2 - NOAH URREA

Noah Urrea

O tempo de fato correu, parece que foi ontem que minha mãe me disse que Any iria para um internato e só sairia semanas antes de nosso casamento. E cá estamos!

Daqui uma semana, serei um homem casado e amarrado a uma só mulher. Meus amigos da faculdade e adolescência não acreditariam se eu contasse... e que grande merda minha família foi me meter?

Toc, Toc, Toc! (Batidas na porta)

— Sim? — respondo.

— Olá, velho Noah Urrea! — meu amigo de anos, reconheço a voz.

— Eduardo, que bela surpresa! — digo.

— Vim para seu casamento, meu amigo. Nunca imaginei que esse momento chegaria! — ele diz e põe dois dedos na cabeça, simulando uma arma e sorrimos com a brincadeira.

— Para ser franco, nem eu.

— E você já viu Any? — me pergunta, pois é um dos poucos que sabe a situação que estamos diante esse casamento.

— Ainda não! Ela chegou hoje pela manhã e só a verei a noite.

— Não há hora melhor para ver sua prometida, meu amigo. — Eduardo diz brincalhão e mais uma vez, sorrimos de sua malícia — Sei que você não gosta das novinhas, mas bom, sabemos que de todos nós, Arthur é quem tinha a irmã mais gostosa.

— Você e seus modos!

— Qual é? Você é um sortudo!

— Com certeza! — falo irônico — Me casando obrigado com a irmã do meu melhor amigo. E não se esqueça dos problemas entre as nossas famílias.

— Nada que uma foda bem dada não faça esquecer.

— Pode ser divertido.

Eduardo e eu fomos amigos de faculdade e isso acabou virando quase uma irmandade. Ele me conhece bem e sabe o quão estranho é me ver nessa situação.

Conversamos por horas, relembramos velhas histórias, falamos de negócios e então, ele se vai, pois precisa resolver algumas pendências pessoais.

Assim que Eduardo se retira, foco meus pensamentos em um ponto e vejo que meu amigo me fez refletir sobre algo que eu ainda não havia prestado atenção em todos esses anos. Como será que Any está?

— Será que continua afrontosa e chorona? — pergunto a mim mesmo, me lembrando de sua personalidade frágil, porém forte.

Lembro-me de ela ser uma menina doce e gentil que atraia olhares por onde passava, apesar da pouca idade.

Olhos castanhos, cabelos longos, cheios e cacheados. Um olhar doce, mas ao mesmo tempo, marcante. Uma típica adolescente rica e mimada! Me lembro dela ser muito bonita, apesar de não fazer o meu tipo. Eu prefiro morenas, baixas, apimentadas e atrevidas. Ela é o oposto disso, mas é com ela que eu vou me casar.

Eu evitava olhar para ela e assumo que não fazia muito esforço para isso, mas, às vezes, a curiosidade falava alto e eu olhei, mas nada nunca muito sexual. Eu tenho meus valores, e não me envolver com uma menor de idade, é um dos principais... mesmo ela sendo minha noiva!

Quando Any morava na região, apesar de todos saberem que nos casaríamos um dia, ela ainda era uma menina quando o tratado entre nossas famílias foi selado. Ela tinha apenas dezesseis anos. E o que eu iria querer com uma menininha de dezesseis anos? Óbvio que não tentei a aproximação.

  [...]

Chego em meu apartamento e são quase 18h. Está quase no horário do jantar e eu estou com uma aflição estranha e incomum. Essa coisa de casamento está mexendo comigo!

Tomo um banho longo e relaxante. Eu precisava disso! Me visto com um terno preto, mas decido retirar a gravata, já que é um jantar de família. Não vejo motivos para tanta formalidade! Passo meu melhor perfume e já está quase na hora e já me preparo internamente para o tédio que será esse jantar.

T u r u t u r u t u t u (telefone toca)

— Sim? — atendo.

— Seu carro está pronto, Sr. Noah.

— Desço em 10 minutos. Obrigado! — digo e ajusto os últimos detalhes, pegando um colar que comprei para presentear Any e desço, indo em direção a casa dos Soares.

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