15 - REVELAÇÕES

Noah Urrea

Any parece surpresa ao me ver, mas também feliz! Ela sorri e me abraça. Sou pego de surpresa, não achei que ela fosse reagir assim, de maneira tão afetuosa.

— Por que você não me avisou que viria?

— Eu quis fazer uma surpresa. — digo.

— Ah sim! — ela sorri — E como foram nos negócios?

— Tudo na normalidade. — digo — Sabia que eu sou um dos proprietários dessa universidade?

— A Diretora Keller me disse. Também disse que você não vem muito por aqui.

— Isso vai mudar. Preciso buscar você!

— Ok! — ela sorri — Ah, uma amiga me pediu uma carona. Você se importa?

— Não, de forma alguma. Então você já fez amigos?

— Sim. Somos da mesma turma e estamos em um projeto de grupo. — ela diz — Vamos? Ela já está nos esperando na portaria.

Any Gabrielly

 Ele prende meu cinto e da partida no carro. Assim que paramos, Carol entra na parte traseira. Noah e Carol conversam todo trajeto, e ele parece ficar feliz ao saber que Carol é minha mais nova amiga e pelo visto, eles são mesmo, muito amigos também. Carol nos convida para um jantar em sua casa, e fico sabendo que na sexta, é aniversário de Noah. Então, marcamos!

Seguimos para casa e deixamos Carol na dela. Assim que chegamos, Karine e todos os outros funcionários já se foram. Sentamo-nos no sofá e começamos a conversar. Ele me conta como foi a viagem e eu lhe conto como tem sido meus dias na faculdade, escondendo, obviamente, todos os comentários.

Noah sobe para tomar um banho. Aproveito para tomar um também. A casa tem apenas um quarto mais o de funcionários, onde dorme os seguranças, mas há três banheiros no total.

Tomo meu banho rapidamente e noto que esqueci de pegar roupas limpas. Sei que o banho de Noah é demorado, e faz poucos minutos que ele subiu, então, aproveito para pegar uma roupa no closet sem que ele me veja. Estamos ficando mais próximos, nos tornamos amigos, e sei que o passado vai ser esquecido, mas tudo é ainda muito recente e não me sinto nada confortável em alguém me ver, enrolada em apenas, uma toalha.

Abro a porta devagar e com cautela, e me certifico se não há ninguém. Ótimo, ele ainda está no banho! A porta do banheiro está aberta. Mesmo assim, eu não o vejo e sei que ele também não me vê. Percebo que ele já separou uma roupa, pois está em cima da cama. Entro no closet e fecho a porta. Procuro uma roupa confortável, mas paro imediatamente, assim que a porta do closet é aberta e vejo Noah totalmente, nu.

Noah Urrea

Saio do banho e vejo que esqueci de pegar uma toalha seca.

Abro a porta e então, vejo Any, com a bunda para cima, coberta, apenas, por uma mísera toalha de algodão. Ela pula de susto quando ouve a porta se abrir e me olha rapidamente e começa a procurar algo maior para se cobrir. Ela pega uma camisa minha e coloca na frente do corpo e se vira, mas então, se dá conta de que eu estou totalmente nu e vira de costas rapidamente e posso observar suas costas e ombros se mexendo, mostrando que ela respira com dificuldade.

— Desculpa! Eu... eu... é, eu não imaginava que você entraria aqui. — ela diz, ainda de costas.

— Eu vim pegar uma toalha. — digo e ela permanece calada e vejo que está ainda mais ofegante — Você pode pegar pra mim, por gentileza?

— É... onde... onde estão? — ela pergunta — Onde estão as toalhas?

— Nessa porta, a sua direita. — digo calmamente.

Ela parece incomodada com minha nudez. Ou será que é com a sua? Não me importa! Nem a minha e muito menos, a dela... juntos, de preferência.

Ela se vira de lado, mas apenas para procurar a toalha. Acha e estende a mão para um lado e o rosto para o outro lado. Ela faz menção de jogar a toalha, mas eu me aproximo e pego de sua mão. Dou-lhe um beijo caloroso no ombro nu, e ainda um pouco molhado e então, enrolo a toalha e saio do ambiente, deixando-a sozinha.

Sento na cama e espero que ela saia. Dou-me conta de que talvez eu tenha passado de um limite, já que estamos ainda nos aproximando... mas não posso ser hipócrita e dizer que não gostei da situação tentadora.

Depois de alguns minutos, ela abre a porta e sai.

— Any, me perdoe por isso. Se eu soubesse que você estava lá, não teria entrado. — digo.

—Tudo bem! Eu é quem não deveria ter entrado sem avisar. — ela não me olha. Ainda está constrangida.

— Mas eu insisti. — digo — Any, eu não posso negar que eu tenho atração por você. Você é bonita, e é extremamente normal um homem sentir tesão por você... Ainda mais, te vendo seminua pela segunda vez... — ela cora violentamente — Mas eu prometo que não acontecerá novamente.

— Eu já disse que está tudo bem. Vamos descer logo? Eu estou morrendo de fome.

— Ok, vamos! — digo e me levanto — Hoje tem torta para o jantar.

Descemos até a cozinha e comemos em silêncio e ela também não me encara. Assim que terminamos o jantar, vamos para a sala para vermos filmes, como fazemos todas as noites.

O filme é um tédio e o que me distrai é observá-la jogada no sofá, com o pé próximo ao meu rosto. Ela também parece estar entediada e desconfortável.

Ela apoia o corpo nos cotovelos e me olha.

— Está tudo bem mesmo! De verdade... — diz.

— Que bom! — digo — Você ainda está com fome?

— É! Eu ainda estou. — sorri.

— O que acha de um lanche da madrugada?

— Eu acho ótimo!

— Então, vamos! Não precisa trocar de roupa, nós vamos ficar no carro mesmo.

Saímos e vamos até o fastfood onde o lanche é entregado no carro. Comemos ali mesmo no estacionamento vazio e não nos deram guardanapos.

— Que droga! Eu estou toda suja. — diz ao se analisar — Dá próxima, eu peço um lanche com menos molho.

— O problema não é o molho, o problema é você! — digo — Olha essa bagunça. Parece criança!

— Hummmmm, engraçadinho! — sorri.

— Me dê sua mão. — peço e ela me estende a mão e começo a chupar seus dedos para tirar o molho que sobrou neles. Foi algo que fiz inicialmente na inocência, mas não por muito tempo. Eu quero chupar bem mais que os dedos dela. Meu pobre membro se contorce dentro de minha calça e minha boca quer tanto lamber essa menina.

Quase caio na tentação de rouba-lhe um beijo, mas resisto. Não quero que ela saia correndo novamente.

— Vamos? — chamo e solto sua mão.

— Vamos! — ela responde.

Pegamos a estrada e no trajeto, vejo um rio. Fazia muito tempo que eu não passava por aqui.

Paro o carro e convido-a para descer, mas ela recua.

— Por que você me trouxe a esse lugar? — ela me pergunta.

— Então, você sabe que lugar é esse... — digo e ela balança a cabeça em afirmação — Eu vinha aqui com Sophie e Richard quando éramos crianças... e foi o último lugar em que Elliot veio conosco antes de tudo acontecer. — me olha assustada.

— É, eu sei! — diz — Mas por que você está me falando isso? Por que me trouxe aqui? — pergunta e seus olhos estão assustados e molhados pelas lágrimas que escapam.

— Porque nem tudo é o que parece, Any! 

— Eu não quero falar sobre isso, Noah! Por favor, vamos para casa. Eu já sei tudo que aconteceu... por favor!

— Eu preciso que você ouça a minha versão dos fatos.

—Noah, eu já sei de toda história... por favor! Eu não quero ficar lembrando disso. — diz — Estamos tentando fazer nossa convivência dar certo e eu... — interrompo.

— Não fui eu, Any! — digo — Não fui eu quem matou Elliot. 

Any Gabrielly

Por algum motivo, meu coração quer acreditar em Noah e acreditar no que ele diz. Mas eu conheço a história... Arthur viu Elliot, meu primo, nos braços de Noah.

— Venha comigo! — ele me estende a mão e eu a pego. Andamos por cerca de cinco minutos, em total silêncio e o único som que ouço, é o do vendo e o do meu coração acelerado, quase em combustão. Chegamos á um parquinho infantil a beira de um lago. A angústia domina meu peito e eu conheço esse lugar... Não venho aqui desde que Elliot foi morto pelas mãos de Noah em uma tarde fria de agosto há alguns anos.

— Por que você me trouxe aqui, Noah?

— Senta-te! — diz com a voz calma e eu obedeço, sentando-me no balanço. Ele dá a volta e fica atrás de mim e aperta meus ombros numa massagem rápida e então, empurra o balanço, igual fazia quando éramos crianças. Meu cérebro o obedece instantaneamente. Me desequilibro e caio para trás, mas ele me ampara — Você está com medo?

— Não! — minto.

— Não é verdade... eu sinto o seu medo, Any! O seu medo de mim. — diz e meu coração bate mais forte — Mas eu acho que você luta contra ele, porque não gostaria de senti-lo, certo?  — fala firmemente — Às vezes, ele é tão real e evidente, que quase consigo apalpá-lo com minhas mãos.

Eu fico em silêncio, porque ele está certo. Com a convivência, quero confiar e meu coração diz que posso, mas meu cérebro sempre diz que não devo esquecer os acontecimentos e redobrar os cuidados. Por mais que eu queira, no fundo, eu sempre estou pronta para correr ou me submeter a qualquer ordem dele, por medo das consequências para mim ou para minha família.

— Eu sei que você tem motivos de sobra para me temer, mas eu não quero que você sinta medo. Eu jamais te machucaria! Acredite. 

— Noah , eu estou ficando assustada. Por que você está falando isso? — pergunto — Por que insiste em dizer que não o matou se há provas mais que suficientes que provam que você tirou a vida de Elliot. Você confessou! Eu vi você confessar!

— Eu digo isso porque eu não o matei. — reafirma.

— Como não? Arth viu tudo. — digo — Eu nunca entendi como ele te perdoou tão rápido. Ele amava Eliot como um irmão ama o outro.

— Arthur sabe que não fui eu.

— Noah, me explica o que está acontecendo. — digo e ele para de empurrar o balanço e se senta no balanço ao meu lado e me sinto afogar de tanta ansiedade.

— Arthur não era o único que amava Elliot. Éramos como irmãos! — diz — Ele me conhecia, sabia como eram minhas crises de raiva..., mas eu jamais o mataria.

— Se não foi você, quem foi? — pergunto.

Noah Urrea

— Éramos jovens, Any! Tínhamos dezessete anos, tínhamos dinheiro e éramos os mais conhecidos da cidade. Isso atraia gente de todas as espécies e com diversos interesses. — digo — Eu me lembro de que sempre vínhamos aqui para brincar e quando crescemos, esse lugar, se tornou ponto de encontros românticos.

— Continue... — ela diz e é nítido que está assustada.

— Richard ficava com muitas garotas, mas elas quase nunca queriam transar com ele novamente. Ele era um pouco mais agressivo que o normal e obviamente, nem todas as garotas gostavam desse jeito peculiar dele. Ele gostava de bater, mas nem todas as meninas gostavam de apanhar... ainda mais sem serem avisadas antes dos gostos sádicos de meu irmão. — digo e prossigo ao vê-la encarar o mar escuro — Alguns anos depois, ele fez mistério de uma garota com quem ele estava saindo e isso atiçou a nossa curiosidade e até insistimos para saber de quem se tratava, mas ele nunca contou. Já seu irmão, sempre foi apaixonado pela minha irmã, mas Sophie não dava muita bola para ele. A gente já desconfiava que ela gostava de outra pessoa, mas nunca nos metemos. Sophie sempre foi a frente de tudo, desde muito jovem já tinha uma vida sexual ativa e com diversos parceiros. Isso nunca foi problema pra nossa família e sabíamos que ela era esperta, então, não nos intrometíamos em sua vida, afinal, ela tinha todo o direito de se divertir, assim como nós nos divertíamos. — suspiro — Mas Arthur, ainda assim, depois de anos, continuava apaixonado e iludido... achava que Sophie fazia isso para chamar a atenção dele. A verdade é que ela sempre gostou de ser o centro das atrações para todos.

— Eu não entendo! Aonde você quer chegar?

— Ouça com paciência, por favor! — ela faz que sim com a cabeça e continuo — Eu conheci uma garota. Betty, era o nome dela! No começo, era sexo e somente isso, mas acabamos nos envolvendo e as coisas ficaram complicadas.

— Complicadas? — pergunta baixinho.

— Digamos que ela gostava de emoção e perigo e eu tinha acabado de assumir a empresa, a mídia estava em cima de mim e qualquer coisa era motivo de colunas inteiras nos jornais. Meus pais não nos apoiaram e não confiavam o suficiente em meu irmão para dar-lhe o cargo de presidente. Com todos os altos e baixos, acabamos terminando e não foi nada amigável. — conto — Nesse período, Betty me escondeu algumas coisas, como o envolvimento que ela teve com meu irmão antes de nos conhecermos e o caso que Sophie e Elliot estavam mantendo em segredo. Eu não acreditei nela, pois era manipuladora e mentirosa.

— Sophie e Elliot? Eles tiveram um caso? — pergunta surpresa — Continue...

— Em uma noite, eu conheci uma garota e fomos para um motel, mas no caminho, na praia de South Beach, eu vi os dois, transando na areia e não acreditei no que meus olhos estavam presenciando. Estavam lá, se expondo, sem se importar se vissem e quando Sophie me viu... ela não parou. — digo me recordando — Ela acelerou os movimentos e gemia alto, como se quisesse mostrar que não tinha arrependimento nenhum naquela situação. Eu não suportei a cena e o pior de tudo, era a dupla traição! Não por Sophie ser nossa irmã, mas por todos nós sabermos o quanto Arthur amava Sophie e mesmo assim, Elliot e Sophie não pensaram em ninguém. Eu preferi me calar e não contar nada do que eu sabia, pois pensei que causaria uma tragédia grande demais nas famílias, então, eu só me afastei deles. — continuo e ela continua ouvindo atentamente — Mas eles não eram nada discretos e os rumores começaram a se espalhar e eu achei melhor contar pro seu irmão o que eu já sabia há algumas semanas e eu fui até sua casa... mas quando eu cheguei, Arthur estava ao telefone com Sophie ela estava desesperada. Ela disse que tinha acontecido algo horrível e Arthur não pensou duas vezes antes de ir correndo atrás dela e eu fui junto... apesar de tudo, ela era minha irmã! Família ajuda família, não é? Mas nada nos preparou para aquela cena da praia... — digo focando meus olhos no chão — Richard estava sentado na areia gritando com Sophie e o corpo de Elliot já estava sem vida, estirado na areia misturada ao sangue. Quando nos aproximamos, ela disse que atirou nele, por defesa; que Elliot tentou estuprá-la e que ela se defendeu. Obviamente, eu não acreditei! —falo e Any me olha com os olhos sobressaltados — Eu conhecia Sophie e eu conhecia Elliot... sabia do caráter dele. Então, eu contei o que havia visto e nunca vou me esquecer do rosto de decepção de seu irmão. O olhar dele era de ódio e aquele desespero que eu vi em seu rosto ao ver nosso amigo morto, se transformou me raiva. Ele estava irreconhecível! — continuo e olho para ela — Mas Richard se levantou e contou uma outra versão da história. Ele disse que Sophie e Elliot estavam fazendo um jogo sexual perigoso, eles sempre gostaram disso, e então, a arma disparou acidentalmente. Ela ligou pra Richard, pediu ajuda e ele se recusou. Então, ela sabendo dos sentimentos do seu irmão, tentou se aproveitar disso. Ela sabia que conseguiria manipulá-lo facilmente para ajudá-la.

— Onde você entra nessa história? — ela pergunta como se estivesse totalmente aérea.

— Sophie pediu para que seu irmão assumisse a culpa, pois ela já tinha passagens por posse de drogas e já tinha diversos problemas com meu pai. Obviamente, eu fui contra, mas seu irmão ainda assim queria, porque Sophie se declarou para ele, dizendo que agora era livre para ele e que iriam ficar juntos. Eu me senti culpado, porque eu poderia ter evitado aquela situação ao entregar Elliot e Sophie, mas não fiz. Então, eu assumi a responsabilidade! Sophie era minha irmã, Arthur meu amigo e não tinha nada que pudéssemos fazer em relação a morte do nosso amigo. Achei que poderia ser uma forma de não deixar esse furacão acabar com nossas famílias. — digo recordando — Eu era de família influente e tinha um bom histórico. Com uma história convincente, e Arthur e seu pai me dando apoio, eu seria inocentado facilmente... e foi o que aconteceu!  Arthur até me perdoou, mas as pessoas não. Alguns diziam que eu o matei por ciúmes. Outros que o matei por prazer..., mas a verdade, é que nem fui eu quem o matou. — respiro profundamente — As pessoas desta cidade me pintaram como um monstro e no final, acreditei tanto nisso, acabei me tornando um. Depois de um longo tempo, o romance entre Richard e Sophie foi descoberto e concluímos que a garota por quem Richard estava apaixonado, havia anos,  era nossa própria irmã! O caso deles era mais antigo do que imaginávamos. Eu e Arthur achamos que a morte de Elliot não foi acidental. Foi ordenada por Richard, mas nunca conseguimos provar absolutamente nada.

— Minha nossa! — ela diz chorando.

— Any, por favor, diga alguma coisa. — ela permanece em silêncio.

— É por isso que minha família te perdoou tão facilmente? — indaga e confirmo — E por que só agora você está me contando isso?

— Porque eu não quero que você ameace desmaiar toda vez que eu chegue muito perto de você... e você faz parte da família! Tem todo o direito de saber. — respondo. Assumo que estou aliviado por tirar esse peso de minhas costas.

— E o que dizem é verdade? Ele ficou mesmo com a sua namorada? — ela pergunta, como se estivesse me testando.

— Não! Eles eram apenas amigos. Ele nunca faria isso comigo.

— Como você pode ter certeza? — ela pergunta quase gritando — Ele traiu Arthur, que era do mesmo sangue... o que te garante que ele não faria isso com você também?

— Elliot era bom, Any! — digo — Ele só ficou com Sophie porque estava apaixonado. A paixão cega! Olha o que nós fizemos?! Acobertamos um crime por amor a uma mulher que não merecia. — ela me encara e não diz nada — Eu te conto meu maior segredo e essa é a sua reação?

— Eu... eu... — ela não conclui nenhuma frase que tenta formular. Em uma atitude inesperada, ela se joga em meus braços e me abraça forte e fico surpreso, não a abraçando de volta — Eu acredito em você!

— Acredita mesmo?

— Acredito... eu juro que acredito! — ela diz e penso em beijá-la, mas há tanta inocência e doçura em seu gesto, que temo estragar o momento. Ela permanece em silêncio e continua com seus braços a minha volta, como quem tenta me confortar por tudo que aconteceu e circulo meus braços em volta de seu corpo.

— Eu acho melhor a gente voltar para casa. Está tarde e estamos sem nenhuma segurança. — digo e ela concorda com um sinal de positivo com a cabeça, mas continua abraçada ao meu corpo mais alguns segundos. Ela então me solta e vamos até o carro, ainda em silêncio. Ela ainda está processando tudo o que acabei de lhe contar, obviamente.

Abro a porta do carro para que ela entre e em seguida, dou a volta e entro no banco do motorista. Prendo o cinto dela, em seguida, o meu.

— Por que você sempre faz isso? — me questiona.

— Isso o quê? 

— Essa coisa com o cinto. — diz — Você não espera que eu mesma o prenda. Você sempre faz isso por mim antes.

— Ah, isso... — falo — É só uma mania que eu tenho. É para sua segurança! Você se incomoda?

— Não!

Seguimos o caminho e ela olha para o lado de fora, observando as ruas escuras e frias da cidade, permanecendo calada todo o percurso até que chegamos em casa e ela se jogar no sofá.

—Eu te contei um segredo meu. — digo — Por que você não me conta um para ficarmos quites?

— Eu não tenho nada de interessante para contar.

— Duvido disso! — digo — Você é jovem! E jovens fazem coisas de jovens. E coisas de jovens são interessantes.

— Bom, eu me casei com você... isso não me parece nada jovial. — ela sorri, achando graça da situação, mas ainda vejo que é para disfarçar o choque inicial das coisas que lhe contei.

— Ok! Que tal me contar sobre as suas saídas noturnas do internato? — digo — Isso me parece coisa de jovens rebeldes.

— Como você sabe disso? — ela se senta desconfortável, perguntando desconfiada.

— Jornais, colunas de fofoca, a direção... constantemente, suas saídas secretas davam o que falar. Mas eu fui mais esperto e deixava eles acreditarem que você saia para me encontrar. Assim, não ficaria tão na cara que era um casamento arranjado.

— Você soube mesmo como fazer... — diz — E por que não me impediu?

— Eu sou mesmo muito bom no que faço, querida! — digo maliciosamente — E eu não queria privá-la totalmente. — ela revira os olhos e imagino como deve ficar bonita quando faz isso, só que de prazer.

— Convencido! — diz — E obrigada por não me impedir.

— Você não disse o que fazia nas fugas. — retorno ao assunto.

— Eu ia a biblioteca... as vezes, ao jardim.

— Sozinha? — questiono. Duvido que não fosse acompanhada de um namorado.

— Na maioria das vezes, sim. Havia dias que Mel me acompanhava.

— E por que não visitou sua família em nenhuma dessas fugas? — questiono — Não sentiu saudades?

— Para quê? — pergunta — Pra eles me trancarem lá de vez? Ou pior, me trocar de instituição? Eu odeio me sentir presa e aquele lugar me sufocava.

— Compreendo seus motivos. — digo — Eu estava pensando... a gente podia fazer alguma coisa.

— O quê, por exemplo? — ela pergunta, desconfiada.

— Não sei... assistir um filme, ler algo, jogar alguma coisa. — sugiro.

— Xadrez, dama, bilhar...?

— Eu pensei em algo mais... interessante. — digo sugestivo. Adoro vê-la envergonhada — O que acha de verdade ou desafio?

— Não acha um jogo muito infantil?

— Você já jogou? — pergunto e ela nega — Então, eu sugiro que jogássemos... com consequências mais adultas, obviamente.

— Que tipo de consequências?

— Na faculdade, tínhamos um mais leve e funcionava assim: Fazíamos a pergunta e todos nós tínhamos que respondê-la. Quem escolhesse o desvio, bebia e perdia o direito a pergunta na próxima rodada, mas teria que responder as perguntas.

— Só tem um problema... eu não bebo. — diz.

— Para tudo tem uma primeira vez! — digo e a desafio — Está com medo?

— Você está me desafiando? — questiona ofendida — Eu aceito!

Pego o Whisky no barzinho da sala e começamos o jogo com perguntinhas bobas do tipo: primeira viagem, cor favorita, primeiro animal de estimação.

— Primeiro beijo. Onde, idade, com quem foi e se gostou. — pergunto.

— Hummmm! — ela pensa — No lago de casa. quinze anos. Fred Swtel. Foi estranho! — sorri — Sua vez!

— Fred Swtel? Aquele playboyzinho que era seu vizinho? — pergunto e ela revira os olhos. Não vou fazer piadas — Nem foi um beijo de verdade! — digo e ela me olha torto — No carro do meu pai. Onze anos. Cristina Young. Foi bom! Ela me ensinou umas coisas legais.

— Calma ai! Seu primeiro beijo foi com a Srta. Young e você acha que pode me zoar pelo Fred? — ela sorri — Ela não é mais velha que você?

— Sim! Uns dez anos... eu acho. — ela me olha estranhamente linda — Mas eu também sou mais velho que você.

— A diferença é que eu não tenho doze anos. — diz irônica e eu continuo.

— Primeira vez que fez sexo? Idade, lugar, com quem foi e se gostou. — me olha e revira os olhos, como quem não gostou da pergunta. Mas regras são regras! Ela pega uma dose de Whisky e vira na boca, fazendo uma careta quando o líquido desce por sua garganta — Pra não querer responder, deve ser alguém pior que o Fred. — digo sorrindo e ela me joga uma almofada.

— Vai logo. É sua vez! — me apressa.

— Eu tinha treze na época. Foi na casa dela e também foi Cristina. Não foi o melhor sexo da minha vida, mas serviu para a época. — respondo.

— Você tinha treze anos? — pergunta assustada — Você era quase uma criança.

— Eu era jovem mesmo..., mas é normal que aconteça cedo. Não conheço ninguém que tenha mais de dezessete anos e não tenha tido ao menos, uma experiência sexual. — digo e ela sorri — As pessoas não tem muita paciência pra esse tipo de coisa.

— Você pergunta de novo, certo?

— Como e quando a sua mãe descobriu que você tinha fodido a primeira vez? — pergunto.

— Ela não descobriu... — diz e me dou conta da mancada. Any perdeu a mãe ainda criança. Ela pega uma dose e bebe.

— Any, desculpa... eu... eu não pensei direito.

— Tudo bem. Sua vez!

— Eu contei pra alguns amiguinhos, eles contaram pros pais e acabou caindo nos ouvidos da minha mãe. — digo e dou risada — Minha mãe queria dar uma surra nela.

— A Sra. Urrea é sempre tão calma... não imagino ela brava ao ponto de querer bater em alguém. — ela diz e sorri.

— Nem queira vê-la brava. — digo e prossigo — Você já fez sexo em público?

— Não! — é direta.

— Nem preciso responder... — digo e ela parece constrangida.

— Eu estou sem criatividade. — ela diz.

— Eu faço as perguntas. Tudo bem? — ela concorda — Já transou no carro?

— Não! — responde.

— Algumas vezes. — digo e continuo — Já fez sexo com mais de duas pessoas? Ménage, suruba...

— Não! — estranho, uma universitária que nunca tenha feito.

— Algumas poucas vezes. — digo — Primeira vez que foi no motel?

— Eu vou beber! — diz e bebe. Deveria ser muito nova, por não responder uma pergunta tão boba.

— Eu tinha dezesseis anos. — digo — Já transou na casa dos pais ou com algum familiar próximo?

— Não. — diz.

— Até no quarto deles... eu sei, é horrível! Mas acontece. — digo e ela parece incrédula — Já fez sexo com mais de uma pessoa em um dia? Se sim, com quantas?

— Eu bebo! — ela diz e bebe. Já está vermelha, não sei se é de vergonha ou por conta da bebida. Será que ela não vai contar nada de obscuro de seu passado? Essa garota é dura na queda!

— Sim! Acho que três mulheres. Na época da faculdade. — ela me olha chocada — Prefere sexo com ou sem camisinha?

— Eu... — ela bebe e eu a observo.

— Depende da pessoa e da situação. Não vou transar com alguém desconhecido sem proteção. — digo — Gosta de acessórios sexuais? Gosta mais de usar ou de manusear?

— Mais uma dose, por favor! — ela pede e eu lhe entrego. Isso está sendo divertido.

— Depende. Mas eu prefiro manusear! — digo e sorrio de seu estado. Ela já está um pouco fora de si — Prefere Sexo romântico ou sexo selvagem?

— Eu estou tonta! — ela sorri e bebe.

— Gosto dos dois, mas sou um pouco impaciente, as vezes. Eu gosto de sexo e ponto. — digo — No sexo, você prefere mandar ou ser mandada?

— Eu... — sorri — Eu vou beber!

— Gosto dos dois. — digo — Chupar ou ser chupada?

— Eu vou ter um coma alcoólico. — diz e bebe.

— Gosto dos dois, é claro! Mas fazer oral, me dá um tesão maior! — digo — Gosta de beijar ou acha isso intimo demais?

— Eu não sei... há coisa mais intima que sexo? — ela pergunta e sua voz já está alterada e arrastada.

— Eu acho beijo algo muito íntimo. Sexo é algo mais casual, não precisa envolver relações afetivas. Eu acho beijo algo mais puro e... enfim. É intimidade demais!

— Eu não sei... você me beijou no dia que chegamos. — ela diz — Não éramos íntimos. Por que você me beijou, então?

— Eu quis te beijar. Eu tive vontade, então eu beijei. — digo.

— Ok! — ela diz e ameaça gargalhar.

— Qual foi a primeira coisa que você pensou que aconteceria quando ficássemos á sós? — pergunto.

— Eu não sei... eu.... — ela para e bebe — Eu não estava raciocinando direito. — diz sorrindo e põe as mãos no rosto — Eu estou muito bêbada.

— Para ser sincero, eu pensei em te jogar na parede do corredor e te fod... — olho para Any para analisá-la, mas ela está tombada para o lado, dormindo. Ela não respondeu nem metade das minhas perguntas e a garrafa de bebida que estava cheia, está pouco abaixo da metade. Ela deve ter muitas coisas para esconder para beber tanto.

Pego ela no colo e a levo para o quarto. Já é tarde e ela está em sono profundo. Sua blusa de moletom ainda está suja de molho e eu a tiro, mas em seguida me arrependo, já que ela usa apenas um sutiã por baixo e talvez, não goste do fato de eu ter tirado sua roupa enquanto estava inconsciente e com toda a razão. Pego uma blusa limpa no closet e visto nela. 

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