31 - UMA VELHA EX AMANTE

Noah Urrea

Any se retira da sala e Betty me observa, enquanto observo Any indo até a porta.

No momento que a vi, sabia que ela teria que encarar o olhar analítico de Betty e não me surpreende os comentários inconvenientes vindo de minha ex namorada.

— Hum, ela é bonitinha... — fala com desdém — Mas de longe, faz o seu tipo. Esperei coisa muito melhor!

— Ela é perfeita! — digo sincero — E é exatamente, o meu ''tipo''.

— Eu te conheço, Noah! — diz e cruza as pernas — Eu conheço o seu gosto, os seus pensamentos, as suas preferências... e com toda certeza, uma mulher sem graça, não está entre eles. Qual é? Quer mentir para mim? — pergunta e eu a encaro normalmente, já que sou vacinado contra seu veneno — Não rola, Nono!

— Você conheceu o velho Noah, Betânia! — digo sério — E ele morreu há tempos.

— É, o velho Noah deve estar mesmo morto. — diz — Mas não há tempo assim... não é mesmo? Ou será que ele só está aí, adormecido dentro desse corpo cheio de músculos?

— Sem joguinhos, Betty! — digo — Eu mudei, mas você... você continua a mesma.

— Melissa Green, Olivia Barcelos, Amanda Parker, Elizabeth Morgan... — diz e sorri — Eva Lins, Stella Groove, Rebecca Miller, Laura Gray, Esther Mark, Sarah Moron, Claire Paul... eu poderia passar horas dizendo o nome delas.

— O que tem todas essas garotas? — pergunto.

— São algumas das garotas que você transou ao longo desses quatro anos. — diz — Período que você estava noivo da mocinha lá fora.

— Andou me investigando, Betânia? — pergunto.

— Não, de forma alguma. — diz e sorri — As fofocas correm, apenas! Você é discreto, mas nem tudo fica entre quatro paredes, amor.

— Como eu disse... foi o velho Noah! — digo — Any e eu fomos noivos modernos.

— Então ela também se divertiu? — pergunta na tentativa vã de me irritar.

— Sim! — digo — E como eu disse, passado é passado! E isso inclui você. Então, pode parar com essa sua sedução barata.

— É, talvez o Noah divertido que eu conheci tenha morrido mesmo, pois ele jamais agiria assim. — diz com malícia.

— Assim como? — pergunto cínico.

— Assim... tão... santo!? — abaixa a alça do vestido, expondo um dos seios, mas não me abalo em nada, mas ainda são exatamente como eu lembrava, apenas mais bronzeados e isso não me atrai, surpreendentemente — Jamais ficaria comigo, assim, e não me tocar... não me foder... não gozar na minha boca... — desce a outra alça, expondo agora os dois seios — Jamais ficaria aí, parado, sem socar até a raiz na minha boceta.

— Como eu disse... esse joguinho de sedução não funciona mais comigo. — digo e ela se enfurece, mas não perde a postura.

— Sabe outra coisa que o velho Noah não faria? — pergunta e ergo a sobrancelha, como quem está entediado — Não olharia para uma pirralhinha sem graça com um olhar de apaixonado. Um brilho fútil de quem tem esperanças na vida. O que você acha? Que essa tosca pode salvar sua alma podre e devassa do inferno? — ela gargalha — Sua alma não tem salvação. No máximo, você vai levá-la junto com você e condená-la, seu egoísta!

— Sabe o que não mudou, Betty? — pergunto e ela me encara — O efeito das suas palavras sobre mim. O tesão por você acabou faz tempo, mas o meu desprezo, continua o mesmo. Você sempre soube que não podia me atingir com suas palavras, porque elas não têm e nunca tiveram importância para mim. — ela fica em silêncio e sei que ela está me analisando e sobe as alças do vestido e fica séria.

— Vocês já transaram? — pergunta.

— Que tipo de pergunta é essa? — questiono e sorrio debochado. Any pode até não mentir bem, mas eu finjo que é uma beleza — Eu e Any estamos casados! — digo — E você sabe muito bem que não preciso de casamento para transar com alguém, não sabe?

— Você olha para ela... diferente. — diz — Como quem tenta ganhar um desafio... você não me olhava assim! Parece um garotinho apaixonado. — suspira — Comigo você tinha fogo, química, tesão incontrolável... o que ela tem que eu não tenho?

— Caráter, bondade... eu a amo, Betty! — digo.

— Não, você não a ama! — diz — Você acha que ela é a esperança para sua alma doente... ela não é! Ela não passa de um desafio para você, não é? — pergunta e eu estreito os olhos — Tem algo que você ainda não conseguiu. O que é, Noah?

— Eu já disse... eu a amo! — digo firme — Ela é minha esposa! A mulher que eu escolhi para estar ao meu lado, para ser a mãe dos meus filhos, para ser minha!

— Hum, você é patético! — diz e começo a me irritar — Você vai arruiná-la e condená-la. Você vai destruir a alma dela e vai ter que lidar com isso, para o resto da vida. O jeito que você olha para ela... — uma lágrima cai no rosto de Betty.

— Eu já disse tudo o que eu tinha que dizer! Ela é dona de todos os meus olhares, Betânia! — digo e a encaro — Ela é dona do meu olhar apaixonado... do meu fogo... de mim! — digo e olho para o relógio — Agora vamos! Meu único assunto com você já foi solucionado e é puramente profissional.

— Ok! — diz e seca o rosto com as lágrimas de crocodilo que caíram em sua pele — Vamos, gostosão! Eu só preciso de um táxi.

Fiquei surpreso em rever Betty. Já fazia mais de cinco anos que eu não a via. Como eu poderia imaginar que essa maluca poderia ser uma das pequenas acionistas da empresa? Ela não mudou absolutamente, nada!

Chamo o táxi para Betânia e saímos da sala. Any está sentada na poltrona e a secretária conversa entusiasmada com ela. Any é sempre muito simpática e mesmo quando é provocada, consegue se manter firme e com compostura, sem perder a educação.

Já sei muito bem como é forte o veneno de Betty e lamento ter que deixá-la a sós com Any por um tempo, mas sei que ela vai dar conta do recado.

Margarida e eu vamos até a sala buscar alguns contratos e tento ser o mais rápido possível para voltar logo e quando volto, só Any está na sala.

— Betty já foi? — pergunto.

— Sim, ela já foi! — responde — Quanto a nós, vamos?

— Vamos sim! — digo e espero ela se despedir de Margarida e então, partimos.

No caminho, ela vê as luzes do jardim noturno e observa atenta.

— Uau! — diz encantada — O que é isso?

— O jardim noturno. — digo — Você nunca veio?

— Não! — responde e continua a olhar — É lindo! —'diz e eu entro em rua escura.

— Você entrou na rua errada. — diz.

— Nós não vamos para a casa agora. — digo — Que tal um passeio?

— Pelo um beco escuro? — pergunta desconfiada.

— Eu adoraria... — digo e sorrio malicioso — Mas hoje não.

— E para onde vamos? — pergunta curiosa.

— Você me daria a honra de ser o primeiro a te levar ao jardim noturno? — pergunto e ela abre um sorriso iluminado.

— Claro! — responde empolgada — Eu adoraria.

Guio o carro até a entrada e pago os ingressos. Dispenso o guia, já que conheço muito bem o lugar. Pego a mão de Any e conto a história de cada planta, a lenda de cada flor, os mitos de cada peça desse jardim e ela parece uma criança em um parque de diversões pela primeira vez.

— Como você sabe todas essas histórias? — pergunta enquanto andamos abraçados — Já trouxe muitas garotas aqui?

— Já! — digo — Mas nenhuma delas se impressionou tanto com meu talento de historiador como você! — ela revira os olhos e eu a empurro para um canto mais escuro e escondido, que fica atrás de um pilar de concreto.

— Sabe até os lugares escuros. — diz — Uau!

— Quer saber? — pergunto ao pé de seu ouvido e ela fecha os olhos quando sua pele se arrepia — Eu conheço bem esse lugar sim..., mas eu nunca trouxe ninguém aqui. — digo — Nem garotas que eu transei, nem família, nem amigos. Ninguém... até hoje.

— Por quê? — ela pergunta.

— Porque é um lugar bonito, mas que esconde demônios. — digo — Assassinatos, maldições, estupros, promiscuidades.... — digo — Eu vinha aqui depois do que houve com Elliot... eu vinha pra pensar, pra ficar sozinho, para não ser visto e nem julgado.

— E o que te fez me trazer em um lugar tão particular para você? — me questiona.

— Eu confio em você! — digo e ela fica seria e me beija, mas um segurança aparece e nos interrompe e vejo Any ficar nervosa pelo flagra, mas eu dou risada e ela pede para irmos para casa, já que o jardim é grande demais para conseguirmos vê-lo todo em poucas horas.

[...]

Chegamos em casa e logo vamos dormir. Hoje, não teve pegação nem aquele fogo rotineiro. Hoje ela só se deitou em meu peito e em silêncio e adormeceu lentamente. E eu adormeço com o som de seu coração pulsando e sua respiração calma.

Acordo e ela já não está mais ao meu lado. Olho pelo quarto e nem sinal dela.

Desço as escadas e a vejo na cozinha e vou até lá, a abraçando por trás e beijando seu pescoço.

— Bom dia, querida! — digo.

— Bom dia! — responde e vira-se de frente, beijando minha boca.

— Por que acordou tão cedo? — questiono.

— O seminário tem me tirado o sono. — diz — Isso é muito importante para mim e pra todo o grupo.

— Hum, acho que você precisa de ajuda para relaxar! — digo e a coloco sentada no balcão e ela dá um gritinho, arrumando o vestido que veste — Deixa eu te ajudar a relaxar... — digo e beijo seu pescoço e ela fecha os olhos e sua cabeça se inclina para trás, enquanto minha mão massageia suas costas — Um sinal e você relaxará — coloco minha mão debaixo de seu vestido e ela abre os olhos desfocados e me afasta levemente com uma mão no ombro.

— É uma proposta tentadora..., mas ainda não! — diz e eu concordo com a cabeça e desvio o assunto.

— Então, o que achou de Betty? — pergunto e tiro seu cabelo do rosto.

— Ela é muito bonita, mas... — se cala.

— Mas o quê? — pergunto.

— Mas nada! — digo — Esquece!

— Esquece nada. Vai falando logo, mocinha! — digo e ela nega — Por acaso está com ciúmes, dona Any?

— Não! Não é isso... — diz — É só que ela pergunta demais. É totalmente inconveniente e intrometida.

— Ela é mesmo! — digo — Mas chega de falar dela. Estou faminto!

— Eu concordo plenamente. — ela diz e pula do balcão, esbarrando em minha ereção matinal. A vejo corar e ignorar totalmente essa ação, já que se senta e tomamos café. Em minutos, ela sobe para se trocar e volta — Já estou indo! — diz e me beija, virando e saindo, me dando uma visão esplêndida de sua bunda em volta de uma calça jeans apertada. Santos deuses da punheta, estou gastando minha cota.

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