40 - SAÍDAS E LEMBRANÇAS

Noah Urrea

Suas palavras ainda estão rodeando em minha cabeça. Grande traidora! Meu ódio saiu todo de mim quando ela deixou o quarto, dizendo ir atrás de um qualquer para passar a noite. Tento convencer meu consciente a não ir atrás dela e lhe dar a boa lição que merece. Mostrar-lhe como é ter um homem de verdade dentro de si e afogar essa merda de desejo que me atinge toda vez que penso ou ouço o nome dela. Minhas pernas não me obedecem e saio pela porta, mas logo, a vejo no corredor com seu amante e entram no quarto. Não controlo minha raiva e atiro um vaso de rosas brancas na parede. Grande inferno! Por que ela tem que continuar sendo a pessoa mais linda que meus olhos já viram?

Alguns minutos se passam e ouço gemidos femininos e masculinos, junto a um chiado de cama velha batendo na parede. Não é possível! Ela só pode estar querendo me tirar do controle com essas provocações. Ela verá do que sou capaz! Além do meu ódio, ela ganhou também o meu desprezo.

Arrumo minhas malas e saio deste instituto. Nem me dou ao trabalho de avisar Guilherme. Não quero descontar a minha ira em alguém que não tem nada a ver com a grande falsa que me casei.

Procuro um hotel nas proximidades e me hospedo na suíte master. Peço algumas bebidas e adormeço, bêbado e sozinho, enquanto a minha querida esposa, fode com outro em uma cama velha.

[...]

A manhã chega e recebo uma ligação da diretoria me questionando o motivo de minha saída repentina durante a noite da instituição. Dou uma desculpa esfarrapada e desligo o telefone, agradecendo a boa intenção.

Para meu azar, a merda da noite passada não sai da minha mente. Por que essas malditas lembranças insistem em ficar na minha mente? Não lembro o nome de metade das mulheres que já fodi, tão pouco os rostos..., mas essa desgraçada, que nem ao menos vi totalmente despida, não sai de minha cabeça!

Não pude deixar de notar sua beleza estonteante e o anel que ainda usa no dedo esquerdo. Também notei que o colar que lhe dei de presente em um dos encontros, estava na cabeceira de sua cama.

Toda vez que fecho os olhos, me lembro daqueles olhos atentos, observando tudo e todos ao redor o tempo todo. Aquele sorriso de canto que mostra toda a sua fragilidade e me dá vontade de arrancá-lo de sua face no beijo. Aquela carinha de garota rebelde quando faz birra e me desafia, como se fosse imbatível, insubstituível e insuperável.

Eu odeio aquela garota travestida de mulher. A odeio com todas as minhas forças. Odeio sentir essa atração descontrolada. Odeio o efeito que ela causa em mim. Odeio odiá-la.

Ela vai sentir na pele o que me fez e vai ser aos poucos, lento. Ela vai sentir tudo o que eu senti.

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