CAPÍTULO IV
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“Não é culpa sua eu ter arruinado tudo
E não é culpa sua eu não ser o que você precisa
Amor, anjos como você não podem voar para o inferno comigo
Eu sou tudo que disseram que eu seria”
- Angels Like You, Miley Cyrus
LEVI
Depois de toda aquela coisa estranha de ontem à noite Levi mal conseguiu pregar o olho. Ficou repassando tudo em sua cabeça, todas as coisas ditas e não ditas. Todas suas ações e o que deveria ter feito em relação aos seus sentimentos. Que nem ele mesmo sabia o que estava acontecendo consigo.
Não sabia se tinha tomado a decisão certa ao aceitar o convite de Ayme para ficar mais tempo, ele precisava continuar.
A todo momento ficava lembrando do que o espirito havia lhe dito naquela tarde na floresta.
Não saia do seu caminho ou se perdera no seu objetivo.
Ele não sabia o que esperar desse espirito por ter aceitado ficar ainda mais tempo.
Não diga que não avisei.
Poderia ser um aviso ou uma ameaça.
Com uma ideia formada Levi se levanta ao amanhecer, assim que os primeiros raios de sol aparecem pela janela através da cortina cor creme de seu quarto. Sabe que já está na hora de acordar somente pelo canto dos pássaros que passam por ali.
Vai até o banheiro no fim do corredor devagar e sem fazer barulho, está tudo tão quieto que não parece ter ninguém acordado ainda.
Toma um banho rápido para despertar e volta para o quarto a fim de mudar de roupa.
Assim que Levi desce as escadas silenciosamente para sair encontra a mãe de Ayme parada ao fogão fazendo café. Se permitiu sentir esse aroma maravilhoso e decidiu aproveitar para comer algo antes de sair, não saberia quanto tempo poderia demorar.
- O que faz acordado tão cedo Levi?
- A.. Eu... preciso dar uma caminhada, tem muita coisa se passando na minha cabeça no momento.
- Certo, ao menos tome café primeiro, acabei de fazer. Ela diz lhe entregando uma xicara.
- Obrigado! Ele pega a xicara e toma tudo em dois goles apressados para sair logo antes que lhe façam mais perguntas que ele não posa responder. Principalmente Ayme. Precisa pensar antes de falar com ela, mas ainda antes de ela se encontrar com o príncipe.
Assim ele sai rapidamente antes que o pai de Ayme diga alguma coisa também.
Sua ideia era ir a floresta, a mesma que foi em seu primeiro dia em Aquiles, para ver se encontraria o espirito novamente. Esperava poder falar sobre sua estadia ali, o que havia em jogo na questão do aviso que ela o dera anteriormente.
Saiu tão cedo que foi andando pelas ruas totalmente vazia, com exceção da padaria, que já estava a todo vapor assando ao pães para os primeiros clientes. Ele nunca mais se acostumaria a viver em Dryness novamente, não depois de conhecer este reino tão lindo e farto, onde ele tinha tudo de bom que já havia desejado, coisas que ele não teria lá. Levaria muito tempo até se estabelecerem novamente como antes, e ainda assim não seria tão bom quanto Aquiles.
Mas estava realmente pensando que seu feito de ajudar o reino poderia leva-lo a realeza, poderia ter literalmente tudo a seus pés. Tudo que sempre quis. Ser reconhecido pelo que realmente nascera para ser. Alguém importante, com dinheiro e poder.
Porém havia alguém que o impedia de ir imediatamente atrás disso. Ayme.
Ela seria capaz de fazê-lo desistir de tudo, do plano todo, apenas para ficar de seu lado. Se ela também sentisse o que ele sente por ela.
Ele já tinha pensado, desistiria de tudo para ficar ali com ela. Mas antes precisava saber as consequências disso, se valeria a pena. Qual seria o preço por seguir seu coração?
Passou pelo campo onde tinham as mesmas flores que o tinham chamado a atenção, estava perto do lugar.
Andou por mais alguns instantes e já pode ver a floresta começando, pelas arvores que iam ficando mais próximas umas das outras e suas copas iam fechando o céu de um azul forte. O sol se escondeu entre as folhas, tendo visão apenas pela claridade de alguns raios que passavam por entre as folha dos galhos mais altos.
Assim que chegou olhou a volta para se certificar de que estava sozinho. Ouvia apenas o barulhos dos pássaros e da agua corrente de uma cachoeira que havia ali perto. Certo estava sozinho.
- Ei! Você ai, espirito da natureza. Apareça!
Esperou pela resposta que não veio como ele esperava.
- ONDE VOCÊ ESTA? TENHO PERGUNTAS. APAREÇA POR FAVOR!
Ele continua gritando por ela. Mas não tem efeito. Como ele faria para lhe chamar? Não tinha ideia, ela sempre aparecia.
(Gente em minha defesa eu estava ocupada assombrando um caçador que tentava matar um coelho! E sinceramente, tenho mais o que fazer do que ficar escutando um jovem apaixonadinho)
Então ele se lembrou que nas duas vezes em que ela falou com ele foi para chamar sua atenção sobre algo que ele não deveria estar fazendo. Na primeira foi tentando caçar um animal para comer, na segunda havia decidido ficar quando na verdade teria que partir, tinha saído de sua rota. Que ao que parece dessa vez não teve efeito algum sobre o espirito, talvez pudesse prever o futuro e já sabia sobre isso, se pensar bem faz sentido, pois havia lhe dito que ele não deveria sair do caminho ou se perderia, e foi o que aconteceu, se perdeu em seus sentimentos por Ayme e ficaria mais tempo. Também dissera que ele podia fazer o que quisesse, soou como um último aviso.
- Então acho que para chamar sua atenção tenho que caçar algum animal, tenho certeza que vira imediatamente para proteger seus bichinhos tão estimados. Ele fala consigo mesmo, pensando que já poderia atrai-la por dizer isso.
Andou pela floresta a procura de algum animal indefeso.
Até que de longe avistou uma onça. Certo não era nada indefeso, mas como não achou outro teria que ser esse mesmo. Já com a mão em sua faca escondida entre seu cinto e sua calça a pegou e foi silenciosamente na direção do animal. Nunca tinha caçado antes mas sabia que para uma melhor eficácia precisava de uma espingarda, algo que ele pudesse acerta-lo a distância, mas era o que ele tinha ali no momento, teria que servir, não precisaria exatamente mata-lo, apenas tentar já seria o suficiente para ela aparecer.
(Não gente, serio! Queria ter esperado pra ver o que ele faria com a onça usando apenas aquela faca velha, no máximo ia deixar ele com tétano e ia ser devorado pelo meu bichinho estimado. Mas eu não fiz isso claro, coitada da Ayme.)
Levi continuou se aproximando da onça. Uma gota de suor já escorria pelo seu pescoço, estava tenso, preocupado de que nem assim o espirito aparecesse, estaria em apuros com aquele animal.
Quando de repente alguém fala algo.
- Você poderia por favor abaixar essa sua faquinha enferrujada? Já estou farta de comer caçadores, e você nem é um dos mais carnudos.
Levi leva um susto tão grande que deixa sua faca cair no chão. Apavorado com o que via, não podia acreditar. A onça estava falando com ele? Só podia estar alucinando. Ele está tremendo tanto que mal consegue dizer alguma coisa.
- V-vo... você! Como? Ele diz olhando o animal com medo visível em seus olhos. - Mas que mer...
- Olha a boca rapazinho! Como é tolo, claro que a onça não fala, sou eu o espirito da natureza! Mas é ridículo me chamar assim, não morri, não sou um espirito. Sou Aine, deusa da natureza. D-E-U-S-A. Entendeu? A onça olha pra ele se aproximando.
- Como você...? ele continua tremendo de nervosismo com a onça chegando mais perto, sem saber se sentia medo por ela estar tão perto ou por ela estar falando com ele.
- Já vi que vou ter que explicar tudo. Certo. Como já lhe disse, sou uma deusa, não sou uma onça nem qualquer outro animal, sou uma mulher e posso assumir a forma que eu quiser, assim como também posso possuir um corpo, mas não de pessoas, somente de animais. Se eu aparecesse pra você na minha forma natural seria mais espantoso que uma onça, lhe garanto, nós deuses não somos como vocês mortais. Na minha forma eu poderia lhe deixar cego com meu brilho celestial, ou você ficaria encantado pela magia. Acredite a onça é o menor de seus problemas rapaz. Então você queria minha atenção, agora a tem, o que quer?
- Certo. Eu tenho algumas perguntas! Levi diz um pouco mais calmo. - Quando você disse que se eu saísse do meu caminho ia me arrepender. O que quis dizer com isso? Foi um aviso ou uma ameaça? Preciso saber.
- Ah, então agora você está preocupado com as consequências de suas ações? O que te fez mudar de ideia? A onça senta e começa a lamber suas patas como se fosse a coisa mais natural do mundo estar conversando.
- É que tem uma pessoa.
- Hum, interessante. Conte-me mais.
- O nome dela é Ayme! Me convidou para ficar na casa dela por um tempo, e esse tempo em que passamos juntos, acabei me apaixonando por ela, mas não sei se seus sentimentos são os mesmos. Eu queria poder ficar e descobrir.
- Isso eu posso descobrir pra você, estou sempre observando. E nesse exato momento ela está tendo uma conversa com os pai dela sobre você.
- Mas você não me disse, quais são as consequências se eu decidir ficar. O que só farei se ela me quiser, se não continuarei minha viagem.
- Levi, não vou fazer nada com você, não são essas consequências das quais havia falado, não por esse motivo. Quis dizer que você não deve fazer nada de errado quanto a Penumbra, pois vi em seu caráter o quanto pode ser ambicioso, e quando você entra em um lugar magico fica um pouco extasiado com tanta coisa que poderia fazer com a magia, fica cego. Eu só estava te avisando desde o começo para que isso não subisse a sua cabeça quando estivesse lá. Quanto ao seu reino, sua família, isso é decisão sua abandona-los lá, esperando por você. Não posso fazer essa escolha por você. Então se você quer ficar, fique. Não lhe acontecera nada de mal se não mexer com a magia de modo ambicioso.
- Entendi. Obrigado, mas e Ayme, pode saber o que ela sente por mim? Por que se ela disser que prefere o príncipe vou embora hoje mesmo. Deixo ela viver a vida dela e continuo minha jornada.
- Se é o que você deseja, sim posso lhe dizer. A onça fecha os olhos por um momento, parece estar se concentrando em algo. - Ela está dizendo aos pais que precisa muito falar com você, de preferência antes de ir ao encontro do príncipe.
- Então ela vai... acho que...
- Espere! Ela não acabou. Também diz que vocês são só amigos e que faria o que seu coração mandar. A onça abre os olhos novamente e vê um Levi aflito.
- Então quer dizer que ela vai aceitar. Ele diz se sentando com uma expressão triste no rosto, como se desistisse de algo importante.
- Não se precipite, talvez ela não queira ter dito nada aos pais, talvez ela queria ouvir isso de você.
- Mas ela disse que somos apenas amigos! Levi diz com as mãos cobrindo o rosto.
- E você em algum momento demonstrou algo a mais?
- Eu... não sei. Talvez não o suficiente para que ela notasse.
- Mas ela demonstrou, desde o começo. Caso você não tenha percebido vou te relembrar. Ela lhe convidou para ficar em sua casa, um completo estranho, depois te pediu para ficar e leva-la ao baile, e por momento nenhum mencionou ter interesse no príncipe, dançou com ele por obrigação, era seu dever para com o rei e foi ao seu encontro assim que ele a dispensou, e como viu que ficou chateado por ela ter sido escolhida lhe pediu para ficar mais. Agora me diga por que acha que ela vem adiando sua partida a tanto tempo?
- Porque ela sente algo por mim! Ele se levanta de súbito. - Eu preciso ir vê-la. Dizer o que sinto, dizer que quero ficar.
- Então é melhor se apressar pois ela está saindo de casa nesse momento. A onça indica o caminho de volta com a pata. - Mas não se esqueça do que te disse sobre a magia.
- Não vou esquecer. Obrigada por me ajudar. Torça por mim!
Então Levi sai correndo em disparada direto para o centro, não teria tempo de ir na casa dela, iria de encontro com ela no caminho. Passou tão rápido pelas árvores que não demorou muito para ver a luz do dia novamente a céu aberto, já estava quase entardecendo, com o sol se escondendo atrás das nuvens.
Quando ele passa perto do campo de flores se lembra do quando Ayme gosta delas, decide parar e pegar algumas, tão rápido como parou já segue adiante novamente com mais velocidade que consegue, tomando cuidado para não estragar a flores que pegara.
Passou pela praça do reino onde fica o chafariz de um elfo. Diminuiu a velocidade e andou mais devagar a procura de Ayme.
Olhou para todos os lados, havia muitas pessoas na rua naquele momento, estava difícil localizar ela.
De repente vê de longe uma moça de vestido Creme com pequenas margaridas costuradas. Ele reconheceria de longe, era um trabalho de Ayme com certeza.
Estava muito longe para alcança-la então gritou de onde estava.
- AYME, ESPERE!
Ela para de repente e procura quem a chama.
Ao ver Levi indo em sua direção abre um sorriso encantador.
(Bom eu disse que não perderia meu tempo com um rapaz apaixonado, mas não resisti como puderam ver, e ainda ajudei, confesso que shippei um pouco também, afinal ele disse que ia desistir de tudo pra ficar com ela, um pouco egoísta mas Ayme é muito legal. Mas continuem por aqui, anda tem mais história para contar).
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