CAPÍTULO XII

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“Você promete que vai procurar por nós?
Você vai me encontrar na vida após a morte?


- Afterlife, Hailee Steinfeld


LEVI


Levi passou pelo salão principal, onde os guardas lutavam com alguns dos inimigos, ele pode ver que estavam em vantagem, isso era uma coisa boa, ele havia treinado muito bem seus soldados, poderiam finalmente vencer essa guerra e pôr um fim nisso tudo.

Iria dar tudo certo.

Ele seguiu pelas escadas, subiu dois lances se lembrado do que o soldado Ryle havia dito, ele estava no quarto secreto. Então subiu mais três lances da escada e virou a direita até o fim do corredor, parecia tudo calmo por ali, quase não se ouvia o som da luta lá embaixo, quase como se fosse uma noite tranquila.

Passou pelas portas e parou diante de um quadro. Um falso quadro, que passando os dedos pelo local certo se abria em uma passagem comprida e escura, bem estreita.

Levi olhou em volta para se certificar que ninguém o havia seguido e então entrou na escuridão do corredor, o quadro se fechou a suas costas. A passagem se estendia a frente tão estreita que mão se podia abrir os braços, apoiando suas mãos na parece áspera e fria para se localizar já que não podia ver nada além de uma pequena claridade que vinha do fundo do corredor, ele andou até que essa luz ficasse mais próxima e forte enquanto avançava, não conseguia ouvir nada dentro daquele local, como se fosse coberto por alho que camuflasse os sons, era um bom lugar para se esconder. Chegando no final Levi conseguiu vislumbrar de onde vinha a claridade, era apenas um pequeno buraco na porta, ele olhou e lá estavam Henry e Cateline, ambos sentados sem ter muito o que fazer naquele momento. Por fim parou para procurar o botão que abria a porta. Assim que achou o local exato empurrou o botão e girou fazendo com que a porta pesada se abrisse para uma sala pequena e apertada com poucas coisas, as mais essenciais para casos de emergência, havia um pequeno arsenal com algumas armas a disposição, tão velhas que poderiam nem estar funcionando. Uma mesa empoeirada com alguns papéis em cima e logo ao lado um armário velho que só poderia estar cheio das provisões que seriam utilizadas nos dias em que seguiriam ali, preso sob um ataque. Apesar de não ser grande era o suficiente.

Levi passou pela porta com dificuldade, era alta e pequena, como se fosse feita para uma criança, dando um salto para chegar a sala.

Henry se assustou ao ver a porta se abrindo.

Cateline soltou um grito e pegou a primeira coisa que havia ao seu alcance, apontava um candelabro para Levi a fim de se defender.

- Ah...é só o Levi Cateline, abaixa essa coisa! Henry fala parecendo um tanto aliviado por vê-lo em meio ao caos instalado tão repentinamente.

- Por um momento pensei que fos...

- Se eu fosse você não ficaria tão feliz em me ver! Levi diz ríspido. Henry fica espantando com sua resposta , não era acostumado que alguém o tratasse dessa maneira. - Talvez eu não seja quem você pensa. Continua Levi.

- O que você quer dizer com isso? Henry pergunta deixando sua expressão transparecer. - Estamos do mesmo lado meu caro amigo. Não estamos? Ele tenta amenizar a situação.

- Quero dizer que qualquer um poderia ter passado pelos guardar e achado esse lugar facilmente e você estaria morto agora mesmo. Levi fala se aproximando do rei. - Reconhece que eu estava certo majestade? Se me ouvisse não estaríamos nessa situação agora. Senhoras e senhores esse é o seu rei, um completo idiota! Levi fala se aproximando ainda mais.

- Levi o que você está fazendo? Ele fala se afastando. - Abaixa essa espada! Somos amigos lembra? Diz tentando em vão fazer com que Levi recuasse.

Levi solta uma risada.

- Claro, você é meu amigo. Um amigo que é apaixonado pela minha esposa! É, eu sei disso, ouvi sua briga com Cateline. Você realmente quer tudo o que é meu não é? Levi se aproxima mais. - ou ainda vai ter coragem de me dizer que é mentira? Seu tom é frio ao dizer as palavras que tanto passam e repassam em sua mente há tempos, finalmente podendo dizê-las em voz alta. - por que? Quero que me diga, já não tem tudo na sua vida? Por que querer tirar a única coisa que eu tenho?

- Está certo. É verdade. Eu amo Ayme, e não a nada que você possa fazer para mudar isso! Henry fala tão frio quanto Levi, mostrando quem realmente é, não o mocinho que aparenta, não o bom rapaz que Ayme se tornou uma amiga próxima, ele não era assim, as pessoas escondem seu pior lado.

- Ai meu Deus Henry, fica calado! Não vê que ele quer te matar! Cateline fala tentando esconder seu medo aparente, ainda segurando o candelabro pronta para se defender caso precise.

- Respondendo sua pergunta, acho que tem algo que eu possa fazer sim! Levi joga a espada no chão e pega uma laranja do seu bolso. - Com isso!

- Uma laranja? Cateline pergunta.

- Isso, uma laranja! Agora pegue, quero que coma essa laranja. Levi entrega para Henry que a pega relutante.

- Mas o...

- Apenas faça o que mandei!

- Ou o que? Vai me ameaçar? O rei pergunta segurando aquela peculiar laranja em suas mãos.

- Não deixe chegar a esse ponto, meu amigo, lhe garanto que não vai ser nada agradável para vossa majestade, então aconselho a fazer o que pedi sem reclamar. Levi fala com autoridade, não esperando uma resposta.

- O que isso vai fazer comigo? Está envenenada? Ele pergunta analisando a fruta em suas mãos a procura de algo diferente.

- Se eu quiser te matar tenho outros modos muito mais divertidos que um mísero envenenamento, é tão clichê que chega a ser chato. Então coma e verá! Ele indica para a fruta nas mãos de Henry.

- Para mim parece algo normal, ainda não entendi sua intenção me dando essa laranja. Henry fala confuso com a situação que se passa. - Bom, não tenho nada a perder!

Levi o observa comer a laranja, não era como se ele fosse sentir algo diferente, não iria ficar em estado de transe, não era algo bem sutil poderia passar despercebido por quem não soubesse a real magia da fruta que viera de Penumbra, o lugar misterioso com plantas curativas, mas também com coisas que podem ser letais a quem consumir, por hora essa não era mortal, mas a partir desse momento poderia ser controlado por quem a deu, por Levi.

(E aí esta meus queridos, eis o plano de Levi Meyer, agora entendem o porquê de sempre alertar sobre ele?)

Ele ainda não sabia o que faria com Cateline, se ao menos ela ficasse quieta, o que é quase impossível, mesmo ela estando em choque com os acontecimentos recentes, não fechava a boca. Poderia lhe dar a outra laranja e mandar que a mesma fechasse a boca por um segundo que fosse, já não suportava mais ouvi-la falar.

Assim que Henry acabou com a laranja continuou encarando Levi que parecia estar gostando desse entretenimento, do qual ele controlaria. Agora ele tem o rei na palma de suas mãos, pode mandar ele fazer o que quiser, como uma marionete, só que sem as linhas.

- Certo, vamos ver como isso funciona! Ele fala encarando o rei que permanecia parado. Como se esperasse por um comando. - Diga... eu sou um idiota.

- Eu sou um idiota. Henry repete e logo após percebe o que acabou de fazer colocando as mãos em sua boca. - Como? Eu não queria dizer isso! Foi mais forte que eu, como se fosse foçado.

(Confesso que ri nessa parte)

- É parece que funciona. Bom então vamos ao que vim fazer aqui! Levi diz num tom calmo, ele anda de um lado para o outro enquanto pensa no que fazer com o rei que continua no mesmo lugar.

- O que você vai fazer, mandar ele se jogar da janela? Vai pedir para ele cravar a espada em si mesmo? Por que não acaba logo com isso! Cateline fala ríspida sem um pingo de emoção sobre seu marido.

(Pode deixar que eu dou a outra laranja pra ela)

- Fique quieta ou então será a próxima! Levi a responde sem alterar o som de sua voz, o que ainda assim a deixa com medo. - Agora, quero que você pegue um papel e uma caneta, vai escrever algo para mim. Levi fala deixando ambos sem entender o que ele queria.

Como se tivesse apertado um botão de programação Henry se mexe e vai até a mesa empoeirada, puxa a cadeira provocando um rangido no chão se senta e pega um papel.

- O que eu devo escrever? Pergunta.

- Diga que... se algo lhe acontecer, como não há herdeiros, todas as suas posses e títulos serão passados a mim e Ayme, seu melhor General e mais antiga amiga. Os mais próximos a você. Seremos os herdeiros do trono. Levi sorri ao terminar de dizer o que sempre quis, era realmente tudo que ele queria e tinha trabalhado para isso, ser o rei, o responsável por mandar em tudo.

- Mas no que isso vai lhe ajudar? Afinal eu estou vivo. Henry fala enquanto escreve o que Levi lhe pediu. - Eu poderia lhe nomear com um cargo maior que General. Se conseguir acabar com essa invasão. Henry encara Levi.

- Ah! Não seja tolo meu querido marido. Ele vai te matar! Não posso acreditar no tamanho de sua burrice, como não percebe que ele está transbordando de raiva, quer dizer, olha só todas as coisas que você falou sobre Ayme, acha mesmo que ele deixaria você perto dela esse tempo todo se não tivesse um plano? Cateline soltou as palavras como um chicote estalando, sempre souberam que ela era assim, não seria agora que mudaria, nem para poupar a vida de sei marido, o rei.

- Levi? Você não faria isso, faria? Henry pergunta e ao ver a expressão de raiva no rosto dele já sabe qual a resposta. - Por favor, eu lhe imploro! Eu prometo que ficarei longe de vocês! E e-eu já lhe nomeei general, já é bastante respeitado e se quiser posso aumentar seu salário, isso não seria problema nenhum, mas por favor não me mate! Henrique quase implorando por sua vida.

- Agora é tarde demais, e pra que me contentar em ser o General se posso ser o Rei? Sabe, sempre sonhei em ser importante, em ser reconhecido por todo meu esforço, e você fez o que para estar no trono? Apenas nasceu. Para você a vida toda foi fácil, teve de tudo, tudo que poderia querer. Não sabe o que passei para chegar até aqui, todas as coisas que tive de suportar, e acabei de saber que minha família toda se foi por uma doença, eles morreram com a miséria, e isso tudo porque não pude ajuda-los, não pude fazer nada a respeito. E agora tenho Ayme e Leo, não vou deixar que nada destrua isso também, vou fazer o que for necessário para mantê-los em segurança. Não posso perde-los também. Ao terminar de falar Levi tinha lagrimas nos olhos, mas as enxugou rapidamente, não deixaria que o vissem assim tão vulnerável.

(É lindo ele querer proteger quem ama, mas não desse jeito, não assim)

- Eu sinto muito pela sua família! Mas isso não é desculpa para me matar. Ele levanta subitamente ficando frente a frente com Levi.

Antes que Levi pudesse responder eles foram surpreendidos por uma explosão vinda da porta da passagem secreta, agora ela se abrira num enorme buraco. Fragmentos voaram por todos os lados inundando a sala com um cheiro de pólvora e muita fumaça, ficando difícil enxergar.

Barulhos de passos vinham do corredor, espadas sendo arrastadas e os soldados se aproximando, muitos deles.

O inimigo estava ali.

Não tiveram tempo de reagir, assim que entraram Levi viu Cateline ser atingida em seu peito por uma espada, no mesmo instante ela caiu e uma poça de sangue se formou em sua volta. Ele foi até ela mas já estava sem vida, ainda com o candelabro em sua mão, não teve tempo de se defender, nem ao menos gritar de ajuda, foi tão rápido que não conseguiu fugir da espada que a atravessou.

Essa invasão ao quarto secreto não fazia parte de seu plano, teria de pensar rápido em como sair daquela situação.

Usou sua espada para atacar quem havia matado Cateline, o soldado usava uma armadura que ia dos pés até a cabeça, de modo que não podia ver seu rosto, atacou mas ele desviou facilmente já o atacando, mas Levi era rápido e conseguiu se esquivar a tempo de ter uma espada cravada em seu coração. Se recuperou e voltou a atacar com mais força e velocidade fazendo com que o soldado se cansasse da luta e diminuísse o ritmo, e assim foi, ele deu uma brecha e Levi não perdeu tempo em passar a lamina pela barriga, ele não foi um golpe fatal, mas ele sangraria ate seu últimos suspiro antes que alguém visse ao seu amparo.

Após derrubá-lo ele se deu com mais dois soldados que vinham pelo estreito corredor, não usavam espadas mas armas de fogo e entraram atirando sem ver para onde miravam. Levi pegou a cadeira velha e usou como escudo para abrir caminho até a porta, não olhou para trás em busca de Henry, pois o mesmo havia fugido enquanto ele lutava com o primeiro soldado. Tinha que sair dali e ir atrás do rei, terminar o que havia começado. Nesse momento ele lembrou que não havia pego o papel que Henry escreveu minutos atrás.

Ele correu até a mesa, pegou a carta. Correu até o buraco da explosão por onde os inimigos passaram, antes que saísse foi atingido por uma bala, foi um ferimento leve, mas seu instinto de defesa foi enfiar sua espada direto no coração de quem o atacara. Assim saiu correndo pela passagem e avistou o rei indo em direção as escadas. Ele não podia deixa-lo escapar, não agora que havia revelado suas intenções, precisava seguir o plano até o fim, não era hora de voltar atrás. Precisava ser feito.

A estrutura de um dos pilares desabou sobre as escadas, estavam frágeis pelo fogo, fazendo com que o caminho ficasse bloqueado, e a única outra saída era a sala de reuniões que tinha uma escada privada para o salão de jantar. Henry teria de passar por Levi para seguir esse caminho. Ele estava encurralado como uma presa pelo caçador, não havia escolha senão lutar contra ele se quisesse sair com vida.

Suas habilidades com a espada não era uma das melhores, já Levi era muito bom naquilo e após ingerir as folhas se tornou quase invencível, o rei não teria chance alguma, mas mesmo assim tentou, pegou uma espada de um soldado caída no chão e veio em direção a Levi, que segurou sua espada com força conseguindo bloquear o primeiro ataque que Henry desferiu, atacando logo em seguida.

Por um momento só se podia ouvir o som das espadas brandindo, o som do fogo crepitando a volta e escombros caindo sobre as escadas, gritos abafados de dor, o cheiro da fumaça instalado no ar com uma mistura de sangue recém derramado.

O rei lutava pela sua vida, como um guerreiro, mesmo com muitos ferimentos causados pelo seu general ainda se mantinha de pé, com a espada em punho, novamente ele ataca sendo parado pela lamina de Levi que a derruba no mesmo instante, sem mais defesas Henry fica de joelhos com Levi apontando para sua garganta.

Levi pense bem antes de fazer isso.

Se fizer não terá mais volta.

- ME DEIXA EM PAZ!

- Com quem você está falando? Não tem ninguém aqui além de nós. Henry fala assustado.

Pense em seu filho.

Nesse momento Ayme está na porta do palácio, vá até ela.

Deixe Henry viver.

- FIQUE CALADA! EU VOU TERMINAR O QUE COMECEI. Ele volta sua atenção ao rei que está no chão. - Suas últimas palavras majestade...

- Diga a Ayme que sempre amarei ela!

- SEU DESGRAÇADO!

Levi consumido pela sua raiva acumulada por todos os acontecimentos não se segura e passa sua espada pela garganta do rei que não tem tempo de gritar.

Ele fica ali olhando todo o sangue envolta do corpo de Henry, sua vida se esvaindo assim como sua raiva sessando aos poucos.

Levi pega a coroa caída.

- Saiba que serei um rei muito melhor que você foi... majestade. Ele fala olhando diretamente para os olhos sem vida de Henry.

Saiba que seus atos terão consequências.

- Agora não!

Levi sai pelo meio dos escombros deixando o corpo de Henry para trás.

Assim que chega ao salão principal observa a luta que ainda segue do lado de fora, e ao longe ele vê Ayme correndo e gritando seu nome. Ela não poderia estar ali, não naquele momento, deveria ter ficado em casa, em segurança, afinal Levi havia dito a ela que voltaria.

Ele correu em sua direção com a espada em punho pronto para se defender dos soldados inimigos.

Mas ele não foi rápido o bastante.

Na metade do caminho sua visão ficou embaçada, sua respiração mais curta e seu coração acelerou.

Ele viu Ayme ser atingida por trás.

No mesmo momento em que ela gritava por seu nome, já não falava mais, estava atordoada com o ferimento que começava a sangrar, caiu de joelhos e olhou para seu peito ensanguentado. Não havia o que fazer.

Levi movido por uma fúria descontrolada correu até o soldado que a atingira dando um golpe que cortou sua cabeça, seu corpo caiu com um baque, já sem vida.

Ele voltou até Ayme que estava agora deitada com as mãos em seu peito tentando estancar o sangue que escorria.

- Ayme querida! Vai ficar tudo bem, vou te levar pra casa! Levi falava tentando passar confiança em suas palavras. - Você vai ficar bem! ele coloca as mãos sobre as delas.

- Levi, tudo bem. Eu estou tranquila. Ayme diz e lagrimas escorrem por seu rosto.

- NÃO! NÃO. Você não pode me deixar. Levi diz não conseguindo segurar suas lagrimas. - vai dar tudo certo, teremos a vida que você e nosso filho merecem, eu prometo. Só fique viva.

- Você promete, que vai procurar por nós?

- Ayme por favor, aguente firme, vamos sair daqui, vai ficar tudo bem! Levi fala segurando as mãos dela. - Você tem que ser forte querida, por nós! Leo precisa de você, e um rei precisa da sua rainha.

- E-eu não sei se consigo! Está tudo bem, vocês ficarão bem. Vão cuidar um do outro. Meus meninos! Ayme fala entre soluços. - Promete que vai me amar quando meu coração parar? Você continuará sendo meu?

- Eu sempre vou te amar querida!

- Olha pra mim Levi! Você promete me encontrar na vida após a morte? Ayme fala com um pouco de dificuldade encarando um Levi desesperado.

- Eu prometo!

- Cuide bem do nosso Leo.

Suas mãos caem de lado, ela dá seu último suspiro e fecha os olhos.

Levi a pega no colo e leva para dentro do palácio, fora do caos. Para que descanse em paz.

- POR QUE FEZ ISSO COMIGO? POR QUE AYME? Ele grita olhando para cima a procura de Aine. - DE TODOS NESSE REINO ERA A ÚNICA QUE NÃO MERECIA ISSO.

Não demorou muito para que a deusa aparecesse para respondê-lo.

- Levi, eu lhe avisei, muitas vezes não foi? E alguma delas você me ouviu de verdade? A deusa o encarava com um pesar nos olhos.

- Poderia ter feito qualquer coisa... qualquer coisa. Levi fala cansando após essa noite longa e cheia de batalhas e mortes. - Mas ela não... foi a melhor pessoa que eu conheci, ela não merecia morrer assim, tão brutalmente, sua vida havia acabado de começar, é injusto. Ele se senta no pé da escada, deixando transparecer toda sua dor, passa a mãos sobre seus cabelos e solta uma risada estranha. - Eu tinha conseguido algo bom para nós, ela seria a rainha desse palácio.

- Mas você fez isso do modo errado, não precisava disso, vocês já eram uma família feliz, mas quis mais do que podia ter e agora esse foi seu castigo, e eu o avisei tantas vezes. O único culpado disso tudo aqui é você Levi, somente você poderia ter mudado o rumo dessa história... realmente foi uma pena Ayme ter sofrido dessa maneira. Tudo pela sua fome de poder.

- VOCÊ. Ele avançou com raiva em cima de Aine que não recuou. - VOCÊ! Agora ele apontava o dedo para ela. - FOI VOCE QUEM FEZ ISSO! EU HAVIA PEDIDO PARA ELA FICAR EM CASA, MAS APARECEU AQUI NO MEIO DA BATALHA, FOI VOCÊ QUEM A TROUXE.

A deusa assumiu a forma de um urso ficando maior que Levi, levantou uma pata e ele se afastou novamente.

- Primeiramente senhor Levi Meyer exijo que me respeite. Segundo eu lhe avisei que algo ruim aconteceria se continuasse com seu plano idiota de matar o rei. Terceiro você roubou de Penumbra e isso é estritamente proibido, minha irmã confiou em você e ainda sim o fez.

- Espera, aquele lugar tem algo que cure não é? Você pode trazê-la de volta para mim, faça isso por ela e por Léo, ele não pode crescer sem a mãe. Levi fala com uma ponta de esperança em sua voz.

- Nos temos sim plantas curativas, mas não para quem já não está mais entre nós. Tem uma lenda que sempre ouvíamos no monte dos deuses, que existe uma flor, a dália negra, diz a lenda que ela cura qualquer coisa e pode trazer um morto de volta a vida, mas toda magia tem um preço, e ninguém sabe qual é a dela. Quem a guarda é uma velha bruxa da floresta, nunca ninguém conseguiu encontrá-la. Mas não vá atrás disso Levi, é só uma lenda, não sei se é real ou não. Siga sua vida e cuide de seu filho. Levi faz menção de falar mas logo ela o interrompe. - E não ouse entrar em penumbra novamente, você roubou algo de nós mesmo sendo estritamente proibido, minha irmã confiou em você e ainda sim o fez, agora sou obrigada a lançar uma maldição sobre sua família.

De penumbra algo foi levado.

De sua vida será retirado.

Uma alma pela magia.

Sua maior paixão penumbra buscaria.

Após dizer essas palavras selando a magia Aine sumiu em uma nuvem de borboletas. Deixando Levi sozinho e atordoado, ele não imaginava que pegar duas laranjas trariam tanta revolta para sua vida. Nunca pensou que isso pudesse acontecer, a pessoa que ele mais amou se foi, agora lhe deixando um filho, um herdeiro para o reino.

Mas Levi não desistiria tão fácil, enquanto existisse alguma chance de trazê-la de volta ele tentaria.

Voltando para a luta que não sessara, usa toda sua raiva transformada em tristeza e acaba com todos em sua frente, todos que ousem erguer a espada para ele. Finalmente acabaria com aquela guerra sedenta por poder, aquilo tudo teria um fim naquela noite.

CHEGOU AO FIM.
GOSTARAM?
QUEREM UM EPÍLOGO?

Leiam Trono de Luz

Em breve postarei mais sobre o mundo de Penumbra Verde.

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