca. Sei que ele não quer que sobre dúvidas a respeito e sei lá, medo de eu pedir pro médico fraudar o laudo. Ele não confia em mim!
- Ele pode ficar, doutor! - digo tímida e o médico nos dá um sorriso.
- Tudo bem! - ele diz e coloca as luvas e depois, me olha divertido - A senhorita tem que tirar a calcinha! - diz e me sinto ainda mais envergonhada. No auge do meu nervosismo, acabei esquecendo.
- Perdoe-me! - digo humilhada e pálida de vergonha.
- É mais comum do que imagina. - diz e sorri, tentando me confortar - Pode voltar ao trocador, se preferir! - diz e tiro minhas pernas dos apoiadores, as fechando para me sentar e levantar-me.
- Não precisa dessa frescura! - diz Noah impaciente, indo até a frente da cama, enfiando suas duas mãos pelo vestido de exames e segura as laterais de minha calcinha para baixo. E não sei o que mais me afetou... sua atitude inesperada e intimidadoramente grossa, ou seus olhos fixos nos meus enquanto seus dedos rasparam por minha pele, me deixando exposta, de uma forma que nunca fiquei. Ele tira minha calcinha por meus pés e a embola na mão, a segurando em punho e volta a ficar do meu lado. Estou estarrecida, envergonhada e trêmula. Sei que essa atitude foi para me provocar e claro, me testar!
Os exames começam e fecho os olhos, tentando não pensar no quão constrangedor é esse momento. Noto em alguns momentos que ele me olha, como se tentasse me ler.
Noah se atenta a mesa do médico e o vejo travar quando o médico tem em mãos um instrumento chamado Papanicolau e fixa o olhar quando vê o médico colocando o instrumento de volta a mesa no mesmo minuto, sem utilizar a ferramenta e nos olhando atentamente.
- Então, doutor, há algo de errado? - pergunta Noah, já ansioso, quebrando o silêncio.
- Já falaremos a respeito disso, Sr. Urrea. - diz simpático - E a senhorita, pode ir até lá se trocar. - diz e obedeço, tentando fingir naturalidade quando Noah me lança um olhar amargo e me entrega a calcinha que segurava. Me troco o mais rápido possível e quando retorno à sala, eles já estão sentados à mesa e me sento ao lado de Noah.
- Então, doutor Oliver, minha esposa terá algum tipo de dificuldade para gerar filhos? - pergunta ligeiramente - Há algo de errado com Any?
- Não há nada de errado com sua esposa, Sr. Urrea! - diz - Ela é jovem, saudável e sua estrutura física não impedirá de ter filhos. No entanto, mesmo com a tecnologia e os métodos artificiais, a mulher tem que ter o canal vaginal aberto, e com isso, quero dizer que deve ter tido ao menos, uma relação sexual.
- Seja mais específico, por favor! - pede educadamente, porém, soa grosseiro.
- Sendo mais claro, isso quer dizer que sua esposa, a Srta. Urrea, não poderá engravidar enquanto ainda for virgem. - diz e Noah fecha a mão, em punho, a apertando - Pelo que vi e pude analisar, não há nenhum tipo de violação no hímen, o que significa, que ainda não teve nenhuma relação, certo, Any?
- S- sim! - digo e Noah parece perdido e inconformado.
- Não há como ter um engano, doutor? - questiona perdido.
- Não! - responde - Há vários tipos de hímen, e posso garantir que o de sua esposa, não é o complacente. E mesmo se fosse, teríamos como dar o diagnóstico. Então sim, sua esposa é virgem, se é isso que o senhor quer saber. - fala grosseiro - Quando acontecer o rompimento com a penetração no canal, esse hímen irá se romper e pode ocasionar um pouco de dor pelo rompimento e pela a abertura do canal vaginal, mas é normal. Possa ser que sangre um pouco, mas também é normal.
- Tudo bem! - diz e se levanta apressado - Obrigada doutor!
- Não há pelo que agradecer! - responde - E a senhorita quer que eu lhe indique algum método anticoncepcional?
- Não é necessário. Obrigada, doutor! - respondo sem graça.
- Não se esqueça do sigilo. - diz Noah.
- Não se preocupe! - responde - E Any, assim que quiser, grávida ou não, a atenderei com muita satisfação. Será um prazer acompanhar sua futura gestação.
- Obrigada! - digo e nos despedimos, saindo da clínica, ele me leva até a casa de meu pai, onde também está sua mãe, a nossa espera. Noah faz todo o trajeto em silêncio novamente e nunca o vi tão perdido nos próprios pensamentos.
Chegamos e eu subo sozinha para o quarto, sem nem mesmo, parar para cumprimentar alguém. Antes de perder a visão do ambiente, vejo Noah conversando com a mãe e ele está nervoso. Provavelmente, está tentando convencê-la, o que não é tarefa fácil, pois conheço bem dona Ângela. Mas se há alguém no mundo que pode fazê-la desistir de algo, essa pessoa é seu filho mais velho, Noah.
Sento-me na cama e sem minutos, ele entra pela porta e está nervoso, mas contido.
- Minha mãe está inflexível! - diz irritado - Ela não vai desmarcar assim.
- E o que eu vou fazer? - choro novamente - Eu não posso ir! Isso vai acabar com minha família!
- Eu dei apoio no começo e agora voltei atrás muito rápido. Ela está desconfiada! - fala pensativo - Minha mãe me conhece, sabe que tem algo de errado.
- Por que você deu apoio a essa ideia tosca? - pergunto brava.
- Como eu poderia imaginar que você fosse virgem? - pergunta - Virgem! A merda de uma virgenzinha que ninguém nunca comeu. Que grande merda! - fala como se a palavra fosse ofensiva - Que merda, Any!
- Desculpa! - peço - Desculpa por não ter contado quando tive chance. - ele me olha indignado.
- Você já fez outras coisas?
- Outras coisas?
- Sexo anal? Oral? Virtual? Qualquer tipo de sexo... - nego com a cabeça, pois sou incapaz de responder. Meu sangue ferve de constrangimento - Por isso você bebeu tantas doses? É claro! Você não estava escondendo nenhum segredo obscuro. A questão é que você não tinha o que contar... ou melhor, você estava escondendo algo sim, o fato de ninguém nunca ter fodido você. - diz e bate à porta do banheiro com força e fecho meus olhos - Por Deus, me diz que alguém te beijou antes de mim? Por Deus, não me diga que...
- Por que disso? - pergunto.
- Só responda a merda da pergunta que te fiz. - fala entredentes.
- Sim! - respondo.
- Quem? - pergunta.
- Eu já lhe disse. Fred Stwel. - digo.
- Um selinho não é beijo, droga! Nem foi um beijo de verdade. - diz e se irrita - E depois disso?
- Você. - digo - Depois o beijo roubado de Pedro.
- Inferno! - diz - Você sabe que a gente precisa dar um jeito nisso, não sabe? - faço que sim com a cabeça - Eu vou pensar em alguma coisa... em uma saída. - diz e se retira do quarto, totalmente bravo.
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