CAPÍTULO XI


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“Durante toda a grande guerra
Sempre se lembre
Lágrimas na carta
Eu jurei não chorar mais
Se sobrevivêssemos a grande guerra”


- The Great War, Taylor Swift.

LEVI


Na manhã seguinte, quando todos já haviam acordado começaram a arrumar as coisas para voltarem, era inevitável, o rei aceitara a armadilha disfarçada de oferta de paz, a luta havia acabado, pelo menos por hora. Algo maior os esperavam.

Enquanto Levi ajudava a levantar as barracas não parava de pensar em seu plano, daria certo ele sabia disso, estava disposto a fazer de tudo por sua nova família. Mas havia algo a mais, como se uma voz estivesse em sua cabeça invadindo seus pensamentos.

Levi não faça isso.

Mostre que você tem bondade no coração e faça o que é certo, não o que é fácil.

Não poderei mais lhe ajudar se continuar com esse plano.

Não podia se deixar levar por esses pensamentos, não eram seus e ele sabia de quem eram.

(Era eu gente, juro que tentei ajudar)

Continuou com sua tarefa tentando se esquecer desses pensamentos. Após guardar as barracas foi reagrupar os soldados que poderiam ainda estar nas trincheiras. No caminho notou Ryle correndo em sua direção, parecia nervoso.

- Senhor, trago notícias do reino! É sobre a senhora Meyer. Ela entrou em trabalho de parto durante a madrugada, seu filho nasceu!

- O que?! Levi não estava preparado para receber essa notícia tão cedo, de repente veio aos seus pensamentos tudo que a voz lhe disse sobre seu plano. - Ayme? Como ela está? Foi a única coisa que conseguiu dizer com seu nervosismo aparente.

- Está bem senhor. O bebe é forte e a mãe também, estão todos bem e a sua espera.

- Fico aliviado em saber, obrigada Ryle! Ele soltou o ar que segurava, se ela estava bem então está tudo certo. - Já estamos prontos para voltar?

- Sim senhor! Na verdade só faltam os soldados, o rei já voltou antes mesmo de o sol nascer. Foi ele quem mandou a notícia, está com ela nesse momento pode ficar tranquilo. O soldado disse sem maldade nenhuma em suas palavras, sem saber o que elas causariam a Levi.

- AQUELE DESGRAÇADO FILHO DA MÃE!

Levi não se conteve e partiu naquele momento deixando que Ryle levasse os outros logo em seguida.
Ele não sabe de onde tirou forças para chegar tão rápido a Aquiles correndo sem parar para descansar, suspeitava que fosse pelas folhas magicas, mas não era só isso, era movido também pela raiva, que audácia henry tinha de ir ao encontro de Ayme antes mesmo dele, vira seu filho primeiro. Levi precisava se acalmar ou acabaria com o rei, precisava respirar fundo e fingir que estava tudo bem, que ele era apenas um amigo ajudando.
Em pouco tempo já estava de volta ao reino tudo parecia tão calmo, tão diferente do cenário que acabara de sair, do caos a calmaria. Foi diretamente para casa, passou pela porta de madeira e sentiu o maravilhoso aroma de café fresco, a mãe de Ayme estava preparando diante do fogão enquanto o pai dela estava sentado à mesa e logo ao seu lado estava ele, Henry. Ele segurava seu filho no colo. Aquilo fez o sangue de Levi ferver de raiva, ele queria pegar o rei pelo pescoço ali mesmo, na frente de todos, tirar seu filho dos braços dele.
Antes de fazer algo de que se arrependeria logo após, respirou fundo e contou até 10, só não contou até 100 pois ficaria estacado ali como uma porta.

Assim que ele viu seu filho de perto sua raiva sessou um pouco, o suficiente para não atacar o rei.
O pegou em seus braços e encarou aquela pequena criatura que acabara de vir ao mundo, um mundo cruel onde ele faria de tudo para proteger e dar de tudo o que essa criaturinha merece, de tudo mesmo.

- Ele se parece muito com você! A mãe de Ayme diz.

- Exceto os olhos. Ele tem os olhos de Ayme. Senhor Harrison diz com um sorriso em seu rosto, maravilhado com seu neto.

- Ele é tão lindo! Meu filho! Levi diz um pouco emocionado, nunca imaginara que teria uma família, era como viver um sonho, estava tudo perfeito. Tudo como deveria ser.

(Se melhorar estraga)

- Vocês tem que escolher um nome. Henry se intromete deixando Levi irritado com sua presença nem um pouco requisitada.

- Onde Ayme está? Levi pergunta ignorando seu comentário, como se ele não estivesse ali.

- Está no quarto descansando, mas pode subir, basta olhar para ela que percebemos o quanto está sentido sua falta, vocês são muito unidos, em minha opinião não poderia ter se casado com alguém melhor . Senhora Harrison fala o olhando com carinho, o considerava como um filho.

- Fui eu quem tive sorte em encontrá-la, sua filha mudou minha vida para melhor, de longe foi a melhor coisa que já me aconteceu. Ele a responde retribuindo seu sorriso. Era igual ao da filha, cheio de energia e ânimo.

Levi ainda com seu filho nos braços foi em direção às escadas. Já havia se acostumado a morar em uma casa grande e espaçosa, não se via mais morando em seu antigo lar, tão pequeno para uma família tão grande. Levi não sentiria falta daquele lugar, não de uma casa caindo aos pedaços atulhada de seus velhos pertences e muitas pessoas.
Ele se viu de volta a realidade ao chegar em seu quarto, já ouvindo o habitual som dos pássaros e a brisa que passava pelo corredor, ele amava aquele aroma que o vento sempre trazia nas tardes calmas do dia a dia.

- Ayme querida? Levi diz entrando.

- Levi é você? Ela pergunta sonolenta.

- Sou eu querida, voltei pra casa! Como você está?

- Eu estou bem. Ayme diz se sentando na cama. - E você, está bem? está ferido? Ela fala o analisando.

- Estou ótimo, nem um arranhão sequer! Levi se senta ao lado de Ayme.

- Que bom! E como foi? Nós ganhamos? Ela parecia animada como sempre.

- Bom, não posso dizer que perdemos, mas seu amigo teimoso fez uma escolha errada que pode acabar prejudicando a todos. Mas não vamos falar sobre isso agora. Primeiro temos que escolher um nome pra esse carinha.

- Na verdade eu já andei pensando nisso, se você concordar é claro. Ela diz com um sorriso. Aquele sorriso que Levi tanto gostava de ver.

- E qual seria? Ele pergunta finalmente ficando mais animado após esse dia cansativo.

- Leo.

- Leo Meyer! Levi diz para seu filho. - O que você acha carinha? Eu gostei. Ele olha para seu filho, que carrega nos braços.

- Combina com Levi, por isso escolhi esse nome, já que ele é a sua cara! Ela diz rindo.

- já é a segunda vez que ouço isso hoje. Quer dizer que ele tem sorte, vai ser um cara bonitão igual o pai! Levi fala com seu habitual sorriso de canto, numa tentativa de mostrar toda sua beleza.

- Não posso discordar disso! Os dois começam a rir.

Mais tarde naquele mesmo dia Levi havia saído para falar com seus soldados sobre a oferta de Aremot. Contou tudo sobre o acordo que o rei fizera, todos concordaram que era uma armadilha e que Henry havia caído facilmente nela. Estavam armando uma estratégia para ficarem preparados para um possível ataque ao Palácio, iriam ficar postos de guarda o tempo todo. Menos Levi que combinaram que ficaria em casa até que realmente fosse necessário.
No caminho de volta ele decidiu passar pelo jardim de flores silvestres e muitas lembranças lhe vieram a mente, seu primeiro encontro com Ayme, no dia em que havia chegado, ele estava tão cansado de sua viagem e Ayme conseguia deixá-lo a vontade e o contagiou com sua animação, naquela tarde agradável que passou com ela, já sabia que não iria embora tão cedo. Avistou as rosas amarelas que sempre lhe dava, resolveu colher algumas para levar para casa, ela iria gostar, como nos velhos tempos, era bom manter uma tradição.

Quando de repente ouviu alguém o chamando de longe. Olhou em volta mas não havia ninguém, tinha tanta coisa na cabeça que pensou ser mais um de seus pensamentos.
Voltou sua atenção para as lindas rosas, quando se abaixou para colher uma delas ouviu seu nome novamente, agora mais alto e claro como uma pessoa lhe chamando, sentiu uma presença um tanto diferente e ao olhar para trás se deu com um ser que não parecia humano, pelo menos não totalmente, estava mais para um ser místico, como nos contos de fadas. Era uma mulher, mas ela era verde e tinha orelhas pontudas como as de um duende, sua áurea parecia celestial, parecia brilhar em sua volta, com isso Levi soube de quem se tratava. Era a deusa da natureza que tanto o acompanhava e tentava aconselha-lo. Aine.

(Ai gente, finalmente apareci como sou de verdade, em mais uma tentativa de dar um bom conselho pra esse ser teimoso e cabeça dura, e também com uma notícia...bom continuem lendo ai).

- Então essa é você? Quer dizer, em sua forma verdadeira? Levi pergunta a encarando.

- Sim, mas com um pouco menos de brilho, para não cega-lo. Como se lembra, não posso aparecer para um mortal em minha forma divina, sou mais como uma aparição, ou um espirito... e não ouse me chamar de espirito da natureza novamente! Ela fala o repreendendo. - Mas não é por isso que estou aqui. Tenho notícias de sua família. Como não tem contato com eles me senti na obrigação de avisa-lo sobre isso.

- O que houve? Levi pergunta parecendo assustado com essa aparição repentina.

- Bem, eles haviam contraído uma doença a algum tempo, e infelizmente faleceram essa manhã. A deusa diz com calma. - Sinto muito por sua perda Levi.

- Não... não pode ser! Ele perde o equilíbrio e cai entre as flores, parece sem reação após receber a notícia. - eles... não posso acreditar! POR QUE NÃO ME AVISOU ANTES? SE ELES ESTAVAM DOENTES EU...

- Você o que Levi? O que você iria fazer? Ia matar alguém? Porque isso não resolveria seus problemas! Acha que não sei no que anda pensando? Eu estou do seu lado desde o dia em que resolveu ajudar o povo do seu reino, ajudar sua família e nunca mais voltou. Você os abandonou lá para morrer, com a promessa de que voltaria para ajuda-los, e acredite eles estavam esperando até o último momento, eles acreditavam que você voltaria, então se quer culpar alguém culpe a si mesmo! Ela diz apontando o dedo para seu peito. - E mais uma coisa, esse é meu último aviso, não faça isso, não deixe a ira tomar sua mente e seu coração, faça a coisa certa ou então serei obrigada a fazer algo que aposto que não vai gostar nem um pouco. É melhor pensar bem antes de agir, essa é sua última chance. A deusa respira fundo e fecha os olhos a espera de uma resposta de Levi.

- Todos eles se foram? Levi pergunta ainda no chão, sem forças para se mover. - Meus irmãos?

- Todos eles. Ela diz um pouco mais calma. - Todos eles se foram Levi, só restou você...Sinto muito, e espero que isso o faça mudar de ideia.

Levi não consegue se segurar e lagrimas escorrem pelo seu rosto, uma expressão de dor toma conta dele.

- Me desculpe! Achei que eles ficariam bem, e eu iria busca-los para viver conosco em Aquiles. Eu...devia ter lhe ouvido quando ainda havia tempo. Agora já é tarde demais. Ele se levanta, ainda com lagrimas nos olhos a responde. - Agora tenho que cuidar da minha família, vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para protege-los!

- Você pode protege-los fazendo a coisa certa.

- Certo.

E então a deusa desaparece pela floresta, deixando Levi sozinho com seus pensamentos.

- Olá querida, como está se sentindo? Levi chega pela porta com flores amarelas em sua mão e as entrega para Ayme sentada a mesa.

- Oi querido, estou bem. Ela diz pegando as flores. - São lindas, obrigada!

- Onde Leo está?

- Com a mamãe. Está dormindo.

- Certo. Agora preciso falar sobre Aremot. Como havia dito, não perdemos, mas também não ganhamos.

- Como assim? Ayme pergunta confusa.

Levi conta a ela todos os acontecimentos dos últimos dias e ela o ouve com atenção, as vezes parecendo um pouco nervosa pela situação.

- Mas não se preocupe com nada querida, vai dar tudo certo, deixei meus soldados avisados e eles estão a postos em volta do palácio prontos para o que vier.

- Certo, confio em você.

Alguns dias se passam, Levi acompanhava de perto todo o processo da posse de parte das terras de Aquiles e não podia acreditar na tamanha burrice de Henry em achar que aquilo era a coisa certa a se fazer, e nenhum dos membros de seu conselho pareceu discordar. Chegaram a fazer uma votação mas apenas Levi enxergava a verdade.
Após uma semana o Rei convocou todo o reino para dar a notícia, de que estavam selando um acordo de paz com Aremot. Ele faria um pronunciamento em público para a comemoração de sua "vitória".
Nessa noite após o pronunciamento Henry insistiu em liberar todos os guardas do palácio, afinal era uma noite para comemorar, mesmo com os avisos de Levi.
Como Levi era o general ainda tinha uma certa vantagem sobre seus soldados mais leais, conseguiu com que alguns deles permanecessem de guarda mesmo com a liberação do rei. E foi para casa.
E foi no meio da noite que a notícia veio a seu encontro.
Um de seus soldados bateu a porta com tamanha força que acordou todos da casa, deixando os hospedes apavorados com a agitação que se ouvia nas ruas.

- SENHOR ESTAMOS SENDO ATACADOS, ELES ESTÃO AQUI, ACABARAM DE INVADIR O PALACIO! Ryle fala gritando para conseguir ser ouvido em meio ao caos que se instalava lá fora.

- Soldado calma, respira e me explica direito. Onde estão os outros que estavam com você? Levi fala mantendo a respiração calma enquanto se prepara rapidamente colocando seu aketon.

- Estávamos na porta quando de repente escutamos gritos vindos do portão principal, e logo após espadas brandindo, com isso já sabíamos o que estava acontecendo, o exército de Aremot estava nos atacando. Vim o mais depressa que pude, precisamos de você lá conosco. A guarda não vai aguentar por muito tempo, o soldado Liam já foi chamar os outros, mas eles são muitos.

- PRECISAMOS IR AGORA RYLE! Levi fala e vai direto até Ayme que segurava Leo. - Querida tenho que ir, mas eu volto! Me espere aqui, estará segura. Ele a abraça com força e segue em direção a dispensa, precisava pegar uma coisa antes de sair, era essencial.

Assim eles saem em disparado em direção ao palácio, havia pessoas correndo para todos os lados, uma cena lamentável de se ver, o povo estava fugindo pra se salvar. Levi pensou se deixar sua família tinha sido a coisa certa, mas agora não havia tempo de voltar. Afinal eles estariam seguros lá.
A cada esquina que passava via as pessoa fugindo desesperadas com a cena que se passava no palácio, estava pegando fogo, a entrada estava destruída, todas as linda flores que haviam ali, queimadas, não sobrou nada. De longe ele avistou alguns de seus soldados lutando bravamente, outros já caídos sem vida.
Levi passou pelos portões em chamas e pegou uma espada qualquer no chão.

- Soldado, fique aqui fora, não deixe que ninguém passe por essa porta.

- Mas senhor, eles ainda não entraram, pelo menos não passaram do salão principal, onde estão a maioria dos guardas, não tem como eles terem chegado ao rei ainda, já o levaram para o quarto secreto assim que ficamos sabendo da invasão.

- E é por isso mesmo que eu vou entrar, tenho que proteger o rei, esse é o meu trabalho.

- Sim senhor! O soldado faz uma mesura e sai.

Então Levi passou correndo pelo cenário de luta que se via pela frente, era um caos de gritos e sangue sendo derramado. Era hora de colocar seu plano em ação.

ESTÃO GOSTANDO DA HISTÓRIA?

O PROXIMO CAPÍTULO SERÁ O ÚLTIMO DESSA PARTE, QUEREM O EPÍLOGO?

DEIXA DEU VOTO SE GOSTOU!

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